1266: Desvendado o mistério da múmia que não se decompõe há 300 anos

CIÊNCIA

Der luftg’selchte Pfarrer in der Pfarrkirche von St. Thomas am Blasenstein

Uma equipa de investigadores alemães desvendou finalmente o mistério da múmia do sacerdote austríaco Franz Xaver Sydler von Rosenegg que não se decompõe desde o século XVIII.

A múmia, posteriormente apelidada de Leather Franzy pelos habitantes locais, causou desde logo alvoroço quando se descobriu que o corpo não se tinha decomposto – apesar de ter sido enterrado em 1746.

Agora, e depois de uma análise de dez meses, os cientistas não só confirmaram a identidade do padre, que viveu no distrito austríaco de St. Thomas am Blasenstein, como descobriram a verdadeira causa da sua morte.

A equipa precisou que o homem era o vigário paroquial Franz Xaver Sydler von Rosenegg, que terá vivido entre 1709 e 1746.

De acordo com os cientistas, o sacerdote terá morrido aos 37 anos vítima de uma hemorragia interna causada por uma tuberculose pulmonar. Até então, acreditava-se que o austríaco tinha morrido de epilepsia, tal como noticia o The Sun.

“O pulmão direito da múmia revelou uma tuberculose avançada e uma hemorragia como as principais causas da morte”, explicaram os cientistas, revelando ainda que as condições em que o sacerdote foi sepultado ajudaram a manter o corpo quase intacto.

“O cadáver do padre estava coberto por pedaços de pano, lascas de madeira e galhos. Depois foi sepultado na cripta, que reunia as condições climáticas adequadas para assegurar que o corpo mumificasse sem se decompor”, desvendaram.

Mas as revelações não ficaram por aqui. A análise conduzida indicou também que o padre estava bem nutrindo, não revelando sinais de ter tido em vida um trabalho fisicamente duro. Escoriações nos seus dentes sugerem, contudo, que o sacerdote era um fumador habitual de cachimbo.

A datação por rádio-carbono de uma amostra de tecido datou a morte entre 1734 e 1780. Já os seus sapatos, foram estimados entre 1670 e 1750. Concluída a investigação, Franzy voltou à sua cripta, onde pode continuar a ser visitado pelo público.

ZAP //

Por ZAP
9 Novembro, 2018

 

1127: Desvendado mais um mistério da mítica Ilha de Páscoa

CIÊNCIA

Indabelle / Flickr

A mítica Ilha de Páscoa tem fascinado e intrigado cientistas ao longo dos anos, tendo surgido várias questões que vão desde de os famosos moais de pedra até à misteriosa extinção da civilização antiga. Uma equipa de arqueólogos acaba agora de desvendar um destes mistérios – o da extracção de água doce.

De acordo com um novo estudo, publicado recentemente na revista Hydrogeology Journal, os antigos habitantes de Rapa Nui mantiveram uma sociedade composta por milhares de pessoas recorrendo às descargas de água costeira como principal fonte de água doce.

Tendo em conta que a região onde os Rapa Nui habitavam era uma ilha, a questão da extracção e obtenção de água doce permanecia ainda por explicar. Além do território ser rodeado de água, os solos da região eram vulcânicos e porosos, absorvendo rapidamente as águas das chuvas, uma vez que praticamente não havia rios na ilha.

Ou seja, os pequenos lagos vulcânicos não eram suficientes fontes de água doce para um população tão numerosa.

De forma a responder a esta questão, uma equipa de arqueólogos da Universidade de Binghamton, na cidade norte-americana de Nova Iorque, levou a cabo uma investigação, na qual mediu a salinidade da água costeira à volta da Ilha de Páscoa, testando a hipótese de a água ter sido extraída do oceano.

Após as medições, os cientistas consideraram que a água oceânica era potável para consumo, podendo o oceano  ter sido um fonte de água doce para a civilização.

“Felizmente, a água subterrânea flui para baixo e finalmente deixa o solo no ponto exacto onde a rocha subterrânea porosa se encontra com o oceano. Quando as marés estão baixas, a água doce corre directamente para o mar. Os habitantes podem, desta forma, ter aproveitado estas fontes de água doce para recolher água nestes pontos”, explicou o co-autor do estudo, Carl Lipo.

Tal como explicou Lipo, a água doce misturava-se um pouco com a salgada, criando a chamada água salobra – uma água que contêm sal, mas não em níveis prejudiciais para o ser humano.

Contudo, esclarece o investigador, os habitantes de Rapa Nui raramente utilizavam sal na preparação da sua comida, uma vez que a água que consumiam contribuía drasticamente para a ingestão diária de sal.

A mítica Ilha de Páscoa

Localizada no Chile, a Ilha de Páscoa é um dos locais mais misteriosos do nosso planeta. Há dois mil anos, foi lar de uma civilização Polinésia que deixou na ilha um grande número de vestígios em forma de moais gigantes que, acreditam os cientistas, personalizam os antepassados dos antigos moradores da região.

A civilização praticamente desapareceu da ilha antes da chegada dos primeiros colonizadores. Desde então, o seu desaparecimento tem levando dúvidas mas, de acordo com as teorias mais aceites pela comunidade científica, a sua extinção pode estar relacionada com a falta de recursos ou então com guerras entre grupos.

Em Agosto, o governo chileno anunciou que deverá rebaptizar a Ilha de Páscoa, apelidando-a de Ilha Rapa Nui, que significa “Ilha Grande” e é o seu nome ancestral.

Ilha de Páscoa foi a denominação dada pelo explorador holandês Jakob Roggeveen (1659-1729) – oficialmente o primeiro europeu a pisar na ilha –, que, como chegou à região num domingo de Páscoa, resolveu dar-lhe esse nome.

Por ZAP
11 Outubro, 2018

 

849: Descoberta de esqueletos de estrangeiros adensa mistério de Stonehenge

TheDigitalArtist(CC0/PD) TheDigitalArtist / pixabay

Continuam a ser feitas novas descobertas em torno do monumento de Stonehenge. Depois de se ter percebido que alguns dos famosos pilares que o compõem vieram de outros lugares, sabe-se agora que há forasteiros entre as pessoas enterradas no local.

Uma investigação arqueológica apurou que 10 pessoas enterradas no monumento de Stonehenge não eram naturais da Planície de Salisbury, no condado de Wiltshire, em Inglaterra, onde se situam os famosos pilares. Uma conclusão retirada após a análise a vestígios humanos desenterrados no local.

Stonehenge, que foi usado como cemitério nos seus tempos primitivos, tem sido alvo de escavações desde o Século passado. Entre 1919 e 1926, as pesquisas efectuadas no terreno revelaram os vestígios de cerca de 58 pessoas que tinham sido cremadas.

Os vestígios humanos estavam nos chamados Buracos Aubrey, uma série de 56 poços, onde foram encontrados fragmentos de ossos occipitais, ou seja da base do crânio, pertencentes a, pelo menos, 25 pessoas.

Os investigadores estudaram estes fragmentos pela análise dos isótopos de estrôncio dos ossos, como explicam no artigo científico publicado no jornal Scientific Reports.

Esta técnica é habitualmente usada nos dentes, que “retêm incrivelmente bem os isótopos de estrôncio”, explica o Sciencealert. O estrôncio é um metal branco-prateado que se pode encontrar no solo e que é absorvido pelas plantas. Quando estas são ingeridas pelas pessoas, como parte da alimentação, os isótopos de estrôncio “substituem algum do cálcio nos dentes e ossos”.

Christophe Snoeck et al
Fragmentos de osso cremados encontrados em Stonehenge.

Viajantes oriundos de Gales

Os isótopos, que podem ser definidos como átomos de um mesmo elemento químico, podem ser associados a determinadas regiões geográficas, ajudando a identificar o tipo de alimentação de uma pessoa ou até de onde é.

E o facto de os corpos terem sido cremados não foi um problema para os investigadores. Este processo destrói “toda a matéria orgânica, incluindo o ADN, mas a matéria inorgânica sobrevive”, explica o líder da investigação, Christophe Snoeck, da Universidade de Oxford, em declarações ao jornal The Guardian.

No caso de elementos químicos pesados como o estrôncio, a cremação até tem efeitos positivos. “Graças às altas temperaturas alcançadas, a estrutura do osso é modificada, tornando-o resistente a trocas post-mortem com o solo do enterro”, esclarece Snoeck.

Assim, os investigadores conseguiram comparar os isótopos de estrôncio antigos com os que se encontram actualmente em plantas, na água e na dentina (que compõe os dentes) de vários locais do Reino Unido.

Os resultados apurados foram surpreendentes, com a descoberta de que 10 das 25 pessoas enterradas não viveram os últimos anos da sua vida em Stonehenge, contendo isótopos coincidentes com os níveis de Gales.

Isto significa que estas pessoas podem ter sido viajantes que participaram no esforço que levou ao transporte das pedras do monumento desde Gales ocidental até à planície de Salisbury.

A datação por radio-carbono confirma que estas pessoas viveram entre 3180 a 2380 Antes de Cristo, época em que a cremação era prática habitual no território da actual Grã-Bretanha.

“O que é realmente fascinante é que esta data de cerca de 3000 Antes de Cristo coincide com as nossas datas de radio-carbono para pedreiras nos afloramentos das pedras, nas Colinas Preseli de Pembrokeshire, no oeste de Gales”, destaca o co-autor da investigação, Mike Parker Pearson, arqueólogo da Universidade College London, citado pelo Live Science.

“Algumas das pessoas enterradas em Stonehenge podem ter estado envolvidas na movimentação das pedras – uma jornada de mais de 290 km”, admite Pearson. A pesquisa concluiu ainda que 15 das 25 pessoas enterradas eram naturais de Salisbury, tendo vivido numa área em torno de 20 quilómetros do monumento durante toda a  vida.

Os vestígios de madeira encontrados também são reveladores. Quando Stonehenge foi erguido em 2500, as pessoas eram cremadas com madeira de diferentes tipos de árvores. Alguns dos vestígios dessas árvores utilizadas como combustível indiciam a construção de uma pira funerária a partir de madeiras locais, para cremar os mortos.

Todavia, outros vestígios apontam para árvores provenientes de bosques densos, como os que havia no oeste de Gales.

Os investigadores admitem que algumas pessoas podem ter sido cremadas noutro local e transportadas para a planície de Salisbury, para serem enterradas em Stonehenge, o que reforça a importância do local como um dos mais significativos espaços de enterro do Neolítico.

As conclusões retiradas “enfatizam a importância das ligações inter-regionais, envolvendo o movimento tanto de materiais como de pessoas na construção e no uso de Stonehenge”, conclui Snoeck.

SV, ZAP //

Por SV
6 Agosto, 2018

 

838: Desvendado mistério dos corpos queimados e sepultados em Stonehenge

Muitos são os mistérios que rodeiam Stonehenge, mas pelo menos um pode ser riscado da lista: de onde vieram os corpos que aí foram sepultados há cinco mil anos.

© REUTERS/Toby Melville

A descoberta dos restos mortais de 58 pessoas remonta às primeiras escavações, entre 1919 e 1926, e as razões porque aqui foram sepultadas sempre intrigaram os cientistas. Essa descoberta ainda não foi feita, mas sabe-se agora que não era habitantes das redondezas. O estrôncio presente nas ossadas mostra que muitas delas, ou os seus restos mortais, chegaram aí depois de percorrer centenas de quilómetros.

A conclusão pertence à equipa de Christophe Snoeck, químico da Universidade Livre de Bruxelas, e foi publicado na Nature. Apesar das altas temperaturas terem destruído o material genético dos restos mortais encontrados, os cientistas recorreram aos vestígios de estrôncio para determinar a sua origem.

Fragmentos de um dos ossos occipital que foi analisado
© Nature

Este metal de cor prateada situa-se abaixo do cálcio e como a sua estrutura é tão similar, os ossos acabam muitas vezes por absorver esta substância. E foi isso que os investigadores analisaram em ossadas de 25 pessoas, chegando à conclusão de que dez delas se alimentavam de vegetais do oeste de Gales na última década de vida.Uma viagem que pode estar relacionada com o transporte das pedras que compõem o monumento.

Por descobrir mantêm-se as razões que levaram os habitantes das montanhas de Preseli, a percorrer 225 quilómetros para depositar 80 rochas no sul de Inglaterra.

Bem como, o que significa Stonehenge: era um observatório astronómico, um templo religioso, um lugar de encontro de druidas, um sanatório ou um monumento à paz?

Diário de Notícias
Ana Bela Ferreira
03 Agosto 2018 — 10:41

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