3424: Solar Orbiter, a missão espacial que vai captar imagens dos pólos do Sol

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Sonda da Agência Espacial Europeia, em cooperação com a NASA, irá tentar capturar as imagens mais próximas do Sol até agora registadas. Irá aproximar-se até 42 milhões de km do Sol, a uma velocidade máxima de 245 mil km/h.

A Solar Orbiter deve capturar as primeiras imagens dos polos solares
© EPA/ESA/ATG MediaLab/NASA

A missão Solar Orbiter iniciará domingo uma viagem espacial para explorar os ventos solares, um fenómeno carregado de partículas potencialmente nocivas para as telecomunicações, e capturar imagens inéditas do Sol. A sonda da Agência Espacial Europeia (ESA) será lançada de Cabo Canaveral, na Florida, em cooperação com a NASA. A bordo: dez equipamentos científicos, que somam 209 quilos de carga útil.

Após passar pelas órbitas de Vénus e Mercúrio, o satélite, cuja velocidade máxima será de 245.000 km/h, poderá aproximar-se a até 42 milhões de km do Sol, ou seja, menos de um terço da distância entre a estrela da Terra.

Com essa trajectória, a Solar Orbiter “terá a capacidade de voltar-se directamente para o Sol”, explicou à AFP Matthieu Berthomier, investigador do Centro Nacional de Pesquisas Científicas (CNRS) francês.

Os novos dados completarão os compilados pela sonda Parker da NASA, lançada em 2018, que se aproximou ainda mais da superfície do astro (entre 7 e 8 milhões de km), mas sem a tecnologia de observação directa.

Com seis instrumentos de tomografia, a sonda europeia revelará as imagens mais próximas do sol já capturadas. Mostrará, ainda, pela primeira vez os pólos do sol, do qual só se conhecem actualmente as regiões equatoriais.

O objectivo principal da missão é “compreender como o Sol cria e controla a heliosfera”, a bolha magnética que rodeia todo o sistema solar, resumiu Anne Pacros, encarregada da missão da ESA.

Meteorologia espacial

Esta bolha está impregnada de um fluxo ininterrupto de partículas chamado ventos solares. “Os ventos solares podem ser lentos ou rápidos e ignoramos do que depende esta variabilidade. É o mesmo vento que varia ou são diferentes? Esse é um dos mistérios que esperamos resolver“, explica Miho Janvier, do Instituto de Astrofísica Espacial.

Às vezes os ventos solares são perturbados por erupções que ejectam partículas carregadas que se propagam no espaço.
Estas tempestades, difíceis de prever, têm um impacto directo na Terra: quando atingem a magnetosfera, provocam no mínimo as belas e inofensivas auroras polares. Mas o impacto também pode ser mais perigoso.

“Os ventos solares alteram o nosso ambiente electromagnético. É o que chamamos de meteorologia do espaço, que pode afectar nossa vida quotidiana”, afirma Berthomier.

A maior tempestade solar conhecida é o “evento de Carrington”, de 1859: destruiu a rede de telégrafos nos Estados Unidos, gerou descargas eléctricas, queimou papel nas estações e a aurora boreal tornou-se visível em latitudes inéditas, até na América Central.

Em 1989, em Quebeque, a modificação do campo magnético da Terra criou uma corrente eléctrica em larga escala que, por efeito dominó, fez saltarem os circuitos eléctricos, provocando um enorme apagão.

As erupções podem ainda perturbar os radares no espaço aéreo – como em 2015 na Escandinávia -, as frequências de rádio e destruir satélites.

Cortar a electricidade no espaço

Embora se tratem de acontecimentos invulgares, “a nossa sociedade depende cada vez mais do que acontece no espaço, por isso também é mais dependente da atividade solar, visto que quanto mais nos distanciamos da Terra, a magnetosfera protege-nos menos”, segundo Etienne Pariat, cientista do CNRS no Observatório de Paris.

“Imagine que metade dos satélites em órbita eram destruídos, seria uma catástrofe para a humanidade!”, diz Berthomier. Daí a necessidade crescente de contar com uma previsão meteorológica espacial.

Ao observar as regiões solares onde surgem estes ventos, a Solar Orbiter “permitirá elaborar modelos para melhorar as previsões”, diz Pacros. “Se sabemos que uma tempestade solar vai incidir sobre nós num ou dois dias, teremos tempo de proteger-nos, interrompendo os sistemas eléctricos dos satélites”, antecipa Berthomier.

A missão dirigida pela ESA, com um custo total de 1,5 mil milhões de euros, está prevista para descolar a bordo de um foguete Atlas V 411 do Kennedy Space Center, no domingo, às 23h locais.

A viagem vai durar dois anos e a missão científica, entre 5 e 9 anos.

Diário de Notícias

DN/AFP

spacenews

 

3414: Ver estrelas em 3D: o novo programa de paralaxe da New Horizons

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Imagens coloridas dos campos estelares de Wolf 359 (topo) e de Proxima Centauri, obtidas no final de 2019. Os grandes movimentos próprios de ambas as estrelas (no centro de cada imagem) vão fazê-las “desviar” mais de um segundo de arco em Abril de 2020, quando a sonda New Horizons da NASA, a 8 mil milhões de quilómetros da Terra, as fotografar. O círculo verde é uma estimativa da posição de ambas as estrelas nas imagens da New Horizons.
Crédito: William Keel/Universidade do Alabama/Observatório SARA)

Tem um telescópio de bom tamanho, com uma câmara digital? Então pode juntar-se, esta primavera, à missão New Horizons da NASA numa experiência do espaço profundo muito interessante e que vai quebrar recordes.

Em Abril, a New Horizons, que na altura estará mais de 46 vezes mais distante do Sol do que a Terra, a 8 mil milhões de quilómetros, vai ser usada para detectar “desvios” nas posições relativas de estrelas próximas em comparação com a posição para observadores cá na Terra.

A técnica é conhecida como paralaxe e é usada pelos astrónomos há já quase dois séculos para medir distâncias de estrelas distantes.

Nos dias 22 e 23 de Abril, a New Horizons capturará imagens de duas das estrelas mais próximas, Proxima Centauri e Wolf 359. Quando combinadas com imagens, obtidas da Terra e nas mesmas datas, o resultado será uma medição recorde da paralaxe, produzindo imagens 3D destas estrelas que “saltam” à vista no seu campo estelar que o projecto New Horizons partilhará com o público.

A equipa da missão está a coordenar a utilização de observatórios astronómicos e uma campanha pública de observação para fotografar as mesmas estrelas, no mesmo dia, para demonstrar o efeito de paralaxe.

“Estas emocionantes imagens em 3D, que vamos divulgar em maio, serão como se tivéssemos olhos tão amplos quanto o Sistema Solar e pudéssemos detectar por nós próprios a distância destas estrelas,” disse Alan Stern, investigador principal da New Horizons do SwRI (Southwest Research Institute) em Boulder, no estado norte-americano do Colorado. “Será uma demonstração realmente vívida da imensa distância que a New Horizons já percorreu e uma maneira engraçada de tirar proveito do ponto de vista exclusivo da sonda, na fronteira do nosso Sistema Solar!”

As duas estrelas-alvo da New Horizons podem ser observadas por qualquer pessoa com um telescópio de 6 polegadas (ou maior) equipado com uma câmara digital. Depois da New Horizons transmitir as suas imagens para a Terra, a equipa da missão fornecerá uma comparação com as imagens obtidas com telescópios amadores. Wolf 359 e Proxima Centauri parecerão mudar de posição entre as imagens terrestres e espaciais.

Em adição, trabalhando com o guitarrista dos Queen, Brian May – ele próprio um astrofísico e cientista participante da New Horizons -, a equipa científica vai criar e divulgar imagens 3D que mostram estas duas estrelas.

“Durante toda a história, as estrelas fixas no céu nocturno serviram como marcadores de navegação,” disse Tod Lauer, membro da equipa científica da New Horizons do OIR Lab (Optical-Infrared Astronomy Research Laboratory) da NSF (National Science Foundation). “À medida que viajamos para fora do Sistema Solar e para o espaço interestelar, o modo como as estrelas mais próximas mudam de posição pode servir como uma nova maneira de navegar. Veremos isto pela primeira vez com a New Horizons.”

Astronomia On-line
4 de Fevereiro de 2020

spacenews

 

3182: NASA já tem mapa do tesouro para encontrar a água de Marte

CIÊNCIA

A água em Marte ou na Lua são o “ouro” que as agências espaciais querem encontrar nos próximos anos. Assim, é natural que, daqui a cinco anos, a Rússia, Europa e EUA enviarão missões à Lua para encontrar água. Em breve, teremos robôs da NASA a escavar no solo lunar, nas crateras com sombra permanente no Polo Sul do satélite. No fundo, a Lua será “a rampa de lançamento” para Marte.

Um dos objectivos de ir à Lua é para perceber se a água lunar poderá produzir combustível para os foguetões. Isto servirá para pensar no nosso satélite como porto de partida até ao planeta vermelho.

Missões fundamentais para chegar a Marte conhecendo a Lua

São várias as missões a serem preparadas. Desta forma, os dados a adquirir nestas viagens serão essenciais para aprender a tirar o máximo partido da água de Marte nas próximas décadas.

Segundo um estudo publicado esta semana, na Geophysical Research Letters, com assinatura da NASA, os dados das naves espaciais Mars Reconnaissance Orbiter (MRO) e Mars Odyssey, ajudaram a criar um “mapa do tesouro” com o qual será possível encontrar e aproveitar a água de Marte.

Este mapa mostra que existem grandes áreas onde o gelo da água está a apenas 30 centímetros da superfície. Aliás, existe gelo com maior incidência no hemisfério norte de Marte, onde as condições são mais adequadas para um pouso.

Não vamos precisar de uma retro-escavadora para desenterrar este gelo. Uma pá será suficiente.

Referiu em nota Sylvain Piqueux, investigador do Jet Propulsion Laboratory (JPL) da NASA.

O investigador referiu que até esse dia chegar, a NASA irá continuar a extrair dados do gelo enterrado em Marte. Além disso, estão igualmente focados em escolher o melhor local para pousar a nave.

Missão aterrar em Marte e voltar

A missão humana a Marte, planeada para os próximo anos 30, tem uma grande desvantagem: a sua longa duração. Conforme é sabido, esta viagem vai durar pelo menos dois ou três anos, obrigando a tripulação a carregar tudo o que precisa para viver autonomamente no espaço e no planeta vermelho.

Uma opção é produzir combustível para foguetes, que é baseado em oxigénio e hidrogénio, a partir da água de Marte. Além disso, estão igualmente previstos sistemas de apoio à vida que reciclam alimentos, fezes, gases e líquidos, mas um pouco mais de água marciana não faria mal nenhum.

A atmosfera marciana é tão fina que o gelo exposto seria transformado em vapor directamente, sem passar pelo estado líquido. No entanto, alguns centímetros abaixo da superfície, exactamente onde se acredita que poderá haver vida microbiana segura da radiação que varre a superfície, a situação muda.

Graças a dados de temperatura cruzada, radar e espectrometria, os investigadores concluíram que há um tesouro escondido de gelo de água no pergelissolo dos pólos e latitudes médias de Marte. O mapa que desenharam revela a presença de áreas onde este gelo está particularmente próximo da superfície e poderia ser mais acessível.

Mapa com a distribuição do gelo subterrâneo de Marte. A roxo e azul, o mais próximo da superfície. A vermelho, o mais profundo – NASA / JPL-Caltech / ASU

O mapa mostra áreas em azul e roxo onde o gelo está a apenas 30 centímetros da superfície. Em vermelho estão as regiões onde a água está a 60 centímetros e em preto as partes de Marte onde um navio se afundaria na poeira fina.

Em seguida, os investigadores tentarão analisar como a abundância deste gelo próximo à superfície muda ao longo das estações marcianas.

Local de desembarque em Marte: Arcadia Planitia

Esta informação será fundamental na escolha de um local de aterragem para a primeira missão tripulada a Marte.

Por enquanto, preferem-se as latitudes médias que recebem mais luz solar e têm temperaturas mais quentes. Dentro destas, o hemisfério norte oferece regiões com elevações mais baixas. Como resultado, poderá haver uma vantagem na quantidade de atmosfera para parar as naves espaciais que têm de aterrar ali (em Marte a escassa atmosfera, com a poderosa gravidade, 38% da Terra, tornam as operações muito difíceis, especialmente com grandes aeronaves).

Um dos locais mais promissores no momento é Arcadia Planitia. Esta região tem grandes quantidades de gelo aquático a apenas 30 centímetros da superfície e fica no hemisfério norte. Assim, a questão que paira é se será aí que os primeiros humanos irão tocar no solo marciano.

NASA: Cientistas fazem descoberta desconcertante sobre o oxigénio de Marte

A atmosfera de Marte tem oxigénio, contudo, são apenas leves traços. Na verdade, além do gás que sustenta a nossa vida, o “ar que se respira” no planeta vermelho é composto por 95% de … Continue a ler NASA: Cientistas fazem descoberta desconcertante sobre o oxigénio de Marte

12 Dez 2019

2852: Os primeiros bebés podem nascer no Espaço daqui a 12 anos

CIÊNCIA

marcosdemadariaga / Flickr

A empresa SpaceBorn United pretende realizar missões espaciais entre 24 e 36 horas para que algumas mulheres dêem à luz em órbita dentro de 12 anos.

A notícia é avançada pelo fundador e CEO da empresa, Egbert Edelbroek, durante o primeiro Congresso de Ciência e Investimento Espacial de Asgardia, realizada esta semana em Darmstadt, em Hesse, Alemanha, de acordo com o britânico Daily Mail.

Edelbroek revelou que o objectivo da sua empresa, uma empresa emergente que investiga as condições da reprodução humana no espaço focado na tecnologia de reprodução assistida, é o parto em si, não a gravidez.

“Isso só é possível, por enquanto, na órbita baixa da Terra (LEO), graças a um processo de selecção muito completo”, explicou Edelbroek. LEO é uma órbita localizada a cerca de dois mil quilómetros acima da superfície da Terra.

O cientista disse que, para participar no projecto, os investigadores considerarão apenas mulheres com “alta resistência à radiação natural” que tenham tido dois partos anteriores sem problemas.

Edelbroek também explicou que, em cada missão, participarão 30 grávidas e poderão sair a qualquer momento. “É difícil planear um processo natural como este, se houver algum problema com o clima ou um atraso no lançamento”, acrescentou Edelbroek. No entanto, o CEO disse que “é possível” fazê-lo com “um nível de risco mais baixo” do que um nascimento actual de “estilo ocidental”.

Por fim, questionado sobre a estimativa de 12 anos, o CEO garantiu que a viabilidade dessa iniciativa dependerá do financiamento e da evolução do sector de turismo espacial. “Se esse sector acelerar da forma que está acontecer agora, haverá um mercado para pessoas muito ricas que não estão preparadas para os três meses de treinamento militar”. A esse respeito, ele disse que viajariam em “naves espaciais muito confortáveis”.

ZAP //

Por ZAP
17 Outubro, 2019

 

2650: NASA pondera regresso da missão a Vénus baptizada em honra de Fernão de Magalhães

CIÊNCIA

A nave, feita com componentes de outras missões, foi lançada a 4 de Maio de 1989 e esteve activa até 13 de Outubro de 1994, momento em que cumpriu a ordem de se despenhar na atmosfera venusiana.

Vénus
© Arquivo Global Media

O Laboratório de Propulsão a Jacto (JPL) da NASA submeteu uma proposta para regressar a Vénus através do programa Discovery, trinta anos depois da missão Magellan, que foi baptizada em honra do explorador português Fernão de Magalhães.

A proposta irá competir com cerca de uma quinzena de outras missões potenciais, disse à Lusa a vulcanóloga e cientista sénior do JPL Rosaly Lopes, que fez uma revisão do projecto, das quais a NASA escolherá apenas uma para voar.

“A missão Magellan foi a primeira que mapeou a superfície e realmente viu abaixo das nuvens de Vénus, que tem uma atmosfera muito espessa”, explicou a cientista do laboratório sediado em Pasadena, no condado de Los Angeles. “Antes da Magellan, quase não se tinha conhecimento da superfície de Vénus”, acrescentou.

A nave, feita com componentes de outras missões, incluindo das Voyager, foi lançada a 4 de maio de 1989 e esteve activa até 13 de Outubro de 1994, momento em que cumpriu a ordem de se despenhar na atmosfera venusiana.

Segundo Rosaly Lopes, a comunidade científica tem agora muito interesse em retornar a Vénus, “porque a Magellan foi uma missão muito bem sucedida mas ela ainda tem muitas coisas para descobrir”.

Originalmente denominada “Venus Radar Mapper”, a missão de exploração do planeta vulcânico foi renomeada “Magellan” (a versão inglesa de Magalhães) em 1985, “porque foi a primeira missão justamente a fazer a circum-navegarão de Vénus”, entrando em órbita ao redor do planeta, explicou Rosaly Lopes.

Homenagem a Fernão Magalhães

A referência a Fernão de Magalhães, que em Setembro de 1519 partiu na primeira viagem histórica de circum-navegarão da Terra, espelha a continuada importância das descobertas feitas pelo explorador português há 500 anos.

“Foi um marco importantíssimo na história da Humanidade”, afirmou a cientista luso-brasileira. “Como os portugueses sempre tiveram”, sublinhou.

A viagem de Fernão de Magalhães comprovou que o planeta é redondo e mostrou aos europeus que a sua dimensão era muito superior ao que se pensava na altura, bases científicas que hoje são postas em causa por uma franja da sociedade que acredita que a Terra é plana.

Um retrocesso que “não tem explicação”, disse Rosaly Lopes. “Desde os últimos 500 anos nós temos tantas provas, temos imagens da Terra feitas do Espaço e basta entrar num avião para ver a curvatura da Terra”, afirmou, considerando tratar-se de uma “moda”.

Entre os auto-denominados “flat earthers” há algumas personalidades conhecidas, como a estrela da NBA Kyrie Irving, o rapper B.o.B. ou a estrela da MTV Tila Tequila. Em junho, o clube de futebol da terceira divisão espanhola Móstoles Balompié mudou de nome para Flat Earth FC, por decisão do ex-futebolista e presidente Javi Poles, que acredita na teoria da terra plana.

“Há pessoas que escolhem acreditar em coisas sem sentido”, disse Rosaly Lopes. “Não podemos convencer pessoas que têm uma mente fechada”.

A NASA está agora a analisar as propostas de novas missões e deverá anunciar quais passarão à próxima fase até ao final do ano.

Rosaly Lopes, que é co-investigadora de uma nova missão que vai estudar as luas de Júpiter, acredita que o regresso a Vénus acontecerá nos próximos dez a quinze anos. O JPL em Pasadena está também a trabalhar num novo Rover que vai a Marte, Mars 2020.

Diário de Notícias

DN /Lusa

 

1794: Fluxo de dados da missão TESS leva à descoberta de um planeta do tamanho de Saturno

Nesta ilustração, um Saturno quente passa em frente da sua estrela hospedeira. Os astrónomos que estudam as estrelas usaram sismos estelares para caracterizar a estrela, que forneceu informações críticas sobre o planeta. Veja aqui uma simulação do planeta a orbitar a estrela.
Crédito: Gabriel Perez Diaz, Instituto de Astrofísica das Canárias

Os astrónomos que estudam as estrelas estão a fornecer uma ajuda valiosa aos astrónomos que caçam planetas e que perseguem o objectivo principal da nova missão TESS da NASA.

De facto, os asterossismolólogos – astrónomos estelares que estudam ondas sísmicas (ou sismos estelares) em estrelas que aparecem como mudanças no brilho – muitas vezes fornecem informações críticas para encontrar as propriedades de planetas recém-descobertos.

Este trabalho em equipa possibilitou a descoberta e caracterização do primeiro planeta identificado pelo TESS, para o qual as oscilações da sua estrela hospedeira podem ser medidas.

O planeta – TOI 197.01 (TOI é abreviação para “TESS Object of Interest”) – é descrito como um “Saturno quente” num artigo científico recentemente aceite. Isto porque o planeta tem aproximadamente o mesmo tamanho que Saturno e também está muito perto da sua estrela, completando uma órbita em apenas 14 dias e é, portanto, muito quente.

A revista The Astronomical Journal vai publicar o artigo escrito por uma equipa internacional composta por 141 astrónomos. Daniel Huber, astrónomo assistente da Universidade do Hawaii no Instituto de Astronomia de Manoa, é o autor principal do artigo. Steve Kawaler, professor de física e astronomia, e Miles Lucas, estudante, são co-autores da Universidade Estatal do Iowa.

“Este é o primeiro ‘balde de água’ da ‘mangueira’ de dados que estamos a receber do TESS,” comentou Kawaler.

TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite), liderado por astrofísicos do MIT (Massachusetts Institute of Technology) – foi lançado a partir da Estação da Força Aérea de Cabo Canaveral, Florida, EUA, no dia 18 de Abril de 2018. A missão principal do satélite é encontrar exoplanetas, planetas para lá do nosso Sistema Solar. As suas quatro câmaras estão a tirar exposições, ao longo de quase um mês, de 26 faixas verticais do céu – primeiro sobre o hemisfério sul e depois sobre o norte. Depois de dois anos, o TESS terá examinado 85% do céu.

Os astrónomos (e seus computadores) estudam as imagens, procurando trânsitos, minúsculas quedas no brilho estelar provocadas por um planeta em órbita passando em frente. A missão Kepler da NASA – antecessora da missão TESS – procurou planetas da mesma forma, mas examinou uma pequena parte da Via Láctea e focou-se em estrelas distantes.

O TESS tem como alvo estrelas próximas e brilhantes, permitindo que os astrónomos acompanhem as suas descobertas usando outros observatórios espaciais e terrestres para estudar e caracterizar estrelas e planetas. Noutro artigo publicado recentemente na revista The Astrophysical Journal: Supplement Series, os astrónomos do TASC (TESS Asteroseismic Science Consortium) identificaram uma lista de alvos de estrelas oscilantes semelhantes ao Sol (muitas que são parecidas ao nosso futuro Sol) para serem estudadas usando dados do TESS – uma lista com 25.000 estrelas.

Kawaler – que testemunhou o lançamento do Kepler em 2009, e estava na Florida para o lançamento do TESS (mas um atraso de última hora significou que teve que perder o lançamento para regressar a Ames e leccionar) – está no conselho de sete membros do TASC. O grupo é liderado por Jørgen Christensen-Dalsgaard da Universidade de Aarhus, na Dinamarca.

Os astrónomos do TASC usam modelagem asterossismológica para determinar o raio, a massa e a idade de uma estrela hospedeira. Esses dados podem ser combinados com outras observações e medições para determinar as propriedades dos planetas em órbita.

No caso da estrela-mãe TOI-197, os asterossismólogos usaram as suas oscilações para determinar que tem cerca de 5 mil milhões de anos e é um pouco mais massiva e maior que o Sol. Também determinaram que o planeta TOI-197.01 é um gigante gasoso com um raio mais ou menos nove vezes o da Terra, tornando-se aproximadamente do tamanho de Saturno. Tem também 1/13 da densidade da Terra e cerca de 60 vezes a massa da Terra.

Estas descobertas dizem-nos muito sobre o trabalho do TESS: “TOI-197 fornece um primeiro vislumbre do forte potencial do TESS em caracterizar exoplanetas usando asterossismologia,” escreveram os astrónomos no seu artigo científico.

Kawaler espera que a enxurrada de dados provenientes do TESS também contenha algumas surpresas científicas.

“O interessante é que o TESS será o único instrumento do seu género durante algum tempo e os dados são tão bons que planeamos tentar fazer ciência sobre a qual nem tínhamos pensado antes,” disse Kawaler. “Talvez possamos também olhar para as estrelas muito fracas – as anãs brancas – que são o meu primeiro amor e representam o futuro do nosso Sol e do Sistema Solar.”

Astronomia On-line
2 de Abril de 2019

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1736: O Espaço esconde uma nova ameaça para os astronautas: herpes

NASA / Wikipedia

As missões espaciais podem ser ainda mais complicadas para os astronautas, uma vez que alguns vírus latentes, como o herpes, são reactivados durante os voos.

De acordo com uma nova investigação da NASA publicada na revista Frontiers in Microbiology, embora os astronautas desenvolvam apenas uma pequena percentagem dos sintomas, a duração do voo espacial aumenta a taxa de reactivação do vírus, o que poderia representar mais desafios para missões como uma expedição a Marte ou além.

“Durante o voo espacial há um aumento na secreção de hormonas do stress, como o cortisol e a adrenalina, que suprimem o sistema imunológico. Descobrimos que as células imunes dos astronautas, particularmente aquelas que normalmente suprimem e eliminam os vírus, se tornam menos eficaz durante voos espaciais e, às vezes, até 60 dias depois”, disse Satish K. Mehta, do Centro Espacial Johnson, em comunicado.

Mehta e os seus colegas descobriram que a urina e a saliva dos astronautas contêm mais amostras de herpes do que antes ou depois da viagem espacial. Um dos culpados, suspeitam os investigadores, é o stress causado pelas missões espaciais.

Os astronautas da NASA suportam semanas ou até meses expostos a micro-gravidade e radiação cósmica, sem mencionar as forças extremas de descolagem e reentrada”, disse Mehta. “Esse desafio físico é agravado por factores stressantes mais familiares, como a separação social, confinamento e ciclo alterado de sono-vigília”.

“Até o momento, 47 dos 89 (53%) astronautas em voos curtos e 14 dos 23 (61%) em missões mais longas da Estação Espacial Internacional (ISS) têm o vírus do herpes nas suas amostras de saliva ou urina “, de acordo com os autores do estudo.

A reactivação do vírus do herpes nos astronautas não só representa uma ameaça para eles, mas também para as pessoas com as quais entram em contacto na Terra. Segundo o estudo, pessoas com o vírus reactivado ainda expelem substâncias infecciosas nos seus fluidos corporais até 30 dias após regressarem da ISS.

Felizmente, essa excreção viral é tipicamente assintomática. Os seis astronautas que desenvolveram sintomas devido à reactivação sofreram apenas sintomas menores. No entanto, o facto de a duração dos voos espaciais poder afectar a reactivação de vírus não é um bom sinal para futuras missões. A duração, frequência e magnitude da propagação viral aumentam com a duração do voo espacial.

ZAP // Science Alert

Por ZAP
19 Março, 2019

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