2718: Encontrados três buracos negros em rota de colisão

CIÊNCIA

Um trio de buracos negros localizados a mil milhões de anos-luz da Terra.
Crédito: raios-X – NASA/CXC/Universidade George Mason/R. Pfeifle et al.; ótico – SDSS & NASA/STScI

Os astrónomos descobriram três buracos negros gigantes numa colisão titânica de três galáxias. O sistema invulgar foi capturado por vários observatórios, incluindo três telescópios espaciais da NASA.

“Estávamos na altura apenas à procura de pares de buracos negros e, ainda assim, através da nossa técnica de selecção, deparámo-nos com este sistema incrível,” disse Ryan Pfeifle, da Universidade George Mason, em Fairfax, no estado norte-americano da Virgínia, primeiro autor de um novo artigo publicado na revista The Astrophysical Journal que descreve estes resultados. “Esta é a evidência mais forte já encontrada de um sistema triplo de buracos negros super-massivos activos.”

O sistema é conhecido como SDSS J084905.51+111447.2 (ou, abreviando, SDSS J0849+1114) e está localizado a mil milhões de anos-luz da Terra.

Para descobrir este grupo raro, os investigadores precisaram de combinar dados de telescópios no solo e no espaço. Primeiro, o telescópio SDSS (Sloan Digital Sky Survey), que varre grandes faixas do céu no visível, situado no estado norte-americano do Novo México, fotografou SDSS J0849+1114. Com a ajuda de cientistas cidadãos que participam num projecto chamado Galaxy Zoo, foi rotulado como um sistema de galáxias em colisão.

Então, dados da missão WISE (Wide-field Infrared Survey Explorer) da NASA revelaram que o sistema brilhava intensamente no infravermelho durante uma fase na fusão galáctica em que se espera que mais do que um dos buracos negros estivesse a alimentar-se rapidamente. Para acompanhar estas pistas, os astrónomos voltaram-se para o Chandra e para o LBT (Large Binocular Telescope) no Arizona.

Os dados do Chandra revelaram fontes de raios-X – um sinal revelador de material a ser consumido pelos buracos negros – nos centros brilhantes de cada galáxia em fusão, exactamente onde os cientistas esperam que os buracos negros super-massivos residam. O Chandra e o NusTAR (Nuclear Spectroscopic Telescope Array) da NASA também encontraram evidências de grandes quantidades de gás e poeira em torno de um dos buracos negros, típico de um sistema de buracos negros em fusão.

Entretanto, dados no visível do SDSS e do LBT mostraram assinaturas espectrais características de material sendo consumido pelos três buracos negros super-massivos.

“Os espectros ópticos contêm muitas informações sobre uma galáxia”, disse a co-autora Christina Manzano-King da Universidade da Califórnia, em Riverside. “São usados frequentemente para identificar buracos negros super-massivos em acreção activa e podem reflectir o impacto que têm nas galáxias que habitam.”

Uma das razões pelas quais é difícil encontrar um trio de buracos negros super-massivos é que provavelmente estão envoltos em gás e poeira, bloqueando grande parte da sua luz. As imagens infravermelhas do WISE, os espectros infravermelhos do LBT e as imagens de raios-X do Chandra ignoram este problema, porque a luz infravermelha e os raios-X penetram nuvens de gás com muito mais facilidade do que a luz óptica.

“Com a utilização destes importantes observatórios, descobrimos uma nova maneira de identificar buracos negros super-massivos triplos. Cada telescópio dá-nos uma pista diferente do que está a acontecer nestes sistemas,” disse Pfeifle. “Esperamos ampliar o nosso trabalho para encontrar mais triplos usando a mesma técnica.”

“Os buracos negros duplos e triplos são extremamente raros,” disse Shobita Satyapal, também da Universidade George Mason, “mas estes sistemas são na verdade uma consequência natural das fusões galácticas, que pensamos ser como as galáxias crescem e evoluem.”

Três buracos negros super-massivos em fusão comportam-se de maneira diferente de apenas um par. Quando existem três buracos negros em interacção, um par deve fundir-se num buraco negro maior muito mais depressa do que se os dois estivessem sozinhos. Esta pode ser uma solução para um enigma teórico chamado “problema do parsec final”, no qual dois buracos negros super-massivos podem aproximar-se alguns anos-luz um do outro, mas precisariam de uma força extra para se fundirem devido ao excesso de energia que transportam nas suas órbitas. A influência de um terceiro buraco negro, como em SDSS J0849+1114, poderá finalmente reuni-los.

Simulações de computador mostraram que 16% dos pares de buracos negros super-massivos em galáxias em colisão terão interagido com um terceiro buraco negro super-massivo antes de se fundirem. Tais fusões terão produzido ondulações no espaço-tempo chamadas ondas gravitacionais. Estas ondas terão frequências mais baixas do que o LIGO (Laser Interferometer Gravitational-Wave Observatory) da NSF e o detector europeu de ondas gravitacionais Virgo podem detectar. No entanto, podem ser detectáveis com observações rádio de pulsares, bem como com observatórios espaciais futuros, como o LISA (Laser Interferometer Space Antenna) da ESA, que detectará buracos negros com até um milhão de massas solares.

Astronomia On-line
27 de Setembro de 2019

 

2717: Será que Vénus já foi habitável?

CIÊNCIA

Representação de artista de Vénus com água.
Crédito: NASA

Vénus pode ter sido um planeta temperado que albergou água líquida por 2 a 3 mil milhões de anos, até que uma dramática transformação, que teve início há mais de 700 milhões de anos, “revolveu” cerca de 80% das rochas do planeta. Um estudo apresentado na conferência EPSC-DPS por Michael Way do Instituto Goddard para Ciências Espaciais fornece uma nova visão da história climática de Vénus e poderá ter implicações para a habitabilidade de exoplanetas em órbitas semelhantes.

Há 40 anos atrás, a missão Pioneer Venus da NASA encontrou pistas tentadoras de que a “irmã retorcida” da Terra poderá ter tido um oceano raso de água. Para tentar saber se Vénus já teve um clima estável capaz de suportar água líquida, o Dr. Way e o seu colega Anthony Del Genio criaram uma série de cinco simulações que assumiram diferentes níveis de cobertura de água.

Em todos os cinco cenários, descobriram que Vénus era capaz de manter temperaturas estáveis entre um máximo de aproximadamente 50º C e um mínimo de aproximadamente 20º C durante cerca de 3 mil milhões de anos. Um clima temperado poderia até estar presente hoje em Vénus, caso não tivesse existido uma série de eventos que provocaram uma libertação de dióxido de carbono armazenado nas rochas do planeta há aproximadamente 700-750 milhões de anos atrás.

“A nossa hipótese é que Vénus pode ter tido um clima estável durante milhares de milhões de anos. É possível que o evento quase global seja responsável pela transformação de um clima parecido com o da Terra para a ‘estufa escaldante’ que vemos hoje,” disse Way.

Três dos cinco cenários estudados por Way e Del Genio assumiram a topografia de Vénus como a que vemos hoje e consideraram um oceano profundo com uma média de 310 metros, uma camada mais rasa de água com uma média de 10 metros e uma pequena quantidade de água presa no solo. Para comparação, também incluíram um cenário com a topografia da Terra e um oceano de 310 metros e, finalmente, um mundo completamente coberto por um oceano com 158 metros de profundidade.

Para simular as condições ambientais há 4,2 mil milhões de anos, há 715 milhões de anos, e hoje, os investigadores adaptaram um modelo de circulação geral 3D para explicar o aumento da radiação solar à medida que o Sol aquecia durante a sua vida útil, bem como para explicar as mudanças das composições atmosféricas.

Embora muitos cientistas achem que Vénus está para lá do limite interior da zona habitável do nosso Sistema Solar e demasiado perto do Sol para suportar água líquida, o novo estudo sugere que este poderá não ser o caso.

“Vénus actualmente recebe quase o dobro da radiação solar que recebemos cá na Terra. No entanto, em todos os cenários que modelámos, descobrimos que Vénus ainda poderia suportar temperaturas superficiais favoráveis à água líquida,” disse Way.

Há 4,2 mil milhões de anos, pouco depois da sua formação, Vénus teria completado um período de arrefecimento rápido e a sua atmosfera seria dominada pelo dióxido de carbono. Se o planeta tivesse evoluído de modo idêntico à Terra durante os 3 mil milhões de anos seguintes, o dióxido de carbono teria sido atraído para o interior de rochas silicatadas e “trancado” à superfície. Na segunda época modelada, há 715 milhões de anos, a atmosfera provavelmente teria sido dominada pelo azoto com traços de dióxido de carbono e metano – parecida à da Terra de hoje – e estas condições poderiam ter permanecido estáveis até aos dias actuais.

A causa da libertação de gases que levou à transformação dramática de Vénus é um mistério, embora provavelmente esteja ligada à actividade vulcânica do planeta. Uma possibilidade é que grandes quantidades de magma subiram desde o interior, libertando dióxido de carbono de rochas derretidas para a atmosfera. O magma solidificou antes de chegar à superfície e isto criou uma barreira que impediu que o gás pudesse ser reabsorvido. A presença de grandes quantidades de dióxido de carbono desencadeou um efeito de estufa descontrolado, que resultou nas escaldantes temperaturas médias de 462º encontradas hoje em Vénus.

“Algo aconteceu em Vénus, onde foi libertada para a atmosfera uma enorme quantidade de gás e já não pôde ser reabsorvida pelas rochas. Na Terra, temos alguns exemplos de descargas em larga escala, por exemplo, a criação dos Trapps siberianos há 500 milhões de anos, os quais estão ligados a uma extinção em massa, mas nada nesta escala. Transformou completamente Vénus,” explicou Way.

Ainda existem duas grandes incógnitas que precisam de ser abordadas antes que a questão da habitabilidade passada de Vénus possa ser totalmente respondida. A primeira diz respeito à rapidez com que Vénus arrefeceu inicialmente e se foi realmente capaz de condensar água líquida à sua superfície. A segunda incógnita é se o evento global de “revolvimento” rochoso foi um evento único ou simplesmente o mais recente de uma série de eventos que remontam a milhares de milhões de anos da história de Vénus.

“Precisamos de mais missões para estudar Vénus e para obter uma compreensão mais detalhada da sua história e da sua evolução,” comentou Way. “No entanto, os nossos modelos mostram que existe uma possibilidade real de que Vénus possa ter sido habitável e radicalmente diferente do planeta que vemos hoje. Isto abre todos os tipos de implicações para os exoplanetas encontrados na chamada ‘Zona de Vénus’, que pode de facto hospedar água líquida e climas temperados.”

Astronomia On-line
27 de Setembro de 2019

 

2650: NASA pondera regresso da missão a Vénus baptizada em honra de Fernão de Magalhães

CIÊNCIA

A nave, feita com componentes de outras missões, foi lançada a 4 de Maio de 1989 e esteve activa até 13 de Outubro de 1994, momento em que cumpriu a ordem de se despenhar na atmosfera venusiana.

Vénus
© Arquivo Global Media

O Laboratório de Propulsão a Jacto (JPL) da NASA submeteu uma proposta para regressar a Vénus através do programa Discovery, trinta anos depois da missão Magellan, que foi baptizada em honra do explorador português Fernão de Magalhães.

A proposta irá competir com cerca de uma quinzena de outras missões potenciais, disse à Lusa a vulcanóloga e cientista sénior do JPL Rosaly Lopes, que fez uma revisão do projecto, das quais a NASA escolherá apenas uma para voar.

“A missão Magellan foi a primeira que mapeou a superfície e realmente viu abaixo das nuvens de Vénus, que tem uma atmosfera muito espessa”, explicou a cientista do laboratório sediado em Pasadena, no condado de Los Angeles. “Antes da Magellan, quase não se tinha conhecimento da superfície de Vénus”, acrescentou.

A nave, feita com componentes de outras missões, incluindo das Voyager, foi lançada a 4 de maio de 1989 e esteve activa até 13 de Outubro de 1994, momento em que cumpriu a ordem de se despenhar na atmosfera venusiana.

Segundo Rosaly Lopes, a comunidade científica tem agora muito interesse em retornar a Vénus, “porque a Magellan foi uma missão muito bem sucedida mas ela ainda tem muitas coisas para descobrir”.

Originalmente denominada “Venus Radar Mapper”, a missão de exploração do planeta vulcânico foi renomeada “Magellan” (a versão inglesa de Magalhães) em 1985, “porque foi a primeira missão justamente a fazer a circum-navegarão de Vénus”, entrando em órbita ao redor do planeta, explicou Rosaly Lopes.

Homenagem a Fernão Magalhães

A referência a Fernão de Magalhães, que em Setembro de 1519 partiu na primeira viagem histórica de circum-navegarão da Terra, espelha a continuada importância das descobertas feitas pelo explorador português há 500 anos.

“Foi um marco importantíssimo na história da Humanidade”, afirmou a cientista luso-brasileira. “Como os portugueses sempre tiveram”, sublinhou.

A viagem de Fernão de Magalhães comprovou que o planeta é redondo e mostrou aos europeus que a sua dimensão era muito superior ao que se pensava na altura, bases científicas que hoje são postas em causa por uma franja da sociedade que acredita que a Terra é plana.

Um retrocesso que “não tem explicação”, disse Rosaly Lopes. “Desde os últimos 500 anos nós temos tantas provas, temos imagens da Terra feitas do Espaço e basta entrar num avião para ver a curvatura da Terra”, afirmou, considerando tratar-se de uma “moda”.

Entre os auto-denominados “flat earthers” há algumas personalidades conhecidas, como a estrela da NBA Kyrie Irving, o rapper B.o.B. ou a estrela da MTV Tila Tequila. Em junho, o clube de futebol da terceira divisão espanhola Móstoles Balompié mudou de nome para Flat Earth FC, por decisão do ex-futebolista e presidente Javi Poles, que acredita na teoria da terra plana.

“Há pessoas que escolhem acreditar em coisas sem sentido”, disse Rosaly Lopes. “Não podemos convencer pessoas que têm uma mente fechada”.

A NASA está agora a analisar as propostas de novas missões e deverá anunciar quais passarão à próxima fase até ao final do ano.

Rosaly Lopes, que é co-investigadora de uma nova missão que vai estudar as luas de Júpiter, acredita que o regresso a Vénus acontecerá nos próximos dez a quinze anos. O JPL em Pasadena está também a trabalhar num novo Rover que vai a Marte, Mars 2020.

Diário de Notícias

DN /Lusa

 

“Libelinha” da NASA vai voar por Titã à procura das origens e sinais de vida

Esta ilustração mostra o “drone” Dragonfly da NASA aproximando-se de um local de estudo na exótica lua de Saturno, Titã. Tirando vantagem da densa atmosfera e baixa gravidade de Titã, o Dragonfly irá explorar dúzias de locais no mundo gelado, recolhendo amostras e medindo a composição dos materiais orgânicos superficiais de Titã a fim de caracterizar a habitabilidade do ambiente de Titã e investigar a progressão da química pré-biótica.
Crédito: NASA/JHU-APL

A NASA anunciou que o seu próximo destino no Sistema Solar é o mundo único e ricamente orgânico, Titã. Avançando a busca da agência espacial pelos blocos de construção da vida, a missão Dragonfly voará para recolher amostras e examinar locais na lua gelada de Saturno.

A missão Dragonfly será lançada em 2026 e chegará em 2034. O veículo aéreo voará até dúzias de locais promissores em Titã, em busca de processos químicas pré-bióticos comuns em Titã e na Terra. A “libelinha” vai ser o primeiro veículo científico multi-rotor da NASA noutro planeta; tem oito rotores e voa como um “drone” grande. Vai aproveitar a atmosfera densa de Titã – quatro vezes mais densa do que a da Terra – para se tornar no primeiro veículo a transportar, via aérea, toda a sua carga científica para novos locais para acesso repetido e direccionado a materiais de superfície.

A lua Titã é análoga da Terra primitiva e pode fornecer pistas de como a vida pode ter surgido no nosso planeta. Durante a sua missão de 2,7 anos, o Dragonfly explorará ambientes diversos, desde dunas orgânicas até ao chão de uma cratera de impacto onde a água líquida e os materiais orgânicos complexos, essenciais à vida, já existiram juntos, possivelmente durante milhares de anos. Os seus instrumentos irão estudar até onde a química pré-biótica pode ter progredido. Também investigarão as propriedades atmosféricas e superficiais da lua e os seus reservatórios líquidos. Além disso, os instrumentos vão procurar evidências químicas de vida passada ou actual.

“Com a missão Dragonfly, a NASA fará mais uma vez o que ninguém mais pode fazer,” disse Jim Bridenstine, administrador da NASA. “Visitar este misterioso mundo oceânico pode revolucionar o que sabemos sobre a vida no Universo. Esta missão de ponta seria impensável há apenas alguns anos, mas agora estamos prontos para o fantástico voo do Dragonfly.”

O Dragonfly aproveitou 13 anos de dados da Cassini para escolher um período de tempo calmo para pousar, juntamente com um local de aterragem inicial seguro e alvos cientificamente interessantes. Pousará primeiro nos campos de dunas equatoriais “Shangri-La”, que são terrestrialmente parecidas com as dunas lineares da Namíbia e fornecem um local de amostragem diversificado. O Dragonfly vai explorar esta região em voos curtos, construindo uma série de voos “saltitantes” mais longos com até 8 quilómetros, parando ao longo do caminho para recolher amostras de áreas atraentes com geografia diversa. Vai finalmente alcançar a cratera de impacto Selk, onde existem evidências de água líquida passada, produtos orgânicos – moléculas complexas que contêm carbono, combinadas com hidrogénio, oxigénio e azoto – e energia que, juntos, formam a receita da vida. O “drone” irá eventualmente percorrer mais de 175 km – quase o dobro da distância percorrida, até hoje, por todos os veículos marcianos combinados.

“Titã é diferente de qualquer outro lugar no Sistema Solar, e o Dragonfly é como nenhuma outra missão,” disse Thomas Zurbuchen, administrador associado da NASA para Ciências na sede da agência espacial em Washington. “É incrível pensar neste ‘drone’ voando quilómetros e quilómetros acima das dunas orgânicas de areia da maior lua de Saturno, explorando os processos que esculpem este ambiente extraordinário. O Dragonfly vai visitar um mundo repleto de uma grande variedade de compostos orgânicos, que são os blocos de construção da vida e que nos podem ensinar mais sobre a origem da própria vida.”

Titã tem uma atmosfera baseada em azoto como a Terra. Ao contrário da Terra, Titã tem nuvens e chuva de metano. Outros compostos orgânicos são formados na atmosfera e caem como neve. O clima e os processos de superfície da lua combinaram compostos orgânicos complexos, energia e água de modo semelhante ao que pode ter dado origem à vida no nosso planeta.

Titã é maior que o planeta Mercúrio e é a segunda maior lua do Sistema Solar. Em órbita de Saturno, está a 1,4 mil milhões de quilómetros do Sol, cerca de dez vezes mais distante do que a Terra. Por estar tão longe do Sol, a sua temperatura superficial ronda os -179º C. A sua pressão superficial também é 50% maior que a da Terra.

A missão Dragonfly foi seleccionada como parte do programa New Frontiers da NASA, que inclui a missão New Horizons até Plutão e à Cintura de Kuiper, Juno a Júpiter e a OSIRIS-REx até ao asteróide Bennu.

Astronomia On-line
2 de Julho de 2019

[vasaioqrcode]

 

2160: Missão espacial TESS descobre cinco estrelas raras

Variações de brilho da estrela roAp TIC 237336864, observada pelo satélite TESS. O brilho da estrela varia com duas escalas de tempo diferentes. A variação do brilho na escala mais longa (cerca de 4,2 dias), representada no gráfico principal, permite identificar o período de rotação e resulta da passagem de manchas químicas pela linha de visão do observador, à medida que a estrela roda. No destaque vê-se a variação do brilho na escala mais curta (cerca de 7,4 minutos), resultante das sucessivas expansões e contracções da estrela que se repetem com o período característico das oscilações desta estrela.
Crédito: Daniel Holdsworth (Instituto Jeremiah Horrocks, U. de Central Lancashire)

Uma equipa internacional, liderada pela investigadora do Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço (IA) Margarida Cunha, recorreu a técnicas asterossísmicas para procurar oscilações num subgrupo de cinco mil estrelas, entre as 32 mil observadas em cadência curta nos primeiros 2 sectores (aproximadamente, os 2 primeiros meses de operações científicas) do satélite TESS da NASA, e descobriu cinco raras estrelas roAp. Estes resultados foram aceites para publicação na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society.

As estrelas peculiares de oscilação rápida, ou estrelas roAp, são objectos estelares raros. Constituem um subgrupo das estrelas peculiares magnéticas (estrelas Ap), estas últimas caracterizadas por manchas químicas onde a abundância de terras-raras, em particular dos elementos Si, Cr, Eu, pode ser até um milhão de vezes superior à presente no Sol. As estrelas Ap têm campos magnéticos fortes e uma pequena fracção das mesmas, as roAp, oscilam com frequências semelhantes às observadas no Sol.

Nestes dados, a equipa encontrou o mais rápido oscilador roAp, que completa uma pulsação a cada 4,7 minutos. Duas destas cinco estrelas são particularmente desafiadoras à luz do conhecimento actual da área, uma porque é menos quente do que a teoria prevê para estrelas roAp e a outra porque oscila com uma frequência inesperadamente alta.

Margarida Cunha, a primeira autora do artigo (IA e Universidade do Porto) explica a importância de estudar estas estrelas: “Os dados do TESS mostram que as estrelas roAp são raríssimas, representando menos de 1% de todas as estrelas de temperatura semelhante. A importância da sua descoberta reside no facto de elas serem autênticos laboratórios estelares. Permite-nos testar teorias relativas a fenómenos físicos fundamentais no contexto da evolução das estrelas, tais como a difusão de elementos químicos e a sua interacção com campos magnéticos intensos.”

Ao fazer uma análise detalhada de 80 estrelas previamente conhecidas por serem quimicamente peculiares, a equipa descobriu ainda 27 novas variáveis rotacionais Ap. Nestes casos, o brilho varia à medida que cada estrela roda, devido à passagem de manchas químicas pela linha de visão do observador.

Para Daniel Holdsworth, do Instituto Jeremiah Horrocks da Universidade de Central Lancashire, estas observações do TESS: “permitem-nos estudar este tipo raro de estrelas de uma forma homogénea. Podemos finalmente comparar cada estrela com as restantes, sem precisar de tratar os dados de uma forma especial. Com a continuação da missão TESS, que irá fazer uma cobertura quase total do céu, teremos a capacidade de descobrir muitas mais estrelas peculiares. A comparação entre elas vai permitir-nos testar e refinar os mais recentes modelos teóricos, que tentam explicar a origem das oscilações.”

A equipa também obteve dados fotométricos de alta precisão para sete estrelas roAp, conhecidas previamente a partir de observações terrestres. Para quatro destas estrelas, foi ainda possível restringir o ângulo de inclinação (o ângulo de inclinação é o ângulo definido pelo eixo de rotação da estrela e a direcção do observador.) e a obliquidade magnética (ângulo definido pelo eixo de rotação e o eixo do campo magnético da estrela). Margarida Cunha, membro do comité executivo do TESS Asteroseismic Science Consortium (TASC) acrescenta: “Os processos físicos que levam à segregação de elementos químicos, como a difusão, estão entre os mais difíceis de modelar no contexto da física estelar. Esta descoberta de novas estrelas roAp pelo TESS, assim como a observação a partir do espaço de estrelas deste tipo previamente conhecidas, serão fundamentais para avançar o conhecimento nesta matéria.”

Para Victoria Antoci, do Centro de Astrofísica Estelar da Universidade de Aarhus: “É fascinante perceber que temos hoje mais estrelas do tipo roAp suficientemente brilhantes para serem seguidas a partir de telescópios relativamente acessíveis, localizados na Terra. Para compreendermos a física destas estrelas na sua totalidade, é importante complementar os dados que agora temos com informação sobre os seus campos magnéticos e sobre a composição química das suas atmosferas. Estas estrelas têm campos magnéticos fortes, que podem ir até 25 kiloGauss, ou seja, cerca de 250 vezes a intensidade dos ímanes que temos nos nossos frigoríficos.”

Estes novos resultados só se tornaram possíveis com o TESS porque este satélite observa continuamente as estrelas por períodos de pelo menos 27 dias e sem a interferência da atmosfera da Terra, algo que não é possível aos observatórios à superfície do nosso planeta.

Astronomia On-line
11 de Junho de 2019

[vasaioqrcode]

2020: O Ultima Thule é uma cápsula do tempo

News Horizonts / NASA

Os dados recolhidos pela missão da NASA New Horizons permitiu aos cientistas publicar os resultados iniciais da sua exploração do 2014 MU69 – conhecido como Ultima Thule.

O asteróide é um objecto que está localizado na periferia do Sistema Solar, numa região conhecida como Cinturão de Kuiper e que nunca tinha sido explorada até agora.

Num artigo publicado na revista Science, os cientistas, liderados por Alan Stern, investigador do Southweast Research Institute no Texas, EUA, confirmaram que Ultima Thule é uma relíquia que se manteve inalterada desde o nascimento do Sistema Solar, há 4.500 milhões de de anos. Além disso, publicaram numerosas informações relacionadas com a composição, forma e origem do corpo.

“Esta foi a primeira vez que a humanidade observou um objecto tão pequeno neste lugar tão distante do Sistema Solar”, disse Kelsi Singer, investigador da missão New Horizons, à ABC. “Este objecto é um sobrevivente das origens do Sistema Solar, o que não aconteceu muito desde a formação. Portanto, dá importantes revelações sobre como o Sistema Solar foi formado, que não podemos obter de nenhuma outra forma”.

O interesse fundamental deste corpo é o facto de ser um fóssil que explica o que aconteceu no Sistema Solar há 4.500 milhões de anos, quando os mundos rochosos, como a Terra, se formaram. O Ultima Thule pertence a uma categoria conhecida como o Objecto Frio Clássico do Cinturão de Kuiper, que agrupa os objectos que permaneceram inalterados desde o nascimento do Sistema Solar e que estão até a salvo do aquecimento solar.

O asteróide está localizado dentro de um vasto anel povoado por planetas anões e por um imenso enxame de pequenos corpos, incluindo cometas, cobertos por compostos voláteis congelados. Graças às baixas temperaturas, o MU69 é um fóssil real que esconde importantes pistas sobre as nossas origens.

Ultima Thule é um “binário de contacto”, um corpo com a forma de um boneco de neve, criado quando dois blocos menores colidiam a uma velocidade muito baixa. Mede cerca de 35 quilómetros e estava a uma distância aproximada de 6,6 mil milhões de quilómetros da Terra quando a sonda New Horizons o visitou.

Os cientistas concluíram que o MU69 foi formado depois de os dois lóbulos, que se originaram próximos uns dos outros, orbitaram um ao redor do outro até se unirem. As análises revelaram que os lóbulos são esmagados e que cada um deles foi formado a partir da adição ou união de numerosas unidades.

Em geral, Ultima Thule é um corpo vermelho-escuro, mas foi detectado que existem superfícies mais claras no pescoço, localizadas entre os lóbulos e em vários lugares dentro de duas crateras. Essa coloração responde à presença de resíduos de gelo e moléculas orgânicas processadas pela luz ultravioleta e pelos raios cósmicos. Entre estes, poderia haver água e metanol.

A superfície do Ultima Thule está relativamente intacta. A falta de crateras levou à conclusão de que a região do cinturão de Kuiper é habitada por menos corpos pequenos, com menos de um quilómetro de comprimento, levando a mudar muitas suposições sobre esta parte do sistema solar. Não foram encontrados vestígios de satélites, anéis ou atmosfera residual.

As conclusões foram obtidas depois de analisar apenas 10% de todos os dados recolhidos pela missão. Segundo Singer, “esta é apenas a ponta do icebergue”. A sonda New Horizons tentará encontrar outro objecto do cinturão de Kuiper para estudar mais tarde, embora não se saiba se haverá possibilidade. Espera-se que os próximos telescópios terrestres gigantes possam observar mais objectos neste lugar.

Em menos de cinco anos, a missão New Horizons revolucionou a nossa compreensão do Sistema Solar, tendo feito revelações impressionantes sobre a geologia e a natureza de Plutão e Caronte.  “Ambas são peças do quebra-cabeça que nos permitirão entender todos os processos que podem ocorrer no sistema solar”, explicou Kelsi Singer. “Seria difícil seleccionar o mais importante. Todos eles são novos e fascinantes”.

ZAP //

Por ZAP
21 Maio, 2019



[vasaioqrcode]

1988: Missão de regresso à Lua da NASA já tem nome. É a irmã de Apolo

A missão que a NASA pretende realizar em 2024 para regressar à Lua já tem um nome: chama-se Artemisa, anunciou a agência espacial norte-americana. 

Filha de Zeus e irmã gémea de Apolo, Artemisa é a deusa grega da caça, das florestas, da Lua e dos animais. Apolo foi, precisamente, o nome do programa da NASA que possibilitou a chegada do Homem à Lua, em 1969.

“Artemisa: irmã gémea de Apolo e deusa da Lua. Agora, é também o nome para a nossa missão #Moon2024 até à superfície da Lua, incluindo a primeira mulher e o próximo homem”, pode ler-se no Twitter da NASA.

“Apolo tinha uma irmã gémea, Artemisa. A deusa da Lua”, disse o administrador da NASA Jim Bridenstine, referindo-se à mitologia grega. “O nosso escritório de astronautas é muito diversificado e altamente qualificado. Acho que é muito bonito que, 50 anos depois da Apolo, o programa Artemisa leve o próximo homem – e a primeira mulher – à Lua.”

NASA @NASA

ARTEMIS: Twin sister of Apollo and goddess of the Moon. Now, the name for our #Moon2024 mission to return @NASA_Astronauts to the surface of the Moon by 2024, including the first woman and next man.

Bridenstine sublinhou que a nova missão lunar representa a inclusão, que é um dos objectivos do programa. “Eu tenho uma filha de 11 anos e quero que ela seja capaz de ver no mesmo papel das próximas mulheres que irão à Lua (…) Este é realmente um momento bonito na História da América e estou muito orgulhoso por fazer parte dele”, considerou.

Nesta segunda-feira, o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pediu ao Congresso para adicionar 1,6 mil milhões de dólares ao orçamento da agência espacial para que esta possa “regressar à Lua e ir a Marte”.

O pedido de Trump surge dois meses depois de o vice-Presidente norte-americano, Mike Pompeo, ter reduzido para quatro anos o prazo para a agência espacial norte-americana voltar a colocar astronautas na Lua de novo.

“Durante a minha administração vamos restaurar a grandeza da NASA, voltar à Lua e chegar a Marte. Estou a actualizar o meu orçamento para incluir mais 1,6 mil milhões de dólares para que possamos voltar ao Espaço em grande escala”, escreveu Trump no início da semana na mesma rede social

Feitas as contas, e tendo em conta a verba adicional anunciada pelo Presidente dos Estados Unidos, a NASA teria um gasto de cerca de 22.600 milhões de dólares durante o ano fiscal de 2020. De acordo com a agência espacial, o aumento no orçamento será investido, na sua grande maioria, na investigação e desenvolvimento de um sistema de alunagem.

ZAP //

Por ZAP
15 Maio, 2019


 

1980: NASA regressa à Lua em 2024 e leva a primeira mulher na viagem

Missão pretende estabelecer uma permanência prolongada na Lua e já está a ser preparada. Presidente Trump atribuiu uma verba adicional de 1,6 mil milhões de dólares ao orçamento da agência espacial com esse objectivo

© NASA

A pouco mais de dois meses das celebrações dos 50 anos da chegada à Lua, a NASA anunciou que estará de regresso dentro de cinco anos, com novas missões tripuladas. A primeira viagem já está marcada para 2024 e desta vez vai incluir uma astronauta, que será a primeira mulher a pisar o solo lunar.

Até hoje, apenas 12 pessoas – 12 astronautas americanos, todos homens – estiveram no satélite natural da Terra, nas missões Apolo, que decorreram nas décadas de 1960 e início de 1970.

O último homem a pisar a Lua, durante a missão Apolo 17, em 1972, Eugene “Gene” Cernan, faleceu em 2017, aos 82 anos. Mas tal como aconteceu com a frase de Neil Armstrong, à chegada – “um pequeno passo para o homem, um grande salto para a humanidade” – também as palavras de despedida de Cernan ficaram para a História: “Partimos, tal como chegámos e, se Deus quiser, voltaremos, em paz e com esperança para toda a humanidade”.

O último astronauta na Lua sempre defendeu, aliás, que a NASA devia regressar às missões à Lua, o que está agora, finalmente programado para 2024. Desta vez com a primeira mulher a bordo, e com o objectivo de estabelecer missões mais prolongadas.

O aumento em 1,6 mil milhões de dólares que o presidente Donald Trump acaba de atribuir ao orçamento da agência espacial (no valor de 21 mil milhões de dólares) destina-se à nova missão lunar, que a NASA designou como Artemis – a deusa da Lua na Antiga Grécia, e irmã de Apolo.

Foram justamente as missões Apolo que levaram a NASA à Lua. Há 50 anos, a 20 de Julho de 1969 (já era madrugada de dia 21 em Portugal), coube à Apolo 11 fazer essa estreia na Lua,

“Para levar astronautas americanos à Lua em 2024”, adianta a NASA, citada na CNN, “os nossos esforços incluem um novo trabalho [nos centros espaciais da agência] para disponibilizar as tecnologias-chave e os equipamentos científicos que vão ser necessários aterrar na superfície lunar”.

Diário de Notícias
14 Maio 2019 — 09:16


[vasaioqrcode]

 

1974: A Lua está a tremer. Missões Apolo captaram sismos na superfície lunar

Marshall Space Flight Center / NASA

As missões Apolo da NASA captaram sismos resultantes da actividade tectónica na Lua. A notícia está a ser avançada pela revista científica Nature.

Os sismos foram provocados por falhas tectónicas, ou seja, por rupturas que rasgam blocos de rochas em movimento com menos de 50 milhões de anos. Essas falhas foram encontradas em 2010 pelo Lunar Reconnaissance Orbiter, uma sonda a agência espacial norte-americana em órbita na Lua.

Durante as missões Apolo 12, 14, 15 e 16, que aconteceram entre 1969 e 1977, os sismómetros registaram “tremores de lua fracos” cuja origem era desconhecida. Em termos geológicos, sabe-se que a Lua é composta por uma crosta à superfície, o manto por baixo dela e o núcleo, que é a camada mais profunda.

Na Terra, os sismos são provocados pelo deslocamento das placas tectónicas, as peças que compõem a crosta. Como a crosta da Lua não é composta por placas, julgava-se que o satélite natural era um corpo celeste essencialmente morto em termos geológicos.

Afinal, não é assim. Um novo estudo conduzido por cientistas do Instituto Smithsonian analisou 28 dos “tremores de lua” registados nos lugares de alunagem dessas quatro missões Apolo e descobriu a origem de alguns deles.

De acordo com o documento publicado esta segunda-feira na Nature, sete dos tremores começaram a uma profundidade de até 60 quilómetros, cinco dos quais tiveram hipocentro a menos de 30 quilómetros de profundidade. Todos despontaram de falhas geológicas recentes.

Instituto Smithsonian
Os sismos são provocados por contracções da superfície lunar

Por isso, os “tremores de lua” captados pelas missões Apolo eram mesmo sismos. Só que, ao contrário do que acontece no nosso planeta, esses sismos não eram provocados pelo movimento de placas tectónicas, mas sim por contracções da superfície lunar causados por influência das marés terrestres. As falhas geológicos são muito recentes e assemelham-se a penhascos.

À medida que a lua arrefece e diminui, a sua crosta torna-se frágil e rompe. As quebras na superfície produzem as falhas. Desde que começou a operar há uma década, mais de 3.500 falhas foram identificadas pela LRO. As descobertas sugerem que os terremotos lunares estão localizados muito próximos das falhas identificadas, sugerindo que os terremotos são o resultado da actividade tectónica.

“Achamos que é muito provável que os oito tremores tenham sido produzidos por falhas que se acumularam quando a crosta lunar foi comprimida pela contracção global e pelas forças de maré, indicando que os sismógrafos da Apolo registaram a lua a encher e a lua ainda é tectonicamente activa”, disse Thomas Watters em comunicado.

Nicholas Schmerr, da Universidade de Maryland, um dos autores do estudo, acrescentou: “Não se costuma ver tectónicas activas em qualquer lugar além da Terra, por isso é muito entusiasmante pensar que as falhas ainda podem estar produzindo terremotos”.

Essas descrições, conseguidas através de um algoritmo que estuda redes sísmicas escassas, provam que a Lua está “geologicamente activa”. “Os autores concluem que a proximidade dos tremores às escarpas das falhas, juntamente com os movimentos das rochas à superfície e perturbações do regolito, gerem que a Lua é tectonicamente activa na actualidade”.

Recentemente, um sismógrafo implantado em Marte, no âmbito da missão da NASA InSight, registou o que pode ser o primeiro terramoto do planeta vermelho.

ZAP //

Por ZAP
13 Maio, 2019


[vasaioqrcode]

 

1878: Um “burburinho” para o homem, um sismo em Marte. NASA pode ter captado primeiro terramoto marciano

Um sismógrafo implantado em Marte, no âmbito da missão da NASA InSight, registou o que pode ser o primeiro terramoto do planeta vermelho, anunciou a agência espacial francesa CNES.

“É formidável finalmente ter um sinal de que ainda há uma actividade sísmica em Marte”, salienta o investigador do Instituto de Física da Terra de Paris, Philippe Lognonné.

“Estávamos à espera há meses pelo nosso primeiro terramoto marciano”, acrescenta o “pai” do sismógrafo francês SEIS (Seismic Experiment for Interior Structure) que captou o potencial terramoto e que foi instalado a 19 de Dezembro de 2018 no solo de Marte, graças a um braço robótico da sonda InSight que chegou ao planeta vermelho a 26 de Novembro.

O objectivo é, através do registo de terramotos, perceber melhor a história da formação de Marte.

Mas embora o primeiro tremor “marque o nascimento oficial de uma nova disciplina: a sismologia marciana“, este foi muito fraco para fornecer dados úteis sobre o interior do planeta, de acordo com o investigador principal da InSight, Bruce Banerdt, cientista da NASA.

De acordo com os cientistas, ainda é necessário confirmar se o terramoto foi registado dentro do planeta e se não foi o efeito do vento ou de outras fontes de ruído.

Três outros sinais, mas ainda mais fracos do que este que foi registado a 6 de Abril, foram detectados nos últimos dois meses.

A NASA constata que embora “o evento sísmico” tenha sido “demasiado pequeno” para obter “dados sólidos sobre o interior marciano”, é ainda assim “excitante porque o seu tamanho e duração mais longa encaixam no perfil dos tremores da lua detectados na superfície lunar durante as missões Apolo”, como destaca a directora da Divisão de Ciência Planetária da agência espacial norte-americana, Lori Glaze.

“A superfície marciana é extremamente tranquila”, o que permitiu ao SEIS captar “burburinhos fracos”, explica a NASA, notando que “em contraste, a superfície da Terra treme constantemente com ruídos sísmicos criados pelos oceanos e pelo clima”. “Um evento deste tamanho no Sul da Califórnia perder-se-ia entre as dúzias de pequenos estalos que ocorrem todos os dias”, acrescenta a agência espacial.

A esperança dos cientistas é que este avanço nos dados recolhidos sobre Marte ajude a resolver alguns dos grandes mistérios do planeta, nomeadamente “o que aconteceu à sua atmosfera” e “o que aconteceu à água que se pensa que, em tempos, terá estado presente de uma forma muito abundante à superfície”, como evidencia o coordenador nacional da Sociedade Planetária, Miguel Gonçalves, em declarações à TSF.

Miguel Gonçalves atesta que se se provar a onda sísmica, “é particularmente interessante porque, tendo actividade sísmica no seu interior, tem dinamismo interior, o que quer dizer que temos de perceber quais são os mecanismos de aquecimento no seu interior” e “como é que é feita a transição de energia entre várias camadas do interior”.

ZAP // Lusa

Por ZAP
24 Abril, 2019

[vasaioqrcode]

 

1721: Investigadores confirmam que estrela de hipervelocidade foi expulsa do disco da Via Láctea

Usando um dos Telescópios Magalhães no Chile, bem como dados da missão espacial Gaia da ESA, os cientistas recriaram a trajectória de uma estrela massiva de hipervelocidade. A trajectória mostra que a estrela foi expelida do disco da Via Láctea, não do Centro Galáctico como se pensava anteriormente.
Crédito: Kohei Hattori

De acordo com investigadores da Universidade de Michigan, uma estrela veloz pode ter sido ejectada do disco estelar da Via Láctea por um enxame de estrelas jovens. Os cientistas dizem que a estrela não teve origem no meio da Galáxia, como pensavam anteriormente.

“Esta descoberta muda drasticamente a nossa visão da origem das estrelas em movimento rápido,” disse Monica Valluri, professora no Departamento de Astronomia da Faculdade de Literatura, Ciência e Artes da Universidade de Michigan. “O facto de que a trajectória desta estrela massiva e veloz tem origem no disco, e não no Centro Galáctico, indica que os ambientes muito extremos necessários para expelir estrelas em movimento rápido podem surgir noutros locais que não em redor de buracos negros supermassivos.”

É necessária muita energia para produzir uma estrela em rápido movimento, normalmente situadas em ambientes extremos, disse Valluri.

A Via Láctea contém dezenas de milhares de milhões de estrelas, a maioria das quais encontram-se distribuídas numa estrutura semelhante a uma pizza chamada disco estelar. Em 2005, os astrónomos descobriram estrelas em movimento rápido que se movem duas vezes mais depressa que a maioria das outras estrelas – a 500 km/s, em comparação com o resto da Galáxia onde as estrelas têm uma velocidade média de pouco mais de 200 km/s.

Até agora foram descobertas menos de 30 destas estrelas extremamente rápidas (geralmente chamadas “estrelas de hipervelocidade”).

Quando estrelas binárias – um par de estrelas que se orbitam uma à outra enquanto se deslocam por uma galáxia – passam demasiado perto de um buraco negro, este captura uma das estrelas do binário e a outra é lançada numa “fisga gravitacional”. A fim de produzir os tipos de velocidades que os astrónomos medem para as estrelas de hipervelocidade, o buraco negro tem que ser muito massivo.

Como existem evidências da existência de um buraco negro super-massivo no centro da Via Láctea, muitos astrónomos pensam que a maioria das estrelas de hipervelocidade foram ejectadas por este buraco negro super-massivo.

Valluri e o investigador pós-doutorado Kohei Hattori, da mesma universidade, estavam interessados em traçar a trajectória de LAMOST-HVS1, uma estrela massiva e veloz que está mais perto do Sol do que qualquer outra estrela de hipervelocidade, para identificar o seu local de expulsão na Via Láctea. Usaram um dos Telescópios Magalhães no Chile para determinar a distância e a velocidade da estrela.

Hattori juntou-se então a um grupo internacional de cientistas que se reuniram em Nova Iorque no ano passado para participar numa “hackatona” para fazer download, partilhar e analisar dados da missão espacial Gaia da ESA, uma missão de astrometria espacial que está a construir o maior e mais preciso mapa tridimensional da Via Láctea.

Usando a posição actual e a velocidade actual da estrela derivada a partir do Gaia e do Magalhães, os astrónomos conseguiram rastrear o seu percurso, ou órbita. Para sua surpresa, parece que a estrela foi ejectada do disco estelar, e não do centro da Via Láctea.

“Nós pensávamos que esta estrela vinha do Centro Galáctico. Mas se analisarmos a sua trajectória, fica claro que não está relacionada com o Centro Galáctico,” disse Hattori. “Temos que considerar outras possibilidades para a origem da estrela.”

Os autores teorizam que a expulsão desta estrela massiva, do disco estelar, pode ser o resultado de uma estrela que sofreu um encontro próximo com múltiplas estrelas massivas ou com um buraco negro de massa intermédia num enxame estelar.

Embora já se conheçam há muito tempo estrelas grandes e fugitivas, expulsas de enxames estelares com velocidades de 40-100 km/s, nenhuma tem a velocidade extrema de LAMOST-HVS1. Os modelos teóricos para estrelas fugitivas que incluem estrelas múltiplas e massivas também produzem muito raramente velocidades tão extremas, sugerindo uma possibilidade mais exótica – um buraco negro de massa intermédia.

O percurso calculado da estrela tem origem num local do braço espiral de Norma que não está associado a enxames estelares massivos anteriormente conhecidos. No entanto, caso este hipotético aglomerado estelar exista, pode estar escondido por trás da poeira no disco estelar. Se for encontrado, proporcionará a primeira oportunidade de descobrir directamente um buraco negro de massa intermédia no disco estelar da Via Láctea.

Além disso, o facto de que esta estrela pode ter sido ejectada de um enxame massivo de estrelas sugere a possibilidade de que muitas outras estrelas em movimento rápido também possam ter sido expulsas deste tipo de objeto, dizem os cientistas.

Tanto a Via Láctea quanto a Grande Nuvem de Magalhães (uma pequena galáxia separada, em órbita da Via Láctea) são conhecidas por terem alguns enxames estelares que podem ter um papel importante na expulsão de estrelas velozes, contrariando a visão amplamente aceite de que foram expelidas por interacções com os buracos negros centrais nestas galáxias.

Os investigadores dizem que isto também levaria a novas informações sobre as interacções das estrelas e sobre a possível formação de buracos negros de massa intermédia em enxames estelares.

Astronomia On-line
15 de Março de 2019

[vasaioqrcode]

 

1640: NASA dá luz verde à SpaceX para novo teste em Março

Fonte: SpaceX

A NASA deu permissão à empresa de exploração espacial SpaceX, para fazer um teste à cápsula Dragon, no início do mês de Março.

A cápsula Dragon tem uma missão importante: será o componente que terá a responsabilidade de albergar a tripulação. No início do mês, tornou-se público que a SpaceX, uma das empresas de Elon Musk, tinha sido obrigada a adiar o teste desta cápsula – pela segunda vez.

Já tinha sido noticiado que um novo teste poderia ser feito no dia 2 de Março, mas agora a NASA oficializou esta demonstração, tendo já também marcado uma hora para este teste. Esta demonstração será feita a partir de Cabo Canaveral, na Florida, nos Estados Unidos, às 7h48 (hora de Portugal continental).

Caso este teste seja bem sucedido, a cápsula estará mais próxima de conseguir levar uma tripulação até à Estação Espacial Internacional. Por agora, este teste será feito sem tripulação, para perceber como é que a cápsula e os comandos respondem nesta primeira fase.

Após os testes sem tripulação, a SpaceX terá ainda de cumprir um teste de voo, já com tripulação, para conseguir atingir uma certificação fornecida pela NASA, antes de ter missões com diferentes equipas. Afinal, o grande objectivo da SpaceX é o de conseguir colocar turistas no espaço.

As incríveis promessas de Elon Musk para 2019, da Tesla ao espaço

Diário de Notícias
Segunda-feira, 25 Fevereiro 2019
Cátia Rocha

[vasaioqrcode]

 

1480: Uma semente de algodão germinou pela primeira vez na Lua

Responsáveis da missão chinesa Chang-4 anunciaram que uma das sementes na pequena biosfera que foi levada pela sonda para Lua já se transformou em plantinha e está a crescer

A imagem divulgada pela agência espacial chinesa
© DR

Os responsáveis da missão chinesa Chang-4, que pousou na lado oculto da Lua no dia 3 de janeiro, anunciaram que uma semente de algodão germinou e está a crescer dentro de uma pequena biosfera selada que a sonda transportou para a superfície lunar.

“É a primeira vez que os seres humanos fazem experiências biológicas na Lua”, afirmou Xie Gengxin, o cientista responsável pela experiência.

A equipa da Universidade de Chongqing que criou a experiência para a missão Chang-4, desenvolveu uma pequena caixa estanque com 18 centímetros (cm) de comprimento, na qual colocou água, ar e um pouco de terra, juntamente com sementes de algodão, de trigo e de batatas, bem como ovos de mosca-da-fruta.

As imagens divulgadas pelos responsáveis da missão mostram que uma semente de algodão já germinou e que a planta está a crescer. Mas para já, é a única, adianta a equipa.

A missão conta também com experiências de cientistas da Suécia, da Alemanha e de outras equipas da China para estudar as condições ambientais na Lua, incluindo os índices das radiações cósmicas e a interacções entre os ventos solares e o solo lunar.

A Chang-4 encontra-se na cratera Von Kármán, na bacia de Aitken, no Polo Sul lunar, uma planície ampla e sem grandes acidentes, onde aterrou a 3 de Janeiro, numa manobra considerada histórica por ter sido a primeira que desceu naquele lado da Lua que nunca se consegue ver da Terra.

A sonda libertou, entretanto, um pequeno rover, o Yutu-2, que está a fazer outras medições e experiências, mas sobre as quais nada foi adiantado ainda.

A agência espacial chinesa já tem planeadas mais quatro missões lunares. Uma delas, que será lançada no final do ano, de acordo com o calendário divulgado, tem por objectivo trazer de volta para a Terra amostras do solo.

Diário de Notícias
Filomena Naves
15 Janeiro 2019 — 11:03

]post-views}

[vasaioqrcode]

 

1389: Combinação de telescópios revela mais de 100 exoplanetas

Tamanhos relativos, temperaturas e órbitas dos exoplanetas.
Crédito: John H. Livingston

Uma equipa internacional, incluindo investigadores da Universidade de Tóquio e do Centro de Astrobiologia dos Instituto Nacionais de Ciências Naturais, anunciou a descoberta de 60 planetas usando dados da missão K2 da NASA e da missão Gaia da ESA.

Em combinação com o seu anterior tesouro exoplanetário, anunciado no passado mês de Agosto, descobriram um total de 104 planetas, um recorde para o Japão. Entre os achados estão duas dúzias de planetas em sistemas multi-planetários, 18 planetas com menos de 2 vezes o tamanho da Terra e vários planetas de período ultra-curto, que orbitam as suas estrelas em menos de 24 horas.

A equipa realizou uma análise detalhada de 155 candidatos a planeta encontrados em dados do segundo ano de operações da missão K2, levando a um conjunto uniforme de disposições candidatas e parâmetros de sistema. Devido ao brilho das suas estrelas hospedeiras, muitos destes planetas apresentam oportunidades para caracterização detalhada a fim de sondar as suas composições e atmosferas.

Este novo trabalho combina o grande poder da fotometria de séries temporais com a astrometria precisa do Gaia, que é a medição das posições das estrelas no céu. Esta combinação de dados restringe fortemente as propriedades das estrelas hospedeiras e dos seus planetas, e só se tornou possível este ano com a segunda versão de dados da missão Gaia.

O anúncio deste novo lote de planetas segue as pisadas de outro estudo pelo mesmo autor principal, John Livingston, estudante da Universidade de Tóquio. O estudo anterior incluiu 44 planetas descobertos pelo K2, à época o maior tesouro exoplanetário já encontrado por investigadores no Japão.

“Nós quebrámos o nosso antigo recorde com este novo artigo científico,” afirma Livingston, “de modo que perfaz um total de 104 planetas com estes dois estudos.” A missão original do Kepler terminou em 2013, quando a segunda roda de reacção sofreu uma falha mecânica. Isto levou ao início de uma missão estendida, conhecida como K2, na qual o mesmo telescópio espacial podia continuar a encontrar planetas executando uma estratégia de observação diferente. A missão K2 chegou recentemente ao fim depois de ficar sem combustível, mas não sem antes de descobrir mais de 360 planetas.

“Ao extrapolar a nossa análise destes 155 candidatos, estimamos que, nos dados da missão K2, fiquem por confirmar centenas de planetas,” realça Livingston. No entanto, a maioria destes exigirá mais observações para determinar a sua verdadeira natureza.

O conjunto recém-anunciado de planetas contém duas dúzias de planetas em sistemas multi-planetários, bem como vários planetas de período ultra-curto, que estão muito próximos das suas estrelas; um ano nesses planetas é equivalente a menos de um dia aqui na Terra. Os planetas de período ultra-curto têm atraído atenção porque a sua formação é actualmente um mistério, já que a teoria prevê que os planetas deveriam formar-se longe das suas estrelas hospedeiras.

Um destes sistemas, conhecido como K2-187, contém um total de quatro planetas, um dos quais tem período ultra-curto. “Este sistema junta-se a uma lista crescente de planetas de período ultra-curto em sistemas multi-planetários, o que pode fornecer pistas importantes sobre a formação deste tipo de exoplaneta,” explica Livingston. Os interessados na busca por planetas pequenos não ficarão desapontados: “18 dos 60 planetas têm menos de 2 vezes o tamanho da Terra e têm provavelmente composições rochosas com pouca ou nenhuma atmosfera,” acrescenta Livingston.

A equipa também descobriu que 18 dos 155 candidatos a planeta são na realidade falsos positivos, onde estrelas binárias eclipsantes produzem sinais parecidos aos produzidos por planetas em trânsito.

Além dos dados do K2 e do Gaia, a equipa caracterizou as estrelas hospedeiras recolhendo imagens através de ópticas adaptativas de alta resolução e interferometria, bem como espectros de alta resolução. A óptica adaptativa é uma técnica usada para corrigir distorções provocadas pela atmosfera, usando um espelho deformável que ajusta rapidamente a sua forma para produzir uma imagem muito nítida. A interferometria é uma técnica usada para superar as mesmas distorções, mas sem a utilização de um espelho deformável; ao invés, é captada uma sequência de imagens de exposição muito curta, efectivamente congelando o padrão de distorção atmosférica. Posteriormente, sofisticados algoritmos de processamento de imagem transformam a sequência numa única imagem com uma resolução tão alta como se não existisse atmosfera. “Com as nossas imagens de alta resolução podemos procurar outras estrelas muito próximas das estrelas hospedeiras e, com os nossos espectros, podemos até olhar para mais longe,” realça Livingston. Tais métodos observacionais desempenham um papel importante na validação de novos planetas, e os esforços contínuos vão levar ao anúncio de mais planetas no futuro.

Embora a NASA já tenha retirado oficialmente a nave Kepler, terminando assim a missão K2, a tarefa passou para uma nova missão chamada TESS, que já produziu as suas primeiras descobertas planetárias. “O futuro parece promissor para os planetas em trânsito,” diz Livingston. “Com o TESS já em funcionamento e o Telescópio Espacial James Webb ao virar da esquina, podemos esperar muitas novas e emocionantes descobertas nos próximos anos.”

O novo estudo foi publicado na revista The Astronomical Journal no dia 26 de Novembro de 2018.

Astronomia On-line
7 de Dezembro de 2018

[vasaioqrcode]

 

1187: BEPICOLOMBO DESCOLA PARA INVESTIGAR OS MISTÉRIOS DE MERCÚRIO

A missão ESA-JAXA BepiColombo, até Mercúrio, descola a partir do Porto Espacial Europeu em Kourou.
Crédito: 2018 ESA-CNES-Arianespace

A missão ESA-JAXA BepiColombo a Mercúrio descolou num Ariane 5, a partir do Porto Espacial Europeu em Kourou, às 01:45:28 GMT de 20 de Outubro, para a sua emocionante missão de estudar os mistérios do planeta mais interior do Sistema Solar.

Os sinais da nave espacial, recebidos no centro de controlo da ESA em Darmstadt, na Alemanha, através da estação de monitorização terrestre de Nova Nórcia, às 02:21 GMT, confirmaram que o lançamento foi bem-sucedido.

O BepiColombo é um empreendimento conjunto entre a ESA e a Agência de Exploração Aeroespacial do Japão, a JAXA. É a primeira missão europeia a Mercúrio, o menor e menos explorado planeta do Sistema Solar interior, e a primeira a enviar duas aeronaves para fazer medições complementares do planeta e do seu ambiente dinâmico, ao mesmo tempo.

“O lançamento de BepiColombo é um enorme marco para a ESA e a JAXA, e grandes sucessos estão ainda por vir,” afirma Jan Wörner, Director-geral da ESA.

“Além de completar a desafiante viagem, esta missão retornará uma enorme recompensa científica. É graças à colaboração internacional e às décadas de esforços e conhecimentos de todos os envolvidos no projecto, e à construção desta incrível máquina, que estamos agora no caminho para investigar os mistérios do planeta Mercúrio.”

“Parabéns pelo lançamento bem-sucedido do Ariane 5 transportando BepiColombo, a missão conjunta de exploração de Mercúrio da ESA-JAXA,” diz Hiroshi Yamakawa, Presidente da JAXA.

“Gostaria de expressar a minha gratidão pela excelente realização das operações de lançamento. A JAXA tem grandes expectativas de que as subsequentes observações detalhadas sobre a superfície e o interior de Mercúrio nos ajudem a entender melhor o meio ambiente do planeta e, em última análise, a origem do Sistema Solar, incluindo o da Terra.”

BepiColombo é composta por duas sondas científicas: a Sonda Planetária de Mercúrio (MPO) da ESA e a Sonda Magnetosférica de Mercúrio da JAXA. O Módulo de Transferência de Mercúrio (MTM), construído pela ESA, transportará as sondas para Mercúrio usando uma combinação de propulsão eléctrica solar e sobrevoos de assistência à gravidade, com um sobrevoo na Terra, dois em Vénus e seis em Mercúrio, antes de entrar em órbita em Mercúrio em 2025.

“Há uma longa e emocionante estrada à nossa frente antes que BepiColombo comece a recolher dados para a comunidade científica,” diz Günther Hasinger, Director de Ciência da ESA.

“Esforços como a missão Rosetta e as suas descobertas inovadoras, mesmo anos após a sua conclusão, já nos mostraram que missões complexas de exploração científica valem a pena.”

As duas sondas científicas poderão também operar alguns dos seus instrumentos durante a fase de cruzeiro, proporcionando oportunidades únicas para recolher dados cientificamente valiosos em Vénus. Além disso, alguns dos instrumentos projectados para estudar Mercúrio de uma maneira particular podem ser usados de maneira completamente diferente em Vénus, que tem uma atmosfera espessa em comparação com a superfície exposta de Mercúrio.

“BepiColombo é uma das missões interplanetárias mais complexas que já voámos,” afirma Andrea Accomazzo, Director de Voo da ESA para a missão BepiColombo.

“Um dos maiores desafios é a enorme gravidade do Sol, o que torna difícil colocar uma aeronave numa órbita estável ao redor de Mercúrio. Temos de travar constantemente para garantir uma queda controlada em direcção ao Sol, com os propulsores de iões a fornecer o baixo impulso, necessário durante longos períodos da fase de cruzeiro.”

Outros desafios incluem o ambiente de temperatura extrema que a aeronave irá suportar, que vai de -180ºC a mais de 450ºC – mais quente do que um forno de pizza. Muitos dos mecanismos das naves espaciais e revestimentos exteriores não tinham sido previamente testados em tais condições.

O design geral dos três módulos da aeronave também reflete as condições intensas que estes enfrentarão. Os grandes painéis solares do módulo de transferência têm de ser inclinados no ângulo certo para evitar danos de radiação, enquanto ainda fornece energia suficiente para a aeronave. Na MPO, o radiador largo significa que a aeronave pode eficientemente remover o calor dos seus subsistemas, bem como reflectir o calor e voar sobre o planeta em altitudes mais baixas do que já haviam sido alcançadas anteriormente. O Mio de oito lados gira 15 vezes por minuto para distribuir uniformemente o calor do Sol sobre os seus painéis solares, para evitar o super-aquecimento.

“Ver a nossa aeronave descolar para o espaço é o momento pelo qual todos esperávamos,” diz Ulrich Reininghaus, Director de Projectos na missão BepiColombo da ESA. “Superámos muitos obstáculos ao longo dos anos, e as equipas estão felizes por ver agora BepiColombo no encalço do intrigante planeta Mercúrio.”

Alguns meses antes de chegar a Mercúrio, o módulo de transferência será descartado, deixando as duas sondas científicas – ainda ligadas uma à outra – para serem capturadas pela gravidade de Mercúrio.

A sua altitude será ajustada usando os propulsores da MPO, até que a órbita polar elíptica desejada da MMO seja alcançada. Então, a MPO irá separar-se e descer para a sua própria órbita usando os seus propulsores.

Juntas, as sondas farão medições que revelarão a estrutura interna do planeta, a natureza da superfície e a evolução das características geológicas – incluindo o gelo nas crateras sombreadas do planeta – e a interacção entre o planeta e o vento solar.

“Um aspecto único desta missão é ter duas aeronaves a monitorizar o planeta a partir de dois locais diferentes ao mesmo tempo: isso é realmente fundamental para entender os processos ligados ao impacto do vento solar na superfície de Mercúrio e o seu ambiente magnético,” acrescenta Johannes Benkhoff, cientista do projecto BepiColombo da ESA.

“BepiColombo basear-se-á nas descobertas e questões levantadas pela missão Messenger da NASA para fornecer a melhor compreensão da evolução de Mercúrio e do Sistema Solar até o momento, que por sua vez será essencial para entender como os planetas que orbitam perto das suas estrelas em sistemas de exoplanetas se formam e evoluem, também.”

Astronomia On-line
23 de Outubro de 2018

[vasaioqrcode]

 

1161: Primeira missão europeia a Mercúrio lançada com cientista e tecnologia portuguesas

NASA
Projecção ortográfica de Mercúrio, captada pela sonda Messenger da NASA

A primeira missão europeia que vai estudar Mercúrio, o planeta mais pequeno e mais próximo do Sol, vai ser lançada no sábado, e nela participa uma cientista e uma empresa portuguesas.

A astrofísica Joana S. Oliveira faz parte da equipa científica da missão BepiColombo da Agência Espacial Europeia (ESA) e a empresa Efacec construiu um equipamento electrónico que irá monitorizar a radiação espacial durante a viagem e a operação de um dos satélites.

A missão, conjunta da ESA e da agência espacial japonesa JAXA, integra duas sondas, cujo lançamento está previsto para as 2h45 (hora de Lisboa) da base de Kourou, na Guiana Francesa, a bordo de um foguetão Ariane 5.

As sondas só vão estar a orbitar o planeta sete anos após o seu lançamento. Uma, da ESA, vai estudar a superfície, o interior e a camada mais externa da atmosfera (exosfera) de Mercúrio. A outra, da JAXA, vai analisar a magnetosfera (região a maior altitude que envolve o planeta).

Justificando à Lusa a relevância da missão, a investigadora Joana S. Oliveira disse que “Mercúrio é uma peça do puzzle muito importante para perceber a evolução do Sistema Solar”, uma vez que é o único planeta rochoso, além da Terra, que “possui um campo magnético global com origem num mecanismo de dínamo no núcleo líquido”.

Para se compreender como vai evoluir o campo magnético da Terra, que protege o planeta da radiação solar intensa, é necessário “perceber como funciona o mecanismo que produz o campo magnético nos diferentes planetas”, adiantou.

De acordo com a cientista portuguesa, há questões que ficaram por responder com a sonda MESSENGER da agência espacial norte-americana NASA, que esteve em órbita de Mercúrio durante quatro anos, entre 2011 e 2015.

Joana S. Oliveira salientou que “não foram feitas medições do campo magnético no hemisfério sul do planeta devido à órbita excêntrica da sonda”, que tinha de se distanciar de Mercúrio para arrefecer e “manter uma temperatura funcional”.

Também por causa da órbita da MESSENGER, o campo magnético das rochas de Mercúrio só foi mapeado “numa banda de latitude muito pequena”.

A missão BepiColombo, assim designada em homenagem ao matemático e engenheiro italiano Giuseppe (Bepi) Colombo (1920-1984) que se debruçou sobre Mercúrio, irá recolher dados durante um ano, prazo que poderá ser estendido por mais 12 meses.

Durante a viagem, as sondas vão aproximar-se da Terra e de Vénus antes de passarem seis vezes por Mercúrio e ficarem a girar em torno dele.

A sonda da ESA tem incorporado um equipamento electrónico fabricado e testado pela Efacec “capaz de detectar o impacto de partículas energéticas como protões e electrões”, explicou à Lusa João Costa Pinto, da direcção de projectos para o Espaço da empresa.

João Costa Pinto acrescentou ainda que o engenho distingue as partículas e determina “a gama de energias em que se encontram”.

O equipamento, que monitoriza a radiação espacial ao medir a quantidade de partículas energéticas geradas pelo Sol, permite tomar medidas como “desligar aparelhos mais sensíveis durante os períodos de maior actividade solar” evitando que se estraguem.

ZAP // Lusa

Por Lusa
19 Outubro, 2018

[vasaioqrcode]

 

1151: Todas as missões da NASA deveriam procurar vida extraterrestre

NASA Ames/JPL-Caltech/T. Pyle

A procura por sinais de vida alienígena deve fazer parte de todas as missões futuras da NASA. A organização deve expandir o seu leque sobre possíveis sinais extraterrestres, de forma a conseguir identificá-los, aponta um novo estudo.

Assinado por 17 cientistas, o relatório foi patrocinado pela agência espacial norte-americana e desenvolvido pelas Academias Nacionais de Ciência, Engenharia e Medicina dos Estados Unidos, tendo sido apresentado no passado dia 10 de Outubro.

A publicação sublinha a importância da astrobiologia – a Ciência que estuda a origem, evolução, distribuição e o futuro da vida na Terra e em todo o Universo. De acordo com o signatários do estudo, todas as missões futuras da NASA deve ter em conta a astrobiologia em todo o processo, desde de a “concepção e conceptualização até ao planeamento e ao desenvolvimento” das próprias operações.

Nos últimos anos, tal como nota o Live Science, os astrofísicos têm detectado milhares de planetas potencialmente habitáveis para lá do Sistema Solar. Além disso, os biólogos têm também descoberto novas pistas sobre a complexidade e a diversidade da vida na Terra.

Por tudo isto, e tendo em conta que estas descobertas poderão ser aplicadas noutros mundos distantes do nosso, os cientistas defendem que todas as missões devem incorporar traços de organismos alienígenas.

A nossa visão do Universo está agora mais repleta de planetas do que nunca. Os 2300 exoplanetas descobertos e confirmados pela missão Kepler levaram os cientistas a acreditar que pelo menos seis de cada dez estrelas poderiam orbitar planetas semelhantes à Terra, considerou Alan Boss, um dos astrónomos participantes no estudo.

O enorme número de exoplanetas recém-descobertos oferece novas e interessantes oportunidades para encontrar bio-assinaturas (traços ou marcadores químicos que indiciam sinais de vida), notou Boss – e é exactamente isso que os cientistas devem procurar.

Astrobiologia, uma Ciência pluridisciplinar

Os cientistas sublinharam no relatório a pluralidade da Astrobiologia, área de estudo que abrange várias outras, como a Física, Química, Biologia, Astronomia e Ciência Planetária. Estas áreas, de forma individual e, ao mesmo tempo, partilhada, podem ajudar a resolver o enigma de como é que a vida pode emergir e evoluir noutros mundos diferentes da Terra.

Os avanços recentes, especialmente nos últimos três anos, exigem uma nova estratégia, que fortaleça o papel da Astrobiologia nas missões da NASA, nota a publicação.

Os especialistas recomendam ainda que a NASA acelere no desenvolvimento de novas tecnologias para detectar organismos microscópicos, notando a falta de um único “instrumento pronto a voar“, que seja capaz de viajar para um mundo distante, medindo e detectando os seus elementos, minerais e matéria orgânica.

O relatório sugere ainda que os sistemas de imagem directa que suprimem a luz das estrelas devem ser usados fora do nosso Sistema Solar, de forma a melhorar a identificação de bio-assinaturas oriundas de planetas que orbitam estas estrelas – estes ambientes com luz suprimida seria mais amigáveis para os extraterrestres-

Além disso, acrescentam, a NASA deve ainda apostar em missões sob a superfície dos exoplanetas – sejam estes mundos rochosos, gelados ou oceânicos – para encontrar vida alienígena subterrânea.

Sinteticamente, os cientistas reiteram que é necessário refinar a procura e os métodos utilizados para encontrar os nossos vizinhos extraterrestres – estejam estes no nosso Sistema Solar ou a anos-luz de distância. É imperativo procurar mais e melhor.

Por ZAP
16 Outubro, 2018

[vasaioqrcode]

 

1083: LUA MARCIANA PODE TER SURGIDO DE UM IMPACTO COM O PLANETA

Fobos, a maior das duas luas de Marte, é a lua mais escura do Sistema Solar. Este aspecto escuro inspirou a hipótese de que a lua em íntima órbita pode ser um asteróide capturado, mas a sua dinâmica orbital parece discordar. Um novo estudo sugere que a composição de Fobos pode ser mais como a crosta vulcânica do Planeta Vermelho do que parece, consistente com uma origem para a lua baseada num antigo e violento impacto com Marte.
Crédito: G: Neukum (FU Berlin), et al./Mars Express/DLR/ESA; reconhecimento – Peter Masek

As estranhas formas e cores das pequenas luas marcianas, Fobos e Deimos, têm inspirado um longo debate sobre as suas origens.

As faces escuras das luas lembram os asteróides primitivos do Sistema Solar exterior, sugerindo que as luas podem ser asteróides capturados há muito tempo pela atracção gravitacional de Marte. Mas as formas e ângulos das órbitas das luas não encaixam neste cenário de captura.

Um novo olhar sobre dados com 20 anos, da missão Mars Global Surveryor da NASA, dá suporte à ideia que as luas de Marte se formaram após um grande impacto no planeta que colocou muitas rochas em órbita. O estudo foi publicado na revista Journal of Geophysical Research: Planets, da União Geofísica Americana.

O conjunto de dados continha pistas não investigadas sobre a composição de Fobos, que pode ser mais semelhante à crosta do Planeta Vermelho do que parece, de acordo com os autores do estudo.

“A parte divertida, para mim, foi debruçar-me sobre algumas das ideias que circulam por aí, usando um conjunto antigo de dados que tem sido subutilizado,” comenta Tim Glotch, geocientista da Universidade Stony Brook em Nova Iorque, autor principal do novo estudo.

Marc Fries, cientista planetário e curador de poeira cósmica do Centro Espacial Johnson da NASA, que não esteve envolvido no novo estudo, disse que a incapacidade de explicar a génese das duas luas em redor do planeta vizinho é uma lacuna gritante na compreensão dos cientistas sobre a formação lunar. O seu esclarecimento ajudará nas interpretações de como outras luas e planetas se formaram no nosso Sistema Solar e além. O novo estudo não resolve o mistério, mas é um passo na direcção certa, realçou.

“A questão das origens de Fobos e Deimos é um puzzle divertido porque temos duas hipóteses concorrentes que não podem ser verdadeiras,” disse Fries. “Eu não consideraria isso como uma solução final para o mistério da origem das luas, mas ajudará a manter a discussão em andamento.”

Objectos escuros

O debate sobre a origem das luas de Marte divide os cientistas há décadas, desde os primórdios da ciência planetária. No visível, Fobos e Deimos parecem muito mais escuras do que Marte, dando peso à hipótese de adopção.

Os cientistas estudam a composição mineral de objectos quebrando a luz que reflectem em cores componentes com um espectrómetro, criando “impressões digitais” distintas. Ao comparar as impressões digitais espectrais de superfícies planetárias com uma biblioteca de espectros para materiais conhecidos, podem inferir a composição destes objectos distantes. A maioria das investigações sobre a composição de asteróides examinou os seus espectros no visível e no infravermelho próximo, que está logo além da visão humana, no lado vermelho do espectro visível.

No visível e no infravermelho próximo, Fobos e os asteróides de classe-D parecem iguais – isto é, ambos os seus espectros são quase inexpressivos porque são muito escuros. Os asteróides de classe-D são quase escuros como carvão porque, como o carvão, contêm carbono. Este aspecto escuro de Fobos levou à hipótese de que a lua é um asteróide cativo que passou demasiado perto de Marte.

Mas os cientistas que observam as órbitas das luas de Marte argumentaram que não podem ter sido capturadas. Estes cientistas pensam que as luas devem ter sido formadas ao mesmo tempo que Marte, ou como resultado de um impacto massivo no planeta durante os seus milénios formativos.

“Se conversarmos com as pessoas peritas em dinâmica orbital e descobrirmos porque é que certos corpos orbitam da maneira que orbitam, dizem que tendo em conta a inclinação e os detalhes da órbita de Fobos, é quase impossível ter sido capturada. De modo que temos os espectroscopistas a dizer uma coisa, e os dinamistas a dizer outra,” comenta Glotch.

Impressões digitais de calor

Glotch decidiu analisar o problema sob uma luz diferente: no infravermelho médio, que está na mesma faixa que a temperatura corporal. Olhou para a assinatura de calor de Fobos, captada em 1998 por um instrumento que descreve como um extravagante termómetro a bordo da sonda Mars Global Surveyor. O veículo robótico passou a maior parte da sua vida olhando para Marte, mas deu uma rápida olhadela a Fobos quando passou perto da lua antes de assentar numa órbita mais próxima do planeta.

A energia térmica, tal como a luz visível, pode ser dividida num espectro de ‘cores’.” Até mesmo objectos que parecem escuros no visível podem brilhar com um espectro infravermelho distinto. Embora Fobos seja muito fria, o seu espectro de calor tem uma assinatura discernível.

Glotch e os seus alunos compararam os espectros infravermelhos médios de Fobos obtidos pela Mars Global Surveyor com amostras de um meteorito que caiu na Terra perto do Lago Tagish, na Colúmbia Britânica, que alguns cientistas sugeriram ser um fragmento de um asteróide de classe-D e de outros tipos de rocha. No laboratório, sujeitaram as suas amostras a condições de gélido vácuo, aquecendo-as por cima e por baixo, para simular as mudanças extremas na temperatura do lado ensolarado para o lado sombrio de objectos no espaço.

“Descobrimos que, nessas gamas de comprimento de onda, o meteorito do Lago Tagish não se parece nada com Fobos e, na realidade, o que mais se assemelha com Fobos, pelo menos numa das características do espectro, é basalto triturado, que é uma rocha vulcânica comum e a composição principal da crosta marciana,” explica Glotch. “Isso leva-nos a achar que talvez Fobos possa ser o remanescente de um impacto que ocorreu no início da história marciana.”

“Cozida” com crosta planetária?

O novo estudo não argumenta que Fobos é composto totalmente por material de Marte, mas os novos resultados são consistentes com a lua contendo uma porção da crosta do planeta, talvez como uma mistura de detritos do planeta e dos remanescentes do objecto impactante.

Fries, o cientista que não esteve envolvido no novo estudo, disse que o meteorito do Lago Tagish é invulgar e talvez não seja o melhor exemplo disponível de um asteróide de classe-D para uma comparação convincente com Fobos. Fries acrescentou que o novo estudo provavelmente não seria capaz de produzir uma resposta definitiva porque Fobos está sujeito ao intemperismo espacial, o que afecta o seu espectro de reflectância e é difícil de replicar no laboratório.

Mas Fries achou interessante que uma mistura de material basáltico e rico em carbono fizesse uma combinação apropriada para Fobos. Outra possibilidade é que poeira espacial rica em carbono, na vizinhança de Marte, tenha-se acumulado nas luas próximas, escurecendo as suas superfícies.

Os cientistas poderão obter a sua resposta da origem de Fobos nos próximos anos, caso a sonda MMX (Martian Moons Exploration), a OSIRIS-REx e a exploradora de asteróide Hayabusa2 completem as suas missões de recolher amostras e de as enviarem para a Terra para análise. A Hayabusa2 pousou dois pequenos robôs no asteróide conhecido como Ryugu no passado dia 21 de Setembro.

“O mais espectacular disto, é que é uma hipótese testável, porque os japoneses estão a desenvolver a missão MMX, que tem destino Fobos, onde vai recolher uma amostra e trazê-la de volta à Terra para que possamos analisá-la,” conclui Glotch.

Astronomia On-line
28 de Setembro de 2018

[vasaioqrcode]

See also Blogs Eclypse and Lab Fotográfico

1062: Missão a Marte poderá ser fatal para os astronautas

x-ray_delta_one / Flickr

Os astronautas de uma futura viagem a Marte estarão expostos, na ida e volta ao planeta vermelho, a cerca de 60% do total de radiação recomendada para toda a sua carreira profissional, revelou um novo estudo.

A Agência Espacial Europeia (ESA) chegou a esta conclusão, que apresentou no Congresso Europeu de Ciências Planetárias que está a decorrer esta semana em Berlim, após analisar dados recolhidos por satélites da missão ExoMars, um projecto em que também participa a agência espacial russa Roscosmos. A pesquisa foi publicada esta quinta-feira.

No espaço, sem o forte campo magnético da Terra e sem atmosfera, o incessante bombardeamento de raios cósmicos “tem o potencial de causar sérios danos aos humanos”, indicou a ESA, em comunicado.

Esta exposição, muito maior do que a dos astronautas que trabalham na Estação Espacial Internacional, eleva o risco de cancro, além de deixar sequelas no sistema nervoso central e provocar enfermidades degenerativas.

A radiação cósmica é composta por partículas incrivelmente minúsculas que se movem de forma incrivelmente rápida, quase à velocidade da luz – um tipo de fenómeno que o corpo humano não está preparado para suportar.

Tal como nota o Space.com, esta radiação viaja em todo o espaço mas a atmosfera da Terra protege-nos do pior dos seus impactos. Ou seja, quanto mais nos afastamos da superfície da Terra, mais radiação cósmica o nosso corpo absorverá.

“Um dos factores básicos na planificação e desenho de uma missão tripulada de longa duração a Marte é calcular os riscos derivados da radiação”, explicou Jordanka Semkova, da Academia de Ciências búlgara.

Os riscos estão calculados, mas os valores são preocupantes. A viagem por si só exporá os astronautas a 60% da radiação recomendável e, o objectivo de visitar o Planeta Vermelho deve incluir um período, ainda que curto, na sua superfície – de preferência, sem sobre-dosagem na radiação.

A radiação não é o único o problema que os astronautas poderão vir a enfrentar numa futura viagem. Os desafios multiplicam-se desde de a própria viagem, passando pela nave e chegando às propriedades do próprio planeta.

Recentemente, uma tempestade de areia cobriu Marte por completo, levando à suspensão  da Opportunity, o rover da NASA que está “adormecido” há mais de três meses. O robô está em Marte desde 2004. Inicialmente, foi concebido para durar apenas 3 meses, mas continuou a operar durante quase 15 anos.

ZAP // Lusa

Por ZAP
22 Setembro, 2018

[vasaioqrcode]

See also Blogs Eclypse and Lab Fotográfico

656: MATÉRIA ORGÂNICA EM CERES PODE SER MAIS ABUNDANTE DO QUE SE PENSAVA INICIALMENTE

No ano passado, a sonda Dawn espiou matéria orgânica no planeta anão Ceres, o maior objecto da cintura de asteróides. Uma nova análise sugere que essa matéria orgânica pode ser mais abundante do que se pensava.
Crédito: NASA/renderização por Hannah Kaplan

No ano passado, cientistas da missão Dawn da NASA anunciaram a detecção de materiais orgânicos – compostos à base de carbono que são componentes necessários à vida – expostos em zonas da superfície do planeta anão Ceres. Agora, uma nova análise dos dados da Dawn, por investigadores da Universidade Brown, sugerem que essas áreas podem conter uma abundância muito maior de compostos orgânicos do que se pensava inicialmente.

As descobertas, publicadas recentemente na revista científica Geophysical Research Letters, levantam questões intrigantes sobre como esses materiais orgânicos chegaram à superfície de Ceres, e os cientistas dizem que os métodos usados no novo estudo também podem fornecer um modelo para interpretar dados para missões futuras.

“O que este artigo mostra é que podemos obter resultados realmente diferentes dependendo do tipo de material orgânico usado para comparar e para interpretar os dados de Ceres,” afirma Hannah Kaplan, investigadora de pós-doutoramento do SwRI (Southwest Research Institute) que liderou a pesquisa enquanto completava o seu doutoramento em Brown. “Isto é importante não apenas para Ceres, mas também para missões que em breve explorarão asteróides que também podem conter material orgânico.”

As moléculas orgânicas são os blocos de construção química da vida. A sua detecção em Ceres não significa que a vida lá existe ou já existiu; os processos não-biológicos também podem dar origem a moléculas orgânicas. Mas dado que a vida como a conhecemos não pode existir sem material orgânico, os cientistas estão interessados em saber como está distribuído pelo Sistema Solar. A presença de material orgânico em Ceres levanta possibilidades intrigantes, particularmente porque o planeta anão também é rico em água gelada, e a água é outro componente necessário para a vida.

A descoberta original de compostos orgânicos em Ceres foi feita usando o espectrómetro VIR (Visible and Infrafred) da sonda Dawn, que entrou em órbita do planeta anão em 2015. Analisando os padrões no qual a luz solar interage com a superfície – observando cuidadosamente os comprimentos de onda reflectidos e absorvidos – os cientistas podem ter uma ideia de quais os compostos presentes em Ceres. O instrumento VIR captou um sinal consistente com moléculas orgânicas na região da Cratera Ernutet no hemisfério norte de Ceres.

Para se ter uma ideia inicial da abundância destes compostos, a equipa de investigação original comparou os dados VIR de Ceres com os espectros de reflectância de laboratório de material orgânico formado na Terra. Com base nesse padrão, os cientistas concluíram que entre 6 e 10% da assinatura espectral detectada em Ceres podia ser explicada por materiais orgânicos.

Mas para esta nova investigação, Kaplan e colegas quiseram reexaminar esses dados usando um padrão diferente. Em vez de se basearem nas rochas da Terra para interpretar os dados, a equipa voltou-se para uma fonte extraterrestre: meteoritos. Alguns meteoritos – pedaços de condritos carbonáceos que caíram na Terra depois de expulsos de asteróides primitivos – mostraram conter material orgânico ligeiramente diferente do que é frequentemente encontrado no nosso planeta. E o trabalho de Kaplan mostra que a reflectância espectral dos compostos orgânicos é distinta daquela dos seus homólogos terrestres.

“O que descobrimos é que se modelarmos os dados de Ceres usando materiais orgânicos extraterrestres, que podem ser análogos mais apropriados do que os encontrados na Terra, então precisamos de bastante mais matéria orgânica em Ceres para explicar a força da absorção espectral que vemos lá,” explica Kaplan. “Nós estimamos que quase 40 a 50% do sinal espectral que vemos em Ceres é explicado por matéria orgânica. Essa é uma diferença enorme em comparação com os 6-10% relatados anteriormente com base em compostos orgânicos terrestres.”

Se a concentração de compostos orgânicos em Ceres for, de facto, tão alta, levanta uma série de novas questões sobre a origem desse material. Existem duas possibilidades concorrentes para a origem da matéria orgânica em Ceres. Pode ter sido produzida internamente em Ceres e depois exposta à superfície, ou pode ter sido entregue até à superfície por um impacto de um cometa ou um asteróide rico em compostos orgânicos.

Este novo estudo sugere que se os compostos orgânicos foram entregues, então as potenciais altas concentrações seriam mais consistentes com o impacto de um cometa em vez de um asteróide. Sabemos que os cometas têm abundâncias internas significativamente mais altas de materiais orgânicos em comparação com asteróides primitivos, potencialmente semelhantes aos 40-50% que este estudo sugere para os locais em Ceres. No entanto, o calor de um impacto provavelmente destruiria uma quantidade substancial da matéria orgânica de um cometa, de modo que os investigadores dizem que ainda não está claro se essas abundâncias podem ser explicadas por um impacto cometário.

A explicação alternativa, a de que os compostos orgânicos se formaram directamente em Ceres, também levanta questões. A detecção de compostos orgânicos foi limitada, até agora, a pequenas áreas no hemisfério norte de Ceres. Essas altas concentrações em áreas tão pequenas requerem uma explicação.

“Se os materiais orgânicos são produzidos em Ceres, então provavelmente ainda precisamos de um mecanismo para concentrá-los nestes locais específicos ou pelo menos para os preservar aí,” comenta Ralph Milliken, professor associado do Departamento da Terra, do Meio Ambiente e de Ciências Planetárias de Brown e co-autor do estudo. “Não está claro qual seria esse mecanismo. Ceres é claramente um objecto fascinante, e a compreensão da história e da origem dos produtos orgânicos nesses locais e em outras zonas de Ceres provavelmente vai exigir missões futuras que possam analisar ou enviar amostras.”

Por enquanto, os investigadores esperam que este estudo seja útil para informar as próximas missões de envio de amostras a asteróides próximos da Terra, que também se pensa albergarem água e compostos orgânicos. Espera-se que a sonda japonesa Hayabusa2 chegue ao asteróide Ryugu daqui a várias semanas, e a missão OSIRIS-REx da NASA tem chegada prevista ao asteróide Bennu em Agosto. Kaplan é actualmente membro da equipa científica da missão OSIRIS-REx.

“Eu penso que o trabalho empregue neste estudo, que incluiu novas medições em laboratório de componentes importantes de meteoritos primitivos, pode fornecer uma estrutura de como melhor interpretar dados de asteróides e de estabelecer ligações entre observações com sondas e amostras na nossa colecção de meteoritos,” afirma Kaplan. “Como novo membro da equipa OSIRIS-REx, estou particularmente interessado em saber como isto pode ser aplicado à nossa missão.”

Astronomia On-line
15 de Junho de 2018

[vasaioqrcode]

[SlideDeck2 id=1476]

[powr-hit-counter id=dacef15d_1529064376388]

589: Morreu Alan Bean, o quarto homem na Lua

(dr) Alan Bean
Alan Bean usou poeira lunar real para retratar os seus passeios na Lua

Alan Bean, o quarto homem a caminhar na Lua, morreu aos 86 anos, informou a agência espacial norte-americana NASA em comunicado.

Morreu Alan Bean, o astronauta que, quatro meses depois de Neil Armstrong ter dado um pequeno passo para um homem mas um passo de gigante para a Humanidade, se tornou no quarto homem a fazê-lo.

A norte de Alan Bean acontece pouco mais de um ano após a de Eugene Cernan, o último homem a andar na lua, que partiu para a sua última viagem em Janeiro do ano passado.

“Alan Bean, 86 anos, morreu este sábado, 26 de maio, no Houston Methodist Hospital em Houston, Texas. A sua morte aconteceu depois de Bean ter ficado doente, durante uma viagem a Fort Wayne, no Indiana, há duas semanas”, informa o comunicado da agência espacial norte-americana.

“Estamos tristes pela morte de Alan Bean, o quarto homem na Lua, que passou mais de 10 horas na superfície lunar. Foi comandante da missão Skylab II, e dedicou-se à pintura depois de se retirar”, acrescenta a NASA no seu perfil no Twitter.

Capitão da Marinha dos Estados Unidos, Alan Bean tornou-se astronauta em 1963. Seis anos mais tarde, era o piloto do módulo lunar da Apollo 12, a segunda missão dos EUA a chegar à Lua.

As missões Apollo levavam 3 astronautas a bordo, dos quais dois tinham o privilégio de pisar a Lua – que, no caso das Apollo 12, coube a Bean e ao seu colega Peter Conrad, comandante da missão e terceiro homem a pisar a Lua.

Os dois astronautas exploraram a superfície da Lua, tendo realizado experiências científicas a baixa gravidade, enquanto o terceiro membro da missão, Richard Gordon, se manteve em orbita do satélite da Terra, no módulo de comando, à procura de posições de pouso para futuras missões lunares.

“Lembro-me de uma vez estar a olhar para a Terra e começar a pensar uau, isto é belo. Mas então disse a mim próprio, acaba de dizer disparates e vai mas é recolher pedras. Achávamos que a reflexão não era produtiva”, contou Bean à revista People em 1981.

A missão Apollo 12 começou com um susto. Pouco depois da descolagem, o foguete foi atingido por um raio, mas a tripulação conseguiu continuar o voo programado para a Lua. Bean e Conrad passaram mais de 31 horas na superfície da Lua, incluindo mais de 7 horas de trabalho fora do módulo lunar.

Em 1973, Bean comandou a missão Skylab II, a segunda missão tripulada ao famoso Skylab, primeira estação espacial dos EUA, que se despenhou na Terra em 1979, após 6 anos em órbita.

Bean nasceu a 15 de Março de 1932, em Wheeler, no Texas. Tinha o sonho de se tornar um piloto, e começou a voar aos 17 anos. Formou-se em engenharia aeronáutica na Universidade do Texas, após o que foi contratado como oficial da Marinha dos EUA.

Bean foi treinado como piloto de testes da Marinha precisamente por Peter Conrad, o que, anos mais tarde, desempenhou um papel crucial na sua escolha para a missão Apollo 12. Alan Bean passou 69 dias, 15 horas e 45 minutos no espaço, antes de se retirar, em 1981.

Depois de deixar a NASA, o ex-astronauta dedicou-se à pintura, tendo criado várias obras que retratavam passeios na superfície lunar usando poeira e detritos trazidos da Lua.

ZAP // Sputnik News / NPR

Por SN
27 Maio, 2018

[vasaioqrcode]

[SlideDeck2 id=1476]

[powr-hit-counter id=c0f9b7e4_1527441842003]

572: DUAS NOVAS SONDAS SERÃO AS MAIS PRÓXIMAS DO SOL

A Solar Orbiter da ESA vai capturar as primeiras imagens das regiões polares do Sol, onde a tensão magnética se acumula e é libertada numa dança vivaça. Com lançamento previsto para 2020, o estudo do Sol pela Solar Orbiter vai lançar luz sobre a estrutura magnética e as muitas forças que moldam a actividade solar.
Crédito: sonda – ESA/ATG medialab; Sol – NASA/SDO/P. Testa (CfA)

À medida que são desenvolvidas ferramentas cada vez mais poderosas para estudar o espaço exterior ao nosso Sistema Solar, aprendemos mais sobre o mar aparentemente infinito de estrelas distantes e os seus curiosos elencos de planetas em órbita. Mas há apenas uma estrela para onde podemos viajar directamente e observar de perto – e é a nossa: o Sol.

Duas missões futuras levar-nos-ão, em breve, mais perto do Sol do que nunca, proporcionando a melhor chance, até agora, de descobrir as complexidades da actividade solar no nosso próprio Sistema Solar e de lançar luz sobre a própria natureza do espaço e das estrelas espalhadas por todo o Universo.

Juntas, a Parker Solar Probe da NASA e a Solar Orbiter da ESA podem resolver questões com décadas sobre o funcionamento interno da nossa estrela mais próxima. O seu estudo compreensivo e íntimo do Sol tem implicações importantes sobre como vivemos e exploramos: a energia do Sol alimenta a vida na Terra, mas também desencadeia eventos climáticos espaciais que podem representar um perigo para a tecnologia de que cada vez mais dependemos. Este clima espacial pode afectar as comunicações de rádio, afectar os satélites e os voos tripulados e – na pior das hipóteses – interferir com as redes eléctricas. Uma melhor compreensão dos processos fundamentais que impulsionam estes eventos solares poderá melhorar as previsões de quando ocorrem e como os seus efeitos podem ser sentidos na Terra.

“O nosso objectivo é entender como o Sol funciona e como afecta o ambiente espacial até ao ponto da previsibilidade,” afirma Chris St. Cyr, cientista do projecto Solar Orbiter no Centro de Voo Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, no estado norte-americano de Maryland. “Esta é realmente uma ciência orientada pela curiosidade.”

A Parker Solar Probe deverá ser lançada ainda este verão e a Solar Orbiter em 2020. Estas missões foram desenvolvidas independentemente, mas os seus objectivos científicos coordenados não são coincidência: a Parker Solar Probe a Solar Orbiter são colegas de equipa.

Estudando a coroa solar

Ambas as missões vão observar de perto a dinâmica da atmosfera exterior do Sol, chamada coroa. Da Terra, a coroa é visível apenas durante os eclipses solares totais, quando a Lua bloqueia a luz mais intensa do Sol e revela a estrutura fantasmagórica, branca e perolada da atmosfera exterior. Mas a coroa não é assim tão delicada quanto parece durante um eclipse solar total – muito do comportamento da coroa é imprevisível e não é bem compreendido.

Os gases carregados da coroa são movidos por um conjunto de leis da física que raramente estão envolvidas nas nossas experiências normais cá na Terra. Desvendar os detalhes do que faz com que as partículas carregadas e os campos magnéticos dancem e rodopiem pode ajudar-nos a melhor compreender dois mistérios extraordinários: o que torna a coroa muito mais quente do que a superfície solar e o que impulsiona o constante fluxo de material solar, o vento solar, a velocidades tão altas.

Podemos ver essa coroa de longe, e até medir o aspecto do vento solar à medida que passa pela Terra – mas isso é como medir um rio calmo a quilómetros de distância de uma cascata e tentar compreender a fonte da corrente. Só recentemente adquirimos a tecnologia capaz de suportar o calor e a radiação perto do Sol, de modo que, pela primeira, vamos para mais perto da fonte.

“A Parker Solar Probe e a Solar Orbiter empregam diferentes tipos de tecnologia, mas – como missões – elas serão complementares,” comenta Eri Christian, investigador da missão Parker Solar Probe em Goddard. “Vão tirar fotos da coroa do Sol ao mesmo tempo e vão ver algumas das mesmas estruturas – o que está a acontecer nos pólos do Sol e como essas mesmas estruturas se parecem no equador.”

A Parker Solar Probe atravessará um território inteiramente novo à medida que viaja para mais perto do Sol do que qualquer outra nave espacial – a cerca de 6,2 milhões de quilómetros da superfície solar. Se a Terra fosse reduzida para estar situada numa extremidade de um campo de futebol, com o Sol na outra, a missão ficaria dentro da pequena área do Sol. A detentora do recorde actual, a Helios B, uma missão solar do final da década de 1970, chegou apenas a metade do “meio-campo” solar.

A partir desse ponto de vista, as quatro “suites” de instrumentos científicos da Parker Solar Probe estão construídas para visualizar o vento solar e estudar os campos magnéticos, o plasma e as partículas energéticas – clarificando a verdadeira anatomia da atmosfera exterior do Sol. Esta informação esclarecerá o chamado problema do aquecimento coronal. Refere-se à realidade contra-intuitiva de que, embora as temperaturas na coroa possam chegar aos vários milhões de graus Celsius, a superfície solar subjacente, a fotosfera, ronda os 5500º C. Para apreciar completamente a estranheza dessa diferença de temperatura, imagine afastar-se de uma lareira e começar a sentir o ar em redor ficar muito mais quente.

A Solar Orbiter estará a menos de 24,1 milhões de quilómetros do Sol – mais próxima que a posição da Helios-B a metade do “meio-campo” do “campo de futebol solar” metafórico. Estará numa órbita altamente inclinada que poderá fornecer as primeiras imagens directas dos pólos do Sol – partes do Sol que ainda não compreendemos bem e que podem conter a chave para entender o que impulsiona a actividade constante e as erupções da nossa estrela.

Tanto a Parker Solar Probe como a Solar Orbiter vão estudar a influência mais difundida do Sol no Sistema Solar: o vento solar. O Sol expele constantemente um fluxo de gás magnetizado que preenche o Sistema Solar interior, chamado vento solar. Este vento solar interage com os campos magnéticos, com as atmosferas e até com as superfícies de mundos espalhados por todo o Sistema Solar. Na Terra, esta interacção pode desencadear auroras e por vezes atrapalhar os sistemas de comunicação e as redes eléctricas.

Os dados de missões anteriores levaram os cientistas a pensar que a coroa contribui para os processos que aceleram as partículas, impulsionando as incríveis velocidades do vento solar – que triplicam ao deixar o Sol e ao passar pela coroa. Actualmente, o vento solar percorre 148 milhões de quilómetros até atingir as sondas que o medem – tempo mais que suficiente para que esse fluxo de gases carregados se misture com outras partículas que viajam pelo espaço e perca algumas das suas características específicas. A Parker Solar Probe vai captar o vento solar assim que se forma e deixa a coroa, enviando de volta à Terra algumas das medições mais pristinas do vento solar já registadas. A perspectiva da Solar Orbiter, que dará uma boa olhadela aos polos do Sol, vai complementar o estudo do vento solar pela Parker Solar Probe, porque permite com que os cientistas observem como a estrutura e o comportamento do vento solar variam a diferentes latitudes.

A Solar Orbiter também fará uso da sua órbita única para entender melhor os campos magnéticos do Sol; algumas das actividades magnéticas mais interessantes do Sol estão concentradas nos pólos. Mas como a Terra orbita num plano mais ou menos em linha com o equador solar, nós normalmente não temos uma boa visão dos pólos de longe. É um pouco como tentar ver o cume do Monte Evereste a partir da base da montanha.

Essa visão dos pólos também vai ajudar-nos a melhor compreender a natureza geral do campo magnético do Sol, vivaz e enorme, estendendo-se muito além da órbita de Neptuno. O campo magnético do Sol é tão abrangente em grande parte por causa do vento solar: à medida que o vento solar flui para fora, transporta com ele o campo magnético do Sol, criando uma vasta bolha a que chamamos heliosfera. Dentro da heliosfera, o vento solar determina a própria natureza das atmosferas planetárias. Os limites da heliosfera são moldados pela forma como o Sol interage com o espaço interestelar. Desde a passagem da Voyager 1 pela heliopausa em 2012 que sabemos que essas fronteiras protegem dramaticamente o Sistema Solar interno contra a radiação galáctica.

Ainda não está claro como, exactamente, o campo magnético do Sol é gerado ou estruturado nas profundezas do Sol – embora saibamos que campos magnéticos intensos em redor dos pólos impulsionem a variabilidade do Sol, provocando erupções solares e ejecções de massa coronal. A Solar Orbiter vai pairar sobre a mesma região da atmosfera solar durante vários dias de cada vez enquanto os cientistas observam a tensão a acumular-se e a soltar-se em torno dos pólos. Essas observações podem levar a uma melhor compreensão dos processos físicos que, em última análise, geram o campo magnético do Sol.

Juntas, a Parker Solar Probe e a Solar Orbiter aperfeiçoarão o nosso conhecimento do Sol e da heliosfera. Ao longo do caminho, é possível que estas missões apresentem ainda mais perguntas do que respostas – um problema que os cientistas aguardam ansiosamente.

“Há perguntas que nos incomodam há muito tempo,” comenta Adam Szabo, cientista da missão Parker Solar Probe em Goddard. “Estamos a tentar decifrar o que acontece perto do Sol e a solução óbvia é simplesmente ir até lá. Mal podemos esperar – não apenas eu, mas toda a comunidade.”

Astronomia On-line
22 de Maio de 2018

[vasaioqrcode]

[SlideDeck2 id=1476]

[powr-hit-counter id=1b6081ae_1526984394602]