3431: Descolagem do Solar Orbiter, a missão da ESA que olhará o Sol de frente

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Lançamento da missão Solar Orbiter da ESA/NASA, com o objectivo de estudar o Sol, a partir da Estação da Força Aérea de Cabo Canaveral, no estado norte-americano da Florida.
Crédito: Jared Frankie

A missão Solar Orbiter da ESA descolou num Atlas V 411, a partir do Cabo Canaveral, Florida, às 05:03 CET de 10 de Fevereiro, na sua missão de estudar o Sol sob novas perspectivas.

Os sinais da aeronave foram recebidos na estação terrestre New Norcia às 06:00 CET, após a separação do estágio superior do lançador em baixa órbita terrestre.

De frente para o sol

A Solar Orbiter, uma missão liderada pela ESA com forte participação da NASA, fornecerá as primeiras imagens das regiões polares desconhecidas do Sol, fornecendo uma visão sem precedentes de como a nossa estrela-mãe funciona.

Investigará também como a radiação intensa e as partículas energéticas que são expelidas do Sol e transportadas pelo vento solar através do Sistema Solar afectam o nosso planeta natal, para melhor entender e prever períodos de “clima espacial” tempestuoso. As tempestades solares têm o potencial de derrubar redes eléctricas, interromper o tráfego aéreo e as telecomunicações e colocar em risco os astronautas que andam no espaço, por exemplo.

“Como seres humanos, sempre estivemos familiarizados com a importância do Sol para a vida na Terra, observando-o e investigando em detalhe como este funciona; mas também sabemos, há muito tempo, que tem o potencial de atrapalhar a vida quotidiana se estivermos na mira de uma poderosa tempestade solar”, afirma Günther Hasinger, Diretor de Ciências da ESA.

“No final da nossa missão Solar Orbiter, saberemos mais do que nunca sobre a força oculta responsável pelas mudanças de comportamento do Sol e a sua influência no nosso planeta natal.”

“O Solar Orbiter fará coisas incríveis. Combinado com as outras missões da NASA recentemente lançadas para estudar o Sol, estamos a adquirir novos conhecimentos sem precedentes sobre a nossa estrela,” disse Thomas Zurbuchen, administrador associado de Ciências da NASA na sede da agência em Washington DC.

“Juntamente com os nossos parceiros europeus, estamos a entrar numa nova era da heliofísica que transformará o estudo do Sol e ajudará a tornar os astronautas mais seguros enquanto viajam nas missões do programa Artemis até a Lua.”

No ponto mais próximo, o Solar Orbiter enfrentará o Sol dentro da órbita de Mercúrio, a aproximadamente 42 milhões de quilómetros da superfície solar. A tecnologia de ponta do escudo de calor garantirá que os instrumentos científicos da aeronave estejam protegidos, já que o escudo de calor suportará temperaturas de até 500ºC – até 13 vezes o calor experienciado pelos satélites na órbita da Terra.

“Após cerca de vinte anos desde o início, seis anos de construção e mais de um ano de testes, juntamente com os nossos parceiros industriais, estabelecemos novas tecnologias de alta temperatura e concluímos o desafio de construir uma aeronave pronta para enfrentar o Sol e estudá-lo de perto”, acrescenta César García Marirrodriga, Director de Projectos do Solar Orbiter da ESA.

Novas perspectivas sobre a nossa estrela-mãe

O Solar Orbiter levará pouco menos de dois anos para alcançar a sua órbita operacional inicial, usando sobrevoos com auxílio da gravidade da Terra e Vénus para entrar numa órbita altamente elíptica ao redor do Sol. O satélite usará a gravidade de Vénus para lançar-se fora do plano eclíptico do Sistema Solar, que abriga as órbitas planetárias, e aumentará a inclinação da sua órbita para nos dar novas imagens, até agora desconhecidas, das regiões polares da nossa estrela-mãe.

Os pólos estão fora do campo de visão da Terra e de outras naves espaciais, mas os cientistas pensam que são essenciais para entender a actividade do Sol. Ao longo da sua missão, projectada para cinco anos, o Solar Orbiter alcançará uma inclinação de 17º acima e abaixo do equador solar. A missão estendida proposta alcançaria 33º de inclinação.

“Operar um satélite nas proximidades do Sol é um enorme desafio,” diz Sylvain Lodiot, Director de Operações do Solar Orbiter da ESA.

“A nossa equipa terá de garantir a pontaria contínua e precisa do campo de protecção para evitar possíveis danos causados pela radiação e pelo fluxo térmico do Sol. Ao mesmo tempo, teremos de garantir uma resposta rápida e flexível às solicitações dos cientistas para adaptar as operações dos seus instrumentos de acordo com as observações mais recentes da superfície solar.”

O Solar Orbiter usará uma combinação de 10 instrumentos in situ e de deteção remota para observar a superfície solar turbulenta, a atmosfera externa quente do Sol e as mudanças no vento solar. As cargas úteis de detecção remota concretizarão imagens de alta resolução da atmosfera do Sol – a coroa – e também do disco solar. Os instrumentos in situ medirão o vento solar e o campo magnético solar nas proximidades do satélite.

“A combinação de instrumentos de detecção remota, que olham para o Sol e medições in situ, que sentem o seu poder, permitir-nos-ão juntar os pontos entre o que vemos no Sol e o que experienciamos enquanto absorvemos o vento solar”, diz Daniel Müller, Cientista do Projecto Solar Orbiter da ESA.

“Isto fornecerá informações sem precedentes sobre como a nossa estrela-mãe trabalha em termos do seu ciclo de actividade solar de 11 anos e como o Sol cria e controla a bolha magnética – a heliosfera – na qual o nosso planeta reside.”

Somos todos satélites solares

O Solar Orbiter será uma das duas naves complementares que estudam o Sol nas proximidades: juntar-se-á à sonda Parker Solar da NASA, que já está ocupada na sua missão.

O Solar Orbiter e a sonda Parker Solar têm objetivos diferentes, se complementares, e foram projetados e colocados numa órbita única para atingir os seus objetivos diferentes, se complementares. A sonda Parker Solar ‘toca’ a nossa estrela a distâncias muito mais próximas que o Solar Orbiter, para estudar como o vento solar se origina – mas não possui câmaras para ver o Sol diretamente; enquanto o Solar Orbiter voa a uma distância ideal para alcançar uma perspectiva abrangente da nossa estrela, incluindo imagens remotas e medições in situ e visualizará, pela primeira vez, as regiões polares do Sol.

Além de atingir os seus próprios objectivos científicos, o Solar Orbiter fornecerá informações contextuais para melhorar o entendimento das medições da sonda Parker Solar. Ao trabalharem juntas dessa maneira, as duas aeronaves colectarão conjuntos de dados complementares que permitirão que mais ciência seja destilada das duas missões do que estas poderiam gerir por conta própria.

“O Solar Orbiter é a mais nova adição ao Observatório do Sistema Heliofísico da NASA, juntando-se à sonda Parker Solar numa aventura extraordinária para desvendar os maiores mistérios do Sol e da sua atmosfera alargada,” diz Holly Gilbert, Cientista do Projecto Solar Orbiter da NASA.

“A poderosa combinação destas duas missões e os seus impressionantes avanços tecnológicos impulsionarão o nosso conhecimento para novos patamares.

O Solar Orbiter baseia-se no legado de missões, tais como o Ulysses e o Observatório Solar e Heliofísico (SOHO) da ESA/NASA, para nos dar a visão mais avançada da nossa estrela e a sua influência na Terra.

Astronomia On-line
11 de Fevereiro de 2020

 

spacenews

 

3425: Solar Orbiter, a missão espacial que vai captar imagens dos pólos do Sol

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Sonda da Agência Espacial Europeia, em cooperação com a NASA, irá tentar capturar as imagens mais próximas do Sol até agora registadas. Irá aproximar-se até 42 milhões de km do Sol, a uma velocidade máxima de 245 mil km/h.

A Solar Orbiter deve capturar as primeiras imagens dos polos solares
© EPA/ESA/ATG MediaLab/NASA

A missão Solar Orbiter iniciará domingo uma viagem espacial para explorar os ventos solares, um fenómeno carregado de partículas potencialmente nocivas para as telecomunicações, e capturar imagens inéditas do Sol. A sonda da Agência Espacial Europeia (ESA) será lançada de Cabo Canaveral, na Florida, em cooperação com a NASA. A bordo: dez equipamentos científicos, que somam 209 quilos de carga útil.

Após passar pelas órbitas de Vénus e Mercúrio, o satélite, cuja velocidade máxima será de 245.000 km/h, poderá aproximar-se a até 42 milhões de km do Sol, ou seja, menos de um terço da distância entre a estrela da Terra.

Com essa trajectória, a Solar Orbiter “terá a capacidade de voltar-se directamente para o Sol”, explicou à AFP Matthieu Berthomier, investigador do Centro Nacional de Pesquisas Científicas (CNRS) francês.

Os novos dados completarão os compilados pela sonda Parker da NASA, lançada em 2018, que se aproximou ainda mais da superfície do astro (entre 7 e 8 milhões de km), mas sem a tecnologia de observação directa.

Com seis instrumentos de tomografia, a sonda europeia revelará as imagens mais próximas do sol já capturadas. Mostrará, ainda, pela primeira vez os pólos do sol, do qual só se conhecem actualmente as regiões equatoriais.

O objectivo principal da missão é “compreender como o Sol cria e controla a heliosfera”, a bolha magnética que rodeia todo o sistema solar, resumiu Anne Pacros, encarregada da missão da ESA.

Meteorologia espacial

Esta bolha está impregnada de um fluxo ininterrupto de partículas chamado ventos solares. “Os ventos solares podem ser lentos ou rápidos e ignoramos do que depende esta variabilidade. É o mesmo vento que varia ou são diferentes? Esse é um dos mistérios que esperamos resolver“, explica Miho Janvier, do Instituto de Astrofísica Espacial.

Às vezes os ventos solares são perturbados por erupções que ejectam partículas carregadas que se propagam no espaço.
Estas tempestades, difíceis de prever, têm um impacto directo na Terra: quando atingem a magnetosfera, provocam no mínimo as belas e inofensivas auroras polares. Mas o impacto também pode ser mais perigoso.

“Os ventos solares alteram o nosso ambiente electromagnético. É o que chamamos de meteorologia do espaço, que pode afectar nossa vida quotidiana”, afirma Berthomier.

A maior tempestade solar conhecida é o “evento de Carrington”, de 1859: destruiu a rede de telégrafos nos Estados Unidos, gerou descargas eléctricas, queimou papel nas estações e a aurora boreal tornou-se visível em latitudes inéditas, até na América Central.

Em 1989, em Quebeque, a modificação do campo magnético da Terra criou uma corrente eléctrica em larga escala que, por efeito dominó, fez saltarem os circuitos eléctricos, provocando um enorme apagão.

As erupções podem ainda perturbar os radares no espaço aéreo – como em 2015 na Escandinávia -, as frequências de rádio e destruir satélites.

Cortar a electricidade no espaço

Embora se tratem de acontecimentos invulgares, “a nossa sociedade depende cada vez mais do que acontece no espaço, por isso também é mais dependente da atividade solar, visto que quanto mais nos distanciamos da Terra, a magnetosfera protege-nos menos”, segundo Etienne Pariat, cientista do CNRS no Observatório de Paris.

“Imagine que metade dos satélites em órbita eram destruídos, seria uma catástrofe para a humanidade!”, diz Berthomier. Daí a necessidade crescente de contar com uma previsão meteorológica espacial.

Ao observar as regiões solares onde surgem estes ventos, a Solar Orbiter “permitirá elaborar modelos para melhorar as previsões”, diz Pacros. “Se sabemos que uma tempestade solar vai incidir sobre nós num ou dois dias, teremos tempo de proteger-nos, interrompendo os sistemas eléctricos dos satélites”, antecipa Berthomier.

A missão dirigida pela ESA, com um custo total de 1,5 mil milhões de euros, está prevista para descolar a bordo de um foguete Atlas V 411 do Kennedy Space Center, no domingo, às 23h locais.

A viagem vai durar dois anos e a missão científica, entre 5 e 9 anos.

Diário de Notícias

DN/AFP

spacenews