2338: Gaia começa a mapear a barra da nossa Galáxia

Esta imagem mostra a distribuição de 150 milhões de estrelas na Via Láctea, usando a segunda versão de dados da missão Gaia em combinação com levantamentos ópticos e infravermelhos, com os tons laranja/amarelo indicando uma maior densidade de estrelas. A maioria destas estrelas são gigantes vermelhas. A distribuição é sobreposta a uma visão artística da nossa Via Láctea.
Enquanto a maioria das estrelas estão localizadas mais perto do Sol (a maior mancha laranja/amarela na parte inferior da imagem), uma característica grande e alongada povoada por muitas estrelas também é visível na região central da Galáxia: esta é a primeira indicação geométrica da barra galáctica.
As distâncias das estrelas mostradas neste gráfico, juntamente com a temperatura da sua superfície e extinção – uma medida da quantidade de poeira que existe entre nós e as estrelas – foram estimadas usando o código de computador StarHorse.
Crédito: dados – ESA/Gaia/DPAC, A. Khalatyan (AIP) & equipa StarHorse; mapa galáctico – NASA/JPL-Caltech/R. Hurt (SSC/Caltech)

A primeira medição directa da colecção de estrelas em forma de barra no centro da Via Láctea foi feita combinando dados da missão Gaia da ESA com observações complementares de telescópios terrestres e espaciais.

A segunda versão de dados do satélite de mapeamento estelar, publicada em 2018, tem vindo a revolucionar muitos campos da astronomia. O catálogo sem precedentes contém os brilhos, posições, indicadores de distância e movimentos no céu para mais de mil milhões de estrelas da nossa Via Láctea, juntamente com informações sobre outros corpos celestes.

Por mais impressionante que este conjunto de dados seja, isto é apenas o começo. Embora esta segunda divulgação tenha por base os primeiros 22 meses de investigações do Gaia, o satélite já varre o céu há cinco anos e tem ainda muitos pela frente. Os novos lançamentos de dados planeados para os próximos anos vão melhorar as medições, além de fornecer informações adicionais que nos permitirão mapear a nossa Galáxia e aprofundar a sua história como nunca antes.

Entretanto, uma equipa de astrónomos combinou os dados mais recentes do Gaia com observações infra-vermelhas e ópticas realizadas a partir do solo e do espaço para fornecer uma ante-visão do que os futuros lançamentos do topógrafo estelar da ESA vai revelar.

“Observámos, em particular, dois parâmetros estelares contidos nos dados do Gaia: a temperatura da superfície das estrelas e a ‘extinção’, que é basicamente uma medida da quantidade de poeira que existe entre nós e as estrelas, obscurecendo a sua luz e fazendo com que pareça mais vermelha,” disse Friedrich Anders da Universidade de Barcelona, Espanha, autor principal do novo estudo.

“Estes dois parâmetros estão interligados, mas podemos estimá-los de forma independente, adicionando informações extras obtidas atravessando a poeira com observações infra-vermelhas.”

A equipa combinou o segundo lançamento de dados do Gaia com várias investigações no infravermelho usando um código informático chamado StarHorse, desenvolvido pela co-autora Anna Queiroz e colaboradores. O código compara as observações com modelos estelares para determinar a temperatura da superfície das estrelas, a extinção e uma estimativa melhorada da distância até às estrelas.

Como resultado, os astrónomos obtiveram uma determinação muito mais precisa das distâncias para cerca de 150 milhões de estrelas – em alguns casos, a melhoria é de até 20% ou mais. Isto permitiu que rastreassem a distribuição de estrelas através da Via Láctea para distâncias muito maiores do que o possível só apenas com os dados do Gaia.

“Com o segundo lançamento de dados do Gaia, pudemos testar um raio em torno do Sol de cerca de 6500 anos-luz, mas com o nosso novo catálogo, pudemos estender essa ‘esfera do Gaia’ três ou quatro vezes, alcançando o centro da Via Láctea,” explicou a co-autora Cristina Chiappini do Instituto Leibniz para Astrofísica em Potsdam, Alemanha, onde o projecto foi coordenado.

Lá, no centro da nossa Galáxia, os dados revelam claramente uma característica grande e alongada na distribuição tridimensional das estrelas: a barra galáctica.

“Nós sabemos que a Via Láctea tem uma barra, como outras galáxias espirais barradas, mas até agora só tínhamos indicações indirectas dos movimentos das estrelas e do gás, ou de contagens estelares em levantamentos no infravermelho. Esta é a primeira vez que vemos a barra galáctica no espaço em 3D, com base em medições geométricas de distâncias estelares,” explicou Friedrich.

“Em última análise, estamos interessados na arqueologia galáctica: queremos reconstruir como a Via Láctea se formou e evoluiu e, para isso, precisamos de entender a história de cada um dos seus componentes,” acrescentou Cristina.

“Ainda não está claro como a barra – uma grande quantidade de estrelas e gás que gira em torno do centro da Galáxia – se formou, mas com o Gaia e outros levantamentos futuros nos próximos anos estamos certamente no caminho certo para descobrir isso.”

A equipa está ansiosa pela próxima divulgação de dados do APOGEE-2 (Apache Point Observatory Galaxy Evolution Experiment), bem como por instalações como o 4MOST (4-metre Multi-Object Survey Telescope) no ESO no Chile e o levantamento WEAVE (WHT Enhanced Area Velocity Explorer) do Telescópio William Herschel (WHT) em La Palma, Ilhas Canárias.

A terceira divulgação de dados do Gaia, actualmente planeada para 2021, vai incluir determinações de distância bastante melhoradas para um número muito maior de estrelas, e espera-se que permita o progresso na nossa compreensão da região complexa no centro da Via Láctea.

“Com este estudo, podemos desfrutar de uma amostra das melhorias no nosso conhecimento da Via Láctea que podem ser esperadas a partir de medições do Gaia com a terceira divulgação de dados,” explica o co-autor Anthony Brown da Universidade de Leiden, Holanda, e presidente do Consórcio de Análise e Processamento de Dados do Gaia.

“Estamos a revelar características na Via Láctea que, de outra forma, não podíamos ver: é este o poder do Gaia, que é aprimorado ainda mais em combinação com investigações complementares,” conclui Timo Prusti, cientista do projecto Gaia da ESA.

Astronomia On-line
19 de Julho de 2019

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1683: Cientistas calculam quanto pesa a Via Láctea

Chao Liu/National Astronomical Observatories, Chinese Academy of Sciences

Numa árdua tarefa conjunta, dados do telescópio espacial Hubble, da NASA, juntamente a medições da missão Gaia, da ESA, permitiram um novo cálculo para estimar com precisão a massa da nossa galáxia.

De acordo com o novo estudo, a Via Láctea tem o peso de 1,5 biliões de massas solares, abrigando cerca de 200 mil milhões de estrelas.

Anteriormente, estimativas previam que a Via Láctea pesava algo entre 500 mil milhões e 3 biliões de vezes a massa do Sol, com diferentes métodos usados para medir a distribuição da matéria escura, que representa cerca de 90% da massa de toda a galáxia.

Como não é possível detectar a matéria escura directamente, estes cálculos usando variados métodos acabavam a gerar dados incertos, ainda que possíveis.

Para fazer o novo cálculo, a equipa usou um método inteligente que conta com a medição das velocidades dos aglomerados globulares, que são bastante densos e orbitam o disco espiral da galáxia a grandes distâncias.

N. Wyn Evans, da Universidade de Cambridge, explica que “quanto mais massiva é uma galáxia, mais rapidamente os seus aglomerados se movem sob a força da sua gravidade”.

Ele também explica que “a maioria das medições anteriores encontrou a velocidade em que um aglomerado está a aproximar-se ou a recuar da Terra, que é a velocidade ao longo da nossa linha de visão. No entanto, também pudemos medir o movimento lateral dos aglomerados, dos quais a velocidade total, e consequentemente a massa galáctica, podem ser calculadas”.

Por isso, foi essencial usar dados da missão Gaia, em cuja última libertação de dados há medições de aglomerados globulares a 65 mil anos-luz da Terra. “Estes aglomerados estendem-se a uma grande distância, por isso são considerados os melhores rastreadores que os astrónomos têm para medir a massa de nossa galáxia”, diz Tony Sohn, que conduziu a recolha de dados do Hubble para este estudo.

As observações do Hubble permitiram a recolha de dados de aglomerados globulares fracos e ainda mais distantes, a até 130 mil anos-luz da Terra.

“Combinando as medidas da Gaia em 34 aglomerados globulares com as medições de 12 aglomerados mais distantes pelo Hubble, podemos fixar a massa da Via Láctea de uma maneira que seria impossível sem estes telescópios espaciais”, declarou Roeland P. van der Marel, do Space Telescope Science Institute.

Muitas questões cosmológicas importantes ainda não foram respondidas justamente porque não conhecíamos a massa, de maneira mais precisa, da Via Láctea. Determinar com precisão a massa da nossa galáxia é importante para que possamos compreender ainda melhor o universo ao nosso redor.

ZAP // Canal Tech

Por CT
8 Março, 2019

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1389: Combinação de telescópios revela mais de 100 exoplanetas

Tamanhos relativos, temperaturas e órbitas dos exoplanetas.
Crédito: John H. Livingston

Uma equipa internacional, incluindo investigadores da Universidade de Tóquio e do Centro de Astrobiologia dos Instituto Nacionais de Ciências Naturais, anunciou a descoberta de 60 planetas usando dados da missão K2 da NASA e da missão Gaia da ESA.

Em combinação com o seu anterior tesouro exoplanetário, anunciado no passado mês de Agosto, descobriram um total de 104 planetas, um recorde para o Japão. Entre os achados estão duas dúzias de planetas em sistemas multi-planetários, 18 planetas com menos de 2 vezes o tamanho da Terra e vários planetas de período ultra-curto, que orbitam as suas estrelas em menos de 24 horas.

A equipa realizou uma análise detalhada de 155 candidatos a planeta encontrados em dados do segundo ano de operações da missão K2, levando a um conjunto uniforme de disposições candidatas e parâmetros de sistema. Devido ao brilho das suas estrelas hospedeiras, muitos destes planetas apresentam oportunidades para caracterização detalhada a fim de sondar as suas composições e atmosferas.

Este novo trabalho combina o grande poder da fotometria de séries temporais com a astrometria precisa do Gaia, que é a medição das posições das estrelas no céu. Esta combinação de dados restringe fortemente as propriedades das estrelas hospedeiras e dos seus planetas, e só se tornou possível este ano com a segunda versão de dados da missão Gaia.

O anúncio deste novo lote de planetas segue as pisadas de outro estudo pelo mesmo autor principal, John Livingston, estudante da Universidade de Tóquio. O estudo anterior incluiu 44 planetas descobertos pelo K2, à época o maior tesouro exoplanetário já encontrado por investigadores no Japão.

“Nós quebrámos o nosso antigo recorde com este novo artigo científico,” afirma Livingston, “de modo que perfaz um total de 104 planetas com estes dois estudos.” A missão original do Kepler terminou em 2013, quando a segunda roda de reacção sofreu uma falha mecânica. Isto levou ao início de uma missão estendida, conhecida como K2, na qual o mesmo telescópio espacial podia continuar a encontrar planetas executando uma estratégia de observação diferente. A missão K2 chegou recentemente ao fim depois de ficar sem combustível, mas não sem antes de descobrir mais de 360 planetas.

“Ao extrapolar a nossa análise destes 155 candidatos, estimamos que, nos dados da missão K2, fiquem por confirmar centenas de planetas,” realça Livingston. No entanto, a maioria destes exigirá mais observações para determinar a sua verdadeira natureza.

O conjunto recém-anunciado de planetas contém duas dúzias de planetas em sistemas multi-planetários, bem como vários planetas de período ultra-curto, que estão muito próximos das suas estrelas; um ano nesses planetas é equivalente a menos de um dia aqui na Terra. Os planetas de período ultra-curto têm atraído atenção porque a sua formação é actualmente um mistério, já que a teoria prevê que os planetas deveriam formar-se longe das suas estrelas hospedeiras.

Um destes sistemas, conhecido como K2-187, contém um total de quatro planetas, um dos quais tem período ultra-curto. “Este sistema junta-se a uma lista crescente de planetas de período ultra-curto em sistemas multi-planetários, o que pode fornecer pistas importantes sobre a formação deste tipo de exoplaneta,” explica Livingston. Os interessados na busca por planetas pequenos não ficarão desapontados: “18 dos 60 planetas têm menos de 2 vezes o tamanho da Terra e têm provavelmente composições rochosas com pouca ou nenhuma atmosfera,” acrescenta Livingston.

A equipa também descobriu que 18 dos 155 candidatos a planeta são na realidade falsos positivos, onde estrelas binárias eclipsantes produzem sinais parecidos aos produzidos por planetas em trânsito.

Além dos dados do K2 e do Gaia, a equipa caracterizou as estrelas hospedeiras recolhendo imagens através de ópticas adaptativas de alta resolução e interferometria, bem como espectros de alta resolução. A óptica adaptativa é uma técnica usada para corrigir distorções provocadas pela atmosfera, usando um espelho deformável que ajusta rapidamente a sua forma para produzir uma imagem muito nítida. A interferometria é uma técnica usada para superar as mesmas distorções, mas sem a utilização de um espelho deformável; ao invés, é captada uma sequência de imagens de exposição muito curta, efectivamente congelando o padrão de distorção atmosférica. Posteriormente, sofisticados algoritmos de processamento de imagem transformam a sequência numa única imagem com uma resolução tão alta como se não existisse atmosfera. “Com as nossas imagens de alta resolução podemos procurar outras estrelas muito próximas das estrelas hospedeiras e, com os nossos espectros, podemos até olhar para mais longe,” realça Livingston. Tais métodos observacionais desempenham um papel importante na validação de novos planetas, e os esforços contínuos vão levar ao anúncio de mais planetas no futuro.

Embora a NASA já tenha retirado oficialmente a nave Kepler, terminando assim a missão K2, a tarefa passou para uma nova missão chamada TESS, que já produziu as suas primeiras descobertas planetárias. “O futuro parece promissor para os planetas em trânsito,” diz Livingston. “Com o TESS já em funcionamento e o Telescópio Espacial James Webb ao virar da esquina, podemos esperar muitas novas e emocionantes descobertas nos próximos anos.”

O novo estudo foi publicado na revista The Astronomical Journal no dia 26 de Novembro de 2018.

Astronomia On-line
7 de Dezembro de 2018

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1109: Há 13 estrelas extra-galácticas a invadir a Via Láctea a grande velocidade

ESA/ATG/ESO/S. Brunier
Impressão de artista do observatório espacial Gaia, da ESA, a mapear as estrelas da Via Láctea

Uma equipa de astrónomos, ao utilizar o mais recente conjunto de dados da missão Gaia da ESA para procurar estrelas em alta velocidade a ser expulsas da Via Láctea, acabou por apanhar uma surpresa.

Em Abril, o observatório espacial Gaia, topógrafo estelar da ESA, lançou um catálogo sem precedentes de mais de mil milhões de estrelas.

Astrónomos em todo o mundo têm trabalhado incessantemente, nos últimos meses, para explorar este extraordinário conjunto de dados, examinando as propriedades e movimentos das estrelas na nossa Galáxia e mais além, com uma precisão nunca antes alcançada, dando origem a uma infinidade de novos e intrigantes estudos.

A Via Láctea contém mais de cem mil milhões de estrelas. A maioria está localizada num disco com um centro denso e abaulado, no meio do qual se encontra um buraco negro super-massivo. O resto encontra-se espalhada num halo esférico muito maior. As estrelas circundam a Via Láctea a centenas de quilómetros por segundo e os seus movimentos contêm uma riqueza de informações sobre a história passada da Galáxia.

A classe mais rápida de estrelas na nossa galáxia denomina-se de estrelas de hipervelocidade, que supostamente começam a sua vida perto do Centro Galáctico, para depois serem lançadas em direcção à borda da Via Láctea, através de interacções com o buraco negro.

Até agora, foi descoberto um pequeno número de estrelas de hipervelocidade, e o segundo lançamento de dados, recentemente publicado pelo Gaia, oferece uma oportunidade única de procurar mais.

Imediatamente após a sua divulgação, vários grupos de astrónomos agarraram-se ao novíssimo conjunto de dados em busca de estrelas de hipervelocidade. Entre eles, três cientistas da Universidade de Leiden, Holanda, tiveram uma grande surpresa.

Para 1,3 mil milhões de estrelas, o Gaia mediu posições, paralaxes – um indicador da sua distância – e movimentos 2D no plano do céu. Para sete milhões das mais brilhantes, também mediu a rapidez com que estas se movem na nossa direcção ou para longe de nós.

“Dos sete milhões de estrelas de Gaia com medições de velocidade 3D, encontrámos vinte que poderiam estar a viajar suficientemente rápido para eventualmente escapar da Via Láctea”, explica Elena Maria Rossi, uma das autoras de um novo estudo, publicado em Setembro na Monthly Notices of the Royal Astronomical Society.

Elena e os colegas, que já haviam descoberto um punhado de estrelas de hipervelocidade no ano passado, num estudo exploratório baseado em dados do primeiro lançamento de Gaia, ficaram agradavelmente surpreendidos, pois esperavam encontrar no máximo uma estrela a soltar-se da Galáxia entre esses sete milhões. Mas ainda há mais.

Para sua ainda maior surpresa, os investigadores que apenas 7 destas 20 estrelas de hipervelocidade se estava a afastar da Via Láctea. Na realidade, as outras 13 estrelas estão a espiralar a alta velocidade em direcção ao centro da nossa galáxia.

“Em vez de voar para longe do Centro Galáctico, uma parte das 20 estrelas de alta velocidade que vimos parece estar a voar em direcção a ele,” acrescenta o astrónomo italiano Tommaso Marchetti, co-autor do estudo. “Estas 13 podem ser estrelas de outra galáxia, a passar através da Via Láctea. “

É possível que estes intrusos intergalácticos venham da Grande Nuvem de Magalhães, uma galáxia relativamente pequena que orbita a Via Láctea, ou podem ter origem numa galáxia ainda mais longe.

Se for esse o caso, estas contêm a marca do seu local de origem e estudá-las a distâncias muito mais próximas que da sua galáxia-mãe, poderia fornecer informações sem precedentes sobre a natureza das estrelas noutra galáxia – semelhante a estudar material marciano trazido para a Terra por meteoritos. “As estrelas podem ser aceleradas a altas velocidades quando interagem com um buraco negro super-massivo,” explica Elena.

“Portanto, a presença destas estrelas pode ser um sinal de tais buracos negros em galáxias próximas. Mas as estrelas também podem ter sido parte de um sistema binário, lançado em direcção à Via Láctea quando a sua estrela companheira explodiu como uma super-nova. De qualquer forma, estudá-las poderia dizer-nos mais sobre esse tipo de processos em galáxias próximas.”

Uma explicação alternativa é que estas estrelas recentemente identificadas poderiam ser nativas ao halo da nossa Galáxia, aceleradas e empurradas para dentro através de interacções com uma das galáxias anãs que caíram em direcção à Via Láctea durante o seu histórico de construção. Informações adicionais sobre a idade e a composição das estrelas poderiam ajudar os astrónomos a esclarecer sua origem.

“É provável que uma estrela do halo da Via Láctea seja razoavelmente velha e feita principalmente de hidrogénio, enquanto estrelas de outras galáxias poderiam conter muitos elementos mais pesados,” diz Tommaso. “Olhar para as cores das estrelas dir-nos-á mais sobre a sua constituição.“

Novos dados do Gaia ajudarão a determinar a natureza e a origem dessas estrelas com mais precisão, e a equipa usará telescópios terrestres para descobrir mais sobre elas. Enquanto isso, o observatório espacial da ESA continua a fazer observações do céu por inteiro, incluindo as estrelas analisadas neste estudo.

“Este resultado emocionante mostra que Gaia é uma verdadeira máquina do descobrimento, fornecendo o terreno para descobertas completamente inesperadas sobre a nossa Galáxia,” conclui Timo Prusti, cientista do projecto Gaia da ESA.

Por CCVAlg
7 Outubro, 2018

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929: MAPA DA DENSIDADE ESTELAR

Mapa 3D focado num tipo particular de objecto: estrelas OB, as estrelas mais quentes, mais brilhantes e mais massivas da nossa Galáxia.
Crédito: Galaxy Map/K. Jardine

O segundo lançamento de dados da missão Gaia da ESA, realizado em Abril, marcou um ponto de viragem no estudo da nossa casa galáctica, a Via Láctea. Com um catálogo sem precedentes de posições 3D e movimentos 2D de mais mil milhões de estrelas, além de informações adicionais sobre subconjuntos menores de estrelas e outras fontes celestes, Gaia forneceu aos astrónomos um recurso surpreendente para explorar a distribuição e composição da Galáxia e investigar a sua evolução passada e futura.

A maioria das estrelas na Via Láctea está localizada no disco Galáctico, que tem uma forma achatada, caracterizada por um padrão de braços espirais, semelhante ao observado em galáxias espirais além da nossa. No entanto, é particularmente difícil reconstruir a distribuição de estrelas no disco e, especialmente, o design dos braços da Via Láctea, devido à nossa posição dentro do próprio disco.

É aqui que as medições do Gaia podem fazer a diferença.

Esta imagem mostra um mapa 3D que está focado num tipo particular de objecto: estrelas OB, as estrelas mais quentes, mais brilhantes e mais massivas da nossa Galáxia. Como estas estrelas têm vidas relativamente curtas – até algumas dezenas de milhões de anos – encontram-se principalmente perto dos seus locais de formação no disco galáctico. Como tal, podem ser usadas para traçar a distribuição geral de estrelas jovens, locais de formação estelar e braços espirais da Galáxia.

O mapa, que se baseia em 400.000 estrelas deste tipo, a menos de 10.000 anos-luz do Sol, foi criado por Kevin Jardine, um programador informático e astrónomo amador com interesse em cartografar a Via Láctea, e que utiliza uma variedade de dados astronómicos.

Está centrado no Sol e mostra o disco galáctico como se estivéssemos a olhar para ele de um ponto de vista fora da Galáxia.

Para lidar com o enorme número de estrelas no catálogo de Gaia, Kevin utilizou a chamada isosuperfície de densidade, uma técnica que é usada rotineiramente em muitas aplicações práticas, por exemplo, para visualizar o tecido dos órgãos dos ossos em tomografias computorizadas do corpo humano. Nesta técnica, a distribuição 3D de pontos individuais é representada em termos de uma ou mais superfícies lisas que delimitam regiões com uma densidade de pontos diferente.

Aqui, regiões do disco galáctico são mostradas com cores diferentes, dependendo da densidade de estrelas ionizantes anotadas pelo Gaia; estas são as mais quentes entre as estrelas OB, brilhando com a radiação ultravioleta que retira os electrões dos átomos de hidrogénio para lhes dar o seu estado ionizado.

As regiões com maior densidade destas estrelas são exibidas em tons rosa/roxo, regiões com densidade intermédia em violeta/azul claro, e regiões de baixa densidade em azul escuro. Informações adicionais de outras pesquisas astronómicas foram também usadas para cartografar as concentrações de poeira interestelar, mostradas em verde, enquanto nuvens conhecidas de gás ionizado estão representadas como esferas vermelhas.

O aparecimento de “raios” é uma combinação de nuvens de poeira que bloqueiam a visão das estrelas por trás delas e um efeito de alongamento da distribuição de estrelas ao longo da linha de visão.

Uma versão interactiva deste mapa está também disponível como parte do Gaia Sky, um programa informático de visualização em astronomia 3D, em tempo real, que foi desenvolvido no âmbito da missão Gaia no Astronomisches Rechen-Institut, Universidade de Heidelberg, Alemanha.

Astronomia On-line
28 de Agosto de 2018

(Foram corrigidos 7 erros ortográficos ao texto original)

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486: AS ESTRELAS NASCEM EM AGRUPAMENTOS SOLTOS

Impressão de artista do satélite Gaia, com a Via Láctea no plano de fundo.
Crédito: ESA/ATG medialab; imagem de fundo: ESO/S. Burner

Com base em dados previamente publicados da missão Gaia, investigadores da Universidade de Heidelberg derivaram as condições sob as quais as estrelas se formam. O satélite Gaia está a medir as posições tridimensionais e os movimentos das estrelas na Via Láctea com uma precisão sem precedentes. Usando esses dados, o Dr. Jacob Ward e o Dr. Diederik Kruijssen determinaram as posições, distâncias e velocidades de um grande número de jovens estrelas massivas em 18 agrupamentos estelares próximos. Os investigadores conseguiram demonstrar que não há evidência alguma de que essas associações estejam a se expandir. Portanto, não podem ter sido formados como um enxame denso e, de seguida, crescido para o seu tamanho actual.

O modelo de longa data da formação estelar sustenta que a maioria, se não todas as estrelas, se formam em aglomerados estelares relativamente densos. Os especialistas referem-se a este como o modelo “monolítico” da formação das estrelas. Com base nesse modelo, cada agrupamento de jovens estrelas observáveis actualmente deve ter origem num ou mais enxames densos. Depois da formação das estrelas, estes enxames expeliram o gás molecular restante e foram capazes de se expandir devido à perda da massa gravitacionalmente ligada. Os aglomerados menos densos de hoje teriam se formado dessa forma e, portanto, milhões de anos depois, evidenciariam sinais claros de forte expansão.

Para os Drs. Ward e Kruijssen, os resultados da sua investigação indicam claramente que o modelo “monolítico” de formação estelar simplesmente não é viável. Ambos os cientistas preferem outra explicação, a saber, que apenas uma pequena fracção das estrelas nascem dentro de aglomerados densos. Ao invés, as estrelas formam-se em gigantescas nuvens de gás molecular numa ampla faixa de densidades. Este modelo “hierárquico” de formação estelar explica os enxames estelares de hoje e as associações com uma variedade de densidades que não mostram sinais de expansão adicional.

A próxima divulgação de dados da missão Gaia está marcada para o dia 25 de Abril. Até lá, terão sido recolhidos dados sobre mais de mil milhões de estrelas – pelo menos 500 vezes mais do que os dois milhões de estrelas incluídas neste estudo inicial. Jacob Ward e Diederik Kruijssen esperam que estes novos dados os permitam expandir o seu estudo a, potencialmente, centenas de grupos estelares soltos, conhecidos como Associações OB, e aprofundar ainda mais a questão de como as estrelas nascem.

Astronomia On-line
24 de Abril de 2018

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