3235: Missão Cheops da ESA levanta voo

CIÊNCIA

A missão Cheops da ESA levanta voo a bordo de um foguetão Soyuz-Fregat.
Crédito: ESA – S. Corvaja

A missão Cheops da ESA levantou voo a partir de um foguetão Soyuz-Fregat a partir do Porto Espacial Europeu em Kourou, Guiana Francesa, às 09:54:20 CET de dia 18 de Dezembro, na sua emocionante missão de caracterizar planetas em órbitas de outras estrelas que não o Sol.

Os sinais da nave, recebidos no centro de controle da missão no INTA, Torrejón de Ardoz, Madrid, via estação de rastreamento Troll às 12:43 CET, confirmaram que o lançamento foi bem-sucedido.

O satélite Cheops (Characterising Exoplanet Satellite) é uma parceria entre a ESA e a Suíça, com importantes contribuições de 10 outros países membros da Agência Espacial Europeia. A primeira missão da ESA dedicada aos exoplanetas, vai investigar planetas conhecidos para lá do nosso Sistema Solar e fornecer informações importantes sobre a natureza desses mundos alienígenas distantes.

Os cientistas especulavam há muito tempo a existência de exoplanetas até à descoberta de 51 Pegasi b, o primeiro planeta descoberto em torno de uma estrela parecida com o Sol, anunciada em 1995. Os descobridores, Didier Queloz e Michel Mayor, partilharam o Prémio Nobel da Física de 2019 pela descoberta inovadora, que marcou o início de uma nova era de investigação e transformou a investigação exoplanetária numa das áreas de mais rápido crescimento da astronomia.

Nos últimos 25 anos, astrónomos usando telescópios na Terra e no espaço descobriram mais de 4000 exoplanetas em torno de estrelas próximas e distantes, a maioria dos quais não possui homólogos no Sistema Solar. Esta variedade amplamente diversificada estende-se de mundos gasosos maiores que Júpiter a planetas rochosos e pequenos cobertos de lava, o tipo de exoplaneta mais abundante estando entre o tamanho da Terra e o de Neptuno.

“O Cheops levará a ciência exoplanetária a um nível totalmente novo,” diz Günther Hasinger, Diretor Científico da ESA.

“Depois da descoberta de milhares de planetas, a busca pode agora virar-se para a caracterização, investigando as propriedades físicas e químicas de muitos exoplanetas para realmente conhecer do que são feitos e como se formaram. O Cheops também abrirá caminho para as nossas futuras missões exoplanetárias, desde o internacional Telescópio James Webb até aos satélites Plato e Ariel da ESA, mantendo a ciência europeia na vanguarda da investigação sobre exoplanetas.”

O Cheops não vai concentrar-se na procura de novos planetas. Em vez disso, acompanhará centenas de planetas conhecidos que foram descobertos por outros métodos. A missão vai observar estes planetas exactamente quando passam em frente da sua estrela hospedeira e bloqueiam uma fracção da sua luz, para medir os seus tamanhos e com uma precisão e exactidão sem precedentes.

As medições dos tamanhos dos exoplanetas serão combinadas com informações existentes sobre as suas massas para derivar a densidade do planeta. Este é um factor chave para estudar a estrutura interna e a composição de planetas e para determinar se são gasosos como Júpiter ou rochosos como a Terra, se estão envoltos numa atmosfera ou cobertos por oceanos.

“Estamos muito empolgados por ver o satélite ser lançado para o espaço,” diz Kate Isaak, cientista do projecto Cheops da ESA.

“Existem muitos exoplanetas interessantes e iremos acompanhar várias centenas, concentrando-nos em particular nos planetas mais pequenos de tamanho entre a Terra e Neptuno. Parecem ser os planetas mais comuns da Via Láctea, mas ainda não sabemos muitos sobre eles. O Cheops vai ajudar-nos a revelar os mistérios destes mundos fascinantes e levar-nos mais perto de responder a uma das perguntas mais profundas que os humanos ponderam: estamos sozinhos no Universo?”

Para alguns planetas, o Cheops vai conseguir revelar detalhes sobre a sua atmosfera, incluindo a presença de nuvens e possivelmente até pistas da sua composição. A missão também tem a capacidade de descobrir planetas anteriormente desconhecidos, medindo pequenas variações no tempo de trânsito de um planeta conhecido, que também podem ser usadas para procurar luas ou anéis em torno de alguns planetas.

O Cheops é a primeira missão de classe ‘Pequena’ implementada no programa Cosmic Vision 2015-25, o actual ciclo de planeamento de missões de ciências espaciais da ESA e a primeira missão do programa a ser lançada. Como missão de classe-Pequena com um desenvolvimento relativamente curto – apenas cinco anos – do início ao lançamento do projecto, envolveu vários desafios, tornando necessária a utilização de tecnologias e aspectos de design de satélites já testados no espaço.

“Tanto o instrumento Cheops como a nave estão construídos para serem extremamente estáveis, de modo a medir as variações incrivelmente pequenas na luz de estrelas distantes à medida que os planetas passam em frente,” diz Nicola Rando, gestor do projecto Cheops da ESA.

“Para um planeta como a Terra, isto equivale a observar o Sol a partir de uma estrela distante e a medir a diminuição da sua luz por uma pequena fracção de um por cento.

“Agora, estamos ansiosos pela primeira parte das actividades operacionais, garantindo que o satélite e o instrumento funcionam conforme esperado e que estão prontos para os cientistas realizarem a sua ciência de classe mundial.”

O Cheops partilhou a sua viagem para o espaço com o satélite de segunda geração Cosmo-Skymed da Agência Espacial Italiana, que se separou 23 minutos após levantar voo.

O Cheops é uma missão da ESA implementada em parceria com a Suíça, com importantes contribuições da Áustria, Bélgica, França, Alemanha, Hungria, Itália, Portugal, Espanha, Suécia e Reino Unido.

Astronomia On-line
20 de Dezembro de 2019

 

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