4653: Vespas “godzilla” arrastam lagartas para fora da água para pôr ovos nelas

CIÊNCIA/BIOLOGIA

José Fernández-Triana
Microgaster godzilla

Uma equipa de investigadores, liderada por José Fernández-Triana, descobriu e gravou no Japão, a primeira vespa parasita, baptizada de Microgaster godzilla.

Esta vespa foi vista a mergulhar debaixo de água durante vários segundos, trazendo o casulo de uma lagarta para fora para que pudesse pôr nela os seus ovos.

O nome do insecto é uma homenagem ao famoso monstro do filme “O Monstro do Oceano Pacífico”, de 1954. Os cientistas encontraram semelhanças entre o seu ataque e o Godzilla, assim como explica o autor do estudo: “Por ser uma espécie japonesa, ela homenageia respeitosamente Godzilla, um monstro fictício que se tornou um ícone. Tornou-se um dos símbolos mais reconhecíveis da cultura popular japonesa em todo o mundo”.

O estudo foi publicado, na semana passada, na revista científica Journal of Hymenoptera Research.

As vespas não são particularmente conhecidas pela sua capacidade de mergulho, razão pela qual esta nova espécie causou uma enorme surpresa entre a comunidade científica. A equipa de investigadores encontrou, pela primeira vez, esta vespa enquanto estudavam habitats de charcos.

Após encontrar o hospedeiro, a vespa toca repetidamente com as antenas nele. Eventualmente, força a lagarta a sair do casulo e a vespa insere rapidamente os seus ovos. Em alguns casos, a vespa tem mesmo que submergir da água por vários segundos, a fim de encontrar e puxar a lagarta para fora do casulo.

“Em segundo lugar, o comportamento de parasitismo da vespa tem alguma semelhança com o carácter do kaiju [Godzilla], no sentido de que a vespa emerge repentinamente da água para parasitar o hospedeiro, semelhante a como o Godzilla emerge repentinamente da água nos filmes”, começa por explicar Fernández-Triana ao portal Science Codex.

“Terceiro, Godzilla foi associado a Mothra, outro kaiju que normalmente é retratado como uma larva (lagarta) ou uma mariposa adulta. Tínhamos razões biológicas, comportamentais e culturais para justificar a nossa escolha do nome. Claro, isso e divertimo-nos um pouco, porque isso também é uma parte importante da vida e da ciência”, conclui.

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Por ZAP
14 Novembro, 2020