2385: Paleontólogos descobrem estranhos micróbios em fósseis de dinossauro

CIÊNCIA

Peter Trusler / University of Queensland
Imagem ilustrativa

Uma equipa de paleontólogos procurou preservar proteínas de colagénio nos ossos fossilizados de um dinossauro. Mas os cientistas não encontraram as proteínas: em vez disso, encontraram comunidades incomuns de micróbios modernos.

Para as preservar, uma equipa internacional de paleontólogos decidiu procurar proteínas de colagénio nos ossos fossilizados de um Centrosaurus, mas sem sucesso. Em vez disso, os cientistas encontraram comunidades incomuns de micróbios modernos a viver dentro dos ossos do dinossauro. O artigo científico foi publicado em Junho na eLife.

“É a primeira vez que descobrimos esta comunidade microbiana única nestes ossos fósseis enterrados no subsolo”, disse o principal autor do estudo, Evan Saitta, investigador do Field Museum of Natural History, citado pelo Sci-News.

Durante o processo de fossilização, os tecidos biológicos degradam-se ao longo de milhões de anos. Ainda assim, os cientistas encontraram vestígios de material biológico dentro de alguns fósseis.

Enquanto que alguns cientistas acreditam que estes podem ser os restos de antigas proteínas, vasos sanguíneos e células, tradicionalmente considerados como estando entre os componentes menos estáveis do osso, outros investigadores estão convencidos de que têm fontes mais recentes.

(dr) Evan Saitta / Field Museum of Natural History
Micróbios modernos a fluorescente

Para investigar a origem do material biológico em ossos de dinossauros, Saitta e a sua equipa realizaram várias análises nos ossos fossilizados, com cerca de 75 milhões de anos, do Centrosaurus. Os ossos foram cuidadosamente escavados de forma a reduzir a contaminação.

Depois, os cientistas compararam a composição bioquímica dos fósseis com os modernos ossos de galinha, os sedimentos do local dos fósseis em Alberta, no Canadá, e os antigos dentes de tubarão, chegando assim à conclusão que os fósseis de Centrosaurus não pareciam conter as proteínas de colagénio presentes nos ossos novos ou nos dentes de tubarão muito mais jovens.

Mas vemos muitas evidências de micróbios recentes. Há claramente algo orgânico nestes ossos”, disse o cientista, adiantando ter encontrado carbono orgânico morto sem radio-carbono, aminoácidos recentes e ADN no osso – descobertas indicativas de que o osso hospeda uma comunidade microbiana moderna.

Surpreendentemente, os micróbios encontrados nos ossos não são as mesmas bactérias que vivem na rocha ao seu redor. “É uma comunidade muito incomum. Cerca de 30% das sequências estão relacionadas a Euzebya“, disse Saitta.

“Não sabemos ao certo por que estes micróbios em particular estão a viver nos ossos dos dinossauros, mas não estamos chocados com o facto de as bactérias serem atraídas pelos fósseis”, explicou ainda.

Os ossos fósseis contêm fósforo e ferro, “e os micróbios precisam deles como nutrientes”. Além disso, os ossos são porosos “Se fosse uma bactéria a viver no chão, provavelmente iria querer viver num osso de dinossauro”, concluiu.

ZAP //

Por ZAP
28 Julho, 2019

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1946: Descobertos micróbios que respiram arsénio na costa do México

CIÊNCIA

NASA / Flickr

O arsénio é um elemento mortal para a maioria dos seres vivos, mas uma nova investigação levada a cabo pela Universidade de Washington, nos Estados Unidos, descobriu micro-organismos que respiram esta substância para sobreviver numa grande área do Oceano Pacífico. 

De acordo com a nova publicação, cujos resultados foram esta semana publicados na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences os cientistas analisaram amostras de água de uma região localizada abaixo da superfície, onde não há oxigénio e, por isso, os seres vivos são obrigados a procurar outras estratégias para extrair energia dos alimentos. As amostras foram recolhidas em 2012, na costa do México.

Os resultados sugerem que micróbios que respiram arsénio representam menos de 1% da população de micróbios existente nas águas analisadas. Os biólogos acreditam que a estratégia é um remanescente dos primórdios da Terra, quando o oxigénio era escasso e as formas de vida precisavam de obter energia através de outros elementos, como o arsénio, que, muito provavelmente, era um dos mais comuns nos oceanos da época.

Segundo escreveram os cientistas, as populações que respiram arsénio podem voltar a crescer devido às mudanças climáticas, se as regiões com baixos níveis de oxigénio se expandirem e a quantidade de oxigénio dissolvido diminuir no ambiente marinho.

“Pensar em arsénio não apenas como uma coisa má, mas também como algo benéfico, mudou a forma como eu vejo o elemento”, afirmou a autora principal da investigação, Jaclyn Saunders, citada em comunicado.

“Sabemos há muito tempo que há níveis muito baixos de arsénio no oceano”, completou a co-autora do estudo a Gabrielle Rocap. “Mas a ideia de que os organismos poderiam estar usá-lo para ganhar a vida – é todo um novo metabolismo para o oceano aberto”.

Em declarações ao portal Gizmodo,  Saunders concordou que a sua descoberta é relevante para a procura de vida extraterrestre. “Existem mundos oceânicos – corpos planetários que possuem oceanos de água líquida – no nosso próprio Sistema Solar (…) Enceladus é uma lua de Saturno que tem um núcleo rochoso, um oceano de água líquida e uma espessa camada de gelo na superfície. É um dos locais mais promissores para encontrar vida”.

A identificação deste organismos “amigos” do arsénio no oceano, que é pobre em oxigénio, expande os limites em que os cientistas tradicionalmente procuram estes seres vivos.

Encontrar estes ser vivos numa lua de Saturno ou noutro qualquer lugar seria realmente importante para a Ciência e para a procura de longa data sobre vida extraterrestre mas, tal como mostra investigação, algumas das formas de vida mais estranhas podem mesmo estar aqui ao lado, na Terra.

Recentemente, um outro estudo detectou que uma bactéria única que come petróleo prolifera na Fossa das Marianas, no Pacífico Ocidental. Os resultados da investigação foram publicados no fim de Abril na revista científica especializada Microbiome.

ZAP //

Por ZAP
9 Maio, 2019

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1513: Os micróbios que vivem na EEI não são assim tão estranhos (apenas lutam pela sobrevivência)

NASA
A EEI – Estação Espacial Internacional

Não está a ser criado nenhum micróbio espacial capaz de destruir a Humanidade. Apesar sofrerem mutações, estes seres microscópios apenas se estão a adaptar às condições adversas do Espaço.

Os micróbios a bordo da Estação Espacial Internacional (EEI) estão apenas a tentar sobreviver. Um estudo recente da Northwestern University, nos Estados Unidos, descobriu que, apesar das condições aparentemente adversas, a EEI não está a causar mutações demasiado preocupantes nestes microrganismos.

É verdade que a equipa chegou à conclusão que as bactérias isoladas na EEI tinham genes diferentes das suas irmãs terrestres. No entanto, chegaram à conclusão que esses genes não tornavam a bactéria mais prejudicial à saúde humana. Em vez disso, as bactérias respondem e evoluem para sobreviver neste ambiente fora do comum.

“Tem havido muita especulação sobre a radiação, a micro-gravidade e a falta de ventilação e de que forma estes pormenores podem afectar os organismos vivos, incluindo bactérias”, disse Erica Hartmann que liderou o estudo.

À medida que o tema do envio de humanos a Marte se torna cada vez mais sério, tem havido um crescente interesse em entender de que forma os micróbios se comportam neste tipo de ambientes fechados.

Da mesma forma, “as pessoas estarão em pequenas cápsulas, onde não poderão abrir janelas, sair ou circular por longos períodos de tempo”, afirmou Hartmann. “Estamos genuinamente interessados em saber se estas condições adversas podem afectar os micróbios.”

A Estação Espacial Internacional abriga milhares de micróbios diferentes. A equipa de Hartmann analisou os dados que foram disponibilizados sobre estes micróbios no National Center for Biotechnology Information.

Um dos microrganismos presentes na EEI é o Staphylococcus aureus (que vive normalmente na pele humana e contém a super-bactéria MRSA – Methicillin-resistant Staphylococcus aureus) e o Bacillus cereus, que vive geralmente no solo e não apresenta grande ameaça à saúde humana.

“Parece que as bactérias se adaptam para viver, e não evoluem no sentido de causar doenças”, concluiu Ryan Blaustein, um dos investigadores e primeiro autor do estudo, publicado recentemente no mSystems.

Com base na análise genómica, os cientistas chegaram à conclusão que as bactérias da EEI apenas se adaptam para viver, não evoluindo para causar doenças. “Não observamos nada de especial em relação à resistência a antibióticos ou à virulência nas bactérias da Estação Espacial”.

Esta é uma boa notícia para os astronautas. Ainda assim, Hartmann e Blaustein têm o cuidado de salientar que as pessoas não saudáveis ​​ainda podem espalhar doenças em estações espaciais.

“Onde quer que vá, traz consigo os seus micróbios”, disse Hartmann, citado pelo Phys.org. “Os astronautas são pessoas extremamente saudáveis. Mas, numa altura em que se fala cada vez mais na expansão do voo espacial para turistas, não sabemos o que vai acontecer.”

Antes de embarcarem numa missão espacial, os astronautas têm de estar obrigatoriamente em perfeitas condições de saúde e todo o ambiente microbiótico é controlado. No entanto, em relação a turistas espaciais, tudo se mantém incerto. Um pouco como quando alguém tosse num avião e todos ficam doentes.

ZAP //

Por ZAP
23 Janeiro, 2019

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