4144: Os micróbios do fundo do mar sobrevivem com menos energia do que pensávamos

CIÊNCIA/MICROBIOLOGIA

dahon / Flickr

Os micróbios do fundo do mar conseguem sobreviver com menos energia do que se pensava. Esta descoberta pode alterar a definição de vida como a conhecemos.

Uma equipa de cientistas britânicos fez uma descoberta que levanta muitas questões sobre os limites da vida, pelo menos como a conhecemos. De acordo com o New Scientist, as criaturas que vivem nas profundezas do fundo do mar sobrevivem com fluxos de energia inferiores aos que os imaginávamos para sustentar a vida.

James Bradley, cientista da Queen Mary University of London e principal autor do estudo, publicado recentemente na Science Advances, usou dados de amostras de sedimentos recolhidos do fundo do mar para determinar a taxa de energia consumida pelos microrganismos que vivem neste ecossistema.

Através de um modelo que considerou vários aspectos do habitat – quantidade de oxigénio disponível, taxa de degradação do carbono orgânico e quantidade de organismos vivos – Bradley e a sua equipa calcularam a taxa de energia usada por cada célula microbiana.

Os investigadores descobriram que o valor era 100 vezes inferior do que o que esperavam ser o limite da vida. Algumas células sobreviveram com menos de um zeptowatt de potência, ou 10 ^ -21 watts.

Os cientistas já haviam estimado o limite mais baixo de energia para a existência de vida, cultivando microrganismos em laboratório e privando-os de nutrientes para determinar o limite de sobrevivência.

No entanto, apesar de as experiências fornecerem pistas importantes, não representam a gama de ambientes naturais existentes no mundo real – incluindo o ambiente único do fundo do mar. Estes micróbios – principalmente bactérias e arqueas – podem sobreviver enterrados durante milhões de anos.

“Não acho que tenhamos uma boa compreensão dos mecanismos pelos quais estes microrganismos se regem para sobreviver num estado com níveis incrivelmente baixos de energia. Possivelmente, tem algo a ver com a capacidade de reduzirem a taxa metabólica e de entrarem num estado zombie“, rematou o cientista.

ZAP //

Por ZAP
11 Agosto, 2020

 

spacenews

 

2788: Cientista diz que devemos contaminar Marte com micróbios

CIÊNCIA

NASA/JPL-Caltech/Univ. of Arizona

Uma equipa da investigação está a propor uma grande mudança filosófica no nosso pensamento sobre a propagação de micróbios terrestres no Espaço – e em Marte, em particular.

Num artigo publicado no mês passado na revista especializada FEMS Microbiology Ecology, Jose Lopez, microbiólogo e professor da Universidade Nova Southeastern, na Florida, nos Estados Unidos, juntamente com os colegas W. Raquel Peixoto e Alexandre Rosado da Universidade Federal do Rio de Janeiro, propôs uma “grande revisão” à actual filosofia por trás das políticas de exploração espacial e protecção planetária, no que se refere à disseminação de microorganismos no espaço.

Em vez de se preocupar em contaminar corpos celestes estrangeiros – algo que a NASA e outras agências espaciais têm muito cuidado para evitar -, Lopez e os seus co-autores defendem que devemos enviar deliberadamente os nossos germes para o espaço sideral e que a disseminação dos nossos micróbios deve fazer parte de uma estratégia maior de colonização para domesticar o clima em Marte.

Um argumento-chave proposto pelos investigadores é que a prevenção da contaminação é uma “quase impossibilidade”, como os autores mencionam no estudo, de acordo com o Gizmodo.

Uma mudança de política como esta teria um forte contraste com o pensamento convencional sobre o assunto. Alguns dos especialistas com quem o portal falou disseram que os protocolos actualmente em vigor para impedir a contaminação de outro planeta provavelmente estão a funcionar e não devemos desistir com tanta facilidade. Além disso, os especialistas disseram que ainda são precisos muitos estudos em Marte e outros lugares antes de começar a considerar essa possibilidade irrecuperável.

Actualmente, a grande comunidade científica concorda com a necessidade de evitar a contaminação microbiana de corpos planetários como Marte. A NASA, a ESA e outras agências espaciais esterilizam cuidadosa e dispendiosamente os seus instrumentos antes de lançá-los em direcção a alvos celestes vizinhos.

A filosofia da protecção planetária, ou PP, remonta ao final da década de 1950 e ao estabelecimento do Comité de Pesquisa Espacial (COSPAR), criado pelo Conselho Internacional de Sindicatos Científicos. A COSPAR, entre outras questões, desenvolve recomendações e protocolos projectados para proteger o espaço dos nossos micróbios.

De maneira semelhante, o Tratado do Espaço Exterior da ONU, que foi assinado por mais de 100 nações, declara especificamente: “Os Estados parte no Tratado deverão realizar estudos sobre o espaço sideral, incluindo a lua e outros corpos celestes, e conduzir a sua exploração, a fim de evitar a sua contaminação prejudicial e também mudanças adversas no ambiente da Terra resultantes da introdução de matéria extraterrestre e, se necessário, adoptará medidas adequadas para esse fim”.

A lógica principal por trás desse pensamento é que os germes têm o potencial de contaminar lugares cientificamente importantes no sistema solar, prejudicando a nossa capacidade de detectar a vida microbiana indígena em Marte e outros mundos.

Encontrar vestígios de DNA ou RNA em Marte, por exemplo, não significaria automaticamente que se originaram da Terra, pois as moléculas podem representar um bloco de construção fundamental e omnipresente da evolução no Universo. Teme-se que a vida terrena invasora possa destruir um ecossistema alienígena antes de conseguirmos estudá-lo.

Por outro lado, Lopez e os colegas acreditam que será quase impossível impedir que os nossos germes invadam os lugares que estamos a explorar, para que possamos ter uma discussão racional sobre como usar os microorganismos da melhor maneira possível. Especificamente, os autores referem-se à perspectiva de terra-formação – a prática hipotética de geo-engenharia de um planeta para torná-lo mais parecido com a Terra.

“A introdução microbiana não deve ser considerada acidental, mas inevitável”, disse Lopez em comunicado divulgado pelo EurekAlert. “Levantamos a hipótese da quase impossibilidade de explorar novos planetas sem transportar e/ou deixar nenhum viajante microbiano”.

Na Terra, os microorganismos são críticos para muitos dos processos que sustentam a vida, como decomposição e digestão – e até o clima da Terra. O artigo argumenta que os melhores micróbios para o trabalho podem ser extremófilos – organismos que são hipertensos aos ambientes mais extremos e até prosperam neles, como tardígrados.

Por outro lado, recorda o Futurism, os investigadores ainda não sabem que micróbios ajudariam – em vez de prejudicar – os esforços para terra-formar Marte.

ZAP //

Por ZAP
6 Outubro, 2019

 

1810: Descoberta na Sibéria “super-bactéria” que poderá viver em Marte

CIÊNCIA

TSU / Olga Karnachuk

Uma bactéria capaz de sobreviver sem luz ou oxigénio, procurada em todo o mundo depois de o seu ADN ter sido identificado há 10 anos numa mina de ouro sul-africana, foi finalmente descobertas por cientistas russos.

“Os microbiologistas da TSU (Universidade Estadual de Tomsk) detectaram pela primeira vez a bactéria Desulforudis audaxviator em águas subterrâneas nas profundezas da Terra”, revelou aquela instituição de ensino em comunicado.

Na mesma nota esta semana divulgada, a TSU recorda que várias equipas de cientistas estão à procura deste organismo há mais de 10 anos. “O enorme interesse deve-se à capacidade do microrganismo obter energia na ausência de oxigénio e na escuridão total. Teoricamente, pode mostrar que a vida noutro planeta é possível, por exemplo em Marte”, observou o TSU, citado pelo portal russo Sputnik News.

Olga Karnachuk, chefe do departamento de fisiologia vegetal e biotecnologia da TSU, recordou que há mais de dez anos uma equipa de cientistas norte-americano encontrou ADN da bactéria a 2,8 quilómetros de profundidade numa mina de ouro na África do Sul. 

“Até há pouco tempo acreditava-se que a vida nestas condições era impossível, porque a fotossíntese leve – processo fundamental em todas as cadeiras alimentares – não é produzida, mas descobriu-se que essa hipótese estava errada“, sublinhou a especialista.

Após a equipa dos Estados Unidos ter publicado um artigo no qual descrevia a descoberta na revista especializada Science, cientistas de vários países começaram a procura por esta bactéria. O seu ADN chegou a ser encontrado na Finlândia e nos Estados Unidos, mas o microrganismo nunca chegou a ser encontrado.

Os russos tornaram-se os primeiros a descobrir a bactéria em águas subterrâneas a partir de uma fonte termal localizada nas florestas da Sibéria, a norte da cidade de Tomsk.
A Desulforudis audaxviator é uma das bactérias mais antigas que habitam o nosso planeta, sendo caracterizada pela sua capacidade de sobreviver sem oxigénio e obter energia a partir de sulfatos e da oxidação de hidrogénio ou compostos orgânicos.

ZAP //

Por ZAP
6 Abril, 2019

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