2464: O Pólo Norte está a ser atingido por relâmpagos (e isso não é normal)

CIÊNCIA

Mathias Krumbholz / wikimedia

Uma tempestade perto do Pólo Norte pode não parecer a maior preocupação, tendo em conta o rápido aquecimento do Árctico. Mas é mais um sinal de que o Árctico continua a ter um verão anormal.

A Terra é atingida por raios, cerca de 8 milhões de vezes por dia. São 100 ataques por minuto. Mas muito poucos desses raios atingem o nível norte do planeta – e muito raramente perto do Árctico. No entanto, no fim de semana passado, o escritório do Serviço Nacional de Meteorologia de Fairbanks relatou um raio a 482 quilómetros do Pólo Norte.

Brian Brettschneider, especialista em clima, destacou pela primeira vez a bizarra previsão do tempo no sábado. Os dados vieram do Global Lightning Dataset, um conjunto de dados criado de forma privada usando sensores implantados em todo o mundo que conseguem detectar raios a quase seis mil quilómetros de distância. Imagens de satélite confirmaram as tempestades sobre o Oceano Árctico.

“Este é um dos mais distantes raios do norte do Alasca na memória de previsão meteorológica”, disse o NWS. Um meteorologista citado pelo Capital Weather Gang sustenta que o evento foi “certamente incomum e chamou a nossa atenção”.

Nos trópicos – ou mesmo nas latitudes médias -, as tempestades são comuns. Porém, é uma história completamente diferente sobre o Oceano Árctico. São necessários alguns ingredientes-chave para gerar raios, mas o principal deles é a instabilidade atmosférica. Especificamente, a atmosfera inferior deve ser quente e húmida, enquanto a camada acima é fria e seca. Esse tipo de ambiente ajuda a estimular a convecção, que, por sua vez, pode gerar nuvens altas com relâmpagos.

O Árctico não é estranho ao ar frio e seco. Mas condições quentes e húmidas no solo não são a norma para a região. Mas neste verão as temperaturas do Árctico aumentaram e o gelo do mar atingiu quase o recorde quase diário.

A number of lightning strikes were recorded Saturday evening (Aug. 10th) within 300 miles of the North Pole. The lightning strikes occurred near 85°N and 126°E. This lightning was detected by Vaisala’s GLD lightning detection network. #akwx

Há sinais de que as latitudes do norte estão a tornar-se mais propensas a tempestades eléctricas. De acordo com o Gizmodo, um artigo publicado em 2017 revelou que os incêndios provocados por raios aumentaram de 2 a 5% por ano nos últimos 40 anos. Com a mudança climática a aumentar o calor duas vezes mais rápido no Árctico do que no resto do mundo, é provável que as condições instáveis ​​necessárias para provocar um raio se possam tornar mais comuns no futuro.

Este verão foi particularmente estranho para o Árctico. De maciços incêndios florestais a um dos mais extensos derretimentos da camada de gelo da Gronelândia, esta estação do ano tem sido de crise para a zona norte do globo.

ZAP //

Por ZAP
18 Agosto, 2019

 

1426: Afinal, os tornados não se formam como os meteorologistas pensavam

CIÊNCIA

(CC0/PD) skeeze / Pixabay

Se imaginarmos um tornado a formar-se, pensamos numa nuvem em forma de funil a descer dos céus como se fosse um dedo malicioso a tocar na Terra. No entanto, este modelo “de cima para baixo” da génese dos tornados pode, afinal, estar errado.

Esqueça os tornados que, na sua cabeça, se formam nas nuvens e descem até à Terra. Segundo uma pesquisa recente, os tornados formam-se a partir do zero.

Segundo os cientistas, este fenómeno pode formar-se muito rapidamente, em alguns minutos. É por este motivo que capturar o nascimento de um tornado não é tarefa fácil, especialmente perto do solo, onde as árvores e as casas podem atrapalhar. Ainda assim, a meteorologista Jana Houser, da Universidade de Ohio, vem perseguindo-os há anos.

Através de um radar Doppler móvel, a especialista conseguiu obter dados abrangentes sobre quatro tornados nascidos de tempestades de super-células raras, surpreendentes e também perigosas.

Na sua investigação, a meteorologista chegou à conclusão que nenhum dos tornados começou no céu. No caso do tornado El reno, de 2013, a equipa de Houser obteve um “conjunto de dados sem precedentes” durante a génese do tornado, que permitiu à equipa concluir que o fenómeno começou a 10 metros acima do solo – e muito longe do céu.

Para ajudar na investigação, a equipa teve acesso a centenas de fotografias do fenómeno meteorológico, captadas por “caçadores de tempestades” que estavam presentes em massa. Durante a análise, a equipa comparou as fotografias com os dados das medições de radar da velocidade do vento.

E foi aí que surgiu a maior surpresa: as fotografias mostravam um claro tornado no chão antes de os dados mostrarem qualquer rotação em altitudes mais altas. Assim, a equipa voltou a analisar os dados do radar e encontrou a rotação no solo antes de, efectivamente, se materializar nas nuvens.

O conjunto de dados referentes a outros três tornados analisados mostraram padrões semelhantes, apesar de o tornado El Reno de 2011 ter mostrado rotações em múltiplas elevações diferentes em simultâneo. Isto significa que pode haver diferentes modos de tornadogénese, mas, ainda assim, os cientistas concluíram que os tornados não começaram no céu.

A equipa realça que quatro tornados é um tamanho de amostra muito pequeno, tendo em conta a média de mais de mil tornados registada nos Estados Unidos todos os anos.

Ainda assim, entender como se formam os tornados pode ajudar a proteger as pessoas que são, todos os anos, feridas e mortas por essas tempestades, adianta o Science Alert.

Actualmente, a detecção dos tornados é baseada na velocidade do vento nas nuvens. Se a formação começar perto do solo – e se puder ser detectada – isso pode adicionar preciosos segundos aos primeiros avisos de tornados.

A equipa apresentou a sua investigação no dia 14 de Dezembro na reunião anual da American Geophysical Union. Admitem a necessidade de mais análises, mas mantêm este avanço debaixo de olho. “Com base neste modelo, podemos estar mais confiantes na hora de emitir um aviso de um tornado”, concluiu Houser.

LM, ZAP //

Por LM
18 Dezembro, 2018

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1138: O Furacão Leslie está a caminho. Protecção Civil lança alerta

NASA Goddard / MODIS Rapid Response Team

O Furacão Leslie está a aproximar-se de Portugal Continental. A Protecção Civil já lançou um alerta à população, face a possíveis condições meteorológicas adversas.

A Autoridade Nacional de Protecção Civil lançou, esta sexta-feira, um aviso à população, no qual comunica a elevada probabilidade de o território continental português ser afectado pelo Furacão Leslie, ainda que não seja possível indicar com precisão as áreas que mais vão sentir o impacto.

O comunicado adianta que a situação meteorológica que irá condicionar o país é ainda muito incerta, não havendo previsões sobre os efeitos em relação a vento, precipitação e agitação marítima que a tempestade causará.

Ainda assim, no domingo será quando a tempestade se pode fazer sentir com mais intensidade, esperando-se que o pico mais crítico seja entre as 00h00 e as 06h00 para o vento, as 01h00 e as 16h00 para a precipitação, as 03h00 e as 12h00 para a agitação marítima“, revela o alerta.

No gráfico disponibilizado pelo National Hurricane Center, verifica-se a aproximação do furacão de Portugal continental, estando de momento a deslocar-se entre a Madeira e os Açores.

Lentamente, o Furacão Leslie está a dirigir-se de este para nordeste e espera-se que passe a norte da Madeira durante o dia de sábado, com vento forte, aumento da agitação marítima, precipitação e trovoada, segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).

A tempestade pode trazer ventos com 100km/h e ondas até 12 metros na Madeira, “sendo que, nas regiões montanhosas, o vento será forte a muito forte, com rajadas até 110 quilómetros por hora”, explicou o instituto.

Num comunicado emitido na quinta-feira, o IPMA indicou que o Leslie se estava a deslocar para junto da Madeira, havendo entre 70% a 90% de possibilidade que as ilhas da Madeira e Porto Santo venham a sofrer os efeitos do furacão, a partir das 09h00 de sábado.

Segundo as projecções da National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA) o Leslie chegará a Portugal com uma classificação de “depressão tropical”.

A Protecção Civil recomenda que se tenha “especial cuidado na circulação e permanência junto de áreas arborizadas” pela possibilidade de haver queda de ramos e árvores, que não se pratiquem actividades relacionadas com o mar, “evitando ainda o estacionamento de veículos muito próximos da orla marítima”, que não se atravessem zonas inundadas e estar-se atento às informações da meteorologia e às indicações da Protecção Civil e Forças de Segurança.

ZAP // Lusa

Por ZAP
13 Outubro, 2018

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Em Lisboa, @13:30, o céu estava assim:

© F.Gomes # inforgom.pt

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