3823: Impactos de meteoritos podem ter ajudado a formar rochas antigas na Lua

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Stuart Rankin / Flickr

Uma investigação recente, realizada no Canadá, mostra que as rochas lunares se formaram a partir de impactos de grandes proporções de meteoritos.

A origem e evolução das rochas lunares são assuntos muito debatidos na comunidade científica. Agora, um novo estudo do Museu Real de Ontário descobriu a causa da formação da superfície do satélite: a formação de rochas antigas na Lua pode estar directamente ligada a impactos de meteoritos em larga escala.

A equipa analisou uma rocha adquirida pela NASA durante a missão Apollo 17, em 1972, e descobriu que a rocha contém fortes evidências de que se formou a partir de temperaturas superiores a 2300°C, que só podem ser alcançadas com o derretimento da camada externa de um planeta num evento de grande impacto.

Além disso, notaram também a presença de zircónia cúbica, a forma cristalina cúbica de dióxido de zircónio (ZrO2), um mineral que se forma apenas em rochas aquecidas acima dos 2300°C.

De acordo com os cientistas, citados pelo Tech Explorist, o material parece ter mais de 4,3 mil milhões de anos. Este novo estudo sugere que impactos significativos, ocorridos há mais de 4 mil milhões de anos, podem ter impulsionado a formação destas rochas na superfície da Lua.

No fundo, o estudo, publicado recentemente na Nature Astronomy, sugere que os impactos de meteoritos podem ter impulsionado a mistura das camadas externa e interna, produzindo a complexa gama de rochas vistas actualmente na superfície lunar.

“Ao estudar a Lua, podemos entender melhor a história mais antiga do nosso planeta. Se grandes impactos super-aquecidos estavam a criar rochas na Lua, o mesmo processo pode ter ocorrido cá na Terra”, explica Lee White, um dos autores do artigo, em comunicado.

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10 Junho, 2020

 

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3679: Meteorito antigo é a primeira prova da convecção vulcânica em Marte

CIÊNCIA/ASTRONOMIA/GEOLOGIA

ESA / DLR / FU Berlin
Imagem captada no dia 1 de Janeiro de 2018 pela Câmara de Alta Resolução da Mars Express da ESA

Os cientistas pensaram, durante vários anos, que Marte estava morto. No entanto, várias evidências começaram a sugerir que o Planeta Vermelho é vulcânica e geologicamente activo.

A ideia de que Marte era um planeta vulcanicamente activo acaba de se tornar ainda mais real. Um meteorito, que se formou nas profundezas do Planeta Vermelho, acaba de fornecer a primeira prova química de convecção de magma dentro do manto marciano.

Os cristais de olivina encontrados no meteorito de Tissint podem ter-se formado devido a mudanças de temperatura, enquanto o material era “remexido” por correntes de convecção do magma. Os cientistas dizem que isto prova que Marte era vulcanicamente activo quando os cristais se formaram, entre 574 e 583 milhões de anos atrás.

Nicola Mari, geólogo da Universidade de Glasgow, na Escócia, explica que este estudo, cujo artigo científico foi recentemente publicado na Meteoritics & Planetary Science, prova a existência de actividade no interior deste planeta de um ponto de vista puramente químico.

A olivina, que se forma quando o magma arrefece, é um dos minerais mais abundantes na crosta terrestre e muito comum em meteoritos.

O cientista explica que, na câmara de magma onde os cristais do meteorito de Tissint se formaram, “a corrente de convecção era tão vigorosa que as olivinas foram arrastadas do fundo da câmara (a região mais quente) para o topo (a mais fria) muito rapidamente. A taxa de arrefecimentos das olivinas variava entre 15 a 30ºC por hora“.

Ao Science Alert, Mari disse acreditar que “Marte ainda pode ser um mundo vulcanicamente activo, e estes resultados apontam para isso mesmo“. “Podemos não ver uma erupção vulcânica em Marte nos próximos cinco milhões de anos, mas isso não significa que o planeta esteja inactivo. Pode só significar que o tempo entre as erupções em Marte e na Terra é diferente.”

Os traços de níquel e cobalto encontrados nos cristais sugerem que se formaram a uma profundidade entre 40 e 80 quilómetros sob a crosta de Marte. Com estes dados, os cientistas podem calcular a pressão sob a qual os cristais se formaram, e, consequentemente, a temperatura do manto de Marte na época – estimada em 1.560ºC.

Esta temperatura é muito semelhante à do manto da Terra, entre 4 e 2,5 mil milhões de anos atrás, estimada em 1.650ºC. Este detalhe dá força à teoria de que Marte pode ser vulcanicamente ativo. Ainda assim, serão necessárias mais pesquisas para corroborar esta hipótese.

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13 Maio, 2020

 

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3660: Há uma nova explicação para o impacto de meteorito mais explosivo da História

CIÊNCIA/ESPAÇO

geralt / Pixabay

Na manhã de 30 de Junho de 1908, algo explodiu na Sibéria, destruindo o local pouco povoado e achatando uma área de floresta com 2.150 quilómetros quadrados ao derrubar 80 milhões de árvores. Agora, há uma nova explicação para este evento, que foi o mais explosivo alguma vez registado na História.

Relatos de testemunhas descrevem uma bola de luz brilhante, janelas partidas, a queda de argamassa e e uma detonação ensurdecedora não muito longe do rio. O evento de Tunguska – como ficou conhecido – foi posteriormente caracterizado como um meteoro explosivo, ou bólide, de até 30 megatoneladas, a uma altitude de 10 a 15 quilómetros.

O fenómeno de Tunguska de 1908 é referido como o maior impacto terrestre registado na história moderna, apesar de nunca ter sido encontrada uma cratera.

Estudos revelaram fragmentos de rocha que poderiam ter origem meteórica, mas o evento ainda é um enigma.

De acordo com um artigo recente, publicado em Fevereiro na revista científica Monthly Notices of the Royal Astronomical Society, um grande asteróide de ferro a entrar na atmosfera da Terra e a percorrer o planeta a uma altitude relativamente baixa antes de voltar para o Espaço poderia ter produzido os efeitos do evento de Tunguska, produzindo uma onda de choque que devastou a superfície.

“Estudámos as condições de passagem de asteróides com diâmetros de 200, 100 e 50 metros, consistindo em três tipos de materiais – ferro, pedra e gelo de água, através da atmosfera da Terra com uma altitude de trajectória mínima no intervalo de 10 a 15 quilómetros “, explicaram os investigadores, liderados por  Daniil Khrennikov, astrónomo na Universidade Federal da Sibéria, citados pelo ScienceAlert.

A equipe modelou matematicamente a passagem de todas as três composições de asteróides em tamanhos diferentes para determinar se tal evento é possível.

O corpo de gelo era simples de descartar. O calor gerado pela velocidade necessária para obter a trajectória estimada teria-o derretido completamente antes de atingir a distância que os dados observacionais sugerem que tenha coberto.

O corpo rochoso também teria menos probabilidade de sobreviver. Acredita-se que os meteoros explodem quando o ar entra no corpo através de pequenas fracturas no meteoro, causando um aumento de pressão à medida que voa pelo ar em alta velocidade. Os corpos de ferro são muito mais resistentes à fragmentação do que os rochosos.

De acordo com os cálculos da equipa, o culpado mais provável é um meteorito de ferro entre 100 e 200 metros, que voou 3.000 quilómetros pela atmosfera. Nunca teria caído abaixo de 11,2 quilómetros por segundo ou abaixo de uma altitude de 11 quilómetros.

Esta teoria pode explicar a ausência de uma cratera, uma vez que o meteoro terá passado rapidamente pelo epicentro da explosão sem cair.

A falta de detritos de ferro é explicada pela alta velocidade, uma vez que o objecto ter-se-á movido muito rapidamente e seria demasiado quente para deixar cair muitos.Qualquer perda de massa seria pela sublimação de átomos de ferro individuais, que se pareceriam com óxidos terrestres normais.

“Nesta versão, conseguimos explicar os efeitos ópticos associados a uma forte poeira das camadas altas da atmosfera sobre a Europa, o que causou um brilho intenso no céu nocturno”, escreveram.

Descobertos na Sibéria vestígios do Evento de Tunguska, um dos maiores impactos na Terra

Um grupo de investigadores russos que investigam o fenómeno de Tunguska de 1908, o maior impacto terrestre registado na história…

Por outro lado, este artigo tem limitações: os investigadores “não lidaram com o problema da formação de uma onda de choque”, embora as suas comparações iniciais com o meteorito de Chelyabinsk permitissem que uma enorme onda de choque ocorresse em Tunguska.

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8 Maio, 2020

 

3649: Cientistas descobrem azoto “preso” num famoso (e antigo) meteorito marciano

CIÊNCIA/BIOQUÍMICA

NASA – JSC

Uma equipa de cientistas do Japão identificou compostos orgânicos com azoto “presos” no Allan Hills 84001, um famoso meteorito de origem marciana.

Uma nova análise a este corpo rochoso com mais de 4 mil milhões de anos revelou um componente que, até agora, passou despercebido aos cientistas que o estudaram: a presença de azoto, um dos elementos cruciais para a vida.

Tal como frisa o portal Science Alert, esta é a primeira evidência real de moléculas fixas de azoto no Planeta Vermelho, cuja habitabilidade é há anos discutida.

Em declarações à Newsweek, Atsuko Kobayashi, um dos autores envolvidos no estudo, recorda que o azoto é um elemento fundamental para a vida tal como a conhecemos, tal como o carbono, que também esta presente na composição do Allan Hills 84001.

O material orgânico que incluiu o azoto foi encontrado nos minerais carbonáticos do meteorito, detalhou o Instituto de Tecnologia de Tóquio em comunicado.

Estudos anteriores concluíram que estes minerais se formaram há aproximadamente 4.000 milhões de anos e, as substâncias incorporadas devem ter pelo menos a mesma idade.

O meteorito é fruto do impacto de um asteróide na superfície de Marte há de 15 milhões de anos. Depois, este corpo celeste passou grande parte da sua “vida” no Espaço, ainda antes de encaminhar para a Terra. Foi encontrado em 1984 por uma expedição norte-americana na Antárctida e, desde então, tem gerado bastante discussão sobre a eventual “actividade biogénica” no Planeta Vermelho.

Jovem Marte rico em compostos orgânicos

Uma vez que os minerais dos carbonatos se sedimentam por norma a partir de águas subterrâneas, a descoberta aponta para um jovem Marte húmido e rico em compostos orgânicos – ambiente que pode ser favorável ao início da vida, notam os cientistas.

“As moléculas orgânicas são aquelas que contêm cadeias e anéis de átomos de carbono ligados, como aqueles que são utilizados pela vida [na Terra] (…) Geralmente, contêm átomos de azoto, particularmente nos aminoácidos que compõem as proteínas, bem como o ADN e o RNA”, explicou Kobayashi.

No seu entender, a detecção de azoto sugere que o jovem Marte não era tão rico em oxigénio como é actualmente. “A nossa química de azoto diz-nos que a atmosfera não tinha muito oxigénio quando essas moléculas foram formadas – o que uma informação nova”.

A descoberta no final do século XX de compostos orgânicos nos meteoritos marcianos e, mais recentemente, na crosta de Marte, abriu um debate sobre a sua origem, recorda ainda Russia Today. Pouco se sabe quanto anos têm, quão amplamente são distribuídos e o elo que ocupam na cadeia bioquímica.

O certo é que a descoberta de azoto neste meteorito vem dar força aos cientistas que acreditam que Marte pode abrigar vida. Afinal, esta rocha “está no centro do debate sobre a ‘vida em Marte’”, apontou ainda Kobayashi.

Marte pode ter tido vida ainda antes da Terra

Uma equipa internacional de cientistas, liderada pela Universidade de Western Ontário, no Canadá, acredita que Marte pode ter tido condições…

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7 Maio, 2020

 

3640: O mistério do meteorito que causou uma praga no Peru continua por desvendar

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

gamene / Flickr

O meteorito de Carancas tem intrigado os especialistas desde que caiu no Peru em 2007. A forma como conseguiu alcançar a Terra sem queimar e a doença que inexplicavelmente varreu uma vila próxima permanece um mistério desde então.

Em 15 de Setembro de 2007, a pequena vila de Carancas, no Peru, recebeu um visitante inesperado. A princípio, os locais que inspeccionaram o misterioso acidente não encontraram nada, excepto uma cratera de seis metros de profundidade e 29 metros de largura, que rapidamente se encheu de água subterrânea do lençol freático da zona.

De acordo com o All That’s Interesting, a rocha espacial que cavou a cratera acabou por ser um meteorito do tamanho de uma pequena mesa de jantar que pesava cerca de 12 toneladas. Uma análise de fragmentos da rocha espacial encontrou minerais como olivina, piroxeno e feldspato.

Antes de impactar a Terra às 11h45, testemunhas dizem que viram a rocha ardente a atravessar os céus.

Os cientistas determinaram que o meteorito tinha saído de um cinturão de asteróides a cerca de 177 milhões de quilómetros de distância da Terra, entre Marte e Júpiter. Foi um dos maiores meteoritos a pousar na Terra recentemente. O meteorito viajou a cerca de 16 mil quilómetros por hora quando atingiu a Terra.

A sabedoria convencional supunha que a maioria dos meteoros fragmenta e queima antes de chegar à superfície da Terra. Porém, o meteorito que aterrou em Carancas permaneceu inexplicavelmente intacto.

O meteorito de Carancas é o único impacto de condrito conhecido na História.

Mas os mistérios não terminam por aí. As primeiras pessoas a chegaram à cratera de Carancas foram locais. Curiosos, os moradores recolheram fragmentos de rocha que se tinham quebrado no impacto.

A água na cratera estava a ferver e um forte cheiro de enxofre espalhou-se no ar. Os fragmentos também pareciam emitir fumo.

Horas depois, começaram a surgir os primeiros relatos de pessoas na vila a adoecer.  Havia rumores de que os fragmentos de meteoritos, que muitos locais tinham guardado, eram tóxicos – ou mesmo amaldiçoados. Os moradores começaram a reclamar de náuseas, tonturas, dor de cabeça e vómitos sem nenhuma causa clara.

“Muitas pessoas da cidade de Carancas ficaram doentes. Têm dores de cabeça, problemas oculares, pele irritada, náuseas e vómitos ”, disse, na época, Nestor Quispe, presidente do município ao qual Carancas pertence, em declarações à BBC. “Acho que também há um certo medo psicológico na comunidade.”

Havia também relatos de gado a sangrar pelo nariz – e mesmo a morrer repentinamente.

Os moradores começaram a temer também que o suprimento de água local já não fosse seguro para beber.

As teorias da doença do meteorito de Carancas

As superstições em torno dos corpos celestes remontam à história antiga entre diferentes culturas.

Os astecas associaram o deus Quetzalcoatl ao planeta Vénus, que acreditavam ter previsto o futuro, enquanto os romanos atribuíam a vitória sobre Aníbal à posse de um fragmento de meteoro que veneravam como a “Agulha de Cibele”.

Nos registos históricos da Grécia e da China, eventos de “pedras que caíam” eram documentados e acreditava-se que influenciavam os assuntos do mundo.

As crenças desapareceram à medida que a teologia e a ciência medievais avançaram.

Em Carancas, a aparência do meteorito acendeu medos supersticiosos. O responsável de Carancas, Maximiliano Trujillo, suspeitava que as doenças fossem pelo menos parcialmente causadas pela superstição, por isso convocou uma reunião pública com cerca de 800 pessoas para ouvir explicações de cientistas sobre o meteorito.

Alguns não ficaram, convencidos, optando por acreditar que a rocha espacial tinha sido convocada pelos deuses como um mau presságio para o futuro.

Trujillo pediu a Marcial Laura Aruquipa, um dos dois últimos xamãs da vila, que realizasse um sacrifício ritual na esperança de convencer os moradores de que o meteorito não representava perigo.  Para manter as pessoas a salvo de outros efeitos do meteorito, Trujillo construiu uma cerca ao redor da cratera.

Alguns especialistas determinaram que a causa provável da misteriosa doença do meteorito de Carancas era o arsénio que tinha penetrado nas águas subterrâneas e vaporizado após o impacto. O arsénio entrou no ar como um gás e fez com que os mais próximos do meteorito ficassem doentes. Outros apontaram que os meteoritos que colidem com a Terra não costumam emitir uma temperatura alta ou odor.

Assim, embora o caso tenha sido encerrado para alguns, continua a ser um enigma para outros.

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5 Maio, 2020

 

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3303: Descoberta no Laos a cratera de um meteorito gigante que caiu na Terra há 790 mil anos

CIÊNCIA/GEOLOGIA

Alexander Ozerov / Canva

Um novo estudo, liderado pelo geólogo norte-americano Kerry Sieh, revelou que existe uma cratera de impacto de um grande meteorito que caiu na Terra há 790 mil anos no Laos.

Segundo os investigadores, a cratera encontra-se “debaixo da lava jovem do campo vulcânico de Bolaven”. Num estudo publicado esta semana na revista científica Proceedings of The National Academy of Sciences, os cientistas apresentaram “evidências estratigráficas, geoquímicas, geofísicas e geocronológicas de que a cratera, com cerca de 15 quilómetros de diâmetro, está enterrada sob um grande campo vulcânico jovem no sul” do Laos.

Especialistas apontam que “a cratera e os efeitos proximais do grande impacto de um meteorito conseguiram não ser descobertos durante há quase um século”. No entanto, durante muito tempo, estimou-se que “estavam localizados em algum lugar da Indochina“.

No fim dos anos 1930, geólogos descobriram depósitos das chamadas tectitas – pedras na forma de “gotas de vidro preto” nas costas da Austrália e no sudeste da Ásia “espalhadas em aproximadamente 20% do hemisfério oriental da Terra”. Nessa época, acreditava-se que foram geradas como resultado da queda de um grande corpo celeste.

O interior e a superfície da Terra mudam constantemente, o que dificulta o trabalho dos investigadores para encontrar vestígios de queda de asteróides e meteoritos.

Agora, os cientistas concentraram-se em distorções no campo gravitacional da Terra que podem aparecer perto da cratera. Foi essa busca que indicou a existência da cratera no Laos, no território do planalto de Bolaven, cheio de lava e detritos de rochas sedimentares.

Estudos de seu conteúdo mostraram que a cratera é composta pelos mesmos minerais que as tectitas e, nas proximidades da cratera, os cientistas descobriram traços de rochas deformadas como resultado de um forte impacto.

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3 Janeiro, 2020

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3075: Revelados os segredos de uma misteriosa cratera gigante na Austrália

CIÊNCIA

Stephan Ridgway / Flickr

No estado da Austrália Ocidental, há a famosa cratera de Wolfe Creek, criada pela queda de um meteorito de 14 mil toneladas que colidiu com a Terra há milhares de anos.

Porém, um novo estudo agora afirma que o impacto aconteceu muito mais recentemente do que suspeitávamos, levando a repensar a frequência com que as rochas espaciais gigantes atingem o nosso planeta.

Um grupo de investigadores de várias universidades da Austrália e dos Estados Unidos analisaram as características da rocha subjacente da cratera para obter uma medida precisa da idade do ponto mais famoso de Wolfe Creek.

Estimativas anteriores afirmaram que a cratera poderia ter 300 mil anos, mas o novo resultado afirma que terá apenas 120 mil anos.

A cratera de Wolfe Creek foi permanecendo notavelmente bem preservada ao longo dos tempos. O sítio também se destaca pelo facto de ser a segunda maior cratera da Terra a ainda ter fragmentos da rocha espacial ofensiva. A grande maioria das crateras encontradas hoje na Terra tem menos de 100 mil anos. As mais antigas foram-se perdendo, desgastadas ou encobertas.

“Noutros lugares, as crateras são destruídas por actividades geomórficas, como a migração de rios ou processos de declividade nas montanhas”, disse Tim Barrows, geoquímico na Universidade de Wollongong, em comunicado. “Como a Austrália tem um excelente registo de preservação com crateras datadas dentro da zona árida, podemos extrapolar uma taxa para toda a Terra”.

O meteorito que abriu um buraco na paisagem da Austrália Ocidental tinha 15 metros de diâmetro e movia-se a cerca de 17 quilómetros por segundo. A colisão destruiu o terreno subjacente, liquidificando o meteorito e a crosta.

Houve várias tentativas para determinar a idade da cratera. As primeiras tentativas estabeleceram um limite superior de cerca de dois milhões de anos mas, desde então, os geólogos estabeleceram-se em 300 mil anos.

A equipa analisou a deterioração constante de dois isótopos – berílio-10 e alumínio-26. Um segundo método envolvia luminescência opticamente estimulada, que determina o tempo de passagem através da medição de mudanças na energia capturada na rede cristalina da areia derretida pela explosão.

Combinando os dados, de acordo com o estudo publicado na revista especializada Meteoritics & Planetary Science, os cientistas colocaram uma idade máxima na cratera de cerca de 137 mil anos, embora seja mais provável que o impacto tenha ocorrido há cerca de 120 mil anos.

Uma revisão da idade de Wolfe Creek sugere que o interior da Austrália tem sete crateras maiores com mais do que 25 metros que se formaram desde então, dando uma taxa de um ataque de um meteorito a cada 17 mil anos. “Tendo em conta que a árida Austrália é apenas cerca de 1% da superfície, a taxa aumenta para uma a cada 180 anos”, disse Barrows.

Estudos anteriores estimaram que os impactos do tamanho de Wolfe Creek devem ocorrer a cada 13 mil anos, com crateras mais pequenas, de cerca de 150 metros de diâmetro, a ser deixadas a cada 500 anos.

O cosmos não segue um cronograma, mas estes números ajudam a avaliar a seriedade com que devemos levar os avisos para observar os céus para evitar potenciais riscos. É possível que apareça outra cratera de Wolfe Creek em algum lugar da Terra no futuro. E, avisa o ScienceAlert, da próxima vez, pode não ser tão remoto como o interior australiano.

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23 Novembro, 2019

 

3067: NASA encontrou açúcar em meteoritos que colidiram com Terra

CIÊNCIA

Poderá ter sido encontrada a prova de como tenha começado a vida na Terra. Queda de meteoritos teve lugar à biliões de anos

Foto NASA’s Goddard Space Flight Center Conceptual Image Lab

Foto NASA/Goddard/University of Arizona

Meteoritos que colidiram com a Terra há biliões de anos contêm açúcar, dizem os investigadores, dando força à ideia de que os asteróides podem manter alguns ingredientes vivos.

Uma equipa internacional de cientistas encontrou açúcares “bio-essenciais” em meteoritos, que também contêm outros compostos biologicamente importantes, de acordo com um comunicado de imprensa da NASA emitido esta terça-feira.

Num estudo publicado nesta segunda-feira pela Proceedings of the National Academy of Sciences dos Estados Unidos, os investigadores analisaram três meteoritos, incluindo um que aterrou na Austrália em 1969 há biliões de anos. Estudos anteriores também tentaram investigar os meteoros à procura de açúcar, mas, desta vez, os investigadores utilizaram um método de extracção diferente, utilizando ácido clorídrico e água, e descobriram açúcares como arabinose, xilose e sobretudo ribose.

A ribose desempenha um papel muito importante na biologia humana, pois existe nas moléculas de ARN (ácido ribonucleico) e transmite mensagens do ADN para ajudar a construir proteínas para o nosso corpo, de acordo com o comunicado de imprensa. “É notável que uma molécula tão frágil quanto a ribose possa ser detectada num material tão antigo”, afirmou um dos autores do estudo, Jason Dworkin.

A descoberta da ribose também sugere que o ARN evoluiu antes do ADN, o que dá aos cientistas uma ideia mais clara de como a vida poderá ter começado. “A investigação fornece a primeira prova directa de ribose no espaço e da entrega de açúcar à Terra”, disse o principal autor do estudo Yoshihiro Furukawa, da Universidade Tohoku do Japão, no comunicado de imprensa. “O açúcar extraterrestre pode ter contribuído para a formação de ARN na Terra prebiótica, o que possivelmente levou à origem da vida”, acrescentou.

Porém, também existe a possibilidade de que os meteoritos tenham sido contaminados pela vida na Terra, ou seja, de que o açúcar tivesse sido depositado neles já depois de terem aterrado no planeta. No entanto, os testes encontram provas de que essa possibilidade é improvável, sendo mais provável que o açúcar tenha vindo do espaço.

Diário de Notícias
DN
21 Novembro 2019 — 16:58

 

“CSI marciano” revela como os impactos de asteróide criaram água corrente no Planeta Vermelho

CIÊNCIA

O Dr. Luke Daly, investigador em Ciência do Sistema Solar da Escola de Ciências Geográficas da Terra da Universidade de Glasgow, segurando um pedaço de um meteorito naklhite marciano.
Crédito: Universidade de Glasgow

Análises modernas de meteoritos marcianos revelaram detalhes sem precedentes sobre como os impactos dos asteróides ajudam a criar fontes temporárias de água corrente no Planeta Vermelho.

Este estudo ajuda a restringir a potencial localização da cratera de impacto na superfície marciana que explodiu algumas dessas rochas marcianas para o espaço há milhões de anos atrás.

As descobertas são o resultado de um tipo de “CSI marciano” que usa técnicas sofisticadas para reconstruir grandes eventos que moldaram a rocha desde que se formou em Marte, há cerca de 1,4 mil milhões de anos.

No novo artigo, publicado na revista Science Advances, os cientistas planetários da Universidade de Glasgow e colegas de Leeds, da Itália, Austrália e Suécia descrevem como usaram uma técnica conhecida como difracção de retro-dispersão de electrões para examinar “fatias” de dois meteoritos marcianos diferentes conhecidos como “nakhlites”.

Os nakhlites são um grupo de meteoritos marcianos vulcânicos em homenagem a El Naklha, no Egipto, onde o primeiro deles caiu na Terra em 1911. Estes meteoritos preservam evidências da acção da água líquida na superfície marciana há aproximadamente 633 milhões de anos. No entanto, o processo que gerou estes fluidos tem sido um mistério até agora.

O Dr. Luke Daly, associado de pesquisa em Ciência do Sistema Solar na Escola de Ciências Geográficas e da Terra da Universidade de Glasgow, é o principal autor do artigo.

O Dr. Daly disse: “existem muitas informações sobre Marte ‘trancadas’ dentro dos pequenos pedaços do Planeta Vermelho que caíram na Terra como meteoritos, que novas técnicas analíticas podem nos permitir aceder.

“Ao aplicar esta técnica de difracção de retro-dispersão de electrões, conseguimos observar muito atentamente a orientação e a deformação dos minerais em toda a área destas amostras de rocha marciana para procurar padrões.

“O que vimos é que o padrão de deformação nos minerais corresponde exactamente à distribuição das veias de erosão formadas a partir dos fluídos marcianos. Esta coincidência fornece-nos dados empolgantes sobre dois grandes eventos da história destas rochas. O primeiro é que, há aproximadamente 633 milhões de anos, foram atingidas por um asteróide que as deformou em parte de uma cratera de impacto.

“Este impacto foi grande o suficiente e quente o suficiente para derreter o gelo sob a superfície marciana e enviá-lo através de fissuras recém-formadas na rocha – efectivamente formando um sistema hidrotermal temporário por baixo da superfície de Marte, que alterou a composição dos minerais nas rochas, perto destas fissuras. Isto sugere que o impacto de um asteróide foi o mecanismo misterioso, para produzir água líquida, nos naklhites muito tempo depois do vulcão que os formou em Marte ter ficado extinto.

“A segunda coisa excitante que nos diz é que as rochas devem ter sido atingidas duas vezes. Um segundo impacto, há cerca de 11 milhões de anos atrás, teve a combinação certa de ângulo e força para explodir as rochas da superfície do planeta e para começar a sua longa jornada pelo espaço em direcção à Terra.”

A equipa pensa que os seus achados fornecem novas informações sobre a formação da paisagem marciana. Os bombardeamentos regulares de asteróides podem ter tido efeitos semelhantes no gelo subterrâneo ao longo da história marciana, criando sistemas hidrotermais temporários por todo o planeta e importantes fontes de água líquida.

A sua análise também fornece pistas importantes que podem ajudar a identificar exactamente onde os naklhites tiveram origem em Marte.

O Dr. Daly acrescentou: “Actualmente, estamos a tentar entender a geologia marciana através destes meteoritos sem saber de que parte da superfície de Marte estes naklhites vieram. As nossas novas descobertas restringem firmemente as possíveis origens dos naklhites – sabemos agora que estamos à procura de uma complexa estrutura vulcânica, com cerca de 1,3 a 1,4 mil milhões de anos, com uma cratera com mais ou menos 633 milhões de anos e outra com 11 milhões de anos. Pouquíssimos lugares em Marte correspondem a estes elementos.”

“É um trabalho de detective interplanetário que ainda está em andamento, mas estamos ansiosos por resolver o caso.”

Os investigadores, da Universidade de Glasgow, da Universidade de Leeds, da Universidade de Uppsala, Oxford Instruments Nanoanalysis, da Universidade de Pisa, da Universidade de Nova Gales do Sul e da Universidade Curtin, analisaram amostras de dois nakhlites.

Um deles, conhecido como “Miller Range 03346”, foi encontrado e recuperado das montanhas da cadeia Miller na Antárctica em 2003 pela expedição de pesquisa ANSMET (Antarctic Search for Meteorites). A professora Gretchen Benedix, co-autora do estudo, fez parte da expedição que recuperou Miller Range 03346. O segundo, “Lafayette”, encontrava-se na colecção de amostras rochosas da Universidade de Purdue em 1931.

Astronomia On-line
10 de Setembro de 2019

 

2570: Meteorito vindo de um planeta antigo destruído deixa na Terra material nunca visto

CIÊNCIA

Cientistas descobrem um mineral nunca visto na natureza que veio de um meteorito até à Terra. A complexidade deste mineral poderá indiciar que viajou pelo espaço vindo de um planeta muito antigo, afirmaram os cientistas.

Foi encontrado numa estrada, dentro de uma remota cidade australiana conhecida do tempo da corrida ao ouro. Nos velhos tempos, a localidade de Wedderburn era um hotspot para prospectores de ouro. Contudo, actualmente já é muito raro encontrar por lá uma pepita como esta.

Cientistas descobrem num meteorito material nunca visto

O meteorito Wedderburn, encontrado a nordeste da cidade em 1951, era um pequeno pedaço de 210 gramas de rocha espacial de aparência estranha que caiu do céu. Durante décadas, os cientistas têm tentado decifrar os seus segredos. No entanto, os investigadores apenas descodificaram outro desses segredos.

Num novo estudo conduzido pelo mineralogista da Caltech, Chi Ma, os cientistas analisaram o meteorito Wedderburn e verificaram a primeira ocorrência natural do que eles chamam de ‘edscottite’: uma forma rara de mineral carboneto de ferro que nunca foi encontrada na natureza.

Desde que as origens espaciais do meteorito Wedderburn foram identificadas pela primeira vez, a rocha preta e vermelha distinta foi examinada por inúmeras equipas de investigação – a ponto de apenas cerca de um terço do espécime original ainda permanecer intacto, mantido dentro da colecção geológica dos Museus Victoria, na Austrália.

Novo material foi baptizado na Terra de edscottite

O resto foi retirado numa série de fatias, extraídas para analisar de que é feito o meteorito. Estas análises revelaram vestígios de ouro e ferro, juntamente com minerais mais raros, como camacite, schreibersita, tenite e troilite. Agora podemos adicionar edscottita a essa lista.

A descoberta do edscottita – nomeado em honra do especialista em meteoritos e cosmochemita Edward Scott da Universidade do Havai – é significativa. Isto porque nunca antes confirmamos que esta formulação atómica distinta do mineral carboneto de ferro ocorre naturalmente.

Tal confirmação é importante, porque é um pré-requisito para que os minerais sejam oficialmente reconhecidos como tal pela Associação Mineralógica Internacional (IMA).

Há décadas que se conhece uma versão sintética do mineral de carboneto de ferro. Fase esta que é conseguida durante a fundição do ferro.

No entanto, graças à nova análise do geofísico Chi Ma e do geofísico Alan Rubin da UCLA, o edscottite é agora um membro oficial do clube de minerais da IMA, que é mais exclusivo do que se possa pensar.

Descobrimos 500.000 a 600.000 minerais no laboratório, mas menos de 6.000 que a natureza se fez sozinha.

De acordo com o referido pelo responsável dos Museus Victoria de Geociências Stuart Mills, ao The Age.

2417: Meteorito pode ter desencadeado um enorme tsunami em Marte há 3000 milhões de anos

O impacto de um meteorito poderá ter causado um enorme tsunami (da altura de um arranha-céus) na superfície de Marte há 3,5 milhões de anos.

De acordo com o portal Live Science, a controversa teoria foi apresentada pela primeira vez em 2016 por dois grupos de cientistas. Agora, os especialistas podem ter novas evidências.

Foi Francois Costard, astrónomo do Centro Nacional de Investigação Científica de França e um dos primeiros cientistas a propor a teoria do tsunami, a encabeçar a nova investigação, que tinha como objectivo traçar o caminho da onda para, através da paisagem do Planeta Vermelho, rastrear a sua origem.

Depois de analisar dez crateras cujo tamanho e localização as torna possíveis locais de origem, Costard e a sua equipa concluíram que todos os modelos apontavam para a cratera Lomonosov, que tem cerca de 150 quilómetros de diâmetro.

NASA/JPL/USGS
Topografia da cratera Lomonosov

O co-autor do estudo Alexis Rodríguez explicou que a cratera em causa tem a idade adequada – cerca de 3 mil milhões de anos – e que as suas extremidades estão desgastadas, como se a água tivesse regressado ao “poço” após um forte impacto.

Os novos modelos, detalhados no estudo publicado esta semana na revista científica Journal of Geophysical Research, sugerem que a colisão foi forte o suficiente para desencadear um mega-tsunami (300 metros de altura) capaz de afectar todo o planeta.

Apesar dos resultados, os cientistas mostram-se cautelosos com os novos dados, frisando ser necessário levar a cabo novas investigação para confirmar a causa do tsunami.

As outras teorias incluem deslizamentos de terra, que poderiam ter moldado a paisagem marciana na altura em que o tsunami ocorreu, podendo gerar a onda, bem como um terremoto ou uma erupção vulcânica em alto-mar.

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8 Agosto, 2019

 

2365: A Terra está cheia de misteriosos cones espaciais (e já se sabe porquê)

NYU’s Applied Mathematics Laboratory

A maioria dos meteoritos encontrados na Terra têm formas aleatórias. Mas um número surpreendentemente alto – cerca de 25% – é em forma de cone.

Os cientistas chamam a essas pedras espaciais cónicas de “meteoritos orientados”. Agora, graças a um par de experiências publicados online na revista Proceedings of National Academy of Sciences sabemos porquê: a atmosfera está a esculpir as rochas em formas mais aerodinâmicas quando caem na Terra.

“Estes experiências contam uma história de origem de meteoritos orientados”, disse Leif Ristroph, um físico matemático da Universidade de Nova Iorque que liderou o estudo, em comunicado. “As forças muito aerodinâmicas que derretem e remodelam os meteoróides em voo também os estabilizam, de modo que pode ser esculpida uma forma em cone e, finalmente, chegar à Terra.”

É difícil replicar com precisão o encontro de meteoróides do meio ambiente no seu caminho para a superfície do nosso planeta. As rochas espaciais chocam com a atmosfera em altas velocidades, gerando uma fricção intensa e súbita que aquece, derrete e deforma os objectos à medida que caem livremente.

Essas condições não existiam no laboratório da NYU onde o estudo ocorreu, mas os investigadores aproximaram esses factores com recurso a materiais mais macios e água e dividindo a experiência em partes.

Primeiro, os cientistas prenderam bolas de argila macia no centro de correntes de água corrente, uma aproximação de uma rocha pesada a atingir uma atmosfera. De acordo com os investigadores, a argila tendeu a deformar-se e a sofrer erosão em forma de cone.

Esta experiência por si só não explicaria muito. A argila macia não conseguia mover-se na água – uma situação muito diferente de uma rocha livre a cair solta através da atmosfera superior e de alguma forma orientar-se a si própria.

Na segunda etapa, os investigadores colocaram diferentes tipos de cones na água para ver como caíam. Os cones que são muito estreitos ou muito gordos tendem a cair como as rochas de qualquer forma. Mas havia cones “Cachinhos Dourados”, entre aqueles dois extremos, que giravam até os pontos apontarem ao longo da sua direcção de viagem, como uma flecha, e depois deslizavam suavemente pela água.

O “princípio de Cachinhos Dourados” é assim chamado por analogia à história infantil “Cachinhos Dourados e os Três Ursos”, em que uma menina chamada Cachinhos Dourados prova três pratos diferentes e prefere o que não é nem muito quente nem muito frio, mas que tem a temperatura ideal.

Como a história infantil é bem conhecida entre diferentes culturas, o conceito de “a quantidade ideal” é facilmente compreendido e aplicado em diversas áreas, incluindo psicologia do desenvolvimento, biologia, astronomia, economia e engenharia.

Estas duas experiências juntas parecem mostrar que, quando certas condições são satisfeitas, as rochas espaciais desenvolverão formas cónicas sob a extrema fricção de uma entrada atmosférica. Às vezes, essas partes cónicas ajudarão as rochas a estabilizar-se, apontando numa direcção consistente à medida que caem. Essa estabilidade, por sua vez, torna-os cada vez mais cónicos.

Quando as pedras atingem o solo, caçadores de meteoritos encontram os restos de rochas espaciais cónicas “orientadas”.

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25 Julho, 2019

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2149: Meteoritos-chave descobertos no Chile podem revelar a origem do Sistema Solar

CIÊNCIA

Universidade Católica do Chile

Um estudo geológico levado a cabo no deserto do Atacama por cientistas da Universidade Católica do Chile (UCN) encontrou vários condritos carbonáceos, meteoritos-chave para entender a origem do Sistema Solar, bem como as causas que levaram à vida no planeta Terra. 

De acordo com um comunicado da UCN, os objectos, encontrados entre as cidades de Antofagasta e Taltal, fazem parte dos primeiros minerais formados a partir da nebulosa que cercou o Sol há 4,56 mil milhões de anos.

“É o tipo mais primitivo de meteorito já encontrado, é uma das rochas que contém os primeiros materiais sólidos condensados, numa altura em que o Sistema Solar se estava a formar. Estes meteoritos carregam a mais antiga evidência dos primeiros estágios de formação dos planetas”, explicou a cientista que liderou o estudo, Millarca Valenzuela.

“Se conseguirmos medir a composição [destes condritos carbonáceos], poderemos ter informações sobre a composição da nebulosa solar onde o cristal se estava a formar”.

Além das pistas sobre a origem do Sistema Solar, a matriz destes meteoritos sugere a sua possível participação na origem de vida na Terra. Os objectos têm até 5% de carbono, possuindo também “minerais, água e aminoácidos de base pequena e material orgânico abiótico […] que poderiam ser a semente a partir da qual o material orgânico pode ter evoluído para algo mais complexo”, sustentou a especialista.

Valenzuela é geóloga e uma das cientistas responsáveis pela descoberta no Chile. Em 2017, o asteróide 11819, localizado entre Júpiter e Marte, foi baptizado em sua honra.

Uma outra investigação, conduzida por cientistas de França e de Itália detectou matéria orgânica com 3.330 mil milhões de anos preservada em sedimentos vulcânicos nas Montanhas Barberton. É provável que a matéria pertença a um condrito carbonáceo extraterrestre. Os resultados desta investigação foram publicados no fim de maio na revista científica especializada Geochimica et Cosmochimica Acta.

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10 Junho, 2019



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2081: A colecção mais antiga de meteoritos foi encontrada no local mais seco da Terra

Racortesl / Flickr
Deserto do Atacama, no Chile

Meteoritos colidem na Terra quase constantemente e podemos encontrar os restos antigos em todos os lugares. Mas, para melhor entender de onde as rochas espaciais vieram, é útil visitar a mais densa colecção de meteoritos do planeta.

Onde? No local mais seco de todo o planeta Terra – o deserto do Atacama, no Chile. Este deserto é muito antigo, com mais de 15 milhões de anos, o que significa que os meteoritos que caíram na sua enorme área – cerca de 130 mil quilómetros quadrados – têm a possibilidade de serem muito antigos.

Isso representa uma vantagem geológica sobre outros desertos, incluindo a Antárctida, que possui vastos suprimentos de meteoritos, mas geralmente são jovens demais para abrigar rochas espaciais mais antigas do que meio milhão de anos, segundo Alexis Drouard, investigador da Universidade Aix-Marselha e autor do estudo publicado na revista Geology.

Drouard e os colegas fizeram recentemente uma viagem de caça a meteoritos no deserto de Atacama, na esperança de encontrar uma série de rochas que se estendiam por milhões de anos. “O nosso objectivo neste trabalho foi ver como o fluxo de meteoritos mudou ao longo de grandes escalas de tempo“, disse Drouard em comunicado, citado pela Live Science.

Para o novo estudo, os geólogos recolheram cerca de 400 meteoritos e estudaram 54, analisando as idades e as composições químicas das pedras alienígenas. Em consonância com a idade avançada do deserto, cerca de 30% dos meteoritos tinham mais de um milhão de anos, enquanto dois deles acumulavam poeira há mais de dois milhões de anos. Segundo Drouard, representa a mais antiga colecção de meteoritos na superfície da Terra.

A equipa extrapolou os resultados da sua pequena amostra para determinar que a actividade de impacto permaneceu relativamente constante nos últimos dois milhões de anos, totalizando cerca de 222 impactos de meteoros em cada quilómetro quadrado de deserto a cada um milhão de anos.

Surpreendentemente, a composição dos meteoritos mudou mais drasticamente. Segundo os investigadores, os meteoritos que bombardearam o Atacama entre um milhão e meio milhão de anos atrás eram significativamente mais ricos em ferro do que as rochas que caíam antes ou depois. É possível que todos tenham vindo de um único enxame de pedras soltas do cinturão de asteróides entre Marte e Júpiter.

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31 Maio, 2019


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1921: Mais de 2,25 milhões de corpos celestes podem ser perigosos para a Terra

CIÊNCIA

Ethan Tweedie

No espaço existem numerosos asteróides e meteoritos de diferentes tamanhos. Enquanto grandes objectos celestes são estudados adequadamente, os cientistas ainda sabem muito pouco sobre aqueles cujo diâmetro não excede um quilómetro.

Embora existam mais de 2,25 milhões de corpos celestes que existem e que são potencialmente perigosos para a Terra, apenas 19 mil deles são conhecidos pela ciência, disse Sergei Naroenkov, especialista do Instituto de Astronomia da Academia Russa de Ciências, ao portal russo de divulgação científica Cherdak.

Felizmente, dos 900 asteróides com mais de um quilómetro de diâmetro e potencialmente perigosos para o planeta, as trajectórias de 893 já são conhecidas.

O impacto de um corpo desse tamanho poderia ter consequências catastróficas para a Terra. A queda de um meteorito de 10 quilómetros de diâmetro em Chicxulub, no México, há cerca de 65 milhões de anos, causou a extinção dos dinossauros – e outras espécies de biodiversidade continental e marinha não sobreviveram após a explosão.

As explosões mais poderosas deste tipo nos tempos modernos foram as causadas pelo meteorito de Chelyabinsk (cerca de 20 metros de diâmetro) e o de Tunguska (com cerca de 50 metros de diâmetro).

Naroenkov afirma que, de acordo com estimativas, mais de 250 mil objectos do tamanho do meteorito de Tunguska e mais de dois milhões em magnitude semelhante ao de Chelyabinsk ainda não são conhecidos pela ciência.

O astrónomo russo assegura que, a fim de detectar asteróides perigosos no tempo, é necessário construir novos observatórios com telescópios modernos com grandes aberturas, uma vez que essas ferramentas nos permitem antecipar a aproximação dos corpos celestes de 140 metros em dois meses.

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Por ZAP
4 Maio, 2019

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1912: NASA alerta sobre meteoritos: é preciso defender a Terra

O patrão da agência espacial americana, Jim Bridenstine pediu esta terça-feira a colaboração internacional para detecção de objectos com risco de colisão com a Terra. “O perigo é real”, disse numa conferência em Washington

© Robert Mikaelyan

Aconteceu em Cheliabinsk em 2013, com um saldo de mais de mil feridos. A rocha vinda do céu, à velocidade de 30 km por segundo naquele dia de Fevereiro, foi apenas o mais aparatoso dos incidentes deste tipo nos últimos tempos. “Mas não foi de maneira nenhuma o único [embora os outros não tenham causado vítimas] “, afirmou esta terça-feira, o patrão da NASA, Jim Bridenstine, numa conferência que está decorrer em Washington sobre defesa planetária.

“Não se trata de Hollywood, nem de filmes, trata-se em última análise de proteger o nosso planeta, o único sobre o qual temos neste momento a certeza de que pode albergar vida“, afirmou Bridenstine, citado na imprensa americana, sublinhando que “são necessárias parcerias internacionais para lidar com esta ameaça”.

O meteorito que caiu em 2013 em Cheliabinski, na Rússia, causando 1500 feridos, “tinha a potência de 30 bombas de Hiroxima”, sublinhou ainda o responsável. “Queria muito poder dizer-vos que estes episódios são excepcionais, mas não são. Não são raros e acontecem, e somos nós que temos de conseguir detectá-los e segui-los, já que podem constituir uma ameaça para a Terra”.

A NASA tem um programa para detectar e rastrear estas rochas espaciais com dimensões até 140 metros de diâmetro que circulam nas proximidades da Terra, mas o objectivo de traçar o rasto à esmagadora maioria deles (90% é a meta atual) “está longe de conseguido”, admitiu o director da NASA na conferência.

“Só conseguimos observar um terço destes objectos e por isso precisamos de mais parceiros internacionais para participar neste esforço”, apelou.

De acordo com Jim Bridenstine, são necessários mais sistemas de observação em terra para detectar e seguir o rasto a estes perigosos calhaus do espaço.

Diário de Notícias
DN
01 Maio 2019 — 16:52

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1871: “Embrião” de cometa encontrado no interior de um meteorito primitivo

(CC0/PD) Buddy_Nath / Pixabay

Uma equipe de especialistas do Instituto Carnegie para a Ciência, nos Estados Unidos, descobriu que há um pequeno fragmento – uma espécie de “embrião” – de um cometa a viver no interior de um meteorito primitivo encontrado na Antárctida.

O meteorito em causa, baptizado de LaPaz Icefield 02342, pertence à classe das condritas carbonáceas primitivas, ou seja, é um corpo que sofreu mudanças mínimas desde a sua formação, há mais de 4.500 milhões de anos, explicou a cientista Jemma Davidson, citada em comunicado do instituto.

Tanto o cometa como a asteróide foram formados a partir do disco de gás e poeira que cercou o Sol primitivo no passado. Contudo, os corpos formaram-se a diferentes distâncias do astro, o que se reflectiu directamente na sua composição química, assinala a investigação, cujos resultados foram esta semana publicados na revista científica Nature Astronomy.

Os cometas que se formaram a uma distância maior do Sol contêm maiores quantidades de água e mais carbono do que os asteróides, exemplifica o mesmo documento.

No interior do meteorito encontrado na Antárctida, a equipa encontrou um fragmento minúsculo – um décimo de milímetro de diâmetro – de um material primitivo muito rico em carbono que apresenta semelhanças surpreendentes com partículas de poeira extraterrestres que, segundo acreditam os cientistas, terão sido originadas em cometas formados perto dos extremos do Sistema Solar.

Os cientistas acreditam que há cerca de 3 ou 3,5 milhões de anos após a formação do Sistema Solar, este pequeno fragmento foi capturado por um asteróide em desenvolvimento a partir do qual o meteorito se originou.

“Como esta amostra (…) foi engolida por um asteróide e conservada no interior deste meteorito, foi protegida dos estragos quando entrou na atmosfera da Terra”, completou o cientista Larry Nittler. “O asteróide serviu como uma espécie de cápsula protectora, dentro da qual ficaram preservados ‘embriões’ de cometas e grãos de matéria primária do Sistema Solar”. De outra forma, “estas amostras nunca chegariam [ao meteorito] sozinhas”.

Graças a esta cápsula resistente ao tempo, rematou, será ainda possível abordar e melhor entender a química do Sistema Solar primitivo.

ZAP //

Por ZAP
20 Abril, 2019

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1847: Caiu um meteorito no Brasil e ficou tudo em vídeo

Queda de meteorito no Rio Grande do Sul.

O momento da queda do meteorito captado por uma das câmaras da rede de monitorização BRAMON
© Twitter Carlos Fernando Jung

O clarão deixado nos céus de Taquara, no estado do Rio Grande do Sul foi registado na madrugada de sexta-feira, 12 de Abril, e corresponde a um meteorito. O momento foi captado por uma das câmaras da Rede Brasileira de Observação de Meteoritos (BRAMON, sigla em inglês).

O professor Carlos Fernando Jung, director do BRAMON e responsável pelo registo em vídeo da queda do meteorito conta ao site G1 que o “objecto” pesava “12 quilos quando entrou na atmosfera” a 122,2 mil quilómetros por hora, tendo começado a perder força. Não terá atingido o solo. “Os fragmentos foram mínimos”, diz. Após análise ao fenómeno, o especialista calcula que o meteorito desfragmentou-se a 36 quilómetros de altitude e não causou qualquer dado.

“O objecto foi totalmente consumido na sua passagem atmosférica, a cerca de 145 quilómetros sobre o mar da costa do Rio Grande do Sul”, explica Jung.

Foi possível ver a queda do meteorito às 03:21 de sexta-feira (às 23:21 de quinta-feira em Portugal), um momento captado por uma câmara instalada na cidade de Taquara, na Região Metropolitana de Porto Alegre, mas também por câmaras em Torres e Santa Catarina.

Ao site da Globo, Jung explica que na rede de monitorização de meteoritos cada pessoa, de forma voluntária e com equipamento próprio, regista este tipo de fenómenos. As câmaras deste grupo de observadores ficam ligadas 24 horas.

O especialista tem três câmaras que operam em Taquara, o local onde caiu o meteorito, São Leopoldo e Porto Alegre. “Têm imagens de 360 graus. Elas captam todo o Rio Grande do Sul, o Uruguai, Santa Catarina, Paraná, parte da Argentina”, explica.

Esclarece ainda que a queda de meteoritos é frequente. “São atraídos pela gravidade da terra”, explica. O que não é normal, afirma, é conseguir um registo. E foi o que aconteceu. Imagens que Jung partilhou nas redes sociais.

Prof. Dr. Jung @profjung

Registada queda de “grande” meteoro no mar ao sul do RS nesta madrugada de sexta pela Câmara 2. Magnitude – 9,7 (Fireball)

Diário de Notícias
13 Abril 2019 — 23:55

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1734: Um meteorito explodiu na atmosfera da Terra. Mas ninguém reparou

NASA detectou a enorme bola de fogo que aconteceu em Dezembro. Mas a explosão, que teve lugar sobre o mar de Bering, passou quase despercebida, apesar de ter sido a segunda maior em 30 anos.

Quando o meteorito explodiu na atmosfera terrestre sobre o mar de Bering, junto à península russa de Kamchatka, libertou dez vezes mais energia do que a bomba atómica lançada no final da II Guerra Mundial sobre a cidade japonesa de Hiroxima.

A enorme explosão, que aconteceu em Dezembro, foi detectada pela NASA, que só agora a divulgou. Mas passou quase despercebida, apesar de ter sido a segunda maior dos últimos 30 anos e a maior desde que uma bola de fogo atravessou o céu sobre Chelyabinsk, na Rússia, há seis anos.

Veja aqui o vídeo da explosão de 2013:

Segundo Lindley Johnson, responsável pela defesa planetária da NASA, explicou à BBC que este tipo de explosão em meteoritos na atmosfera da Terra só ocorre em média duas a três vezes num século.

Era meio-dia de dia 18 de Dezembro quando um meteorito com vários metros de comprimento entra na atmosfera da Terra a uma velocidade de 32 quilómetros por segundo. E explode a 25,6 km de distância da superfície terrestre, com um impacto energético de 173 quilo-toneladas.

De acordo com os cientistas da NASA a energia libertada foi apenas 40% da libertada na explosão sobre Chelyabinsk, mas o facto de ter acontecido sobre o mar fez com que não tivesse as mesmas consequências e ficasse de fora das notícias.

A explosão foi captada pelos satélites militares em final do ano e a NASA foi informada do ocorrido pela Força Aérea americana.

Os cientistas estimam que todos os dias caiam na Terra 48,5 toneladas de matéria meteórica. A quase totalidade desfaz-se em poeira ao entrar na atmosfera terrestre. Quando este fenómeno aumenta acontecem as chamadas chuvas de meteoritos.

Diário de Notícias
18 Março 2019 — 10:30

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1618: Astrónomos determinam de onde vêm os meteoritos que caem com mais frequência na Terra

josemiguelmartinez / Flickr

Um estudo conduzido pelo astrónomo Peter Jenniskens, identificou a fonte dos meteoritos mais comuns, conhecidos como condritos L.

É possível classificar os meteoritos em várias categorias pela textura e composições química e mineralógica, sendo os condritos os mais comuns de todos eles, representando 82% dos meteoritos.

Através do estudo, publicado na revista Meteoritics & Planetary Science, os cientistas conseguiram determinar que este tipo de meteorito vem de pelo menos dois campos de detritos no cinturão de asteróides – região circular do Sistema Solar formada por múltiplos objectos irregulares denominados asteróides – , originários de planetas outrora anões que colidiram há muito tempo. A colisão constante desses fragmentos produzem os meteoritos que caem na Terra.

Meteoritos que caíram em 2012 na cidade norte-americana de Novato, no estado da Califórnia, e em 2015 perto da cidade de Creston, também situada no mesmo estado, foram comparados e identificados como condritos L.

A princípio, os 33 investigadores envolvidos no estudo acharam que os meteoritos poderiam ter vindo do mesmo campo de detritos, mas foi determinado que o meteorito de Novato demorou três anos a contornar o Sol, enquanto o outro demorou um ano e meio para fazer o mesmo movimento.

Isso sugere que o primeiro meteorito caído foi enviado por uma ressonância mais distante do Sol e mais profunda no cinturão de asteróides.

Durante a grande colisão há 470 milhões de anos, o meteorito de Novato perdeu a maior parte dos seus gases nobres ou inertes, como o argónio, enquanto que o de Creston “não perdeu o argónio dos minerais nos últimos 4,3 mil milhões de anos”, afirmou o geoquímico Matthias Meier.

“Isso provavelmente significa que o asteróide do qual o meteorito de Creston se originou não sofreu a colisão que afectou o de Novato há 470 milhões de anos”, acrescentou Meier.

Embora estes meteoritos provenham de diferentes colisões em diferentes partes do cinturão de asteróides, têm muito em comum e parecem estar relacionados entre si, sugerem os autores do estudo.

Por exemplo, ter-se-iam tornado matéria sólida no mesmo corpo paternal, que poderia ter sido quebrado e as suas partes poderiam acabar em lugares diferentes no cinturão de asteróides.

ZAP // Sputnik News

Por ZAP
21 Fevereiro, 2019

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1514: Lua foi atingida por um meteorito durante a Super Lua de Sangue

A Super Lua de Sangue de segunda-feira permitiu filmar, pela primeira vez, um impacto lunar durante um eclipse. Há 22 anos que os cientistas tentavam fazê-lo.

Um meteorito caiu na Lua durante o eclipse de domingo para segunda-feira, quando o astro já estava vermelho, confirmou o astrónomo espanhol Jose Maria Madiedo, da Universidade de Huelva, em Espanha.

É a primeira vez que se filma o impacto de um meteorito na Lua durante um eclipse. O momento pode ser visto em vídeos que mostram um ponto luminoso na superfície lunar. Esse ponto é o impacto de uma Geminida, um meteoroide que resulta da passagem do asteróide 3200 Faetonte perto da Terra.

De acordo com as explicações de Madiedo, o corpo celeste colidiu com a superfície da Lua às 4 horas, 41 minutos e 38 segundos de segunda-feira, quando o nosso satélite natural já estava dentro da zona mais escura da sombra da Terra – umbra – e tinha assumido a cor vermelha que baptiza o fenómeno astronómico.

Apontados à Lua estavam oito telescópios do projecto MIDAS – Moon Impacts Detection and Analysis System – que tem como objectivo estudar os impactos na superfície lunar.

O próximo passo, explica Madiedo, é tentar determinar a origem e as características do meteoroide que atingiu a Lua no dia do eclipse. Sabe-se que é o resultado de uma chuva de estrelas chamada Geminidas e que faz parte do rasto deixado pela órbita do asteróide 3200 Faetonte.

Esse asteróide tem uma órbita semelhante ao de um cometa e cruza as trajectórias de Mercúrio, Vénus, Terra e Marte. As Geminidas são uma das principais chuvas de estrelas causadas por um corpo celeste que não um cometa. O corpo que caiu na Lua deve ter entre dois e dez quilogramas de massa.

Os cientistas esperam que os dados do projecto MIDAS possam revelar a frequência com que os impactos lunares acontecem. Conhecer essa realidade lunar vai ajudar a perceber com que frequência é que a Terra é atingida por corpos celestes vindos do espaço.

Como a atmosfera costuma destruir esses astros antes de chegarem à superfície terrestre, esse número é desconhecido dos cientistas. Mas os cientistas desconfiam que o número deve ser semelhante ao da Lua.

ZAP // Canal Tech / Gizmodo

Por ZAP
23 Janeiro, 2019

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1424: Bola de fogo que explodiu na Gronelândia poderia ajudar-nos a estudar mundos alienígenas

Mark Garten / UN Photo
Icebergs em Ilulissat Icefjord, Gronelândia

Uma misteriosa bola de fogo que explodiu sobre a Gronelândia poderia ajudar-nos a estudar a estrutura de mundos alienígenas distantes e cobertos de gelo.

Apesar de os primeiros dados terem demonstrado que a bola de fogo que explodiu sobre a Gronelândia era uma das mais energéticas de 2018, durante meses os cientistas não sabiam que implicações teria este meteorito.

A bola de fogo iluminou o céu nocturno e fez o chão tremer no dia 25 de Julho, mas a maior parte do mundo teve conhecimento deste evento passado uma semana, quando um cientista da NASA, Ron Baalke, informou no Twitter.

Mais tarde, também através do Twitter, Hans M. Kristensen, investigador de armas nucleares, adiantou que a explosão ocorreu muito perto da base da Força Aérea de Thule, na Gronelândia. No entanto, a Base Aérea manteve-se muito silenciosa em relação ao fenómeno.

Agora, graças a uma feliz coincidência de tempo e espaço, temos novas provas para interpretar o evento da bola de fogo.

Em maio, alguns meses antes da bola de fogo irromper nos céus, os cientistas instalaram um sistema sísmico a apenas 70 quilómetros de Qaanaaq, num projecto chamado “Sismómetro para Investigar Gelo e Estruturas do Oceano” (SIIOS).

O objectivo do projecto é usar sismómetros para medir como podem acontecer terramotos em mundos gelados e luas (como a lua gelada de Júpiter Europa), usando análogos baseados na Terra (como o gelo da Gronelândia).

Os cientistas afirmam que o que podemos aprender sobre as espessas crostas de gelo que cobrem esses ambientes pode ser a chave para encontrar água em futuras missões no Espaço. No entanto, a mesma infra-estrutura pode também dar-nos uma visão única do que realmente aconteceu com a bola de fogo em Qaanaaq.

Num relatório apresentado na reunião anual da União de Geofísica Americana, em Washington, uma equipa liderada por Nicholas C. Schmer, da Universidade de Maryland, relatou que os sensores do sismómetro permitiram aos cientistas isolar um “evento sísmico candidato consistente com a trajectória do ponto de impacto projectado pela bola de fogo”.

Na prática, a actividade sísmica captada por vários sensores correlacionou o caminho do meteoro com o das ondas terrestres. A matriz permitiu também que os cientistas identificassem a localização exacta do impacto.

A investigação ainda não foi revisada por especialistas, mas os dados preliminares sugerem que o epicentro do impacto estava situado “nas proximidades da geleira de Humboldt, no manto de gelo da Gronelândia”.

Ainda há muita coisa por desvendar sobre a bola de fogo de Qaanaaq, mas graças à infra-estrutura do SIIOS temos agora uma pista consistente sobre o misterioso meteorito e, segundo os cientistas, uma novidade mundial no âmbito da pesquisa astronómica.

“Este candidato a evento de impacto sísmico registado por um sistema é o primeiro análogo sísmico de alta fidelidade para eventos de impacto do mundo gelado”, explicaram os autores.

Estas descobertas têm então implicações que se estendem além da Terra. Como este evento foi o primeiro registo de eventos de impacto em mundos cobertos de gelo, estas descobertas podem “informar a Ciência do impacto de objectos em todo o Sistema Solar“.

ZAP // ScienceAlert

Por ZAP
18 Dezembro, 2018

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