1872: “Embrião” de cometa encontrado no interior de um meteorito primitivo

(CC0/PD) Buddy_Nath / Pixabay

Uma equipe de especialistas do Instituto Carnegie para a Ciência, nos Estados Unidos, descobriu que há um pequeno fragmento – uma espécie de “embrião” – de um cometa a viver no interior de um meteorito primitivo encontrado na Antárctida.

O meteorito em causa, baptizado de LaPaz Icefield 02342, pertence à classe das condritas carbonáceas primitivas, ou seja, é um corpo que sofreu mudanças mínimas desde a sua formação, há mais de 4.500 milhões de anos, explicou a cientista Jemma Davidson, citada em comunicado do instituto.

Tanto o cometa como a asteróide foram formados a partir do disco de gás e poeira que cercou o Sol primitivo no passado. Contudo, os corpos formaram-se a diferentes distâncias do astro, o que se reflectiu directamente na sua composição química, assinala a investigação, cujos resultados foram esta semana publicados na revista científica Nature Astronomy.

Os cometas que se formaram a uma distância maior do Sol contêm maiores quantidades de água e mais carbono do que os asteróides, exemplifica o mesmo documento.

No interior do meteorito encontrado na Antárctida, a equipa encontrou um fragmento minúsculo – um décimo de milímetro de diâmetro – de um material primitivo muito rico em carbono que apresenta semelhanças surpreendentes com partículas de poeira extraterrestres que, segundo acreditam os cientistas, terão sido originadas em cometas formados perto dos extremos do Sistema Solar.

Os cientistas acreditam que há cerca de 3 ou 3,5 milhões de anos após a formação do Sistema Solar, este pequeno fragmento foi capturado por um asteróide em desenvolvimento a partir do qual o meteorito se originou.

“Como esta amostra (…) foi engolida por um asteróide e conservada no interior deste meteorito, foi protegida dos estragos quando entrou na atmosfera da Terra”, completou o cientista Larry Nittler. “O asteróide serviu como uma espécie de cápsula protectora, dentro da qual ficaram preservados ‘embriões’ de cometas e grãos de matéria primária do Sistema Solar”. De outra forma, “estas amostras nunca chegariam [ao meteorito] sozinhas”.

Graças a esta cápsula resistente ao tempo, rematou, será ainda possível abordar e melhor entender a química do Sistema Solar primitivo.

ZAP //

Por ZAP
20 Abril, 2019

 

1848: Caiu um meteorito no Brasil e ficou tudo em vídeo

Queda de meteorito no Rio Grande do Sul.

O momento da queda do meteorito captado por uma das câmaras da rede de monitorização BRAMON
© Twitter Carlos Fernando Jung

O clarão deixado nos céus de Taquara, no estado do Rio Grande do Sul foi registado na madrugada de sexta-feira, 12 de Abril, e corresponde a um meteorito. O momento foi captado por uma das câmaras da Rede Brasileira de Observação de Meteoritos (BRAMON, sigla em inglês).

O professor Carlos Fernando Jung, director do BRAMON e responsável pelo registo em vídeo da queda do meteorito conta ao site G1 que o “objecto” pesava “12 quilos quando entrou na atmosfera” a 122,2 mil quilómetros por hora, tendo começado a perder força. Não terá atingido o solo. “Os fragmentos foram mínimos”, diz. Após análise ao fenómeno, o especialista calcula que o meteorito desfragmentou-se a 36 quilómetros de altitude e não causou qualquer dado.

“O objecto foi totalmente consumido na sua passagem atmosférica, a cerca de 145 quilómetros sobre o mar da costa do Rio Grande do Sul”, explica Jung.

Foi possível ver a queda do meteorito às 03:21 de sexta-feira (às 23:21 de quinta-feira em Portugal), um momento captado por uma câmara instalada na cidade de Taquara, na Região Metropolitana de Porto Alegre, mas também por câmaras em Torres e Santa Catarina.

Ao site da Globo, Jung explica que na rede de monitorização de meteoritos cada pessoa, de forma voluntária e com equipamento próprio, regista este tipo de fenómenos. As câmaras deste grupo de observadores ficam ligadas 24 horas.

O especialista tem três câmaras que operam em Taquara, o local onde caiu o meteorito, São Leopoldo e Porto Alegre. “Têm imagens de 360 graus. Elas captam todo o Rio Grande do Sul, o Uruguai, Santa Catarina, Paraná, parte da Argentina”, explica.

Esclarece ainda que a queda de meteoritos é frequente. “São atraídos pela gravidade da terra”, explica. O que não é normal, afirma, é conseguir um registo. E foi o que aconteceu. Imagens que Jung partilhou nas redes sociais.

Prof. Dr. Jung @profjung

Registada queda de “grande” meteoro no mar ao sul do RS nesta madrugada de sexta pela Câmara 2. Magnitude – 9,7 (Fireball)

Diário de Notícias
13 Abril 2019 — 23:55

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1734: Um meteorito explodiu na atmosfera da Terra. Mas ninguém reparou

NASA detectou a enorme bola de fogo que aconteceu em Dezembro. Mas a explosão, que teve lugar sobre o mar de Bering, passou quase despercebida, apesar de ter sido a segunda maior em 30 anos.

Quando o meteorito explodiu na atmosfera terrestre sobre o mar de Bering, junto à península russa de Kamchatka, libertou dez vezes mais energia do que a bomba atómica lançada no final da II Guerra Mundial sobre a cidade japonesa de Hiroxima.

A enorme explosão, que aconteceu em Dezembro, foi detectada pela NASA, que só agora a divulgou. Mas passou quase despercebida, apesar de ter sido a segunda maior dos últimos 30 anos e a maior desde que uma bola de fogo atravessou o céu sobre Chelyabinsk, na Rússia, há seis anos.

Veja aqui o vídeo da explosão de 2013:

Segundo Lindley Johnson, responsável pela defesa planetária da NASA, explicou à BBC que este tipo de explosão em meteoritos na atmosfera da Terra só ocorre em média duas a três vezes num século.

Era meio-dia de dia 18 de Dezembro quando um meteorito com vários metros de comprimento entra na atmosfera da Terra a uma velocidade de 32 quilómetros por segundo. E explode a 25,6 km de distância da superfície terrestre, com um impacto energético de 173 quilo-toneladas.

De acordo com os cientistas da NASA a energia libertada foi apenas 40% da libertada na explosão sobre Chelyabinsk, mas o facto de ter acontecido sobre o mar fez com que não tivesse as mesmas consequências e ficasse de fora das notícias.

A explosão foi captada pelos satélites militares em final do ano e a NASA foi informada do ocorrido pela Força Aérea americana.

Os cientistas estimam que todos os dias caiam na Terra 48,5 toneladas de matéria meteórica. A quase totalidade desfaz-se em poeira ao entrar na atmosfera terrestre. Quando este fenómeno aumenta acontecem as chamadas chuvas de meteoritos.

Diário de Notícias
18 Março 2019 — 10:30

 

1618: Astrónomos determinam de onde vêm os meteoritos que caem com mais frequência na Terra

josemiguelmartinez / Flickr

Um estudo conduzido pelo astrónomo Peter Jenniskens, identificou a fonte dos meteoritos mais comuns, conhecidos como condritos L.

É possível classificar os meteoritos em várias categorias pela textura e composições química e mineralógica, sendo os condritos os mais comuns de todos eles, representando 82% dos meteoritos.

Através do estudo, publicado na revista Meteoritics & Planetary Science, os cientistas conseguiram determinar que este tipo de meteorito vem de pelo menos dois campos de detritos no cinturão de asteróides – região circular do Sistema Solar formada por múltiplos objectos irregulares denominados asteróides – , originários de planetas outrora anões que colidiram há muito tempo. A colisão constante desses fragmentos produzem os meteoritos que caem na Terra.

Meteoritos que caíram em 2012 na cidade norte-americana de Novato, no estado da Califórnia, e em 2015 perto da cidade de Creston, também situada no mesmo estado, foram comparados e identificados como condritos L.

A princípio, os 33 investigadores envolvidos no estudo acharam que os meteoritos poderiam ter vindo do mesmo campo de detritos, mas foi determinado que o meteorito de Novato demorou três anos a contornar o Sol, enquanto o outro demorou um ano e meio para fazer o mesmo movimento.

Isso sugere que o primeiro meteorito caído foi enviado por uma ressonância mais distante do Sol e mais profunda no cinturão de asteróides.

Durante a grande colisão há 470 milhões de anos, o meteorito de Novato perdeu a maior parte dos seus gases nobres ou inertes, como o argónio, enquanto que o de Creston “não perdeu o argónio dos minerais nos últimos 4,3 mil milhões de anos”, afirmou o geoquímico Matthias Meier.

“Isso provavelmente significa que o asteróide do qual o meteorito de Creston se originou não sofreu a colisão que afectou o de Novato há 470 milhões de anos”, acrescentou Meier.

Embora estes meteoritos provenham de diferentes colisões em diferentes partes do cinturão de asteróides, têm muito em comum e parecem estar relacionados entre si, sugerem os autores do estudo.

Por exemplo, ter-se-iam tornado matéria sólida no mesmo corpo paternal, que poderia ter sido quebrado e as suas partes poderiam acabar em lugares diferentes no cinturão de asteróides.

ZAP // Sputnik News

Por ZAP
21 Fevereiro, 2019

 

1514: Lua foi atingida por um meteorito durante a Super Lua de Sangue

A Super Lua de Sangue de segunda-feira permitiu filmar, pela primeira vez, um impacto lunar durante um eclipse. Há 22 anos que os cientistas tentavam fazê-lo.

Um meteorito caiu na Lua durante o eclipse de domingo para segunda-feira, quando o astro já estava vermelho, confirmou o astrónomo espanhol Jose Maria Madiedo, da Universidade de Huelva, em Espanha.

É a primeira vez que se filma o impacto de um meteorito na Lua durante um eclipse. O momento pode ser visto em vídeos que mostram um ponto luminoso na superfície lunar. Esse ponto é o impacto de uma Geminida, um meteoroide que resulta da passagem do asteróide 3200 Faetonte perto da Terra.

De acordo com as explicações de Madiedo, o corpo celeste colidiu com a superfície da Lua às 4 horas, 41 minutos e 38 segundos de segunda-feira, quando o nosso satélite natural já estava dentro da zona mais escura da sombra da Terra – umbra – e tinha assumido a cor vermelha que baptiza o fenómeno astronómico.

Apontados à Lua estavam oito telescópios do projecto MIDAS – Moon Impacts Detection and Analysis System – que tem como objectivo estudar os impactos na superfície lunar.

O próximo passo, explica Madiedo, é tentar determinar a origem e as características do meteoroide que atingiu a Lua no dia do eclipse. Sabe-se que é o resultado de uma chuva de estrelas chamada Geminidas e que faz parte do rasto deixado pela órbita do asteróide 3200 Faetonte.

Esse asteróide tem uma órbita semelhante ao de um cometa e cruza as trajectórias de Mercúrio, Vénus, Terra e Marte. As Geminidas são uma das principais chuvas de estrelas causadas por um corpo celeste que não um cometa. O corpo que caiu na Lua deve ter entre dois e dez quilogramas de massa.

Os cientistas esperam que os dados do projecto MIDAS possam revelar a frequência com que os impactos lunares acontecem. Conhecer essa realidade lunar vai ajudar a perceber com que frequência é que a Terra é atingida por corpos celestes vindos do espaço.

Como a atmosfera costuma destruir esses astros antes de chegarem à superfície terrestre, esse número é desconhecido dos cientistas. Mas os cientistas desconfiam que o número deve ser semelhante ao da Lua.

ZAP // Canal Tech / Gizmodo

Por ZAP
23 Janeiro, 2019

 

1424: Bola de fogo que explodiu na Gronelândia poderia ajudar-nos a estudar mundos alienígenas

Mark Garten / UN Photo
Icebergs em Ilulissat Icefjord, Gronelândia

Uma misteriosa bola de fogo que explodiu sobre a Gronelândia poderia ajudar-nos a estudar a estrutura de mundos alienígenas distantes e cobertos de gelo.

Apesar de os primeiros dados terem demonstrado que a bola de fogo que explodiu sobre a Gronelândia era uma das mais energéticas de 2018, durante meses os cientistas não sabiam que implicações teria este meteorito.

A bola de fogo iluminou o céu nocturno e fez o chão tremer no dia 25 de Julho, mas a maior parte do mundo teve conhecimento deste evento passado uma semana, quando um cientista da NASA, Ron Baalke, informou no Twitter.

Mais tarde, também através do Twitter, Hans M. Kristensen, investigador de armas nucleares, adiantou que a explosão ocorreu muito perto da base da Força Aérea de Thule, na Gronelândia. No entanto, a Base Aérea manteve-se muito silenciosa em relação ao fenómeno.

Agora, graças a uma feliz coincidência de tempo e espaço, temos novas provas para interpretar o evento da bola de fogo.

Em maio, alguns meses antes da bola de fogo irromper nos céus, os cientistas instalaram um sistema sísmico a apenas 70 quilómetros de Qaanaaq, num projecto chamado “Sismómetro para Investigar Gelo e Estruturas do Oceano” (SIIOS).

O objectivo do projecto é usar sismómetros para medir como podem acontecer terramotos em mundos gelados e luas (como a lua gelada de Júpiter Europa), usando análogos baseados na Terra (como o gelo da Gronelândia).

Os cientistas afirmam que o que podemos aprender sobre as espessas crostas de gelo que cobrem esses ambientes pode ser a chave para encontrar água em futuras missões no Espaço. No entanto, a mesma infra-estrutura pode também dar-nos uma visão única do que realmente aconteceu com a bola de fogo em Qaanaaq.

Num relatório apresentado na reunião anual da União de Geofísica Americana, em Washington, uma equipa liderada por Nicholas C. Schmer, da Universidade de Maryland, relatou que os sensores do sismómetro permitiram aos cientistas isolar um “evento sísmico candidato consistente com a trajectória do ponto de impacto projectado pela bola de fogo”.

Na prática, a actividade sísmica captada por vários sensores correlacionou o caminho do meteoro com o das ondas terrestres. A matriz permitiu também que os cientistas identificassem a localização exacta do impacto.

A investigação ainda não foi revisada por especialistas, mas os dados preliminares sugerem que o epicentro do impacto estava situado “nas proximidades da geleira de Humboldt, no manto de gelo da Gronelândia”.

Ainda há muita coisa por desvendar sobre a bola de fogo de Qaanaaq, mas graças à infra-estrutura do SIIOS temos agora uma pista consistente sobre o misterioso meteorito e, segundo os cientistas, uma novidade mundial no âmbito da pesquisa astronómica.

“Este candidato a evento de impacto sísmico registado por um sistema é o primeiro análogo sísmico de alta fidelidade para eventos de impacto do mundo gelado”, explicaram os autores.

Estas descobertas têm então implicações que se estendem além da Terra. Como este evento foi o primeiro registo de eventos de impacto em mundos cobertos de gelo, estas descobertas podem “informar a Ciência do impacto de objectos em todo o Sistema Solar“.

ZAP // ScienceAlert

Por ZAP
18 Dezembro, 2018

 

1322: Um meteorito pode ter aniquilado comunidade ancestral do vale do Jordão

CIÊNCIA

Hoshvilim / Wikimedia

O impacto de um meteorito pode ser a causa da erradicação de comunidades humanas do vale do Jordão, no norte do Mar Morto há 3.700 anos.

A datação por radio-carbono e minerais descobertos que instantaneamente cristalizaram em altas temperaturas indicam que uma enorme explosão causada por um meteoro que explodiu na atmosfera destruiu instantaneamente a civilização na planície circular de 25 quilómetros de extensão chamada Middle Ghor.

O evento também poderá ter impulsionado a salmoura borbulhante de sais do Mar Morto por mais de 11 terras agrícolas férteis, de acordo com Phillip Silvia, arqueólogo da Universidade Trinity Southwest, na sua apresentação na reunião anual do American Schools of Oriental Research.

Escavações em cinco grandes locais do Médio Oriente, no actual Jordão, indicam que todos foram continuamente ocupados por pelo menos 2.500 anos até um súbito colapso no final da Idade do Bronze. Estima-se que habitavam em Middle Ghor entre 40 a 65 mil pessoas quando a calamidade cósmica o território.

A evidência mais abrangente da destruição causada por uma explosão de um meteoro de baixa altitude vem da cidade de Tall el-Hammam, onde uma equipa tem escavado nos últimos 13 anos. A datação por radio-carbono indica que as paredes de tijolos de barro de quase todas as estruturas desapareceram de repente há cerca de 3.700 anos, deixando apenas fundações de pedra.

Além disso, as camadas externas de muitas peças de cerâmica do mesmo período mostram sinais de ter derretido.

Ventos de alta força criaram minúsculos grãos minerais esféricos que aparentam ter caído sobre Tall el-Hammam. A equipa identificou estes pedaços minúsculos de rocha em fragmentos de cerâmica no local.

Existem outros exemplos de rochas espaciais que explodiram, causando estragos na Terra. Uma aparente explosão de meteoros numa região pouco povoada da Sibéria em 1908 não matou ninguém, mas destruiu dois mil quilómetros quadrados de floresta. Já em 2013, uma explosão de meteoros em Chelyabinsk, na Rússia, feriu mais de 1.600 pessoas.

ZAP // RT / ScienceNews

Por ZAP
23 Novembro, 2018

 

1295: Cratera de meteorito com o tamanho de Lisboa descoberta na Gronelândia

Natural History Museum of Denmark / Cryospheric Sciences Lab / NASA Goddard Space Flight Center
Mapa da topografia rochosa

Uma equipa de cientistas descobriu, sob uma camada de gelo na Gronelândia, uma cratera com mais de 31 quilómetros de diâmetro, criada pelo impacto de um meteorito.

A cratera, descoberta por uma equipa internacional liderada por especialistas do Museu de História Natural da Universidade de Copenhaga, na Dinamarca, é uma das 25 maiores que se conhecem na Terra fruto do impacto de corpos celestes. Com 31km de diâmetro, tem uma área de cerca de 97km – sensivelmente a mesma dimensão de Lisboa.

Segundo a Universidade de Copenhaga, que divulgou a descoberta a 14 de Novembro na revista Science Advances, é a primeira vez que uma cratera é encontrada sob uma das camadas de gelo continentais da Terra.

A cratera foi originalmente descoberta em Julho de 2015 e uma grande equipa passou 3 anos a trabalhar para verificar a descoberta. “Descobertas extraordinárias têm evidências extraordinárias”, disse Kurt H. Kjær, do Museu de História Natural da Dinamarca.

A descoberta inicial partiu da análise de mais de uma década de dados de radar, recolhidos por investigadores entre 1997 e 2014 para o Programa de Avaliação do Clima Regional e Operação IceBridge da NASA.

Esta técnica usa o radar para espreitar através do gelo e construir um mapa topográfico do solo sob uma camada de gelo. Isto permite, por exemplo, a medição da espessura do gelo, o que pode ser útil na estimativa do derretimento do gelo devido ao aquecimento global.

Enquanto observavam os dados, os geólogos notaram algo realmente incomum: uma grande depressão circular sob o Glaciar Hiawatha. “Imediatamente soubemos que isto era algo especial, mas, ao mesmo tempo, sabíamos que seria difícil confirmar a origem da depressão”, disse Kjær.

Na investigação, que durou três anos, incluiu pesquisas com radares e recolha de amostras de sedimentos. A cratera, “excepcionalmente bem preservada”, de acordo com os especialistas, formou-se quando um meteorito de ferro que teria um quilómetro de largura atingiu o actual norte da Gronelândia, na zona do glaciar Hiawatha.

Os peritos sugerem, apesar de ainda não terem conseguido datar a cratera, que esta se terá formado depois de o gelo começar a cobrir a Gronelândia, situando o intervalo de tempo entre os três milhões de anos e os 12 mil anos.

A equipa científica vai agora tentar datar a cratera, um desafio que requer a recuperação de material que derreteu durante o impacto do meteorito. Sabendo a idade da cratera, será possível perceber como a queda do meteorito terá afectado a vida na Terra num determinado período.

ZAP // Lusa / Science Alert

Por ZAP
16 Novembro, 2018

 

1181: Encontrado o maior meteorito da história de França

Société Astronomique de France / Facebook
O maior meteorito de sempre encontrado em França com 477 quilos

De acordo com a Sociedade Astronómica de França, o meteorito de 477 quilos encontrado em Aube, a 200km de Paris, passou a ser o maior da história do país.

O meteorito foi encontrado por astrónomos franceses a 3 de Outubro em Aube, no nordeste do país, a cerca de 200 quilómetros de Paris.

O meteorito terá caído no planeta Terra há mais de 55 mil anos, segundo contam os especialistas franceses.

La plus grosse météorite française vient d’être découverteCet évènement s’est déroulé dans l’Αube sur le site de…

Publicado por Société Astronomique de France em Quinta-feira, 18 de Outubro de 2018

O comunicado da Sociedade Astronómica de França informa ainda que este meteorito passou a ser o maior alguma vez encontrado em território francês, ultrapassando o meteorito encontrado em Mont Dieu que pesava 435 quilos.

A perícia metalográfica realizada ao meteorito mostra que este fragmento faz parte do meteorito de Saint Aubin, descoberto em 1968.

Segundo as análises de fluorescência de raios-X, este meteorito apresenta 11% de níquel com vestígios de cobalto (0,7%) e de fósforo (0,1%).

Para o inicio de 2019, os cientistas prometeram a publicação de um extenso relatório sobre o corpo celeste.

Por ZAP
22 Outubro, 2018

 

1168: Mineral ultra-raro descoberto em antiga cratera de meteorito na Austrália

rickmach / Flickr

Um mineral ultra-raro que apenas se forma quando rochas espaciais atingem a crosta terrestre com uma enorme pressão foi encontrado na Austrália. Até ao momento, só foram encontrados seis exemplares deste mineral, conhecido como reidite, em todo o planeta.

Um grupo de cientistas da Curtin University descobriu um dos minerais mais raros da Terra no fundo de uma cratera de impacto de meteoritos, que é, provavelmente, a maior cratera de impacto já descoberta na Austrália.

O reidite é um mineral extremamente raro que só se forma quando um outro mineral, o zircão, é exposto a altas temperaturas e pressões. Ou seja, o forte impacto de um meteorito faz com que o zircão se transforme na rara substância que é o reidite.

Até então, só foram encontrados seis exemplares deste mineral em todo o planeta – nos EUA, na Alemanha, na China e na Índia. Desta vez, e pela primeira vez na Austrália, a raridade foi descoberta perto da baía de Shark, a 750 quilómetros da cidade de Perth.

Tal como notou o líder da investigação, Aaron Cavosie, este é um mineral de dimensões microscópicas. O especialista frisou ainda que, se todos os minerais de reidite já encontrados no planeta fossem juntos num só, teriam o tamanho de um grão de arroz.

A cratera onde o mineral foi descoberto está enterrada debaixo de rochas sedimentares e o seu tamanho é ainda desconhecido. Os investigadores estão agora a tentar definir as características da cratera, e caso esta tenha um diâmetro superior a 100 quilómetros – como é esperado -, esta será a maior cratera de impacto já descoberta na Austrália.

Um cratera 100 quilómetros de diâmetro implica que o impacto do objecto espacial fosse capaz de causar uma catástrofe natural. Em termos de comparação, a cratera de Chicxulub – associada à extinção dos dinossauros há cerca de 66 milhões de anos – tem um diâmetro de 180 quilómetros.

Os cientistas pretendem ainda datar com mais precisão a cratera. As estimativas actuais apontam que esta terá cerca de 360 milhões de anos.

Por ZAP
20 Outubro, 2018

 

1112: Usava uma pedra como calço que é, afinal, um meteorito de 100 mil dólares

O meteorito, que estava na posse do homem há 30 anos, é o sexto maior alguma vez identificado no estado do Michigan, nos EUA

Imagem do meteorito retirada do vídeo publicado pela universidade no Youtube
© DR

Já se cruzou com alguma rocha que lhe parecia vinda do espaço? David Mazurek, um homem do estado do Michigan, nos EUA, quis saber mais sobre a pedra que usava como calço para impedir que uma porta se fechasse, há 30 anos, e descobriu que era, afinal, um meteorito. Mas as surpresas não ficam por aí: é o sexto maior já encontrado naquele estado e está avaliado em 100 mil dólares (aproximadamente 87 mil euros).

Quem examinou a peça foi Mona Sirbescu, professora de Geologia na Universidade Central do Michigan, que está habituada a receber muitos pedidos semelhantes, ou seja, para avaliar se uma determinada rocha é um meteorito. “Há 18 anos que a resposta é categoricamente ‘não'”, disse, citada num comunicado publicado na página da instituição.

Desta vez, Mona percebeu que estava diante de uma peça especial. “É o espécime mais valioso que já vi na vida, monetária e cientificamente”, afirmou.

De acordo com a análise, trata-se de um meteorito de cerca de 10 quilos, com aproximadamente 88% de ferro e 12% de níquel, um metal que raramente se encontra na Terra. Uma avaliação validada pelo Instituto Smithsonian, em Washigton DC.

David Mazurek encontrava-se na posse do meteorito desde 1988, altura em que comprou uma fazenda em Edmore, no estado do Michigan. Segundo os relatos do dono da quinta, a “pedra” estará na Terra desde 1930. Nesse ano, o homem e o pai viram uma rocha cair no terreno, fazendo uma “barulheira”. No dia seguinte, aperceberam-se da existência de uma cratera, e acabaram por desenterrar o meteorito, “ainda quente”.

Quando comprou a propriedade, foi-lhe dito que aquela rocha que segurava a porta era um meteorito, e que podia ficar com ele. Durante 30 anos, David continuou a usá-lo com o mesmo propósito, mas servia também para fazer apresentações na escola dos filhos.

Recentemente, o homem descobriu que havia pessoas a vender pedaços de meteoritos, o que o levou a tentar confirmar a origem daquela rocha.

De acordo com o comunicado a universidade, o Instituto Smithsonian pondera comprar o meteorito – entretanto baptizado como Edmore – para o colocar em exposição. Independentemente do valor que vier a receber, o dono já prometeu doar 10% da receita à universidade, para que seja usado para financiar estudantes na área das ciências da Terra e da atmosfera.

Diário de Notícias
Joana Capucho
06 Outubro 2018 — 20:53