2560: Alimentar vacas com esta alga cor-de-rosa pode ajudar a combater as alterações climáticas

CIÊNCIA

Jean-Pascal Quod / Wikimedia
A alga Asparagopsis taxiformis

Uma alga rosada que cresce em águas tropicais temperadas pode vir a ser uma enorme ajuda para combater as alterações climáticas.

De acordo com o Science Alert, investigadores australianos estão a tentar encontrar uma forma de produzir em massa — mas de forma sustentável — a Asparagopsis taxiformis, uma vez que há, cinco anos, um estudo mostrou que esta alga quase anulou por completo a libertação de metano expelido pelas vacas.

“Quando adicionado à ração, mesmo que seja a menos de 2% desta, a alga elimina completamente a produção de metano. A alga contém substâncias químicas que reduzem os micróbios nos estômagos das vacas que as fazem arrotar quando comem erva”, explica o biólogo de aquacultura Nick Paul, da Universidade de Sunshine Coast, citado num comunicado.

Paul foi um dos membros da equipa australiana que, em 2014, analisou 20 diferentes espécies de macro-algas tropicais para identificar se alguma conseguiria reduzir a produção de metano libertada pelo gado. Das candidatas testadas, a A. taxiformis revelou ser a mais eficaz, inibindo 98,9% da produção de metano dos animais após 72 horas.

Tal como recorda o site, embora o metano represente uma fonte global muito menor de poluição atmosférica do que o dióxido de carbono (CO2), o seu potencial de retenção de calor torna-o muito mais prejudicial do que o CO2, especialmente a curto prazo.

Ao longo de 100 anos, o metano atmosférico é cerca de 28 vezes mais eficaz na captura de calor do que o CO2 e, num período de 20 anos, estima-se que seja ainda 100 vezes pior.

Com isso em mente — e com o facto de o gado ser responsável por cerca de 14,5% de todas as emissões antropogénicas de gases de efeito estufa (65% dos quais se devem ao gado bovino) – fica então claro que esta pode vir a ter um papel fundamental.

O desafio agora é perceber como aumentar a produção e o crescimento destas algas, de forma a que consigam alimentar as vacas de toda a Austrália e, a longo prazo, de todo o mundo.

“Esta alga despertou interesse global e pessoas em todo o mundo estão a trabalhar para garantir que as vacas sejam saudáveis e que a carne e o leite sejam de boa qualidade. A única coisa que falta, e que vai fazer com que isto funcione à escala global, é garantir que podemos produzir as algas de forma sustentável“, afirma Paul.

Com esse objectivo, Paul e a sua equipa estão a tentar encontrar óptimas condições de crescimento das algas, estudando o seu crescimento em grandes tanques de aquacultura ao ar livre, enquanto também investigam maneiras de maximizar a concentração dos compostos químicos activos das algas.

Uma das dificuldades é descobrir como fazer com que uma alga se torne algo semelhante a uma safra agrícola que pode ser colhida noutros tipos de ambientes.

ZAP //

Por ZAP
1 Setembro, 2019

 

2498: O desaparecimento de metano em Marte foi resolvido. Mas ainda há perguntas por responder

CIÊNCIA

ATG Medialab / ESA

Cientistas planetários têm estudado aparentes discrepâncias entre as concentrações de metano registadas pelo Curiosity Rover e pelo ExoMars Trace Gas Orbiter.

Supunha-se que alguém deveria estar errado, mas havia um forte desentendimento sobre qual. Uma nova investigação mostra que ambas as leituras estavam certas e as diferenças representavam o tempo das suas medições.

Este é um passo necessário para descobrir se o metano é um subproduto da vida ou o resultado de algum processo geológico. A sonda Curiosity tem registado picos de concentração de metano há anos.

Na Terra, o metano é frequentemente – mas nem sempre – um subproduto de microrganismos metanogénicos, de modo que estes picos despertaram grande excitação. No entanto, quando o Orbiter não gravou a mesma coisa, surgiram especulações de que o detector tinha algum defeito. Havia até uma teoria de que a Curiosity estava a libertar o metano que estava a registar.

No entanto, John Moores, da Universidade York do Canadá, observou que as amostras da Curiosity foram tiradas a meio da noite, enquanto o ExoMars mediu à luz do dia, e perguntou-se se havia um padrão diário, além do ciclo anual previamente identificado. Moores persuadiu a equipa Curiosity a fazer leituras pouco antes do amanhecer e demonstrou que o seu palpite estava certo.

Num artigo publicado na revista especializada Geophysical Research Letters, Moores e Penny King, da Universidade Nacional Australiana, reuniram as observações. King explicou à IFLScience que durante a convecção de Marte o dia faz com que o ar suba e a atmosfera se expanda, antes de se contrair novamente à noite.

“A atmosfera da Terra faz o mesmo”, acrescentou, “mas num grau muito menor”. Esse fenómeno era bem conhecido, mas ninguém o ligou às medições de metano.

O encolhimento atmosférico nocturno concentra a pequena quantidade de metano presente na atmosfera de Marte, perto do solo onde a Curiosity a colhe, explicando as suas leituras mais altas.

A Curiosity fez as medições à noite porque muitas das suas outras funções só funcionam durante o dia, por isso os processos que podem acontecer a qualquer momento são desviados para as horas na escuridão para evitar interferências.

Moores e King usaram os dados combinados dos dois conjuntos de medições para calcular que a Cratera Gale, que a Curiosity está a explorar, está a libertar 2,8 quilos de metano todos os dias de Marte. Dado o diâmetro de 154 quilómetros de Gale, essa é uma quantidade pequena – mas significativa – na fina atmosfera marciana.

Quanto ao que está por trás do metano, isso permanece um mistério. “Alguns micróbios da Terra podem sobreviver sem oxigénio, no subsolo e libertar metano como parte dos seus resíduos”, disse King em comunicado. “O metano em Marte tem outras fontes possíveis, como reacções de rochas aquáticas ou materiais em decomposição que contém metano.”

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Por ZAP
23 Agosto, 2019

 

2277: Desaparecimento do metano em Marte: investigadores propõem novo mecanismo como explicação

Simulação da erosão do vento em Marte. A ampola de quartzo contém partículas de basalto olivina e uma atmosfera semelhante à de Marte. Ao agitar a ampola, os investigadores simulam um cenário gerado pelo vento, ou seja, o vento faz com que os grãos de areia saltem sobre a superfície. O atrito das partículas cria cargas eléctricas e a estrela amarela ilustra que um átomo de árgon perdeu um electrão. As pequenas cargas electrificas fazem com que as partículas brilhem ligeiramente, conforme ilustrado nas quatro imagens à direita.
Crédito: Laboratório de Simulação de Marte, Universidade de Aarhus

Os processos por trás da libertação e do consumo de metano em Marte são já discutidos desde que o elemento químico foi medido pela primeira vez há aproximadamente 15 anos atrás. Agora, um grupo multidisciplinar de investigação da Universidade de Aarhus (Dinamarca) propôs um processo físico-químico anteriormente negligenciado que pode explicar o consumo de metano.

Há cerca de 15 anos atrás, estaríamos a ler pela primeira vez acerca de metano na atmosfera de Marte. Isto despertou grande interesse, também fora dos círculos científicos, já que o metano, com base no nosso conhecimento do elemento cá na Terra, é considerado uma bio-assinatura, isto é, sinais de actividade biológica e, portanto, vida.

Nos anos seguintes, pudemos ler artigos que informaram alternativamente sobre a presença e ausência de metano. Esta variação levou a dúvidas sobre a precisão das primeiras medições de metano. Medições recentes de metano na atmosfera de Marte mostraram agora que a sua dinâmica é bastante real e o facto de que às vezes apenas podem ser medidas apenas concentrações muito baixas pode ser atribuído a um mecanismo por descobrir que faz com que o metano desapareça da atmosfera e não a uma medição incorrecta.

As fontes de metano ou as causas do seu desaparecimento, até ao momento, ainda não foram identificadas. Especialmente esta última, o rápido desaparecimento do metano, carece de uma explicação plausível. O mecanismo mais óbvio, nomeadamente a degradação fotoquímica do metano provocada pela radiação UV, não pode explicar o rápido desaparecimento do metano, pré-requisito para a explicação da dinâmica.

Erosão e química

Um grupo multidisciplinar de investigadores da Universidade de Aarhus acabou de publicar um artigo na revista Icarus no qual propõem um novo mecanismo que pode explicar a remoção de metano em Marte. Durante anos, este grupo multidisciplinar investigou a importância da erosão de minerais para a formação de superfícies reactivas sob condições parecidas às de Marte. Para este propósito, o grupo de investigação desenvolveu equipamentos e métodos para simular a erosão em Marte nos seus laboratórios “terrestres”.

Com base em minerais análogos de Marte, como basalto e plagióclase, os investigadores mostraram que estes sólidos podem ser oxidados e os gases ionizados durante os processos de erosão. Assim, o metano ionizado reage com as superfícies minerais e liga-se a elas. A equipa de investigação mostrou que o átomo de carbono, como o grupo metila do metano, liga-se directamente ao átomo de silício na plagióclase, que também é um componente dominante do material da superfície de Marte.

O que os cientistas vêm no laboratório também pode explicar a perda de metano em Marte. Através deste mecanismo, que é muito mais eficaz do que os processos foto-químicos, o metano pode ser removido da atmosfera dentro do tempo observado e depois depositado no solo marciano.

Afecta a possibilidade de vida

O grupo mostrou ainda que estas superfícies minerais podem levar à formação de substâncias químicas reactivas, como peróxido de hidrogénio e radicais de oxigénio, que são muito tóxicos para os organismos vivos, incluindo bactérias.

Os resultados do grupo são importantes para avaliar a possibilidade de vida à superfície de Marte ou logo abaixo. Em vários estudos de acompanhamento, os investigadores vão agora examinar o que está a acontecer com o metano ligado e se o processo de erosão, além dos gases na atmosfera, também muda ou até remove completamente o material orgânico mais complexo, que pode ter origem em Marte ou ter chegado a Marte como parte de meteoritos.

Assim sendo, os resultados têm um impacto sobre a nossa compreensão da preservação do material orgânico em Marte e, portanto, sobre a questão fundamental da vida em Marte – entre outros aspectos, em ligação com a interpretação dos resultados do próximo rover ExoMars, que a ESA deverá fazer pousar em Marte em 2021.

Astronomia On-line
5 de Julho de 2019

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2245: O pico de metano detectado em Marte desapareceu (e o mistério cresce)

CIÊNCIA

NASA
A sonda norte-americana Curiosity

O pico de metano – gás associado à existência de vida na Terra – detectado na semana passada pelo rover Curiosity em Marte desapareceu poucos dias depois da sua identificação, adensando o mistério sobre a presença deste composto no Planeta Vermelho.

A equipa que monitoriza o rover da NASA levou a cabo um ensaio de acompanhamento sobre o pico de metano detectado na semana em Marte.

Os novos resultados mostraram que os níveis deste gás diminuíram consideravelmente, tendo-se registado menos de 1 parte por mil milhões de volume de metano – valor muito próximo dos números que o Curiosity encontra normalmente. O valor detectado na semana passada rondava as 21 partes por mil milhões de volume de metano.

A descoberta sugere que a detecção da semana passada, a maior quantidade deste gás já encontrado pelo rover, foi resultado de uma das plumas transitórias de metano já observadas no passado em Marte. Embora os cientistas tenham observado estes níveis a oscilar de acordo com a estação, os especialistas não encontraram ainda um padrão.

O mistério do metano continua“, disse Ashwin Vasavada, cientista do projecto Curiosity no Laboratório de Propulsão a Jacto da NASA em Pasadena, no estado norte-americano da Califórnia, citado em comunicado. “Estamos mais motivados do que nunca para continuar a medir e a unir os nossos cérebros para descobrir como é que o metano se comporta na atmosfera marciana”, acrescentou na mesma nota.

O rover da NASA não está equipado com instrumentos que possam concluir de forma definitiva se a fonte de metano é de origem biológica ou geológica. Uma compreensão mais clara deste picos, aliada a medições coordenadas por outras missões, poderia ajudar os cientistas a determinar a localização destas fontes de gás e a definir a sua duração.

ZAP //

Por ZAP
28 Junho, 2019

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2223: NASA encontra nuvens de metano em Marte (e aguarda notícias de vida)

NASA / JPL-Caltech
Auto-retrato de ângulo baixo do rover Curiosity, da NASA

A sonda espacial Curiosity, da NASA, detectou elevado níveis de emissão de metano na superfície de Marte. A presença do gás, normalmente produzido por seres vivos, pode ser evidência de vida bacteriana no planeta vermelho.

A descoberta, que aconteceu durante uma medição realizada na passada quarta-feira pela sonda Curiosity: o rover detectou nuvens com elevados níveis de metano em Marte. Os dados chegaram à Terra na sexta-feira, deixando em euforia os cientistas da NASA.

A agência espacial norte-americana ainda não anunciou a descoberta, que foi divulgada este sábado pelo jornal norte-americano The New York Times.

“Perante este resultado surpreendente, reorganizámos o fim-de-semana para conduzir experiências de confirmação”, diz o cientista responsável pela missão, Ashwin Vasavada, num email dirigido à sua equipa, a que o jornal norte-americano teve acesso.

A presença no Planeta Vermelho de níveis significativos deste gás, que normalmente é produzido biologicamente, poderá ser um indício da existência de vida microbiana em Marte.

Em 2012, o Curiosity esteve à procura de metano no planeta vermelho, sem sucesso. No ano seguinte, a sonda detectou um pico repentino, de 7 partes por mil milhões, que se manteve observável durante dois meses.

A Curiosity detectou agora 21 partes por mil milhões de volume de metano — a maior quantidade alguma vez medida durante as missões de exploração que a NASA conduz desde 1972 em Marte. O rover não é, no entanto, capaz de determinar a origem do metano descoberto.

A descoberta deste nível de metano à superfície do planeta reforça a esperança de que possa ter havido algum tipo de vida em Marte – nomeadamente vida microbiana – e que os seus descendentes possam ter sobrevivido no subsolo até hoje.

Mas apesar de a maior parte do metano produzido na Terra ser de origem biológica, há também metano produzido por reacções geotérmicas, não biológicas.

É portanto possível que o metano encontrado seja de origem geológica e tenha estado retido no subsolo de Marte durante milhões de anos — escapando agora através de alguma eventual fenda.

Thomas Zurbuchen, administrador da NASA e director da missão, confirmou entretanto a notícia no seu perfil no Twitter, mas salienta que é necessário aguardar mais resultados. “Sendo esta uma descoberta excitante, não significa necessariamente que haja vida em Marte, porque o metano pode ser criado por interacções entra água e rochas”.

Thomas Zurbuchen @Dr_ThomasZ

.@MarsCuriosity rover found the largest amount of methane ever measured during the mission. Although this is an exciting discovery, it doesn’t necessarily mean life exists because methane can be created through interactions between rocks & water. Details: https://www.nasa.gov/feature/jpl/curiosity-detects-unusually-high-methane-levels 

Durante o fim-de-semana, a Curiosity recebeu novas instruções e realizou medições de follow-up, para confirmar os dados obtidos a semana passada. Os resultados devem chegar esta segunda-feira à Terra, onde a equipa de Ashwin Vasavada aguarda (com incontida  ansiedade) por um sinal de vida.

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Por ZAP
24 Junho, 2019

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1795: Confirmada finalmente a existência de metano em Marte

Kevin Gill / Flickr

Um grupo independente de cientistas diz ter detectado sinais da existência de metano numa cratera em Marte.

As primeiras provas da existência dessa molécula orgânica — substâncias que têm pelo menos um átomo de carbono — em Marte foram encontradas através da Mars Express, uma sonda da Agência Espacial Europeia (ESA) enviada para a órbita do planeta em 2003. Nos últimos anos, essa existência tem sido posta em causa. Agora há mais provas a sustentá-la, diz um artigo publicado na Nature.

Este é o mais recente capítulo na saga da busca por metano em Marte, que começou em 2004 quando ESA anunciou ter encontrado quantidades pequenas de metano na atmosfera do planeta, mas que entretanto já sofreu muitas reviravoltas. A 30 de Março de 2004, a ESA confirmou a existência de uma concentração de dez partes em mil milhão de metano na atmosfera marciana.

Logo à época se conjecturou que deve haver um mecanismo que reabastece a atmosfera de metano: se assim não fosse, sobreviveria pouco tempo no ar — centenas de anos — já que oxida rapidamente para dar origem a água e dióxido de carbono.

A presença de metano num planeta despertou imediatamente o interesse dos cientistas em Terra. O metano é um composto orgânico que, na Terra, é libertado para a atmosfera quando a matéria orgânica entra em decomposição.

Encontrar metano em Marte podia significar, especulavam os cientistas à época, que o Planeta Vermelho podia ter tido vida no passado – ou, no mínimo, podia ter condições de habitabilidade.

Quando a agência europeia deu o sinal de alerta para a existência de metano no planeta aqui do lado, a NASA, que é a agência espacial norte-americana, preparou o rover Curiosity para levar até Marte um instrumento que confirmaria se havia mesmo metano por lá.

A primeira experiência aconteceu entre Outubro de 2012 e Junho de 2013, mas não deu frutos: a máquina não encontrou quaisquer concentrações de metano no planeta. Só à segunda experiência, começada em Junho de 2013, é que o Curiosity encontrou os mesmos sinais e detectou metano durante quatro meses.

Mas nem as descobertas da NASA unidas às da ESA foram suficientes para ter certezas absolutas. O rover Curiosity encontrou concentrações muito baixas de metano na segunda experiência: 0,25 partes por mil milhão durante o inverno e 0,65 partes por mil milhão no verão, com alguns picos que podiam chegar às 7 partes por mil milhão.

Isto foi o suficiente para teorizar que havia uma espécie de sistema cíclico de libertação de metano em Marte que reabastecia a atmosfera de tempos a tempos. Mas não passava de uma teoria: eram valores tão residuais que caíam nas margens de erro dos computadores. O metano até podia ter vindo da Terra a bordo do Curiosity.

O ExoMars Trace Gas Orbiter, uma sonda enviada pela ESA que chegou a Marte em 2016, não encontrou de metano no planeta desde que lá tinha chegado. No entanto, as conclusões publicadas na Nature Geoscience podem dar uma lufada de ar fresco à ideia de haver metano no Planeta Vermelho. Os cientistas encontraram a assinatura do metano nos dados recolhidos pela ExoMars em 2013. Mas isso não significa que já houve, há ou vai haver vida em Marte.

O metano em Marte pode vir de um processo que havia nos primeiros anos da Terra chamado serpentinização. Esse fenómeno acontece quando uma rocha chamada olivina, uma das primeiras a formar-se na Terra e que existe em abundância na Lua, entra em contacto com a água.

Quando isso acontece dá-se uma reacção química que liberta metano. “De acordo com tudo o que sabemos até este momento é que isso também pode ter acontecido nos primeiros anos de Marte. Que o metano ficou guardado em bolsas e que agora é libertado, de tempos a tempos, para a atmosfera”, explica Joana Lima, astro-bióloga no Centro de Astrobiologia de Madrid ao Observador.

Na Terra, este processo de “serpentinização” esteve na origem da vida no nosso planeta: “A serpentinização ajudou à formação da vida em Terra. A primeira forma de vida foi unicelular. Eram ciano-bactérias que usavam o metano para gerar energia. E era assim porque o metano é uma molécula muito simples, extremamente fácil de quebrar por microorganismos. Não precisavam de ser muito evoluídos”, conclui.

ZAP //

Por ZAP
2 Abril, 2019

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1689: O metano na atmosfera está a aumentar (e os cientistas estão preocupados)

WildEarth Guardians / Flickr

Os cientistas gostam de mistério e têm um novo enigma por resolver – e envolve metano, um gás de efeito de estufa potente.

Há vinte anos, o nível de metano na atmosfera parou de aumentar, dando à humanidade uma pequena folga no que se tratava de desacelerar a mudança climática. Mas a concentração começou a subir novamente em 2007 – e está a aumentar o ritmo nos últimos quatro anos, de acordo com um novo estudo.

Os cientistas ainda não descobriram a causa, mas dizem que uma coisa é clara: este aumento poderia colocar em risco o acordo climático de Paris. Isto porque muitos cenários para atingir os objectivos assumiram que o metano estaria a cair agora, ganhando tempo para enfrentar o desafio de longo prazo de reduzir as emissões de dióxido de carbono.

“Eu não quero correr e chorar mas é algo que é muito preocupante”, disse Euan Nisbet, cientista na Royal Holloway, Universidade de Londres.

O metano é produzido quando o material morto se decompõe sem muito oxigénio. Na natureza, escoa de zonas húmidas alagadas, pântanos e sedimentos. Os incêndios florestais também produzem algum metano.

Hoje em dia, no entanto, as actividades humanas produzem cerca de metade de todas as emissões de metano. Derrames de operações com combustíveis fósseis são uma grande fonte, assim como a agricultura – especialmente a criação de gado, que produz metano nas suas entranhas. Até os montes de lixo que apodrecem nos aterros produzem o gás.

A atmosfera contêm muito menos metano do que dióxido de carbono. Mas o metano consegue capturar mais calor e uma tonelada de gás causa 32 vezes mais aquecimento do que uma tonelada de CO2 ao longo de um século. Molécula a molécula, o metano “causa um impacto maior”, disse Debra Wunch, física atmosférica da Universidade de Toronto.

Durante dez mil anos, a concentração de metano na atmosfera ficou abaixo de 750 partes por mil milhões (ppb). Começou a subir no século XIX e continuou a subir até meados dos anos 90. Ao longo do caminho, causou até um terço do aquecimento que o planeta experimentou desde o início da Revolução Industrial.

Os cientistas acreditavam que os níveis de metano podem ter atingido um novo equilíbrio e que os esforços para reduzir as emissões poderão reverter a tendência histórica. “A esperança era de que o metano estivesse a começar a sua trajectória para baixo”, disse Matt Rigby, cientista da Universidade de Bristol, na Inglaterra. “Mas vimos exactamente o oposto: está a crescer constantemente há mais de uma década.”

Os cientistas apresentaram várias explicações. Poderiam estar a crescer as emissões de combustíveis fósseis ou a agricultura? Um aumento na produção de metano em áreas húmidas? Mudanças na taxa em que o metano reage com produtos químicos na atmosfera?

Nisbet e a sua equipa examinaram se alguma destas hipóteses se sincronizava com a mudança na assinatura química do metano na atmosfera. Algumas moléculas de metano pesam mais que outras, porque alguns átomos de carbono e hidrogénio são mais pesados ​​que outros. O peso médio do metano na atmosfera está a ficar mais leve.

Isto parece implicar fontes biológicas, como zonas húmidas e gado, que tendem a produzir metano leve. Daniel Jacob, um químico atmosférico de Harvard, disse que a explicação se enquadra na sua própria investigação. Os resultados sugerem que a maior parte do metano vem dos trópicos, que abrigam vastas áreas húmidas e uma grande proporção do gado.

Estimativas de emissões de minas de carvão e poços de petróleo e gás sugerem que as contribuições de combustíveis fósseis também estão a aumentar, mas essas fontes geralmente libertam moléculas mais pesadas de metano, o que entra em conflito com as observações atmosféricas.

Os incêndios criam uma versão ainda mais pesada do metano e a queima agrícola – particularmente nos países em desenvolvimento – parece ter diminuído. Uma queda nessa fonte de metano ultra-pesado tornaria o metano atmosférico mais leve mascarando um aumento nas emissões de combustíveis fósseis.

Nisbet e os colegas concluíram que não podem descartar nenhuma das explicações. “Podem estar todos a acontecer”, disse.

Os cientistas temiam que o descongelamento de sedimentos e solos árcticos pudesse libertar grandes quantidades de metano, mas até agora não há provas disso. Nisbet disse que teme que o aumento dos níveis de metano possa ser um sinal de um ciclo perigoso: a mudança climática pode fazer com que as zonas húmidas se expandam e permitam que o meio ambiente sustente mais animais, levando a ainda mais emissões de metano. “Parece claramente que o aquecimento está a alimentar o aquecimento”, disse.

Se o metano continuar a aumentar, os investigadores dizem que poderia comprometer seriamente os esforços para manter a temperatura do planeta sob controlo. Reduzir as emissões de CO2 para atingir as metas climáticas é uma tarefa difícil, mesmo sem o metano extra.

ZAP // Phys

Por ZAP
9 Março, 2019

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1505: Choveu metano a norte de Titã, a maior lua de Saturno

NASA / JPL-Caltech
As imagens foram capturadas na última missão da sonda Cassini

Uma equipa de cientistas descobriu evidências de chuva de metano no pólo norte de Titã, a maior lua de Saturno. Identificado graças às imagens da última missão espacial da sonda Cassini, o fenómeno meteorológico aponta para o início do verão no hemisfério norte do satélite natural.   

Quando Cassini chegou à orbita de Saturno, em meados de 2004, era verão no hemisfério sul de Titã. Anos depois, em 2011, as mudanças atmosféricas foram interpretadas pelos cientistas como o início do inverno no sul do satélite. Contudo, as chuvas esperadas no norte não chegaram a ser detectadas.

“Toda a comunidade [que estuda] Titã estava à espera para ver as nuvens e as chuvas no pólo norte do satélite, o que indicaria o início do verão setentrional. Contudo, e apesar das previsões dos modelos climáticos, nem sequer vimos nuvens”, disse o físico Rajani Dhingra, da Universidade norte-americana de Idaho em Moscovo. O cientista precisou que o fenómeno acabou por ser baptizado como o “curioso caso das nuvens perdidas”.

Depois de todo o tempo de espera, foram finalmente encontradas evidências de chuva a norte de Titã. A equipa de investigação encontrou uma região estranha e brilhante que ocupa cerca de 120 quilómetros da superfície da lua. A área, que não tinha sido até então detectada em imagens anteriores, foi obtida através do espectrómetro de mapeamento visual e infravermelho (VIMS) da sonda Cassini a 7 de Julho de 2016.

“Com base no brilho geral, nas características espectrais e no contexto geológico, atribuímos a nova característica encontrada às espectaculares reflexões de uma superfície sólida molhada pela chuva – como uma calçada molhada reflectida pelo Sol”, exemplificaram os autores no artigo científico, esta semana publicado na revista especializada Geophysical Research Letters.

Segundo escrevem na publicação, o brilho visível é resultado da chuva de metano numa superfície semelhante a uma pedra, seguida, provavelmente, de um período de evaporação. Esta é a primeira evidência de chuva de verão no hemisfério norte de Titã.

Não obstante ao facto deste satélite natural ser bastante diferente da Terra, o seu clima é bastante semelhante ao nosso planetas em vários aspectos: uma estação em Titã dura, em média, 7,5 anos terrestre, embora a sua duração varie, uma vez que a órbita de Saturno é irregular.

ZAP //

Por ZAP
21 Janeiro, 2019

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