1367: O misterioso Oumuamua pode não estar sozinho

M. Kornmesser / European Southern Observatory
Impressão de artista do primeiro asteróide interestelar:Oumuamua.

O Oumuamua pode não estar sozinho. Milhares de objectos semelhantes ao “Mensageiro das Estrelas”, tal como ficou celebrizado o primeiro asteróide interestelar, podem estar presos no Sistema Solar, aponta uma investigação.

De acordo com um novo estudo, recentemente disponibilizado para pré-visualização no arXiv.org, milhares de objectos semelhantes ao Oumuamua podem estar presos no Sistema Solar, sendo que centenas das suas órbitas podem ser identificadas e quatro destes objectos já terão mesmo sido observados.

A publicação que agora aguarda revisão da revista da Monthly Notices of the Royal Astronomical Society foi liderada pelo investigador Amir Siraj, um estudante de Astronomia da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, e pelo professor da mesma instituição, Abraham Loeb, que sugeriu recentemente numa outra investigação que o Oumuamua poder ser um objecto artificial, nota a Europa Press.

Siraj e Loeb decidiram explorar as propriedades orbitais de possíveis objectos interestelares capturados no Sistema Solar de forma a identificar quantos objectos seriam semelhantes ao Oumuamua. 

Neste sentido, realizaram simulações dinâmicas de objectos semelhantes a asteróides para ver como é que estes seriam quando capturados pelo sistema Júpiter-Sol. Os cientistas recorreram a condições aleatórias para determinar as órbitas que estes objectos teriam. Posteriormente, compararam os resultados destas simulações com os dados do telescópio Pan STARRS – o telescópio localizado no Havai que descobriu o “Mensageiro das Estrelas” a 19 de Outubro de 2017.

Estas comparações produziram aproximadamente um destes objectos – que se acredita ter cerca de 100 metros de comprimento, tal como o Oumuamua – pelo volume definido pelo movimento da Terra em torno do Sol.

No total, cada sistema planetário precisa de expulsar 10.000 mil milhões de objectos deste tipo durante a sua vida útil, nota a publicação. Destes objectos, uma pequena fracção fica aprisionada no Sistema Solar, porque os objectos passam perto de Júpiter, perdendo energia através da sua interacção gravitacional com o planeta.

O sistema Sol-Júpiter actua como uma rede de pesca que abriga alguns milhares de objectos capturados a qualquer momento, explicou Loeb em declarações à Forbes. Os objectos acabam por ser expulsos do sistema, contudo novos são capturados e, por esse mesmo motivo, mantém-se uma população estável.

Sinteticamente, os cientistas descobriram, através de simulações computorizadas, que o nosso Sistema Solar pode estar repleto de milhares de objectos semelhantes ao misterioso Oumuamua e que centenas podem ser identificados a partir das suas órbitas. Os especialistas de Harvard identificaram ainda quatro potenciais objectos interestelares.

De acordo com os cientistas, o fenómeno pode ser mais comum do que se pensava até então.Os cientistas estimam ainda que o telescópio LSST – que está actualmente em construção, devendo ficar operacional em início de 2022, será capaz de descobrir dezenas destes objectos “aprisionados”.

Os quatro potenciais candidatos

Siraj e Loeb identificaram ainda quatro candidatos específicos para os objectos presos descritos no seu estudo. De acordo com os especialistas, estes objectos podem ter sido descobertos em pesquisas anteriores. Os objectos são designados como 2011 SP25, 2017 RR2, 2017 SV13 e 2018 TL6, localizados de 8,26 a 23,65 unidades astronómicas em relação ao Sol, tendo uma órbita com período entre 23,76 a 115 anos.

“Como estes objectos estão presos, podemos ‘voar’ através deles, tirar uma fotografia ou pousar na sua superfície”, disse Loeb em declarações ao Universe Today. Desta forma, conseguiremos “conhecer a sua estrutura, composição e origens, além de permitir inferir melhor as condições existentes nos seus viveiros fora do Sistema Solar e, finalmente, permitir-nos identificar objectos de origem artificial”.

Estudar estes objectos implicaria avanços extraordinários para a Ciência. Assumindo que estes objectos se originaram naturalmente, o seu estudo irá revelar dados sobre as condições de outros sistemas planetários, o que poderia evitar a constante necessidade de enviar sondas interestelares para explorá-los.

Por outro lado, tal como Loeb apontou, se de facto estes objectos são objectos artificias, como, por exemplo, restos de sondas alienígenas – como foi sugerido para o Oumuamua -, as implicações seriam muito maiores.

“Isto será revolucionário, pois mostrará que não estamos sozinhos e lançará luz sobre as tecnologias avançadas além das que já possuímos. [Esta descoberta] tem o potencial de poder ser o resultado mais importante para a Ciência e a Tecnologia dos próximos séculos”, rematou o cientistas.

ZAP // Europa Press

Por ZAP
3 Dezembro, 2018

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1249: O “Mensageiro das Estrelas” afinal pode mesmo ser uma nave espacial

M. Kornmesser / European Southern Observatory
Impressão de artista do primeiro asteróide interestelar: Oumuamua.

Um objecto interestelar que permanece um mistério: eis Oumuamua. Cientistas de Harvard levantam agora a hipótese de que o “Mensageiro das Estrelas” possa ser, afinal, uma sonda totalmente operacional enviada intencionalmente à vizinhança terrestre por uma civilização alienígena.

19 de Outubro de 2017. Foi nesta data que o Panoramic Survey Telescope and Rapid Response System-1 (Pan-STARRS-1), no Havai, anunciou a primeira detecção de um asteróide interestelar. Baptizado de Oumuamua, este objecto espacial causou uma grande discussão na comunidade científica.

Com o tempo, foram surgindo novos dados que desmistificaram este objecto e, curiosamente, foram crescendo também as desconfianças de que Oumuamua pudesse ser uma nave interestelar.

Um estudo recente, realizado por astrónomos da Harvard Smithsonian Center for Astrophysics (CfA), deu um passo à frente nesta teoria, sugerindo que o Oumuamua pode mesmo ser uma nave espacial de origem alienígena.

O estudo, publicado no The Astrophysical Journal Letters este mês, levanta a ponta do véu sobre esta teoria de que o objecto espacial com aproximadamente 400 metros de comprimento e 40 metros de largura, pode, afinal, ser “um veleiro de origem artificial”, indicando que pode ter sido construído por uma civilização alienígena altamente avançada.

Oumuamua foi visto pela primeira vez quando já estava a abandonar o Sistema Solar. Na altura, os astrónomos afirmaram que o objecto parecia ter uma alta densidade, que indicava uma composição rochosa, e que estava a girar muito rapidamente.

Apesar de não mostrar qualquer sinal de fuga de gás quando passou perto do Sol, o que teria indicado que Oumuamua era um cometa, uma equipa de cientistas conseguiu obter espectros que indicavam que o objecto era mais gelado do que se pensava.

Quando fugia do Sistema Solar, o telescópio Hubble conseguiu tirar algumas imagens que revelaram um comportamento inesperado. Depois de analisadas, a equipa afirmou que as imagens revelavam que Oumuamua tinha aumentado a velocidade, em vez de desacelerar, como seria o esperado.

A explicação apontada como a mais provável era que Oumuamua estava a libertar material da sua superfície devido ao aquecimento solar – outgassing. A libertação deste material, que é consistente com a tese de que este objecto poderia mesmo ser um cometa, daria a Oumuamua o impulso necessário e constante para alcançar esse aumento de velocidade.

Mas Shmuel Bialy e Abraham Loeb, autores do novo estudo, lançam agora os seus trunfos para desmentir esta teoria. Assim, se Oumuamua fosse, de facto, um cometa, por que motivo não libertava gases quando se aproximava do Sol?

Assim, os cientistas consideram a possibilidade de Oumuamua ser uma nave espacial que depende da pressão da radiação para gerar propulsão. Esta nave pode, no entender dos investigadores, ter sido enviada por uma outra civilização para estudar o nosso Sistema Solar e procurar por sinais de vida.

Assim, a estranha “aceleração excessiva” do objecto pode ser um indício suficiente da sua artificialidade. “Considerando uma origem artificial, uma possibilidade é a de que o Oumuamua possa ser um veleiro a flutuar no espaço interestelar como um resíduo de um equipamento tecnológico avançado”, escrevem os investigadores.

“O excesso de aceleração de Oumuamua longe do Sol é explicado como sendo o resultado da força que a luz do Sol exerce na sua superfície”, explica Bialy. “Para que esta força explique o excesso de aceleração medido, o objecto precisa de ser extremamente fino, mas com dezenas de metros de tamanho, o que torna o objecto leve para a sua área de superfície e permite que ele actue como uma vela de luz.”

Com base nesta premissa, Bialy e Loeb calcularam a provável forma, espessura e relação massa-área que um objecto artificial teria. Os cientistas tentaram também, segundo o Phys.org, determinar se este objecto seria capaz de sobreviver no espaço interestelar, e se seria capaz de suportar as tensões de tracção causadas pelas forças de rotação e da maré.

Desta forma, descobriram que uma vela que tinha apenas uma fracção de milímetro de espessura (0,3-0,9 mm) seria suficiente para uma folha de material sólido sobreviver à jornada por toda a galáxia – embora isto dependa muito da densidade de massa de Oumuamua.

Grosso ou fino, adiantam, esta vela seria capaz de resistir a colisões com grãos de poeira e gás que permeiam o meio interestelar, bem como forças centrífugas e de maré.

Mas o que estaria esta nave espacial alienígena a fazer no nosso Sistema Solar? Para responder a esta questão, Bialy e Loeb oferecem algumas explicações.

Primeiro, sugerem que a sonda pode realmente ser uma vela desactivada a flutuar sob a influência da gravidade e da radiação estelar. Por outro lado, Oumuamua pode também ser uma peça activa de tecnologia alienígena que veio com o objectivo de explorar o nosso Sistema Solar, da mesma forma que esperamos explorar Alpha Centauri usando o Starshot e tecnologias similares.

Actualmente, Oumuamua está a afastar-se do Sol a uma velocidade aproximada de 112 mil quilómetros por hora em direcção à parte externa do Sistema Solar. Dentro de quatro anos,  passará a órbita de Neptuno a caminho do espaço interestelar.Até lá, pode ser que este mistério se desvende finalmente.

ZAP //

Por ZAP
6 Novembro, 2018

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