2815: Aquecimento da temperatura no Mediterrâneo é 20% mais rápido que média do planeta

CLIMA

Os dados são alarmantes: vêm aí mais ondas de calor, “mais significativas e duradouras” e “secas extremas serão mais frequentes”. Portugal está também na linha da frente desta crise, que atinge 500 milhões de pessoas.

© Gonçalo Villaverde / Global Imagens

A bacia do Mediterrâneo é um dos pontos quentes da crise climática e alguns dos seus impactos “atingem” esta região “com mais força do que em outras partes do mundo”, assegura o professor Wolfgang Cramer, director científico do Instituto Mediterrâneo de Biodiversidade e Ecologia, com sede em França, em declarações ao jornal espanhol El País.

Há um exemplo que confirma esta afirmação: o aumento da temperatura na região do Mediterrâneo já atingiu 1,5 graus em comparação com os níveis pré-industriais, o que significa que o aquecimento nesta bacia é 20% mais rápido do que na média do planeta, afectando 500 milhões de pessoas de três continentes.

Sem medidas adicionais que reduzam os gases com efeito de estufa, Wolfgang Cramer estima que o que se seguirá é muito pior, na descrição do jornal. Em 2040, esse aumento chegará a 2,2 graus e possivelmente excederá 3,8 em algumas regiões da bacia em 2100. Além disso, em apenas duas décadas, 250 milhões de pessoas sofrerão com a falta de água na região devido às secas.

O mapa que acompanha a notícia do El País mostra como Portugal também sofrerá com estes aumentos: por todo o Norte do país, no Centro e parte do Sul Interior, a temperatura subirá 2 a 3 graus e, na faixa costeira do Oeste e Sul, o aumento será entre 1,5 e 2 graus.

Estes dados estão incluídos num relatório cujos primeiros resultados são apresentados esta quinta-feira em Barcelona, durante a reunião da União para o Mediterrâneo, uma organização internacional na qual estão representados os países dos três continentes que partilham as águas do mar, incluindo Portugal.

Desde 2015, um grupo de mais de 80 cientistas coordenados por Cramer trabalha para esta organização no estudo, intitulado “Riscos associados às mudanças climáticas e às mudanças ambientais na região do Mediterrâneo”.

O relatório pretende ser o grande retrato das mudanças climáticas nesta área, com base no conhecimento científico actual. “Nunca foi feita uma síntese tão completa”, explica Cramer sobre o documento em que se multiplicam dados, muitos deles alarmantes.

O coordenador destaca a vulnerabilidade de muitas populações da região “porque moram muito perto do mar e também porque são pobres e têm poucas opções para se proteger ou se afastar”. O relatório adverte: haverá mais ondas de calor “mais significativas e duradouras” e “secas extremas serão mais frequentes”.

Diário de Notícias
DN
10 Outubro 2019 — 11:04

 

2601: O lago mais antigo da Europa revela como era o clima no Mediterrâneo no passado (e como será no futuro)

CIÊNCIA

Charlie Marchant / Wikimedia

O lago da Ocrida, entre a Albânia e o norte da Macedónia, é um dos mais profundos e antigos lagos da Europa. Lagos como este geralmente duram apenas algumas centenas de milhares de anos antes de ficarem cheios de sedimentos.

Mas esse não é o caso do lago da Ocrida, uma vez que é muito mais antigo do que isso. Agora, a sua idade permitiu aos investigadores abrir uma janela para o passado da bacia do Mediterrâneo.

De acordo com um estudo publicado este mês na revista especializada Nature, os cientistas conseguiram ter uma ideia de como era o clima nos últimos 1,36 milhões de anos no Mediterrâneo. Os investigadores mostraram que, durante períodos inter-glaciais quentes, as chuvas de inverno no Mediterrâneo aconteceram ao mesmo tempo que as monções de verão na África.

“Descobrimos uma tele-conexão entre as monções africanas e as precipitações de inverno na região do Mediterrâneo, assim como entre os sistemas climáticos tropicais e as chuvas nas latitudes médias a milhares de quilómetros de distância”, disse Alexander Francke, da Universidade de Wollongong, em comunicado, publicado pela Phys.

“Sempre que a radiação solar recebida do Sol é aprimorada no Hemisfério Norte, temos uma migração para o norte do sistema climático tropical e vemos um aumento das chuvas no inverno no lago da Ocrida. Vemos esse mecanismo de maneira consistente nos últimos 1,3 milhão de anos”.

A equipa recolheu sedimentos num local onde o lago tem 245 metros de profundidade. Os cientistas perfuraram 568 metros nos sedimentos e reconstruiram a história climática do lago durante toda a sua existência.

Ao combinar os dados com simulações de modelos climáticos, os investigadores conseguiram obter informações sobre o clima no centro-norte do Mediterrâneo. A região é caracterizada por Invernos húmidos e Verões secos e isso está relacionado com a sua interacção com o clima tropical africano, especialmente em termos de aquecimento da superfície do mar.

“Este sistema climático seria bastante estável durante o verão e o outono até que as temperaturas diminuam no inverno e o ar frio do norte faça com que todo o sistema fique instável. Esse sistema de baixa pressão move-se para leste em direcção à Península dos Balcãs e promove chuvas nos meses de inverno”, explicou Francke.

Mas não é apenas sobre o passado. Os modelos climáticos encontraram dificuldades em prever como a crise climática causada pelo homem afectará o Mediterrâneo nos próximos anos. Alguns apontam para os Invernos mais húmidos, outros para mais secos. Estes novos dados serão essenciais para refinar os modelos e fornecer pistas sobre o que o futuro reserva para o Mediterrâneo.

ZAP //

Por ZAP
9 Setembro, 2019

 

2408: Descobertos seis vulcões a poucos quilómetros da costa da Sicília

Tomasz Pokora Travel Photography / Flickr
Costa da Sicília

Uma equipa de cientistas descobriu seis vulcões ocultos debaixo de água numa área do Mediterrâneo a poucos quilómetros da costa da ilha de Sicília, em Itália.

A área com os vulcões, frequentemente atravessada por várias embarcações, foi descoberta graças a dados de alta resolução recolhidos com a ajuda da expedição oceanográfica OGS Explora, que levou a cabo duas missões de investigação em Agosto de 2017 e Fevereiro de 2018.

De acordo com a investigação, cujos resultados foram esta semana publicados na revista científica especializada Marine Geology, as seis formações vulcânicas foram detectadas a uma profundidade máxima de 133 metros e localizados a uma distância entre 7 a 23 quilómetros da costa da Sicília.

“Ficamos muito surpresos com [a descoberta], porque estávamos muito perto da costa”, disse Emanuele Lodolo, autor principal autor do estudo e cientista do Instituto Nacional de Oceanografia Experimental e Geofísica da Itália, em declarações à National Geographic.

A equipa estima que todos vulcões sejam datados do Quaternário Tardio, tendo todos explodido uma única vez há cerca de 20.000 anos. Apenas uma destas formações, que foi baptizada de Actea, mostra sinais de actividade magmática posterior ao Último Máximo Galcial, tendo um rastro de lava que se estende por aproximadamente quatro quilómetros.

Todos os vulcões são de pequena dimensão, variando o seu tamanho entre 16 e 120 metros desde a base até ao topo do vulcão. O pico de Actea, o mais alto entre os seis agora descobertos, está a apenas 33 metros abaixo do nível do mar.

Os cientistas alertam que uma eventual erupção nesta área pode representar uma ameaça quer para a navegação na zona, quer para os moradores da área costeira. Ainda assim, frisaram, são necessários mais estudos para perceber completamente estas estruturas vulcânicas e precisar o perigo real que representam.

ZAP //

Por ZAP
6 Agosto, 2019

 

1850: Avistada bola de fogo a sobrevoar o mar Mediterrâneo

O impacto de uma rocha, separada de um asteróide, na atmosfera terrestre causou o espectáculo luminoso. Veja o vídeo.

Bola de fogo que sobrevoou o Mediterrâneo na madrugada de dia 14 de Abril
© Observatório de Calar Alto

Durante a madrugada do dia 14 de Abril, às 03:00 em Espanha uma bola de fogo foi filmada a percorrer o mar Mediterrâneo, junto do Estreito de Gibraltar, pelo Observatório de Calar Alto.

A câmara de vigilância do observatório espanhol registou o evento. O professor José María Madiedo, da Universidade de Huelva foi o responsável pelas primeiras análises ao fenómeno. O estudo concluiu que a bola de fogo, que atravessou o Mediterrâneo a 40 000 km/h, teria sido causada pelo impacto de uma rocha separada de um asteróide na atmosfera terrestre.

A queda da bola de fogo começou a uma altitude de 85 km e acabou a 31 km de atingir o mar Mediterrâneo.

Diário de Notícias
15 Abril 2019 — 17:00

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1103: Encontrado recipiente mediterrâneo com três mil anos com vestígios de ópio

CIÊNCIA

(dr) British Museum

Cientistas do Reino Unido descobriram um recipiente no Mediterrâneo, com cerca de três mil anos, que continha vestígios de ópio.

De acordo com o Live Science, esta descoberta contribui para o longo debate que questiona se este tipo de recipiente era propositadamente utilizado para transportar esta substância.

Estes recipientes foram amplamente comercializados no leste do Mediterrâneo entre 1650 e 1350 A.C. No início dos anos 60, alguns investigadores admitiram a hipótese de a sua forma ser uma pista porque, virados ao contrário, parecem-se com as cabeças das sementes das papoilas do ópio.

Tem sido difícil confirmar esta ligação mas, agora, cientistas da Universidade de York e do Museu Britânico, em Inglaterra, usaram uma série de técnicas analíticas para comprovar a primeira evidência rigorosa de que os vasos continham, de facto, ópio.

Os investigadores analisaram um recipiente do museu envolvido na pesquisa que, como estava selado, permitiu que o seu conteúdo fosse preservado. A análise inicial mostrou que os resíduos encontrados eram maioritariamente compostos por óleo vegetal, mas também sugeriu a presença de alcalóides do ópio.

Este grupo de compostos orgânicos incluem poderosos analgésicos como a morfina e a codeína, bem como outros compostos que não têm efeitos analgésicos.

“Os alcalóides de opiáceos que detectámos são aqueles que mostrámos serem os mais resistentes à degradação”, explica num comunicado Rachel Smith, co-autora do estudo do Departamento de Química da Universidade de York. Porém, a investigadora destaca que os compostos encontrados não incluem a morfina.

Os investigadores continuam sem perceber qual era o principal propósito deste tipo de recipiente. Uma das hipóteses era que o recipiente podia ter sido usado para guardar o óleo das sementes de papoila usadas para substâncias unguentas ou perfumes.

“É importante relembrar que se trata apenas de um recipiente, por isso, os nossos resultados continuam a levantar várias questões sobre o conteúdo ou o seu propósito”, afirma Rebecca Stacey, cientista do Departamento de Conservação e Investigação Científica do Museu Britânico. No entanto, “a presença dos alcalóides neste caso é inequívoca e dá-nos uma nova perspectiva”.

O estudo foi publicado, esta terça-feira, na revista científica Analyst, uma das publicações da Royal Society of Chemistry.

ZAP //

Por ZAP
5 Outubro, 2018

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