2074: Encontrada matéria orgânica extraterrestre numa rocha com mais de 3.3 mil milhões de anos

Andrew Ashton / Flickr

Um grupo de cientistas de França e Itália detectou matéria orgânica de há 3.300 milhões de anos preservada num sedimento vulcânico nas montanhas de Barberton, na África do Sul.

Até ao momento, sabemos que as moléculas orgânicas, de metano e aminoácidos, existem no espaço, e talvez parte dessas moléculas tenha sido trazida para o nosso planeta por asteróides que continham carbono.

Cientistas, que estudam as antigas rochas na África do Sul, podem ter descoberto evidências dos exemplos mais antigos dessas moléculas extraterrestres. A pequena cadeia montanhosa, conhecida como Montanhas Makhonjwa ou Cinturão Greenstone Barbeton, está localizada no leste da África do Sul e de Suazilândia.

Ao estudar as amostras, os investigadores registaram matéria orgânica insolúvel de dois tipos. A primeira era semelhante às substâncias biogénicas já encontradas anteriormente por geólogos em rochas de uma época semelhantes. Mas a segunda, descoberta numa camada de dois milímetros de largura, parecia anómala.

Uma análise detalhada mostrou que se tratava de uma matéria extraterrestre semelhante à presente nos condritos carbonáceos, um grupo de meteoritos rochosos que contêm compostos de carbono. “Esta é a primeira vez que encontramos evidências reais de carbono extraterrestre em rochas terrestres“, disse Frances Westall, coautor do estudo publicado na revista Geochimica et Cosmochimica Acta, ao New Scientist.

A suspeita foi corroborada pela presença de nano-partículas de ferritas de espinélio, formadas durante a entrada de objectos espaciais na atmosfera. A presença de um número suficiente de materiais orgânicos presentes na área depois de 3,3 mil milhões de anos foi uma grande surpresa para os investigadores, que supuseram que a camada se formou após o impacto de um meteoro.

“A coexistência de matéria carbonácea extraterrestre e biogénica nos mesmos depósitos sedimentares destaca os futuros desafios colocados pela busca pela extinção da vida em Marte”, indica o estudo.

ZAP //

Por ZAP
30 Maio, 2019


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758: INVESTIGADORES DESCOBREM MATERIAL ORGÂNICO NAS GALÁXIAS ANTENA

Imagem obtida pelo Hubble das Galáxias Antena.
Crédito: ESA/Hubble & NASA

Após a realização de uma análise espectroscópica com o instrumento MUSE, no VLT (Very Large Telescope), no ESO (Chile), uma equipa liderada pela astrofísica Ana Monreal Ibero do IAC (Instituto de Astrofísicas das Canárias) provou a existência de bandas interestelares difusas nas Galáxias Antena, a 70 milhões de anos-luz da Terra. Desta forma, mostrou que há provavelmente material orgânico noutras galáxias para lá da nossa vizinhança galáctica.

O espectro electromagnético de um objecto celeste (galáxia, estrela, etc.) resulta da quebra da luz emitida nas suas cores constituintes. As características desse espectro – por exemplo, as cores dominantes ou ausentes – dizem-nos mais sobre as propriedades do objecto, como a sua velocidade em relação a nós e a sua composição química. “Além disso, e pelo mesmo preço – explica Ana Monreal – esta análise dá-nos informações sobre o material que a luz atravessa no caminho até nós e, em particular, sobre o meio interestelar. As bandas interestelares difusas são bandas escuras que aparecem nos espectros de objectos astronómicos associados com este meio e cuja origem é ainda hoje um mistério. Não podem ser explicadas pela presença de moléculas simples conhecidas e suspeita-se que sejam provocadas por material provavelmente orgânico.

A maioria dos estudos relacionados com as bandas interestelares difusas tem sido confinada a objectos na Via Láctea, uma vez que são características espectrais relativamente fracas. Existem algumas detecções de bandas interestelares difusas fora da nossa Galáxia, principalmente nas Nuvens de Magalhães, que são membros do Grupo Local de Galáxias, mas muito raramente têm sido detectadas bem para lá dos limites do Grupo Local. No entanto, quando olhamos para longe da Via Láctea, é de interesse observar como se comportam em condições interestelares altamente energéticas, como aquelas encontradas numa galáxia “starburst” (com formação estelar explosiva), onde as estrelas se formam a um ritmo muito maior do que na Via Láctea.

Estas observações para lá das galáxias que nos rodeiam podem fornecer pistas adicionais sobre a possível natureza das moléculas que provocam bandas interestelares difusas, mas também podem fornecer ferramentas para os astrónomos caracterizarem o meio interestelar ao qual pertencem.

“No nosso trabalho, explorámos o potencial da utilização de espectrógrafos de campo integral, como o HARMONI (um instrumento desenhado para o futuro telescópio de 39 metros, o E-ELT), em cuja construção o IAC participa,” esclarece Ana Monreal. E acrescenta: “Para isso, usámos o que constitui, hoje, o ‘crème de la crème’ deste tipo de instrumento, o MUSE no VLT, para obter dados do mais próximo sistema de galáxias espirais em fusão: as Galáxias Antena.”

O MUSE obtém um grande número de espectros de uma área relativamente grande do céu a partir de uma única exposição. “Com base na adição do sinal de espectros vizinhos e cuidadosamente modelando e separando a emissão devida às estrelas e ao gás ionizado no sistema, conseguimos detectar o sinal de duas das mais bem conhecidas bandas interestelares difusas e, de facto, as duas primeiras a serem identificadas, ao longo de mais de 200 e 100 linhas de visão independentes, respectivamente,” explica Monreal.

Este estudo também compara as detecções obtidas pelo grupo com outras propriedades e componentes do meio interestelar neste sistema, em particular: a atenuação (directamente relacionada com a quantidade de poeira) e a distribuição do hidrogénio atómico, do gás molecular e de algumas bandas na emissão infravermelha que também parecem estar associadas com compostos orgânicos.

Astronomia On-line
13 de Julho de 2018

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