3606: Instrumento EXPRES olha para os céus de um planeta distante e abrasador

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

O planeta MASCARA-2 b, um gigante gasoso parecido com Júpiter a aproximadamente 457 anos-luz da Terra.
Crédito: Sam Cabot

Uma nova tecnologia está a dar aos astrónomos uma visão mais detalhada da atmosfera de um planeta distante, onde o ar é tão quente que vaporiza metais.

O planeta, MASCARA-2 b, fica a 140 parsecs da Terra (aproximadamente 457 anos-luz). É um gigante gasoso, como Júpiter. No entanto, a sua órbita fica 100 vezes mais próximo da sua estrela do que a órbita de Júpiter está do nosso Sol.

A atmosfera de MASCARA-2 b atinge temperaturas superiores a 1720º C, colocando-o no extremo de uma classe de planetas conhecidos como Júpiteres quentes. Os astrónomos estão profundamente interessados em Júpiteres quentes, porque a sua existência era desconhecida até há 25 anos atrás e porque podem fornecer informações sobre a formação de sistemas planetários.

“Os Júpiteres quentes são os melhores laboratórios para o desenvolvimento de técnicas de análise que um dia serão usadas para procurar bio-assinaturas em mundos potencialmente habitáveis,” disse Debra Fischer, astrónoma de Yale e co-autora de um novo estudo aceite para publicação na revista Astronomy & Astrophysics.

Fischer é a força orientadora por trás do instrumento que tornou possível a descoberta: o EXPRES (Extreme PREcision Spectrometer), construído em Yale e instalado no Telescópio Lowell Discovery de 4,3 metros perto de Flagstaff, no estado norte-americano do Arizona.

A missão principal do EXPRES é encontrar planetas semelhantes à Terra com base na leve influência gravitacional que têm nas suas estrelas. Os investigadores disseram que esta precisão também é útil na observação de detalhes atmosféricos de planetas distantes.

À medida que MASCARA-2 b atravessa a linha de visão directa entre a sua estrela hospedeira e a Terra, elementos na atmosfera do planeta absorvem a luz da estrela em comprimentos de onda específicos – deixando uma “impressão digital” química. O EXPRES é capaz de captar essas impressões digitais.

Usando o EXPRES, os astrónomos de Yale e colegas do Observatório de Genebra e da Universidade de Berna na Suíça, bem como da Universidade Técnica da Dinamarca, encontraram ferro gasoso, magnésio e crómio na atmosfera de MASCARA-2 b.

“As assinaturas atmosféricas são muito fracas e difíceis de detectar,” disse o co-autor Sam Cabot, estudante de astronomia em Yale e líder da análise de dados do estudo. “Por acaso, o EXPRES detém esta capacidade, pois precisamos de instrumentos de alta fidelidade para encontrar planetas para lá do nosso próprio Sistema Solar.”

O autor principal do estudo, o astrónomo Jens Hoeijmakers do Observatório de Genebra, disse que o EXPRES também encontrou evidências de química diferente entre o lado diurno e nocturno de MASCARA-2 b.

“Estas detecções químicas podem não apenas ensinar-nos sobre a composição elementar da atmosfera, mas também sobre a eficiência dos padrões de circulação atmosférica,” disse Hoeijmakers.

Juntamente com outros espectrómetros avançados, como o ESPRESSO, construído por astrónomos suíços no Chile, o EXPRES deverá recolher muitos novos dados que podem avançar drasticamente a busca por exoplanetas – planetas que orbitam estrelas que não o nosso próprio Sol.

“A detecção de metais vaporizados na atmosfera de MASCARA-2 b é um dos primeiros resultados científicos interessantes a surgir do EXPRES,” disse Fischer. “Mais resultados estão a caminho.”

Astronomia On-line
28 de Abril de 2020

 

spacenews

 

3601: Um planeta de metal derretido pode ser a chave para encontrar a próxima Terra

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

(dr) Sam Cabot
Planeta MASCARA-2 b

Um planeta de metal derretido, semelhante a Júpiter, não parece ser o paraíso. No entanto, os cientistas estão muito entusiasmados com o planeta MASCARA-2 b, uma vez que as suas características são aquilo a que chamam de laboratório perfeito.

Um espectrómetro construído na Universidade de Yale e instalado no Observatório Lovell está a oferecer aos astrónomos uma visão detalhada da atmosfera de MASCARA-2 b, um planeta distante tão quente que o ar contém metais vaporizados na sua composição.

De acordo com o Business Insider, se os astrónomos conseguiram encontrar uma forma de estudar um Júpiter quente tão distante do planeta Terra, podem estar muito perto de encontrar (e estudar) um planeta no Universo capaz de albergar vida.

O planeta em causa fica a cerca de 4.300 triliões de quilómetros da Terra e é um gigante de gás muito semelhante a Júpiter. No entanto, a sua órbita é 100 vezes mais próxima da sua estrela do que a órbita de Júpiter em relação ao Sol.

A atmosfera de MASCARA-2 b atinge temperaturas acima dos 1.726 graus Celsius, o que o coloca no final de uma classe de planetas conhecida como Júpiteres quentes. Este tipo de corpo celeste chama a atenção dos cientistas porque a sua existência era desconhecida há 25 anos e podem oferecer informações interessantes sobre a formação dos sistemas planetários.

“Os Júpiteres quentes fornecem os melhores laboratórios para desenvolver técnicas de análise que um dia serão usadas para procurar assinaturas biológicas em mundos potencialmente habitáveis”, explicou a astrónoma Debra Fischer, co-autora do artigo científico publicado na Astronomy and Astrophysics.

À medida que o MASCARA-2 b cruza a linha de visão directa entre a sua estrela hospedeira e a Terra, elementos na atmosfera do planeta absorvem a luz das estrelas em comprimentos de onda específicos, deixando uma impressão digital química. O espectrómetro EXPRES recolhe essas impressões digitais que são pistas valiosas para os astrónomos.

Através deste instrumento, a equipa encontrou ferro gasoso, magnésio e cromo na atmosfera do planeta. O principal autor do estudo, Jens Hoeijmakers, disse ainda que o EXPRES encontrou evidências de uma assinatura química diferente nos lados “manhã” e “noite” do MASCARA-2 b.

“Estas detecções químicas podem não apenas dar-nos pistas sobre a composição elementar da atmosfera, como também sobre a eficiência dos padrões de circulação atmosférica”, disse Hoeijmakers, citado pelo EuropaPress.

ZAP //

Por ZAP
27 Abril, 2020

 

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