2448: NASA prepara próxima missão a Marte em campo de lava na Islândia

A NASA prepara em campos de lava na Islândia a próxima missão a Marte, prevista para 2020, para dar continuação ao trabalho do robô “Curiosity”, que desde 2012 explora o planeta em busca de sinais de vida.

© iStock A NASA prepara em campos de lava na Islândia a próxima missão a Marte, prevista para 2020, para dar continuação ao trabalho do robô “Curiosity”, que desde 2012 explora o planeta em busca de sinais de vida.

Junto ao Langjokull, o segundo maior glaciar da Islândia, na região oeste da ilha, o campo de lava de Lambahraun foi durante três semanas de Julho o local de trabalho de uma quinzena de cientistas e engenheiros enviados pela Agência Espacial Norte-Americana.

A ilha vulcânica do meio do Atlântico Norte tem características a fazer lembrar o planeta vermelho, com a sua areia preta de basalto, as dunas moldadas pelo vento, as rochas negras e os cumes das montanhas à volta.

“Temos exactamente o tipo de padrões e transporte de matérias que os cientistas querem ver”, disse no local um responsável dos Serviços Espaciais de Controlo da Missão, Adam Deslauriers, de uma empresa do Canadá contratada pela NASA para testar um protótipo de veículo espacial.

Trata-se de um pequeno veículo eléctrico, branco e cor de laranja, com tracção nas quatro rodas e accionado por dois motores laterais, que funciona como uma retro-escavadora e que tem 12 pequenas baterias no interior. Basicamente “é indestrutível” disse Deslauriers, citado hoje pela AFP.

Equipado com sensores 3D, um computador, uma câmara com duas objectivas e instrumentos científicos, os 570 quilos do equipamento movem-se por controlo remoto a 20 centímetros por segundo.

O veículo recolhe e classifica dados do ambiente à sua volta graças às câmaras e envia-os para a equipa de engenheiros que estão a várias centenas de metros, que por sua vez os transmitem aos cientistas que estão confinados numa tenda. Tudo para simular o envio de informações de Marte para a Terra.

Os investigadores vão depois até ao local do veículo robô para medir a radiação e recolher amostras, coisa que o protótipo só conseguirá fazer na versão final.

Os locais de treino são escolhidos tendo em conta a forma como a areia e as rochas mudam tanto na composição química quanto nas propriedades físicas à medida que se mudam do glaciar para o rio vizinho.

Antes de Marte se tornar um deserto congelado e inóspito, onde a temperatura média ronda os 63 graus negativos, os cientistas admitem que se pareceria muito com a ilha.

“A mineralogia na Islândia é muito similar à que encontrámos em Marte”, disse Ryan Ewing, professor de geologia e geofísica na Universidade do Texas, Estados Unidos.

A Islândia já serviu de cenário para outros exercícios da NASA, nomeadamente por ocasião de missões da Apollo (missão que levou o homem à Lusa), quando 32 astronautas fizeram formação na ilha, em 1965 e 1967.

msn notícias
Lusa
14/08/2019

 

2425: Novas descobertas do Curiosity, sete anos depois da aterragem

Este panorama de um local chamado “Teal Ridge” foi capturado pela MastCam do Curiosity no dia 18 de Junho de 2019, ou durante o 2440.º dia marciano, ou sol, da missão.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/MSSS
(ver panorama completo)

O rover Curiosity da NASA percorreu um longo caminho desde que chegou a Marte, há sete anos atrás. Já viajou um total de 21 quilómetros e subiu 368 metros até à sua posição actual. Ao longo do caminho, o Curiosity descobriu que Marte teve condições para suportar vida microbiana no passado, entre outras coisas.

E o rover está longe de terminar, tendo acabado de perfurar a sua 22.ª amostra da superfície marciana. Tem mais alguns anos pela frente até que o seu sistema de energia nuclear se degrade o suficiente para limitar significativamente as operações. Depois, uma gestão cuidadosa da sua energia permitirá que o rover continue a estudar o Planeta Vermelho.

O Curiosity está agora a metade de uma região que os cientistas chamam de “unidade argilosa” do lado do Monte Sharp, dentro da Cratera Gale. Há milhares de milhões de anos, existiam riachos e lagos dentro da cratera. A água alterou os sedimentos depositados nos lagos, deixando para trás muitos minerais argilosos na região. Esse sinal de argila foi detectado pela primeira vez, do espaço, pela sonda MRO (Mars Reconnaissance Orbiter) da NASA, alguns anos antes do lançamento do Curiosity.

“Esta área é uma das razões pelas quais viemos para a Cratera Gale,” disse Kristen Bennnett do USGS (U.S. Geological Survey), co-líder da campanha da unidade argilosa do Curiosity. “Há 10 anos que estudamos imagens orbitais desta área e, finalmente, podemos olhar de perto.”

As amostras rochosas que o rover perfurou aqui revelaram as maiores quantidades de minerais argilosos já encontradas durante a missão. Mas o Curiosity detectou quantidades similarmente altas de argila noutras partes do Monte Sharp, inclusive em áreas onde a MRO não detectou argila. Isto levou os cientistas a perguntar o porquê das diferenças entre as descobertas orbitais e à superfície.

A equipa científica está a pensar em possíveis razões pelas quais os minerais de argila aqui se destacaram para a MRO. O rover encontrou uma “zona repleta de cascalho e pedregulhos” quando aqui chegou, disse Valerie Fox do Caltech, também co-líder da campanha. Uma ideia é que os seixos são a chave: embora os seixos individuais sejam demasiado pequenos para serem vistos pela MRO, podem aparecer colectivamente para o orbitador como um único sinal de argila espalhado pela área. A poeira também assenta mais facilmente sobre rochas planas do que sobre seixos; essa mesma poeira pode obscurecer os sinais visto do espaço. Os pedregulhos são demasiado pequenos para o Curiosity perfurar, de modo que a equipa científica está a procurar outras pistas para resolver este quebra-cabeça.

O Curiosity saiu desta zona rochosa em Junho e começou a encontrar características geológicas mais complexas. Parou para obter uma panorâmica de 360 graus num afloramento chamado “Teal Ridge”. Mais recentemente, capturou imagens detalhadas de “Strathdon”, uma rocha feita de dúzias de camadas sedimentares que endureceram numa pilha quebradiça e ondulada. Ao contrário das camadas finas e planas associadas com os sedimentos de lagos, as camadas onduladas nestas características sugerem um ambiente mais dinâmico. Vento, água corrente ou ambos podem ter moldado esta área.

Tanto “Teal Ridge” como “Strathdon” representam mudanças na paisagem. “Estamos a ver uma evolução no antigo ambiente de lago registado nestas rochas,” disse Fox. “Não foi apenas um lago estático. Está a ajudar-nos a passar de uma visão simplista de Marte, indo do molhado para o seco. Em vez de um processo linear, a história da água é mais complicada.”

O Curiosity está a descobrir uma história mais rica e complexa por trás da água no Monte Sharp – um processo que Fox comparou a finalmente poder ler os parágrafos num livro – um livro denso, com páginas arrancadas, mas um conto fascinante de montar.

Astronomia On-line
9 de Agosto de 2019

 

2418: Meteorito pode ter desencadeado um enorme tsunami em Marte há 3000 milhões de anos

O impacto de um meteorito poderá ter causado um enorme tsunami (da altura de um arranha-céus) na superfície de Marte há 3,5 milhões de anos.

De acordo com o portal Live Science, a controversa teoria foi apresentada pela primeira vez em 2016 por dois grupos de cientistas. Agora, os especialistas podem ter novas evidências.

Foi Francois Costard, astrónomo do Centro Nacional de Investigação Científica de França e um dos primeiros cientistas a propor a teoria do tsunami, a encabeçar a nova investigação, que tinha como objectivo traçar o caminho da onda para, através da paisagem do Planeta Vermelho, rastrear a sua origem.

Depois de analisar dez crateras cujo tamanho e localização as torna possíveis locais de origem, Costard e a sua equipa concluíram que todos os modelos apontavam para a cratera Lomonosov, que tem cerca de 150 quilómetros de diâmetro.

NASA/JPL/USGS
Topografia da cratera Lomonosov

O co-autor do estudo Alexis Rodríguez explicou que a cratera em causa tem a idade adequada – cerca de 3 mil milhões de anos – e que as suas extremidades estão desgastadas, como se a água tivesse regressado ao “poço” após um forte impacto.

Os novos modelos, detalhados no estudo publicado esta semana na revista científica Journal of Geophysical Research, sugerem que a colisão foi forte o suficiente para desencadear um mega-tsunami (300 metros de altura) capaz de afectar todo o planeta.

Apesar dos resultados, os cientistas mostram-se cautelosos com os novos dados, frisando ser necessário levar a cabo novas investigação para confirmar a causa do tsunami.

As outras teorias incluem deslizamentos de terra, que poderiam ter moldado a paisagem marciana na altura em que o tsunami ocorreu, podendo gerar a onda, bem como um terremoto ou uma erupção vulcânica em alto-mar.

ZAP //

Por ZAP
8 Agosto, 2019

 

2386: Veja o Rover da missão Mars 2020 da NASA a elevar 40 kg com o seu braço robótico

O desenvolvimento do Rover da missão Mars 2020 da NASA continua. Com partida marcada para Julho de 2020, começam a ser ultimados os pormenores deste robô que irá explorar a superfície de Marte.

Num vídeo publicado recentemente, a NASA mostra pela primeira vez o Rover Mars 2020 a executar movimentos com o seu braço. Tal experiência foi bem sucedida, tendo sido capaz de movimentar 40 kg usando o seu braço robótico.

Tentar perceber aquilo que se passa fora do nosso sistema solar é tão importante como conhecer o nosso planeta vizinho, Marte. E é isso que ao longo dos últimos anos temos tentado fazer.

A somar ao Rover Curiosity, a NASA irá lançar em breve um novo Rover para a superfície marciana no âmbito da missão Mars 2020. O desenvolvimento deste astromóvel tem sido feito continuamente e a NASA tem partilhado vídeos da sua construção.

Mais recentemente, a agência espacial mostrou o Rover Mars 2020 a movimentar o seu braço robótico. O mais interessante neste vídeo é que, acoplado ao braço, está uma torreta carregada de sensores com 40 kg. Entre estes sensores estão várias câmaras HD, o Scanning Habitable Environments with Raman & Luminescence for Organics & Chemicals (SHERLOC) e o Planetary Instrument for X-ray Lithochemistry (PIXL). O Rover Mars 2020 efetuou o movimento na perfeição, apesar de estar num ambiente controlado do Jet Propulsion Laboratory em Pasadena nos EUA.

O braço robótico contém cinco motores eléctricos e cinco articulações que lhe permitem realizar uma panóplia de movimentos. Em Marte, o braço irá trabalhar juntamente com a torreta para proceder à recolha e análise de amostras de solo e rochas.

This was our first opportunity to watch the arm and turret move in concert with each other, making sure that everything worked as advertised – nothing blocking or otherwise hindering smooth operation of the system. Standing there, watching the arm and turret go through their motions, you can’t help but marvel that the rover will be in space in less than a year from now and performing these exact movements on Mars in less than two.

| Dave Levine, engenheiro da missão Mars 2020

O principal objectivo do Rover Mars 2020 será estudar a geologia e astrobiologia do planeta vermelho. Marte desde sempre suscitou interesse pelas hipóteses de ter albergado vida no passado, e o Rover Mars 2020 irá estudar hipotéticos vestígios de presença biológica na superfície marciana.

A NASA também já deu a informar que em breve irá abrir um concurso para a atribuição de um nome a este robô, sendo actualmente chamado de Rover Mars 2020.

pplware
29 Jul 2019

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2343: Descoberta a bebida que pode proteger os músculos dos astronautas em Marte (e tem álcool)

CIÊNCIA

epfl.ch / Flickr

Com a tecnologia actual, Marte fica a nove meses da Terra. Mas a verdadeira questão é: quando os astronautas chegarem ao Planeta Vermelho, terão força para continuar?

Após mais de 50 anos de voos espaciais tripulados, os investigadores conhecem alguns dos riscos que o corpo humano apresenta em gravidade zero. A doença de movimento espacial ocorre nas primeiras 48 horas, causando perda de apetite, tontura e vómito.

Com o tempo, os astronautas que permanecem por seis meses na Estação Espacial Internacional podem experimentar o enfraquecimento e a perda de músculos atróficos e ósseos. Também experimentam perda de volume sanguíneo, sistema imunológico enfraquecido e descondicionamento cardiovascular, porque flutuar requer pouco esforço e o coração não precisa de trabalhar tanto para bombear sangue.

Scott Kelly e outros astronautas, entre 40 e 50 anos, também se queixaram da alteração da visão. Alguns precisaram de óculos em voo.

Os músculos de sustentação de peso são atingidos primeiro e pior, como o músculo sóleo no gémeo da perna. “Depois de apenas três semanas no espaço, o músculo sóleo humano encolhe em um terço“, disse Marie Mortreux, principal autora do estudo financiado pela NASA, em comunicado. “Isto é acompanhado por uma perda de fibras musculares de contracção lenta que são necessárias para a resistência.”

De acordo com um novo estudo publicado a 18 de Julho na revista Frontiers in Physiology, o resveratrol preserva substancialmente a massa muscular e a força em ratos expostos aos efeitos devastadores da gravidade simulada de Marte.

Para permitir que os astronautas operem em segurança em longas missões a Marte – cuja atracção gravitacional é apenas 40% da Terra – serão necessárias estratégias de mitigação para evitar o descondicionamento muscular.

“As estratégias dietéticas podem ser fundamentais”, explicou Mortreux, “especialmente porque os astronautas que viajam para Marte não terão acesso ao tipo de máquinas de exercícios implantadas na ISS”.

A solução será beber vinho tinto, uma vez que é constituído por resveratrol: um composto geralmente encontrado na casca da uva e mirtilos que tem sido amplamente investigado pelos seus efeitos anti-inflamatórios, anti-oxidantes e anti-diabéticos.

“Demonstrou-se que o resveratrol preserva a massa óssea e muscular em ratos durante o descarregamento completo, de forma análoga à micro-gravidade durante voos espaciais. Portanto, supomos que uma dose diária moderada ajudaria a mitigar o descondicionamento muscular num análogo da gravidade de Marte também”.

Para imitar a gravidade de Marte, os investigadores usaram uma abordagem desenvolvida em ratos por Mary Bouxsein em que ratos foram equipados com um cinto de segurança e suspensos por uma corrente do tecto da gaiola. Assim, 24 ratos machos foram expostos a carga normal (Terra) ou 40% de carga (Marte) durante 14 dias. Em cada grupo, metade recebeu resveratrol em água e os outros beberam apenas água. Todos se alimentaram da mesma comida.

A circunferência do gémeo e a força de preensão da pata dianteira e traseira foram medidas semanalmente e, aos 14 dias, foram analisados os músculos. Os resultados foram impressionantes para os cientistas. Como esperado, a condição de Marte enfraqueceu os ratos e reduziu a circunferência do gémeo, o peso muscular e o conteúdo de fibra de contracção lenta.

Porém, a suplementação de resveratrol quase que totalmente resgatou a garra dianteira e traseira nos ratos de Marte, chegando ao nível dos ratos da Terra que não foram suplementados. O resveratrol protegeu completamente a massa muscular nos ratos de Marte e, em particular, reduziu a perda de fibras musculares de contracção lenta.

Por outro lado, a protecção não foi completa: o suplemento não resgatou inteiramente a área seccional média das fibras ou a circunferência do gémeo.

De acordo com Mortreux, estudos anteriores sobre resveratrol podem explicar estes resultados. “Um fator provável aqui é a sensibilidade à insulina. O tratamento com resveratrol promove o crescimento muscular em animais diabéticos, aumentando a sensibilidade à insulina e a captação de glicose nas fibras musculares. Isto é relevante para os astronautas, que desenvolvem sensibilidade reduzida à insulina durante voos espaciais”.

Os efeitos anti-inflamatórios do resveratrol também podem ajudar a conservar músculos e ossos. Porém, são necessários estudos mais aprofundados para explorar os mecanismos envolvidos, bem como os efeitos de diferentes doses de resveratrol.

ZAP //

Por ZAP
20 Julho, 2019

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2325: Aerogel de sílica pode ser a substância necessária para tornar Marte habitável

ESA

Marte é um lugar bastante inóspito e a NASA recentemente mostrou que não é possível transformá-lo numa “segunda Terra”.

No entanto, investigadores de Harvard mostraram que camadas finas de aerogel de sílica podem aquecer a superfície e bloquear a radiação ultravioleta, ao mesmo tempo que permitem a passagem da luz visível. Isto pode ser suficiente para manter a água líquida e permitir que as plantas façam a fotossíntese dentro de uma determinada região.

Marte já foi um mundo exuberante que poderia ter sustentado a vida. O Marte moderno é uma casca seca, com a única água ainda trancada nas calotas polares ou lagos salgados no subsolo. A fina atmosfera significa que há muito pouco oxigénio, é extremamente frio e não há protecção contra a radiação ultravioleta do sol.

O novo estudo de Harvard, publicado a 15 de Julho na revista Nature Astronomy, poderia resolver pelo menos alguns desses problemas graças ao aerogel de sílica.

É um dos materiais mais leves alguma vez criados, transparentes e um excelente isolante térmico, o que significa que, pelo menos em teoria, uma fina camada de aerogel de sílica no céu marciano poderia efectivamente terraformar um pequeno pedaço de terra abaixo dela. Isso tornaria a superfície mais quente e reflectiria a radiação ultravioleta sem bloquear a luz visível.

Os investigadores testaram a ideia recriando as condições de superfície de Marte em laboratório e colocando uma camada de aerogel de sílica sobre a parte superior para ver que mudanças poderia desencadear. Incrivelmente, descobriram que uma camada muito fina – apenas 2 a 3 centímetros de espessura poderia ser suficiente para aquecer a superfície subjacente em até 50°C.

Se feito no lugar certo, poderia trazer a temperatura superficial de Marte até -10°C – ainda frio, mas potencialmente habitável. De acordo com a equipa, citada em comunicado da Universidade de Harvard,  “o pico de aquecimento que pode obter é provavelmente ainda maior, porque o calor é perdido na nossa montagem experimental via paredes laterais e perdas térmicas de base e convecção”.

A equipa testou ainda a ideia usando um modelo climático de Marte. Isso mostrou que a colocação de aerogel de sílica no ar acima de uma região gelada e temperada do Planeta Vermelho poderia manter a água na forma líquida na superfície, e alguns metros abaixo, durante todo o ano.

Plantas e outras formas de vida poderiam sobreviver sob aquele abrigo, que ainda lhes dá luz para a fotossíntese, protegendo-as dos danos causados ​​pelos raios ultravioleta.

Por outro lado, a equipa reconhece que ainda há riscos astrobiológicos a serem considerados antes de o aerogel de sílica ser usado em Marte. Enquanto isso, os cientistas sugerem testá-lo aqui na Terra, em ambientes extremos como os desertos, por exemplo, a Antárctida e o Chile.

A discussão sobre tornar Marte habitável para seres humanos e a vida da Terra também levanta questões filosóficas e éticas importantes sobre a protecção planetária.

ZAP //

Por ZAP
17 Julho, 2019

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InSight da NASA destapa a “toupeira”

No dia 28 de Junho de 2019, o “lander” InSight da NASA usou o seu braço robótico para mover a estrutura de suporte do seu instrumento que escava, informalmente chamado de “toupeira”. Estas imagens foram capturadas pelo ICC (Instrument Context Camera) situado por baixo do convés do módulo.
Crédito: NASA/JPL-Caltech

Aqui está a “toupeira”: o espigão sensível ao calor que o módulo InSight da NASA implantou na superfície de Marte é agora visível. A semana passada, o braço robótico do “lander” removeu com sucesso a estrutura de apoio da toupeira, que não tem conseguido escavar, e colocou-a de lado. O tirar a estrutura do caminho dá à equipa da missão uma vista da toupeira – e talvez uma maneira de a ajudar a cavar.

“Concluímos o primeiro passo do nosso plano para salvar a toupeira,” disse Troy Hudson, cientista e engenheiro da missão InSight no JPL da NASA em Pasadena, no estado norte-americano da Califórnia. “Ainda não terminámos. Mas, por enquanto, toda a equipa está empolgada porque estamos muito mais perto de fazer a toupeira mexer-se novamente.”

Parte de um instrumento chamado HP3 (Heat Flow and Physical Properties Package), a toupeira que se martela a ela própria está construída para escavar até 5 metros e obter a temperatura de Marte. Mas a toupeira não conseguiu escavar mais do que 30 centímetros, de modo que no dia 28 de Fevereiro de 2019 a equipa ordenou que o instrumento parasse de martelar para que pudessem determinar os próximos passos.

Os cientistas e engenheiros têm realizado testes no JPL para salvar a toupeira, que lidera a missão InSight, bem como no Centro Aeroespacial Alemão (DLR), que forneceu o HP3. Com base nos testes do DLR, o solo pode não fornecer o tipo de fricção para o qual a toupeira foi projectada. Sem esta fricção para balançar o recuo do movimento de auto-martelamento, a toupeira simplesmente salta no lugar em vez de cavar.

Um sinal deste inesperado tipo de solo é aparente em imagens obtidas por uma câmara no braço robótico: formou-se um pequeno buraco em torno da toupeira enquanto esta martelava.

“As imagens vindas de Marte confirmam o que vimos nos nossos testes cá na Terra,” disse o cientista do projecto HP3 Mattias Grott, do DLR. “Os nossos cálculos estavam correctos: este solo coeso está a compactar-se em paredes à medida que a toupeira martela.”

A equipa quer pressionar o solo perto deste buraco usando uma pequena pá na ponta do braço robótico. A esperança é que isso colapse a cova e forneça a fricção necessária para a toupeira cavar.

Ainda é possível que a toupeira tenha atingido uma rocha. Embora a toupeira esteja construída para empurrar pequenas pedras para fora do caminho ou para se desviar em torno delas, as maiores impedem o avanço do espigão. É por isso que a missão seleccionou cuidadosamente um local de aterragem que provavelmente teria menos rochas em geral e rochas mais pequenas perto da superfície.

A garra do braço robótico não foi projectada para levantar a toupeira assim que fique fora da sua estrutura de suporte, de modo que não será capaz de a realocar caso uma rocha esteja a bloquear o seu progresso.

A equipa vai discutir os próximos passos a tomar com base numa análise cuidadosa. No final do mês, depois de soltarem a garra do braço da estrutura de suporte, vão fotografar em mais detalhe a toupeira.

Astronomia On-line
5 de Julho de 2019

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2278: Desaparecimento do metano em Marte: investigadores propõem novo mecanismo como explicação

Simulação da erosão do vento em Marte. A ampola de quartzo contém partículas de basalto olivina e uma atmosfera semelhante à de Marte. Ao agitar a ampola, os investigadores simulam um cenário gerado pelo vento, ou seja, o vento faz com que os grãos de areia saltem sobre a superfície. O atrito das partículas cria cargas eléctricas e a estrela amarela ilustra que um átomo de árgon perdeu um electrão. As pequenas cargas electrificas fazem com que as partículas brilhem ligeiramente, conforme ilustrado nas quatro imagens à direita.
Crédito: Laboratório de Simulação de Marte, Universidade de Aarhus

Os processos por trás da libertação e do consumo de metano em Marte são já discutidos desde que o elemento químico foi medido pela primeira vez há aproximadamente 15 anos atrás. Agora, um grupo multidisciplinar de investigação da Universidade de Aarhus (Dinamarca) propôs um processo físico-químico anteriormente negligenciado que pode explicar o consumo de metano.

Há cerca de 15 anos atrás, estaríamos a ler pela primeira vez acerca de metano na atmosfera de Marte. Isto despertou grande interesse, também fora dos círculos científicos, já que o metano, com base no nosso conhecimento do elemento cá na Terra, é considerado uma bio-assinatura, isto é, sinais de actividade biológica e, portanto, vida.

Nos anos seguintes, pudemos ler artigos que informaram alternativamente sobre a presença e ausência de metano. Esta variação levou a dúvidas sobre a precisão das primeiras medições de metano. Medições recentes de metano na atmosfera de Marte mostraram agora que a sua dinâmica é bastante real e o facto de que às vezes apenas podem ser medidas apenas concentrações muito baixas pode ser atribuído a um mecanismo por descobrir que faz com que o metano desapareça da atmosfera e não a uma medição incorrecta.

As fontes de metano ou as causas do seu desaparecimento, até ao momento, ainda não foram identificadas. Especialmente esta última, o rápido desaparecimento do metano, carece de uma explicação plausível. O mecanismo mais óbvio, nomeadamente a degradação fotoquímica do metano provocada pela radiação UV, não pode explicar o rápido desaparecimento do metano, pré-requisito para a explicação da dinâmica.

Erosão e química

Um grupo multidisciplinar de investigadores da Universidade de Aarhus acabou de publicar um artigo na revista Icarus no qual propõem um novo mecanismo que pode explicar a remoção de metano em Marte. Durante anos, este grupo multidisciplinar investigou a importância da erosão de minerais para a formação de superfícies reactivas sob condições parecidas às de Marte. Para este propósito, o grupo de investigação desenvolveu equipamentos e métodos para simular a erosão em Marte nos seus laboratórios “terrestres”.

Com base em minerais análogos de Marte, como basalto e plagióclase, os investigadores mostraram que estes sólidos podem ser oxidados e os gases ionizados durante os processos de erosão. Assim, o metano ionizado reage com as superfícies minerais e liga-se a elas. A equipa de investigação mostrou que o átomo de carbono, como o grupo metila do metano, liga-se directamente ao átomo de silício na plagióclase, que também é um componente dominante do material da superfície de Marte.

O que os cientistas vêm no laboratório também pode explicar a perda de metano em Marte. Através deste mecanismo, que é muito mais eficaz do que os processos foto-químicos, o metano pode ser removido da atmosfera dentro do tempo observado e depois depositado no solo marciano.

Afecta a possibilidade de vida

O grupo mostrou ainda que estas superfícies minerais podem levar à formação de substâncias químicas reactivas, como peróxido de hidrogénio e radicais de oxigénio, que são muito tóxicos para os organismos vivos, incluindo bactérias.

Os resultados do grupo são importantes para avaliar a possibilidade de vida à superfície de Marte ou logo abaixo. Em vários estudos de acompanhamento, os investigadores vão agora examinar o que está a acontecer com o metano ligado e se o processo de erosão, além dos gases na atmosfera, também muda ou até remove completamente o material orgânico mais complexo, que pode ter origem em Marte ou ter chegado a Marte como parte de meteoritos.

Assim sendo, os resultados têm um impacto sobre a nossa compreensão da preservação do material orgânico em Marte e, portanto, sobre a questão fundamental da vida em Marte – entre outros aspectos, em ligação com a interpretação dos resultados do próximo rover ExoMars, que a ESA deverá fazer pousar em Marte em 2021.

Astronomia On-line
5 de Julho de 2019

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2271: NASA vai usar vulcão dos Capelinhos para treinar exploração em Marte

Na próxima expedição aos Capelinhos, os cientistas olharão para a paisagem em terra e do ar, usando drones, em preparação para a próxima fase da exploração do planeta vermelho.

© Adelino Meireles / Global Imagens

A NASA vai usar o vulcão dos Capelinhos, nos Açores, para treinar a exploração da paisagem de Marte e perceber como evoluiu nos últimos milhões de anos, disse à Lusa o ex-director do departamento científico da agência espacial norte-americana.

A expedição, que ainda não tem data marcada mas que acontecerá “em breve”, levará cientistas da NASA, do Reino Unido e de Portugal a estudar o vulcão da ilha do Faial que nasceu do mar no final dos anos 50, em condições muito semelhantes às que se terão verificado em Marte “há mil milhões de anos”.

“Quando Marte tinha mares e lagos, vulcões entraram em erupção nas águas e produziram relevo como o que vemos nos Capelinhos, que erodiu na presença de água persistente. Depois, as águas secaram. O clima de Marte mudou e hoje só temos os esqueletos fantasmagóricos dessa paisagem, preservada nas rochas”, disse James Garvin, à margem da Global Exploration Summit, que começou esta quarta-feira em Lisboa.

James Garvin, que dirigiu o departamento científico da NASA entre 2004 e 2005, afirmou que os Açores são “um laboratório especial” só comparável a mais dois locais da Terra, um na Islândia, outro em Tonga, com vulcões de erupção recente em meio aquático, com “água e lava a interagirem de forma dinâmica”.

“Sítios como esses, quentes, húmidos e com actividade térmica, seriam bons para surgir vida microbial”, disse.

Na próxima expedição aos Capelinhos, os cientistas olharão para a paisagem em terra e do ar, usando drones, em preparação para a próxima fase da exploração.

“Voltaremos lá para ver se podemos usar [o vulcão] como caso de estudo para o nosso ‘helicóptero marciano’, que enviaremos com a missão Mars Rover em 2020”, que incluirá um veículo da NASA e outro da Agência Espacial Europeia.

Garvin explicou que “algumas coisas nos Capelinhos acontecem muito depressa numa escala menor, algumas numa escala maior” e que a expedição terá resultados úteis para as compreender na Terra.

“Vemos as maiores a acontecer do espaço e observamos nós próprios as mais pequenas. Depois, juntamos matematicamente as duas e podemos criar modelos para como o vulcão dos Capelinhos evoluirá à medida que o ambiente muda e o nível do mar sobe”, acrescentou.

Comparando os dados recolhidos há 25 com os actuais, será possível ter “um registo dos últimos sessenta anos de erosão no oceano Atlântico” em torno da ilha.

Diário de Notícias
DN/Lusa
03 Julho 2019 — 16:35

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2255: Marte pode ter tido vida ainda antes da Terra

CIÊNCIA

Kevin Gill / Flickr

Uma equipa internacional de cientistas, liderada pela Universidade de Western Ontario, no Canadá, acredita que Marte pode ter tido condições para albergar vida logo após o impacto de um enorme meteorito há cerca de 4,5 milhões de anos.

Depois de Marte e da Terra se terem formado, o número e o tamanho dos meteoritos diminuíram gradualmente, tornando-se pouco frequentes para criar condições favoráveis à existência de vida, começaram por explicar os cientistas, citados em comunicado.

De acordo com a nova investigação, cujos resultados foram esta semana publicados na revista científica especializada Nature Geoscience, a vida poderá ter prosperado no Planeta Vermelho entre 4.200 e 3.5000 milhões de anos atrás.

Este período de tempo, sustenta a equipa na mesma nota, “precede as primeiras evidências da vida na Terra até 500 milhões de anos”.

Para a investigação, os cientistas analisaram os fragmentos mais antigos disponíveis de meteoritos que se acredita terem origem nas terras altas e do sul de Marte.

Os resultados sugerem que o forte impacto destes corpos celestes parou no planeta antes que os fragmentos analisados fossem formandos, o que significa que a “a superfície marciana se teria tornado habitável na época. Tal como se acredita, observam ainda os cientistas, “a água era abundante” em Marte.

“Os impactos de grandes meteoritos em Marte, entre 4.200 e 3.500 milhões de anos atrás, podem ter acelerado a libertação das primeiras águas do interior do planeta, lançando as bases para reacções de formação de vida”, disse Desmond Moser, um dos cientistas envolvidos na investigação.

ZAP //

Por ZAP
1 Julho, 2019

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2252: Este robô da NASA brilha em Marte com braço robótico de 7 metros

CIÊNCIA

Tem uma extensão total de sete metros e cinco articulações. Cinco motores eléctricos são usados para o controlar.

A NASA dotou o explorador robótico do tamanho de um SUV com a principal ferramenta para as experiências em Marte: um braço robótico, avança a Slash Gear. A novidade surge depois de o rover Mars 2020 ter sido “calçado” com as suas seis rodas pela primeira vez.

As rodas de alumínio – cada uma com apenas 21 polegadas de diâmetro – foram postas em prática na semana passada, montadas numa série complexa de pivôs e escoras. As rodas permitem que o rover gire no lugar, atravesse sulcos e trincheiras profundas e mantenham a tracção através da areia macia e do terreno rochoso mais resistente do planeta.

A razão para esta viagem é fazer experiências científicas e reunir amostras. Para isso, o braço robótico é essencial. Tem uma extensão total de sete metros e cinco articulações. Cinco motores eléctricos são usados para o controlar. E na extremidade tem um “torreão”, composto por um conjunto de ferramentas diferentes: câmaras científicas, analisadores minerais e químicos e uma broca.

O “torreão” não será montado no braço até daqui a algumas semanas, diz a equipa do Jet Propulsion Laboratory, responsável pelo rover. Não se espera que o rover descole da Estação da Força Aérea de Cabo Canaveral, na Florida, até Julho de 2020.

Mesmo assim, será uma longa espera até que possa levar a primeira amostra. A aterragem no planeta vermelho – que envolverá um para-quedas – não acontecerá até 18 de Fevereiro de 2021.

dn_insider
Sábado, 29 Junho 2019

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2247: Investigação redefine linha temporal da vida em Marte

Pequenos grãos de zircão ígneo dentro deste fragmento rochoso foram fracturados pelo lançamento a partir de Marte, mas permaneceram inalterados por mais de 4,4 mil milhões de anos.
Crédito: Western’s Zircon and Accessory Phase Laboratory

Investigadores canadianos, liderando uma equipa internacional, mostraram que a primeira “chance real” de Marte ter desenvolvido vida começou cedo, há 4,48 mil milhões de anos, quando meteoritos gigantescos e inibidores da vida pararam de atingir o Planeta Vermelho. As descobertas não esclarecem apenas as possibilidades para o vizinho mais próximo da Terra, mas também podem redefinir a linha temporal da vida no nosso próprio planeta.

O estudo foi publicado na passada segunda-feira na revista Nature Geoscience.

Os investigadores da Universidade Western sugerem que as condições em que a vida pode ter prosperado podem ter ocorrido em Marte há 3,5-4,2 mil milhões de anos atrás. Isto antecede as primeiras evidências de vida na Terra até 500 milhões de anos.

“Os impactos de meteoritos gigantescos em Marte podem, na verdade, ter acelerado a libertação das primeiras águas do interior do planeta, preparando o cenário para reacções de formação da vida,” disse Desmond Moser, cientista da Universidade Western.

O professor de Geografia e Ciências da Terra explicou que é sabido que o número e os tamanhos dos impactos de meteoritos em Marte e na Terra diminuíram gradualmente após a formação dos planetas. Eventualmente, os impactos tornaram-se pequenos e pouco frequentes para que as condições próximas da superfície pudessem permitir que a vida se desenvolvesse. No entanto, há muito que é debatido quando este bombardeamento pesado de meteoritos teve lugar.

Foi proposta uma fase “tardia” de bombardeamento pesado em ambos os planetas que terminou há cerca de 3,8 mil milhões de anos.

Para o estudo, Moser e a sua equipa analisaram os grãos minerais mais antigos e conhecidos de meteoritos que se pensa terem tido origem nas terras altas do sul de Marte. Estes grãos antigos, observados até níveis atómicos, estão quase inalterados desde que cristalizaram perto da superfície de Marte.

Em comparação, a análise das áreas impactadas na Terra e na Lua mostra que mais de 80% dos grãos estudados contêm características associadas a impactos, como a exposição a pressões e temperaturas intensas.

Os resultados sugerem que o bombardeamento pesado de Marte terminou antes da formação dos minerais analisados, o que significa que a superfície marciana teria ficado habitável quando a água se tornou abundante. A água também estava presente na Terra durante esta época – de modo que é plausível que o relógio biológico do Sistema Solar tenha começado muito antes da data aceite anteriormente.

Astronomia On-line
28 de Junho de 2019

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2246: O pico de metano detectado em Marte desapareceu (e o mistério cresce)

CIÊNCIA

NASA
A sonda norte-americana Curiosity

O pico de metano – gás associado à existência de vida na Terra – detectado na semana passada pelo rover Curiosity em Marte desapareceu poucos dias depois da sua identificação, adensando o mistério sobre a presença deste composto no Planeta Vermelho.

A equipa que monitoriza o rover da NASA levou a cabo um ensaio de acompanhamento sobre o pico de metano detectado na semana em Marte.

Os novos resultados mostraram que os níveis deste gás diminuíram consideravelmente, tendo-se registado menos de 1 parte por mil milhões de volume de metano – valor muito próximo dos números que o Curiosity encontra normalmente. O valor detectado na semana passada rondava as 21 partes por mil milhões de volume de metano.

A descoberta sugere que a detecção da semana passada, a maior quantidade deste gás já encontrado pelo rover, foi resultado de uma das plumas transitórias de metano já observadas no passado em Marte. Embora os cientistas tenham observado estes níveis a oscilar de acordo com a estação, os especialistas não encontraram ainda um padrão.

O mistério do metano continua“, disse Ashwin Vasavada, cientista do projecto Curiosity no Laboratório de Propulsão a Jacto da NASA em Pasadena, no estado norte-americano da Califórnia, citado em comunicado. “Estamos mais motivados do que nunca para continuar a medir e a unir os nossos cérebros para descobrir como é que o metano se comporta na atmosfera marciana”, acrescentou na mesma nota.

O rover da NASA não está equipado com instrumentos que possam concluir de forma definitiva se a fonte de metano é de origem biológica ou geológica. Uma compreensão mais clara deste picos, aliada a medições coordenadas por outras missões, poderia ajudar os cientistas a determinar a localização destas fontes de gás e a definir a sua duração.

ZAP //

Por ZAP
28 Junho, 2019

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2238: Cientistas sugerem colonização em Marte através de banco de espermatozóides

CIÊNCIA

Equipa de investigadores considera que se os espermatozóides congelados poderiam permitir uma colonização mais rápida deste planeta… em missões com astronautas mulheres.

Uma imagem do planeta vermelho captada em 2014 no âmbito da missão Mars Exploration Rover
© NASA/JPL-Caltech/Cornell/ASU

Já há muito que se discute a possibilidade de haver vida em Marte. Mas e que tal colonizar o planeta a partir de um pequeno grupo de mulheres? Uma investigação levada a cabo pela NASA vem mostrar que a ideia é teoricamente exequível. De acordo com o The Guardian, este trabalho sugere que se poderia levar para o Planeta Vermelho um banco de espermatozóides, congelados, que segundo os últimos estudos não se danificam mesmo quando expostos a ambientes de “gravidade zero”. O banco de esperma seria levado por equipas de astronautas mulheres, que assim poderiam gerar “marcianos” sem precisar de parceiros masculinos.

Já em 2017 aquela que foi a primeira astronauta britânica, Helen Sharman (visitou a estação espacial Mir em 1991), falava da existência deste estudo, não aprofundando as conclusões. Mas este relatório só viria a ser conhecido este domingo, durante o encontro anual da Sociedade Europeia de Reprodução Humana e Embriologia, em Viena, Áustria.

O investigador Montserrat Boada, do Instituto de Saúde Feminina de Barcelona, quem apresentou o estudo, explicou que o trabalho envolveu dez dadores de esperma saudáveis, colocados em contacto com a micro-gravidade, com a ajuda de uma pequena aeronave. Os resultados foram claros: “Nada foi relatado sobre os possíveis efeitos das diferenças gravitacionais sobre os gâmetas humanos congelados, que poderiam ser transportados da Terra para o espaço”, explicou. Por isso, pode concluir-se que existe mesmo “a possibilidade de criar um banco de esperma humano fora da Terra”.

Contudo, os cientistas alertam que é preciso dar continuidade à investigação, para melhor entender o impacto das características espaciais na criação de vida humana. Além disso, é preciso testar os espermatozóides em Marte por um maior período de tempo.

Diário de Notícias
26 Junho 2019 — 19:18

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2237: Astrónomos encontraram uma nova (e surpreendente) cratera em Marte

NASA / JPL / University of Arizona
Nova cratera em Marte encontrada pela sonda Mars Reconnaissance Orbiter (MRO)

Marte não se “magoa” facilmente mas, quando acontece, o resultado pode ser quase comparado a uma obra de arte. Uma cratera, descoberta em Abril pela sonda Mars Reconnaissance Orbiter (MRO), é a prova disso.

Notável não só pelo tamanho como também pelas ondas de impacto, a marca preta e azul recentemente descoberta destaca-se como uma espécie de “polegar dorido” na superfície vermelha e poeirenta de Marte, conta o Science Alert.

Anualmente, o Planeta Vermelho é bombardeado por mais de 200 asteróides e cometas, no entanto, tal como explicou a cientista da Universidade do Arizona, Veronica Bray, esta nova cratera é uma das mais impressionantes que alguma vez viu.

Nos 13 anos em que a sonda Mars Reconnaissance Orbiter (MRO) tem observado o planeta, são poucos os acontecimentos que se comparam a este porque, embora o fragmento da rocha espacial responsável pareça ter cerca de 1,5 metros de largura, a própria cratera é muito maior, com cerca de 15 a 16 metros.

Um “culpado” tão pequeno como este fragmento provavelmente teria queimado ou erodido na atmosfera muito mais espessa da Terra ou, mesmo em Marte, deveria ter quebrado. Neste caso, porém, a rocha deveria ser mais sólida do que o habitual, porque conseguiu bater num ponto da região Valles Marineris, localizada próxima do equador marciano.

A imagem acima foi capturada pela câmara HiRISE (High Resolution Imaging Science Experiment) da NASA, que orbita o planeta a 255 quilómetros de distância. De acordo com o anúncio publicado no seu site oficial, “o que se destaca é o material mais escuro exposto sob a poeira avermelhada”.

A natureza exacta da geografia nesta região continua a ser incerta, mas Bray afirma que a superfície será provavelmente basalto e a parte azul que vemos na imagem deverá ser um pouco de gelo que também estava escondido sob a poeira.

Os astrónomos pensam que o embate tenha acontecido entre Setembro de 2016 e Fevereiro deste ano.

ZAP //

Por ZAP
26 Junho, 2019

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2224: NASA encontra nuvens de metano em Marte (e aguarda notícias de vida)

NASA / JPL-Caltech
Auto-retrato de ângulo baixo do rover Curiosity, da NASA

A sonda espacial Curiosity, da NASA, detectou elevado níveis de emissão de metano na superfície de Marte. A presença do gás, normalmente produzido por seres vivos, pode ser evidência de vida bacteriana no planeta vermelho.

A descoberta, que aconteceu durante uma medição realizada na passada quarta-feira pela sonda Curiosity: o rover detectou nuvens com elevados níveis de metano em Marte. Os dados chegaram à Terra na sexta-feira, deixando em euforia os cientistas da NASA.

A agência espacial norte-americana ainda não anunciou a descoberta, que foi divulgada este sábado pelo jornal norte-americano The New York Times.

“Perante este resultado surpreendente, reorganizámos o fim-de-semana para conduzir experiências de confirmação”, diz o cientista responsável pela missão, Ashwin Vasavada, num email dirigido à sua equipa, a que o jornal norte-americano teve acesso.

A presença no Planeta Vermelho de níveis significativos deste gás, que normalmente é produzido biologicamente, poderá ser um indício da existência de vida microbiana em Marte.

Em 2012, o Curiosity esteve à procura de metano no planeta vermelho, sem sucesso. No ano seguinte, a sonda detectou um pico repentino, de 7 partes por mil milhões, que se manteve observável durante dois meses.

A Curiosity detectou agora 21 partes por mil milhões de volume de metano — a maior quantidade alguma vez medida durante as missões de exploração que a NASA conduz desde 1972 em Marte. O rover não é, no entanto, capaz de determinar a origem do metano descoberto.

A descoberta deste nível de metano à superfície do planeta reforça a esperança de que possa ter havido algum tipo de vida em Marte – nomeadamente vida microbiana – e que os seus descendentes possam ter sobrevivido no subsolo até hoje.

Mas apesar de a maior parte do metano produzido na Terra ser de origem biológica, há também metano produzido por reacções geotérmicas, não biológicas.

É portanto possível que o metano encontrado seja de origem geológica e tenha estado retido no subsolo de Marte durante milhões de anos — escapando agora através de alguma eventual fenda.

Thomas Zurbuchen, administrador da NASA e director da missão, confirmou entretanto a notícia no seu perfil no Twitter, mas salienta que é necessário aguardar mais resultados. “Sendo esta uma descoberta excitante, não significa necessariamente que haja vida em Marte, porque o metano pode ser criado por interacções entra água e rochas”.

Thomas Zurbuchen @Dr_ThomasZ

.@MarsCuriosity rover found the largest amount of methane ever measured during the mission. Although this is an exciting discovery, it doesn’t necessarily mean life exists because methane can be created through interactions between rocks & water. Details: https://www.nasa.gov/feature/jpl/curiosity-detects-unusually-high-methane-levels 

Durante o fim-de-semana, a Curiosity recebeu novas instruções e realizou medições de follow-up, para confirmar os dados obtidos a semana passada. Os resultados devem chegar esta segunda-feira à Terra, onde a equipa de Ashwin Vasavada aguarda (com incontida  ansiedade) por um sinal de vida.

ZAP //

Por ZAP
24 Junho, 2019

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2209: Nuvens marcianas geladas podem formar-se a partir do fumo de meteoros mortos

CIÊNCIA

M. Kornmesser / ESO

Há muito que os astrónomos observam as nuvens na atmosfera intermediária de Marte, que começa a cerca de 30 quilómetros acima da superfície. Mas não têm conseguido explicar o fenómeno.

Agora, um novo estudo, publicado na revista Nature Geoscience, examina essas acumulações e sugere que devem a sua existência a um fenómeno chamado “fumo meteórico” . Essencialmente, a poeira gelada criada por detritos espaciais a bater na atmosfera do planeta.

“Estamos acostumados a pensar na Terra, Marte e outros corpos como planetas independentes que determinam os seus próprios climas”, disse Victoria Hartwick, estudante de pós-graduação do Departamento de Ciências Atmosféricas e Oceânicas (ATOC) e principal autora do estudo, em comunicado. “Mas o clima não é independente do sistema solar circundante”.

A investigação, que incluiu os co-autores Brian Toon na CU Boulder e Nicholas Heavens na Hampton University na Virginia, baseia-se em um facto básico sobre as nuvens: não surgem do nada. “As nuvens não se formam sozinhas“, disse Hartwick, também do Laboratório de Física Atmosférica e Espacial da CU Boulder. “Precisam de algo em que se possam condensar.”

Na Terra, por exemplo, nuvens baixas começam a vida como minúsculos grãos de sal marinho ou poeira lançados ao ar. Moléculas de água aglomeram-se em torno das partículas, tornando-se maiores. Mas, até onde os cientistas podem dizer, esse tipo de nuvem não existe na atmosfera intermediária de Marte.

Hartwick explicou que cerca de duas a três toneladas de detritos espaciais caem em Marte todos os dias, em média. Quando esses meteoros se dilaceram na atmosfera do planeta, injectam um enorme volume de poeira no ar. Para descobrir se tal fumaça seria suficiente para originar misteriosas nuvens de Marte, a equipa de Hartwick usou simulações maciças de computador que tentam imitar os fluxos e a turbulência da atmosfera do planeta.

“O nosso modelo não poderia formar nuvens nessas altitudes antes”, disse Hartwick. “Mas agora, estão todos lá e parecem estar nos lugares certos.”

Mas não se deve esperar ver nuvens gigantescas a formar-se acima da superfície de Marte tão cedo. As nuvens que a equipa estudou eram muito mais parecidas com pedaços de algodão doce do que as nuvens da Terra.

As simulações dos investigadores mostraram que as nuvens da atmosfera média podem ter um grande impacto no clima marciano. As nuvens poderiam fazer com que as temperaturas em altas altitudes oscilassem em até 10ºC.

Brian Toon, um professor da ATOC, disse que as descobertas da equipa podem ajudar a revelar a evolução passada do planeta. “Mais modelos climáticos estão a descobrir que o clima antigo de Marte, quando os rios fluíam através da superfície e a vida pode ter originado, foi aquecido por nuvens de alta altitude”, disse.

ZAP //

Por ZAP
21 Junho, 2019

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2205: Espectacular Cratera descoberta em Marte, o que a terá provocado?

À medida que as sondas e os rovers aumentam a área vasculhada de Marte, novas descobertas vão aparecendo. Desta vez apareceu uma cratera espectacular detectada numa impressionante nova imagem tirada pelo Mars Reconnaissance Orbiter da NASA.

Marte ainda é um planeta desconhecido, dado que pouca coisa ainda se sabe dele. Muitas outras surpresas estarão por descobrir.

Sonda Mars Reconnaissance Orbiter vasculha solo marciano

Mars Reconnaissance Orbiter é uma sonda norte-americana que tem a finalidade de procurar evidências de existência de água, no passado remoto de Marte. A sonda foi lançada em 10 de Agosto de 2005, estando já há mais de 13 anos a explorar o terreno marciano.

Assim, recorrendo à sua câmara científica de imagens de alta resolução (HiRISE), a nave fotografou a nova realidade no dia 17 de Abril de 2019. Segundo um comunicado da equipa HiRise, a sonda situava-se a uma altitude de 255 quilómetros. A cratera está localizada na região de Valles Marineris, perto do equador, e formou-se nalgum momento entre Setembro de 2016 e Fevereiro de 2019.

Dado que é impossível monitorizar toda a superfície de Marte, não há dados concretos de quando se formou esta cratera.

Foto a preto e branco da nova cratera.
Imagem: NASA / JPL / Universidade do Arizona

Câmara HiRise que procura água em Marte encontrou arte?

A equipa responsável pela HiRise descreveu a nova foto como uma “obra de arte”. Além disso, dizem também que “o material mais escuro exposto sob a poeira avermelhada” é o que faz com que esta cratera em particular se destaque. Por outro lado, as áreas azuladas na imagem de cores falsas, na primeira imagem) mostram áreas em que o material da superfície vermelha foi mais afectado pelo impacto.

Os responsáveis pela HiRISE e a cientista da Universidade do Arizona, Veronica Bray, disseram à Space.com que a cratera tem cerca de 15 a 16 metros  de largura. A mancha escura criada pelo impacto tem cerca de 500 metros de largura. Assim, Bray estimou o tamanho do meteorito em 1,5 metros de largura.

Vídeo incorporado

Peter Grindrod@Peter_Grindrod

KABOOM! Before and after images of a meteorite forming a brand new impact crater on Mars. Sometime between 18 Feb 2017 and 20 March 2019.

Este pedaço de rocha espacial provavelmente não teria sobrevivido à travessia através da atmosfera mais espessa da Terra, referiu, contudo, a rocha era provavelmente sólida, já que não há evidências de que se tenha fragmentado em pedaços menores durante a entrada atmosférica. O impacto pode ter exposto rochas basálticas sob a superfície de Marte, mas não está claro se o impacto causou o gelo subterrâneo. Referiu a cientista.

Descobrir novas crateras de impacto em Marte não é novidade para a sonda Mars Reconnaissance Orbiter. Outros exemplos notáveis ​​incluem uma cratera descoberta dentro da muito maior Cratera Corinto em 2018, e uma cratera de 30 metros de largura localizada em 2014.

Logótipo da Starfleet de Star Trek?

Na semana passada a nave identificou uma estranha característica da superfície marciana. Na verdade, o desenho no solo faz lembrar o logótipo da Starfleet de Star Trek. Será que a Star Trek, num outro tempo, passou por lá?

2168: NASA encontra em Marte o “logótipo” da Frota Estelar de Star Trek

Leonard Nimoy como Spock, na saga Star Trek

A equipa Mars Reconnaissance Orbiter da NASA destacou na sua conta de Twitter uma formação incomum de dunas em Marte que parecem recriar o clássico logótipo da Frota Estelar de Star Trek.

A fotografia foi capturada pelo HiRise, um missão científico de alta resolução que orbita o Planeta Vermelho desde 2006. No Twitter da NASA, a agência espacial convida os fãs a reconhecer o famoso logótipo.

HiRISE (NASA)

@HiRISE

Caption Spotlight (12 Jun 2019): Dune Footprints in Hellas
Enterprising viewers will make the discovery that these features look conspicuously like a famous logo.
More: https://www.uahirise.org/ESP_059708_1305 
NASA/JPL/University of Arizona #science

A reacção dos internautas foi imediata nas redes sociais: “A explicação é simples: William Shatner já estava lá e os marcianos construíram uma grande duna em sua homenagem”, escreveu um utilizador.

A HiRise, no entanto, esclareceu a situação, observando que a semelhança encontrada é uma mera coincidência. De acordo com uma nota publicada na sua página oficial, houve durante muito tempo dunas em forma de meia lua e Marte. Depois, uma erupção fez com que a lava fluísse pela planície, acabado por cercar estas formações.

Mais tarde, a lava solidificou mas o vento continuou a soprar e os aglomerados de areia, que costumavam ser dunas, afastaram-se e deixaram este tipo de pegadas.

ZAP //

Por ZAP
13 Junho, 2019

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Trump diz que a Lua faz parte de Marte…e é arrasado no Twitter

Presidente diz que a NASA se deve deixar de projectos para regressar à Lua e concentrar-se noutros, “como Marte (de que a Lua é uma parte).”

© REUTERS/Kevin Lamarque/File Photo

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, continua a somar observações desconcertantes no Twitter. Desta vez, a propósito dos planos da Agência Espacial Norte-Americana (NASA) para regressar em breve à Lua, defendeu que esta se deve concentrar em projectos mais ambiciosos, incluindo, e citamos: “Marte (de que a Lua é uma parte)”, Defesa e Ciência”.

Há quem admita a possibilidade de Trump se estar a referir, ainda de que forma bastante confusa, aos projectos da NASA para utilizar a Lua como base de lançamento de futuras missões a Marte. No entanto, tendo em conta que o tweet em causa começa com o presidente dos Estados Unidos a defender que “a NASA não devia estar a falar sobre ir à Lua – fizemos isso há 50 anos”, essa justificação parece um tanto ou quanto forçada.

Ainda que seja igualmente inconcebível a ideia de que um Presidente dos Estados Unidos possa desconhecer que a Lua é o satélite natural da Terra, é esta a leitura que, a julgar pelos comentários que esta intervenção gerou, está a ser feita pela maioria dos internautas que comentaram a publicação. Há quem tente dar umas lições básicas de astronomia a Trump. E há quem se conforme e diga que mais vale reescrever as enciclopédias.

A NASA ainda não se pronunciou sobre as afirmações de Donald Trump. Mas Marte já o fez. Ainda que seja de admitir que a conta do planeta possa não ser oficial.

O que estará de facto a preocupar a NASA, mais do que as noções de astronomia do presidente, é o facto de este ter aparentemente mudado totalmente de posição em relação ao projecto lunar, cuja equipa deverá integrar uma mulher. É que, há menos de um mês, Trump anunciava entusiasticamente os planos da sua administração para um regresso “em grande” ao espaço, Lua incluída.

Ainda esta sexta-feira, recorde-se, a NASA tinha anunciado planos para abrir a Estação Espacial Internacional ao turismo, de forma a ajudar financiar vários projectos, incluindo as missões lunares, e a reforçar a ligação ao sector privado.

Diário de Notícias

DN
08 Junho 2019 — 22:34



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2106: Orbitador ExoMars prepara-se para a chegada do rover Rosalind Franklin

A sonda ExoMars TGO (Trace Gas Orbiter) em Marte. Foi lançada em 2016 com o módulo demonstrador Schiaparelli de entrada, descida e aterragem. Está a procurar evidências de metano e outros gases atmosféricos que podem ser assinaturas de processos biológicos activos ou geológicos em Marte. Também vai servir como relé de comunicações para a plataforma de superfície e para o rover Rosalind Franklin.
Crédito: ESA-D. Ducros

No dia 15 de Junho, a sonda ExoMars TGO (Trace Gas Orbiter) da ESA-Roscosmos vai tomar um percurso diferente. Uma “Manobra de Mudança de Inclinação” colocará a espaço-nave numa órbita alterada, permitindo com que capte sinais cruciais para o rover ExoMars, de nome Rosalind Franklin, com chegada prevista para o Planeta Vermelho em 2021.

Depois de completar uma série de manobras complexas durante 2017, o ExoMars TGO orbita agora Marte a cada duas horas, reunindo dados científicos do rover e lander da NASA (à superfície) e retransmitindo-os para a Terra. Ao mesmo tempo, o orbitador está a recolher os seus próprios dados sobre a atmosfera do planeta, abundância de água e sobre a superfície.

Mais de um ano antes do Rosalind sequer levantar voo da Terra, os especialistas em dinâmica de voo no centro de controle da missão ESOC da ESA formularam um plano a longo prazo para garantir que o ExoMars TGO possa comunicar com o novo rover e com a nova plataforma de superfície da ESA, contidos no módulo de entrada, descida e pouso.

As pequenas mudanças na órbita de uma nave têm um grande efeito ao longo do tempo, de modo que enquanto as próximas manobras alteram apenas ligeiramente a velocidade da TGO, esta estará na posição correta para comunicar com o rover até 2021.

O movimento natural da TGO

O campo gravítico desigual de Marte significa que a órbita da TGO “vagueia”. Assim sendo, gira gradualmente em torno de Marte com o passar do tempo. Como ilustrado no primeiro gráfico, a sonda segue ao início o percurso preto, depois o verde, depois o vermelho – continuando até completar uma rotação em torno do planeta a cada quatro meses e meio.

Para manter contacto com o módulo de descida quando este penetrar na atmosfera marciana, descer e pousar à superfície, a orientação da sonda precisa de mudar.

Neste mês de Junho, três manobras vão alterar a velocidade da TGO, duas vezes por 30,9 m/s e uma pequena mudança final de 1,5 m/s, aproximando-a ligeiramente dos pólos marcianos.

Inclinada a voar

Graças a estas manobras, o percurso da sonda será mais parecido com o do segundo gráfico, ilustrando “instantâneos no tempo” durante a descida do novo rover em 2021.

A linha verde representa o caminho de aproximação do rover Rosalind Franklin.

A linha preta mostra a órbita da sonda TGO com a sua orientação optimizada, dois anos após as manobras deste mês.

O percurso vermelho indica a órbita original da TGO.

Em fase com o rover Rosalind Franklin

Assim que o orbitador TGO tenha a sua nova órbita optimizada em torno de Marte, as equipas no solo também devem garantir que estará no lado correto quando o rover chegar – “em fase” com Rosalind Franklin.

Em Fevereiro de 2021, será realizada uma pequena manobra para garantir que nave TGO está no local certo, à hora certa para a chegada do “lander”.

O resultado de todas estas manobras combinadas pode ser visto no terceiro gráfico.

A linha preta representa a órbita da TGO em torno de Marte no momento em que a Rosalind Franklin começa a descer, indicado pela linha verde.

Os pontos azuis ao longo das órbitas de ambas as espaço-naves estão ligados por linhas horizontais, ilustrando as suas posições relativas em diferentes intervalos de tempo, e como são capazes de se “ver” uma à outra a cada momento, garantindo assim que o contacto de rádio possa ser mantido.

Desfasada

Se as equipas no controlo da missão deixassem a ExoMars TGO na sua órbita actual, sem realizar nenhuma manobra, o próprio planeta Marte mais tarde ficaria entre a nave em órbita e o novo explorador marciano.

Neste gráfico final, a linha vermelha ilustra a órbita desfasada da TGO, e novamente a linha verde mostra o percurso do rover Rosalind Franklin e os pontos azuis representam momentos no tempo para cada nave.

As linhas entre os pontos revelam como, neste cenário, Marte bloquearia a sua visão uma da outra.

Sem colocar o orbitador em fase com o rover de Marte, as duas naves permaneceriam invisíveis uma à outra no momento crucial em que o rover desce até à superfície.

A previsão e o planeamento a longo prazo dos especialistas da missão não só garantem a comunicação entre duas das mais importantes missões da ESA, como também poupam combustível – seria necessária uma quantidade enorme para colocar a TGO na posição certas nas semanas ou até mesmo meses antes da chegada do rover ExoMars.

Astronomia On-line
4 de Junho de 2019



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2105: Cientistas inventam nova forma de produzir oxigénio em Marte

CIÊNCIA

Kevin Gill / Flickr

Futuros exploradores de Marte podem ter assegurada uma forma de eles próprios produzirem oxigénio. A ideia para o novo método surgiu ao estudarem os cometas.

Esta nova forma de produzir oxigénio em Marte pode facilitar os planos de um dia viajarmos até ao planeta vermelho e pode também reduzir os custos dessa viagem. Com Marte a milhões de quilómetros de distância da Terra, transportar grandes quantidades de oxigénio até lá seria uma tarefa árdua e trabalhosa.

O método usado anteriormente para a produção de oxigénio era através de energia cinética. Contudo, investigadores do Instituto de Tecnologia da Califórnia descobriram um novo método para fazê-lo.

A reacção geradora de oxigénio foi descoberta pelos cientistas através do estudo dos cometas. Naturalmente perfeitos por gelo, se a órbita de um cometa se aproxima do sol, o calor começa a derreter o seu gelo, deixando para trás um rasto que se pode estender por vários milhares de quilómetros.

Caso haja compostos que contenham oxigénio na superfície do cometa, as moléculas de água podem arrancar esses átomos de oxigénio e produzir oxigénio molecular, como explica a Space.

A equipa de cientistas descobriu que este oxigénio molecular pode ser produzido através de reacções de dióxido de carbono. Os investigadores Yunxi Yao e Konstantinos Giapis simularam esta reacção em folha de ouro, que não é oxidável e, portanto, não produz oxigénio molecular. Contudo, verificaram que a reacção do dióxido carbono fazia com que a folha de ouro emitisse oxigénio.

“Isto significa que ambos os átomos de oxigénio vêm da mesma molécula de CO2, dividindo-a de uma maneira extraordinária”, explicou o Instituto de Tecnologia da Califórnia em comunicado. Os resultados da investigação foram publicados este mês na revista Nature Communications.

Os cientistas descobriram que moléculas extremamente “dobradas” de dióxido de carbono podem ser criadas sem a agitação deste elemento. Desta forma, era produzido oxigénio.

Giapis acredita que o oxigénio em Marte poderá ser gerado quando partículas de poeira a alta velocidade na atmosfera colidem com moléculas de dióxido de carbono. Antes, os cientistas acreditavam que a baixa concentração de oxigénio em Marte é causada pela colisão de luz ultravioleta do sol com moléculas de dióxido de carbono.

O cientista é ainda da opinião que o reactor criado pode ser usado para criar oxigénio respirável para os astronautas em Marte.

ZAP //

Por ZAP
4 Junho, 2019



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