3134: Tempestades globais em Marte lançam torres de poeira para o céu

CIÊNCIA

Animações lado a lado de como a tempestade global de poeira de 2018 envolveu o Planeta Vermelho, cortesia da câmara MARCI (Mars Color Imager) a bordo da sonda MRO (Mars Reconnaissance Orbiter) da NASA. Esta tempestade global de poeira fez com que o rover Opportunity perdesse contacto com a Terra.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/MSSS

As tempestades de poeira são comuns em Marte. Mas, mais ou menos a cada década, acontece algo imprevisível: ocorrem uma série de tempestades descontroladas, cobrindo todo o planeta numa névoa empoeirada.

No ano passado, uma frota de naves espaciais da NASA teve uma visão detalhada do ciclo de vida da tempestade global de poeira de 2018 que encerrou a missão do rover Opportunity. E enquanto os cientistas ainda estão a analisar os dados, dois artigos científicos publicados recentemente lançam uma nova luz sobre um fenómeno observado dentro da tempestade: torres de poeira, ou nuvens de poeira concentrada que aquecem à luz do Sol e se elevam no ar. Os cientistas pensam que o vapor de água preso a poeira pode estar a elevar-se com ela para o espaço, onde a radiação solar quebra as suas moléculas. Isto pode ajudar a explicar como a água de Marte desapareceu ao longo de milhares de milhões de anos.

As torres de poeira são nuvens massivas, rodopiantes e mais densas que sobem muito mais alto do que a poeira de fundo normal na fina atmosfera marciana. Embora também ocorram em condições normais, as torres parecem formar-se em maior número durante tempestades globais.

Uma torre começa à superfície do planeta como uma área de poeira relativamente elevada com algumas dezenas de quilómetros de largura. Quando uma torre atinge uma altura de 80 quilómetros, como observado na tempestade global de poeira de 2018, pode ter várias centenas de quilómetros de largura. À medida que a torre decai, pode formar uma camada de poeira 56 quilómetros acima da superfície com milhares de quilómetros de comprimento.

As descobertas mais recentes sobre as torres de poeira surgem da sonda MRO (Mars Reconnaissance Orbiter) da NASA, liderada pelo JPL em Pasadena, no estado norte-americano da Califórnia. Embora as tempestades de poeira globais cubram a superfície do planeta, a MRO pode usar o seu instrumento MCS (Mars Climate Sounder) com detecção de calor para espiar através da neblina. O instrumento foi construído especificamente para medir os níveis de poeira. Os seus dados, juntamente com imagens de uma câmara a bordo do orbitador chamada MARCI (Mars Context Imager), permitiram aos cientistas detectar inúmeras torres “inchadas” de poeira.

Como é que Marte perdeu a sua água?

As torres de poeira aparecem durante todo o ano marciano, mas a MRO observou algo diferente durante a tempestade de poeira global de 2018. “Normalmente, a poeira cai num dia ou mais,” disse o autor principal do artigo, Nicholas Heavens da Universidade Hampton, no estado norte-americano da Virgínia. “Mas durante uma tempestade global, as torres de poeira são renovadas continuamente durante semanas.” Em alguns casos foram vistas várias torres durante três semanas e meia.

O ritmo da actividade da poeira surpreendeu Heavens e outros cientistas. Mas especialmente intrigante é a possibilidade de as torres de poeira agirem como “elevadores espaciais” para outros materiais, transportando-os pela atmosfera. Quando a poeira transportada pelo ar aquece, cria correntes de ar que transportam gases, incluindo a pequena quantidade de vapor de água às vezes vista como nuvens finas em Marte.

Um artigo anterior liderado por Heavens mostrou que, durante uma tempestade global de poeira em 2007, as moléculas de água foram lançadas para a atmosfera superior onde a radiação solar pode decompo-las em partículas que escapam para o espaço. Isto pode ser uma pista de como o Planeta Vermelho perdeu os seus lagos e rios ao longo de milhares de milhões de anos, tornando-se no deserto gelado que é hoje.

Os cientistas não sabem dizer com certeza o que provoca as tempestades globais de poeira; estudaram menos de uma dúzia até agora.

“As tempestades globais de poeira são realmente invulgares,” disse o cientista do instrumento MCS, David Kass, no JPL. “Não temos realmente nada parecido com isto na Terra, onde o clima do planeta inteiro muda durante vários meses.”

Com tempo e mais dados, a equipa da MRO espera entender melhor as torres de poeira criadas nas tempestades globais e que papel podem desempenhar na remoção de água da atmosfera do Planeta Vermelho.

Astronomia On-line
3 de Dezembro de 2019

spacenews

 

3123: NASA simula o movimento das nuvens marcianas

CIÊNCIA

Um grupo de cientistas do Centro de Investigação Ames (ARC) da NASA, localizado no estado norte-americano da Califórnia, simulou o movimento das nuvens em Marte recorrendo a supercomputadores.

As imagens foram publicadas na passada segunda-feira no YouTube, informou a agência espacial norte-americana em comunicado. Na simulação criada pelos cientistas do ARC é possível ver como é que as nuvens de água gelada se formam para dispersarem depois consoante as estações que o Planeta Vermelho atravessa.

Na época do ano retratada na imagem acima, quando é verão no hemisfério norte de Marte, as nuvens formam-se lentamente durante a noite perto do Equador, tornando-se mais espessar logo antes do sol nascer.

A NASA observa ainda que neste cenário as nuvens dispersam rapidamente à medida que o dia aquece e voltam a formar-se ao anoitecer. É ainda possível ver na mesma imagem vários picos de Tharsis Montes, uma cadeia de vulcões que sobressaem através das nuvens, refere a agência espacial na mesma nota.

Apesar de as nuvens marcianas serem mais finas do que as terrestres, explica a NASA, estas representam um papel importante no clima de Marte, especialmente na intensidade dos seus sistemas eólicos, isto é, estas nuvens ajudam a controlar o movimento da água em torno do planeta.

As instalações de super-computação avançadas da NASA utilizadas nesta investigação fornecem aos cientistas que investigam Marte ferramentas necessárias para estudar em detalhe a atmosfera marciana, bem como as suas escalas de tempo.

A investigação pode ainda ser útil para planear futuras missões a Marte, ajudando-nos ainda a melhor compreender o nosso Sistema Solar e a evolução dos planetas.

ZAP //

Por ZAP
30 Novembro, 2019

spacenews

 

3077: ADN de tardígrados pode ajudar humanos a sobreviver em Marte

CIÊNCIA

dottedhippo / Canva

Combinarmos o ADN de tardígrados com as nossas células pode ser a solução para que consigamos sobreviver em Marte. A teoria parte do geneticista Chris Mason, da Universidade Weill Cornell, em Nova Iorque.

Os tardígrados, popularmente conhecidos como ursos de água, são seres extremófilos, capazes de sobreviver em situações extremas, no vácuo do espaço e em temperaturas abaixo de zero, sendo mesmo considerado o animal mais resistente do mundo.

Chris Mason sugere que combinar a informação genética desta criatura com células humanas pode ser uma solução para preparar os nossos astronautas para as condições que Marte oferece. O norte-americano tem dedicado grande parte da sua carreira a estudar os efeitos genéticos dos voos espaciais e como é que os seres humanos podem superar essas limitações.

Para o efeito, Mason estudou dois irmãos gémeos astronautas: Mark e Scott Kelly. Em 2015, enquanto o primeiro passou um ano na Estação Espacial Internacional, o segundo esteve no planeta Terra. Durante esse tempo, a equipa de Mason estudou as alterações biológicas de cada um nos seus respectivos ambientes.

No mês passado, durante a conferência “Human Genectics”, o geneticista conversou sobre os resultados da sua investigação e falou sobre a ideia de fazer um estudo mais abrangente para preparar da melhor forma os nossos astronautas.

Como tal, Mason explicou que os futuro astronautas podem vir a tomar medicamentos prescritos para ajudar a mitigar os efeitos que a sua equipa descobriu com a mais recente investigação. Além disso, de acordo com o Live Science, o especialista falou ainda de usar a edição de genes para tornar os humanos mais capazes de chegar a planetas como Marte.

“Se tivermos mais 20 anos de pura descoberta, mapeamento e validação funcional do que pensamos saber, talvez daqui a 20 anos, espero que possamos estar numa fase em que consigamos dizer que podemos fazer um humano que poderia sobreviver melhor em Marte”, disse Mason.

Apesar de reconhecer a controvérsia associada à manipulação de genes humanos, o professor da universidade nova-iorquina reconhece que combinar células humanas com ADN de tardígrados pode ser uma solução para que os astronautas resistam, por exemplo, à radiação.

Na sua opinião, isto é algo ao nosso alcance. “Não é se evoluímos; é quando evoluirmos“, acrescentou. Quanto à questão ética, Mason disse que se a engenharia genética tornar as pessoas mais capazes de habitar Marte de uma forma mais segura, sem interferir com a capacidade de viver na Terra, as pessoas aceitarão mais facilmente.

ZAP //

Por ZAP
23 Novembro, 2019

 

3065: Entomólogo diz que há “abelhas” em Marte (e tem provas)

CIÊNCIA

ESA

Enquanto os cientistas tentam encontrar vida em Marte com experiências no terreno, como a sonda Curiosity, o entomólogo William Romoser, professor emérito na Universidade do Ohio, nos Estados Unidos, afirma que já temos provas da sua existência.

A sua teoria, que foi apresentada na reunião nacional da Sociedade Americana de Entomologia em St. Louis, Missouri, apoia-se em fotografias enviadas por vários rovers em Marte, nas quais assegura conseguir ver seres semelhantes a abelhas e répteis.

“Houve e ainda há vida em Marte”, afirmou Romoser, durante a reunião, explicando que, depois de analisar durante vários anos as imagens do Planeta Vermelho disponíveis na Internet, concluiu que não existiam apenas fósseis, mas também criaturas vivas.

“Existe uma aparente diversidade entre a fauna de insectos marciana que mostra muitas características semelhantes às que vivem na Terra e incluídas nos grupos avançados. Por exemplo, há presença de asas, flexão das asas, voo deslizante e ágil, além de pernas com diferentes estruturas de pernas ”, afirmou Romoser, citado pela ABC.

Segundo o entomólogo, há uma série de fotografias que mostram claramente a forma de insectos e répteis e é possível seleccionar os diferentes segmentos corporais, juntamente com as patas, antenas e asas.

A investigação, que foi publicada este mês na revista especializada Entomology 2019 e que ainda não foi revista pelos pares, baseia-se no estudo de imagens por vários parâmetros fotográficos, como brilho, contraste, saturação e inversão. Além disso, foram levados em consideração o ambiente, a clareza da forma, a simetria corporal, a segmentação em diferentes partes, além de formas repetitivas, restos ósseos e observação de formas próximas umas das outras.  A alegada evidência de “olhos brilhantes” foram consideradas consistentes com a presença de formas vivas.

Em comunicado, Romoser afirmou que observou comportamentos diferentes de voos em várias imagens. De acordo com o cientista, umas assemelham-se a abelhões e outros são parecidos com abelhas na Terra. Por outro lado, Romoser afirma ter encontrado uma criatura fossilizada semelhante a uma cobra.

“A presença de organismos metazoários superiores em Marte implica a presença de fontes e processos de nutrientes e energia, cadeias e redes alimentares e água como elementos que funcionam num ambiente viável, embora extremo, para sustentar a vida”, afirmou.

ZAP //

Por ZAP
21 Novembro, 2019

 

3055: Rover Mars 2020 vai procurar fósseis microscópicos

CIÊNCIA

As cores mais claras representam elevações mais altas nesta imagem da Cratera Jezero em Marte, o local de aterragem da missão Mars 2020 da NASA. A oval indica a elipse de aterragem, onde o rover vai pousar em Marte.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/MSSS/JHUAPL/ESA

Cientistas do rover Mars 2020 da NASA descobriram o que poderá ser um dos melhores locais para procurar sinais de vida antiga na Cratera Jezero, onde o veículo vai pousar no dia 18 de Fevereiro de 2021.

Um artigo publicado a semana passada na revista Icarus identifica depósitos distintos de minerais chamados carbonatos ao longo da orla interna de Jezero, o local de um lago há mais de 3,5 mil milhões de anos. Na Terra, os carbonatos ajudam a formar estruturas suficientemente resistentes para sobreviver em forma de fóssil durante milhares de milhões de anos, incluindo conchas do mar, corais e alguns estromatólitos – rochas formadas no nosso planeta pela antiga vida microbiana ao longo de antigas linhas costeiras, onde a luz do Sol e a água era abundantes.

A possibilidade de estruturas semelhantes a estromatólitos existentes em Marte é o motivo pelo qual a concentração de carbonatos que rastreiam a linha costeira de Jezero, como água suja numa banheira deixa anéis de resíduos para trás, faz da área um campo de caça primordial científica.

Mars 2020 é a missão de próxima geração da NASA com foco na astrobiologia, ou no estudo da vida pelo Universo. Equipado com um novo conjunto de instrumentos científicos, o objectivo é aproveitar as descobertas do Curiosity da NASA, que descobriu que partes de Marte podem ter suportado vida microbiana há milhares de milhões de anos. Mars 2020 vai procurar sinais reais de vida microbiana passada, recolhendo amostras de rochas que serão depositadas em tubos de metal na superfície marciana. As missões futuras poderão transportar essas amostras para a Terra para um estudo mais aprofundado.

Além de preservar sinais de vida passada, os carbonatos podem ensinar-nos mais sobre como Marte passou de albergar água líquida e uma atmosfera mais espessa para o deserto gelado de hoje. Os minerais de carbonato formaram-se a partir de interacções entre o dióxido de carbono e a água, registando mudanças subtis nestas interacções ao longo do tempo. Nesse sentido, agem como cápsulas do tempo que os cientistas podem estudar para aprender quando – e como – o Planeta Vermelho começou a secar.

Com 45 quilómetros de largura, a Cratera Jezero também já foi o lar de um antigo delta de rio. Os “braços” deste delta podem ser vistos a alcançar o fundo da cratera em imagens obtidas a partir do espaço por missões como a MRO (Mars Reconnaissance Orbiter) da NASA. O instrumento CRISM (Compact Reconnaissance Imaging Spectrometer for Mars) deste orbitador ajudou a produzir mapas minerais coloridos do “anel da banheira” detalhado no novo artigo.

“O CRISM avistou carbonatos aqui há anos atrás, mas apenas recentemente notámos como estão concentrados exactamente onde seria a linha costeira,” disse a autora principal Briony Horgan, da Universidade Purdue em West Lafayette, no estado norte-americano de Indiana. “Vamos encontrar depósitos de carbonatos em muitos locais ao longo da missão, mas o ‘anel da banheira’ será um dos lugares mais interessantes de visitar.”

Não é garantido que os carbonatos da costa tenham sido formados no lago; podem ter sido depositados antes que o lago estivesse aí presente. Mas a sua identificação faz da orla oeste do local, de nome “região marginal portadora de carbonatos”, um dos tesouros mais ricos destes minerais em qualquer lugar da cratera.

A equipa Mars 2020 espera explorar tanto o chão da cratera quanto o delta durante a missão principal do rover com a duração de dois anos. Horgan disse que a equipa espera alcançar a borda da cratera e os seus carbonatos perto do final desse período.

“A possibilidade de os ‘carbonatos marginais’ terem sido formados no ambiente do lago foi uma das características mais emocionantes que nos levaram à decisão de aterrar na Cratera Jezero. A química dos carbonatos numa antiga margem de lago é uma receita fantástica para preservar registos de vida e do clima do passado de Marte,” disse o cientista adjunto do projecto Mars 2020, Ken Williford, do JPL da NASA em Pasadena, Califórnia. O JPL lidera a missão do rover Mars 2020. “Estamos ansiosos por chegar à superfície e descobrir como estes carbonatos se formaram.”

A margem do antigo lago da Cratera Jezero não é o único local que os cientistas estão ansiosos por visitar. Um novo estudo publicado na revista Geophysical Research Letters aponta para um rico depósito de sílica hidratada na beira do antigo delta do rio. Como os carbonatos, este mineral é excelente para preservar os sinais de vida antiga. Se este local provar ser a camada inferior do delta, será um local especialmente bom para procurar fósseis microbianos enterrados.

O rover Mars 2020 será lançado em Julho ou Agosto de 2020 a partir de Cabo Canaveral, Florida. Mars 2020 faz parte de um programa maior que inclui missões à Lua como preparação para a exploração humana do Planeta Vermelho. Encarregada de fazer regressar astronautas à Lua até 2024, a NASA estabelecerá uma presença humana sustentada na Lua e em órbita até 2028 através dos planos de exploração lunar Artemis da NASA.

Astronomia On-line
19 de Novembro de 2019

 

3027: China quer ir a Marte em 2020

CIÊNCIA

A China anunciou que tem a tecnologia pronta para colocar uma sonda à superfície de Marte já em 2020, algo que só a NASA conseguiu atingir até agora.

É a primeira missão interplanetária da China e vai ter dois objectivos: colocar uma sonda na órbita de Marte e aterrar uma outra sonda à superfície do “planeta vermelho”. O sistema de propulsão necessário já terá passado todos os testes exigidos, de acordo com uma nota do Xi’an Aerospace Propulsion Institute. Esta entidade terá verificado o desempenho e o controlo do sistema em várias operações, como pairar, evitar perigos, abrandar e a fase de aproximação à superfície, concluindo que os mecanismos de propulsão estão prontos.

A China já escolheu dois locais preliminares para aterrar em Marte, perto da Utopia Planitia, em duas elipses de aproximadamente 100×40 quilómetros, noticia o Spectrum. A sonda colocada à superfície vai pesar 240 quilos, terá o dobro da massa que têm as sondas lunares chinesas, e terá integradas câmaras de navegação, de topografia e multi-espectrais, um radar de detecção no subsolo, um instrumento de espectroscopia por laser semelhante ao da Curiosity, um detector de campos magnéticos e um detector de clima.

O desafio neste momento passa por ter o foguetão Long March 5 pronto para colocar este equipamento e estas sondas a caminho de Marte. O foguetão estreou-se em 2016, teve um voo falhado em 2017 e já foi alvo de duas alterações a nível do design dos motores. Em Dezembro, será feito mais um voo de testes, aonde irá colocar um grande satélite em órbita geo-estacionária. Caso este voo não tenha sucesso, a China terá de aguardar mais 26 meses pela abertura da janela Hohmann, no final de 2022, para chegar a Marte.

Chegar a Marte é parte do desafio, mas a aterragem à superfície a ser uma parte talvez ainda mais complexa, devido às circunstâncias particulares da atmosfera e da gravidade. Recorde-se que o momento da aterragem foi quando muitas missões, como as da Agência Espacial Europeia e da Roscosmos russa, falharam.

Exame Informática
12.11.2019 às 8h35

 

3024: NASA: Cientistas fazem descoberta desconcertante sobre o oxigénio de Marte

CIÊNCIA

A atmosfera de Marte tem oxigénio, contudo, são apenas leves traços. Na verdade, além do gás que sustenta a nossa vida, o “ar que se respira” no planeta vermelho é composto por 95% de dióxido de carbono, azoto, argão, água e metano.

Segundo a NASA, a sonda Curiosity, descobriu um padrão de comportamento do oxigénio muito estranho. De tal forma que os investigadores nunca viram comportamento igual e não são capazes de explicar quimicamente o que descobriram.

Marte tem oxigénio que o ser humano respira

Pela primeira vez na história da exploração espacial, os cientistas mediram as mudanças sazonais nos gases que enchem o ar directamente acima da superfície da Cratera Gale em Marte.

Como resultado, foi descoberto algo desconcertante: o oxigénio, o gás que muitas criaturas da Terra usam para respirar, comporta-se de uma maneira que até agora os cientistas não conseguem explicar através de nenhum processo químico conhecido.

Como é a atmosfera de Marte?

Ao longo de três anos de Marte (ou quase seis anos da Terra), um instrumento no laboratório de química portátil Sample Analysis at Mars (SAM) dentro da barriga da sonda Curiosity da NASA inalou o ar da Gale Crater e analisou a sua composição.

Os resultados obtidos depois do SAM cuspir as amostram apresentaram e confirmaram a composição da atmosfera marciana na superfície.

Assim, o ar é composto por 95% em volume de dióxido de carbono (CO2), 2,6% de azoto molecular (N2), 1,9% de argão (Ar), 0,16% de oxigénio molecular (O2) e 0,06% de monóxido de carbono (CO).

Além disso, foi também revelado o processo de como as moléculas do ar marciano se misturam e circulam com as mudanças na pressão do ar ao longo do ano.

Percebeu-se que essas mudanças são causadas quando o gás CO2 congela sobre os pólos no inverno, diminuindo assim a pressão do ar em todo o planeta após a redistribuição do ar para manter o equilíbrio da pressão. Quando o CO2 evapora na primavera e no verão e se mistura, provoca um aumento da pressão do ar.

Há mais oxigénio em Marte no verão

Os dados agora recolhidos, permitiram aos investigadores medir as alterações nos gases da atmosfera imediatamente acima da Cratera Gale. Como resultado, foi descoberto que o nitrogénio e o argão seguem um padrão expectável. As concentrações destes gases aumentam e diminuem naquela região ao longo do ano face à quantidade de CO2 existente no ar.

Contudo, em contracorrente do que eram as expectativas, o mesmo não acontece com o oxigénio.

Surpreendentemente, a quantidade do oxigénio no ar aumentou durante toda a primavera e verão em cerca de 30%. Posteriormente, como voltou aos níveis previstos no outono marciano.

Apesar de ser algo novo para os investigadores, este notaram que o acontecimento não foi um caso isolado. Este padrão repetiu-se a cada primavera.

Na primeira vez que observamos o fenómeno, foi chocante.

Referiu Sushil Atreya, professor de ciências climáticas e espaciais.

O mistério do oxigénio de Marte sem explicação

Assim que os cientistas descobriram o enigma do oxigénio, os especialistas de Marte começaram a trabalhar para o explicar.

Primeiro verificaram a precisão do instrumento SAM que usaram para medir os gases: o Espectrómetro de Massa Quadrupolar. O instrumento estava bem.

A seguir consideraram a possibilidade de que as moléculas de CO2 ou água (H2O) pudessem ter liberado oxigénio quando se separaram na atmosfera, levando ao aumento de curta duração. Contudo, seria necessário cinco vezes mais água acima de Marte para produzir o oxigénio extra, e o CO2 decompõe-se muito lentamente para gerá-lo em tão pouco tempo.

E quanto à diminuição do oxigénio? Poderia a radiação solar ter quebrado as moléculas de oxigénio em dois átomos que explodiram no espaço?

Segundo os cientistas nada disto faz sentido. Isto porque seriam necessários pelo menos 10 anos para que o oxigénio desaparecesse através deste processo.

Estamos a lutar para explicar isto. O facto de que o comportamento do oxigénio não é perfeitamente repetível a cada estação faz-nos pensar que não é um problema que tem a ver com a dinâmica atmosférica. Tem que ser alguma fonte química e sumidouro que ainda não podemos explicar.

Referiu Melissa Trainer, cientista planetária do Goddard Space Flight Center da NASA.

A história do oxigénio marciano

Para os cientistas que estudam Marte, a história do oxigénio é curiosamente semelhante à do metano. Deste modo, o metano está constantemente no ar dentro da Gale Crater em quantidades tão pequenas (0,00000004% em média) que é dificilmente discernível mesmo pelos instrumentos mais sensíveis de Marte.

Ainda assim, o gás foi medido pelo Espectrómetro Laser da SAM. O instrumento revelou que enquanto o metano sobe e desce sazonalmente, aumenta em abundância em cerca de 60% nos meses de verão por razões inexplicáveis. (Na verdade, o metano também aumenta de forma aleatória e dramática. Os cientistas estão a tentar perceber porquê).

Estamos a começar a perceber uma correlação tentadora entre metano e oxigénio durante boa parte do ano de Marte. Julgo que terá algo a ver com isso. Só não tenho ainda as respostas ainda. Ninguém tem.

Concluiu Atreya.

Terá sido produzido por “seres vivos”?

O oxigénio e o metano podem ser produzidos biologicamente (por micróbios, por exemplo) e abiologicamente (da química relacionada à água e às rochas).

Apesar destas tantas dúvidas, os cientistas estão a considerar todas as opções, embora não tenham nenhuma evidência convincente da actividade biológica em Marte.

A sonda da NASA não possui instrumentos para dizer se a fonte do metano ou do oxigénio marciano é biológica ou geológica. Então, os cientistas esperam que as explicações não biológicas sejam mais prováveis e estão a trabalhar rápido para obter respostas definitivas.

Mars Curiosity Rover encontra evidências de um antigo oásis em Marte

Conforme a própria NASA por várias vezes referiu, onde há água há vida e o encontrar de água em Marte é uma prioridade. Nesse sentido, numa última caminhada pela Cratera Gale em Marte, o … Continue a ler


Imagem: NASA
Fonte: NASA

 

3022: Elon Musk explica como construir uma cidade sustentável em Marte

TECH

Space X / Flickr

O CEO da Space X, o multimilionário Elon Musk, revelou na rede social Twitter detalhes sobre os planos da empresa para estabelecer um assentamento em Marte que seja sustentável para os seres humanos.

No entender de Musk, que é também o CEO da Tesla, para tornar este projecto realidade, seria necessário construir 1.000 naves espaciais que transportem um milhão de toneladas de carga durante 20 anos.

A estimativa de tempo apontada por Musk tem em conta vários factores, incluindo o facto de as viagens entre a Terra e Marte apenas podem ser realizadas a cada dois anos, uma vez que é neste período que os planetas se alinham – por isso, seria viável fazer uma viagem ao Planeta Vermelho a cada 24 meses.

Na semana passada, Musk anunciou que um voo da Starship – nave espacial especialmente projectada para transportar pessoas e cargas para o Planeta Vermelho e para a Lua – custaria apenas 2 milhões de dólares, com custos operacionais menores do que os de “um pequeno foguete”, disse o visionário.

Agora, o CEO da Space X avançou mais detalhes: a Starship poderá voar até três vezes por dia, cerca de 1.000 vezes por ano. Segundo a revista Exame, cada veículo espacial teria capacidade de transportar 100 toneladas para órbita por ano. No total, 10 milhões de toneladas de material seriam transportados por ano.

A reluzente Nave Estelar de Musk é de aço porque vai “sangrar água”

Ao longo do mês de Janeiro, Elon Musk, fundador e CEO da Space X, tem levantado o véu sobre aquela…

ZAP //

Por ZAP
13 Novembro, 2019

 

3003: Elon Musk já sabe o que é necessário para a SpaceX criar uma cidade em Marte

HIGH TECH

Elon Musk sempre foi claro nos seus planos para a SpaceX. Esta será a forma que encontrou para levar o Homem até Marte, mudando a forma como fazemos exploração espacial.

Tem revelado de forma bem lúcida a forma como quer colocar em breve o primeiro humano no planeta vermelho. Agora, e mostrando novamente o futuro, revelou o que é necessário para criar uma cidade em Marte.

O homem forte da SpaceX não quer apenas viajar para Marte. Elon Musk quer colocar uma colónia neste planeta, iniciando um momento único na nossa história. Para isso necessitará de criar uma cidade sustentável neste ponto remoto do espaço.

O papel essencial que a Starship representa

Para que esta possa ser criada e mantida, Elon Musk já definiu a sua expectativa. Segundo a sua ideia, ao todo vão ser necessárias 1000 naves Starship. Esta vão ser responsáveis por transportar toda carga que será necessária transportar.

Silicon Valley @teslaownersSV

How many starships you wanna build

Elon Musk @elonmusk

A thousand ships will be needed to create a sustainable Mars city

Cada uma destas naves terá a capacidade de carregar 100 toneladas de carga nos seus voos. Caso sejam construídas 100 naves Starship, a SpaceX consegue colocar em Marte 10 milhões de toneladas de carga por ano.

20 anos de viagens para Marte

Mesmo com toda esta capacidade de carga, esta será uma tarefa que demorará ainda alguns anos. As contas de Elon Musk preveem que ao todo vão ser necessários pelos menos 20 anos de viagens pelo espaço até Marte.

As the planets align only once every two years

Elon Musk @elonmusk

So it will take about 20 years to transfer a million tons to Mars Base Alpha, which is hopefully enough to make it sustainable

Durante esse tempo, as naves de carga da SpaceX vão estar a voar de forma permanente e a levar todos os elementos necessários a esta cidade sustentável e que será um entreposto no espaço.

Depois de ter revelado que o custo por voo de uma Starship ronda os 2 milhões de dólares, revela agora os recursos que este processo irá consumir. Será um processo complicado de gerir e que vai requerer a participação de muitas entidades.

Afinal quanto vai custar uma viagem a Marte? SpaceX já tem o preço calculado

Os planos da SpaceX estão traçados e bem definidos. O seu objectivo é aterrar em Marte dentro de alguns anos, marcando assim o início de uma nova corrida ao espaço e ao planeta vermelho. … Continue a ler Afinal quanto vai custar uma viagem a Marte? SpaceX já tem o preço calculado

Pplware
09 Nov 2019

 

2992: Afinal quanto vai custar uma viagem a Marte? SpaceX já tem o preço calculado

HIGH TECH

Os planos da SpaceX estão traçados e bem definidos. O seu objectivo é aterrar em Marte dentro de alguns anos, marcando assim o início de uma nova corrida ao espaço e ao planeta vermelho.

Há ainda uma grande dúvida sobre como e quando esta viagem da SpaceX vai acontecer. Algo que a marca calculou recentemente foi o preço que cada viagem vai custar. Não é barato, mas é um valor a pagar para se conseguir este salto.

O preço a pagar pela SpaceX por uma viagem a Marte

A informação relativa ao preço que terá de ser pago pela SpaceX veio do seu homem forte, Elon Musk. Numa conferência, apresentou o que o Starship e o Super Heavy vão ter de consumir para que saiam da Terra.

O valor que Elon Musk referiu está na casa dos 2 milhões de dólares. Este não foi um valor que tenha justificado, mas referiu que só em combustível vão ser perto de 900 mil euros. Há depois de ter ainda em conta os restantes custos operacionais existentes.

Elon Musk referiu ainda que este é um valor mais baixo que o de um tradicional foguete de dimensões reduzidas. Claro que neste caso da SpaceX existe uma vantagem óbvia. Tanto o Starship como o Super Heavy vão ser reutilizáveis.

Elon Musk apresentou o futuro desta viagem e os seus custos

Com os seus mais de 100 lugares, o Starship é uma ideia única da Space X. Fará uso do Super Heavy para rumar ao espaço, sendo totalmente reciclável para futuras missões. Estes 2 estão ainda a ser construídos para iniciarem os seus testes.

Todos estes dados surgiram na apresentação feita por Elon Musk no evento Space Pitch Day da Força Aérea Norte-Americana. Aqui falou de vários temas, tanto sobre os carros da Tesla como da sua a paixão por foguetes recicláveis.

O valor agora apresentado é apenas uma previsão de Elon Musk, mas mostra que a Space X vai ter de suportar este custo. Não se sabe se assumirá o valor de forma total ou se terá alguma ajuda do governo para o conseguir.

Fonte: Space.com
pplware

08 Nov 2019

 

2976: The Curiosity Rover Just Took a Very Emo Photo of Its Rocky Martian Prison

SCIENCE

The Curiosity rover is looking for life on a bleak mountain in the middle of a crater, and it wants us all to feel its struggle.

Meanwhile, on the edge of a mountain in the middle of a crater on Mars…
(Image: © NASA/JPL-Caltech)

Mars is the only known planet in the universe inhabited solely by robots. There’s InSight, the sturdy robo-stethoscope listening for the Red Planet’s heartbeat; there’s Odyssey and the gang, a cadre of droids surveilling the planet from orbit. And then, climbing a lonely crater hundreds of miles away from its companions, there’s Curiosity, the last surviving rover on Mars.

About the size of an SUV and capable of traveling 100 feet (30 meters) per hour, Curiosity has been exploring the 3.5-billion-year-old pit called Gale Crater since landing there in 2012. Now, Curiosity is climbing the mountain, known as Mount Sharp or Aeolis Mons, at the crater’s center. In a bleak and beautiful photo taken on the 2,573rd Martian day of Curiosity’s mission (Nov. 1), the rover showed off the vast emptiness of this rocky domain.

In the new picture, posted to NASA’s Mars mission website, a debris-strewn butte curves up toward the mountain’s side while an enormous ridge of hazy rock looms in the background. That ridge is actually the rim of Gale Crater, fencing the rover in for about 50 miles (80 kilometers) in every direction.

The photo was taken from Curiosity’s back, showing the bleak horizon that the rover leaves behind as it begins its slow ascent from Mount Sharp’s base. It’s a lonely scene, to be sure, but Curiosity is looking for new friends all the time; one of the rover’s primary objectives is finding evidence that Mars could (or once did) support microbial life.

The rover hasn’t stumbled upon any native Martians (yet), but it has found plenty of evidence of past water and traces of elements like hydrogen, oxygen, phosphorus and carbon — all considered “building blocks” of life. Hopefully, the crust of sediment lining Mount Sharp will reveal more clues about how and when ancient water once flowed through the crater. In the meantime, it’s a fine place to stop and enjoy the scenery. As you can see, there’s no shortage of it.

Originally published on Live Science.
Livescience
By Brandon Specktor – Senior Writer
05/11/2019

 

2974: Luva inteligente vai ajudar astronautas a controlar drones e robôs no Espaço

CIÊNCIA

Além de fatos mais modernos para as futuras explorações espaciais na próxima década, a NASA, juntamente com algumas organizações parceiras, está a desenvolver uma luva inteligente para astronautas usarem em missões na Lua e Marte, por exemplo.

A tecnologia servirá para controlar dispositivos à distância, como drones, através de gestos com a mão. Apresentada pelo Projecto Haughton-Mars (PHM), a luva inteligente também tem a parceria da SETI Institute, Mars Institute, NASA Ames Research Center, Collins Aerospace e Ntention.

O equipamento será útil nas actividades extra-veiculares das missões espaciais, uma vez que os fatos limitam bastante a precisão e a destreza dos movimentos dos astronautas. Com a luva, conseguirão executar tarefas mais minuciosas com maior facilidade.

A Ntention já tem experiência na criação de luvas inteligentes e ficou conhecida pelo design e desenvolvimento de uma luva capaz de controlar drones, entre outros robôs, através de simples gestos manuais.

Ainda este ano, a Ntention desenvolveu uma dessas luvas para o PHM. Pascal Lee, cientista do SETI Institute e do Mars Institute, e director do PHM, assistiu a uma demonstração da luva para aplicações terrestres, e gostou tanto que sugeriu aplicá-la ao fato espacial de um astronauta. Assim, nasceu a ideia de realizar um estudo de campo do conceito de “luva inteligente de astronauta”.

Conforme explica Lee, “um fato espacial pressurizado é relativamente rígido e os movimentos das mãos e dedos encontram resistência substancial. Com a ‘luva inteligente de astronauta’, a sensibilidade nos movimentos das mãos é ajustável, o que significa que a tecnologia pode ser adaptável à pressão rígida do fato espacial“.

“Os astronautas precisam de fatos espaciais que facilitem a interacção com o ambiente, incluindo tarefas complexas e delicadas”, disse Greg Quinn, líder de desenvolvimento de fatos espaciais da Collins Aerospace. Os membros da equipa avaliaram a tecnologia através de uma série de testes, como operação de drones.

A escolha de testes com drones não foi à toa. Lee explica que “os astronautas na Lua ou em Marte vão querer pilotar drones por várias razões, por exemplo, para recolher uma amostra que está fora de alcance ou que precisa de ser isolada de contaminação. Ou para ajudar numa operação de resgate”.

Os testes mostraram que um astronauta num fato espacial poderá executar facilmente várias tarefas importantes ao usar a luva inteligente e uma interface de visualização de Realidade Aumentada.

“Os testes de voo e operações sugerem que a luva inteligente e a interface homem-máquina de Realidade Aumentada permitiriam aos astronautas operar drones e outros robôs com facilidade e precisão“, reconheceu Brandon Dotson, engenheiro aeroespacial e piloto de testes do Exército dos EUA que testou o dispositivo.

ZAP // Canaltech

Por ZAP
6 Novembro, 2019

 

2970: Desigualdade pode ser mais acentuada em Marte

CIÊNCIA

NASA
Concepção artística de uma colónia em Marte

Como seria a vida em Marte? Temos tendência a julgar que a vida no Planeta Vermelho seria mais risonha, mas em termos de desigualdades, Savannah Mandel garante que isso não é verdade.

A antropóloga espacial Savannah Mandel passou dez semanas no “aeroporto” norte-americano para naves espaciais comerciais, no deserto do Novo México, a fazer trabalho de campo para a sua dissertação. Durante essas semanas, Mandel cruzou-se com vários trabalhadores “dispostos a arriscar tudo” para participar em empreendimentos no Espaço.

O motivo? “Eles acreditam que as viagens espaciais garantem o futuro da humanidade”, explica Mandel, apesar de sustentar que os problemas da humanidade não desaparecem noutro planeta. Aliás, podem até piorar quando se trata de desigualdade, frisou, citada pelo OZY.

Com apenas 23 anos, Mandel é um dos membros mais jovens de um pequeno grupo de antropólogos ao redor do mundo, que centra todas as suas atenções em estudar de que forma os seres humanos se relacionam com o Espaço.

Valerie Olson, pioneira no campo e professora da Universidade da Califórnia, em Irvine, estima que existam menos de 100 antropólogos do Espaço na Terra. No entanto, a especialista sublinha que, devagarinho, o campo está a crescer.

A investigação de Mandel sobre o Spaceport America é inovadora: a jovem debruçou-se sobre a vida dos trabalhadores. Actualmente, trabalha como escritora científica do Instituto Americano de Física e é também uma escritora de ficção científica dedicada a completar um romance sobre um robô.

Este ano, o The Geek Anthropologist publicou um romance de Mandel sobre o primeiro antropólogo na Lua. Na história da autora, a reprodução lunar deve ser aprovada, havendo apenas um ponto, em toda a nave, apelidada de “O Condado”, onde um casal pode conceber.

Recentemente, a conferência sobre Espaço e Humanidade, realizada em Lexington, no Kentucky, juntou desde académicos a artistas, para reflectir como os seres humanos serão afectados pelas mudanças espaciais, como reconhecer e evitar preconceitos, por exemplo.

Mandel falou sobre um artigo que escreveu, no ano passado, para o The Geek Anthropologist, descrevendo os perigos de um “Efeito Elísio“, segundo o qual a comercialização do Espaço – como mineração de asteróides – aprofunda as disparidades globais de riqueza, uma vez que a lei existente é obscura.

Num artigo deste ano, desta vez para o Anthropology News, Mandel ecoou o tema, alertando sobre o “imperialismo lunar“, segundo o qual os países ocidentais com mais recursos financeiros olham o para o Espaço com a mentalidade colonial forjada pela sua própria história.

A antropologia do Espaço recebe muito menos recursos académicos e governamentais do que outras disciplinas. Mandel quer continuar, mas não tem certeza se poderá construir  uma carreira na academia por causa da sua paixão assumida por ficção científica.

Ainda assim, torna-se urgente trazer este tipo de temas para cima da mesa. As startups espaciais, e até a própria NASA, beneficiariam em poder contar com o contributo de antropólogos do Espaço, uma vez que apresentam narrativas e perspectivas diferentes, com foco na conservação como forma de proteger um novo mundo logo desde o início.

Mandel deseja que todo o seu trabalho inspire as pessoas sobre o que está por vir. “Adoro o Espaço, mas realmente quero que não deixemos a Terra no pó. Estamos a mover-nos muito rapidamente para um futuro interestelar”.

ZAP //

Por ZAP
5 Novembro, 2019

 

2950: A Mars Express completou 20.000 órbitas em torno do Planeta Vermelho

CIÊNCIA

A sonda Mars Express, a primeira missão planetária da Agência Espacial Europeia (ESA), completou 20.000 órbitas em torno do planeta Marte.

Lançada a 2 de Junho de 2003, a sonda Mars Express chegou ao Planeta Marte na noite de 25 de Dezembro do mesmo ano. No dia 26 de Outubro de 2019, esta nave espacial completou as suas 20.000 órbitas em torno do planeta.

A High Resolution Stereo Camera (HRSC), uma câmara de alta resolução desenvolvida e construída pelo Centro Aeroespacial Alemão (DLR), é a responsável por fotografar a superfície de Marte, e está a bordo do Mars Express desde Janeiro de 2004, com resoluções de 10 metros por pixel, em cores e em três dimensões.

MediaLab / ESA
Sonda Mars Express, da ESA

Segundo o Europa Press, trata-se da primeira colecção topográfica de dados de imagem para um planeta diferente da Terra. No total, a câmara registou 363 gigabytes de dados brutos que foram pré-processados cá para produzir 5,5 gigabytes de dados de imagens com utilidade a nível científico.

O HRSC registou 75% da área de, aproximadamente, 150 milhões de quilómetros quadrados do Planeta Vermelho, com resoluções de imagem de 10 a 20 metros por pixel.

Os modelos digitais de terreno HRSC também são utilizados ao seleccionar os locais de pouso do observatório geofísico InSight, da NASA, ou ExoMars (que será lançado em 2020), bem como os rovers Curiosity e Mars 2020, da NASA.

A órbita da Mars Express é altamente elíptica: vai de pólo a pólo e transporta a sonda a distâncias entre os 240 quilómetros e os 10.000 quilómetros da superfície marciana.

ZAP //

Por ZAP
3 Novembro, 2019

 

“Toupeira” do InSight está a mover-se novamente

CIÊNCIA

Este GIF mostra a sonda de calor do InSight, escavando cerca de um centímetro a semana passada. Usando uma técnica chamada “fixação”, o InSight recentemente pressionou a pá do seu braço robótico contra a toupeira auto-marteladora a fim de a ajudar a escavar.
Crédito: NASA/JPL-Caltech

O módulo Insight da NASA usou o seu braço robótico para ajudar a sua sonda de calor, conhecida como “toupeira”, a cavar quase 2 centímetros na semana passada. Embora modesto, este movimento é significativo: construída para cavar até 5 metros no subsolo a fim de medir o calor que sai do interior do planeta, a toupeira conseguiu enterrar-se apenas parcialmente desde que começou a martelar em Fevereiro de 2019.

O movimento recente é o resultado de uma nova estratégia, alcançada após extensos testes na Terra, que descobriram que um solo inesperadamente forte está a impedir o progresso da toupeira. A toupeira precisa de fricção do solo circundante para se mover: sem fricção, o recuo da sua acção auto-marteladora faz com que simplesmente salte no lugar. Pressionando a pá do braço robótico do InSight contra a toupeira, uma nova técnica chamada “fixação”, parece fornecer à sonda o atrito necessário para continuar a escavar.

Desde o dia 8 Outubro de 2019, a toupeira martelou 220 vezes em três ocasiões distintas. Imagens enviadas pelas câmaras do módulo mostraram a toupeira a progredir gradualmente no solo. Vai levar mais tempo para a equipa ver até onde a toupeira pode ir.

A toupeira faz parte de um instrumento chamado HP3 (Heat Flow and Physical Properties Package), fornecido pelo Centro Aeroespacial Alemão.

“Ver o progresso da toupeira parece indicar que não há pedras a bloquear o nosso caminho,” disse o investigador principal do HP3 Tilman Spohn do DLR. “São óptimas notícias! Estamos torcendo para que a nossa toupeira continue.”

O JPL da NASA em Pasadena, no estado norte-americano da Califórnia, lidera a missão InSight. O JPL testou o movimento do braço usando réplicas 1:1 do InSight e da toupeira. Os engenheiros continuam a testar o que aconteceria se a toupeira afundasse sob o alcance do braço robótico. Se parar de progredir, podem raspar o solo por cima da toupeira, acrescentando massa para resistir ao recuo da toupeira.

Se não existirem outras opções, considerariam pressionar a pá directamente no topo da toupeira enquanto evitavam o cabo sensível: este fornece energia e retransmite dados do instrumento.

“A toupeira ainda tem um longo caminho a percorrer, mas estamos todos entusiasmados por vê-la a escavar novamente,” disse Troy Hudson do JPL, engenheiro e cientista que liderou o esforço de recuperação da toupeira. “Quando encontrámos este problema, foi esmagador. Mas pensei, ‘talvez exista uma hipótese; vamos continuar a trabalhar.’ E agora, estou muito contente.”

Astronomia On-line
22 de Outubro de 2019

 

2875: Cientistas concluem que é possível cultivar alimentos em Marte e na Lua

CIÊNCIA

É possível cultivar alimentos em Marte e na Lua. O veredicto parte de uma equipa de cientistas holandeses que testou colheitas em condições semelhantes às lá vividas.

Para chegarem a esta conclusão, os investigadores cultivaram dez colheitas diferentes: agrião de jardim, rúcula, tomate, rabanete, centeio, quinoa, espinafre, cebolinho, ervilha e alho-porro.

Aliás, não só é possível cultivar lá estes alimentos, como também é possível obter sementes destas colheitas, tanto em Marte como na Lua. Para realizarem esta experiência, simularam as condições marcianas e lunares, verificando se era viável. O estudo foi publicado este mês na revista científica Open Agriculture.

“Ficamos encantados quando vimos os primeiros tomates já cultivados no simulador de solo de Marte ficarem vermelhos. Isso significava que o próximo passo em direcção a um ecossistema agrícola fechado sustentável foi dado”, contou o líder da investigação, Wieger Wamelink, citado pelo Tech Explorist.

Nove das dez culturas semeadas cresceram sem problemas e conseguiu-se recolher alimentos comestíveis delas. O espinafre foi a única cultura que os cientistas holandeses não conseguiram cultivar em condições marcianas ou lunares.

As sementes produzidas por três espécies (rabanete, centeio e agrião) foram testadas com sucesso relativamente à sua germinação.

ZAP //

Por ZAP
22 Outubro, 2019

 

2844: Pode ter sido encontrada (e ignorada) vida em Marte em 1976, defende antigo cientista da NASA

CIÊNCIA

Kevin Gill / Flickr

O antigo cientista da agência espacial norte-americana Gilbert V. Levin afirma que foram encontradas evidências de vida em Marte na década de 70. No entender do especialista, deviam ter sido levado a cabo mais investigações para compreender a verdadeira origem das evidências encontradas.

“Estou convencido de que encontramos evidências de vida em Marte na década de 1970”, afirmou Gilbert V. Levin, que foi o investigador principal de um procedimento experimental que era parte da missão Viking da NASA em Marte.

O procedimento em causa, o Labeled Release (LR), foi levado a cabo em 1970 e relatou resultados positivos de respiração microbiana em Marte, embora a maioria dos cientistas os tenha descartado como um produto de reacções químicas inorgânicas.

Em Julho de 1976, o LR devolveu os seus resultados iniciais de Marte. Surpreendente, os resultados foram positivos. Duas sondas – Viking 1 e 2 – pousaram a uma distância de 6 mil quilómetros uma da outra no Planeta Vermelha e ambas enviaram quatro respostas com base em cinco variáveis, tendo os dados indicado a detecção de respiração microbiana.

As curvas de dados provenientes de Marte eram semelhantes àquelas produzidas por testes da LR em solos na Terra, sustenta o antigo cientista da NASA num novo artigo publicado esta semana na revista Scientific American.

“Parecia que tínhamos respondido à última pergunta”, diz Gilbert V. Levin.

Contudo, quando o Procedimento de Análise Molecular da missão Viking não consegui detectar matéria orgânica, que é essencial para a vida, a NASA concluiu que o LR tinha encontrado uma substância que imitava vida e não a vida em si.

Inexplicavelmente, lamenta Levi, nos 43 anos seguinte a Viking, nenhuma das missões posteriores da NASA em Marte carregava um instrumento de detecção de vida para rastrear estes resultados da década de 70. “Em vez disso, a NASA lançou uma série de missões para determinar se havia um habitat adequado para a vida e, se assim for, para trazer amostras para a Terra para exame biológico”.

Matéria orgânica marciana não foi bem estudada

O ex-cientista da NASA aponta ainda que, apesar de a agência definir a procura por vida alienígena como uma das suas “maiores prioridades”, uma vez que qualquer vida microbiana em Marte poderia potencialmente ameaçar os astronautas enviados ao planeta, bem como a população da Terra no regresso, a matéria orgânica do solo do Planeta Vermelha não foi devidamente estudada.

“Em resumo, temos: resultados positivos de um teste microbiológico amplamente utilizado; respostas de apoio de controlos fortes e variados; duplicação dos resultados de RL em cada um dos dois locais da Viking; replicação do experimento nos dois locais; e o fracasso, ao longo de 43 anos, de qualquer experimento ou teoria em fornecer uma explicação não biológica definitiva dos resultados da Viking LR “, disse Levin, argumentando que as evidências existentes ainda apontam para sinais de vida no Planeta Vermelho, levando assim a novas investigação.

“A NASA já anunciou que o seu módulo de aterragem da missão Mars 2020 não terá um teste de detecção de vida (…) De acordo com o protocolo científico bem estabelecido, acredito que deve ser feito um esforço para colocar procedimentos de detecção de vida no possível missão em Marte”, insistiu.

No entender de Levi, o estudo da matéria orgânica e a implementação destes sistemas de detecção podem, eventualmente, produzir “orientações importantes na procura do Santo Graal” da NASA, rematou o cientista.

ZAP //

Por ZAP
16 Outubro, 2019

 

2808: Curiosity encontrou sal dos últimos lagos de Marte

CIÊNCIA

NASA/JPL-Caltech

Quando os lagos na Terra secam, ficam salgados. Sabendo isto, fará sentido que o mesmo poderá ter acontecido em Marte. Agora, a sonda Curiosity confirmou essa teoria.

O rover Curiosity Mars encontrou alguns dos sais deixados para trás, um registo da última vez que a vida poderá ter florescido, em vez de apenas ter sobrevivido, em Marte.

A cratera Gale, que o Curiosity está a explorar, foi escolhida em parte porque oferece a oportunidade de estudar rochas sedimentares de diferentes idades em camadas umas em cima das outras. Um artigo publicado este mês na revista especializada Nature Geoscience relata que, entre esses, foram encontrados depósitos intermitentes que continham argila com entre 30 e 50% de sulfato de cálcio.

Todas estas rochas datam do período hesperiano, tendo, assim, entre 3,3 e 3,7 mil milhões de anos. Da mesma forma, depósitos ricos não foram encontrados nas rochas mais antigas da cratera.

William Rapin, do Instituto de Tecnologia da Califórnia e co-autores atribuem a presença desses sais à infiltração de rochas nas águas do lago longínquo da cratera, quando estava muito salgado. Rochas mais antigas também foram expostas às águas do lago mas, na época, eram muito menos salgadas. As rochas mais jovem nunca conheceram o toque da água, embora ainda seja possível que o Curiosity encontre alguns exemplos mais recentes.

Como um lago deserto na Terra, as águas da cratera Gale evaporaram, deixando um resíduo cada vez mais salgado. Porém, em Marte, parece que este foi um processo intermitente que durou 400 milhões de anos.

Mesmo sem água, as rochas foram desgastadas durante um longo período de tempo desde então e as porções enriquecidas com sulfato de cálcio são mais resistentes à erosão, levando a versões em miniatura das formações vistas em lugares como Monument Valley, onde rochas mais duras se projectam acima do terreno.

No meio dos 150 metros de estratos enriquecidos com sulfato de cálcio, o Curiosity encontrou uma inclinação de 10 metros com entre 26 e 36% de sulfato de magnésio, mas pouco cálcio. O sulfato de cálcio é menos solúvel que o sulfato de magnésio e os autores pensam que precipitou primeiro, com sais mais solúveis depositados na etapa final de seca.

Rapin et al. / Nature Geoscience

“As nossas descobertas não comprometem a busca por vida na cratera Gale. Sabe-se que lagos hipersalinos ricos em sulfato de magnésio terrestre acomodam biota halotolerante e a cristalização de sais de sulfato também pode ajudar na preservação de biomarcadores”, observa o artigo, citado pelo IFLScience.

A cratera Gale não é única em ter sais como estes. Ainda hoje são observadas explosões ocasionais de água salgada. Os orbitais marcianos detectaram os espectros de depósitos de sulfato depositados em grande parte de Marte enquanto o planeta secava.

No entanto, é a primeira vez que um veículo espacial consegue passar os seus instrumentos sobre esse material. Além disso, as explosões intermitentes de sais de sulfato que a Curiosity encontrou demonstram que a cratera Gale passou por várias rodadas de seca, com períodos de chuvas no meio, em vez de uma única grande seca que nunca terminou.

ZAP //

Por ZAP
9 Outubro, 2019

 

A estratégia da NASA para salvar a “toupeira” do InSight

CIÊNCIA

O braço robótico do InSight da NASA vai usar a sua pá para fixar a sonda de calor, ou “toupeira”, contra a parede do buraco que escavou.
Crédito: NASA/JPL-Caltech

O “lander” InSight da NASA, que está numa missão para explorar o interior profundo de Marte, posicionou no final do mês passado o seu braço robótico a fim de ajudar a sua sonda de calor auto-marteladora. Conhecida como “toupeira”, a sonda tem sido incapaz de escavar mais do que 35 centímetros desde que começou a enterrar-se no chão no passado dia 28 de Fevereiro de 2019.

A manobra é preparação para uma estratégia, a ser tentada ao longo das próximas semanas, chamada “fixação”.

“Vamos tentar pressionar o lado da pá contra a toupeira, fixando-a contra a parede do seu buraco,” disse Sue Smrekar, vice investigadora principal da missão InSight no JPL da NASA em Pasadena, no estado norte-americano da Califórnia. “Isto poderá aumentar o atrito o suficiente para mantê-la a avançar quando recomeçar a martelar.”

Ainda não se sabe se a pressão extra na toupeira compensará o solo único.

Construída para escavar até 5 metros de profundidade a fim de registar a quantidade de calor que sai do interior do planeta, a toupeira precisa de fricção do solo em redor para escavar: sem fricção, o recuo da acção de auto-martelamento faz com que simplesmente salte no lugar, que é o que a missão suspeita que está a acontecer agora.

Embora o JPL esteja encarregado da missão InSight da NASA, o Centro Aeroespacial Alemão (DLR) forneceu a sonda de calor, que faz parte de um instrumento chamado HP3 (Heat Flow and Physical Properties Package). Em Junho, a equipa elaborou um plano para ajudar a sonda de calor. A toupeira não foi desenhada para ser apanhada e recolocada depois de começar a escavar. Em vez disso, o braço robótico removeu uma estrutura de suporte destinada a manter a toupeira firme enquanto escavava a superfície marciana.

A remoção da estrutura permitiu que a equipa do InSight visse melhor o buraco que se formou em redor da toupeira à medida que martelava. É possível que a toupeira tenha atingido uma rocha, mas os testes realizados pela DLR sugeriram que o problema era o solo que se aglomera em vez de cair em redor da toupeira enquanto esta martela. A câmara do braço robótico mostrou que por baixo da superfície parece haver 5 a 10 centímetros de um tipo de solo cimentado mais espesso do que qualquer coisa encontrada noutras missões de Marte e diferente do solo para o qual a toupeira foi construída.

“Tudo o que sabemos sobre o solo é o que podemos ver nas imagens que o InSight nos envia,” disse Tilman Spohn, investigador principal do HP3 na DLR. “Como não podemos trazer o solo para a toupeira, talvez possamos trazê-la para o solo, prendendo-a no buraco.”

Usando a pá no braço robótico, a equipa tocou e empurrou o solo sete vezes ao longo deste verão, num esforço de derrubar o buraco. Sem sorte. Não é preciso muita força para fechar o buraco, mas o braço não está a empurrar com toda a sua força. A equipa colocou o HP3 o mais longe possível do módulo de aterragem para que a sua sombra não influenciasse as leituras de temperatura da sonda de calor. Como resultado, o braço, que não deveria ser usado desta maneira, precisa de se esticar e pressionar num ângulo, exercendo muito menos força do que se a toupeira estivesse mais próxima.

“Estamos a pedir ao braço que faça mais do que aquilo que é capaz,” disse Ashitey Trebi-Ollennu, engenheiro-chefe do braço no JPL. “O braço não pode empurrar o solo como uma pessoa. Seria mais fácil se pudesse, mas não é esse o braço que temos.”

As operações de resgate interplanetário não são novidade para a NASA. A equipa MER (Mars Exploration Rover) ajudou os rovers Spirit e Opportunity em mais do que uma ocasião. A determinação de soluções viáveis requer uma quantidade extraordinária de paciência e planeamento. O JPL possui uma réplica em funcionamento do InSight para praticar os movimentos do braço e também possui um modelo em funcionamento da sonda de calor.

Além da técnica de fixação, a equipa também está a testar uma técnica para usar a pá da maneira “original”: raspando o solo para o buraco em vez de tentar compactá-lo. O público em geral poderá ver ambas as técnicas nas imagens que o InSight enviar num futuro próximo.

Astronomia On-line
8 de Outubro de 2019

 

2789: Cientista diz que devemos contaminar Marte com micróbios

CIÊNCIA

NASA/JPL-Caltech/Univ. of Arizona

Uma equipa da investigação está a propor uma grande mudança filosófica no nosso pensamento sobre a propagação de micróbios terrestres no Espaço – e em Marte, em particular.

Num artigo publicado no mês passado na revista especializada FEMS Microbiology Ecology, Jose Lopez, microbiólogo e professor da Universidade Nova Southeastern, na Florida, nos Estados Unidos, juntamente com os colegas W. Raquel Peixoto e Alexandre Rosado da Universidade Federal do Rio de Janeiro, propôs uma “grande revisão” à actual filosofia por trás das políticas de exploração espacial e protecção planetária, no que se refere à disseminação de microorganismos no espaço.

Em vez de se preocupar em contaminar corpos celestes estrangeiros – algo que a NASA e outras agências espaciais têm muito cuidado para evitar -, Lopez e os seus co-autores defendem que devemos enviar deliberadamente os nossos germes para o espaço sideral e que a disseminação dos nossos micróbios deve fazer parte de uma estratégia maior de colonização para domesticar o clima em Marte.

Um argumento-chave proposto pelos investigadores é que a prevenção da contaminação é uma “quase impossibilidade”, como os autores mencionam no estudo, de acordo com o Gizmodo.

Uma mudança de política como esta teria um forte contraste com o pensamento convencional sobre o assunto. Alguns dos especialistas com quem o portal falou disseram que os protocolos actualmente em vigor para impedir a contaminação de outro planeta provavelmente estão a funcionar e não devemos desistir com tanta facilidade. Além disso, os especialistas disseram que ainda são precisos muitos estudos em Marte e outros lugares antes de começar a considerar essa possibilidade irrecuperável.

Actualmente, a grande comunidade científica concorda com a necessidade de evitar a contaminação microbiana de corpos planetários como Marte. A NASA, a ESA e outras agências espaciais esterilizam cuidadosa e dispendiosamente os seus instrumentos antes de lançá-los em direcção a alvos celestes vizinhos.

A filosofia da protecção planetária, ou PP, remonta ao final da década de 1950 e ao estabelecimento do Comité de Pesquisa Espacial (COSPAR), criado pelo Conselho Internacional de Sindicatos Científicos. A COSPAR, entre outras questões, desenvolve recomendações e protocolos projectados para proteger o espaço dos nossos micróbios.

De maneira semelhante, o Tratado do Espaço Exterior da ONU, que foi assinado por mais de 100 nações, declara especificamente: “Os Estados parte no Tratado deverão realizar estudos sobre o espaço sideral, incluindo a lua e outros corpos celestes, e conduzir a sua exploração, a fim de evitar a sua contaminação prejudicial e também mudanças adversas no ambiente da Terra resultantes da introdução de matéria extraterrestre e, se necessário, adoptará medidas adequadas para esse fim”.

A lógica principal por trás desse pensamento é que os germes têm o potencial de contaminar lugares cientificamente importantes no sistema solar, prejudicando a nossa capacidade de detectar a vida microbiana indígena em Marte e outros mundos.

Encontrar vestígios de DNA ou RNA em Marte, por exemplo, não significaria automaticamente que se originaram da Terra, pois as moléculas podem representar um bloco de construção fundamental e omnipresente da evolução no Universo. Teme-se que a vida terrena invasora possa destruir um ecossistema alienígena antes de conseguirmos estudá-lo.

Por outro lado, Lopez e os colegas acreditam que será quase impossível impedir que os nossos germes invadam os lugares que estamos a explorar, para que possamos ter uma discussão racional sobre como usar os microorganismos da melhor maneira possível. Especificamente, os autores referem-se à perspectiva de terra-formação – a prática hipotética de geo-engenharia de um planeta para torná-lo mais parecido com a Terra.

“A introdução microbiana não deve ser considerada acidental, mas inevitável”, disse Lopez em comunicado divulgado pelo EurekAlert. “Levantamos a hipótese da quase impossibilidade de explorar novos planetas sem transportar e/ou deixar nenhum viajante microbiano”.

Na Terra, os microorganismos são críticos para muitos dos processos que sustentam a vida, como decomposição e digestão – e até o clima da Terra. O artigo argumenta que os melhores micróbios para o trabalho podem ser extremófilos – organismos que são hipertensos aos ambientes mais extremos e até prosperam neles, como tardígrados.

Por outro lado, recorda o Futurism, os investigadores ainda não sabem que micróbios ajudariam – em vez de prejudicar – os esforços para terra-formar Marte.

ZAP //

Por ZAP
6 Outubro, 2019

 

2772: Cientista da NASA diz: “estamos perto de anunciar vida extraterrestre em Marte…”

CIÊNCIA

Numa entrevista surpreendente, o director da Divisão de Ciência Planetária da NASA, Jim Green, disse que a agência espacial está perto de “fazer alguns anúncios” sobre vida extraterrestre em Marte – mas que não estamos prontos para isso.

Não é de agora que se ambiciona conhecer vida extraterrestre, tem havido mesmo uma procura crescente. No entanto, será que estamos preparados para esse momento revolucionário?

NASA poderá anunciar algo revolucionário

Jim Green referiu que o que a NASA tem para dar a conhecer “será revolucionário”. Conforme as palavras do cientista em entrevista ao The Telegraph, teremos grandes novidades em breve.

É como quando Copérnico declarou ‘não andamos a dar a volta ao Sol’. Completamente revolucionário. Vai começar uma nova linha de pensamento. Acho que não estamos preparados para os resultados. Nós não estamos.

Acrescentou que está preocupado porque acredita que a NASA está perto de encontrar a vida e fazer tal anúncio. Contudo, é uma interrogação sobre o que acontecerá depois!

O que acontece a seguir é um novo conjunto de questões científicas. Essa vida é como a nossa? Como estamos relacionados? Pode a vida mover-se de planeta para planeta ou temos uma faísca e o ambiente certo e essa faísca gera vida – como nós ou não – com base no ambiente químico em que se encontra?

Referiu Green.

Missão a Marte está a entusiasmar a comunidade científica

Em comunicado, o porta-voz da NASA, Allard Beutel, disse que a agência está entusiasmada com a missão a Marte. Além disso, existe um grande optimismo com as missões futuras onde as perspectivas de vida foram levantadas.

Um componente chave do trabalho da NASA é a procura por blocos de construção e sinais de vida noutros lugares. Estamos animados com as descobertas científicas dos nossos rovers em Marte actualmente e no futuro, bem como as missões para Europa, Titan, e outros lugares. Assim como os astronautas da NASA que pousaram na Lua mudaram a nossa concepção do nosso lugar no universo, a descoberta da vida noutros lugares também seria um evento que mudaria a civilização. Como com todas as descobertas, a NASA trabalharia para confirmar e partilhar informações validadas com o mundo o mais rápido possível.

Disse Beutel via e-mail à publicação.

Em Julho próximo, a NASA está programada para lançar o seu veículo Marte 2020 no que ela espera que seja uma “caçada bem sucedida” para a vida extraterrestre no Planeta Vermelho. Em Novembro passado, a agência espacial selecionou Jezero Crater como o ponto de pouso para o rover, onde se espera que ele aterre na superfície do planeta a 18 de Fevereiro de 2021.

A Cratera Jezero, com cerca de 45 km de largura, fica na borda oeste de Isidis Planitia, uma bacia de impacto gigante ao norte do equador do planeta. A NASA observou que é o lar de algumas das “paisagens cientificamente mais interessantes que Marte tem para oferecer. Segundo o astrónomo, este local já foi o lar de um antigo delta de um rio, onde antigas moléculas orgânicas e outros sinais de vida microbiana podem ter sido armazenados há milhões de anos.

Jezero Crater foi escolhida entre mais de 60 locais

Jim Bridenstine

@JimBridenstine

JUST IN: Jezero Crater will be the landing site of ’s next rover being sent to Mars in 2020. This area, with a history of containing water, may have ancient organic molecules & other potential signs of microbial life from billions of years ago: https://www.nasa.gov/press-release/nasa-announces-landing-site-for-mars-2020-rover 

Além da missão Mars 2020, cujo lançamento está previsto para um custo estimado de mais de 2 mil milhões de dólares, de acordo com a Space News, a Agência Espacial Europeia também irá colocar um rover em Marte. O rover ExoMars está programado para aterrar no Planeta Vermelho em Março de 2021.

Green referiu que essas duas missões oferecem uma “oportunidade de encontrar vida”, acrescentando que “nunca perfuramos tão profundamente” no planeta.

Quando começamos o campo da astrobiologia nos anos 90, começamos a procurar vida extrema. Descemos em minas a 3 quilómetros de profundidade na Terra e se elas tinham água, então estavam cheias de vida. Fomos para lugares onde se pensa que nada poderia sobreviver, e estão cheios de vida. E o resultado final é que onde há água, há vida.

Concluiu Jim Green.

Leito de lago pode ter sido um dia próspero em vida marciana

Em Junho de 2018, a NASA fez um anúncio impressionante. Nessa altura, observaram que o Curiosity rover “encontrou moléculas orgânicas em rochas de um antigo leito de lago”. As rochas têm milhares de milhões de anos de idade, disse a NASA, antes de acrescentar que não tinha encontrado vida no planeta.

Um estudo apresentado em Agosto sugeriu que o Planeta Vermelho era suficientemente quente e húmido. Assim, é um ambiente propício a ter tempestades maciças e água corrente. Deste modo, este será um ambiente que pode ter sustentado a vida, entre 3 e 4 mil milhões de anos.

ExoMars envia imagens impressionantes da superfície de Marte

Estas são as primeiras imagens de Marte enviadas pela nave espacial ExoMars Trace Gas Orbiter (TGO) da Agência Espacial Europeia (ESA). Missão com corporação da Corporação Estatal de Actividades Espaciais Roscosmos. As fotos mostram … Continue a ler ExoMars envia imagens impressionantes da superfície de Marte

04 Out 2019