3985: Especialista alerta sobre possíveis vírus extraterrestres que podem chegar à Terra em futuras missões

CIÊNCIA/ESPAÇO/MARTE

Space X / Flickr

O cientista e antigo colaborador da NASA Scott Hubbard alertou para a possível chegada de vírus extraterrestres à Terra em futuras missões espaciais, notando que o interesse pela exploração do Espaço tem aumentado.

O antigo director do Centro de Pesquisas AMES da agência espacial norte-americana, considera que este é um assunto que deve ter sido em conta, especialmente quando a “febre” da corrida espacial parece ter voltado.

Em declarações ao Standford University News, Scott Hubbard disse que astronautas e amostras de rochas trazidas de Marte ou de outros corpos celestes em futuras missões terão de ser analisadas e colocadas em quarentena.

“Ouvi de alguns colegas da área do voo espacial humanos (…) que, no ambiente actual, os cidadãos poderão ficar mais preocupados pela chegada de algum micróbio, vírus ou contaminação extraterrestre”, confessou o especialista.

Nos primeiros anos de exploração espacial, continuou Scott Hubbard, levantou-se o problema de uma possível contaminação em Terra por patogénicos externos. Contudo, “as combinações de limpeza química, esterilização por calor, radiação espacial altamente esterilizares e sistemas mecânicos inteligentes” são eficazes para reduzir os riscos.

Apesar de ser muito pouco provável que as rochas marcianas contenham alguma forma de vida activa que possa infectar a Terra, é imperativo colocar as amostras em quarentena e tratá-las “como se fosse o vírus Ébola até que se provem seguras”, disse ainda Hubbard, que é também professor na Universidade de Standford, nos Estados Unidos.

O especialista recusa alarmismo e recorda que se trata de uma questão de precaução.

No que toca aos humanos, Hubbard recorda que os astronautas das primeiras missões lunares foram “colocados em quarentena para garantir que não manifestavam quaisquer sinais de doenças. “Depois que se descobriu que a Lua não era um risco, o isolamento foi cancelado (…) [E o mesmo acontecerá] com os humanos que voltem de Marte”.

A corrida espacial parece ter voltado em força, sendo Marte um dos “mundos” mais apelativos para novas expedições. China, Estados Unidos, e Emirados Árabes Unidos anunciaram que pretendem lançar sondas para o Planeta vermelho este ano.

Os EUA já enviaram quatro veículos exploratórios para Marte e pretende enviar o quinto entre Junho e Agosto deste ano, ao passo que os Emirados Árabes Unidos enviarão a primeira sonda árabe para o Planeta Vermelho em 15 de Julho.

Algumas destas datas podem vir a sofrer alterações devido à pandemia.

Aproxima-se o lançamento do rover Perseverance

O rover Perseverance da NASA está a menos de um mês da data de lançamento prevista para 20 de Julho….

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11 Julho, 2020

 

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3979: Astronautas devem usar Vénus como “trampolim” para chegar a Marte, defendem cientistas

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Kevin Gill / Flickr

Vários especialistas defendem que os astronautas devem utilizar Vénus como “trampolim” para chegar até Marte, alegando que uma missão ao Planeta Vermelho baseada neste plano seria não só mais rápida como barata.

Tendo em conta a disposição do Sistema Solar, esta ideia pode parecer pouco plausível, mas há uma série de cientistas e engenheiros que acreditam que uma “paragem” no segundo planeta do Sistema Solar pode facilitar a vida a astronautas e/ou cosmonautas.

Em declarações ao portal Space.com, Noam Izenberg, geólogo planetário da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, defendeu que um voo para ou de Marte pode acontecer de forma mais rápida e barata se incluir um “sobrevoo de Vénus” na rota.

Izenberg e vários especialistas redigiram um artigo no qual apresentam esta solução e as suas alegadas vantagens. O documento, importa frisar, foi submetido na revista Acta Astronautica, carecendo agora de revisão de pares.

Segundo o artigo, usar Vénus como trampolim não é só uma opção para rumar a Marte, mas é também uma parte essencial para uma eventual missão tripulada a este mundo.

“Vénus é a forma de chegar a Marte”, considerou ao mesmo portal de ciência Kirby Runyon, geomorfologista planetário da Universidade Johns Hopkins, que também assina o artigo científico submetido na Acta Astronautica.

Tal como explica o Space.com, há duas opções para ficar entre Marte e a Terra.

Duas formas para chegar ao Planeta Vermelho

A mais simples das formas consiste numa missão conjunta, durante a qual uma nave espacial voa entre os dois planetas quando estes se alinham nas suas órbitas. Depois de chegar a solo marciano, os astronautas teriam que esperar que os dois mundos se voltassem a alinhar para regressar à Terra, podendo este espaço de tempo demorar cerca de um ano e meio. Esta é a “missão clássica”.

A segunda opção reside numa “missão de oposição”, durante a qual no caminho a Marte uma nave espacial passaria por Vénus, usando a gravidade do planeta para alterar o curso da viajem. O mesmo se aplicaria numa eventual viagem de regresso.

Seguir à boleia da gravidade de Vénus rumo a Marte reduziria drasticamente a quantidade de energia necessária para a missão, economizando combustível e carga e, consequentemente, também os custos globais da expedição seriam menores.

E é esta segunda hipótese que estes cientistas defendem. “É preferível voar para Vénus para conseguir uma assistência por gravidade a caminho de Marte”, sintetizou Paul Byrne, geólogo planetário da Universidade Estadual da Carolina do Norte, nos Estados Unidos, também da equipa que assinou o artigo.

A missão conjunta, apesar de parecer mais simples à primeira vista, tem poucas e específicas janelas de oportunidades, uma vez que as órbitas da Terra e Marte apenas se alinham uma vez a cada 26 meses. Na missão de oposição, uma nave espacial poderia ser lançada a cada 19 meses. Tendo em conta que a missão de oposição é mais rápida, esta forma faria também com que os astronautas passassem menos tempo em missão.

Simplifica bastante a logística de ir a Marte, especialmente na perspectiva da saúde da tripulação”, frisou Runyon. “Há ciência nos dois planetas por muito menos do que o preço de duas missões tripuladas separadas”, completou Byrne.

Quantos humanos são precisos para colonizar Marte? Novo estudo responde

Quantas pessoas são necessárias para colonizar o Planeta Vermelho? Segundo um novo estudo, no mínimo, 110. Jean-Marc Salotti, investigador e…

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10 Julho, 2020

 

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3972: Dubai vai construir uma cidade marciana no deserto

CIÊNCIA/EAU

(dr) Bjarke Ingels Group
Mars Science City

O Dubai tem em mãos um projecto ambicioso: a construção de uma cidade marciana. O projecto foi apresentado por uma empresa sediada em Copenhaga e Nova Iorque e é uma parte do plano dos Emirados Árabes Unidos de colonizar Marte nos próximos 100 anos.

Na impossibilidade de irem até ao Planeta Vermelho, um conjunto de arquitectos decidiu arregaçar as mangas e recriar a ideia de uma cidade marciana em pleno deserto, nos arredores do Dubai.

O Mars Science City foi projectado para cobrir 176 mil metros quadrados de deserto, o equivalente a mais de 30 campos de futebol, e terá um custo aproximado de 120 milhões de euros.

Segundo a CNN, este projecto contempla a criação do Centro Espacial Mohammed Bin Rashid do Dubai (MBRSC) que visa desenvolver a tecnologia necessária para colonizar Marte nos próximos 100 anos. Foi com esse propósito que os arquitectos da Bjarke Ingels Group (BIG), empresa sediada em Copenhaga e Nova Iorque, apresentaram uma proposta para projectar no deserto um protótipo de uma cidade marciana.

Os especialistas tiveram de ter em consideração o facto de Marte ter uma atmosfera fina: pelo facto de haver pouca pressão de ar, os líquidos evaporam-se rapidamente. Além disso, não existe campo magnético e, como consequência, há pouca protecção à radiação solar.

Jonathan Eastwood, director do Laboratório Espacial do Imperial College London que não está ligado a este projecto, explicou que a possibilidade de se poder viver no Planeta Vermelho vai muito além dos aspectos técnicos. “O maior desafio não é de engenharia ou científico, mas humano. Ou seja, não é só saber como é possível sobreviver, mas também saber como é possível prosperar.”

Ainda assim, a equipa do Bjarke Ingels Group decidiu superar os desafios colocados em Marte. Desta forma, para manter uma temperatura confortável e uma pressão de ar habitável, a cidade seria composta por cúpulas pressurizadas, cobertas por uma membrana de polietileno transparente. Cada uma das cúpulas receberia oxigénio produzido por uma instalação de electricidade no gelo subterrâneo.

À medida que a população crescesse, as cúpulas iriam ficar juntas para formar aldeias e cidades em forma de anéis. As cidades poderiam ser alimentadas e aquecidas usando energia solar e a atmosfera fina poderia ajudar as cúpulas a manter a temperatura.

Os engenheiros explicaram à CNN que os edifícios teriam uma sala debaixo do solo marciano, a uma profundidade até seis metros, para que as pessoas se pudessem proteger da radiação ou de meteoros. Nessas salas poder-se-iam construir “claraboias que poderiam ter aquários”. As janelas de água protegeriam os habitantes da radiação e permitiriam a entrada de luz nessas salas.

“A ideia de proteger gradualmente da radiação é sensata e a ideia das janelas de água é bastante elegante”, disse Jonathan Eastwood.

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7 Julho, 2020

 

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3961: Quantos humanos são precisos para colonizar Marte? Novo estudo responde

CIÊNCIA/MARTE

D Mitriy / Wikimedia

Quantas pessoas são necessárias para colonizar o Planeta Vermelho? Segundo um novo estudo, no mínimo, 110.

Jean-Marc Salotti, investigador e professor no Instituto Politécnico de Bordéus, em França, concluiu recentemente que são necessários 110 colonos para continuar a civilização humana noutro planeta. O artigo científico foi publicado no dia 16 de Junho na Scientific Reports.

Partindo do princípio de que estes humanos, colocados, por exemplo, no Planeta Vermelho, não contam com suporte vindo da Terra, o investigador estima que 110 pessoas seriam suficientes para iniciar a agricultura e outras indústrias autos-suficientes antes que os recursos que tivessem levado a bordo terminassem.

A investigação teve por base um modelo matemático para determinar a exequibilidade de sobrevivência noutro planeta em regime autos-suficiente, e concluiu que a sobrevivência depende do acesso a recursos naturais, condições de trabalho e outras.

A ideia central é o factor de partilha, que permite a redução dos requisitos por indivíduo. “A sobrevivência só é possível se a exigência de tempo de trabalho for menor do que a capacidade do tempo de trabalho. Como a exigência de tempo por indivíduo tende a diminuir com o aumento da população, a determinação do número mínimo para a sobrevivência é directa”, explicou o cientista.

Segundo este princípio, os colonos deveriam trabalhar em conjunto para realizar funções e tarefas que beneficiariam todo o grupo. “Se cada colono estivesse completamente isolado e não fosse possível compartilhar, cada indivíduo teria que realizar todas as actividades e o tempo total necessário seria obtido por uma multiplicação pelo número de indivíduos”, explicou Salotti citado pelo Interesting Engineering.

Apesar de este cálculo ser hipotético, trata-se da “primeira avaliação quantitativa do número mínimo de indivíduos para sobrevivência com base em restrições de engenharia”.

Actualmente, a empresa norte-americana SpaceX está a trabalhar num projecto para levar colonos a Marte, embora ainda não haja qualquer data confirmada para a missão.

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6 Julho, 2020

 

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3947: Janela temporal para lançamento da sonda marciana Perseverance está a fechar-se

CIÊNCIA/MARTE

A NASA pretende lançar a sonda, sucessora da Curiosity, a 30 de Julho. No entanto, o novo adiamento coloca a agência espacial em risco de falhar esta janela temporal

O lançamento da Perseverance, a nova sonda que irá ‘render’ a Curiosity em Marte, tem vindo a sofrer adiamento sucessivos. Agora, a nova data apontada pela NASA é 30 de Julho, mas o terceiro adiamento faz com que a agência esteja a aproximar-se perigosamente do encerramento da janela temporal considerada ideal para o lançamento de qualquer sonda em direcção ao planeta vermelho.

Apesar de Terra e Marte serem o terceiro e quarto planeta, respectivamente, em relação ao Sol, nem sempre estão próximos, devido às órbitas serem feitas a velocidades diferentes. Muitas das vezes, os dois planetas estão mesmo em lados opostos, pelo que, tecnicamente e se considerarmos as distâncias médias, Mercúrio é o planeta mais próximo da Terra. A janela temporal ideal para aproximação a Marte ‘abre’ a 17 de Julho e ‘fecha’ a 11 de Agosto.

A sonda Perseverance herda muitas das características da Curiosity, mas a NASA procedeu a algumas melhorias: as rodas resistem melhor a furos e danos que a sonda actual tem vindo a registar, há um pequeno helicóptero a bordo que permite explorar o terreno com mais detalhe e a nova sonda tem uma nova geração de câmaras e instrumentos científicos mais precisos.

O plano original previa o lançamento da Perseverance a 17 de Julho, mas problemas de logística e agora no sensor de oxigénio líquido no foguetão Atlas V levaram a NASA a apontar para 20 de Julho, depois 22 e agora dia 30 do mês corrente.

A ULA, United Launch Alliance, vai ter de corrigir o problema antes de começar novamente a preparação da logística de montagem da sonda a bordo e espera-se que o clima da Florida esteja nas melhores condições para se fazer um lançamento a 30 de Julho. Caso se passe janela temporal de 11 de Agosto, Terra e Marte só estarão nas condições ideais para um novo lançamento em 2022, pelo que falhar nas próximas semanas representa um custo de milhões de dólares, além do impacto científico e dos atrasos que poderá provocar numa possível expedição tripulada a Marte.

Exame Informática
03.07.2020 às 09h39

 

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3938: Aproxima-se o lançamento do rover Perseverance

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Num laboratório em Pasadena, Califórnia, os engenheiros observaram o primeiro teste de condução do rover Mars 2020 da NASA no dia 17 de Dezembro de 2019.
Crédito: NASA/JPL-Caltech

O rover Perseverance da NASA está a menos de um mês da data de lançamento prevista para 20 de Julho. A missão de astrobiologia do veículo vai procurar sinais de vida microscópica passada em Marte, explorar a geologia do local de aterragem na Cratera Jezero e demonstrar tecnologias para ajudar a preparar futuras explorações robóticas e humanas. E o rover fará isso tudo ao recolher as primeiras amostras de rocha e rególito marciano (rocha quebrada e poeira) para envio à Terra por várias missões futuras.

“Há cinquenta e um anos atrás, a NASA estava a preparar-se para a primeira aterragem humana na Lua,” disse Jim Bridenstine, administrador da NASA. “Hoje estamos no limiar de outro momento monumental na exploração: a recolha de amostras em Marte. Enquanto comemoramos os heróis da Apollo 11, as futuras gerações podem também reconhecer as mulheres e os homens da missão Perseverance – não apenas pelo que alcançarão a centenas de milhões de quilómetros de casa, mas pelo que conseguiram realizar cá neste mundo a caminho do lançamento.”

A missão Mars 2020 tem lançamento previsto para este verão desde que a agência anunciou o projecto em Dezembro de 2012. Devido às posições relativas da Terra e de Marte, as oportunidades de lançamento surgem apenas a cada 26 meses. Se o Perseverance não fosse para Marte este verão, o projecto teria que esperar até Setembro de 2022 para tentar novamente, afectando seriamente os objectivos a longo prazo do Programa de Exploração de Marte da NASA e aumentando o risco geral da missão.

Com o território vêm desafios significativos no que toca ao planeamento de uma missão marciana. No caso do Perseverance – a carga útil mais pesada alguma vez lançada para o Planeta Vermelho – esses desafios incluíram a implementação de um novo projecto de teste para confirmar a robustez do seu design de para-quedas. Também houve um grande esforço para aprimorar o desempenho do sistema de recolha de amostras (SCS – Sample Caching System), o mecanismo mais complexo e mais limpo (em termos biológicos) alguma vez enviado para o espaço. Mas de todos os obstáculos enfrentados pelos homens e pelas mulheres do projecto Perseverance, a pandemia de coronavírus representou o maior desafio, com precauções de segurança que exigem muito trabalho remoto.

“A equipa nunca vacilou na sua busca pela plataforma de lançamento,” disse Michael Watkins, director do JPL da NASA no sul da Califórnia. “Foi graças à sua dedicação e à ajuda de outras instalações da NASA que chegámos até aqui.”

Perseverante

No meio desta tensão adicional de manter o calendário enquanto incorporando precauções adicionais – e manter amigos, familiares e colegas em segurança – a equipa da missão Mars 2020 tem consciência da dedicação e do trabalho árduo das pessoas na comunidade médica de todo o mundo durante a pandemia. Com essas pessoas em mente, a missão instalou uma placa no lado esquerdo do chassi do rover, entre a roda do meio e a roda traseira. O gráfico na placa de alumínio com 8 por 13 cm mostra a Terra, apoiada pela comunidade médica – representada pelo antigo símbolo da haste entrelaçada por uma serpente. Uma linha representando a trajectória da nave desde a Florida Central até Marte, ilustrado como um pequeno ponto no plano de fundo.

“Queríamos demonstrar a nossa gratidão por aqueles que colocaram o seu bem-estar pessoal em risco pelo bem dos outros,” disse Matt Wallace, vice-gerente do projecto Perseverance no JPL. “É nossa esperança que quando as futuras gerações viajarem para Marte e encontrarem o nosso rover, se relembrem destas pessoas da Terra, do ano de 2020.”

Todos os principais componentes da espaço-nave que transporta o rover (desde a concha que o protege, até aos estágios de cruzeiro e de descida) estão agora na configuração que estarão na plataforma de lançamento no Centro Espacial Kennedy, no estado norte-americano da Florida. Já estão incluídos na carga que os protegerá durante o lançamento e a semana passada foram transportados para o Complexo 41 de Lançamentos Espaciais, onde serão anexados ao topo de um foguetão Atlas V da United Launch Alliance.

“A missão tem um lançamento, mais de 500 milhões de quilómetros de espaço interplanetário e sete minutos de terror para chegar com segurança à superfície de Marte,” disse Lori Glaze, directora da Divisão de Ciências Planetárias da NASA. “Quando virmos a paisagem da Cratera Jezero pela primeira vez e realmente começarmos a perceber a recompensa científica diante de nós, é que a ‘diversão’ começa.”

A Missão

A missão astrobiológica do rover Perseverance vai procurar sinais de vida microbiana antiga. Também vai caracterizar o clima e a geologia do planeta, abrir caminho para a exploração humana do Planeta Vermelho e será a primeira missão planetária a recolher e a armazenar amostras rochosas e de poeira marciana. Missões subsequentes, actualmente sob consideração pela NASA (em conjunto com a ESA), enviarão naves espaciais para Marte a fim de recolher essas amostras armazenadas à superfície e enviá-las para a Terra para análises mais profundas.

A missão Mars 2020 faz parte de um programa maior que inclui missões à Lua como uma maneira de preparar a exploração humana do Planeta Vermelho. Encarregada de fazer regressar astronautas à Lua até 2024, a NASA estabelecerá uma presença humana sustentada na Lua e em seu redor até 2028 através dos planos de exploração lunar Artemis da NASA.

Independentemente do dia em que o rover Perseverance levante voo durante o período de lançamento de 20 de Julho a 11 de Agosto, aterrará na Cratera Jezero de Marte no dia 18 de Fevereiro de 2021. A aterragem com uma data e hora específica ajuda os planeadores da missão a melhor entender a iluminação e a temperatura no local de aterragem em Marte, bem como a posição dos satélites em órbita de Marte, encarregados de registar e retransmitir dados da nave durante a sua descida e pouso.

Astronomia On-line
30 de Junho de 2020

 

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3896: Próxima missão da NASA a Marte vai homenagear equipas médicas que lutam contra a covid-19

CIÊNCIA/MARTE/NASA/CORONAVIRUS

NASA/JPL-Caltech
O rover marciano Perseverance da NASA

A próxima missão da agência espacial norte-americana (NASA) a Marte vai homenagear todos aqueles que lutam diariamente contra a covid-19, doença que fez já mais de 468.000 vítimas mortais em todo o mundo.

A bordo do veículo espacial Perseverance, que faz parte da missão Mars 2020 e cujo lançamento está agendado para 20 de Julho, vai seguir uma pequena placa de alumínio em homenagem a médicos, enfermeiros e outros profissionais ligados à saúde que todos os dias lutam para travar a covid-19, anunciou a NASA em comunicado.

“Queríamos demonstrar a nossa gratidão por todos aqueles que colocaram o seu bem-estar pessoal em risco em prol do bem dos outros”, disse Matt Wallace, líder dos projectos do Perseverance, do Laboratório de Propulsão a Jacto da NASA.

“Esperamos que, quando as gerações futuras viajarem para Marte e encontrarem o nosso veículo espacial, se recordem que na Terra, no ano de 2020, havia estas pessoas”.

A placa de 8 por treze centímetros mostra a Terra “apoiada pela comunidade médica, que está representada pelo antigo símbolo da haste entrelaçada por serpentes”, detalhou ainda a NASA, citada pelo The New York Post.

NASA’s Perseverance Mars Rover

@NASAPersevere

On track for launch in just over a month. The road has been long, but we’re persevering, inspired by the global medical community that’s gone above and beyond during #COVID19. That’s why I’m carrying this tribute plate for them, above and beyond to Mars. http://go.nasa.gov/37Ev019 

Apesar da pandemia, o lançamento deste rover da NASA não foi adiado, apesar de ter dificultado os trabalhos. “Começou a afectar-nos verdadeiro em meados de Março (…) Estávamos num momento crítico no processamento da nave espacial. Todos os elementos estavam no Centro Espacial Kennedy e tínhamos que proceder à montagem e fazer os testes finais da nave espacial”, explicou Matt Wallace.

“Tinha de ser feito da forma correta – não podemos cometer um erro neste momento – e é claro que o ambiente tornou esta missão muito mais difícil“.

Os trabalhos continuaram com todas as precauções, refere ainda o portal Space.com, que dá conta que, janela de lançamento da missão termina em meados de Agosto e, se o veículo da NASA não for lançado neste período de tempo pré-definido, só poderá seguir depois rumo ao espaço no final de 2022.

As janelas de lançamento para as missões de Marte surgem uma vez a cada 26 meses, quando a Terra e o Planeta Vermelho estão do mesmo lado do Sol.

Perseverance deve chegar a Marte em meados de Fevereiro de 2021.

O detective a bordo do rover da NASA Perseverance

Marte está muito longe da famosa 221 Baker Street, mas um dos detectives mais conhecidos da ficção estará representado no…

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22 Junho, 2020

 

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3890: Hope: A sonda dos Emirados Árabes Unidos que será enviada a Marte

CIÊNCIA/TECNOLOGIA

Não há volta a dar, Marte está efectivamente na mira dos países e das agências espaciais e é lá que todos querem ir. Depois dos Estados Unidos, Rússia, Europa, entre outros, apontarem tecnologia para conhecer solo marciano, chegou a vez da “Hope”, uma sonda dos Emirados Árabes Unidos.

Apesar da pandemia, os EAU, que têm uma população de apenas 9,6 milhões de habitantes, enviarão uma sonda de exploração a Marte, no próximo mês.

Sonda Hope levará tecnologia dos Emirados Árabes Unidos a Marte

No próximo dia 15 de Julho de 2020, os Emirados Árabes Unidos (EAU) vão lançar a sua Missão Emirados Marte (EMM). Esta missão levará uma sonda chamada “Hope” numa viagem de sete meses até ao Planeta Vermelho.

Com semelhanças com a missão MAVEN da NASA, a sonda, se bem sucedida, estudará o clima de Marte, dando uma visão abrangente do sistema meteorológico do planeta e dos EAU, uma base impressionante na corrida espacial.

Missão dos Emirados em Marte nos trilhos, apesar da COVID-19

Conforme foi dado a conhecer, o EMM enviará um orbital de Marte, desenvolvido pelo Centro Espacial Mohammed Bin Rashid (MBRSC), no Dubai. Esta sonda foi desenvolvida em parceria com o Laboratório de Física Atmosférica e Espacial da Universidade do Colorado, em Boulder. A nave deverá chegar a Marte em Fevereiro de 2021 e começar a estudar a atmosfera marciana no final de 2021.

O objectivo da missão é construir o primeiro quadro completo do clima de Marte ao longo do ano marciano. Segundo os responsáveis desta missão, este conjunto de dados recolhidos será de valor inestimável para futuras missões a Marte.

Está a chegar num momento difícil para todos, por isso, tem sido uma notícia refrescante. Tivemos de dar mais uma vista de olhos às reuniões para os eventos de lançamento, mas estamos à procura de fazer algo online.

Explicou Sarah Al Amiri, Ministra de Estado das Ciências Avançadas dos Emirados Árabes Unidos e Gestora de Projecto Adjunta da Missão dos Emirados Marte, à Forbes.

Planos de contingência impressionantes

Apesar dos contratempos da pandemia da COVID-19, o Centro Espacial Mohammed Bin Rashid tem conseguido manter a missão no bom caminho.

Estamos na fase da campanha de lançamento – a nave está abastecida e pronta para o lançamento. Tivemos de a enviar mais cedo do que o previsto devido à COVID-19 e dividimos a equipa, colocando alguns deles no Japão durante quatro meses.

Disse Omran Sharaf, líder do projecto da Missão dos Emirados Marte.

O futuro pós-petróleo para os Emirados Árabes Unidos

Os Emirados Árabes Unidos têm sido claros que, embora o seu objectivo seja preencher lacunas no nosso conhecimento sobre o Planeta Vermelho, a Missão a Marte dos EAU é também sobre a economia do país a longo prazo.

Chegar a Marte não é o principal objectivo aqui – trata-se de reforçar a nossa economia do conhecimento, tornando-a mais inovadora, criativa e competitiva. É sobre a economia pós-petróleo.

Concluiu Sharaf.

Conforme foi já programado, a janela de lançamento do EMM inicia-se no dia 15 de Julho de 2020 e fecha a 3 de Agosto de 2020. Portanto, se esta janela de lançamento falhar, toda a missão terá de ser adiada até Setembro de 2022.

NASA mostra a realidade triste de Marte. Já foi um planeta habitável, hoje é desolador

Marte está nos planos das agências espaciais para ser visitado por humanos. Contudo, do que se vai conhecendo do planeta vermelho, a realidade é muito desoladora, face ao que, um dia, já foi. Durante … Continue a ler NASA mostra a realidade triste de Marte. Já foi um planeta habitável, hoje é desolador

19 Jun 2020

3869: Weird green glow spotted in atmosphere of Mars

It’s the first time the emission has been seen on a world beyond Earth.

Artist’s illustration of the European Space Agency’s ExoMars Trace Gas Orbiter detecting the green glow of oxygen in the Martian atmosphere. This emission, spotted on the dayside of Mars, is similar to the night glow seen around Earth’s atmosphere from space.
(Image: © ESA)

The atmosphere of Mars has a distinct green glow, just like Earth’s.

The European Space Agency’s Trace Gas Orbiter (TGO) spotted an emerald glow in Mars’ wispy atmosphere, marking the first time the phenomenon has been spotted on a world beyond Earth, a new study reports.

“One of the brightest emissions seen on Earth stems from night glow. More specifically, from oxygen atoms emitting a particular wavelength of light that has never been seen around another planet,” study lead author Jean-Claude Gérard, of the Université de Liège in Belgium, said in a statement.

“However, this emission has been predicted to exist at Mars for around 40 years — and, thanks to TGO, we’ve found it,” Gérard said.

Related: The 7 biggest mysteries of Mars

In this image, taken by astronauts aboard the International Space Station (ISS) in 2011, a green band of oxygen glow is visible over Earth’s curve. On the surface, portions of northern Africa are visible, with evening lights shining along the Nile river and its delta. (Image credit: NASA)

As Gérard noted, the green emission is characteristic of oxygen. Skywatchers at high latitudes here on Earth can see this signature in the ethereal, multicolored displays known as the auroras, which are generated by charged particles from the sun slamming into molecules high up in the atmosphere.

But night glow is different. It’s caused by the interaction of sunlight with atoms and molecules in the air, which generates a subtle but continuous light. This emission is hard to see, even here on Earth; observers often need an edge-on perspective to make it out, which is why some of the best images of our planet’s green night glow come courtesy of astronauts aboard the International Space Station (ISS).

Day glow, the diurnal component of this constant emission, is even harder to spot. And it’s driven by a slightly different mechanism.

“Night glow occurs as broken-apart molecules recombine, whereas day glow arises when the sun’s light directly excites atoms and molecules such as nitrogen and oxygen,” European Space Agency (ESA) officials wrote in the same statement.

Gérard and his colleagues used TGO’s Nadir and Occultation for Mars Discovery (NOMAD) instrument suite, which includes the Ultraviolet and Visible Spectrometer (UVIS), to study the Red Planet’s air in a special observing mode from April through December of last year.

“Previous observations hadn’t captured any kind of green glow at Mars, so we decided to reorient the UVIS nadir channel to point at the ‘edge’ of Mars, similar to the perspective you see in images of Earth taken from the ISS,” study co-author and NOMAD principal investigator Ann Carine Vandaele, of the Institut Royal d’Aéronomie Spatiale de Belgique in Belgium, said in the same statement.

The team scanned the Martian atmosphere at altitudes between 12 miles and 250 miles (20 to 400 kilometers). They found the green oxygen glow at all heights, though it was strongest around 50 miles (80 km) up and varied with the Red Planet’s distance from the sun.

The researchers also performed modeling work to better understand what’s driving the glow. Those calculations suggested the light is driven mainly by the breakup of carbon dioxide, which makes up 95% of Mars’ thin atmosphere, into carbon monoxide and oxygen.

TGO saw these stripped oxygen atoms glowing in both visible and ultraviolet light, with the visible emission about 16.5 times more intense than the UV.

“The observations at Mars agree with previous theoretical models, but not with the actual glowing we’ve spotted around Earth, where the visible emission is far weaker,” Gérard said. “This suggests we have more to learn about how oxygen atoms behave, which is hugely important for our understanding of atomic and quantum physics.”

TGO has been circling Mars since October 2016. The orbiter is part of the two-phase European-Russian ExoMars program, which plans to launch a life-hunting rover called Rosalind Franklin toward the Red Planet in 2022. (The Rosalind Franklin was originally supposed to lift off this summer, but technical issues with the spacecraft’s parachute and other systems caused the mission to miss that window.)

The new TGO results, which were published online today (June 15) in the journal Nature Astronomy, will be helpful to the Rosalind Franklin team, ESA officials said.

“This type of remote-sensing observation, coupled with in situ measurements at higher altitudes, helps us to predict how the Martian atmosphere will respond to seasonal changes and variations in solar activity,” Håkan Svedhem, ESA’s TGO project scientist, said in the same statement.

“Predicting changes in atmospheric density is especially important for forthcoming missions, including the ExoMars 2022 mission that will send a rover and surface science platform to explore the surface of the Red Planet,” said Svedhem, who is not a co-author of the new study.

Mike Wall is the author of “Out There” (Grand Central Publishing, 2018; illustrated by Karl Tate), a book about the search for alien life. Follow him on Twitter @michaeldwall. Follow us on Twitter @Spacedotcom or Facebook

Livescience
By Mike Wall – Space.com Senior Writer
17/06/2020

 

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3843: How to Get to Mars. Very Cool! HD

“How To get to Mars” is a clip from the IMAX documentary “Roving Mars” from 2006. This is an edited short version.

 

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3840: NASA “mostra as várias cores” de Fobos, a maior lua marciana

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

NASA

Novas imagens térmicas capturadas pela sonda Mars Odyssey da NASA apresentam Fobos, a maior das duas luas de Marte, com cores diferentes.

As imagens agora divulgadas e captadas através de uma câmara infravermelha da sonda, fornecem informações sobre a composição e as propriedades físicas desta lua de Marte, explicou a agência espacial norte-americana em comunicado.

Em algumas ocasiões, este satélite aparece envolto em sombras, havendo ainda outros momentos em que está completamente banhado pela luz solar.

NASA

No passado 25 de Fevereiro, Fobos foi observada durante um eclipse lunar, durante o qual Marte bloqueou totalmente a luz solar desta luz, gerando as temperaturas mais baixas já registadas pelos cientistas neste satélite.

Os termómetros chegaram aos -123 graus Celsius.

“Estas observações também estão a ajudar a caracterizar a composição de Fobos. As futuras observações fornecerão uma imagem mais completa das temperaturas extremas na superfície da Lua”, disse o especialista Christopher Edwards, da Universidade do Norte do Arizona, nos Estados Unidos, que liderou o processamento e a análise das imagens.

Marte pode ter tido uma lua gigante antes de Fobos e Deimos

Os cientistas norte-americanos desenvolveram um modelo que sugere que detritos expelidos para o espaço por um corpo celeste que colidiu…

ZAP //

Por ZAP
13 Junho, 2020

 

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3825: Queda de asteróides em oceanos pode ter gerado vida na Terra e até Marte

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Quedas de asteróides em oceanos podem ter gerado ingredientes para início da vida Imagem: Getty Images

A vida na Terra e, quem sabe, em Marte pode ter surgido graças ao impacto de asteróides nos oceanos no início da formação dos dois planetas. Isso é o que mostra um estudo realizado pela Universidade de Tohoku, no Japão. Os pesquisadores descobriram que a queda dos asteróides fez surgir aminoácidos que servem como blocos de construção de proteínas e que foram fundamentais para a vida de moléculas no começo do planeta Terra.

Existem duas explicações para as origens das moléculas que criaram vida na Terra: podem ter vindo de fora do nosso planeta, como o exemplo dos asteróides, ou por formação endógena. A presença de aminoácidos e outras bio-moléculas em asteróides apontam que a primeira hipótese é a mais provável. Por isso, os pesquisadores da Universidade de Tohoku, do Instituto Nacional de Ciência dos Materiais (Nims), do Centro de Pesquisa Avançada em Ciência e Tecnologia de Alta Pressão (Hpstar) e da Universidade de Osaka simularam as reacções que surgem quando um asteroide cai no oceano. Para isso, eles investigaram as reacções entre dióxido de carbono, nitrogénio, água e ferro em um laboratório.

O dióxido de carbono e o nitrogénio foram usados porque esses gases eram os componentes principais da atmosfera da Terra no período Hadeano, há mais de 4 bilhões de anos. A simulação revelou a formação de aminoácidos como a glicina e a alanina, que compõem as proteínas dos seres vivos e que catalisam muitas reacções biológicas. A partir desses resultados, os autores afirmam que o impacto dos asteróides pode ter resultado em uma fonte de aminoácidos no início do nosso planeta.

“Fazer moléculas orgânicas formarem compostos reduzidos como metano e amónia não é difícil, mas eles são considerados componentes menores na atmosfera da época. A descoberta da formação de aminoácidos a partir do dióxido de carbono e do nitrogénio molecular demonstra a importância de criar blocos de construção da vida a partir desses compostos omnipresentes”, afirmou o pesquisador Yoshihiro Furukawa, da Universidade Tohoku. A hipótese de que Marte já teve um oceano também traz algumas suposições interessantes, já que é provável que o dióxido de carbono e o nitrogénio também tenham sido os principais gases que constituíam a atmosfera marciana. Por isso, a formação de aminoácidos induzida pelas colisões dos asteróides também pode ter sido fonte de ingredientes para o surgimento de vida em Marte no passado.

“As pesquisas futuras vão revelar mais sobre o papel dos meteoritos em trazer bio-moléculas mais complexas para a Terra e Marte”, disse Furukawa.

Tilt
Thiago Varella
Colaboração para Tilt
08/06/2020 15h50

 

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3798: Marte pode já ter tido um anel à sua volta (e voltar a tê-lo)

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Kevin Gill / Flickr

Uma nova investigação revela que Marte pode ter tido um anel à sua volta. A nova pista está em Deimos, a mais pequena das duas luas marcianas. A sua estranha órbita está inclinada em relação ao equador do planeta, o que pode ser resultado de efeitos gravitacionais causados por um anel planetário.

O Planeta Vermelho tem duas luas que circulam em seu redor, a Fobos e a Deimos. Durante muitos anos, os cientistas supusera, que as duas luas eram asteróides capturados. Porém, um novo estudo mostra que a órbita de Deimos tornaria essa hipótese impossível. Deimo está levemente inclinada no equador marciano, em apenas 2º. Inicialmente, a diferença era tão pequena que muitos cientistas ignoraram o assunto.

“O facto de a órbita de Deimos não estar no plano do equador de Marte foi considerado sem importância e ninguém se importou em tentar explicá-la”, disse Matija Cuk, cientista do Instituto SETI e principal autor do estudo, em comunicado. “Mas quando tivemos uma grande ideia nova e olhámos-la com novos olhos, a inclinação orbital de Deimos revelou o seu grande segredo”.

O segredo veio da observação dos movimentos de Fobos, que orbita mais perto da superfície marciana e está lentamente a entrar em espiral no planeta. Eventualmente, Fobos cairá tão perto de Marte que a gravidade do planeta muito maior destruirá a lua em pedaços – formando um anel.

Os co-autores, David Minton, da Universidade Purdue, e Andrew Hesselbrock, aluno de graduação, sugerem que o futuro de Fobos não é um evento pontual. Em vez disso, depois de a lua ser separada em pedaços, eventualmente as peças transformar-se-ão noutra lua. Isto não acontecerá só com Fobos. Já aconteceu outras vezes no passado marciano.

Esta destruição e reforma das luas explicaria como aconteceu a estranha inclinação orbital de Deimos. “Esta teoria cíclica da lua marciana tem um elemento crucial que torna possível a inclinação de Deimos: uma lua recém-nascida afastar-se-ia do anel e de Marte na direcção oposta à espiral interna que Fobos está a sofrer devido a interacções gravitacionais com Marte”.

“Uma lua que migra para fora dos anéis pode encontrar a chamada ressonância orbital, na qual o período orbital de Deimos é três vezes maior que o da outra lua. Podemos dizer que apenas uma lua que se move para fora poderia ter afectado fortemente Deimos, o que significa que Marte deve ter tido um anel a empurrar a lua interna para fora“.

Esta lua teórica teria sido enorme, 20 vezes mais massiva do que Fobos. Teoriza-se que Fobos seja duas gerações mais jovem que esta lua, que se separou e se reformou duas vezes – da segunda vez, formou Fobos.

Além disso, a era de Fobos favorece a teoria. Deimos tem milhares de milhões de anos, mas Fobos tem apenas 200 milhões de anos.

Descoberta a origem dos misteriosos sulcos da “Estrela da Morte” de Marte

Os estranhos sulcos na superfícies de Fobos – uma das luas de Marte – foram gravados por pedras gigantes e…

A investigação foi apresentada na 236ª reunião da Sociedade Astronómica Americana, realizada virtualmente até 3 de Junho. Um artigo foi aceite para publicação na revista científica Astrophysical Journal Letters.

Até agora, nenhuma nave espacial conseguiu chegar perto da lua marciana para testar teorias geológicas, mas isso pode mudar em breve. A Agência de Exploração Aeroespacial Japonesa (JAXA) planeia enviar uma missão a Fobos em 2024, chamada Martian Moons Exploration (MMX).

ZAP //

Por ZAP
6 Junho, 2020

 

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3769: A atmosfera de Marte está a escapar para o Espaço (e já se sabe quem é o culpado)

CIÊNCIA/ASTRONOMIA/ASTROFÍSICA/MARTE

 

O vídeo acima foi capturado directamente do écran dado que não existe endereço url do mesmo.

Marte pode já ter sido um planeta habitável mas, ao longo de milhares de milhões de anos, a sua atmosfera escapou para o Espaço. Os cientistas mapearam as correntes eléctricas na atmosfera marciana que podem ter sido responsáveis por deixar o gás “fugir” e encontraram o verdadeiro culpado.

Usando a nave da NASA Mars Atmosphere and Volatile Evolution (MAVEN), uma equipa de cientistas mapeou os sistemas de corrente eléctrica na atmosfera de Marte pela primeira vez, resultando em visualizações que ajudaram os cientistas a determinar o que estava a permitir que a atmosfera escapasse para o Espaço.

As descobertas, de acordo com o estudo publicado em maio na revista científica Nature Astronomy, sugerem que o vento solar que constantemente flui do Sol é a principal força motriz por trás da fuga atmosférica do Planeta Vermelho.

Os investigadores queriam descobrir quão essencial é um campo magnético para a regulação da atmosfera de um planeta. Marte não tem campo magnético. Em vez disso, partículas carregadas libertadas da atmosfera superior do Sol, conhecidas como vento solar, interagem com a atmosfera de Marte e criam uma magnetosfera induzida – a área do espaço que circunda um planeta.

Os cientistas mapearam as correntes eléctricas em torno de Marte. As correntes eléctricas cobrem o lado do dia do planeta e fluem para a noite. Essas voltas de correntes eléctricas conectam a atmosfera superior de Marte e a sua magnetosfera induzida pelo vento solar.

À medida que os iões e electrões do vento solar colidem com o campo magnético induzido, são forçados a separar-se devido à sua carga eléctrica oposta, com alguns iões a fluir numa direcção e outros electrões noutra. Isso resulta na formação das correntes eléctricas em torno de Marte.

Enquanto isso, raios-x e radiação ultravioleta emitida pelo Sol estão constantemente a ionizar áreas da atmosfera superior de Marte, fazendo com que seja capaz de conduzir electricidade. Esse processo é essencialmente responsável pela fuga atmosférica de Marte.

As correntes transformam a energia do vento solar em campos magnéticos e eléctricos que aceleram as partículas carregadas da atmosfera de Marte, o que faz com que a atmosfera do planeta escape para o Espaço.

“Essas correntes desempenham um papel fundamental na perda atmosférica que transformou Marte de um mundo que poderia ter sustentado a vida num deserto inóspito”, disse Robin Ramstad, físico experimental da Universidade do Colorado e principal autor do estudo, em comunicado.

Sem um campo magnético, Marte está a perder a sua atmosfera há milhares de milhões de anos e a transformar-se num deserto frio e seco.

ZAP //

Por ZAP
1 Junho, 2020

 

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3750: O detective a bordo do rover Perseverance

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Como visto nesta impressão de artista, o instrumento SHERLOC está localizado no fim do braço robótico do rover marciano Perseverance da NASA.
Crédito: NASA/JPL-Caltech

Marte está muito longe da famosa 221 Baker Street, mas um dos detectives mais conhecidos da ficção estará representado no Planeta Vermelho quando o rover Perseverance da NASA pousar no dia 18 de Fevereiro de 2021. SHERLOC, um instrumento na ponta do braço robótico do rover, vai procurar pistas do tamanho de grãos de areia nas rochas marcianas enquanto trabalha em conjunto com a WATSON, uma câmara que vai capturar fotos de texturas de rochas. Juntos, vão estudar as superfícies rochosas, mapeando a presença de certos minerais e moléculas orgânicas, que são os blocos de construção da vida baseada em carbono cá na Terra.

O SHERLOC foi construído no JPL da NASA, no sul do estado norte-americano da Califórnia, que lidera a missão do Perseverance; a WATSON foi construída no MSSS (Malin Space Science Systems) em San Diego. Para as rochas mais promissoras, a equipa do Perseverance comandará o rover para recolher amostras com meia polegada de largura, armazená-las, selá-las em tubos de metal e depositá-las na superfície de Marte para que uma missão futura possa entregá-las à Terra a fim de um estudo mais detalhado.

O SHERLOC vai trabalhar com outros seis instrumentos a bordo do Perseverance para nos dar uma compreensão mais clara de Marte. Está até a ajudar o esforço de criar fatos espaciais resistentes ao ambiente marciano para quando os humanos pisarem o Planeta Vermelho. Aqui ficam mais informações.

O poder do efeito Raman

O nome completo do instrumento SHERLOC é: Scanning Habitable Environments with Raman & Luminescence for Organics & Chemicals. “Raman” refere-se à espectroscopia Raman, uma técnica cujo nome homenageia o físico indiano C.V. Raman, que descobriu o efeito de dispersão da luz na década de 1920.

“Enquanto viajava de barco, tentava descobrir porque é que o mar era azul,” disse Luther Beegle do JPL, investigador principal do SHERLOC. “Ele percebeu que se apontássemos um feixe de luz a uma superfície, podíamos mudar o comprimento de onda da luz dispersa, dependendo dos materiais nessa superfície.”

Este efeito é chamado de dispersão ou efeito Raman. Os cientistas podem identificar diferentes moléculas com base na distinta “impressão digital” espectral visível na luz emitida. Um laser ultravioleta que faz parte do SHERLOC permitirá à equipa classificar materiais orgânicos e minerais presentes numa rocha e entender o ambiente no qual a rocha se formou. A água salgada, por exemplo, pode resultar na formação de minerais diferentes daqueles em água doce. A equipa também vai procurar pistas de astrobiologia na forma de moléculas orgânicas que, entre outras coisas, servem como potenciais bio-assinaturas, demonstrando a presença de antiga vida passada em Marte.

“A vida agrupa-se,” disse Beegle. “Se virmos substâncias orgânicas agrupadas numa parte de uma rocha, pode ser um sinal de que os micróbios aí prosperaram no passado.”

Os processos não biológicos também podem formar compostos orgânicos, de modo que a detecção destes compostos não é um sinal claro de que a vida se formou em Marte. Mas os produtos orgânicos são cruciais para entender se o ambiente antigo pode ter suportado vida.

Uma lupa marciana

Quando Beegle e a sua equipa avistarem uma rocha interessante, digitalizam uma área com o tamanho de uma moeda com o laser do SHERLOC para descobrir a composição mineral e a presença de compostos orgânicos. Em seguida, a WATSON (Wide Angle Topographic Sensor for Operations and eNgineering) capturará ampliações da amostra. Também pode fotografar imagens do rover Perseverance, assim como o rover Curiosity da NASA usa a mesma câmara – chamada MAHLI (Mars Hand Lens Imager) nesse veículo – para ciência e para tirar selfies.

Mas, quando combinada com o SHERLOCK, a WATSON pode fazer ainda mais: a equipa pode mapear com precisão as descobertas do SHERLOC sobre as imagens da WATSON a fim de ajudar a revelar como as diferentes camadas minerais se formam e se sobrepõem. Também podem combinar os mapas minerais com dados de outros instrumentos – entre eles, o PIXL (Planetary Instrument for X-ray Lithochemistry) no braço robótico do Perseverance – para ver se uma rocha pode conter sinais de vida microbiana fossilizada.

Meteoritos e fatos espaciais

Qualquer instrumento científico exposto ao ambiente marciano por tempo suficiente está sujeito a mudanças, seja pelas variações extremas de temperatura, seja pela radiação do Sol e dos raios cósmicos. Os cientistas ocasionalmente têm que calibrar estes instrumentos, que fazem medindo as suas leituras em relação a alvos de calibração – essencialmente, objectos com propriedades conhecidas seleccionados previamente para fins de verificação cruzada (por exemplo, o rover Curiosity utiliza uma moeda como alvo de calibração). Como os cientistas e engenheiros sabem com antecedência quais devem ser as leituras quando um instrumento está a funcionar correctamente, podem fazer os ajustes necessários.

Com mais ou menos o tamanho de um smartphone, o alvo de calibração do SHERLOC inclui 10 objectos, incluindo uma amostra de um meteorito marciano que viajou até à Terra e foi encontrado em 1999 no deserto de Omã. O estudo de como este fragmento de meteorito muda ao longo da missão ajudará os cientistas a entender as interacções químicas entre a superfície do planeta e a sua atmosfera. A SuperCam, outro instrumento a bordo do Perseverance, também tem um pedaço de meteorito marciano como alvo de calibração.

Enquanto os cientistas enviam fragmentos de Marte novamente até à superfície do Planeta Vermelho para continuar os seus estudos, contam com o Perseverance para recolher dezenas de amostras de rocha e solo para futuro envio à Terra. As amostras que o veículo espacial recolher serão exaustivamente estudadas, com dados da paisagem onde se formaram, e vão incluir tipos de rochas diferentes dos meteoritos.

Ao lado do meteorito marciano estão cinco amostras de tecido de fatos espaciais e de material de capacete desenvolvido pelo Centro Espacial Johnson da NASA. O SHERLOC fará leituras destes materiais à medida que são afectados pela paisagem e pelo clima marciano ao longo do tempo, dando aos designers dos fatos uma melhor ideia de como se degradam. Quando os primeiros astronautas pisarem Marte, poderão muito bem ter que agradecer ao SHERLOC pelos fatos que os mantêm seguros.

O rover Perseverance pesa 1025 kg. A sua missão é procurar sinais de vida microbiana passada. Independentemente do dia de lançamento, cuja janela vai de 17 Julho a 11 de Agosto, aterrará na Cratera Jezero no dia 18 de Fevereiro de 2021.

Astronomia On-line
29 de Maio de 2020

 

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3738: As primeiras pegadas de Marte podem pertencer a Jessica Watkins

CIÊNCIA/ASTRONOMIA/MARTE

nasahqphoto / Flickr
Jessica Watkins

A norte-americana Jessica Watkins pode ser a primeira pessoa a pisar o Planeta Vermelho. A geóloga, de 32 anos, é uma das principais candidatas da NASA para participar nas missões do programa Artemis.

A geóloga planetária Jessica Watkins, de 32 anos, é uma das principais candidatas da NASA para participar nas missões do programa Artemis, que pretende enviar astronautas à Lua até ao final de 2024, com o objectivo de construir instalações sustentáveis no satélite terrestre, e, a longo prazo, pavimentar o caminho para a exploração humana em Marte.

De acordo com a Nature, Watkins já possui uma certa familiaridade com o Planeta Vermelho, dado que concluiu o seu doutoramento na Universidade da Califórnia, em Los Angeles, com um estudo sobre deslizamentos de terra no solo marciano.

A estudante da NASA diz que o Planeta Vermelho desperta a sua curiosidade pelas semelhanças que tem com o nosso próprio planeta. Aliás, Watkins refere mesmo, na entrevista à Nature, que é intrigante como “podemos usar a Terra para fazer analogias e entender mais sobre Marte e a história do planeta”.

Além disso, a geóloga conta que os métodos a que são submetidos os alunos seguem as mesmas directrizes dos treinos adoptados pelos participantes da missão Apollo.

“Fomos a muitos ambientes com actividades vulcânicas com o propósito de entender melhor que tipos de rochas podemos encontrar e como as podemos observar e documentar. Estamos a aprender as habilidades necessárias para permitir que os cientistas aqui na Terra façam as suas próprias investigações com os dados obtidos pela tripulação”, afirma.

Questionada sobre como seria a sua experiência no solo lunar enquanto geóloga planetária, Watkins respondeu que as primeiras missões do programa Artemis devem ser voltadas aos testes das capacidades tecnológicas das operações.

Só depois, em etapas posteriores, é que as expedições devem procurar possíveis depósitos de gelo no pólo sul da Lua, em regiões que são permanentemente escuras.

ZAP //

Por ZAP
23 Maio, 2020

 

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3735: Os futuros colonos de Marte podem ter de alterar o seu ADN para sobreviver

CIÊNCIA/ASTROBIOLOGIA/GENÉTICA/MARTE

D Mitriy / Wikimedia

As condições no planeta Vermelho são tão letais que mesmo os planos mais abrangentes para proteger astronautas e futuros colonos os deixariam expostos a níveis perigosos de radiação cósmica e extremos ambientais.

De acordo com o portal Space, Kennda Lynch, astro-bióloga e geo-microbiologista do Lunar and Planetary Institute, nos Estados Unidos, defende que as agências espaciais devem alterar o ADN dos futuros astronautas e colonos para que possam suportar melhor a vida em Marte.

Segundo Lynch, isto pode ser necessário de forma a dar aos colonos a sua melhor hipótese de sobrevivência.

Na semana passada, a astro-bióloga argumentou numa conferência online apresentada pela The New York Academy of Sciences, que seria preferível editar o genoma humano para sobreviver em Marte do que tentar terraformar o planeta para ser menos inóspito para seres humanos.

Caso contrário, os colonos arriscar-se-iam a eliminar evidências de quaisquer ecossistemas nativos, passados ou presentes. “E como podemos fazer isso se mudarmos o planeta antes de partirmos e descobrirmos se realmente houve vida lá?”, questionou Lynch durante o evento.

Para Lynch, tecnologias como engenharia genética “talvez sejam necessárias se as pessoas quiserem viver, trabalhar, prosperar, estabelecer a sua família e permanecer em Marte”. “É nessa altura que esse tipo de tecnologia pode ser crítica”, acrescentou.

A investigadora sugeriu que a engenharia genética também pode ser empregada para criar “micróbios” que ajudariam os colonos a estabelecer a sua presença em solo marciano.

“Estas são algumas das coisas que podemos fazer para nos ajudar a fazer as coisas que precisamos, ajudar a fabricar materiais para construir os nossos habitats”, disse. “Essas são muitas coisas que os cientistas estão a estudar agora”.

Christopher Mason, geneticista da Weill Cornell Medicine e participante na mesma conferência, disse mesmo que alterar o ADN dos astronautas pode vir a ser um imperativo categórico – um princípio fortemente sentido que obriga a pessoa a agir.

“E talvez somos eticamente obrigados a fazê-lo?”, questionou Mason. “Acho que, se for uma missão suficientemente longa, talvez seja preciso fazer algo, assumindo que seja seguro, o que ainda não podemos dizer”.

Lynch não é a primeira a sugerir a alteração do ADN dos colonos espaciais. Em 2018, uma equipa de investigadores polacos argumentou que a modificação genética pode ser necessária se os futuros habitantes quiserem ter bebés em Marte.

Os futuros colonos de Marte poderão ter miopia, ossos mais densos e até outra cor de pele

Caso os seres humanos consigam colonizar Marte, os novos colonos do Planeta Vermelho vão sofrer uma série de mutações que…

ZAP //

Por ZAP
23 Maio, 2020

 

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3725: Rover Curiosity encontra pistas de um antigo e frio planeta Marte enterrado em rochas

CIÊNCIA/PLANETAS/MARTE

Esta ilustração mostra um lago que enche parcialmente a Cratera Gale em Marte. Pode ter sido formado por escoamento de neve derretida na orla norte da cratera. Evidências de riachos, deltas e lagos antigos que o rover Curiosity da NASA encontrou nos padrões de depósitos sedimentares na Cratera Gale sugerem que esta possuía um lago como este há mais de 3 mil milhões de anos, enchendo e secando em vários ciclos ao longo de dezenas de milhões de anos.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/ESA/DLR/FU Berlin/MSSS

Ao estudarem os elementos químicos do planeta Marte dos tempos modernos – incluindo carbono e oxigénio – os cientistas podem trabalhar para trás e reunir a história de um planeta que já teve as condições necessárias para sustentar a vida.

Tecer esta história, elemento a elemento, a cerca de 225 milhões de quilómetros de distância, é um processo minucioso. Mas os cientistas não são facilmente dissuadidos. Orbitadores e rovers em Marte confirmaram que o planeta já teve água líquida, graças a pistas que incluem leitos secos de rios, linhas costeiras antigas e química salgada à superfície. Usando o rover Curiosity da NASA, os cientistas encontraram evidências de lagos persistentes. Também desenterraram compostos orgânicos, componentes químicos da vida. A combinação de água líquida e compostos orgânicos obriga os cientistas a continuar a procurar em Marte sinais de vida passada – ou presente.

Apesar das evidências tentadoras encontradas até agora, a compreensão da história marciana pelos cientistas ainda está a desenvolver-se, com várias questões importantes abertas para debate. Será que a antiga atmosfera marciana era espessa o suficiente para manter o planeta quente e, por conseguinte, húmido, pelo tempo necessário para brotar e nutrir a vida? E os compostos orgânicos: são sinais de vida – ou de química que ocorre quando as rochas marcianas interagem com a água e a luz solar?

Num relatório recente publicado na Nature Astronomy, sobre uma experiência realizada ao longo de vários anos, num laboratório químico situado na “barriga” do Curiosity, de nome SAM (Sample Analysis at Mars), uma equipa de cientistas fornece algumas ideias para ajudar a responder a estas perguntas. A equipa descobriu que certos minerais nas rochas da Cratera Gale podem ter-se formado num lago coberto de gelo. Estes minerais podem ter sido formados durante um estágio frio imprensado entre períodos mais quentes, ou depois de Marte ter perdido a maior parte da sua atmosfera e de ter começado a ficar permanentemente frio.

A Cratera Gale tem 154 km em diâmetro. Foi seleccionada como o local de pouso do Curiosity (aterragem em 2012) porque tinha sinais de água passada, incluindo minerais argilosos que podem ajudar a capturar e a preservar moléculas orgânicas antigas. De facto, enquanto explorava a base de uma montanha no centro da cratera, chamada Monte Sharp, o Curiosity encontrou uma camada de sedimentos com 304 metros de espessura que foi depositada como lama em lagos antigos. Alguns cientistas dizem que para formar tantos sedimentos, uma quantidade incrível de água teria que ter fluído para esses lagos durante milhões a dezenas de milhões de quentes e húmidos anos. Mas algumas características geológicas da cratera também sugerem um passado que incluía condições frias e geladas.

“Em algum momento, o ambiente da superfície de Marte deve ter passado por uma transição de quente e húmido para frio e seco, como é agora, mas exactamente quando e como isso ocorreu ainda é um mistério,” diz Heather Franz, geoquímica do Centro de Voo Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, no estado norte-americano de Maryland.

Franz, que liderou o estudo do SAM, observa que factores como mudanças na obliquidade de Marte e na quantidade de actividade vulcânica podem ter feito com que o clima marciano alternasse entre quente e frio ao longo do tempo. Esta ideia é suportada por mudanças químicas e mineralógicas nas rochas marcianas, mostrando que algumas camadas se formaram em ambientes mais frios e outras em ambientes mais quentes.

De qualquer forma, diz Franz, o conjunto de dados recolhidos até agora pelo Curiosity sugere que a equipa está a ver evidências de mudanças climáticas marcianas registadas em rochas.

Estrela de carbono e oxigénio na história climática de Marte

A equipa de Franz encontrou evidências de um antigo ambiente frio depois do laboratório SAM ter extraído os gases dióxido de carbono (CO2) e oxigénio de 13 amostras de poeira e rocha. O Curiosity recolheu estas amostras ao longo de cinco anos terrestres.

O CO2 é uma molécula com um átomo de carbono ligado a dois átomos de oxigénio, sendo o carbono uma testemunha chave no caso do misterioso clima marciano. De facto, este elemento simples, porém versátil, é tão crítico quanto a água na busca pela vida noutros lugares. Na Terra, o carbono flui continuamente através do ar, da água e da superfície num ciclo bem compreendido que depende da vida. Por exemplo, as plantas absorvem carbono da atmosfera na forma de CO2. Em troca, produzem oxigénio, que os seres humanos e a maioria das outras formas de vida usam para a respiração num processo que termina com a libertação de carbono para o ar, novamente via CO2, ou para a crosta da Terra à medida que as formas de vida morrem e são enterradas.

Os cientistas estão a descobrir que também existe um ciclo de carbono em Marte e estão a trabalhar para o entender. Com pouca água ou vida abundante à superfície do Planeta Vermelho, pelo menos nos últimos 3 mil milhões de anos, o ciclo do carbono é muito diferente do da Terra.

“No entanto, o ciclo do carbono ainda está a ocorrer e ainda é importante porque não ajuda apenas a revelar informações sobre o clima antigo de Marte,” diz Paul Mahaffy, investigador principal do SAM e director da Divisão de Exploração do Sistema Solar de Goddard da NASA. “Também nos está a mostrar que Marte é um planeta dinâmico que circula elementos que são os blocos de construção da vida como a conhecemos.”

Os gases criam um caso para um período frio

Depois do Curiosity ter fornecido amostras de rocha e poeira ao SAM, o laboratório aqueceu cada uma a cerca de 900º C para libertar os gases no interior. Observando as temperaturas do forno aquando da libertação de CO2 e oxigénio, os cientistas puderam dizer de que tipo de minerais os gases eram oriundos. Este tipo de informação ajuda a entender como o carbono está a circular em Marte.

Vários estudos sugeriram que a atmosfera antiga de Marte, contendo principalmente CO2, pode ter sido mais espessa do que a da Terra de hoje. A maior parte foi perdida para o espaço, mas parte pode estar armazenada em rochas à superfície do planeta, principalmente na forma de carbonatos, minerais compostos por carbono e oxigénio. Na Terra, os carbonatos são produzidos quando o CO2 do ar é absorvido nos oceanos e outros corpos de água e depois mineralizado em rochas. Os cientistas pensam que o mesmo processo ocorreu em Marte e isso pode ajudar a explicar o que aconteceu a parte da atmosfera marciana.

No entanto, as missões a Marte não encontraram carbonatos suficientes à superfície para suportar uma atmosfera espessa.

Mesmo assim, os poucos carbonatos que o SAM detectou revelaram algo interessante sobre o clima marciano através dos isótopos de carbono e de oxigénio aí armazenados. Os isótopos são versões de cada elemento que possuem massas diferentes. Dado que processos químicos diferentes, da formação rochosa à actividade biológica, usam estes isótopos em diferentes proporções, os rácios de isótopos pesados para leves numa rocha fornecem aos cientistas pistas sobre como a rocha se formou.

Em alguns dos carbonatos encontrados pelo SAM, os cientistas notaram que os isótopos de oxigénio eram mais leves que os da atmosfera marciana. Isto sugere que os carbonatos não se formaram há muito tempo simplesmente a partir do CO2 atmosférico absorvido num lago. Se tivessem sido, os isótopos de oxigénio nas rochas eram um pouco mais pesados do que os do ar.

Embora seja possível que os carbonatos se tenham formado muito cedo na história de Marte, quando a composição atmosférica era um pouco diferente da atual, Franz e colegas sugerem que os carbonatos se formaram provavelmente num lago gelado. Neste cenário, o gelo pode ter “sugado” os isótopos mais pesados de oxigénio e deixado os mais leves para formar carbonatos posteriormente. Outros cientistas do Curiosity também apresentaram evidências sugerindo que lagos cobertos de gelo podem ter existido na Cratera Gale.

Então, onde está todo o carbono?

Os cientistas dizem que a baixa abundância de carbonatos em Marte é intrigante. Se não existirem muitos destes minerais na Cratera Gale, talvez a atmosfera inicial tenha sido mais fina do que o previsto. Ou talvez outra coisa esteja a armazenar o carbono atmosférico em falta.

Com base nas suas análises, Franz e colegas sugerem que algum carbono possa estar sequestrado noutros minerais, como oxalatos, que armazenam carbono e oxigénio numa estrutura diferente da dos carbonatos. A sua hipótese é baseada nas temperaturas em que o CO2 foi libertado de algumas amostras dentro do SAM – muito baixas para carbonatos, mas adequadas para oxalatos – e a diferentes rácios de isótopos de carbono e oxigénio do que os cientistas observaram nos carbonatos.

Os oxalatos são o tipo mais comum de mineral orgânico produzido pelas plantas na Terra. Mas os oxalatos também podem ser produzidos sem biologia. Uma maneira é através da interacção do CO2 atmosférico com os minerais à superfície, com a água e com a luz solar, num processo conhecido como fotossíntese abiótica. Este tipo de química é difícil de encontrar na Terra porque aqui há vida abundante, mas a equipa de Franz espera criar fotossíntese abiótica no laboratório para descobrir se pode realmente ser responsável pela química do carbono que estão a observar na Cratera Gale.

Na Terra, a fotossíntese abiótica pode ter aberto o caminho para a fotossíntese entre algumas das primeiras formas microscópicas de vida, e é por isso que encontrá-la noutros planetas interessa os astro-biólogos.

Mesmo que a fotossíntese abiótica tenha prendido realmente algum carbono da atmosfera nas rochas da Cratera Gale, Franz e colegas gostariam de estudar solo e poeira de diferentes partes de Marte para entender se os seus resultados da Cratera Gale refletem uma imagem global. Eles podem um dia ter a hipótese de o fazer. O rover Perseverance da NASA, com lançamento previsto para Marte entre Julho e Agosto de 2020, planeia embalar amostras da Cratera Jezero para um possível envio aos laboratórios da Terra.

Astronomia On-line
22 de Maio de 2020

 

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3722: Sementes de rúcula podem ser cultivadas em Marte

CIÊNCIA/ESPAÇO/MARTE

20th Century Fox

Cientistas descobriram que sementes de rúcula podem ser cultivadas em Marte. Esta descoberta pode tornar mais provável a hipótese de um dia colonizarmos o planeta Marte.

O sonho de um dia viver noutro planeta que não a Terra não é novo e move muitas investigações científicas. Agora, sabemos que estamos um pouco mais perto dessa realidade após uma equipa de investigadores ter descoberto que as sementes de rúcula podem ser cultivadas no Espaço.

Marte é o planeta mais habitável do sistema solar e tem sido considerado como um dos principais candidatos à colonização humana extensiva e permanente. Não apenas por estar mais próximo ao nosso planeta, mas também pelas condições da sua superfície, que se assemelham às da Terra.

Através do projecto ‘Rocket Science’, cientistas do Royal Holloway enviaram 2 quilogramas de sementes de rúcula para o Espaço. As sementes passaram seis meses na Estação Espacial Internacional antes de regressarem à Terra. Cá, 600 mil crianças do Reino Unido participaram na experiência de cultivar as sementes e monitorizar o seu crescimento comparativamente com sementes que nunca saíram do nosso planeta.

Desta forma, descobriram que as sementes apenas crescem um pouco mais devagar quando regressam à Terra. Esta descoberta abre portas para a possibilidade de um dia cultivar alimentos noutro planeta.

“O nosso estudo descobriu que uma jornada de seis meses para o Espaço reduziu o vigor das sementes de rúcula em comparação com as que permaneceram na Terra, indicando que os voos espaciais aceleraram o processo de envelhecimento”, disse Jake Chandler, autor do estudo publicado em Abril na revista científica Life.

Assim, o cientista afiança que a perspectiva de comer salada caseira em Marte pode estar um pequeno passo mais perto.

“Quando os humanos viajarem para Marte, vão precisar de encontrar maneiras de se alimentar, e esta investigação ajuda-nos a entender algumas das biologias de armazenamento e germinação de sementes, que serão vitais para futuras missões espaciais“, explicou, por sua vez, o astronauta da ESA, Tim Peake.

Segundo o Tech Explorist, durante toda a experiência, os cientistas determinaram os mecanismos fisiológicos e moleculares subjacentes aos efeitos do voo espacial nas sementes secas. O vigor da germinação das sementes foi reduzido e a sensibilidade ao envelhecimento aumentou. No entanto, a viabilidade das sementes não foi comprometida.

A equipa de especialistas também recomenda protecção adicional para manter a qualidade das sementes durante os voos espaciais.

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Por ZAP
21 Maio, 2020

 

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3706: Marte pode ser mais húmido do que se pensava (mas continua inóspito)

CIÊNCIA/ASTRONOMIA/MARTE

Kevin Gill / Flickr

O Planeta Vermelho pode ser mais húmido do que se pensava, mas continua inóspito para a vida tal como a conhecemos, concluiu uma nova investigação conduzida por cientistas do Southwest Research Institute, nos Estados Unidos.

Em comunicado, os especialistas explicam que desenvolveram um modelo da atmosfera marciana para prever onde, quando e durante quanto tempo é que as salmouras (água saturada com sal) são estáveis à superfície e em camadas rasas no subsolo.

Com o modelo, a equipa concluiu que o Planeta Vermelho pode ter água líquida em grande parte da sua superfície, mas por curtos períodos de tempo.

“Descobrimos que a formação de salmoura a partir de alguns sais pode fazer chegar água líquida a mais de 40% da superfície, mas apenas sazonalmente, durante 2% do ano marciano”, explicou Alejandro Soto, co-autor do estudo.

Devido às baixas temperaturas em Marte e às suas condições de seca extrema, uma gota de água líquida congelaria, ferveria ou evaporaria instantaneamente a menos que a gota tivesse dissolvido sais. Estas condições, observou Soto citado na mesma nota, “impediriam a [formação de] vida tal como a conhecemos”.

O modelo mostrou que salmouras estáveis podem formar-se e persistir em certas partes de Marte durante um curto período do ano e até seis horas consecutivas – uma faixa bem mais ampla do que se pensava anteriormente, nota a Russia Today.

Contudo, as baixas temperaturas não seriam suficientes para sustentar vida.

Os resultados do estudo “reduzem para do risco associado à exploração do Planeta Vermelho, contribuindo para futuros trabalho sobre possíveis condições de habitabilidade em Marte”, concluiu o mesmo especialista.  Tal como sintetiza o Space.com, Marte pode ser muito mais húmido do que se pensava, mas não o suficiente para abrigar vida.

Os resultados da investigação foram esta semana publicados na Nature Astronomy.

ZAP //

Por ZAP
18 Maio, 2020

 

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3699: Câmara mais poderosa de sempre dá à NASA novas imagens de Marte

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Projecto HiRISE está também a ajudar a descobrir locais de aterragem para futuras missões

© NASA/JPL-Caltech/University of Arizona

A NASA tem vindo a partilhar nos últimos meses uma espectacular série de novas imagens de Marte captadas pelo projecto HiRISE (High Resolution Imaging Science Experiment), com recurso aquela que é a mais potente câmara já enviada para outro planeta – está a bordo Mars Reconnaissance Orbiter, sonda que orbita Marte desde 2006.

“A capacidade da nossa câmara (imagens até 30 centímetros por pixel) continua sem paralelo em qualquer outro estudo orbital o Planeta Vermelho, sendo também um instrumento indispensável para ajudar a escolher pontos de aterragem para futuras explorações robóticas ou humanas“, diz a NASA.

Veja aqui algumas das imagens já reveladas.

© NASA/JPL-Caltech/University of Arizona

© NASA/JPL-Caltech/University of Arizona

© NASA/JPL-Caltech/University of Arizona

© NASA/JPL-Caltech/University of Arizona

© NASA/JPL-Caltech/University of Arizona

© NASA/JPL-Caltech/University of Arizona

Diário de Notícias
17 Maio 2020 — 10:42

 

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3697: Cientistas encontraram o local perfeito para abrigar astronautas em Marte

CIÊNCIA/ASTRONOMIA/MARTE

gorodenkoff / Canva

Marte é um planeta hostil. Tendo perdido o seu campo magnético e a maior parte da sua atmosfera, a sua superfície é exposta a altos níveis de radiação cósmica que pode mesmo levar à morte. Agora, os cientistas dizem ter encontrado o local ideal para abrigar os primeiros astronautas que pousem em Marte.

A radiação cósmica é um dos principais desafios que os futuros colonos de Marte terão de ultrapassar. Na Terra, é a magnetosfera que nos protege dessa radiação, que pode penetrar tecidos e provocar doenças, podendo mesmo ser fatal. Porém, Marte é constantemente bombardeado com radiação.

De acordo com o LiveScience, uma equipa de cientistas planetários da Washington Academy of Sciences diz saber qual será a melhor forma de abrigar astronautas em pousem em Marte: construir assentamentos dentro de cavernas subterrâneas chamadas tubos de lava.

Encontrados em planetas sólidos e em luas, os tubos de lava formam-se quando os canais de lava arrefecem e e endurecem para formar rochas ígneas. Quando o fluxo de lava finalmente para e drena, é deixada para trás uma caverna subterrânea natural. Na Terra, esses tubos atingem cerca de 30 metros, mas, em Marte, onde há menos gravidade, podem ter até 250 metros de largura.

Para encontrar estes recantos subterrâneos em Marte, Antonio Paris e os seus colegas tiveram de vasculhar imagens das câmaras a bordo do Mars Reconnaissance Orbiter (MRO) da NASA em busca de pistas.

Antonio paris et. all

De acordo com um novo estudo, que será publicado na revista científica Journal of the Washington Academy of Sciences e está disponível no servidor de pré-publicação arXiv, os investigadores identificaram três candidatos a tubos de lava que poderiam servir como lar para futuros visitantes, além de um possível local para descobrir vida microbiana anterior em Marte.

Localizados na grande bacia de impacto de Hellas, no hemisfério sul de Marte, os tubos de lava ficam próximos da antiga montanha vulcânica Hadriacus Mons.

A radiação nesta região mais baixa de Marte já teve níveis consideravelmente inferiores ao resto da superfície do planeta. Além disso, experiências em tubos de lava na Terra sugerem que poderiam proteger de mais 82% da radiação recebida.

“Estas cavernas naturais forneceriam à tripulação protecção contra a exposição excessiva à radiação, protegeriam do bombardeamento de micro-meteoritos e proporcionariam um grau de protecção contra flutuações extremas de temperatura”, escreveram os autores.

Os tubos de lava já tinham sido sugeridos pelos cientistas como possíveis habitats na Lua.

A NASA não consegue explicar um enorme buraco em Marte

Uma fotografia capturada pela sonda Mars Reconnaissance Orbiter está a intrigar os cientistas. A imagem mostra camadas de dióxido de…

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Por ZAP
16 Maio, 2020

 

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