3493: ExoMars adiada para 2022 devido ao Covid-19

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

A ExoMars tem como objectivo detectar a existência de água em Marte Ilustração produzida pela ESA

“Ambas as partes reconhecem que a fase final das actividades da ExoMars ficaram comprometidas pelo agravamento geral da situação epidemiológica nos países europeus”, refere o comunicado conjunto da ESA e da Roscosmos.

Os responsáveis máximos da Agência Espacial Europeia (ESA) e da agência espacial da Rússia (Roscosmos) concordaram esta quinta-feira em adiar o lançamento da missão espacial ExoMars para 2022. Em comunicado conjunto, as duas agências espaciais confirmam que os efeitos produzidos pelo novo Coronavirus inviabilizaram o cumprimento do calendário previsto para a fase final de preparativos, e em consequência o lançamento da sonda, originalmente agendado para Julho de 2020. A nova data prevê que o lançamento da ExoMars se faça entre Agosto e Outubro de 2022.

“Ambas as partes reconhecem que a fase final das actividades da ExoMars ficaram comprometidas pelo agravamento geral da situação epidemiológica nos países europeus”, refere o comunicado conjunto da ESA e da Roscosmos.

A escolha da nova data teve em conta o facto de que as órbitas e respectivos posicionamentos de Marte e Terra restringem o período de lançamento de missões espaciais que partem da Terra em direcção a Marte a períodos de 10 dias que só ocorrem de dois em dois anos.

O adiamento do lançamento da ExoMars foi decidido após reunião entre Jan Wörner, director geral da ESA, e Dmitry Rogozin, líder da Roscosmos.

Os responsáveis das duas agências espaciais informam que tomaram esta decisão depois de tomarem conhecimento das opiniões fornecidas pelos inspectores gerais das duas agências espaciais. Os próprios especialistas envolvidos no desenvolvimento da ExoMars terão concluído que era necessário mais tempo para testar os diferentes componentes antes de levar a cabo o lançamento da ExoMars.

“Queremos ter a certeza a 100% de que esta será uma missão bem-sucedida. Não podemos permitir-nos nenhuma margem de erro. Mais actividades de verificação deverão assegurar uma viagem segura e os melhores resultados”, reiterou Jan Wörner, citado pelo comunicado conjunto das duas agências espaciais.

À decisão de adiamento do lançamento da ExoMars não será alheio o desfecho menos feliz da primeira missão, que logrou lançar um orbitador em torno do “planeta vermelho”, mas que acabou por fracassar no que toca à aterragem de uma sonda no solo marciano (a sonda despenhou-se violentamente no solo).

Entre os principais objectivos da ExoMars destaca-se a busca e detecção de água em Marte. “ A ExoMars será a primeira missão que vai à procura de sinais de vida em profundidades a mais de dois metros abaixo da superfície marciana, onde as assinaturas biológicas de vida deverão estar preservadas de uma forma considerada única”, refere o comunicado relativo ao adiamento da missão.

ESA e Roscosmos garantem já ter integrado todos os componentes necessários para a viagem espacial – e até o rover Rosalind Franklin, que deverá explorar a superfície de Marte com novo instrumentos científicos a bordo, já havia passado com sucesso os testes térmicos e em vácuo.

A plataforma de aterragem que é conhecida por Kazachok também já se encontra completamente equipada com 13 equipamentos científicos. Também os sistemas de para-quedas dinâmicos já começaram a ser testados – prevendo-se que a última vaga de testes, que envolve os para-quedas principais possa ser realizada ainda em Março, nos EUA. O módulo que deverá descer até Marte também já foi alvo de testes em França, no passado mês.

Exame Informática
12.03.2020 às 12h48
Hugo Séneca
Hugo Séneca

 

 

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3488: Marte: fotografia panorâmica incrível mostra o planeta vermelho “com outros olhos”

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

A NASA cada vez conhece melhor o planeta vermelho e traz-nos algumas das imagens que consegue captar. Assim, desta vez, recorrendo à tecnologia do rover Curiosity, foi conseguida a melhor e mais impressionante vista de Marte. A composição desta imagem panorâmica do planeta foi composta por mil imagens da paisagem.

Vejam como se parece o solo marciano, algo que um dia os humanos irão testemunhar lá, pessoalmente.

Imagens como esta são uma janela para outro mundo

O rover Curiosity da NASA captou uma imagem panorâmica de Marte. Conforme podemos ver aqui, este é um impressionante mosaico composto por mais de 1000 imagens da paisagem (2,3 GB). Para tal, foi usada uma resolução incrível de 1,8 mil milhões de pixels. O mais fantástico de tudo é que uma ferramenta interactiva permite-nos “andar” no terreno e aproximar-nos de qualquer ponto que achemos interessante. É quase como estar lá!

A fantástica foto foi captada pela teleobjectiva Mastcam do veículo. Além desta, uma outra lente de ângulo médio produziu uma foto de menor resolução de quase 650 milhões de pixels, que inclui a plataforma do rover e o braço robótico.

Explorar Marte com os olhos de alta resolução o Curiosity

Ambas as panorâmicas mostram Glen Torridon, uma região próxima ao Monte Sharp que a Curiosity está a explorar. Estas imagens foram captadas entre 24 de Novembro e 1 de Dezembro, quando a equipa da missão estava em férias (feriado de Acção de Graças). Posteriormente, nos meses seguintes, as imagens foram reunidas e renderizadas.

A máquina, deixada no solo de Marte à espera da sua equipa, “tomou a liberdade” de ir captando imagens ao redor e com intervalos que permitiram a fantástica fotografia. Assim, o rover demorou mais de 6 horas e meia para fotografar cada imagem individualmente. Tal trabalho ocupou a sonda durante os 4 dias em que “não tinha trabalho”.

Um regalo para os olhos

Os operadores da Mastcam programaram a complexa lista de tarefas, que incluía apontar para o mastro do veículo e certificar-se de que as imagens estavam focadas. Para assegurar uma iluminação constante, limitaram as imagens entre o meio-dia e as 14h, hora local em Marte, todos os dias. Isto permite-lhes observar tudo desde os detalhes dos componentes do rover até às crateras e montanhas ao fundo.

Enquanto muitos da nossa equipa estavam em casa a saborear o peru, a Curiosity produziu esta festa para os olhos. Esta é a primeira vez que dedicamos as nossas operações a um panorama estéreo de 360 graus.

Explicou Ashwin Vasavada, cientista e líder do Projeto Curiosity no Laboratório de Propulsão a Jacto (JPL) da NASA.

Em 2013, a Curiosity produziu um panorama de 1,3 mil milhões de pixels com as duas câmaras Mastcam. As suas câmaras de navegação a preto e branco forneceram imagens do próprio veículo.

Portanto, utilizando as imagens, os especialistas conseguem montar cuidadosamente estes panoramas marcianos, como se fossem janelas para outro mundo.

Pplware
06 Mar 2020

 

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3487: Estudo descobre que moléculas orgânicas, encontradas pelo rover Curiosity, são consistentes com vida precoce em Marte

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Impressão de artista de Marte.
Crédito: NASA/JPL-Caltech

Compostos orgânicos chamados tiofenos podem ser encontrados na Terra em carvão, no crude e, curiosamente, em trufas brancas, o cogumelo amado por epicuristas e porcos selvagens.

Os tiofenos também foram recentemente descobertos em Marte, e o astro-biólogo Dirk Schulze-Makuch da Universidade Estatal de Washington acha que a sua presença seria consistente com a presença de vida precoce em Marte.

Schulze-Makuch e Jacob Heinz, da Universidade Técnica de Berlim, exploram algumas das possíveis origens dos tiofenos no Planeta Vermelho num novo artigo publicado na revista Astrobiology. O seu trabalho sugere que um processo biológico, provavelmente envolvendo bactérias e não uma trufa, pode ter desempenhado um papel na existência do composto orgânico no solo marciano.

“Nós identificámos vários vias biológicas para os tiofenos que parecem mais prováveis do que algumas químicas, mas ainda precisamos de provas,” disse Dirk Dirk Schulze-Makuch. “Se encontrarmos tiofenos na Terra, vamos pensar que são biológicos, mas em Marte, claro, o patamar para provar tal coisa precisa de ser um pouco mais elevado.”

As moléculas de tiofeno têm quatro átomos de carbono e um átomo de enxofre dispostas num anel, e tanto o carbono quanto o enxofre são elementos bio-essenciais. No entanto, Schulze-Makuch e Heinz não puderam excluir processos não biológicos que levaram à existência destes compostos em Marte.

Os impactos de meteoros parecem fornecer uma possível explicação abiótica. Os tiofenos também podem ser criados através de redução termoquímica de sulfato, um processo que envolve um conjunto de compostos que são aquecidos a 120º c ou mais.

No cenário biológico, as bactérias, que podem ter existido há mais de 3 mil milhões de anos atrás, quando Marte estava mais quente e húmido, poderiam facilitar um processo de redução de sulfato que resulta em tiofenos. Existem também outras vias em que os tiofenos são decompostos por bactérias.

Embora o rover Curiosity tenha fornecido muitas pistas, usa técnicas que quebram moléculas maiores nos seus componentes, para que os cientistas possam apenas olhar para os fragmentos resultantes.

Poderão surgir mais evidências do próximo rover, Rosalind Franklin, com lançamento previsto para Julho de 2020. Transportará o instrumento MOMA (Mars Organic Molecule Analyzer), que usa um método de análise menos destrutivo e que permitirá a recolha de moléculas maiores.

Schulze-Makuch e Heinz recomendam o uso dos dados recolhidos pelo próximo rover marciano para examinar os isótopos de carbono e enxofre. Os isótopos são variações dos elementos químicos que possuem números diferentes de neutrões que a forma típica, resultando em diferenças de massa.

“Os organismos são ‘preguiçosos’. Preferem usar variações isotópicas leves do elemento porque isso custa-lhes menos energia,” disse.

Os organismos alteram as proporções de isótopos pesados e leves nos compostos que produzem, que são substancialmente diferentes dos rácios encontrados nos seus blocos de construção, que Schulze-Makuch chama de “um sinal revelador de vida.”

No entanto, mesmo que o próximo rover descubra evidências isotópicas, ainda não serão suficientes para provar definitivamente que existe ou já existiu vida em Marte.

“Como Carl Sagan disse, ‘afirmações extraordinárias exigem evidências extraordinárias,” realçou Schulze-Makuch. “Acho que a prova realmente vai exigir o envio de pessoas a Marte, e um astronauta observar através de um microscópio e ver um micróbio em movimento.”

Astronomia On-line
6 de Março de 2020

 

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3484: NASA descobre um estranho e incomum buraco no solo de Marte

CIÊNCIA

Marte brinda os cientistas com cenários selvagens e deslumbrantes. De tal forma que há novidades que conseguem inquietar quem estuda mais afincadamente o terreno do planeta. Conforme podemos ver numa imagem publicada no blogue de ciências da NASA e na Astronomy Photo of the Day desta semana, o solo marciano tem ainda muitos segredos por desvendar. A fotografia mostra o que parece ser uma montanha… mas completamente escavada.

A NASA partilhou esta imagem que parece ser uma montanha oca com um buraco incomum no centro.

Bolsa de lava cria buraco em Marte

Embora não seja um produto de alguma experiência estranha no âmbito da escavação mineira, a formação é realmente oca. Segundos os cientistas, o que estamos a ver é mesmo uma espécie de clarabóia de um tubo de lava, o produto da antiga actividade vulcânica abaixo da superfície de Marte.

A característica está nas encostas ocidentais de um vulcão chamado Pavonis Mons, cujas regiões circundantes mostram algumas características geológicas bastante impressionantes. Existem longos tubos serpenteantes de lava, características de falhas chamadas grabens e, é claro, a grande cratera vulcânica em si.

A imagem acima foi tirada pela sonda Mars HiRise em 2011 e chamou a atenção dos cientistas de Marte apenas por ser incomum.

Um olhar mais atento revelou que era uma clarabóia – ou seja, uma superfície que se abre para um tubo de lava abaixo. É oco porque às vezes os fluxos de lava podem solidificar na superfície enquanto o fluxo continua abaixo. Então, a lava que flui pode escorrer, deixando para trás cavernas de tubos de lava. Nesse sentido, com o passar do tempo, as secções do telhado podem entrar em colapso, dando origem à clarabóia.

Clarabóia que ilumina o interior marciano

A análise desta clarabóia revelou que a abertura tinha cerca de 35 metros de diâmetro. O topo da pilha de escombros recolhida que pode ver através da abertura está a uma profundidade de cerca de 28 metros.

Um mapa digital do terreno permitiu aos cientistas calcular o volume do material drenado para fora da característica cónica. Assim, isto, por sua vez, impunha restrições à profundidade do poço. Com base nestes cálculos, a pilha de entulho deve ter pelo menos 62 metros de altura, o que significa que o próprio poço deve ter pelo menos 90 metros de profundidade antes do colapso.

É muito maior do que qualquer tubo de lava encontrado na Terra.

Cratera poderá ser útil para os humanos que chegarem ao planeta

Cavernas de tubos de lava como esta são empolgantes porque oferecem alguma protecção contra a radiação severa que bombardeia Marte. Isso significa que estes sítios podem ser bons locais para estabelecer bases subterrâneas (se estiverem acessíveis; este em particular não parece fácil de entrar e sair). Além disso, estas estruturas podem ser importantes. Se vamos procurar sinais de vida em Marte, as cavernas podem ser a melhor opção.

Buracos como este são de particular interesse porque as suas cavernas interiores são relativamente protegidas da superfície dura de Marte, tornando-os candidatos relativamente bons para conter a vida marciana.

Explicou o post da APOD.

Portanto, estes poços são alvos principais para possíveis naves futuras, robôs e até exploradores interplanetários humanos.

Apesar de ser fácil de explicar o buraco, já a clarabóia tem ainda algum mistério. Isto porque aqui na Terra, as clara-boias dos tubos de lava tendem a parecer mais com a imagem acima (tem cerca de 6 metros de diâmetro). Contudo, esta clarabóia marciana tem uma cratera cónica ao seu redor, e ainda não está bem explicada essa formação.

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Imagem: Pavonis Mons. (NASA/JPL-Caltech/Arizona State University)

 

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3469: Um ano de ciência surpreendente da missão InSight da NASA

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Nesta impressão de artista do “lander” InSight da NASA, podem ser vistas camadas subterrâneas do planeta e diabos marcianos no plano de fundo.
Crédito: IPGP/Nicolas Sarter

Graças ao primeiro ano da missão InSight da NASA, está a surgir uma nova imagem de Marte. As descobertas descritas num conjunto de seis artigos publicados esta semana revelam um planeta vivo com sismos, diabos marcianos e estranhos pulsos magnéticos.

Cinco dos artigos foram publicados na revista Nature Geoscience. Um artigo adicional na Nature Communications descreve o local de pouso do módulo InSight, uma cratera rasa apelidada de “Homestead hollow” situada na região Elysium Planitia.

A missão do InSight é a primeira dedicada ao interior profundo da superfície marciana. Entre as suas ferramentas científicas estão um sismómetro para detectar sismos, sensores para medir a pressão do vento e do ar, um magnetómetro e uma sonda de fluxo de calor desenhada para medir a temperatura do planeta.

Enquanto a equipa continua a trabalhar para colocar a sonda na superfície marciana como pretendido, o sismómetro ultra-sensível, chamado SEIS (Seismic Experiment for Interior Structure), permitiu que os cientistas “ouvissem” vários eventos sísmicos a centenas ou milhares de quilómetros de distância.

As ondas sísmicas são afectadas pelos materiais por onde passam, dando aos cientistas uma maneira de estudar a composição da estrutura interna do planeta. Marte pode ajudar a equipa a melhor compreender como todos os planetas rochosos, incluindo a Terra, se formaram.

Debaixo de terra

Marte treme com mais frequência – mas também com menos intensidade – do que o esperado. O SEIS detectou até à data mais de 450 sinais sísmicos, a vasta maioria dos quais são provavelmente terremotos (em oposição ao ruído de dados criado por factores ambientais como o vento). O maior foi de magnitude 4,0 em tamanho – não suficientemente grande para viajar para baixo da crosta até ao manto e núcleo do planeta. Estas são as “partes mais suculentas da maçã” quando se trata de estudar a estrutura interna do planeta, disse Bruce Banderdt, investigador principal do InSight no JPL.

Os cientistas estão prontos para mais: passaram-se meses, após a aterragem do InSight em Novembro de 2018, até que registasse o primeiro evento sísmico. No final de 2019, o SEIS estava a detectar cerca de dois sinais sísmicos por dia, sugerindo que o InSight simplesmente pousou numa altura particularmente calma. Os cientistas ainda estão com os dedos cruzados à espera do “Grande” sismo.

Marte não tem placas tectónicas como a Terra, mas possui regiões vulcanicamente activas que podem provocar agitações. Um par de sismos foi fortemente ligado a uma dessas regiões, Cerberus Fossae, onde os cientistas veem rochas que podem ter sido sacudidas falésias abaixo. Inundações antigas esculpiram canais com quase 1300 km de comprimento. Os fluxos de lava infiltraram-se nesses canais nos últimos 10 milhões de anos – um piscar de olhos em termos geológicos.

Alguns destes jovens fluxos de lava mostram sinais de terem sido fracturados por sismos há menos de 2 milhões de anos. “Trata-se da característica tectónica mais jovem do planeta,” disse o geólogo planetário Matt Golombek do JPL. “O facto de vermos evidências de tremores nesta região não é uma surpresa, mas é muito interessante.”

À superfície

Há milhares de milhões de anos, Marte tinha um campo magnético. Já não está presente, mas deixou “fantasmas” para trás, magnetizando rochas antigas que agora estão entre os 61 metros e alguns quilómetros abaixo do solo. O InSight está equipado com um magnetómetro – o primeiro à superfície de Marte para detectar sinais magnéticos.

O magnetómetro descobriu que os sinais em Homestead hollow são 10 vezes mais fortes do que o previsto, com base em dados de naves espaciais em órbita que estudam a área. As medições destes orbitadores são médias que abrangem algumas centenas de quilómetros, ao passo que as medições do “lander” InSight são mais locais.

Dado que a maioria das rochas à superfície do local de pouso do InSight são demasiado jovens para serem magnetizadas pelo antigo campo do planeta, “este magnetismo deve estar vindo de rochas antigas subterrâneas,” disse Catherine Johnson, cientista planetária da Universidade de Colúmbia Britânica e do Instituto de Ciência Planetária. “Estamos a combinar estes dados com o que sabemos da sismologia e da geologia para entender as camadas magnetizadas por baixo do InSight. Quão fortes ou profundas teriam que ser para detectarmos este campo?”

Além disso, os cientistas estão intrigados com a forma como estes sinais mudam ao longo do tempo. As medições variam de dia e de noite; também tendem a pulsar por volta da meia-noite. Ainda estão a ser formadas teorias sobre a causa destas mudanças, mas uma possibilidade é que estão relacionadas com a interacção do vento solar com a atmosfera marciana.

Ao vento

O InSight mede a velocidade, a direcção do vento e a pressão do ar quase continuamente, fornecendo mais dados do que as missões anteriores no solo. Os sensores meteorológicos do “lander” detectaram milhares de redemoinhos passageiros, chamados diabos marcianos quando levantam poeira e se tornam visíveis. “Este local tem mais redemoinhos do que qualquer outro lugar onde pousámos em Marte,” disse Aymeric Spiga, cientista atmosférico da Universidade Sorbonne em Paris.

Apesar de toda esta actividade e imagens frequentes, as câmaras do InSight ainda não viram diabos marcianos. Mas o SEIS pode sentir estes redemoinhos puxando a superfície como um aspirador gigante. “Os redemoinhos são perfeitos para a exploração sísmica subterrânea,” disse Philippe Lognonné do IPGP (Institut de Physique du Globe de Paris), investigador principal do SEIS.

Ainda por vir: o núcleo

O InSight possui dois rádios: um para enviar e receber dados regularmente, e um rádio mais poderoso, construído para medir a “oscilação” de Marte enquanto gira. Este rádio de banda-X, também conhecido como RISE (Rotation and Interior Structure Experiment), pode eventualmente revelar se o núcleo do planeta é sólido ou líquido. Um núcleo sólido faria Marte oscilar menos do que um líquido.

Este primeiro ano de dados é apenas o começo. Observar um ano marciano completo (dois anos terrestres) dará aos cientistas uma ideia muito melhor do tamanho e velocidade da oscilação do planeta.

Astronomia-On-line
28 de Fevereiro de 2020

 

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“Lander” InSight vai empurrar a “toupeira”

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

O InSight da NASA moveu recentemente o seu braço robótico para mais perto do dispositivo que escava a superfície marciana, chamado “toupeira”, em preparação para empurrar a sua tampa traseira.
Crédito: NASA/JPL-Caltech

Depois de quase um ano a tentar perfurar a superfície marciana, a sonda de calor pertencente ao módulo InSight da NASA está prestes a receber um empurrão. A equipa da missão planeia comandar a pá, situada na extremidade do braço robótico, para pressionar na “toupeira” auto-marteladora, projectada para se escavar até 5 metros de profundidade. Esperam que a parte superior da toupeira, também chamada de tampa traseira, a impeça de sair do seu buraco em Marte, como aconteceu duas vezes nos últimos meses depois de quase se enterrar.

Parte de um instrumento chamado HP3 (Heat Flow and Physical Properties Package), a toupeira é um espigão com 40 cm de comprimento equipado com um mecanismo interno que age como um martelo. Ao escavar o solo, foi projectado para arrastar com ele um cabo em forma de fita que se estende do módulo. Ao longo deste cabo estão incorporados sensores de temperatura que medem o calor que vem do interior do planeta a fim de revelar detalhes científicos importantes sobre a formação de Marte e de todos os planetas rochosos, incluindo a Terra. O HP3 fornecido pelo Centro Aeroespacial Alemão (DLR).

A equipa tem, até agora, evitado empurrar a tampa traseira para evitar qualquer dano potencial no cabo.

A toupeira ficou presa no dia 28 de Fevereiro de 2019, logo no primeiro dia em que começou a martelar. Desde então, a equipa do InSight determinou que o solo aqui é diferente do que foi encontrado noutras partes de Marte. O InSight pousou numa área com uma camada de solo invulgarmente espesso, quase cimentado. Em vez de solto e parecido com areia, como esperado, os grãos de poeira unem-se.

A toupeira precisa de fricção do solo para se escavar no solo; sem fricção, o recuo da sua acção auto-marteladora faz com que simplesmente salte no lugar. Ironicamente, é o solo solto, e não o solo cimentado, que fornece essa fricção à medida que cai em torno da toupeira.

Este verão passado, a equipa do InSight começou a usar a pá do braço robótico para pressionar a lateral da toupeira, uma técnica chamada “fixação” que adicionava fricção suficiente para a ajudar a escavar sem entrar em contacto com o frágil cabo científico ligado à parte de trás da toupeira.

Embora a fixação tenha ajudado, a toupeira saltou novamente do solo marciano por duas ocasiões, possivelmente devido a solo acumulado por baixo. Com poucas alternativas disponíveis, a equipa decidiu tentar ajudar a toupeira a cavar pressionando cuidadosamente a tampa traseira enquanto tentava evitar o cabo.

Podem ser necessárias várias tentativas para aperfeiçoar o empurrão na tampa traseira, tal como na fixação. Durante o final de Fevereiro e início de Março, o braço do InSight será posicionado em posição para que a equipa possa testar o que acontece quando a toupeira martelar brevemente.

Entretanto, a equipa também está a considerar usar a pá para mover mais solo para o buraco que se formou em redor da toupeira. Isto poderá adicionar mais pressão e fricção, permitindo que finalmente se escave. Esta estratégia está dependente de quão profundamente a toupeira será capaz de viajar após o empurrão da pá na tampa traseira.

Astronomia On-line
25 de Fevereiro de 2020

 

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3443: NASA já escolheu a tecnologia para comunicar para Marte

CIÊNCIA/MARTE

A NASA está a preparar todos os pormenores para melhorar as comunicações entre Marte e a Terra. Desde que a agência espacial americana lançou o satélite Explorer 1 em 1958, as comunicações têm sido confiadas sobretudo às ondas de rádio. Estas viajam milhões – ou mesmo milhares de milhões – de quilómetros através do espaço. Contudo, à medida que a NASA se orienta para novos destinos em missões tripuladas, esta prepara um novo sistema de comunicações.

Um dos passos que está a ser dado é a inclusão da nova antena parabólica à Deep Space Network (DSN). Esta será equipada com espelhos e um receptor especial para permitir a transmissão e recepção de lasers da sonda no espaço profundo.

Ondas rádio viajam milhões de quilómetros até ao espaço profundo

A nova antena, segundo a Inverse, será apelidada de Deep Space Station-23 (DSS-23), faz parte de uma transição para uma comunicação mais rápida e eficiente enquanto a NASA se prepara para voltar à Lua até 2024. Além disso, esta tecnologia irá beneficiar a primeira missão humana a Marte em meados de 2030.

A solução que está por trás desta antena é simples. Se a NASA vai enviar humanos para Marte, estes precisam de ser capazes de comunicar com a Terra – e os lasers podem ajudar a garantir que os futuros astronautas marcianos tenham uma boa recepção a 58 milhões de quilómetros da Terra.

A construção da parabólica de 34 metros começou esta semana em Goldstone, Califórnia. É apenas uma de uma série de antenas DSN – perfazendo 13 pratos no total que ajudarão a transportar as mensagens transmitidas por laser de e para o espaço.

A DSN é a única linha telefónica da Terra para as nossas duas naves espaciais Voyager – ambas no espaço interestelar -, todas as nossas missões em Marte e a nave espacial New Horizons, que agora está muito além de Plutão.

Quanto mais exploramos, mais antenas precisamos para conversar com todas as nossas missões.

Explicou Larry James, vice-director do Laboratório de Propulsão a Jacto da NASA, em comunicado.

NASA fez os testes e… resultou!

A NASA tem usado as antenas da DSN para se comunicar com naves espaciais desde os anos 60. Por elas são enviados sinais para uma média de 30 naves espaciais por dia. As antenas transmitem e recebem ondas de rádio entre o controlo terrestre e a nave espacial. E embora as ondas de rádio tenham funcionado bem durante todos estes anos, estas têm sérias limitações.

As ondas de rádio tendem a ficar mais fracas em longas distâncias, e têm capacidade limitada. No caso das gémeas Voyager, as duas naves espaciais que percorrem o espaço interestelar que está longe, muito longe da Terra, isso significa que os sinais enviados da Terra para as suas antenas – e vice versa – são muito fracos. Na verdade, a potência que as antenas DSN recebem dos sinais da Voyager é 20 mil milhões de vezes mais fraca do que a potência necessária para rodar um relógio digital, de acordo com a NASA.

Voyager 1 chega ao “fim do Espaço”…

Está há 26 anos no espaço e acaba agora de chegar aos limites do nosso sistema solar, tendo conseguido ultrapassar com sucesso a região conhecida como “Choque Terminal” onde partículas eléctricas provenientes do Sol … Continue a ler Voyager 1 chega ao “fim do Espaço”…

É a vez dos Lasers comunicar com outros mundos

Os lasers são feixes de luz infravermelha. Viajam mais longe no espaço com muito mais potência do que as ondas de rádio.

Os lasers podem aumentar a sua taxa de dados de Marte em cerca de 10 vezes mais do que a obtida com o rádio. A nossa esperança é que o fornecimento de uma plataforma para comunicações ópticas encoraje outros exploradores espaciais a experimentar lasers em missões futuras.

Referiu Suzanne Dodd, directora da Rede Interplanetária, a organização que gere o DSN, em comunicado.

A NASA testou pela primeira vez a comunicação a laser no espaço no ano de 2013. Nessa altura foi enviada uma imagem da pintura de Mona Lisa para um satélite localizado a 386 mil quilómetros de distância da Terra.

A famosa pintura de Leonardo da Vinci foi dividida num conjunto de 152 pixeis por 200 pixeis, e cada pixel foi convertido num tom de cinza representado por um número entre zero e 4095. Cada um dos pixeis foi então transmitido através de um pulso laser que foi disparado numa das 4096 faixas de tempo possíveis.

A pintura foi então reconstruida pelo altímetro laser de órbita lunar (LOLA) a bordo do instrumento Lunar Reconnaissance Orbiter com base nos tempos de chegada de cada pulso laser.

Esta é a primeira vez que alguém consegue comunicação a laser unidireccional a distâncias planetária. Num futuro próximo, este tipo de comunicação laser simples poderá servir como apoio para a comunicação via rádio que os satélites usam. Num futuro mais distante, pode permitir a comunicação a taxas de dados mais elevadas do que as actuais ligações de rádio podem proporcionar.

Disse o principal investigador do LOLA, David Smith, do Massachusetts Institute of Technology, numa declaração na época.

A construção desta nova era de comunicações começou nesta semana. NASA / JPL-Caltech

Missão Psyche irá ser teste de fogo aos lasers

A comunicação por raio laser será posta à prova no ano 2022, quando a NASA lançar a sua missão Psyche, que viajará para estudar um asteróide metálico que orbita o Sol entre Marte e Júpiter.

Conforme foi referido, o orbitador levará a bordo um terminal de comunicação a laser de teste, projectado para transmitir dados e imagens para um observatório na Montanha Palomar, no sul da Califórnia. Para que o futuro das viagens espaciais humanas se mantenha nos trilhos, esperemos que funcione.

pplware
15 Fev 2020

 

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3439: Modelos apontam para uma formação mais longa de Marte

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Uma equipa do SwRI realizou simulações de impacto de partículas suaves, em alta resolução, de vários grandes projécteis que atingiram Marte depois da formação do seu núcleo e manto. As partículas do núcleo e do manto dos projécteis têm cor castanha e verde, respectivamente, mostrando concentrações locais dos materiais assimilados no manto marciano.
Crédito: SwRI

O Sistema Solar primitivo era um lugar caótico, com evidências indicando que Marte provavelmente foi atingido por planetesimais, pequenos proto-planetas com até 1900 km em diâmetro, no início da sua história. Cientistas do SwRI (Southwest Research Institute) modelaram a mistura de materiais associados a estes impactos, revelando que o Planeta Vermelho pode ter sido formado numa escala de tempo mais longa do que se pensava anteriormente.

Uma importante questão em aberto na ciência planetária é a determinação de como Marte se formou e até que ponto a sua evolução inicial foi afectada por colisões. Esta questão é difícil de responder, dado que milhares de milhões de anos apagaram constantemente evidências de eventos iniciais de impacto. Felizmente, parte desta evolução está registada nos meteoritos marcianos. Dos aproximadamente 61.000 meteoritos encontrados na Terra, pensa-se que apenas mais ou menos 200 sejam de origem marciana, ejectados do Planeta Vermelho por colisões mais recentes.

Estes meteoritos exibem grandes variações de elementos que “gostam” de ferro, como tungsténio e platina, que têm uma afinidade moderada a alta por ferro. Estes elementos tendem a migar do manto de um planeta para o núcleo central de ferro durante a formação. As evidências destes elementos no manto marciano, amostrados por meteoritos, são importantes porque indicam que Marte foi bombardeado por planetesimais algum tempo após o fim da sua formação primária do núcleo. O estudo de isótopos de elementos específicos produzidos localmente no manto através de processos de decaimento radioactivo ajuda os cientistas a entender quando a formação do planeta ficou completa.

“Nós sabíamos que Marte recebeu elementos como platina e ouro de grandes colisões iniciais. Para investigar este processo, realizámos simulações hidrodinâmicas de impacto de partículas suaves,” disse a Dra. Simone Marchi, do SwRI, autora principal do artigo que descreve estes resultados, publicado na revista Science Advances. “Com base no nosso modelo, as colisões iniciais produzem um manto marciano heterogéneo, semelhante a um bolo de mármore. Estes resultados sugerem que a visão predominante da formação de Marte pode estar influenciada pelo número limitado de meteoritos disponíveis para estudo.”

Com base na proporção de isótopos de tungsténio nos meteoritos marcianos, argumentou-se que Marte cresceu rapidamente cerca de 2-4 milhões de anos após o início da formação do Sistema Solar. No entanto, grandes colisões precoces podem ter alterado o balanço isotópico do tungsténio, o que poderá suportar uma escala de tempo para a formação de Marte de até 20 milhões de anos, como mostra o novo modelo.

“As colisões de projécteis grandes o suficiente para terem os seus próprios núcleos e mantos podem resultar numa mistura heterogénea desses materiais no início do manto marciano,” disse a Dra. Robin Canup, vice-presidente assistente da Divisão de Ciência e Engenharia do SwRI. “Isto pode levar a interpretações sobre o momento da formação de Marte diferentes daquelas que assumem que todos os projécteis são pequenos e homogéneos.”

Os meteoritos marcianos que caíram na Terra provavelmente partiram de apenas alguns locais em redor do planeta. A nova investigação mostra que o manto marciano pode ter recebido adições variadas de materiais projectáveis, levando a concentrações variáveis de elementos siderófilos. A próxima geração de missões em Marte, incluindo planos para enviar amostras à Terra, fornecerá novas informações para melhor entender a variabilidade destes elementos nas rochas marcianas e a evolução inicial do Planeta Vermelho.

“Para entender completamente Marte, precisamos de entender o papel que as colisões mais antigas e energéticas tiveram na sua evolução e composição,” conclui Marchi.

Astronomia On-line
14 de Fevereiro de 2020

 

spacenews

 

3421: MAVEN explora Marte a fim de compreender a interferência de rádio na Terra

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Gráfico que ilustra sinais de rádio de uma estação remota (linha roxa curva) a interferir com uma estação local (torre preta) depois de serem reflectidos de uma camada de plasma na ionosfera.
Crédito: NASA Goddard/CI lab

A sonda MAVEN (Mars Atmosphere and Volatile EvolutioN) da NASA descobriu “camadas” e “fendas” na parte electricamente carregada da atmosfera superior (a ionosfera) de Marte. O fenómeno é muito comum na Terra e causa interrupções imprevisíveis nas radiocomunicações. No entanto, não as compreendemos completamente porque formam-se a altitudes que são muito difíceis de explorar na Terra. A descoberta inesperada da MAVEN mostra que Marte é um laboratório único para explorar e melhor entender este fenómeno altamente perturbador.

“As camadas estão tão próximas, acima das nossas cabeças na Terra, e podem ser detectadas por qualquer pessoa com um rádio, mas ainda são bastante misteriosas,” diz Glyn Collinson, do Centro de Voo Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, no estado norte-americano de Maryland, autor principal de um artigo sobre esta investigação publicado na edição de 3 de Fevereiro da revista Nature Astronomy. “Quem haveria de pensar que uma das melhores maneiras de as entender seria lançar um satélite a milhões de quilómetros, para Marte?”

Se a sua estação de rádio favorita já encravou ou foi substituída por outra estação, uma causa provável são camadas de gás com carga eléctrica, chamado “plasma”, na região mais alta da atmosfera, de nome “ionosfera”. Formadas repentinamente e com a duração de várias horas, estas camadas agem como espelhos gigantes no céu, fazendo com que os distantes sinais de rádio sejam reflectidos para lá do horizonte, onde podem interferir nas transmissões locais, como duas pessoas que tentam conversar entre si. As camadas também podem provocar interferência nas comunicações de rádio dos aviões e de navios, além de cegar o radar militar.

Na Terra, as camadas formam-se a uma altitude de aproximadamente 100 km, onde o ar é muito fino para um avião voar, mas demasiado espesso para um satélite orbitar. A única maneira de as alcançar é com um foguetão, mas estas missões durante apenas dezenas de minutos antes de caírem de volta para a Terra. “Sabemos que existem há mais de 80 anos, mas sabemos muito pouco sobre o que acontece no seu interior, porque nenhum satélite pode ficar baixo o suficiente para alcançar as camadas,” diz Collinson, “pelo menos, nenhum satélite na Terra.”

Em Marte, as naves espaciais como a MAVEN podem orbitar a altitudes mais baixas e podem amostrar estas características directamente. A MAVEN transporta vários instrumentos científicos que medem plasmas na atmosfera e no espaço ao redor de Marte. Medições recentes de um destes instrumentos detectaram picos repentinos inesperados na abundância de plasma enquanto voava através da ionosfera marciana. Joe Grebowsky, ex-cientista do projecto MAVEN em Goddard, reconheceu imediatamente o pico da sua experiência anterior com voos de foguetões através das camadas da Terra. A MAVEN não apenas tinha descoberto que camadas idênticas podem ocorrer noutros planetas que não a Terra, mas os novos resultados revelam que Marte fornece o que a Terra não consegue, um lugar onde podemos explorar estas camadas com satélites.

“As baixas altitudes observáveis pela MAVEN vão preencher uma grande lacuna no nosso entendimento desta região de Marte e da Terra, com descobertas realmente significativas por fazer,” salienta Grebowsky, co-autor do artigo.

As observações da MAVEN já estão a derrubar algumas das nossas ideias existentes sobre o fenómeno: a MAVEN descobriu que as camadas também têm um espelho oposto, uma “fenda”, onde o plasma é menos abundante. A existência de tais “brechas” na natureza era completamente desconhecida antes da sua descoberta em Marte pela MAVEN, e derruba os modelos científicos existentes que dizem que não se podem formar. Além disso, ao contrário da Terra, onde as camadas têm vida curta e imprevisível, as camadas marcianas são surpreendentemente duradouras e persistentes.

Estas novas descobertas já nos deram uma melhor compreensão dos fenómenos fundamentais que sustentam estas camadas e futuras explorações marcianas vão permitir construir melhores modelos científicos de como se formam. Embora, assim como o clima, não possamos impedir que se formem, talvez um dia as novas informações de Marte possam ajudar a prevê-las na Terra, o que significa uma comunicação de rádio mais confiável para todos nós.

Astronomia On-line
7 de Fevereiro de 2020

spacenews

 

 

3384: Colonizar Marte: Elon Musk sabe como enviar 1 milhão de pessoas

CIÊNCIA/TECNOLOGIA

Terra e Marte estão separados, em média, por cerca de 225 milhões de km. Nesse sentido, com a tecnologia actual, que equipa as naves espaciais, seriam necessários cerca de 200 dias para lá chegar. Elon Musk já pensa em colonizar o planeta vermelho.

O magnata do sector espacial revelou no seu Twitter os planos para transportar um milhão de pessoas a Marte até 2050.

O espaço é um ambiente agreste para o ser humano e não se sabe ainda que efeitos terá nos astronautas uma viagem tão longa. Embora sejam muitas as dúvidas e muito poucas as certezas, há algumas empresas que estão a projectar essa missão.

Elon Musk e a SpaceX, estão já com ritmados para levar o homem a Marte. Como tal, Musk deu a conhecer o plano para enviar ao espaço, em 10 anos, mais de mil naves espaciais, desenvolvidas pela SpaceX.

10 anos para fazer 1000 naves para levar 1 milhão

Recorrendo à sua conta do Twitter, Elon Musk deu a conhecer as linhas mestras para colonizar numa primeira fase Marte.

Elon Musk @elonmusk

Starship design goal is 3 flights/day avg rate, so ~1000 flights/year at >100 tons/flight, so every 10 ships yield 1 megaton per year to orbit

Elon Musk @elonmusk

Building 100 Starships/year gets to 1000 in 10 years or 100 megatons/year or maybe around 100k people per Earth-Mars orbital sync

Segundo Musk, é necessário construir 100 Starships por ano, 1000 naves em 10 anos. Além disso, o envio das pessoas, cerca de 100 mil, terá de aproveitar a sincronização orbital da Terra e de Marte.

Mas o que é a sincronização orbital da Terra e de Marte?

A sincronização orbital entre a Terra e Marte dá-se quando a distância entre os dois planetas é menor. Esse fenómeno ocorre durante 30 dias a cada 25 meses. Esta “boleia” permitiria a economia de combustível durante a viagem.

Conforme salientou, Musk disse que aproveitaria esta oportunidade para “carregar a frota de Marte na órbita da Terra” e enviar todos as mil naves em trajectória para Marte durante aquela janela de 30 dias a cada 26 meses.

Elon Musk @elonmusk

Myers @jameslin123321

But Elon, Earth-Mars transfer windows only occur every 26 months, what are the missions for these starships going to be during these 2 years waiting time?

Bom, neste último tweet, parece que o CEO se contradiz. No anterior revelou que a ideia era enviar mil naves por ano, neste último já serão mil naves a cada 26 meses. De qualquer forma, a SpaceX ainda tem um longo caminho a percorrer antes de atingir estes objectivos.

Protótipo de nave estelar pode ser lançado dentro de meses

Musk referiu que poderá ser lançado um novo protótipo da nave estelar antes do final de Março.

Esperamos que o primeiro voo seja daqui a 2 a 3 meses.

Twittou Musk  em 27 de Dezembro.

O desenvolvimento do protótipo atingiu atrasos após uma explosão acidental durante um teste de pressurização do tanque de combustível no dia20 de Novembro, que explodiu o primeiro protótipo da nave espacial StarsX de 16 andares da SpaceX.

Um protótipo do foguete Mk1 da nave espacial SpaceX para voar até Marte.

A empresa poderá construir até 20 protótipos diferentes antes da escolha dos engenheiros e da adopção do design “1.0” para transportar cargas e pessoas.

O sistema completo de lançamento da nave estelar também incluirá um foguete de 22 andares chamado Super Heavy. Assim, quando tudo for combinado, a estrutura terá cerca de 118 metros de altura.

Apesar de serem foguetões colossais, este hardware está a ser projectado para ser totalmente reutilizável.

Assim, se essa visão se concretizar, Musk estima que o custo de um único lançamento seria de apenas 2 milhões de dólares. Como resultado, estamos perante um valor centenas de vezes mais barato que o custo actual de lançar um número semelhante de pessoas e quantidade de carga no espaço.

Turismo espacial é o primeiro passo

Segundo as afirmações de Elon Musk em Setembro passado, este quer enviar uma nave espacial à órbita da Terra até meados de 2020.

Gwynne Shotwell, presidente e directora de operações da SpaceX, disse durante uma tele-conferência da NASA que a empresa “pretendia deixar a nave estelar na superfície lunar em 2022” e levar o empresário e multimilionário japonês Yusaku Maezawa ao redor da lua em 2022, ou 2023.

No entanto, todas estas declarações vieram antes da explosão do protótipo da nave estelar. Além disso, a SpaceX também terá de resolver vários obstáculos impostos pelas entidades reguladoras.

Teste de segurança à Crew Dragon da SpaceX foi adiado para hoje devido à meteorologia

De modo a preparar a sua ambiciosa missão com a NASA de levar astronautas até à ISS, a SpaceX tinha planeado para ontem um teste de segurança à cápsula Crew Dragon. No entanto, tal … Continue a ler

19 Jan 2020

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3382: Elon Musk diz querer enviar 10 mil pessoas a Marte até 2050

CIÊNCIA/FUTURO

“O objectivo é fazer vários voos por dia”, esclareceu o empresário. A cada 26 meses – altura em que a Terra e Marte se encontram mais próximos – deverão partir naves espaciais todos os dias, em horários diferentes.

Elon Musk
© EPA/CLEMENS BILAN

Os protótipos das naves espaciais Starship ainda estão a ser sujeitos a testes, mas o multimilionário e CEO da Space X, Elon Musk, já está a pensar na quantidade de pessoas que quer levar para Marte. Até 2050, quer colocar, pelo menos, dez mil pessoas no planeta vermelho. E dar-lhes trabalho lá.

O plano já está em marcha. Numa resposta a um seguidor no Twitter, Elon Musk, 48 anos, desvendou que tenciona construir cem naves por ano e enviar milhares de pessoas da Terra para Marte, quando as órbitas dos dois planetas se alinharem, reduzindo a distância e minimizando desta forma os custos das viagens. “O objectivo é fazer vários voos por dia”, escreveu.

Elon Musk @elonmusk

Starship design goal is 3 flights/day avg rate, so ~1000 flights/year at >100 tons/flight, so every 10 ships yield 1 megaton per year to orbit

A cada 26 meses – quando a distância entre a Terra e Marte é mais curta – Musk tenciona enviar mil naves a cada 30 dias, em horários diferentes. Chegarão ao destino alguns meses depois. E qualquer pessoa se pode candidatar a seguir na nave espacial, desde que pague a viagem. “Caso não tenham [dinheiro] podem sempre pedir um empréstimo”, diz o milionário, que não divulgou o preço do voo.

Elon Musk @elonmusk

Loading the Mars fleet into Earth orbit, then 1000 ships depart over ~30 days every 26 months. Battlestar Galactica …

O segundo modelo da Starship encontra-se em fase de testes, sendo que este já deverá ser muito fiel ao final. O foguetão, com capacidade para cerca de uma centena de passageiros, terá uma vida útil de 20 a 30 anos. “O Starship vai ser o foguetão mais poderoso da história, com a capacidade de levar humanos à lua, a Marte e mais além”, explicou o empresário, em Setembro, aquando da divulgação das primeiras imagens da montagem da nave espacial.

O foguetão que leva a Starship consegue atingir os 65 mil pés (cerca de 20 quilómetros), antes de regressar à Terra, para ser reutilizado. A primeira vez que a Space X lançou um foguetão para a órbita terrestre foi há 11 anos. Desde então, a empresa concluiu mais de 80 lançamentos espaciais.

A Starship deverá ter uma vida útil entre 20 a 30 anos.
© Twitter Space X

Elon Musk tem expressado vontade de construir bases na Lua ou em Marte. Segundo o multimilionário, esta pode ser a forma de garantir a sobrevivência da raça humana e, assim, promover a sua regeneração na Terra no caso de uma terceira guerra mundial. “Queremos garantir que o Homem permaneça noutro lugar (para além da Terra) como uma semente da civilização humana, para que possa trazer de volta a civilização e talvez diminuir a duração da idade das trevas”, afirmou em Março.

Diário de NotíciasDN

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3306: Pistas para a água perdida de Marte

CIÊNCIA/MARTE

Imagem de uma encosta inclinada obtida pelo rover Curiosity e uma ilustração de moléculas de água pesada, chamada HDO em vez de H2O porque um dos seus átomos de hidrogénio possui uma partícula neutra extra. Observações no infravermelho podem estudar estas partículas que traçam a história da água líquida, porque as moléculas mais pesadas tendem a permanecer mais tempo do que a água líquida normal. As observações do SOFIA revelam que este indicador de água líquida não varia entre as estações marcianas, aproximando os cientistas da quantidade de água líquida que Marte já teve.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/MSSS/SOFIA

Marte pode ser um planeta rochoso, mas não é um mundo hospitaleiro como a Terra. É frio e seco, com uma fina atmosfera que possui significativamente menos oxigénio que a da Terra. Mas Marte provavelmente já teve água líquida, um ingrediente essencial para a vida. O estudo da história da água pode ajudar a descobrir como o Planeta Vermelho perdeu água e quanta água já teve.

“Nós já sabíamos que Marte já foi um lugar húmido,” disse Curtis DeWitt, cientista do Centro de Ciências SOFIA da USRA (Universities Space Research Association). “Mas apenas estudando como a água actual é perdida podemos entender quanto existia no passado distante.”

Parte desta investigação pode ser realizada sem sair da Terra usando o SOFIA (Stratospheric Observatory for Infrared Astronomy). O maior observatório voador do mundo pode encontrar moléculas e átomos no espaço profundo e em planetas – como análise forense astronómica – porque voa acima de 99% do vapor de água da Terra que bloqueia a radiação infravermelha. Para aprender mais sobre como Marte perdeu a sua água e como o vapor de água moderno pode variar sazonalmente, o SOFIA estudou como o vapor de água evapora de maneira diferente durante duas estações marcianas.

A água também é conhecida pelo seu nome químico H2O porque é composta por dois átomos de hidrogénio e um átomo de oxigénio. Mas com instrumentos especiais, os cientistas podem detectar dois tipos: água normal, H2O, e água pesada (ou deuterada), HDO, que possui uma partícula neutra extra chamada neutrão num dos dois átomos de hidrogénio, tornando-a mais pesada. A água deuterada evapora menos eficientemente do que a água comum, de modo que permanece em mais quantidade à medida que a água líquida evapora. Portanto, o estudo da proporção de água pesada em relação à água normal, que os cientistas chamam de rácio D/H, no vapor de água existente, pode refazer a história da evaporação da água líquida – mesmo que já não exista à superfície. Mas não está claro se esta proporção é afectada por mudanças sazonais no Planeta Vermelho.

Marte tem calotes de gelo nos seus pólos. São compostas por gelo de dióxido de carbono e neve e expandem-se e encolhem com as estações marcianas. À medida que o hemisfério norte do planeta se aproxima do seu solstício de verão, a calote polar diminui com a temperatura quente – fazendo com que parte do gelo evapore e exponha água gelada. A calote polar sul, no entanto, está coberta com dióxido de carbono gelado mesmo durante o verão. Os cientistas não tinham a certeza se essas mudanças sazonais podiam afectar a proporção entre água pesada e a água normal na atmosfera marciana.

As medições anteriores da proporção da água D/H usaram instrumentos diferentes, resultando em medições ligeiramente diferentes ao longo de estações e locais marcianos. Os investigadores usaram o mesmo instrumento do SOFIA, o EXES (Echelon-Cross- Echelle Spectrograph), para obter medições consistentes ao longo de duas estações e locais: o verão no hemisfério norte do planeta e o verão no seu hemisfério sul. Até agora, depois de compararem observações entre os dois hemisférios, não encontraram nenhuma variação sazonal na proporção da água em Marte entre estações e locais. Isto está a ajudar os cientistas a rastrear com mais precisão a história da água em Marte.

“Se pudermos eliminar a dependência sazonal como um factor neste rácio, estaremos um passo mais perto de obter uma resposta sobre a quantidade de água originalmente presente em Marte,” disse DeWitt.

Os resultados foram publicados na revista Astronomy & Astrophysics. Estão em andamento outras observações para monitorizar diferentes estações marcianas. A análise da história e geologia de Marte é importante, pois a NASA está a avançar com planetas para enviar novamente seres humanos à Lua, com o objectivo final de missões tripuladas a Marte.

O SOFIA é um jacto Boeing 747SP modificado para transportar um telescópio de 106 polegadas. É um projecto conjunto da NASA e do Centro Aeroespacial Alemão, DLR.

Astronomia On-line
3 de Janeiro de 2020

spacenews

 

3299: Musk espera que a Starship faça o seu primeiro voo dentro de dois a três meses

CIÊNCIA/ESPAÇO

Space X / Flickr

O primeiro voo da nave espacial da Space X Starship, projectada para transportar cargas e pessoas para a Lua e Marte, deverá acontecer, “com sorte”, dentro de “dois ou três meses”, de acordo com Elon Musk.

O multimilionário e visionário norte-americano, que é também CEO da Tesla, voltou no fim do ano a recorrer à sua conta de Twitter para revelar mais alguns detalhes da Starship.

Na mesma rede social, Musk partilhou um vídeo no qual mostra a construção da cúpula da nave, dando conta que trabalhou durante toda a noite na sua produção, dizendo ainda que esta é a “parte mais complicada da estrutura primária”.

Elon Musk @elonmusk

Was up all night with SpaceX team working on Starship tank dome production (most difficult part of primary structure). Dawn arrives …

A Starship “será o veículo de lançamento mais poderoso do mundo já desenvolvido, tendo capacidade de transportar mais de 100 toneladas para a órbita da Terra”, pode ler-se no site oficial da empresa norte-americana de sistemas espaciais.

No passado mês de Novembro, recorde-se, a Space X sofreu um contratempo: o primeiro protótipo da nave espacial de tamanho real ((o Starship Mk1) explodiu durante um teste nas instalações da empresa no estado norte-americano do Texas.

Na altura, Musk revelou que a Space X vai agora concentrar-se no desenvolvimento de protótipos mais avançados e não vai reparar o Mk1.

Recentemente, Elon Musk revelou quanto custará operacionalmente cada missão da Starship. Segundo o empresário, o custo será menor do que o de um pequeno foguete.

De acordo com as estimativas do empresário, a nave gastará 900.000 dólares só em combustível para deixar a Terra e entrar em órbita. “Se considerarmos os custos operacionais, talvez sejam 2 milhões de dólares”, apontou Musk.

Musk revela o preço de uma viagem a Marte a bordo da Space X. O regresso é grátis

Elon Musk, que sonha fazer viagens interplanetárias através da sua empresa Space X, revelou agora o preço de um destes…

ZAP //

Por ZAP
2 Janeiro, 2020

 

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3290: Europa parte para Marte em 2020. E há portugueses na missão

CIÊNCIA/ESPAÇO

É segunda fase da missão Exomars, que já colocou em 2016 uma sonda na órbita marciana. No próximo ano, parte um robô móvel europeu que vai procurar vida na superfície de Marte. E também há portugueses na missão

Em teste num campo “marciano” simulado © ALTEC

A ExoMars, a missão conjunta da agência espacial europeia ESA e da Rússia a Marte, cujo ambicioso objectivo é procurar sinais de vida no subsolo daquele planeta, tem em 2020 o seu primeiro grande momento: o do lançamento. Se tudo correr como está previsto, a partida deverá acontecer entre 26 de Julho e 11 de Agosto, a partir de do centro espacial da agência espacial Roscosmos, em Baikonur, no Cazaquistão. A chegada a Marte tem data marcada para Março de 2021. Uma missão ambiciosa, na qual não falta também a participação portuguesa.

A pouco mais de meio ano da hora H para a partida, a ESA anunciou agora que os testes dos para-quedas – que serão cruciais para amortecer a aterragem do rover europeu e da plataforma científica russa que lhe está acoplada – passaram com sucesso os primeiros testes realizados nos Estados Unidos com a colaboração de equipamentos da NASA.

Descer em Marte é uma operação delicada e muitas vezes fatal, como mostra o extenso rol de missões falhadas que já se contam na curta história espacial da humanidade.

Na prática, contadas todas as missões ao Planeta Vermelho, incluindo as que se destinaram somente à sua órbita, a maioria, por um motivo ou por outro, saldou-se em falhanço, embora as mais recentes da NASA, que colocaram vários rovers na superfície marciana, tenham sido coroadas de êxito.

A própria ESA tem o seu quinhão de sucessos e fracassos em missões marcianas, incluindo, em 2016, a primeira fase da ExoMars, de resultado misto, que colocou sem mácula a sonda TGO na órbita marciana para estudar a sua atmosfera, mas não conseguiu fazer aterrar o módulo Schiapareli, que integrava a missão.

Soube-se semanas depois que o Schiaparelli, que servia sobretudo para testar a manobra de aterragem e cujos dados acabaram por ser importantes para esta segunda fase da missão, se tinha despenhado devido a uma avaria que comprometeu os dados do sistema de navegação.

Uma falha num sensor, levou o sistema a disparar o para-quedas e a activar os travões antes de tempo, quando o pequeno módulo ainda estava a 3,7 quilómetros da superfície do planeta. Foi um desaire para a ESA, que ocorreu 13 anos depois de o também europeu Beagle 2 se ter despenhado ali também.

“Aterrar em Marte é difícil”

Com duas tentativas falhadas de pisar Marte para trás, a ESA abalança-se agora a uma terceira e, desta vez, com ambições maiores. A ideia é fazer descer em Marte um rover, ou robô móvel, equipado com uma plataforma científica, capaz de se deslocar e de escavar o solo até à profundidade de dois metros para aí recolher amostras e depois as analisar. A ideia é procurar aí, em profundidade, a resguardo das radiações cósmicas que fustigam a superfície, sinais da existência de vida no planeta.

A existir, os cientistas pensam que essa vida, feita provavelmente de microrganismos, poderá estar no subsolo, a salvo das radiações cósmicas, e por isso esta segunda fase da Exomars foi concebida para aí a procurar aí e, quem sabe, talvez encontrá-la. Afinal, o nome da missão, ExoMars, cita expressamente esse propósito, porque exo refere-se a exobiologia, ou seja, a biologia fora da Terra.

Até lá, porém, há várias etapas ainda a vencer, com alguns dos derradeiros testes a decorrer, como aconteceu agora em relação aos para-quedas que vão amortecer a aterragem e que obtiveram bons resultados, segundo Thierry Blancquaert, chefe da equipa de engenharia da ExoMars.

“Aterrar em Marte é difícil e não nos podemos dar ao luxo de deixar pontas soltas”, disse Thierry Blancquaert, citado num comunicado da ESA, sublinhando que “depois de vários problemas, as modificações no sistema de para-quedas estão a avançar. Os resultados dos testes preliminares são muito promissores e abrem caminho aos próximos testes de qualidade”.

Também o robô móvel está nesta mesma altura em fase final de testes, para ficar pronto, com todos os sistemas e equipamentos integrados e operacionais, no final de Março de 2020.

Tal como aconteceu com a primeira fase da missão ExoMars, que embora não tenha conseguido fazer aterrar o Schiapareli colocou com sucesso na órbita marciana a sonda Trace Gas Orbiter, ou TGO, também esta segunda fase conta com a participação de portugueses.

Sediada em Coimbra, a Critical Software, nomeadamente, participou no desenvolvimento dos sistemas de controlo de bordo da TGO, que continua a recolher dados na órbita do planeta e que já produziu o retrato mais detalhado de sempre das manchas de água gelada na superfície e de minerais com sinais de água no subsolo. A empresa participa igualmente nesta segunda fase da missão.

Outras das empresas que participou nesta segunda fase da missão ExoMars, nomeadamente com a concepção de algumas das peças da estrutura do robô móvel, é a Activespace Technologies, também de Coimbra.

Diário de Notícias
Filomena Naves
29 Dezembro 2019 — 20:35

 

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3268: Cerberus Fossae é a primeira zona sísmica activa identificada em Marte

CIÊNCIA

InSight_IPGP / Twitter

Cerberus Fossae, um conjunto de fissuras semi-paralelas formadas por falhas que separam a crosta de Marte, foi identificada como a primeira zona sísmica activa descoberta no Planeta Vermelho.

O sismómetro do InSight da NASA, chamado SEIS (Experiência Sísmica para Estruturas Interiores), concentrou-se nesta enorme estrutura tectónica, o epicentro de dois importantes MarsQuakes – tremores terrestres marcianos – detectados durante os sóis (dias marcianos) 173 e 235 da missão.

De acordo com o Europa Press, Cerberus Fossae mede 1.235 quilómetros de diâmetro. As magnitudes de ambos os tremores situavam-se entre os 3 e os 4 na escala Richter, de acordo com as informações antecipadas no Twitter pela equipa do SEIS, antes da publicação da pesquisa em revistas científicas. O primeiro “grande” terremoto ocorreu em maio e o segundo em Julho deste ano.

Devido a variações térmicas e ventos, Marte é um lugar barulhento. No entanto, entre as 17 horas e até pouco depois da meia-noite, o Planeta Vermelho torna-se muito silencioso. É nestes momentos que o sismómetro consegue monitorizar todas as frequências com uma nitidez cristalina, incluindo faixas invisíveis na Terra.

Mesmo que o Planeta Vermelho pareça petrificado, Marte continua a “bater”. A taxa de terramotos continua a aumentar, sem que os geofísicos entendam o motivo. Ainda assim, os terramotos verificados em Marte são muito fracos.

ZAP //

Por ZAP
26 Dezembro, 2019

 

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3267: NASA pode ter registado o primeiro abalo sísmico em Marte

CIÊNCIA

Sinais obtidos pela sonda InSight são semelhantes aos que foram registados na superfície lunar pelas missões Apollo

Imagem tirada a 19 de Março pela sonda InSight mostra a cobertura que protege o sismógrafo © NASA/JPL-Caltech

A NASA pode ter registado pela primeira vez o “tremor de Marte” – ou seja, um terramoto no planeta vermelho. Numa nota emitida esta terça-feira a agência espacial norte-americana aponta como “provável” que o registo detectado por um sismógrafo se deva a movimentos internos e não à acção de elementos exteriores, à superfície, como o vento. Os cientistas estão agora a examinar os dados para apurar uma explicação definitiva. E divulgaram entretanto um áudio com o som do sismo marciano.

O sinal foi registado a 6 de Abril, o 128º dia marciano, por um sismógrafo transportado pela sonda InSight da NASA, que instalou aquele instrumento na superfície do planeta através de um braço robótico, a 19 de Dezembro de 2018. De acordo com a nota da agência, a comparação dos sinais obtidos agora em Marte com os resultados das missões Apollo na superfície lunar apontam para a possibilidade de se tratar efectivamente de um abalo sísmico. “O tamanho e a duração correspondem ao padrão dos abalos sísmicos na Lua detectados durante as missões Apollo”, afirma Lori Glaze, director da divisão de Ciência Planetária da NASA.

“Temos vindo a recolher os ruídos e este novo passo lança oficialmente um novo campo: a sismologia de Marte”, diz, por sua vez, Bruce Banerdt, investigador principal da missão.

Para já, os dados detectados ainda são insuficientes para fornecer mais indicações sobre o interior de Marte, o grande objectivo da InSight, que procura informação que ajude a perceber a formação e evolução dos planetas rochosos do Sistema Solar.

A própria NASA explica que a superfície marciana é extremamente calma, em contraste com a da Terra, que regista vibrações constantes, resultado do barulho provocado pelos oceanos e pelos elementos climáticos. Um registo como aquele que foi obtido em Marte passaria despercebido num sismógrafo “terrestre”. Mas não no planeta vermelho. “Esperámos meses por um sinal como este”, diz Philippe Lognonné, geofísico do Institut de Physique du Globe de Paris (IPGP) e investigador principal da missão, que tem uma componente francesa – o sismógrafo que está em Marte foi desenvolvido pelo Centro Nacional de Estudos Espaciais francês. “É muito estimulante ter finalmente provas de que Marte é sismicamente activo”, acrescentou o cientista.

Ao contrário da Terra, Marte (tal como a Lua) não tem placas tectónicas. Mas um contínuo processo de arrefecimento e contracção acaba por ter o mesmo efeito nas camadas interiores do planeta, levando a uma libertação de energia que provoca então os abalos sísmicos.

Diário de Notícias
DN
24 Abril 2019 — 12:28

 

spacenews

 

3252: O rover da NASA que vai a Marte em 2020 já tem “carta de condução”

CIÊNCIA

NASA

O rover Mars 2020 da NASA acabou de dar o seu primeiro passeio, navegando por pequenas rampas e rolando para frente e para trás dentro de uma sala no Jet Propulsion Lab (JPL) da NASA na Califórnia. Agora, está pronto para o Planeta Vermelho.

“O Mars 2020 ganhou a sua carta de condução”, afirmou o engenheiro de sistemas de mobilidade do Mars 2020 Rich Rieber, em comunicado, divulgado pelo Phys. “O teste provou inequivocamente que o rover pode operar com o seu próprio peso e demonstrou muitas das funções de navegação autónoma pela primeira vez. Este é um marco importante para Mars 2020”.

“Um veículo espacial precisa de se mover e o Mars 2020 fez isso ontem”, acrescentou John McNamee, gerente de projectos do Mars 2020. “Mal podemos esperar para colocar um pouco de sujidade marciana vermelha sob as suas rodas”.

O Mars 2020 é muito mais rápido do que os rovers anteriores da NASA em termos de tomada de decisão e navegação. As suas câmaras e computador de processamento de imagens também são muito mais sofisticados e de maior resolução.

Graças à actualização tecnológica, o Mars 2020 poderá mover-se, em média, 200 metros por dia marciano. O recorde anterior de um dia, estabelecido pelo rover Opportunity da NASA, era de 214 metros.

As rodas do Mars 2020 também duram mais do que as dos rovers do passado. No início do ano, foram descobertos buracos nas rodas do Curiosity da NASA, depois de bater nas rochas marcianas.

O veículo espacial será lançado no próximo verão para chegar ao Planeta Vermelho em 18 de Fevereiro de 2021. O seu principal objectivo será procurar sinais de vida microbiana passada, bem como colher amostras de rochas para trazer de volta para a Terra.

No início deste mês, a NASA exibiu o seu Sistema de Lançamento Espacial, o foguete que levará o veículo espacial para o Planeta Vermelho no próximo ano. O Mars 2020 não fará a jornada sozinho: levará consigo um pequeno helicóptero autónomo que o ajudará a explorar o ambiente marciano. O drone também pode ajudar a procurar zonas ideais de aterragem futura – e talvez até procurar sinais de vida.

ZAP //

Por ZAP
22 Dezembro, 2019

 

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3210: Em Marte, as auroras brilham durante todo o verão (e ajudam a explicar a perda de água do Planeta Vermelho)

CIÊNCIA

MAVEN / LASP / University of Colorado / NASA
Aurora global em Marte

Além de impressionantes, as auroras dos céus marcianos oferecem pistas importantes sobre como a água do Planeta Vermelho escapa para a atmosfera.

Este tipo de aurora – conhecida por “aurora protão” e identificada pela primeira vez em Marte no ano 2016 – ocorre durante o dia e produz luz ultravioleta (UV). Apesra de ser visível a olho nu, foi detectada pelo Imaging UltraViolet Spectrograph (IUVS) da MAVEN.

Recentemente, uma equipa de cientistas estudou estas auroras marcianas através da análise de dados acumulados ao longo de vários anos de observações. No novo artigo científico, publicado recentemente na JGR Space Physics, os cientistas referem que as aurora protão são as mais comuns em Marte, “com quase 100% de ocorrência no lado diurno do planeta, no sul durante o verão”.

Na Terra, as auroras aparecem quando ventos solares atingem o campo magnético do nosso planeta. Estas colisões de alta energia entre partículas solares e partículas atmosféricas de gás criam luzes no céu.

Segundo Andréa Hughes, investigadora da Universidade Aeronáutica Riddle, na Florida, as auroras protão também começam com ventos solares – mas, neste caso, os protões carregados colidem com uma nuvem de hidrogénio.

Depois, sugam os electrões dos átomos de hidrogénio, neutralizando os protões. Quando estes átomos neutros energéticos entram na atmosfera de Marte, as colisões com moléculas produzem brilhos ultravioletas – ou auroras de protões.

Estas auroras são muito comuns no verão marciano no sul do planeta porque os meses de verão são aqueles em que a nuvem de hidrogénio surge perfeitamente posicionada para interagir com os ventos solares e, desta forma, produzir auroras de protões quase constantes.

Os cientistas descobriram ainda que a temperatura aumenta durante o verão marciano e que as nuvens de poeira retiram o vapor de água da superfície do planeta. “Isso faz com que o hidrogénio se separe em hidrogénio e oxigénio, fazendo com que ele escape”, disse Hughe, citada pelo Live Science.

“Por causa desse fenómeno, sabemos que quando vemos uma aurora protão, a fonte não é apenas o vento solar, mas também a água que se separa e se perde no Espaço.”

ZAP //

Por ZAP
17 Dezembro, 2019

 

spacenews

 

3182: NASA já tem mapa do tesouro para encontrar a água de Marte

CIÊNCIA

A água em Marte ou na Lua são o “ouro” que as agências espaciais querem encontrar nos próximos anos. Assim, é natural que, daqui a cinco anos, a Rússia, Europa e EUA enviarão missões à Lua para encontrar água. Em breve, teremos robôs da NASA a escavar no solo lunar, nas crateras com sombra permanente no Polo Sul do satélite. No fundo, a Lua será “a rampa de lançamento” para Marte.

Um dos objectivos de ir à Lua é para perceber se a água lunar poderá produzir combustível para os foguetões. Isto servirá para pensar no nosso satélite como porto de partida até ao planeta vermelho.

Missões fundamentais para chegar a Marte conhecendo a Lua

São várias as missões a serem preparadas. Desta forma, os dados a adquirir nestas viagens serão essenciais para aprender a tirar o máximo partido da água de Marte nas próximas décadas.

Segundo um estudo publicado esta semana, na Geophysical Research Letters, com assinatura da NASA, os dados das naves espaciais Mars Reconnaissance Orbiter (MRO) e Mars Odyssey, ajudaram a criar um “mapa do tesouro” com o qual será possível encontrar e aproveitar a água de Marte.

Este mapa mostra que existem grandes áreas onde o gelo da água está a apenas 30 centímetros da superfície. Aliás, existe gelo com maior incidência no hemisfério norte de Marte, onde as condições são mais adequadas para um pouso.

Não vamos precisar de uma retro-escavadora para desenterrar este gelo. Uma pá será suficiente.

Referiu em nota Sylvain Piqueux, investigador do Jet Propulsion Laboratory (JPL) da NASA.

O investigador referiu que até esse dia chegar, a NASA irá continuar a extrair dados do gelo enterrado em Marte. Além disso, estão igualmente focados em escolher o melhor local para pousar a nave.

Missão aterrar em Marte e voltar

A missão humana a Marte, planeada para os próximo anos 30, tem uma grande desvantagem: a sua longa duração. Conforme é sabido, esta viagem vai durar pelo menos dois ou três anos, obrigando a tripulação a carregar tudo o que precisa para viver autonomamente no espaço e no planeta vermelho.

Uma opção é produzir combustível para foguetes, que é baseado em oxigénio e hidrogénio, a partir da água de Marte. Além disso, estão igualmente previstos sistemas de apoio à vida que reciclam alimentos, fezes, gases e líquidos, mas um pouco mais de água marciana não faria mal nenhum.

A atmosfera marciana é tão fina que o gelo exposto seria transformado em vapor directamente, sem passar pelo estado líquido. No entanto, alguns centímetros abaixo da superfície, exactamente onde se acredita que poderá haver vida microbiana segura da radiação que varre a superfície, a situação muda.

Graças a dados de temperatura cruzada, radar e espectrometria, os investigadores concluíram que há um tesouro escondido de gelo de água no pergelissolo dos pólos e latitudes médias de Marte. O mapa que desenharam revela a presença de áreas onde este gelo está particularmente próximo da superfície e poderia ser mais acessível.

Mapa com a distribuição do gelo subterrâneo de Marte. A roxo e azul, o mais próximo da superfície. A vermelho, o mais profundo – NASA / JPL-Caltech / ASU

O mapa mostra áreas em azul e roxo onde o gelo está a apenas 30 centímetros da superfície. Em vermelho estão as regiões onde a água está a 60 centímetros e em preto as partes de Marte onde um navio se afundaria na poeira fina.

Em seguida, os investigadores tentarão analisar como a abundância deste gelo próximo à superfície muda ao longo das estações marcianas.

Local de desembarque em Marte: Arcadia Planitia

Esta informação será fundamental na escolha de um local de aterragem para a primeira missão tripulada a Marte.

Por enquanto, preferem-se as latitudes médias que recebem mais luz solar e têm temperaturas mais quentes. Dentro destas, o hemisfério norte oferece regiões com elevações mais baixas. Como resultado, poderá haver uma vantagem na quantidade de atmosfera para parar as naves espaciais que têm de aterrar ali (em Marte a escassa atmosfera, com a poderosa gravidade, 38% da Terra, tornam as operações muito difíceis, especialmente com grandes aeronaves).

Um dos locais mais promissores no momento é Arcadia Planitia. Esta região tem grandes quantidades de gelo aquático a apenas 30 centímetros da superfície e fica no hemisfério norte. Assim, a questão que paira é se será aí que os primeiros humanos irão tocar no solo marciano.

NASA: Cientistas fazem descoberta desconcertante sobre o oxigénio de Marte

A atmosfera de Marte tem oxigénio, contudo, são apenas leves traços. Na verdade, além do gás que sustenta a nossa vida, o “ar que se respira” no planeta vermelho é composto por 95% de … Continue a ler NASA: Cientistas fazem descoberta desconcertante sobre o oxigénio de Marte

12 Dez 2019

3134: Tempestades globais em Marte lançam torres de poeira para o céu

CIÊNCIA

Animações lado a lado de como a tempestade global de poeira de 2018 envolveu o Planeta Vermelho, cortesia da câmara MARCI (Mars Color Imager) a bordo da sonda MRO (Mars Reconnaissance Orbiter) da NASA. Esta tempestade global de poeira fez com que o rover Opportunity perdesse contacto com a Terra.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/MSSS

As tempestades de poeira são comuns em Marte. Mas, mais ou menos a cada década, acontece algo imprevisível: ocorrem uma série de tempestades descontroladas, cobrindo todo o planeta numa névoa empoeirada.

No ano passado, uma frota de naves espaciais da NASA teve uma visão detalhada do ciclo de vida da tempestade global de poeira de 2018 que encerrou a missão do rover Opportunity. E enquanto os cientistas ainda estão a analisar os dados, dois artigos científicos publicados recentemente lançam uma nova luz sobre um fenómeno observado dentro da tempestade: torres de poeira, ou nuvens de poeira concentrada que aquecem à luz do Sol e se elevam no ar. Os cientistas pensam que o vapor de água preso a poeira pode estar a elevar-se com ela para o espaço, onde a radiação solar quebra as suas moléculas. Isto pode ajudar a explicar como a água de Marte desapareceu ao longo de milhares de milhões de anos.

As torres de poeira são nuvens massivas, rodopiantes e mais densas que sobem muito mais alto do que a poeira de fundo normal na fina atmosfera marciana. Embora também ocorram em condições normais, as torres parecem formar-se em maior número durante tempestades globais.

Uma torre começa à superfície do planeta como uma área de poeira relativamente elevada com algumas dezenas de quilómetros de largura. Quando uma torre atinge uma altura de 80 quilómetros, como observado na tempestade global de poeira de 2018, pode ter várias centenas de quilómetros de largura. À medida que a torre decai, pode formar uma camada de poeira 56 quilómetros acima da superfície com milhares de quilómetros de comprimento.

As descobertas mais recentes sobre as torres de poeira surgem da sonda MRO (Mars Reconnaissance Orbiter) da NASA, liderada pelo JPL em Pasadena, no estado norte-americano da Califórnia. Embora as tempestades de poeira globais cubram a superfície do planeta, a MRO pode usar o seu instrumento MCS (Mars Climate Sounder) com detecção de calor para espiar através da neblina. O instrumento foi construído especificamente para medir os níveis de poeira. Os seus dados, juntamente com imagens de uma câmara a bordo do orbitador chamada MARCI (Mars Context Imager), permitiram aos cientistas detectar inúmeras torres “inchadas” de poeira.

Como é que Marte perdeu a sua água?

As torres de poeira aparecem durante todo o ano marciano, mas a MRO observou algo diferente durante a tempestade de poeira global de 2018. “Normalmente, a poeira cai num dia ou mais,” disse o autor principal do artigo, Nicholas Heavens da Universidade Hampton, no estado norte-americano da Virgínia. “Mas durante uma tempestade global, as torres de poeira são renovadas continuamente durante semanas.” Em alguns casos foram vistas várias torres durante três semanas e meia.

O ritmo da actividade da poeira surpreendeu Heavens e outros cientistas. Mas especialmente intrigante é a possibilidade de as torres de poeira agirem como “elevadores espaciais” para outros materiais, transportando-os pela atmosfera. Quando a poeira transportada pelo ar aquece, cria correntes de ar que transportam gases, incluindo a pequena quantidade de vapor de água às vezes vista como nuvens finas em Marte.

Um artigo anterior liderado por Heavens mostrou que, durante uma tempestade global de poeira em 2007, as moléculas de água foram lançadas para a atmosfera superior onde a radiação solar pode decompo-las em partículas que escapam para o espaço. Isto pode ser uma pista de como o Planeta Vermelho perdeu os seus lagos e rios ao longo de milhares de milhões de anos, tornando-se no deserto gelado que é hoje.

Os cientistas não sabem dizer com certeza o que provoca as tempestades globais de poeira; estudaram menos de uma dúzia até agora.

“As tempestades globais de poeira são realmente invulgares,” disse o cientista do instrumento MCS, David Kass, no JPL. “Não temos realmente nada parecido com isto na Terra, onde o clima do planeta inteiro muda durante vários meses.”

Com tempo e mais dados, a equipa da MRO espera entender melhor as torres de poeira criadas nas tempestades globais e que papel podem desempenhar na remoção de água da atmosfera do Planeta Vermelho.

Astronomia On-line
3 de Dezembro de 2019

spacenews

 

3123: NASA simula o movimento das nuvens marcianas

CIÊNCIA

Um grupo de cientistas do Centro de Investigação Ames (ARC) da NASA, localizado no estado norte-americano da Califórnia, simulou o movimento das nuvens em Marte recorrendo a supercomputadores.

As imagens foram publicadas na passada segunda-feira no YouTube, informou a agência espacial norte-americana em comunicado. Na simulação criada pelos cientistas do ARC é possível ver como é que as nuvens de água gelada se formam para dispersarem depois consoante as estações que o Planeta Vermelho atravessa.

Na época do ano retratada na imagem acima, quando é verão no hemisfério norte de Marte, as nuvens formam-se lentamente durante a noite perto do Equador, tornando-se mais espessar logo antes do sol nascer.

A NASA observa ainda que neste cenário as nuvens dispersam rapidamente à medida que o dia aquece e voltam a formar-se ao anoitecer. É ainda possível ver na mesma imagem vários picos de Tharsis Montes, uma cadeia de vulcões que sobressaem através das nuvens, refere a agência espacial na mesma nota.

Apesar de as nuvens marcianas serem mais finas do que as terrestres, explica a NASA, estas representam um papel importante no clima de Marte, especialmente na intensidade dos seus sistemas eólicos, isto é, estas nuvens ajudam a controlar o movimento da água em torno do planeta.

As instalações de super-computação avançadas da NASA utilizadas nesta investigação fornecem aos cientistas que investigam Marte ferramentas necessárias para estudar em detalhe a atmosfera marciana, bem como as suas escalas de tempo.

A investigação pode ainda ser útil para planear futuras missões a Marte, ajudando-nos ainda a melhor compreender o nosso Sistema Solar e a evolução dos planetas.

ZAP //

Por ZAP
30 Novembro, 2019

spacenews

 

3077: ADN de tardígrados pode ajudar humanos a sobreviver em Marte

CIÊNCIA

dottedhippo / Canva

Combinarmos o ADN de tardígrados com as nossas células pode ser a solução para que consigamos sobreviver em Marte. A teoria parte do geneticista Chris Mason, da Universidade Weill Cornell, em Nova Iorque.

Os tardígrados, popularmente conhecidos como ursos de água, são seres extremófilos, capazes de sobreviver em situações extremas, no vácuo do espaço e em temperaturas abaixo de zero, sendo mesmo considerado o animal mais resistente do mundo.

Chris Mason sugere que combinar a informação genética desta criatura com células humanas pode ser uma solução para preparar os nossos astronautas para as condições que Marte oferece. O norte-americano tem dedicado grande parte da sua carreira a estudar os efeitos genéticos dos voos espaciais e como é que os seres humanos podem superar essas limitações.

Para o efeito, Mason estudou dois irmãos gémeos astronautas: Mark e Scott Kelly. Em 2015, enquanto o primeiro passou um ano na Estação Espacial Internacional, o segundo esteve no planeta Terra. Durante esse tempo, a equipa de Mason estudou as alterações biológicas de cada um nos seus respectivos ambientes.

No mês passado, durante a conferência “Human Genectics”, o geneticista conversou sobre os resultados da sua investigação e falou sobre a ideia de fazer um estudo mais abrangente para preparar da melhor forma os nossos astronautas.

Como tal, Mason explicou que os futuro astronautas podem vir a tomar medicamentos prescritos para ajudar a mitigar os efeitos que a sua equipa descobriu com a mais recente investigação. Além disso, de acordo com o Live Science, o especialista falou ainda de usar a edição de genes para tornar os humanos mais capazes de chegar a planetas como Marte.

“Se tivermos mais 20 anos de pura descoberta, mapeamento e validação funcional do que pensamos saber, talvez daqui a 20 anos, espero que possamos estar numa fase em que consigamos dizer que podemos fazer um humano que poderia sobreviver melhor em Marte”, disse Mason.

Apesar de reconhecer a controvérsia associada à manipulação de genes humanos, o professor da universidade nova-iorquina reconhece que combinar células humanas com ADN de tardígrados pode ser uma solução para que os astronautas resistam, por exemplo, à radiação.

Na sua opinião, isto é algo ao nosso alcance. “Não é se evoluímos; é quando evoluirmos“, acrescentou. Quanto à questão ética, Mason disse que se a engenharia genética tornar as pessoas mais capazes de habitar Marte de uma forma mais segura, sem interferir com a capacidade de viver na Terra, as pessoas aceitarão mais facilmente.

ZAP //

Por ZAP
23 Novembro, 2019