1795: Confirmada finalmente a existência de metano em Marte

Kevin Gill / Flickr

Um grupo independente de cientistas diz ter detectado sinais da existência de metano numa cratera em Marte.

As primeiras provas da existência dessa molécula orgânica — substâncias que têm pelo menos um átomo de carbono — em Marte foram encontradas através da Mars Express, uma sonda da Agência Espacial Europeia (ESA) enviada para a órbita do planeta em 2003. Nos últimos anos, essa existência tem sido posta em causa. Agora há mais provas a sustentá-la, diz um artigo publicado na Nature.

Este é o mais recente capítulo na saga da busca por metano em Marte, que começou em 2004 quando ESA anunciou ter encontrado quantidades pequenas de metano na atmosfera do planeta, mas que entretanto já sofreu muitas reviravoltas. A 30 de Março de 2004, a ESA confirmou a existência de uma concentração de dez partes em mil milhão de metano na atmosfera marciana.

Logo à época se conjecturou que deve haver um mecanismo que reabastece a atmosfera de metano: se assim não fosse, sobreviveria pouco tempo no ar — centenas de anos — já que oxida rapidamente para dar origem a água e dióxido de carbono.

A presença de metano num planeta despertou imediatamente o interesse dos cientistas em Terra. O metano é um composto orgânico que, na Terra, é libertado para a atmosfera quando a matéria orgânica entra em decomposição.

Encontrar metano em Marte podia significar, especulavam os cientistas à época, que o Planeta Vermelho podia ter tido vida no passado – ou, no mínimo, podia ter condições de habitabilidade.

Quando a agência europeia deu o sinal de alerta para a existência de metano no planeta aqui do lado, a NASA, que é a agência espacial norte-americana, preparou o rover Curiosity para levar até Marte um instrumento que confirmaria se havia mesmo metano por lá.

A primeira experiência aconteceu entre Outubro de 2012 e Junho de 2013, mas não deu frutos: a máquina não encontrou quaisquer concentrações de metano no planeta. Só à segunda experiência, começada em Junho de 2013, é que o Curiosity encontrou os mesmos sinais e detectou metano durante quatro meses.

Mas nem as descobertas da NASA unidas às da ESA foram suficientes para ter certezas absolutas. O rover Curiosity encontrou concentrações muito baixas de metano na segunda experiência: 0,25 partes por mil milhão durante o inverno e 0,65 partes por mil milhão no verão, com alguns picos que podiam chegar às 7 partes por mil milhão.

Isto foi o suficiente para teorizar que havia uma espécie de sistema cíclico de libertação de metano em Marte que reabastecia a atmosfera de tempos a tempos. Mas não passava de uma teoria: eram valores tão residuais que caíam nas margens de erro dos computadores. O metano até podia ter vindo da Terra a bordo do Curiosity.

O ExoMars Trace Gas Orbiter, uma sonda enviada pela ESA que chegou a Marte em 2016, não encontrou de metano no planeta desde que lá tinha chegado. No entanto, as conclusões publicadas na Nature Geoscience podem dar uma lufada de ar fresco à ideia de haver metano no Planeta Vermelho. Os cientistas encontraram a assinatura do metano nos dados recolhidos pela ExoMars em 2013. Mas isso não significa que já houve, há ou vai haver vida em Marte.

O metano em Marte pode vir de um processo que havia nos primeiros anos da Terra chamado serpentinização. Esse fenómeno acontece quando uma rocha chamada olivina, uma das primeiras a formar-se na Terra e que existe em abundância na Lua, entra em contacto com a água.

Quando isso acontece dá-se uma reacção química que liberta metano. “De acordo com tudo o que sabemos até este momento é que isso também pode ter acontecido nos primeiros anos de Marte. Que o metano ficou guardado em bolsas e que agora é libertado, de tempos a tempos, para a atmosfera”, explica Joana Lima, astro-bióloga no Centro de Astrobiologia de Madrid ao Observador.

Na Terra, este processo de “serpentinização” esteve na origem da vida no nosso planeta: “A serpentinização ajudou à formação da vida em Terra. A primeira forma de vida foi unicelular. Eram ciano-bactérias que usavam o metano para gerar energia. E era assim porque o metano é uma molécula muito simples, extremamente fácil de quebrar por microorganismos. Não precisavam de ser muito evoluídos”, conclui.

ZAP //

Por ZAP
2 Abril, 2019

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1674: Encontrados indícios de antigo e enorme sistema de água subterrânea em Marte

Goddard Space Center / NASA

Com a sonda Mars Express, a ESA anunciou a descoberta de uma evidência mostrando que Marte, há muito tempo, tinha um enorme sistema de água subterrânea.

Recentemente, a agência divulgou imagens que mostravam sinais de actividades hídricas na superfície do planeta.

A descoberta da vez foi publicada no Journal of Geophysical Research: Planets, tendo os investigadores da missão explicado que encontraram, em 24 crateras profundas no hemisfério norte de Marte, a primeira evidência geológica de um sistema interligado de água abaixo da superfície.

Tais reservatórios subterrâneos de água devem ter abrigado minerais essenciais para a existência de vida, com cada uma das crateras observadas descendo a cerca de quatro mil metros abaixo do “nível do mar” marciano, contendo evidências de que em Marte havia piscinas naturais e fluxos de água que mudaram ao longo do tempo, incluindo canais e vales, além de depósitos de sedimentos.

Em cinco das 24 crateras em questão, foi detectada uma série de argilas, carbonatos e silicatos, elementos que estão intimamente ligados ao surgimento da vida na Terra, o que sustenta ainda mais a teoria de que Marte, tal qual aconteceu no nosso planeta, já teve as componentes e condições necessárias à vida.

ESA
Bacia profunda encontrada em Marte

“No início, Marte era um mundo aquático, mas quando o clima do planeta mudou, essa água recuou abaixo da superfície para formar poços e águas subterrâneas”, disse Francesco Salese, principal autor do estudo.

Para os investigadores, a descoberta mostra que Marte, há cerca de 3,5 mil milhões de anos, abrigava um oceano. “Achamos que esse oceano poderia estar ligado a um sistema de lagos subterrâneos que se espalhavam por todo o planeta”, completa Gian Gabriele Ori, co-autor do documento.

Dmitri Titov, cientista da ESA que faz parte da missão Mars Express, explica que “descobertas como esta são extremamente importantes pois ajudam a identificar as regiões de Marte que são as mais promissoras para encontrar sinais de vidas que existiram no passado”. A ESA enviará, no ano que vem, o rover Franklin como parte da missão ExoMars para explorar a superfície marciana em busca de bioassinaturas, em parceria com os russos da Roscosmos.

ZAP // Canal Tech

Por CT
7 Março, 2019

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1665: Primeira evidência de sistema global de águas subterrâneas em Marte

Exemplo de características identificadas numa bacia profunda em Marte que mostram que pode ter sido influenciada por água há milhares de milhões de anos. Clique aqui para ver versão anotada e mais informações.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/MSSS

A Mars Express revelou a primeira evidência geológica de um sistema de antigos lagos interligados situados por baixo da superfície do Planeta Vermelho, cinco dos quais podem conter minerais cruciais para a vida.

Marte parece ser um mundo árido, mas a sua superfície mostra sinais convincentes de que grandes quantidades de água já existiram por todo o planeta. Nós vemos características que só podem ter sido formadas por água – canais e vales, por exemplo – e, no ano passado, a Mars Express detectou um reservatório de água líquida sob o pólo sul do planeta.

Um novo estudo revela agora a extensão de água subterrânea no passado de Marte, que anteriormente era apenas prevista pelos modelos.

“Marte já foi um mundo com água, mas à medida que o clima do planeta mudava, a água recuou para baixo da superfície e formou poços e ‘águas subterrâneas’, diz o autor principal Francesco Salese, da Universidade de Ultrecht, nos Países Baixos.”

“Nós rastreámos esta água no nosso estudo, já que a sua escala e papel são uma questão em debate, e encontrámos a primeira evidência geológica de um sistema de águas subterrâneas em Marte.”

Salese e colegas exploraram 24 crateras profundas e fechadas no hemisfério norte de Marte, com pisos cerca de 4000 metros por baixo do “nível do mar” marciano (um nível que, dada a ausência de mares no planeta, é arbitrariamente definido em Marte com base na elevação e pressão atmosférica).

Eles encontraram características no chão dessas crateras que só podem ter sido formadas na presença de água. Muitas crateras contêm múltiplas características, todas a profundidades entre os 4000 e 4500 metros – indicando que algumas destas crateras já contiveram reservatórios e fluxos de água que mudaram e recuaram ao longo do tempo.

As características incluem canais gravados nas paredes das crateras, vales esculpidos pela água subterrânea, deltas curvos e escuros que se pensa terem sido formados à medida que os níveis de água subiram e desceram, “terraços” acidentados nas paredes das crateras formados por água parada e depósitos de sedimentos em forma de leque associados a fluxos de água.

O nível de água está alinhado com as linhas costeiras propostas de um oceano marciano que se pensa ter existido em Marte há 3-4 mil milhões de anos atrás.

“Nós pensamos que este oceano pode estar ligado a um sistema de lagos subterrâneos espalhados por todo o planeta,” acrescenta o coautor Gian Gabriele Ori, director da Escola Internacional de Pesquisa de Ciências Planetárias da Università D’Annunzio, Itália.

“Estes lagos teriam existido há aproximadamente 3,5 mil milhões de anos, de modo que podem ter sido contemporâneos de um oceano marciano.”

A história da água em Marte é complexa e está intrinsecamente ligada a entender se a vida alguma vez surgiu ou não – e, em caso afirmativo, onde, quando e como o fez.

A equipa também avistou sinais de minerais em cinco das crateras que estão ligados com a origem da vida na Terra: várias argilas, carbonatos e silicatos. A descoberta suporta a ideia de que estas bacias em Marte podem ter tido os ingredientes para albergar vida. Além disso, eram as únicas bacias profundas o suficiente para cruzar com a parte saturada de água da crosta de Marte durante longos períodos de tempo, com evidências talvez ainda hoje enterradas nos sedimentos.

A exploração de locais como estes pode, portanto, revelar as condições adequadas para vida passada e, assim sendo, são altamente relevantes para missões astrobiológicas como a ExoMars – um esforço conjunto da ESA e da Roscosmos. Embora o ExoMars TGO (Trace Gas Orbiter) já esteja a estudar Marte a partir de órbita, a próxima missão será lançada no ano que vem. É composta por um rover – recentemente baptizado com o nome Rosalind Franklin – e por uma plataforma científica de superfície e vai explorar locais marcianos considerados essenciais na busca de sinais de vida em Marte.

“Descobertas como esta são extremamente importantes; ajudam-nos a identificar as regiões de Marte que são mais promissoras para encontrar sinais de vida passada,” diz Dmitri Titov, cientista do projecto Mars Express da ESA.

“É especialmente emocionante que uma missão tão frutífera no Planeta Vermelho, a Mars Express, seja agora fundamental para ajudar futuras missões como a ExoMars a explorar o planeta de uma maneira diferente. É um óptimo exemplo de missões que trabalham juntas com grande sucesso.”

Astronomia On-line
5 de Março de 2019

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1630: Detectada uma rede ancestral de rios que fluía em Marte

ESA

Novas imagens da Mars Express da ESA mostram um belo exemplo de uma rede de rios secos em Marte, um sinal de que a água fluía na superfície do Planeta Vermelho.

Trata-se de um sistema de vales nas terras altas do sul de Marte, localizado a este da cratera gigante conhecida como Huygens e a norte de Hellas, a maior bacia do planeta.

Com entre 3500 e 4500 milhões de anos de idade, as terras altas do sul são algumas das partes mais antigas e com mais crateras de Marte, onde se observam muitos sinais ancestrais de fluxo de água.

A topografia desta região sugere que a água fluía costa abaixo desde o norte, formando vales de até dois quilómetros de largura e 200 metros de profundidade. Estes vales estão patentes hoje, mesmo após ter sofrido uma erosão significativa desde que se formaram. A erosão é visível em forma de bordas de vales quebradas, amolecidas, fragmentadas e dissecadas, especialmente em vales que se estendem de leste a oeste.

Este tipo de estrutura dentrítica também é observado em sistemas de drenagem na Terra. Um exemplo particularmente bom é o rio Yarlung Tsangpo, que serpenteia desde a sua nascente no Tibete ocidental através da China, Índia e Bangladesh.

No caso desta imagem de Marte, divulgada pela ESA, estes canais de ramificação provavelmente foram formados pelo escoamento de água da superfície de um rio, combinado com uma grande quantidade de chuva.

Acredita-se que este fluxo tenha cruzado o terreno existente em Marte, forjando novas estradas e esculpindo uma nova paisagem.

Em geral, o sistema de vales parece ramificar-se significativamente, formando um padrão parecido com ramos de árvores que vêm de um tronco central. Este tipo de morfologia é conhecido como “dendrítico”: o termo deriva da palavra grega para árvore (dendron). Vários canais separam-se do vale central, formando pequenos afluentes que frequentemente se dividem novamente.

Contudo, desconhece-se a origem de toda a água, estando entre as possibilidades a precipitação, os lençóis freáticos e/ou o derretimento de glaciares. Porém, todas estas opções exigiriam um passado muito mais quente e aquático de Marte do que o planeta que vemos hoje.

ZAP // Europa Press

Por ZAP
24 Fevereiro, 2019

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1064: NASA observa movimentos tectónicos recentes em Marte

ESA
Sistema de falhas Cerberus Fossae

A sonda Mars Express da NASA observou fissuras proeminentes em Marte causadas devido à acção de falhas tectónicas que atingiram a superfície do planeta há menos de dez milhões de anos.

As imagens foram capturadas pela Mars Express no dia 2018 de Janeiro e foram agora publicadas pela agência espacial norte-americana. As fotografias foram tiradas perto do sistema de falhas Cerberus Fossae, na região Elysium Planitia, no equador marciano.

Depois de Tharsis Montes, Elysium Planitia é a segunda zona vulcânica mais extensa do Planeta Vermelho. Estas “fossas” estendem-se desde de o noroeste ao sudeste do planeta, em mais de mil quilómetros.

As fissuras observadas pela sonda passam por crateras e colinas de impacto, além de planícies vulcânicas com mais de dez milhões de anos, indicando que se trata de uma formação relativamente recente, nota a Europa Press.

A largura das fissuras encontradas é variável, indo de algumas dezenas de metros a mais de um quilómetro. Os especialistas acreditam que estas se tenham formado pela acção das falhas tectónicas que dividem as camadas superiores de Marte.

De acordo com a ESA, estas falhas geológicas podem estar associadas com injecções de lava no solo, que terão deformado a superfície e poderão ser oriundas do trio de vulcões localizado a noroeste.

ESA

Os “poços” de colapso arredondados observados a norte (à direita na imagem acima) indicam uma fase inicial de subsidência da superfície – movimento de uma superfície para baixo. Noutros lugares da superfície de Marte foram detectadas formações arredondadas que se conectam, dando origem a falhas mais longas.

Os cientistas que exploram e estudam a região especulam que as fracturas podem vir a abrir a crosta do planeta a uma determinada profundidade, o que permitiria a expulsão de água ou lava para a superfície.

ZAP //

Por ZAP
23 Setembro, 2018

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799: Descoberto um enorme lago de água líquida salgada em Marte

ESA / DLR / FU BERLIN
O Polo Sul de Marte esconde um gigantesco lago de água salgada

Marte “esconde” um vasto lago de água salgada sob uma camada de gelo no seu Polo Sul. Investigadores italianos anunciaram que pela primeira vez têm provas da presença de água liquida no Planeta Vermelho.

Sinais recolhidos durante três anos pelo radar da sonda europeia Mars Express indiciam a presença de um lago em Marte muito semelhante aos grandes lagos de água líquida encontrados debaixo do gelo da Antárctida e da Gronelândia, aponta um novo estudo publicado esta quarta-feira na revista Science.

“Foram anos de debate e investigação, ficamos anos a discutir se isso era mesmo possível. Mas agora podemos dizer: descobrimos água em Marte“, disse o astrónomo Roberto Orosei, investigador da Universidade de Bolonha e autor principal do estudo.

De acordo com a equipa de cientistas que conduziu a investigação, o lago marciano terá cerca de 20 quilómetros de largura e estará a 1,5 quilómetros da superfície, não sendo ainda possível calcular o volume total da água.

“Esta descoberta traz novas possibilidades para a busca de micro-organismos no ambiente marciano”, disse Elena Pettinelli, investigadora da Universidade de Roma, citada pelo jornal espanhol La Vangardia.

Actualmente, Marte é um planeta frio, deserto e árido, mas no passado, há pelo menos 3,6 mil milhões de anos, foi quente e húmido e tinha água líquida e lagos.

Os investigadores não descartam a possibilidade de ser encontrado um “depósito biológico”, uma vez que algumas bactérias podem sobreviver a baixas temperaturas e graças a substâncias salinas.

A procura de vestígios de água líquida em Marte tem sido uma meta incessante da comunidade científica, pois a água neste estado é uma condição essencial para a existência de vida tal como se conhece.

Em 2007, a sonda Mars Express já tinha confirmado a existência de água em Marte, perto do Polo Sul. Mais recentemente, em 2015, um estudo publicado na revista Nature Geoscience concluiu que as linhas escuras que aparecem sazonalmente na superfície de Marte correspondem a água líquida salobra que flui pelas encostas do planeta.

A conclusão suporta-se na análise de imagens recolhidas pela sonda norte-americana Mars Reconnaissance Orbiter.

Apesar de inóspito, Marte é considerado o planeta do Sistema Solar mais parecido com a Terra. Estruturas geológicas demonstram que, há muito tempo, água líquida abundava na superfície do ‘planeta vermelho’. Num passado remoto, advogam os cientistas, o planeta teve um oceano maior do que o Árctico.

ZAP // Lusa / BBC

Por ZAP
25 Julho, 2018

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470: CRATERA DE IMPACTO OU SUPERVULCÃO EM MARTE?

Esta imagem foi captada no dia 1 de janeiro de 2018 pela Câmara de Alta Resolução da Mars Express da ESA e mostra uma cratera chamada Ismenia Patera.
A cratera está situada em Arábia Terra, uma parte interessante da superfície de Marte que se pensa ter tido significativa actividade vulcânica. Os cientistas não têm a certeza de como Ismenia Patera se formou; poderá ter sido o resultado da colisão de um meteorito ou os restos colapsados de um antigo super-vulcão colapsado.
Crédito: ESA/DLR/FU Berlin

Estas imagens da sonda Mars Express da ESA mostram uma cratera, denominada Ismenia Patera, no Planeta Vermelho. A sua origem permanece incerta: um meteorito atingiu a superfície ou poderia ser o remanescente de um super-vulcão?

Ismenia Patera – patera que significa “bacia plana” em latim – fica na região da Arábia Terra, em Marte. Esta é uma área de transição entre as regiões norte e sul do planeta – uma parte da superfície especialmente intrigante.

A topografia de Marte é claramente dividida em duas partes: as planícies do norte e as terras altas do sul, esta última com até alguns quilómetros de altura. Esta divisão é um tema-chave de interesse para os cientistas que estudam o Planeta Vermelho. Ideias de como esta divisão dramática se formou sugerem um único impacto massivo, múltiplos impactos ou placas tectónicas antigas, como observado na Terra, mas a sua origem ainda não está clara.

Ismenia Patera tem cerca de 75 km de diâmetro. O seu centro é cercado por um anel de colinas, blocos e pedaços de rocha que se acredita terem sido ejectados e lançados para a cratera por impactos próximos.

O material lançado por esses eventos também criou pequenas quedas e depressões que podem ser vistas dentro da própria Ismenia Patera. Fossas e canais serpenteiam da borda da cratera até ao fundo, que se encontra coberto por depósitos planos e gelados, que mostram sinais de fluxo e movimento – estes são provavelmente semelhantes a glaciares rochosos e ricos em gelo, que se acumularam ao longo do tempo, no frio e árido clima.

Estas imagens foram obtidas no dia 1 de Janeiro pela câmara estéreo de alta resolução da Mars Express, que circunda o planeta desde 2003.

Tais imagens detalhadas e de alta resolução lançam luz sobre vários aspectos de Marte – por exemplo, como as características que deixaram marcas na superfície se formaram inicialmente e como evoluíram ao largo dos muitos milhões de anos desde então. Esta é uma questão-chave para Ismenia Patera: como se formou esta depressão?

Existem duas ideias principais para a sua formação. Uma delas associa-se a um potencial meteorito que colidiu com Marte. Depósitos sedimentares e gelo fluíram, então, para encher a cratera, até desmoronar para formar a paisagem desigual e fissurada hoje observada.

A segunda ideia sugere que, em vez de uma cratera, Ismenia Patera já foi o lar de um vulcão que entrou em erupção catastrófica, lançando enormes quantidades de magma ao seu redor e colapsando como resultado.

Vulcões que perdem grandes quantidades de material numa única erupção são denominados super-vulcões. Os cientistas continuam indecisos sobre se existiram ou não em Marte, mas o planeta é conhecido por abrigar inúmeras estruturas vulcânicas enormes e imponentes, incluindo o famoso Monte Olimpo – o maior vulcão já descoberto no Sistema Solar.

Arábia Terra também mostra sinais de ser a localização de uma província vulcânica antiga e há muito inactiva. Na verdade, outro candidato a super-vulcão, Siloé Patera, também se encontra em Arábia Terra (visto na visão em contexto de Ismenia Patera).

Certas propriedades das características de superfície observadas em Arábia Terra sugerem uma origem vulcânica: por exemplo, as suas formas irregulares, o baixo relevo topográfico, as suas bordas relativamente elevadas e a aparente falta de material ejectado que, normalmente, estaria presente ao redor de uma cratera de impacto.

No entanto, algumas destas características e formas irregulares também podem estar presentes em crateras de impacto, que simplesmente evoluíram e interagiram com o seu ambiente de maneiras específicas ao longo do tempo.

Mais dados sobre o interior e sub-superfície de Marte ampliarão a nossa compreensão e lançarão luz sobre estruturas como Ismenia Patera, revelando mais sobre a complexa e fascinante história do planeta.

Astronomia On-line
17 de Abril de 2018

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453: EXOMARS PRONTO PARA COMEÇAR MISSÃO CIENTÍFICA

Impressão de artista do TGO do programa ExoMars em Marte.
Crédito: ESA/ATG medialab

O orbitador ExoMars começará em breve a sua busca por gases que possam estar ligados a actividades geológicas ou biológicas activas no Planeta Vermelho.

O TGO (Trace Gas Orbiter) chegou à sua órbita final depois de um ano de “aero-travagem” que terminou em fevereiro. Esta operação emocionante levou a nave a “raspar” o topo da atmosfera superior, usando arrasto nas suas asas solares para transformar a sua órbita inicial altamente elíptica de quatro dias (mais ou menos 200 por 98.000 km) numa órbita final muito mais baixa e quase circular a cerca de 400 km.

Circula agora Marte a cada duas horas e, após a calibração e instalação de novo software, começará a realizar observações científicas de rotina.

“Este é um marco importante para o nosso programa ExoMars e uma conquista fantástica para a Europa,” comenta Pia Mitschdoerfer, gerente da missão TGO.

“Chegámos a esta órbita pela primeira vez através de aero-travagem e com o orbitador mais pesado já enviado para o Planeta Vermelho, pronto para começar a procurar sinais de vida a partir de órbita.”

“Começaremos a nossa missão científica daqui a um par de semanas e estamos extremamente empolgados com o que as primeiras medições vão revelar,” afirma Håkan Svedhem, cientista do projecto do orbitador.

“Temos a sensibilidade para detectar gases raros em proporções minúsculas, com o potencial de descobrir se Marte é ainda hoje activo – biologicamente ou geologicamente falando.”

O objectivo principal é fazer um inventário detalhado dos gases menos abundantes – aqueles que perfazem menos de 1% do volume total da atmosfera do planeta. Em particular, a nave vai procurar evidências de metano e de outros gases que podem ser assinaturas de actividade activa biológica ou geológica.

Na Terra, os organismos vivos libertam a grande parte do metano do planeta. É igualmente o principal componente dos reservatórios de gás natural de hidrocarbonetos, e parte da contribuição é também fornecida pela actividade vulcânica e hidrotermal.

Espera-se que o metano em Marte tenha uma vida útil bastante curta – cerca de 400 anos – porque é decomposto pela luz ultravioleta do Sol. Também reage com outros elementos na atmosfera e está sujeito a mistura e dispersão por ventos. Isto significa que, se detectado hoje, provavelmente foi criado ou libertado de um reservatório antigo há relativamente pouco tempo.

Foram sugeridas possíveis detecções de metano pela Mars Express da NASA e, mais recentemente, pelo rover Curiosity da NASA, mas ainda são objecto de muitos debates.

O orbitador TGO pode detectar e analisar o metano e traços de outros gases mesmo em concentrações extremamente baixas, com uma precisão melhorada de três ordens de grandeza em relação a medições anteriores. Também será capaz de ajudar a distinguir entre as diferentes possíveis origens.

Os quatro instrumentos farão medições complementares da atmosfera, superfície e sub-superfície. A sua câmara vai ajudar a estudar características à superfície que podem estar relacionadas com fontes de gases.

Os seus instrumentos também vão procurar água gelada escondida logo abaixo da superfície, o que, juntamente com potenciais fontes de gases, pode guiar a escolha para locais de aterragem de futuras missões.

Também vai começar a ajudar às transmissões dos rovers Opportunity e Curiosity da NASA, antes da chegada do “lander” InSight da agência espacial lá mais para o fim do ano, e do rover e plataforma de ciência ExoMars em Março de 2021.

Os testes preliminares com os rovers da NASA foram levados a cabo em Novembro de 2016, logo após a chegada do satélite a Marte. Eventualmente, fornecerá várias retransmissões de dados por semana.

O programa ExoMars é um esforço conjunto entre a ESA e a Roscosmos.

Astronomia On-line
10 de Abril de 2018

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