524: Astrónomo português investiga sinais do misterioso Planeta X em tapeçarias medievais

Queen’s University Belfast
O astrónomo português Pedro Lacerda e a investigadora italiana Marilina Cesario, junto a uma reprodução da Tapeçaria de Bayeux que mostra o Cometa Halley em 1066

O astrónomo português Pedro Lacerda integra uma investigação, no Reino Unido, que procura pistas sobre o misterioso Planeta X em pergaminhos e tapeçarias medievais. O investigador da Queen´s University, em Belfast, na Irlanda do Norte, explica ao ZAP os detalhes desta pesquisa.

O misterioso Planeta X ou Planeta 9, como é também conhecido, é uma mera hipótese, não havendo provas da sua existência.

Há cientistas que defendem que este planeta que será gelado e gigante, com 10 vezes a massa da Terra, será o responsável por algumas das forças gravitacionais do Cinturão de Kuiper, onde se acredita que têm origem os chamados cometas de período curto (os que se verificam com espaçamentos de até 200 anos).

É na busca por este enigmático Planeta X que o astrónomo português Pedro Lacerda está empenhado numa investigação realizada no Reino Unido, enquanto professor auxiliar do Departamento de Matemática e Física da Queen’s University em Belfast, em parceria com a especialista em Língua Anglo-Saxónica (o Inglês antigo), Marilina Cesario, docente italiana da mesma Universidade.

Os dois investigadores procuram pistas sobre o Planeta X em pergaminhos e tapeçarias medievais, cruzando os registos de cometas assinalados nesses documentos históricos com os dados actuais da NASA e de outras fontes.

Pedro Lacerda explica ao ZAP que, através de “simulações de computador”, consegue seguir até ao passado “centenas de cometas”, com “órbitas bem caracterizadas actualmente”, para “estimar em que datas estariam visíveis nos céus”.

As datas apuradas são depois comparadas com os registos detectados por Marilina Cesario na chamada Crónica Anglo-Saxónica, os escritos medievais de entre os Séculos IX e XI.

As simulações, nota Pedro Lacerda, “podem incluir ou não o hipotético Planeta X ou 9. A inclusão muda ligeiramente as datas em que os cometas seriam visíveis, e a comparação com as observações poderá porventura oferecer suporte ou ajudar a rejeitar a teoria do Planeta X”, explica o astrónomo português.

“Para já, não há certezas nem contra nem a favor da existência do planeta”, diz o astrónomo português, realçando que a investigação é condicionada pela imprevisibilidade dos cometas e que, “portanto, a maior parte dos cálculos estarão errados”.

“Ou porque o cometa decidiu não desenvolver uma cauda em determinada visita, permanecendo invisível, ou porque a sua órbita foi desviada do meu cálculo devido aos jactos que dão origem às caudas”, acrescenta.

Deste modo, serão “necessários muitos cometas e muitas observações para que, embora a maioria contenha erros, a média nos leve a bom porto”, refere o investigador português.

Queen’s University Belfast
Pedro Lacerda e Marilina Cesario junto a um dos pergaminhos medievais que fazem parte da investigação.

Apoio das principais academias científicas britânicas

O projecto de investigação é financiado pelo Prémio APEX (Academies Partnership in Supporting Excellence in Cross-Disciplinary Research) que foi criado pelas principais academias científicas britânicas – a Royal Society, a British Academy e a Royal Society de Engenharia – para promover pesquisas interdisciplinares.

O financiamento estende-se desde Setembro de 2017 a Março de 2019, mas Pedro Lacerda acredita que vão “precisar de mais tempo e de mais fontes” para chegar a conclusões.

A investigação foi seleccionada para ser apresentada em Londres, no primeiro Festival de Verão da British Academy, que se vai realizar entre 21 e 23 de Junho, como “um dos melhores projectos de pesquisa financiados no Reino Unido”, segundo comunicado da Queen´s University.

Mas, a título de “aperitivo”, Pedro Lacerda e Marilina Cesario inauguraram, neste mês, uma exposição alusiva à investigação no Museu do Ulster, em Belfast.

Até 3 de Junho, quem passar pela capital da Irlanda do Norte pode fazer uma “viagem cósmica desde a primeira descrição contemporânea de um cometa, em Inglaterra, no ano 891, sob o período de Alfredo O Grande, até ao avistamento do cometa em tom verde-nebuloso Lovejoy em 2013″, como aponta a Queen´s University na nota sobre a exposição.

Enquanto isso, Pedro Lacerda e Marilina Cesario vão continuar a procurar o fugidio Planeta X. E é certo que “quaisquer indicações” que apontem para a sua existência terão “um impacto notável no nosso conhecimento sobre o Sistema Solar“, conclui o astrónomo português.

SV, ZAP //

Por SV
9 Maio, 2018

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