2894: Os Neandertais fabricavam cola para reparar as suas ferramentas (mas não se sabe como)

CIÊNCIA

(h) Rijksmuseum van Oudheden

Uma ferramenta de pedra revestida de alcatrão de bétula encontrada no fundo do Mar do Norte mostra que os Neandertais conseguiram desenvolver tecnologias mais avançadas do que alguns antropólogos acreditavam.

Há 50 mil anos, o Mar do Norte era uma vasta planície, mas com glaciares que cobriam a maior parte da Grã-Bretanha. A maior parte dos fósseis deixados para trás permaneceu sob as ondas e não podemos aceder-lhes.

No entanto, como parte de uma tentativa de escoar a praia de Zandmotor, na Holanda, em 2011, foi encontrada uma ferramenta de pedra entre a areia despejada. A pedra em si não é incomum, mas é o alcatrão que a cobre que é revelador, de acordo com Marcel Niekus, da Fundação para a Pesquisa da Idade da Pedra.

A datação por carbono revela que o alcatrão deve ter pelo menos 47 mil anos. Pensa-se que o alcatrão terá sido usado como adesivo, anexando ferramentas de pedra a hastes de madeira de lanças ou machados para torná-los mais fortes. Também pode ter sido usado para ser mais fácil para o utilizador segurar na ferramenta.

Fazer alcatrão, no geral, não foi fácil. Não se sabe exactamente como é que os neandertais o fabricaram, mas três métodos considerados possibilidades requerem a recolha de enormes quantidades de casca para produzir quantidades muito pequenas de cola. Um quarto método é muito mais eficiente, mas também mais complexo e sofisticado.

Mesmo o método mais simples de produção de alcatrão requer uma “instalação hierarquicamente organizada em três níveis, com componentes diferentes criados para funcionar juntos”, de acordo com o artigo publicado em Setembro na revista especializada Proceedings of the National Academy of Sciences.

A dureza das condições na área significava que os fabricantes de alcatrão deveriam ter-se mudado com frequência para evitar o uso excessivo dos recursos locais. Pela mesma razão, a área terá sido escassamente povoada.

Como os neandertais não podiam andar longas distâncias tão facilmente como os humanos modernos, as oportunidades de partilhar ideias e desenvolver o tipo de tecnologias que exigem muitos avanços, em vez de serem o produto de um único génio, seriam limitadas.

Tanto a alta densidade populacional como a ocupação de longo prazo foram propostas como recursos necessários para tecnologias complexas, mas esse achado refuta os dois, além de aumentar a evidência de que os neandertais eram semelhantes aos humanos em criatividade e inteligência.

Recentemente, foi divulgado que os neandertais usavam resina para colar ferramentas de pedra a cabos feito de madeira ou osso. Essa descoberta teve como base cavernas em Itália. Os testes mostraram que as ferramentas encontradas foram revestidas com resina de pinheiros, tendo algumas sido misturadas com cera produzida por abelhas.

ZAP //

Por ZAP
24 Outubro, 2019

 

2130: Cientistas perto de encontrar uma Atlântida três vezes maior que Portugal

A existência de Doggerland já era conhecida, mas apenas como uma opção para empresas petrolíferas à procura de combustíveis fósseis. Contudo, cientistas encontraram agora vestígios da presença de humanos no Mar do Norte.

Atlântida é uma lendária ilha ou continente, cuja primeira menção foi em algumas obras de Platão. Nestes contos, o filósofo grego explica que após uma tentativa falhada de invadir Atenas, Atlântida afundou no oceano. Alguns historiadores acreditam que Platão se inspirou em acontecimentos verídicos para escrever a sua história e que, de facto, Atlântida existiu mesmo.

Não foi a Atlântida que os cientistas descobriram, mas foram encontrados vestígios de uma civilização antiga presentes no Mar do Norte, situado entre o Reino Unido, a Dinamarca e a Noruega. Nesse espaço foi encontrada uma floresta fossilizada que pode provar a presença de humanos mesolíticos de há 10 mil anos.

“Estamos absolutamente certo de que estamos muito perto de encontrar vestígio de presença humana”, disse Vincent Gaffney, da Universidade de Bradford, no Reino Unido.

Segundo o All That’s Interesting, a expedição que encontrou os vestígios no Mar do Norte não é única, mas foi a primeira que priorizou a descoberta da presença humana no centro do Mar do Norte.

mwmbwls / Flickr
Doggerland, no Mar do Norte

Os arqueólogos calculam que Doggerland teria praticamente três vezes o tamanho de Portugal. A teoria é que os humanos caçadores-colectores se mudaram para lá devido às mudanças de estações. Com a subida do nível da água do mar, que acabou por inundar a região, estes humanos foram obrigados a vir para terrenos mais altos.

“As melhores áreas são as zonas húmidas, onde há água, pássaros, peixes e crustáceos”, disse Gaffney. Os vestígios de turfa encontrados pelos cientistas provam que estas era zonas bastante húmidas.

ZAP //

Por ZAP
7 Junho, 2019



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