4042: Cientistas criaram o maior mapa 3D do Universo

CIÊNCIA/ASTROFÍSICA/ASTRONOMIA

Keystone / NASA, ESA and STSCI
Nebulosa gigante NGC 2014 e o vizinho NGC 2020

Na segunda-feira, dia 20 de Julho, o Sloan Digital Sky Survey (SDSS) divulgou o maior mapa 3D do Universo, um trabalho que preenche lacunas significativas na exploração da história do Cosmos.

A história antiga do Universo, assim como a sua história recente de expansão, é conhecida, “mas há uma lacuna problemática de cerca de 11 mil milhões de anos”, explicou o cientista Kyle Dawson, da Universidade de Utah, nos Estados Unidos. Tomando esta constatação como ponto de partida, a sua equipa trabalhou arduamente durante cinco anos para preencher este vazio.

Os novos resultados são provenientes do Estudo Espectroscópico de Oscilação Bariátrica Estendida (eBOSS), uma colaboração internacional de mais de 100 astrofísicos. No centro dos novos resultados estão medidas detalhadas de mais de dois milhões de galáxias e quasares que cobrem 11 mil milhões de anos de tempo cósmico.

“Juntas, análises detalhadas do mapa do eBOSS e experiências anteriores do SDSS forneceram medições mais precisas do histórico de expansão na mais ampla faixa de tempo cósmico”, explicou Will Percival, da Universidade de Waterloo, em comunicado. “Os estudos permitem-nos interligar medidas na história completa da expansão do Universo.”

Este mapa 3D é o esforço de mais de 20 anos de mapeamento do Universo. A história cósmica, agora contada por este mapa, revela que a expansão do Universo começou a acelerar há cerca de seis mil milhões de anos e, desde então, o processo é cada vez mais rápido.

A expansão acelerada parece dever-se a um misterioso componente invisível do Universo, conhecido como “matéria escura“, consistente com a Teoria Geral da Relatividade de Einstein, mas extremamente difícil de conciliar com o entendimento actual da física de partículas.

O valor da taxa de expansão actual do Universo (a Constante de Hubble) da equipa do eBOSS é, aproximadamente, 10% mais pequeno do que o valor calculado através das distâncias das galáxias próximas. A alta precisão dos dados do eBOSS significa que é improvável que esta incompatibilidade ocorra por acaso.

“Só com mapas como o nosso se pode afirmar, com certeza, que há uma incompatibilidade na Constante de Hubble”, declarou Eva-Maria Mueller, da Universidade de Oxford, citada pelo EurekAlert.

Ainda não existe uma explicação para esta discrepância das taxas de expansão, mas há uma possibilidade que os cientistas consideram interessante: uma forma de matéria ou energia do Universo primitivo pode ter deixado um rasto na nossa história.

ZAP //

Por ZAP
24 Julho, 2020

 

spacenews

 

2418: Cientistas traçaram o mapa 3D “mais real” da Via Láctea

CIÊNCIA

Uma equipa de cientistas polacos diz ter criado o mapa tridimensional da Via Láctea mais completo até hoje traçado. 

O modelo 3D baseia-se em observações de 2.431 estrelas pulsantes Cefeidas, que são considerados pontos de referência perfeitos para os astrónomos, realizados no âmbito do ORL (Gravitational Optical Lens Experiment) da Universidade de Varsóvia, na Polónia.

“As cefeidas são ideais para estudar a estrutura da Via Láctea, uma vez que mantêm uma relação entre o seu período de pulsação e a sua luminosidade, o que significa que podemos medir o seu brilho intrínseco de acordo com seu período”, explicou a líder do estudo, Dorota Skowron, citada pelo portal Gizmodo. Segundo explicou, o método permite ainda medir distâncias entre corpos celestes com grande exactidão.

Por tudo isto, sustenta, o novo modelo, que simula quase todo o hemisfério da Via Láctea, é mais preciso do que era nas visualizações anteriores, que perderam a confiabilidade em distâncias superiores entre 10.000 a 15.000 anos-luz.

A investigação, cujos resultados foram esta semana publicados na revista científica Science, trouxe ainda uma conclusão inesperada relacionada com o grau de torção do disco estelar da Via Láctea. Embora já se soubesse que o disco da nossa galáxia não é plano, as novas observações mostram que a Via Láctea tem a forma de um “S”, curvando-se mais do que se pensava até então.

“O nosso mapa mostra que o disco da Via Láctea não é plano. É distorcido e enrolado”, apontou o co-autor do estudo Przemek Mroz, citado pelo IFL Science. “Esta é a primeira vez que conseguimos utilizar objectos individuais para mostrá-lo em três dimensões”.

“Se pudéssemos observar a nossa galáxia lateralmente, veríamos claramente a sua curvatura. As estrelas que estão a 60.000 anos-luz do centro da Via Láctea estão a 5.000 anos-luz acima ou abaixo do plano galáctico”, disse Skowron.

Os cientistas descobriram ainda que a espessura do disco estelar não é constante. “Este é o mapa mais ‘real’ da Via Láctea”, rematou a cientista.

ZAP //

Por ZAP
8 Agosto, 2019