2614: Descoberto um novo segredo sobre os Manuscritos do Mar Morto

CIÊNCIA

(dr) The Israel Museum
Detalhe do primeiro dos Manuscritos do Mar Morto, encontrado em 1947

Há novos detalhes sobre o Pergaminho do Templo, o maior dos Manuscritos do Mar Morto, descobertos em meados do século XX.

Os investigadores encontraram uma variedade de sais usados exclusivamente neste texto que favoreceu a sua conservação durante mais de 2.000 anos.

O pergaminho, de oito metros de comprimento, atraiu a atenção dos arqueólogos pela sua excecional magreza e cor de marfim brilhante. De acordo com o estudo, publicado este mês na revista especializada Applied Sciences And Engineering, o rolo possui uma estrutura em camadas que consiste num material à base de colágeno e outra camada inorgânica atípica de sulfatos e outros minerais descobertos após a recente análise química.

Os autores do estudo apontam para “uma tecnologia de fabricação antiga única”, na qual este pergaminho foi modificado adicionando uma camada inorgânica como superfície de escrita. Os resultados da investigação resolvem o mistério que, durante anos, ninguém conseguiu explicar: por que razão o documento é tão diferente dos outros e, apesar de encontrado no mesmo local, conseguiu sobreviver em melhores condições.

Além disso, o entendimento dos minerais utilizados é de grande importância no “desenvolvimento de métodos de conservação apropriados para a preservação desses valiosos documentos históricos”, acrescentam os especialistas.

Os textos, também conhecidos como Rolls of Qumran, são uma colecção de milhares de fragmentos de mais de 900 manuscritos com dois milénios de idade, incluindo cópias de textos da Bíblia Hebraica, encontrados em 1946 em doze cavernas.

A maioria dos manuscritos foi escrita num material baseado em pele de animal, descrito como um híbrido de pergaminho e couro. A produção de superfícies de escrita incluiu quatro etapas principais: depilação, desbaste, secagem e acabamento de tensão.

No início de Janeiro de 2018, uma das últimas partes dos Manuscritos que ainda permanecia por traduzir, foi decifrada por investigadores da Universidade de Haifa, em Israel. Em Março, o Museu de Israel expôs, pela primeira vez, um dos mais antigos e intrigantes manuscritos bíblicos que narra a partida de Noé após o dilúvio.

Nas duas últimas décadas, foram encontrados mais fragmentos dos Manuscritos, nomeadamente em mercados de antiguidades, o que lançou suspeitas sobre a origem e autenticidade. Alguns fragmentos foram adquiridos pelos fundadores do Museu da Bíblia.

Os arqueólogos continuam, contudo, à procura de sinais dos Manuscritos e há quem acredite que pode haver outras cavernas por descobrir com estes misteriosos pergaminhos escondidos.

ZAP //

Por ZAP
10 Setembro, 2019

 

949: Livro maia é o mais antigo documento pré-colombiano, confirma instituto mexicano

“Glorier Codex” está confirmado como o mais antigo documento pré-colombiano.

Imagens do Códice Maia
© Direitos Reservados

O Instituto Nacional de História e Antropologia do México confirmou na quinta-feira a autenticidade do livro maia Glorier Codex, descoberto há 54 anos e considerado o mais antigo documento pré-colombiano.

“O Códice Maia do México é autêntico e apresenta-se como o manuscrito pré-hispânico legível mais antigo do continente americano”, disse o antropólogo Diego Prieto Hernández, director-geral do Instituto Nacional de Antropologia e História, no início do Simpósio El Códice Maya, antes Grolier.

De acordo com analistas, o texto pictográfico foi escrito entre os anos 1021 e 1154 (D.C.) e é mesmo o mais antigo documento da era pré-colombiana, ou seja, antes das chegada dos europeus ao continente americano. A vida útil terá sido de 104 anos, detalha o instituto numa nota publicada no seu site.

Com este reconhecimento, o Glorier Codex — do qual restam apenas 10 páginas – passa a ter uma nova denominação: Códice Maia do México.

Vendido a um coleccionador mexicano em 1964, o código foi exibido pela primeira vez no Grolier Club, em Nova Iorque, em 1971. Mais tarde, em 1974, Josue Saenz acabou por devolver o livro às autoridades.

Durante anos, vários arqueólogos duvidaram da sua autenticidade, ou pelo ‘design’ simples, ou por ter sido saqueado de uma caverna no sul de Chiapas, estado mexicano onde um terço da população é descendente dos maias.

Na verdade, “o estilo difere de outros códigos maias que são conhecidos e comprovados como autênticos”, lê-se num comunicado do mesmo instituto, que justifica a simplicidade com a escassez dos recursos da época.

“Como o livro foi escrito tão cedo, foi criado numa era de relativa pobreza em comparação com os outros trabalhos”.

Cerca de três outros “livros” maias sobreviveram a uma tentativa dos conquistadores espanhóis de destruir os artefactos maias nos anos 1500.

O Glorier Codex contém uma série de observações e previsões relacionadas com o movimento astral de Vénus.

Embora estudos anteriores tenham apoiado a autenticidade do texto, este reconhecimento dita o fim das dúvidas e da controvérsia.

“Durante muito tempo, críticos disseram que o estilo não era maia e que era ‘o mais feio’ deles em termos de figuras e cores”, disse a pesquisadora do instituto Sofia Martinez del Campo.

“Mas a austeridade do trabalho é explicada por sua época. Quando as coisas são escassas, usa-se o que se tem em mãos”, concluiu.

Os textos maias são escritos numa série de glifos silábicos, nos quais uma figura pintada com determinado estilo representa uma sílaba.

O Códice será exibido durante um mês, de 27 de Setembro até final de Outubro, na Feira Internacional do Livro de Antropologia e História.

Diário de Notícias
DN/Lusa
31 Agosto 2018 — 08:46

(Foram corrigidos 4 erros ortográficos ao texto original)

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906: Papiros com 3500 anos revelam detalhes raros sobre antigas práticas médicas

CarlsbergFondet
Um dos manuscritos da Colecção Papyrus Carlsberg

Uma colecção de manuscritos com 3500 anos inclui revelações únicas sobre as práticas médicas do Antigo Egipto. Estes papiros estão a ser traduzidos e incluem dados sobre um teste de gravidez, sobre rins e sobre tratamentos a doenças dos olhos.

Estão em causa cerca de 1400 manuscritos datados de entre 2000 Antes de Cristo até 1000 Depois de Cristo, que integram a Colecção Papyrus Carlsberg que está alojada na Universidade de Copenhaga, na Dinamarca.

Uma equipa internacional de investigadores está a colaborar para tentar interpretar estes textos médicos oriundos da antiga Biblioteca do Templo de Tebtunis, que existiu muito antes da famosa Biblioteca de Alexandria.

“Uma grande parte dos textos continua por publicar” e por traduzir desde que foram doados à Universidade em 1939, como refere o director da colecção, Kim Ryholt, professor do Departamento de Culturas Cruzadas e Estudos Regionais da instituição de ensino de Copenhaga, em declarações ao site ScienceNordic.

Os textos falam “sobre medicina, botânica, astronomia, astrologia e outras ciências praticadas no Antigo Egipto”, esclarece Ryholt, frisando que dão “uma visão única sobre a história da ciência“, com alguns dos textos escritos “há 3500 anos quando não havia material escrito no continente europeu”.

Os especialistas que analisam os manuscritos já descobriram que os papiros incluem a discussão médica mais antiga que é conhecida sobre rins, bem como notas sobre tratamentos a doenças dos olhos. E há ainda uma descrição de um teste de gravidez.

“O texto diz que uma mulher grávida deve urinar num saco de trigo e num saco de cevada”, e “dependendo em qual saco brotam os grãos primeiro, revela-se o sexo da criança”; “e se em nenhum dos sacos houver rebentos, então ela não está grávida”, explica a investigadora Sofie Schiødt ao ScienceNordic.

“Muitas das ideias dos textos médicos do Antigo Egipto aparecem de novo, mais tarde, em textos gregos e romanos“, acrescenta Schiødt, concluindo que “daqui, espalharam-se mais além para os textos médicos medievais do Médio Oriente, e podem encontrar-se vestígios até à medicina pré-moderna”.

SV, ZAP //

Por SV
22 Agosto, 2018

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