2104: O misterioso ciclo de 11 anos do Sol pode estar relacionado com o alinhamento dos planetas

CIÊNCIA

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A cada 11 anos, o Sol passa de uma labareda desenfreada e actividade de manchas solares para um período mais calmo, antes de intensificar-se novamente.

É quase tão regular como um relógio – e há anos que os astrónomos se perguntam o que o causa. Agora, propuseram uma nova solução. Embora os planetas do Sistema Solar sejam muito menores que o Sol, a gravidade de alguns deles é capaz de influenciar o campo magnético da nossa estrela. Isso, afirmam os investigadores, é o que controla o ciclo solar.

Vénus, Terra e Júpiter reclamam um pequeno puxão gravitacional enquanto orbitam. O resultado é comparável ao modo como a gravidade da Lua influencia as marés da Terra, produzindo um fluxo e refluxo regulares.

A equipa rastreou mil anos de ciclos solares, entre os anos 1000 e 2009, comparando os dados com os movimentos dos planetas naquele tempo, encontraram um elo impressionantemente forte entre os dois. “Há um nível surpreendentemente alto de concordância: o que vemos é um completo paralelismo com os planetas ao longo de 90 ciclos”, disse o físico Frank Stefani, do Helmholtz-Zentrum Dresden-Rossendorf, na Alemanha, em comunicado.

O que a equipa descobriu, de acordo com o estudo publicado na revista Solar Physics, é que as forças de maré são mais fortes quando a Terra, Vénus e Júpiter se alinham, e que esse alinhamento ocorre a cada 11,07 anos. O efeito é fraco, incapaz de afectar o interior do Sol. Isso, potencialmente, pode ser o motivo pelo qual ninguém conectou anteriormente o ciclo solar e a periodicidade do alinhamento planetário.

Mas a equipa descobriu que, apesar de ser fraca, as forças de maré ainda podem afectar o campo magnético do Sol. Em particular, podem influenciar oscilações na instabilidade de Tayler. Tais instabilidades aparecem em campos magnéticos toroidais, onde a pressão é aplicada perpendicularmente à direcção do campo.

Isso faz com que o campo fique comprimido, como uma coluna vertebral, criando instabilidades. Esses “discos escorregadios” no campo magnético são as instabilidades de Tayler e criam perturbações no fluxo solar e no campo magnético.

Mesmo uma pequena quantidade de energia – como, por exemplo, um evento de maré – pode reverter as oscilações das perturbações. Se esses eventos de maré estivessem a ocorrer a cada 11 anos aproximadamente, poderiam desencadear uma inversão cíclica na polaridade do campo magnético, resultando em flutuações regulares na actividade que corresponde ao ciclo.

Este modelo pode ajudar a explicar outros mistérios sobre o sol. Por exemplo, a maioria dos ciclos solares tem dois picos no máximo, com uma breve pausa entre eles. Outras regiões a serem exploradas são a maneira como as forças de maré afectam potencialmente as camadas de plasma na base da zona de convecção.

Isto também poderia ajudar a entender as gigantescas ondas magnetizadas de Rossby que só recentemente foram descobertas a ondular através do Sol – e podem ter algo a ver com a actividade do reflexo. Por sua vez, isso poderia ajudar a prever as explosões violentas e gigantescas, considerando que têm o potencial de afectar a nossa vida aqui na Terra.

ZAP // Science Alert

Por ZAP
4 Junho, 2019

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1850: O Sol cospe “lâmpadas de lava” 500 vezes maiores do que a Terra

(CC0/PD) Buddy_Nath / Pixabay

Depois de analisar dados de duas sondas solares lançadas na década de 70, uma equipa de cientistas da NASA observou nos ventos solares manchas semelhantes a lâmpadas de lava com um tamanho até 500 vezes maior do que a Terra.

“[Estas manchas] parecem-se com bolhas de uma lâmpada de lava”, afirmou Nicholeen Viall, co-autor da investigação e astrofísico do Goddard Space Flight Center da agência espacial norte-americana, em declarações ao portal Live Science. “Só que estas são centenas de vezes maiores do que a Terra”, revelou.

O fenómeno das manchas solares começou a ser estudado no início de 2000, mas a origem e o impacto destes eventos meteorológicos são ainda incertos – apesar de acontecerem com regularidade na nossa estrela. A dimensões destas manchas oscilam entre 50 (tamanho inicial) a 500 vezes o tamanho da Terra, crescendo à medida que se propagam no Espaço, explicou Viall.

Até há pouco tempo, as únicas observações de manchas solares eram oriundas de satélites da Terra, que são capazes de detectar quando um grupo destas bolhas cai no campo magnético do nosso planeta. Contudo, estes instrumentos não conseguem explicar as inúmeras mudanças que as manchas experimentaram desde que são “cuspidas” pelo Sol.

Graças aos dados das sondas solares Helios 1 e Helios 2, Viall e a sua equipa conseguiram observar as manchas “de lava” à medida que estas iam surgindo.

Na nova investigação, cujos resultados foram no fim de Janeiro publicados na revista JGR: Space Physics, os cientistas descobriram que estas manchas ocorrem pelo menos uma vez a cada uma ou duas horas e que são mais quentes e mais densas do que o restante fluxo de partículas altamente carregado (comummente apelidado de vento solar).

“Inclusivamente nos dias de bom clima espacial, em termos de tempestades solares explosivas, um nível climático base sempre ocorre no Sol”, assinalou o especialista, acrescentando que “estas pequenas dinâmicas também impulsionam a dinâmica da Terra”.

Importa frisar que os cientistas não sabem ainda por que motivo as manchas solares são criadas. Contudo, leituras do campo magnético capturadas perto da Terra parecem indicar ser provável que estas “bolhas” se formem no mesmo tipo de explosões que desencadeiam as tempestades solares – explosões maciças de plasma começam a ocorrer quando as linhas do campo magnético do Sol se emaranham, se quebram e e se voltam posteriormente a alinhar.

“Achamos que um processo semelhante está a criar as bolhas numa escala muito menor – pequenas rajadas ambientais em oposição às gigantescas explosões” do Sol, disse Viall.

Os resultados da sonda Parker Solar Probe, da NASA, que foi lançada em Agosto de 2018 e que se encontra a cerca de 24 milhões de quilómetros do Sol, poderão confirmar estas suspeitas em breve. Além dos 40 anos de avanço tecnológico comparativamente com as Helios, a Parker está também muito mais próxima do Sol.

Na sua aproximação mais próxima do Sol, a Parker ficará a “apenas” 6,4 milhões de quilómetros do nosso astro. A partir deste ponto escaldante, a sonda deverá ser capaz de observar as bolhas “logo após o nascimento”, acrescentou Viall.

ZAP //

Por ZAP
15 Abril, 2019

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