1327: Mamífero herbívoro gigante vagueava com os dinossauros na atual Polónia

CIÊNCIA

Karolina Suchan-Okulska
Ilustração de um Lisowicia bojani

Cientistas descobriram um fóssil que atribuem a um animal herbívoro gigante que viveu na actual Polónia há mais de 200 milhões de anos e foi contemporâneo dos dinossauros.

Os primeiros fósseis foram encontrados em 2005, e mais foram descobertos desde então. Os ossos estavam em depósitos de um rio, juntamente com anfíbios gigantes, dinossauros e outros animais. A equipa também encontrou o que parecem ser pegadas e fezes fossilizadas, que confirmam que era um herbívoro.

O animal, descrito como uma criatura de quatro patas e do tamanho de um elefante, terá pertencido ao mesmo ramo evolutivo dos mamíferos. De acordo com o estudo, publicado a 22 de Novembro na revista Science, o animal parecia um cruzamento entre um rinoceronte e uma tartaruga.

Um dos cientistas, Grzegorz Niedzwiedzki, paleontólogo na universidade sueca de Uppsala, sustenta que o fóssil, designado como “Lisowicia bojani“, desfaz a tese de que os dinossauros eram os únicos grandes herbívoros que existiam no período geológico do Triássico tardio.

O fóssil pertence a um herbívoro ancestral: o primeiro dicinodonte encontrado. O nome dado a este tipo de mamíferos significa “dois dentes de cão”, referindo-se às presas características na mandíbula superior, que se assemelham a caninos em tamanho grande.

Grzegorz Niedzwiedzki / Universidade Uppsala

Além das presas, os dicinodontes eram praticamente desdentados, com um bico como as tartarugas actuais. Fazem parte do grande grupo evolucionário dos sinapsídeos, que inclui os mamíferos ancestrais, e foram alguns dos animais terrestres mais abundantes e diversificados de 270 milhões até cerca de 240 milhões de anos atrás.

“Dicinodontes são uma linhagem irmã à linhagem dos mamíferos, mas não são os seus antepassados”, disse Niedzwiedzki. “São os nossos primos distantes, mas não os nossos antepassados imediatos”.

A equipa reconstruiu grande parte do animal porque o esqueleto está notavelmente intacto. O investigador disse acreditar ter cerca de 70% do esqueleto, o que é bom para ossos com 211 milhões de anos.

ZAP // Lusa / Phys / NewScientist

Por ZAP
24 Novembro, 2018

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1156: A Terra precisará de 5 milhões de anos para recuperar da extinção em massa de mamíferos

CIÊNCIA

Mark Dumont / Flickr
O rinoceronte-negro, nativo de África, é uma das espécies em perigo iminente de extinção

Muitas espécies de mamíferos vão desaparecer nos próximos 50 anos se nada for feito pela sua conservação, e a natureza poderá demorar três a cinco milhões de anos a recuperar essa perda. A evolução das espécies não está a conseguir acompanhar as extinções em massa.

Uma equipa de cientistas das universidades de Aarhus, na Dinamarca, e de Gotemburgo, na Suécia, chegou a esta conclusão a partir de simulações computacionais sobre a evolução das espécies e de dados sobre a evolução das relações e do tamanho das espécies de mamíferos sobreviventes e extintas.

De acordo com o estudo, publicado nesta segunda-feira na revista PNAS, a evolução das espécies não está a acompanhar o ritmo a que as espécies estão a desaparecer.

Os cientistas estimam que serão necessários cinco a sete milhões de anos para que a biodiversidade entre os mamíferos volte aos patamares anteriores à evolução dos homens modernos, isto se, ressalvam, em geral, os mamíferos se diversificarem a uma taxa considerada normal.

Num cenário mais optimista, em que os humanos deixam de destruir os habitats naturais, serão precisos três a cinco milhões de anos para os mamíferos se diversificarem o suficiente para regenerarem os ramos da árvore da sua evolução que os cientistas estimam virem a perder-se nos próximos 50 anos.

Espécies de mamíferos “criticamente em perigo”, como o rinoceronte-negro, nativo de África, estão em risco elevado de desaparecer dentro de cinco décadas, advertem, realçando que, tal como no passado, muitas espécies poderão extinguir-se sem deixar um “parente” próximo que dê continuidade à linhagem.

A União Internacional para a Conservação da Natureza, citada pelo Science Alert, prevê que 99,9% das espécies “criticamente em perigo” e 67% espécies em risco de extinção serão perdidas nos próximos 100 anos.

Matt Davis / Aarhus University

O portal de Ciência nota ainda que as cinco extinções em massa registadas nos últimos 450 milhões de anos deveram-se a desastres naturais no entanto, agora o cenário é diferente – é a actividade humana que está a dizimar espécies de mamíferos.

Os investigadores salientam ainda que a sua análise poderá ser usada para priorizar a conservação de diferentes espécies ameaçadas de extinção.

ZAP // Lusa / Science Alert

Por ZAP
17 Outubro, 2018

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