5052: O réptil mais pequeno do mundo cabe na ponta dos nossos dedos

CIÊNCIA/BIOLOGIA/ZOOLOGIA

(dr) Frank Glaw
Brookesia nana, o réptil mais pequeno do mundo

O réptil macho mais pequeno do mundo pode caber-nos na ponta do dedo (mas nem todos os seus órgãos são assim tão minúsculos).

Segundo o site Live Science, trata-se da espécie Brookesia nana, um pequeno camaleão que vive nas florestas tropicais do norte de Madagáscar. Recentemente, cientistas observaram um macho e uma fêmea, mas foram as dimensões do primeiro que surpreenderam a equipa.

Este animal mede cerca de 13,5 milímetros do focinho à cloaca (o orifício usado para excreção e reprodução), sendo o mais pequeno réptil adulto alguma vez descrito. Na verdade, é ainda mais pequeno do que a fêmea, que mede 19,2 milímetros.

“Dado que o plano geral do corpo dos répteis é bastante semelhante ao dos mamíferos e ao dos humanos, é fascinante ver como estes organismos e os seus órgãos podem ficar miniaturizados”, disse ao mesmo site Frank Glaw, herpetologista da Colecção Estatal de Zoologia da Baviera, na Alemanha, e um dos autores do estudo publicado, a 28 de Janeiro, na revista científica Scientific Reports.

Porém, nem todos os seus órgãos são assim tão pequenos. Estamos a falar do seu hemipénis, o par de órgãos reprodutivos dos lagartos e das cobras machos que estão geralmente invertidos, isto é, dentro do corpo, até serem necessários para o acasalamento. No caso do B. nana, o hemipénis media 2,5 milímetros quando estava totalmente de fora, o que equivale a cerca de 18,5% do comprimento total do seu corpo.

(dr) Glaw Et Al., Scientific Reports, 2021
Os órgãos genitais do Brookesia nana

Surpreendentemente, esta não é uma característica incomum entre os lagartos mais pequenos do mundo, segundo dizem os investigadores. O comprimento genital entre outros camaleões varia de 6,3% a 32,9% do comprimento total do corpo, com uma média de 13,1% entre 52 espécies.

De acordo com Mark Scherz, herpetologista na Universidade de Potsdam e outro dos autores do estudo, isto poderá estar relacionado com o dimorfismo de tamanho entre machos e fêmeas destas minúsculas espécies de répteis.

No entanto, como existem apenas dois espécimes conhecidos da espécie B. nana, é ainda difícil tirar conclusões concretas sobre esta dinâmica sexual.

ZAP ZAP //

Por ZAP
3 Fevereiro, 2021


4866: Revelados novos detalhes sobre a “besta louca” que convivia com os dinossauros

CIÊNCIA/PALEOBIOLOGIA

Denver Museum of Nature & Science / Andrey Atuchin
Reconstrução realista de Adalatherium hui

Um novo estudo descreve um mamífero bizarro, de 66 milhões de anos, que fornece valiosas pistas sobre a história evolutiva dos mamíferos do super-continente Gondwana.

O artigo científico, publicado no dia 18 de Dezembro no Journal of Vertebrate Paleontology, descreve uma nova espécie de mamífero que viveu há 66 milhões de anos em Madagáscar. A criatura foi baptizada de Adalatherium hui, um termo que pode ser traduzido como “besta louca”.

A pesquisa, que foi realizada ao longo de 20 anos, revela que o animal era “gigante” em relação aos mamíferos daquela época e que tinha algumas características bizarras: mais vértebras no tronco do que a maioria dos mamíferos, membros posteriores musculados e mais separados, pernas dianteiras fortes e rápidas que ficavam dobradas sob o corpo, dentes da frente como os de um coelho, dentes de trás muito diferentes dos de qualquer outro mamífero conhecido e uma estranha lacuna nos ossos na parte superior do focinho.

Segundo o SciTechDaily, a criatura pertencia a um grupo já extinto de mamíferos conhecido como gondwanaterianos. Estes animais foram descobertos pela primeira vez na década de 1980 e eram identificados pelos dentes isolados e fragmentos que possuíam nas mandíbulas.

Agora, esta equipa, composta por cientistas dos Estados Unidos e de Madagáscar, conseguiu finalmente estudar o primeiro esqueleto deste misterioso grupo de animais, que percorreu grande parte da América do Sul, África, Madagáscar, o subcontinente indiano e até mesmo a Antárctida.

Em comunicado, citado pelo EurekAlert, o cientista David Krause explica que, “sabendo o que conhecemos sobre a anatomia esquelética de todos os mamíferos vivos e extintos, é difícil imaginar que um mamífero como o Adalatherium hui pudesse ter evoluído”.

Esta descoberta é a prova de que ainda há muito para aprender sobre os primeiros mamíferos de Madagáscar e de outras partes do planeta. “Adalatherium é uma peça importante num quebra-cabeças muito grande sobre a evolução dos primeiros mamíferos no Hemisfério Sul”, comentou Simone Hoffmann, co-autora do artigo científico.

Por Liliana Malainho
26 Dezembro, 2020


4546: Extinção da fauna em Madagáscar pode dever-se à presença humana (e a mudanças climáticas)

CIÊNCIA/BIOLOGIA/ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS

Eugene Kaspersky / Flickr

Grande parte da fauna de Madagáscar e das ilhas Mascarenhas foi eliminada durante o último milénio. Neste sentido, uma equipa de cientistas analisou um registo do clima nos últimos 8000 anos nas ilhas. O resultado mostrou um ecossistema que tem sofrido com as mudanças climáticas e com o aumento da presença humana.

Quase toda a fauna de Madagáscar – incluindo o famoso pássaro Dodo, lémures do tamanho de um gorila, tartarugas gigantes e o pássaro elefante que tinha 3 metros de altura e pesava quase meia tonelada – desapareceu entre os últimos 500 e 1500 anos.

As ilhas Mascarenhas a leste de Madagáscar são de especial interesse porque estão entre as últimas ilhas do planeta a serem colonizadas pelo homem. Curiosamente, a sua fauna caiu apenas alguns séculos depois da colonização do homem.

A questão que os especialistas fazem é se estes animais foram vítimas de caça até à sua extinção pelos humanos, ou se eles desapareceram por causa das mudanças climáticas. Existem inúmeras hipóteses, mas a causa desta queda na fauna permanecia discutível.

Agora, num estudo publicado na Science Advances em Outubro, uma equipa de investigadores internacionais descobriu que a causa da extinção era provavelmente um “golpe duplo”, respondendo assim à questão que tem sido colocada por inúmeros especialistas. A extinção nas ilhas deve-se não só à presença de actividades humanas, como a um período particularmente severo a nível climático, que pode ter condenado a fauna.

Para este estudo, o professor Hanying Li, da Universidade Xi’an Jiaotong na China, reuniu detalhes sobre as variações climáticas na região. A fonte primária deste registo do clima veio da pequena ilha Mascarene de Rodrigues, no sudoeste do Oceano Índico, e que se situa a aproximadamente 1600 km a leste de Madagáscar.

Hanying Li e a sua equipa observaram os registos climáticos analisando os oligo-elementos, e isótopos de carbono e oxigénio de cada camada de crescimento incremental de estalagmites que recolheram numa das muitas cavernas da pequena ilha.

De acordo com Christoph Spötl, também autor do estudo, as “variações nas assinaturas geo-químicas forneceram as informações necessárias para reconstruir os padrões de precipitação da região nos últimos 8000 anos. Para analisar as estalagmites, usamos o método do isótopo estável no nosso laboratório em Innsbruck. ”

No seguimento dos resultados, Hai Cjheng – co-autor do estudo – explica que “apesar da distância entre as duas ilhas, as chuvas de verão em Rodrigues e Madagáscar são influenciadas pela mesma chuva tropical global que oscila ao norte e ao sul com as estações. E enquanto esta chuva permanecer mais ao norte de Rodrigues, as secas podem atingir toda a região de Madagáscar ”.

“A pesquisa na ilha de Rodrigues demonstra que o hidro-clima da região experimentou uma série de tendências de seca ao longo dos últimos 8 milénios”, observa Hubert Vonhof, cientista do Instituto Max Planck de Química em Mainz, e co-autor.

A tendência de seca na região começou há cerca de 1500 anos, numa época em que os registos arqueológicos começaram a dar sinais do aumento da presença humana na ilha, revela o portal SciTechDaily.

“Embora não possamos dizer com 100% de certeza que a actividade humana foi a culpada pela extinção da fauna na região, os nossos registos paleo-climáticos mostram que a fauna sobreviveu a todos os episódios anteriores”, ressalva Ashish Sinha, professor de ciências da terra na California State University Dominguez Hills, EUA.

O estudo lança uma nova luz sobre o desaparecimento da flora e da fauna das ilhas de Maurício e Rodrigues. “Ambas as ilhas tivessem sido rapidamente despojadas de espécies, incluindo o conhecido pássaro Dodo não voador de Maurício, e a tartaruga gigante de Rodrigues”, acrescenta Aurele Anquetil André, director da Reserva da Tartaruga e Caverna François Leguat em Rodrigues.

Segundo os investigadores que realizaram o estudo “aquilo que os dados mostram é a resiliência e adaptabilidade dos ecossistemas e da fauna das ilhas em episódios ​​de mudanças climáticas severas, até estas serem atingidas por actividades humanas e mudanças climáticas – as duas em conjunto são fatais”.

ZAP //

Por ZAP
25 Outubro, 2020

 

3134: Dinossauro conseguia mudar de dentes tão depressa como os tubarões

CIÊNCIA

ABelov2014 / Wikimedia
Representação artística do Majungasaurus

O majungassauro, um dinossauro carnívoro que viveu em Madagáscar há 70 milhões de anos, tinha a capacidade de substituir os seus dentes a cada 56 dias.

Os tubarões são famosos por conseguirem substituir os seus dentes ao longo da vida com bastante facilidade, mas, de acordo com um novo estudo, não estão sozinhos. Segundo o IFLScience, o majungassauro, um dinossauro carnívoro que viveu em Madagáscar há 70 milhões de anos, também conseguia esta proeza.

Uma equipa de cientistas da Universidade Adelphi e da Universidade de Ohio, ambas nos Estados Unidos, examinou as minúsculas linhas de crescimento dos dentes — o equivalente aos anéis de árvores — de um fóssil deste dinossauro. Também analisou as mandíbulas fossilizadas para ter um vislumbre de dentes que não irromperam e que pudessem estar escondidas no osso.

Além disso, os investigadores examinaram as taxas de substituição dentária de dois outros  terópodes — o alossauro e o ceratossauro —, tendo descoberto que estes dinossauros substituíam os seus dentes a cada cem dias ou mais.

Então, porque é que o Majungasaurus precisava de novos dentes com tanta frequência? A equipa acredita que provavelmente se devia a uma alta taxa de desgaste pelo facto de roer os ossos das suas presas.

“Estavam a desgastar os dentes rapidamente, possivelmente porque roíam ossos. Há evidências independentes disto na forma de arranhões e espaçamentos que correspondem ao espaçamento e tamanho dos seus dentes numa variedade de ossos — ossos de animais que teriam sido suas presas”, explica em comunicado Michael D. D’Emic, investigador da Universidade Adelphi e autor principal do estudo agora publicado na PLOS ONE.

Mastigar ossos requer dentes muito fortes, algo que o majungassauro não possuía. Por isso, o dinossauro desenvolveu a capacidade de substituir os dentes a cada 56 dias. Desta forma, o animal conseguia fazê-lo 13 vezes mais depressa do que outros dinossauros carnívoros, afirma D’Emic.

ZAP //

Por ZAP
3 Dezembro, 2019

 

1010: Humanos levaram milhares de anos a extinguir as aves-elefante

Faziam parte da megafauna que habitou Madagáscar durante milhares de anos. Pesavam meia tonelada, atingiam três metros de altura e já eram caçadas pelo homem há 10 mil anos, o que levou a uma revisão radical das estimativas do início da presença humana na ilha

Durante milhares de anos, a ilha de Madagáscar foi o habitat de uma megafauna – hoje integralmente extinta – onde se incluíam lémures e tartarugas gigantes, hipopótamos e dois géneros distintos de “aves elefantes”, incapazes de voar, de uma família intitulada Aepyornithidae. A maior, a Aepyornis, chegava à meia tonelada de peso e aos três metros de altura, pondo ovos maiores do que os dos dinossauros, com um volume 160 vezes superior aos das galinhas. Extinguiu-se há pouco mais de mil anos. A segunda, Mulleronis, pesava cerca de 150 quilos. Os restos mortais mais recentes foram datados de meados do século XIII. Ambas eram caçadas pelo homem. Mas, agora, descobriu-se que isso já acontecia há muito mais tempo do que se suspeitava.

De acordo com um estudo publicado na revista científica Advances Science Mag, investigadores de Madagáscar, Estados Unidos e Reino Unido descobriram sinais de acção humana em ossadas de aves-elefante datadas de há 10.500 anos, incluindo “marcas de corte e fracturas consistentes com imobilização e desmembramento”. Uma descoberta que obrigará os cientistas a reavaliarem toda a dinâmica da extinção da megafauna da ilha, da intervenção humana nesse processo e da própria colonização humana do território.

Com base em investigações anteriores, estimava-se que a presença humana na ilha tivesse começado há cerca de 2500 anos. Ou seja: seis mil anos mais tarde do que agora é revelado. Acreditava-se, igualmente, que esta presença tivesse ditado a extinção relativamente rápida de todos os “gigantes” da ilha. Mas, ao serem encontrados vestígios tão antigos da caça destes animais, as evidências mostram agora que esta actividade não terá impedido a coexistência entre o homem e a megafauna durante largos milhares de anos.

Diário de Notícias
Pedro Sousa Tavares
13 Setembro 2018 — 10:53

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