2601: O lago mais antigo da Europa revela como era o clima no Mediterrâneo no passado (e como será no futuro)

CIÊNCIA

Charlie Marchant / Wikimedia

O lago da Ocrida, entre a Albânia e o norte da Macedónia, é um dos mais profundos e antigos lagos da Europa. Lagos como este geralmente duram apenas algumas centenas de milhares de anos antes de ficarem cheios de sedimentos.

Mas esse não é o caso do lago da Ocrida, uma vez que é muito mais antigo do que isso. Agora, a sua idade permitiu aos investigadores abrir uma janela para o passado da bacia do Mediterrâneo.

De acordo com um estudo publicado este mês na revista especializada Nature, os cientistas conseguiram ter uma ideia de como era o clima nos últimos 1,36 milhões de anos no Mediterrâneo. Os investigadores mostraram que, durante períodos inter-glaciais quentes, as chuvas de inverno no Mediterrâneo aconteceram ao mesmo tempo que as monções de verão na África.

“Descobrimos uma tele-conexão entre as monções africanas e as precipitações de inverno na região do Mediterrâneo, assim como entre os sistemas climáticos tropicais e as chuvas nas latitudes médias a milhares de quilómetros de distância”, disse Alexander Francke, da Universidade de Wollongong, em comunicado, publicado pela Phys.

“Sempre que a radiação solar recebida do Sol é aprimorada no Hemisfério Norte, temos uma migração para o norte do sistema climático tropical e vemos um aumento das chuvas no inverno no lago da Ocrida. Vemos esse mecanismo de maneira consistente nos últimos 1,3 milhão de anos”.

A equipa recolheu sedimentos num local onde o lago tem 245 metros de profundidade. Os cientistas perfuraram 568 metros nos sedimentos e reconstruiram a história climática do lago durante toda a sua existência.

Ao combinar os dados com simulações de modelos climáticos, os investigadores conseguiram obter informações sobre o clima no centro-norte do Mediterrâneo. A região é caracterizada por Invernos húmidos e Verões secos e isso está relacionado com a sua interacção com o clima tropical africano, especialmente em termos de aquecimento da superfície do mar.

“Este sistema climático seria bastante estável durante o verão e o outono até que as temperaturas diminuam no inverno e o ar frio do norte faça com que todo o sistema fique instável. Esse sistema de baixa pressão move-se para leste em direcção à Península dos Balcãs e promove chuvas nos meses de inverno”, explicou Francke.

Mas não é apenas sobre o passado. Os modelos climáticos encontraram dificuldades em prever como a crise climática causada pelo homem afectará o Mediterrâneo nos próximos anos. Alguns apontam para os Invernos mais húmidos, outros para mais secos. Estes novos dados serão essenciais para refinar os modelos e fornecer pistas sobre o que o futuro reserva para o Mediterrâneo.

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Por ZAP
9 Setembro, 2019