5109: Saguis preferem aproximar-se quando os outros mostram ser atenciosos

CIÊNCIA/ANTROPOLOGIA

Leszek Leszczynski / Flickr

Um novo estudo descobriu que, tal como os humanos, os saguis escutam outras interacções e preferem abordar indivíduos que percepcionam de forma positiva.

De acordo com a agência France-Presse, citada pelo site Science Alert, investigadores apresentaram a 21 saguis adultos gravações de áudio de uma fêmea responsável por várias crias cheias de fome. Nelas, podia ouvir-se a fêmea a oferecer-lhes comida ou a gritar-lhes de forma agressiva.

Para testar os macacos, a equipa utilizou vocalizações feitas por uma única fêmea.

De seguida, os cientistas apontaram câmaras com tecnologia infravermelha para os rostos dos animais para registar as suas temperaturas nasais e tentar encontrar evidências que indicassem que estes estavam alerta e envolvidos.

Os testes demonstraram que os saguis só respondiam às interacções combinadas, indicando que conseguiam entender quando é que estavam a ocorrer conversas reais.

Depois de reproduzir as gravações, a equipa deixou os macacos entrarem numa sala cheia de brinquedos e um espelho. Como não conseguem reconhecer o seu próprio reflexo, os animais acreditaram que o macaco que viam era o protagonista das gravações.

Os investigadores descobriram, então, que, no geral, os saguis preferiam aproximar-se do espelho quando as gravações indicavam que o indivíduo era atencioso.

“Este estudo aumenta as evidências de que muitos animais não são apenas observadores passivos das interacções de terceiros, como também as sabem interpretar”, afirmou Judith Burkart, professora de Antropologia da Universidade de Zurique, na Suíça, e autora sénior do artigo publicado, a 3 de Fevereiro, na revista científica Science Advances.

De acordo com a agência noticiosa francesa, a equipa planeia usar esta abordagem de mapeamento de temperatura para futuras investigações como, por exemplo, para analisar a origem da moralidade.

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12 Fevereiro, 2021


4732: A mais recente espécie de macaco foi encontrada em laboratório e não numa expedição

CIÊNCIA/BIOLOGIA

Aung Ko Lin / Fauna & Flora International
Popa langur (Trachypithecus popa).

A nova espécie de macaco, o Popa langur, foi descoberta em laboratório. Ao contrário do que se possa pensar, muitas das espécies descobertas não são encontradas numa expedição.

A descoberta do Popa langur, um macaco encontrado no centro de Mianmar, foi anunciada recentemente por cientistas. Estima-se que existam apenas 200-250 desses macacos, o que provavelmente significa que a nova espécie está classificada como “espécie em perigo crítico de extinção”.

Esta descoberta foi anunciada apenas uma semana ou mais depois de duas novas espécies de Petauroides volans – um marsupial planador – foram identificadas na Austrália. Mas o que é que os cientistas querem dizer quando anunciam a descoberta de “novas” espécies de mamíferos? Estes animais eram realmente desconhecidos da ciência?

É importante esclarecer que estas não eram espécies previamente invisíveis descobertas por um explorador intrépido. Em vez disso, esses animais foram identificados como um grupo geneticamente distinto dentro de uma população já conhecida. Na realidade, a população local vive com esses animais há gerações e tem as suas próprias maneiras de identificar e classificar as espécies.

Quando os investigadores anunciam uma espécie recém-definida com base em evidências genéticas, geralmente significa que elevaram uma subespécie já definida ao nível de espécie.

O recém-descrito Popa langur foi descoberto através de um estudo filogenético que procurou entender melhor as relações evolutivas entre as 20 espécies conhecidas do género Trachypithecus. Os cientistas usaram amostras fecais de langures selvagens e amostras de tecidos de espécimes de museu para esclarecer as relações taxonómicas entre o género.

Um grupo de langures destacou-se. A evidência genética mostrou que havia claras variedades ocidentais e orientais, mas que uma população central não se encaixava em nenhuma delas. As variedades ocidentais e orientais, que anteriormente eram chamadas de subespécies de langur de Phayre, foram então elevadas ao nível de espécie.

A população restante foi chamada de Trachypithecus popa – o Popa langur, em homenagem ao Monte Popa. Esta espécie recém-definida vive em quatro populações distintas e está em risco de extinção devido ao seu pequeno número, ao desmatamento e aos efeitos da agricultura e extracção de madeira.

Pode ser uma surpresa saber que uma espécie recém-descoberta está em risco de extinção, mas isso geralmente acontece com as reclassificações genéticas. As duas subespécies anteriormente mencionadas a partir das quais o Popa langur foi identificado já foram classificadas como “em perigo” de acordo com os critérios da lista vermelha oficial da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN).

O Popa langur ainda não foi classificado, mas os autores do estudo sugerem que ele deve se enquadrar na categoria de “em risco crítico de extinção”, devido à sua população pequena e fragmentada e ao habitat limitado de que dispõe.

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1 Dezembro, 2020


4321: Novo fóssil de macaco descoberto. É o ancestral mais antigo do gibão

CIÊNCIA/ARQUEOLOGIA

lucianosilva / Flickr
Os gibões estão actualmente sob ameaça de extinção devido à actividade do Homem

Um fóssil de macaco com 13 milhões de anos descoberto na Índia pertence ao ancestral mais antigo do gibão, revela uma nova investigação.

A descoberta preenche um grande vazio no registo fóssil dos símios e fornece novas evidências importantes sobre quando os ancestrais do gibão migraram de África para a Ásia.

Os resultados do estudo foram publicados esta semana na revista científica Proceedings of the Royal Society B. O fóssil, um molar inferior, pertence a uma espécie até então desconhecida, baptizada de Kapi ramnagarensis. É a primeira nova espécie de macaco descoberta no sítio arqueológico de Ramnagar, na Índia.

“Soubemos imediatamente que era um dente de primata, mas não se parecia com o dente de nenhum dos primatas encontrados anteriormente na área”, disse o líder da investigação, Christopher C. Gilbert, citado pela Phys.

“Pela forma e tamanho do molar, a nossa suposição inicial era que poderia ser de um ancestral do gibão, mas parecia bom demais para ser verdade, dado que o registo fóssil de macacos menores é virtualmente inexistente. Existem outras espécies de primatas conhecidas durante esse tempo, e nenhum fóssil de gibão foi encontrado em qualquer lugar perto de Ramnagar. Portanto, sabíamos que teríamos que fazer o nosso trabalho de casa para descobrir exactamente o que era este pequeno fóssil”, acrescentou o especialista.

O fóssil foi descoberto em 2015, mas só agora é que os cientistas concluíram os anos de estudo, análises e comparações para verificar a validade do seu argumento.

“O que descobrimos foi bastante convincente e apontava inegavelmente para as afinidades entre o dente de 13 milhões de anos e os gibões”, disse a co-autora do estudo Alejandra Ortiz.

“Mesmo que, por enquanto, tenhamos apenas um dente e, portanto, precisemos de ser cautelosos, esta é uma descoberta única. Ela atrasa o mais antigo registo fóssil conhecido de gibões em pelo menos cinco milhões de anos, fornecendo um muito necessária vislumbre dos primeiros estágios da sua história evolutiva”, acrescentou.

O estudo contribui para a ideia de que a migração de grandes macacos e macacos menores de África para a Ásia aconteceu mais ou menos na mesma época e nos mesmo locais.

“Saber que os ancestrais do gibão e do orangotango existiram no mesmo local no norte da Índia há 13 milhões de anos e podem ter uma história de migração semelhante pela Ásia é muito porreiro”, confessou o co-autor Chris Campisano.

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14 Setembro, 2020

 

 

2518: Crânio com 20 milhões de anos sugere que o nosso cérebro teve uma evolução complexa

CIÊNCIA

AMNH / N. Wong and M. Ellison

Este crânio minúsculo com 20 milhões de anos, da antiga espécie de macaco Chilecebus carrascoensis, pode ajudar os cientistas a perceber a evolução do cérebro humano.

Uma equipa de cientistas está a analisar um pequeno crânio com 20 milhões de anos, extremamente bem preservado, da antiga espécie de macaco Chilecebus carrascoensis, um pequeno animal que deveria pesar menos do que um tablet.

“Os seres humanos têm cérebros excepcionalmente ampliados, mas ainda sabemos muito pouco sobre até que ponto esse traço começou a desenvolver-se. Isto deve-se em parte ao facto de haver uma escassez de crânios fósseis bem preservados de homens antigos”, disse o paleontólogo Xijun Ni, da Academia Chinesa de Ciências, citado pelo Science Alert.

O C. carrascoensis é um platirrino, clado de primatas que inclui os macacos do Novo Mundo, ou seja, do continente americano. A descoberta deste crânio aconteceu nos anos 90, nos Andes, no Chile.

“Este animal foi identificado como um dos primeiros platirrinos divergentes conhecidos, tornando este táxon especialmente importante para avaliar as características cerebrais ancestrais do clado”, escreveram os autores do artigo publicado este mês na revista Science Advances.

Porém, um crânio não é igual a um cérebro, por isso, a equipa de investigadores teve de usar técnicas avançadas de tomografia computorizada para criar uma reconstrução 3D do cérebro que outrora existiu.

“É notável. Estávamos a tentar convencer-nos de que era tudo menos um primata, mas mostrava uma área bulbosa onde o cérebro deveria estar. A limpeza e a subsequente análise da tomografia computorizada reforçaram isso e o significado da descoberta”, explicou ao Gizmodo John Flynn, paleontólogo do Museu Americano de História Natural.

De seguida, a equipa usou a análise para investigar aspectos específicos desse cérebro, como o tamanho do bulbo olfactório e a forma do canal óptico e do nervo óptico.

O bulbo olfactivo relativamente pequeno mostra que estes macacos provavelmente tinham um olfacto mais fraco (e o mesmo se passava com a visão). Os investigadores consideram que isto pode indicar que a evolução dos sistemas visual e olfactivo não estavam tão intimamente ligadas como se pensava. O nervo óptico também sugeriu que este era um animal diurno.

“As comparações entre o Chilecebus e outros antropóides basais indicam que as principais subdivisões cerebrais desses primeiros antropóides não exibem um padrão de escala consistente em relação ao tamanho geral do cérebro”, escreve a equipa.

“Muitas características cerebrais parecem ter-se transformado num mosaico e provavelmente originaram-se de antropóides platirrinos e catarrinos de forma independente”.

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26 Agosto, 2019