3919: Mistério resolvido. Cientistas já sabem o que são as manchas brilhantes de Titã

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

NASA / JPL-Caltech / ASI / USGS
Lagos na superfície de Titã

Um mistério intrigante sobre Titã, a maior lua de Saturno, parece estar finalmente resolvido. As manchas brilhantes observadas nas regiões tropicais do sul são os leitos de lagos e mares de hidrocarbonetos secos.

Titã, a maior lua de Saturno, é o único corpo planetário, além da Terra, com líquido estável na sua superfície – neste caso, metano e etano, concentrados nos pólos do satélite. Os cientistas desconheciam, porém, o que seriam os misteriosos pontos brilhantes captados perto da linha do equador, cada um com mais de cinco mil quilómetros de diâmetro.

Grandes corpos líquidos na região equatorial era a explicação mais plausível até ter sido descartada em 2004, quando a Cassini chegou a Saturno. A sonda da NASA confirmou que há grandes mares e lagos neste planeta, mas estão concentrados nos pólos. Segundo os cientistas, a região equatorial é surpreendentemente seca.

Uma equipa de cientistas voltou a analisar os dados obtidos ao longo de 20 anos pelos observatórios norte-americanos Arecibo e Green Bank e as informações recolhidas pela Cassini e chegou, agora, a uma conclusão.

Para os investigadores, chuvas, dunas ou leitos secos de lagos eram os principais aspectos da geografia de Titã que poderiam produzir os estranhos sinais luminosos. A procura por uma explicação estreitou-se depois de os cientistas terem eliminado as chuvas (que acontecem raramente em Titã) e as duas (uma vez que a sua localização não coincide com os locais onde aparecem os sinais).

Foi assim que a equipa chegou às bacias de lagos há muito extintos. Segundo o Space, estes reflexos originavam-se em duas regiões específicas, parecidas com leitos de lagos vazios, localizadas perto dos pólos da lua de Saturno.

“O líquido na superfície de Titã pode ter viajado do equador para os pólos como parte de um padrão climático chamado ‘ciclo do metano’, ou ter evaporado como resultado da radiação do Sol. Eu não ficaria surpreendido se ambas as hipóteses estivessem corretas”, disse o cientista planetário Jason Hofgartner, do Laboratório de Propulsão a Jacto da NASA.

O artigo científico com os resultados foi publicado no dia 16 de Junho na Nature Communications.

A missão Dragonfly vai ser lançada em 2034 e tem como destino Titã. A pequena sonda quadricóptero de aterrissagem com asa rotativa não vai visitar, no entanto, a região de origem destes misteriosos reflexos. “Mesmo não sobrevoando os locais, há sempre uma geologia comparativa que pode ser usada de um lugar para outro”, disse Elizabeth Zibi Turtle, do Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins, em Baltimore.

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26 Junho, 2020

 

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3840: NASA “mostra as várias cores” de Fobos, a maior lua marciana

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

NASA

Novas imagens térmicas capturadas pela sonda Mars Odyssey da NASA apresentam Fobos, a maior das duas luas de Marte, com cores diferentes.

As imagens agora divulgadas e captadas através de uma câmara infravermelha da sonda, fornecem informações sobre a composição e as propriedades físicas desta lua de Marte, explicou a agência espacial norte-americana em comunicado.

Em algumas ocasiões, este satélite aparece envolto em sombras, havendo ainda outros momentos em que está completamente banhado pela luz solar.

NASA

No passado 25 de Fevereiro, Fobos foi observada durante um eclipse lunar, durante o qual Marte bloqueou totalmente a luz solar desta luz, gerando as temperaturas mais baixas já registadas pelos cientistas neste satélite.

Os termómetros chegaram aos -123 graus Celsius.

“Estas observações também estão a ajudar a caracterizar a composição de Fobos. As futuras observações fornecerão uma imagem mais completa das temperaturas extremas na superfície da Lua”, disse o especialista Christopher Edwards, da Universidade do Norte do Arizona, nos Estados Unidos, que liderou o processamento e a análise das imagens.

Marte pode ter tido uma lua gigante antes de Fobos e Deimos

Os cientistas norte-americanos desenvolveram um modelo que sugere que detritos expelidos para o espaço por um corpo celeste que colidiu…

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13 Junho, 2020

 

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3798: Marte pode já ter tido um anel à sua volta (e voltar a tê-lo)

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Kevin Gill / Flickr

Uma nova investigação revela que Marte pode ter tido um anel à sua volta. A nova pista está em Deimos, a mais pequena das duas luas marcianas. A sua estranha órbita está inclinada em relação ao equador do planeta, o que pode ser resultado de efeitos gravitacionais causados por um anel planetário.

O Planeta Vermelho tem duas luas que circulam em seu redor, a Fobos e a Deimos. Durante muitos anos, os cientistas supusera, que as duas luas eram asteróides capturados. Porém, um novo estudo mostra que a órbita de Deimos tornaria essa hipótese impossível. Deimo está levemente inclinada no equador marciano, em apenas 2º. Inicialmente, a diferença era tão pequena que muitos cientistas ignoraram o assunto.

“O facto de a órbita de Deimos não estar no plano do equador de Marte foi considerado sem importância e ninguém se importou em tentar explicá-la”, disse Matija Cuk, cientista do Instituto SETI e principal autor do estudo, em comunicado. “Mas quando tivemos uma grande ideia nova e olhámos-la com novos olhos, a inclinação orbital de Deimos revelou o seu grande segredo”.

O segredo veio da observação dos movimentos de Fobos, que orbita mais perto da superfície marciana e está lentamente a entrar em espiral no planeta. Eventualmente, Fobos cairá tão perto de Marte que a gravidade do planeta muito maior destruirá a lua em pedaços – formando um anel.

Os co-autores, David Minton, da Universidade Purdue, e Andrew Hesselbrock, aluno de graduação, sugerem que o futuro de Fobos não é um evento pontual. Em vez disso, depois de a lua ser separada em pedaços, eventualmente as peças transformar-se-ão noutra lua. Isto não acontecerá só com Fobos. Já aconteceu outras vezes no passado marciano.

Esta destruição e reforma das luas explicaria como aconteceu a estranha inclinação orbital de Deimos. “Esta teoria cíclica da lua marciana tem um elemento crucial que torna possível a inclinação de Deimos: uma lua recém-nascida afastar-se-ia do anel e de Marte na direcção oposta à espiral interna que Fobos está a sofrer devido a interacções gravitacionais com Marte”.

“Uma lua que migra para fora dos anéis pode encontrar a chamada ressonância orbital, na qual o período orbital de Deimos é três vezes maior que o da outra lua. Podemos dizer que apenas uma lua que se move para fora poderia ter afectado fortemente Deimos, o que significa que Marte deve ter tido um anel a empurrar a lua interna para fora“.

Esta lua teórica teria sido enorme, 20 vezes mais massiva do que Fobos. Teoriza-se que Fobos seja duas gerações mais jovem que esta lua, que se separou e se reformou duas vezes – da segunda vez, formou Fobos.

Além disso, a era de Fobos favorece a teoria. Deimos tem milhares de milhões de anos, mas Fobos tem apenas 200 milhões de anos.

Descoberta a origem dos misteriosos sulcos da “Estrela da Morte” de Marte

Os estranhos sulcos na superfícies de Fobos – uma das luas de Marte – foram gravados por pedras gigantes e…

A investigação foi apresentada na 236ª reunião da Sociedade Astronómica Americana, realizada virtualmente até 3 de Junho. Um artigo foi aceite para publicação na revista científica Astrophysical Journal Letters.

Até agora, nenhuma nave espacial conseguiu chegar perto da lua marciana para testar teorias geológicas, mas isso pode mudar em breve. A Agência de Exploração Aeroespacial Japonesa (JAXA) planeia enviar uma missão a Fobos em 2024, chamada Martian Moons Exploration (MMX).

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6 Junho, 2020

 

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3747: A dança das luas de Júpiter

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Imagem da atmosfera de Júpiter, obtida pela sonda Juno da NASA.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/SwRI/MSSS; processamento por Tanya Oleksuik

Há quatrocentos anos atrás, o astrónomo Galileu Galilei anunciou a sua descoberta de quatro luas em órbita do planeta Júpiter, cada uma vista como um ponto esbranquiçado distinto no seu telescópio. No entanto, somente nas últimas quatro décadas os astrónomos puderam estudar as luas jovianas em detalhe a fim de revelar que as quatro – Io, Europa, Ganimedes e Calisto – são mundos fascinantes.

Embora todas sejam de tamanho semelhante – cerca de 1/4 do raio da Terra -, as quatro luas são diversas: Io é violentamente vulcânica, Europa está incrustada em gelo, Ganimedes tem um campo magnético e Calisto está cheia de crateras antigas. Além disso, a gelada Europa é considerada uma forte candidata a hospedar vida no Sistema Solar.

Uma questão em aberto ainda intriga os cientistas planetários: como é que os satélites jovianos se formaram?

Agora, o professor de ciências planetárias do Caltech, Konstantin Batygin e o seu colaborador Alessandro Morbidelli do Observatoire de la Côte d’Azur, França, propuseram uma resposta para esta questão de longa data. Usando cálculos analíticos e simulações em computador em larga escala, propõem uma nova teoria das origens dos satélites jovianos. A investigação foi publicada na edição de 18 de maio da revista The Astrophysical Journal.

Durante os primeiros milhões de anos de vida do nosso Sol, foi cercado por um disco protoplanetário composto de gás e poeira. Júpiter coalesceu a partir deste disco e tornou-se rodeado pelo seu próprio disco de material de construção de satélites. Este chamado disco circum-Joviano foi alimentado por material do disco protoplanetário que choveu para Júpiter nos pólos do planeta e retornou à esfera de influência gravitacional de Júpiter ao longo do plano equatorial do planeta. Mas é aqui que as coisas ficam complicadas para a formação dos satélites: como é que este disco em constante mudança acumulou material suficiente para formar luas?

O novo modelo de Batygin e Morbidelli aborda esta questão incorporando a física das interacções entre poeira e gás no disco circum-Joviano. Em particular, os investigadores demonstram que, para grãos de poeira gelada de uma gama específica de tamanhos, a força que os arrasta em direcção a Júpiter e a força (arrastamento) que os transporta no fluxo externo do gás cancelam-se perfeitamente, permitindo que o disco actue como uma armadilha de poeira gigante. Batygin diz que a inspiração para a ideia surgiu quando saiu para correr.

“Eu estava a subir uma colina, e vi que havia uma garrafa no chão que não estava a rolar ladeira abaixo porque o vento vindo de trás de mim a empurrava para cima e a mantinha em equilíbrio com a gravidade,” diz. “Uma analogia simples veio à mente: se uma garrafa de cerveja rolando num plano inclinado é semelhante à deterioração orbital de grãos sólidos devido ao arrasto hidrodinâmico, então partículas de um certo tamanho devem encontrar um equilíbrio equivalente na órbita de Júpiter!”

O modelo dos investigadores propõe que, devido a este equilíbrio entre o arrasto interno e o arrasto externo, o disco em torno de Júpiter tornou-se rico em grãos de poeira gelada, cada um com cerca de um milímetro de tamanho. Eventualmente, este anel de poeira tornou-se tão massivo que se desintegrou sob o seu próprio peso em milhares de “satélitesimais” – objectos gelados parecidos com asteróides com cerca de 100 km de diâmetro. Ao longo de milhares de anos, os satélitesimais coalesceram em luas, uma de cada vez.

De acordo com o modelo, quando a primeira lua (Io) se formou e a sua massa atingiu um certo limite, a sua influência gravitacional começou a criar ondas no disco gasoso de material que rodeava Júpiter. Ao interagir com estas ondas, a lua migrou em direcção a Júpiter até que alcançou a orla interior do disco circum-Joviano, perto da sua órbita actual. O processo começou novamente com a próxima lua.

Este processo sequencial de formação e migração interna levou Io, Europa e Ganimedes a fixarem-se numa ressonância orbital – uma configuração onde por cada quatro órbitas de Io em torno de Júpiter, Europa completa duas e Ganimedes uma. Esta denominada ressonância de Laplace é uma das características mais impressionantes e bem conhecidas das órbitas das luas.

Finalmente, o modelo sugere que a radiação do Sol acabou eventualmente por expelir o gás restante no disco em torno de Júpiter, deixando para trás os satélitesimais residuais que formaram a quarta e última lua principal, Calisto. No entanto, sem gás para conduzir a longa migração, Calisto não se juntou às outras luas em ressonância, e ficou presa a completar uma órbita em torno de Júpiter a cada duas semanas.

“O processo que descrevemos para a formação dos satélites de Júpiter pode ser geral,” diz Morbidelli. “Agora temos observações do disco em torno de um exoplaneta gigante, PDS 70c, e parece extraordinariamente rico em poeira, como imaginámos para o disco de Júpiter antes da formação dos seus satélites.”

Ainda há muito a descobrir sobre a luas jovianas. A missão Europa Clipper da NASA, com lançamento previsto para 2024, vai visitar Europa com o objectivo de descobrir se possui ou não condições favoráveis à vida. A ESA também planeia enviar uma missão, de nome JUICE (JUpiter ICy moons Explorer), com foco em Ganimedes, a maior das luas jovianas.

Astronomia On-line
26 de Maio de 2020

 

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3729: As maiores luas de Júpiter já foram minúsculos grãos de poeira gelada (apanhadas numa armadilha cósmica)

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Vídeo obtido via screen capture em virtude de o original não disponibilizar endereço url.

Há 400 anos, o astrónomo Galileu Galilei anunciou a descoberta de quatro luas que orbitavam Júpiter. Nos últimos 40 anos, os cientistas têm-se debruçado no estudo destes satélites – Io, Europa, Ganimedes e Calisto. Porém, a forma como se formaram continua a ser um mistério.

Apesar de serem todas do mesmo tamanho – cerca de um quarto do raio da Terra -, as quatro luas de Júpiter são muito diferentes: Io é violentamente vulcânica, Europa está incrustada em gelo, Ganimedes tem um campo magnético e Callisto está cheio de crateras antigas. Além disso, o gelado Europa é considerado uma forte candidata para hospedar a vida no Sistema Solar. Mas como é que as luas de Júpiter se formaram?

Agora, Konstantin Batygin, professor de ciência planetária do Caltech, e o seu colaborador Alessandro Morbidelli, do Observatoire de la Côte d’Azur, em França, propuseram uma resposta para essa questão de longa data.

Usando cálculos analíticos e simulações em computador em larga escala, os investigadores propõem uma nova teoria para a origem dos satélites jovianos.

Durante os primeiros milhões de anos de vida, o nosso Sol estava cercado por um disco protoplanetário composto de gás e poeira. Júpiter uniu-se a este disco e foi cercado pelo seu próprio disco de material de construção de satélites. O chamado disco circum-joviano foi alimentado por material do disco protoplanetário que choveu em Júpiter nos pólos do planeta e regressou da esfera de influência gravitacional de Júpiter ao longo do plano equatorial do planeta.

Como é que o disco em constante mudança acumulou suficiente material para formar luas?

O novo modelo de Batygin e Morbidelli incorpora a física das interacções entre poeira e gás no disco circum-joviano. Os investigadores demonstram que, para grãos de poeira gelada de uma faixa de tamanho específica, a força que os arrasta em direcção a Júpiter e a força que os carrega no fluxo externo do gás se cancelam perfeitamente, permitindo que o disco aja como uma armadilha de poeira gigante.

“Estava a subir uma colina e vi uma garrafa no chão que não estava a descer a colina porque o vento vindo de trás a empurrava para cima e a mantinha em equilíbrio com a gravidade. Uma analogia simples veio-me à mente: se uma garrafa a rolar num plano inclinado é semelhante à deterioração orbital de grãos sólidos devido ao arrasto hidrodinâmico, partículas de um certo tamanho devem encontrar um equilíbrio equivalente na órbita de Júpiter”, explicou Batygin, em comunicado.

De acordo com o estudo publicado em maio na revista científica The Astrophysical Journal, o modelo propõe que, devido a a equilíbrio entre arrasto interno e arrastamento externo, o disco ao redor de Júpiter fique rico em grãos de poeira gelada, cada um com cerca de um milímetro.

O anel de poeira tornou-se tão maciço que se desmoronou sob o seu próprio peso em milhares de “satélitesimais” – objectos do tipo asteróide, com cerca de 100 quilómetros de diâmetro. Ao longo de milhares de anos, os satélitesimais coalesceram em luas, uma de cada vez.

Quando a primeira lua, Io, se formou e a sua massa atingiu um certo limiar, a sua influência gravitacional começou a criar ondas no disco gasoso do material que circundava Júpiter. Ao interagir com essas ondas, a lua migrou em direcção a Júpiter até atingir a borda interna do disco circum-joviano, próximo à sua órbita actual. O processo começou novamente com a próxima lua.

Esse processo sequencial de formação e migração interna levou Io, Europa e Ganimedes a fixarem-se numa ressonância orbital. A cada quatro vezes que Io circula Júpiter, Europa circula duas e Ganimedes circula uma.

O modelo sugere também que a radiação do sol acabou por expelir o gás restante no disco ao redor de Júpiter, deixando para trás os satélites residuais que formaram a quarta e última lua principal, Calisto. No entanto, sem gás para conduzir a migração de longo alcance, Calisto não se juntou às outras luas e ficou presa, girando em torno de Júpiter a cada duas semanas.

O Sistema Solar “roubou” asteróides ao espaço interestelar (e escondeu-os perto de Júpiter)

O Oumuamua, asteróide interestelar detectado no Sistema Solar em 2017, pode não ter sido o único a passar por nós….

Ainda há muito a descobrir sobre as luas de Júpiter. A missão Europa Clipper da NASA, que vai ser lançada em 2024, visitará Europa com o objectivo de descobrir se possui ou não condições favoráveis ​​à vida.

A Agência Espacial Europeia também planeia enviar uma missão, chamada JUpiter ICy luas Explorer (JUICE), que vai estudar Ganimedes, a maior das luas jovianas.

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Por ZAP
22 Maio, 2020

 

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3069: Concluído o primeiro mapa geológico global de Titã

CIÊNCIA

O primeiro mapa geológico global de Titã é baseado em imagens ópticas e de radar obtidas pela missão Cassini da NASA, que orbitou Saturno entre 2004 e 2017. As legendas assinalam a posição de algumas das características superficiais mais famosas da lua.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/ASU

O primeiro mapa que mostra a geologia global da maior lua de Saturno, Titã, foi concluído e revela completamente um mundo dinâmico de dunas, lagos, planícies, cratera e outros terrenos.

Titã é o único corpo planetário no nosso Sistema Solar, além da Terra, que possui líquidos estáveis à sua superfície. Mas, em vez de chover água das nuvens e de encher lagos e mares como na Terra, em Titã, o que chove é metano e etano – hidrocarbonetos que consideramos gases, mas que se comportam como líquidos no clima frio de Titã.

“Titã tem um ciclo hidrológico activo baseado no metano que moldou uma paisagem geológica complexa, fazendo da sua superfície uma das mais geologicamente diversificadas do Sistema Solar,” comenta Rosaly Lopes, geóloga planetária no JPL da NASA em Pasadena, Califórnia, autora principal de uma nova investigação usada para desenvolver o mapa.

“Apesar dos diferentes materiais, temperaturas e campos de gravidade entre a Terra e Titã, muitas características da superfície possuem semelhanças entre os dois mundos e podem ser interpretadas como produtos dos mesmos processos geológicos. O mapa mostra que os diferentes terrenos geológicos têm uma distribuição clara com latitude, globalmente, e que alguns terrenos cobrem muito mais área do que outros.”

Lopes e a sua equipa, que inclui Michael Malaska do JPL, trabalharam com o geólogo planetário David Williams, da Escola de Exploração da Terra e do Espaço da Universidade Estatal do Arizona em Tempe, EUA. As suas descobertas, que incluem a idade relativa dos terrenos geológicos de Titã, foram recentemente publicadas na revista Nature Astronomy.

A equipa de Lopes usou dados da missão Cassini da NASA, que operou de 2004 a 2017 e que realizou mais de 120 passagens rasantes pela lua do tamanho de Mercúrio. Especificamente, usaram dados do radar da Cassini para penetrar na atmosfera opaca de azoto e metano de Titã. Em adição, a equipa usou dados dos instrumentos visíveis e infravermelhos da Cassini, capazes de capturar algumas das maiores características geológicas de Titã através da neblina de metano.

“Este estudo é um exemplo da utilização conjunta de dados e instrumentos,” disse Lopes. “Embora não tivéssemos cobertura global com radar de abertura sintética, usámos dados de outros instrumentos e outros modos de radar para correlacionar características das diferentes unidades de terreno, para podermos inferir o aspecto dos terrenos mesmo em áreas onde não temos este tipo de cobertura.”

Williams trabalhou com a equipa do JPL para identificar quais as unidades geológicas em Titã que podiam ser determinadas usando em primeiro lugar imagens de radar e depois extrapolar essas unidades para regiões não cobertas por radar. Para tal, usou a sua experiência de trabalho com imagens de radar da sonda Magellan (em Vénus) da NASA e com um mapa geológico regional anterior de Titã que ele desenvolveu.

“A missão Cassini da NASA revelou que Titã é um mundo geologicamente activo, onde hidrocarbonetos como o metano e o etano assumem o papel que a água tem na Terra,” acrescentou Williams. “Estes hidrocarbonetos chovem para a superfície, fluem em riachos e rios, acumulam-se em lagos e mares e evaporam-se para a atmosfera. É um mundo bastante surpreendente!”

Astronomia On-line
22 de Novembro de 2019

 

Luas de Neptuno numa “dança da evasão”

CIÊNCIA

A dança das luas de Neptuno: esta animação ilustra como as estranhas órbitas das luas interiores de Neptuno Náiade e Talassa permitem com que se evitem uma à outra enquanto viajam em redor do planeta.
Crédito: NASA/JPL-Caltech

De acordo com uma investigação publicada recentemente, mesmo para os padrões selvagens do Sistema Solar exterior, as órbitas estranhas das duas luas mais interiores de Neptuno não têm rival.

Especialistas em dinâmica orbital estão a chamar “dança da evasão” às órbitas das pequenas luas Náiade e Talassa. As duas são verdadeiras parceiras, separadas por apenas 1850 quilómetros. Mas nunca se aproximam assim tanto uma da outra; a órbita de Náiade é inclinada e perfeitamente sincronizada. Todas as vezes que passa por Talassa – mais lenta -, as duas estão mais ou menos a 3540 km uma da outra.

Nesta coreografia perpétua, Náiade gira em torno do gigante gasoso a cada sete horas, enquanto Talassa, mais longe, demora sete horas e meia. Um observador em Talassa veria Náiade numa órbita que varia bastante num padrão em ziguezague, passando duas vezes por cima e duas vezes por baixo. Este padrão cima, cima, baixo, baixo repete-se de cada vez que Náiade dá quatro voltas a Neptuno por cada órbita de Talassa.

Os cientistas disseram que embora a dança possa parecer estranha, mantém as órbitas estáveis.

“Nós referimo-nos a este padrão repetitivo como ressonância,” disse Marina Brozović, especialista em dinâmica do Sistema Solar no JPL da NASA em Pasadena, no estado norte-americano da Califórnia, autora principal do novo artigo científico, publicado no dia 13 de Novembro na revista Icarus. “Existem muitos tipos diferentes de ‘danças’ que os planetas, as luas e os asteróides podem seguir, mas esta nunca tinha sido vista antes.”

Bem longe da atracção do Sol, os planetas gigantes do Sistema Solar exterior são as fontes dominantes da gravidade e, colectivamente, ostentam dúzias e dúzias de luas. Algumas destas luas formaram-se juntamente com os seus planetas e nunca foram a lugar algum; outras foram capturadas mais tarde e depois trancadas em órbitas ditadas pelos seus planetas. Algumas orbitam na direcção oposta à rotação do planeta; outras trocam órbitas entre si como que para evitar colisões.

Neptuno tem 14 luas confirmadas. Neso, a sua lua mais distante, tem uma órbita muito elíptica que a leva a 74 milhões de quilómetros do planeta e demora 27 anos a completar.

Náiade e Talassa são pequenas e com a forma de Tic Tacs, medindo apenas cerca de 100 km em comprimento. São duas das sete luas interiores de Neptuno, parte de um sistema bem compacto que está entrelaçado com anéis ténues.

Então, como é que ficaram juntas – mas separadas? Pensa-se que o sistema de satélites original tenha sido interrompido quando Neptuno capturou a sua lua gigante, Tritão, e que estas luas interiores e anéis se formaram a partir dos detritos remanescentes.

“Suspeitamos que Náiade tenha sido lançada para a sua órbita inclinada por uma interacção anterior com uma das outras luas interiores de Neptuno,” explicou Brozović. “Somente mais tarde, depois da sua inclinação orbital ter sido estabelecida, Náiade se pôde estabelecer nesta ressonância invulgar com Talassa.”

Brozović e colegas descobriram o padrão orbital invulgar usando análises de observações com o Telescópio Espacial Hubble da NASA. O trabalho também fornece a primeira dica sobre a composição das luas interiores de Neptuno. Os investigadores usaram as observações para calcular a sua massa e, portanto, as suas densidades – próximas da da água gelada.

“Estamos sempre empolgados por encontrar estas co-dependências entre luas,” disse Mark Showalter, astrónomo planetário do Instituto SETI em Mountain View, Califórnia, co-autor do novo artigo científico. “Náiade e Talassa ficaram provavelmente presas nesta configuração há muito tempo, porque torna as suas órbitas mais estáveis. Elas mantêm a paz nunca se aproximando demais.

Astronomia On-line
19 de Novembro de 2019

 

3050: Cientistas da NASA confirmam a existência de vapor de água na lua de Júpiter Europa

CIÊNCIA

Nova descoberta da NASA revela que vapor de água concentrado por cima da Europa dava para encher uma piscina olímpica em poucos minutos.

Fotos de Europa tiradas a várias distâncias
© NASA

Uma equipa de investigadores do Goddard Space Flight Center da NASA em Greenbelt, Maryland, detectou pela primeira vez a existência de vapor de água por cima da superfície da Europa. A equipa mediu o vapor olhando para a Europa através de um dos maiores telescópios do mundo no Hawai, anunciou esta tarde NASA na sua página oficial.

A equipa do centro da NASA relata a descoberta também na edição de hoje da revista Nature Astronomy, referindo que esta descoberta, revela que a água que sai da Europa (segundo referem a 2,360 kg por segundo) daria para encher uma piscina olímpica em poucos minutos.

“Para mim, o interessante deste trabalho não é apenas a primeira detecção directa de água acima da Europa, mas também a falta dela dentro dos limites do nosso método de detecção”. O investigador Paganini, que lidera a equipa, explica que foi detectado um sinal fraco e distinto de vapor de água apenas uma vez durante 17 noites de observações entre 2016 e 2017, mas em quantidade relevante.

Os investigadores usaram um espectrógrafo no Observatório Keck que mede a composição química das atmosferas planetárias através de luz infravermelha. Moléculas como a água emitem frequências específicas de luz infravermelha à medida que interagem com a radiação solar.

Animação que mostra como as moléculas de água, após apanhar luz solar, libertam radiação infravermelha
© NASA

Segundo explica o centro de investigação da NASA, a descoberta de existência de vapor de água presente na atmosfera de Europa vai ajudar os cientistas a perceber melhor o funcionamento interno da lua. Por exemplo, vai ajudar a apoiar uma ideia, da qual os cientistas estão confiantes, de que existe um oceano de água líquida, possivelmente duas vezes maior que o da Terra, afundado sob a concha de gelo da lua.

Diário de Notícias
DN
18 Novembro 2019 — 19:00

 

2807: Saturno passa a ter 82 luas e destrona a hegemonia de Júpiter

CIÊNCIA

JPL / Space Science Institute / NASA

Uma equipa de cientistas norte-americanos descobriu 20 novas luas a orbitar Saturno, aumentando para 82 o número dos seus satélites naturais. É o planeta do Sistema Solar com mais luas.

De acordo com o Centro de Planetas Menores da União Astronómica Internacional, Saturno bate assim Júpiter, que tem 79 luas conhecidas.

As luas agora descobertas têm tamanhos semelhantes, cerca de cinco quilómetros de distância. 17 destes satélites naturais têm uma órbita retrógrada, isto é o seu movimento é oposto à rotação do planeta em torno do seu eixo. Na prática, orbitam para trás a partir do planeta e de outras luas. As três restantes luas têm uma orbita comum, na mesma direcção em que gira Saturno.

“Usámos alguns dos maiores telescópios do mundo [para descobrir estas luas], agora estamos a concluir o inventário de pequenas luas em torno dos planetas gigantes (…) Estas desempenham um papel crucial para ajudar a determinar como é que os planetas do nosso Sistema Solar se formaram e evoluíram”, afirmou Sheppard, astrónomo do Instituto de Carnegie de Ciência, citado em comunicado.

“Estudar as órbitas destas luas pode revelar as suas origens, bem como informações sobre as condições que cercavam Saturno no momento da sua formação”, acrescentou.

NASA/JPL-CALTECH/SPACE SCIENCE INSTITUTE

No Twitter, está a decorrer um concurso para baptizar as luas recém-descobertas. Para participar, basta fazer uma publicação com a hashtag #NameSaturnsMoons e o nome sugerido. No ano passado, o mesmo cientista descobriu 12 luas deste planeta e abriu também um concurso online para nomear cinco delas.

Face ao interesse do público, o cientista norte-americano decidiu voltar a fazê-lo. “Fiquei tão empolgado com a quantidade de engajamento público sobre o concurso de nomes das lua de Júpiter [do ano passado] que decidimos fazer um outro concurso para nomear estas luas recém-descobertas em Saturno”, disse Sheppard.”Desta vez, as luas devem ser nomeadas por gigantes da mitologia nórdica, gala ou inuit”, acrescentou.

ZAP // Lusa

Por ZAP
9 Outubro, 2019

 

2771: Novos compostos orgânicos descobertos nos grãos de gelo de Encélado

CIÊNCIA

Nesta imagem obtida pela sonda Cassini da NASA em 2007, as plumas de Encélado são claramente visíveis. A lua está quase em frente do Sol, da perspectiva da Cassini.
Crédito: NASA/JPL-Caltech

Novos tipos de compostos orgânicos, os ingredientes dos aminoácidos, foram detectados nas plumas expelida da lua de Saturno, Encélado. As descobertas são o resultado da análise profunda e contínua dos dados da missão Cassini da NASA.

Poderosas fontes hidrotermais ejectam material do núcleo de Encélado, que se mistura com a água do imenso oceano subterrâneo da lua antes de ser libertado para o espaço como vapor de água e grãos de gelo. As moléculas recém-descobertas, condensadas nos grãos gelados, foram determinadas como compostos contendo azoto e oxigénio.

Na Terra, compostos semelhantes fazem parte das reacções químicas que produzem aminoácidos, os blocos de construção da vida. As fontes hidrotermais no fundo do oceano fornecem a energia que alimenta as reacções. Os cientistas pensam que as fontes hidrotermais de Encélado possam operar da mesma maneira, fornecendo energia que leva à produção de aminoácidos.

“Se as condições forem as ideais, estas moléculas vindas do oceano profundo de Encélado podem estar no mesmo caminho de reacção que vemos aqui na Terra. Ainda não sabemos se os aminoácidos são necessários para a vida além da Terra, mas a descoberta de moléculas que formam aminoácidos é uma peça importante do quebra-cabeças,” disse Nozair Khawaja, que liderou a equipa de investigação. As suas descobertas foram publicadas na edição de dia 2 de Outubro da revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society.

Embora a missão da Cassini tenha terminado em Setembro de 2017, os dados que forneceu serão minados durante décadas. A equipa de Khawaja usou dados do instrumento CDA (Cosmic Dust Analyzer) da sonda, que detectou grãos de gelo emitidos de Encélado para o anel E de Saturno.

Os cientistas usaram as medições do espectrómetro de massa do CDA para determinar a composição do material orgânico nos grãos.

Os compostos orgânicos identificados dissolveram-se no oceano de Encélado e depois evaporaram-se da superfície da água antes de condensar e congelar em grãos de gelo dentro das fissuras da crosta da lua, descobriram os cientistas. Soprados para o espaço com a pluma crescente emitida por estas fissuras, os grãos de gelo foram então analisados pelo CDA da Cassini.

As novas descobertas complementam a descoberta da equipa, no ano passado, de grandes moléculas orgânicas complexas e insolúveis que se pensa flutuarem à superfície do oceano de Encélado. A equipa aprofundou este trabalho para descobrir quais os ingredientes, dissolvidos no oceano, necessários para os processos hidrotermais que estimulariam a formação de aminoácidos.

“Aqui estamos a descobrir blocos orgânicos menores e solúveis – potenciais percursores de aminoácidos e outros ingredientes necessários para a vida na Terra,” disse o co-autor Jon Hillier.

“Este trabalho mostra que o oceano de Encélado possui blocos de construção reactivos em abundância, e é outra luz verde na investigação da habitabilidade de Encélado,” acrescentou o co-autor Frank Postberg.

Astronomia On-line
4 de Outubro de 2019

 

2741: NASA desenha “transformers” para explorar luas de Saturno

CIÊNCIA

A agência espacial norte-americana (NASA) está a desenhar um novo robô, uma espécie de transformer, para explorar mundos com terrenos mais complicados, como é o caso de algumas luas de Saturno.

Através da sua página oficial, a NASA anuncia que está a desenvolver um novo conceito de robô, o Shapeshifter, projectado para rolar, voar, flutuar e até nadar em mundos mais complicados e distantes, como é o caso das luas de Saturno.

Os testes estão a ser desenvolvidos no no Laboratório de Propulsão a Jato (JPL) da NASA em Pasadena, no estado norte-americano da Califórnia, onde os cientistas estão já a testar um protótipo tridimensional deste explorador incomum.

O novo engenho, que parece um pequeno drone colocado no interior de uma jaula de hamster, tal como o descreve a agência espacial, consegue dividir-se ao meio. Uma vez que as partes se encontrem separadas, as duas metades elevam pequenas hélices, que tornam o dispositivo capaz de voar.

Contudo, estes pequenos transformers impressos em 3D são só o começo: a NASA imagina que uma série de até 12 destes robôs possa ser transformada numa sonda de natação ou numa equipa de exploradores de cavernas.

O Shapeshifter, de montagem automática, foi criado a partir de outros pequenos robôs, os cobots. Estas unidades mais pequenas, também dotadas com uma pequena hélice, são capazes de se mover de forma independente e sobrevoar superfícies ou falésias.

Na prática, um só robô guarda, na verdade, vários outros capazes de se adaptarem para melhor explorar um terreno mais difícil.

Ali Agha, investigador principal do JPL, acredita que o Shapeshifter pode ser útil numa missão a Titã, uma das luas de Saturno. Este planeta, recorde-se, é o único do Sistema Solar que tem líquidos na forma de lagos, rios e mares de metano à sua superfície.

“Temos informações muito limitadas sobre a composição da superfície [de Titã]. Terreno rochoso, lagos de metano, vulcões criogénicos. Podemos podemos ter tudo isso, mas não sabemos ao certo”, afirmou Agha, citada em comunicado.

“Por isso, pensamos em criar um sistema versátil e capaz de atravessar diferentes tipos de terreno, sendo também suficientemente compacto para ser lançado num foguete”, disse.

Tal como frisou Jason Hofgartner, que é também cientista do JPL, alguns dos lugares de mais difícil acesso são os mais interessantes do ponto  de vista científico. E, por esse mesmo motivo, o Shapeshifter pode ser importante em missões futuras.

ZAP //

Por ZAP
30 Setembro, 2019

 

2669: Lua de Saturno Enceladus está a atirar bolas de neve contra as outras luas

CIÊNCIA

Saturno é um planeta rico em motivos de curiosidade cósmica. Este gigante gasoso tem mais de sessenta satélites naturais na sua órbita. Contudo, a maioria deles são corpos pequenos, sendo que somente nove luas possuem diâmetro superior a cem quilómetros. Uma delas, Enceladus, está a travar uma luta cósmica de bolas de neve.

Segundo os astrónomos, as luas internas do planeta são estranhamente brilhantes. Isso tem uma razão de ser e os investigadores pensam que se deve ao facto desta lua estar a atirar neve às demais.

NASA: Cassini morreu, mas ainda há muito para descobrir

Muitas das descobertas feitas neste planeta, a uma distância média da Terra de 1.280.4000.000 Km, são das imagens e das análises feitas pela nave espacial Cassini. Esta, como é sabido, terminou a sua missão a voar até ao interior de Saturno em 2017.

Além de imagens fantásticas, Cassini trazia consigo um instrumento de radar que usava ondas de rádio para examinar as luas geladas de Saturno.

Alice Le Gall da Universidade de Paris-Saclay, na França, e os seus colegas analisaram essas observações de radar e descobriram que três das luas, Mimas, Encélado e Tétis, parecem ser duas vezes mais brilhantes do que se pensava anteriormente.

Saturno: Porque será que tem uma Lua assim brilhante?

Há alguns dados que podem explicar essa candura da lua Enceladus. Esta lua tem enormes géiseres que lançam água do seu oceano subterrâneo para o espaço. Posteriormente, esta água congela e cai como neve nas luas próximas. Além disso, muita desta neve cai na superfície do Enceladus. Le Gall e os seus colegas calcularam que esta camada de gelo e neve deveria ter pelo menos algumas dezenas de centímetros de espessura.

Agora sabemos que a neve está realmente a acumular-se, não é apenas uma fina camada de revestimento, mas uma camada muito mais espessa de gelo de água.

Explicou a astrónoma Le Gall.

Isso ajuda a explicar a razão das luas serem são brilhantes em comprimentos de onda de rádio. Esta tecnologia permite penetrar mais fundo sob a superfície do que a luz visível. Contudo, mesmo a neve profunda não consegue explicar completamente o brilho das luas.

Isso sugere que algo mais deve estar enterrado sob a neve ou a descansar em cima dela. Isto porque as ondas rádio do radar da nave foram reflectidas.

Le Gall e a sua equipa estão em processo de modelagem de diferentes estruturas que poderiam responder a estas questões. Desta forma, a explicar uma destas realidades pode estar uma camada de bolas de neve, enormes picos de gelo ou fendas generalizadas. No entanto, estas várias probabilidades ainda não têm correspondência nas observações feitas para que seja geologicamente plausível.

Temos muitas estruturas para testar, e é realmente muito importante para missões futuras que podem pousar nessas luas.

Concluiu Le Gall.

Na verdade, este é um processo importante, pois se um dia quisermos pousar lá, precisamos saber primeiro como é a superfície.

pplware
19 Set 2019
Imagem: NASA/JPL/Space Science Institute

 

2489: NASA vai mesmo explorar Europa, a lua de Júpiter que pode ter vida extraterrestre

JPL-Caltech / NASA
A superfície brilhante de Europa, a misteriosa lua de Júpiter

A NASA deu luz verde a uma missão para explorar uma lua de Júpiter que é considerada um dos melhores candidatos para a vida extraterrestre.

A Europa – que é um pouco mais pequena do que a nossa lua – é um dos 79 satélites naturais do gigante gasoso e tem a particularidade de estar coberta de gelo na totalidade.

Há indícios, de acordo com o jornal britânico The Guardian, que sugerem que por baixo dessa crosta – que poderá ter dezenas de quilómetros de profundidade – pode mesmo haver um oceano. Os cientistas acreditam que nesta água pode ainda existir vida na forma de micro-organismos.

Europa parece ter o hat-trick de condições necessárias para começar a vida: água, possivelmente química e energia na forma de aquecimento de maré, um fenómeno que surge de rebocadores gravitacionais a agir na lua. Isso não só poderia impulsionar reacções químicas, mas também auxiliar o movimento de substâncias químicas entre rochas, superfície e oceano, possivelmente através de fontes hidrotermais.

A missão chamada Europa Clipper consiste na aproximação de uma nave à Europa. A missão irá procurar lagos subterrâneos e fornecer dados sobre a espessura da crosta gelada da lua. A equipa também espera confirmar a presença de plumas de água, previamente detectadas pela sonda Galileo da NASA e pelo telescópio espacial Hubble.

Se confirmado, isso significaria que os cientistas não precisariam de encontrar uma maneira de invadir a crosta gelada da lua para explorar a composição do oceano.

O anúncio significa que a missão recebeu autorização para o projecto final, a nave espacial a ser construída e os instrumentos a serem desenvolvidos e testados. “Estamos todos entusiasmados com a decisão que move a missão Europa Clipper um passo mais perto para desvendar os mistérios deste mundo oceânico”, disse Thomas Zurbuchen, um administrador associado da Directoria de Missões Científicas na sede da NASA em Washington.

A missão que teve luz verde esta quarta-feira deverá ser lançada em 2025 e Agência Espacial Europeia tem uma missão semelhante prevista para 2022.

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Por ZAP
21 Agosto, 2019

 

Astrónomos espiam Europa bloqueando estrela distante – graças à missão Gaia

Este “retrato de família” mostra uma composição de imagens de Júpiter, incluindo a sua Grande Mancha Vermelha e as suas quatro maiores luas. De cima para baixo, as luas são Io, Europa, Ganimedes e Calisto. Europa tem quase o mesmo tamanho que a Lua da Terra, enquanto Ganimedes, a maior lua do Sistema Solar, é maior do que o planeta Mercúrio.
Enquanto Io é um mundo vulcanicamente activo, Europa, Ganimedes e Calisto são gelados e podem ter oceanos de água líquida sob a sua crosta. Europa, em particular, pode até abrigar um ambiente habitável.
Júpiter e as suas grandes luas geladas vão ser o foco da missão Juice da ESA. A sonda vai percorrer o sistema joviano durante cerca de três anos e meio, incluindo “flybys” das luas. Também vai entrar em órbita de Ganimedes, a primeira vez que qualquer lua, além da nossa, é orbitada por uma nave espacial.
As imagens de Júpiter, Io, Europa e Ganimedes foram captadas ela sonda Galileo em 1996, enquanto a imagem de Calisto é da passagem rasante da sonda Voyager de 1979.
Crédito: NASA/JPL/DLR

No dia 31 de Março de 2017, a lua de Júpiter Europa passou em frente de uma estrela de fundo – um evento raro que foi capturado pela primeira vez por telescópios terrestres graças aos dados fornecidos pela nave Gaia da ESA.

Anteriormente, só se tinha conseguido observar apenas outras duas luas de Júpiter – Io e Ganimedes – durante um evento como este.

Gaia opera no espaço desde o final de 2013. A missão visa produzir um mapa tridimensional da nossa Galáxia e caracterizar as inúmeras estrelas que chamam a Via Láctea de lar. Tem sido imensamente bem-sucedida até agora, revelando as posições e movimentos de mais de mil milhões de estrelas.

O conhecimento das posições exactas das estrelas que vemos no céu permite que os cientistas determinem quando vários corpos do Sistema Solar parecem passar em frente de uma estrela de fundo a partir de um dado ponto de vista: um evento conhecido como ocultação estelar.

O Gaia não é estranho a tais eventos – o telescópio ajudou os astrónomos a fazer observações únicas da lua de Neptuno, Tritão, enquanto passava em frente de uma estrela distante em 2017, revelando mais sobre a atmosfera e sobre as propriedades da lua.

As ocultações são extremamente valiosas; permitem medições das características do corpo em primeiro plano (tamanho, forma, posição e mais) e podem revelar estruturas como anéis, jactos e atmosferas. Tais medições podem ser feitas a partir do solo – algo que Bruno Morgado (Observatório Nacional do Brasil e LIneA) e colegas aproveitaram para explorar a lua de Júpiter, Europa.

“Nós usámos dados da primeira divulgação de dados do Gaia para prever que, do nosso ponto de vista da América do Sul, Europa passaria em frente de uma estrela brilhante em Março de 2017 – e para prever a melhor localização a partir da qual observar esta ocultação,” disse Bruno, líder da investigação que escreveu um novo artigo que relata as descobertas da ocultação de 2017. O primeiro lançamento de dados do Gaia teve lugar em Setembro de 2016.

“Isto deu-nos uma oportunidade maravilhosa para explorar Europa, já que a técnica fornece uma precisão comparável à das imagens obtidas por sondas espaciais.”

Os dados do Gaia mostraram que o evento seria visível a partir de uma faixa espessa que corta de noroeste a sudoeste toda a América do Sul. Três observatórios localizados no Brasil e no Chile foram capazes de capturar dados – foram tentados um total de oito locais, mas muitos tiveram más condições climatéricas.

De acordo com as medições anteriores, as observações refinaram o raio de Europa para 1561,2 km, determinando precisamente a posição de Europa no espaço e em relação ao seu planeta hospedeiro, Júpiter, e caracterizaram a forma da lua. Ao invés de ser exactamente esférica, Europa é conhecida por ser elipsóide. As observações mostraram que a lua tem 1562 km quando medida exactamente numa direcção (o chamado “semieixo maior” aparente) e 1560,4 km quando medida na direcção perpendicular (o “semieixo menor” aparente).

“É provável que possamos observar muitas mais ocultações como esta das luas de Júpiter em 2019 e 2020,” acrescentou Bruno. “Júpiter está a passar por uma região do céu que tem como fundo o Centro Galáctico, tornando mais provável que as suas luas passem em frente de estrelas brilhantes de fundo. Isto realmente ajudar-nos-ia a definir as suas formas e posições tridimensionais – não apenas para as quatro maiores luas de Júpiter, mas também para as mais pequenas, mais irregulares.”

Usando o segundo catálogo de dados do Gaia, lançado em Abril de 2018, os cientistas prevêem as datas de futuras ocultações de estrelas brilhantes pela lua Europa, Io, Ganimedes e Calisto nos próximos anos, e listam um total de 10 eventos de 2019 a 2021. Os eventos futuros incluem ocultações estelares de Europa (22 de Junho de 2020), Calisto (20 de Junho de 2020 e 4 de maio de 2021), Io (9 e 21 de Setembro de 2019, 2 de Abril de 2021) e Ganimedes (25 de Abril de 2021).

As restantes três já tiveram lugar em 2019, duas das quais – ocultações estelares de Europa (4 de Junho) e Calisto (5 de Junho) – também foram observadas pelos cientistas e para as quais os dados ainda estão em análise.

As próximas ocultações serão observáveis mesmo com telescópios amadores tão pequenos quanto 20 cm a partir de várias regiões do mundo. A posição favorável de Júpiter, com o plano galáctico no fundo, só ocorrerá novamente 2031.

“Os estudos das ocultações estelares permitem-nos aprender mais sobre as luas do Sistema Solar de longe e também são relevantes para futuras missões que visitarão esses mundos,” comentou Timo Prusti, cientista do projecto Gaia da ESA. “Como este resultado mostra, Gaia é uma missão extremamente versátil: não só avança o nosso conhecimento das estrelas, mas também do Sistema Solar mais amplamente.”

Um conhecimento preciso da órbita de Europa ajudará a preparar as missões espaciais que têm este satélite joviano como alvo, como a Juice (JUpiter ICy moons Explorer) da ESA e a Europa Clipper da NASA, que devem ser lançadas na próxima década.

“Estes tipos de observações são extremamente excitantes,” disse Olivier Witasse, cientista do projecto Juice da ESA. “Vai chegar a Júpiter em 2029; ter o melhor conhecimento possível das posições das luas do sistema ajudar-nos-á a preparar para a navegação da missão e à análise de dados futuros, e a planear toda a ciência que pretendemos fazer.

“Esta ciência depende de nós sabermos vários elementos como trajectórias precisas da lua e o conhecimento de quão próxima uma nave espacial chegará a um determinado corpo, de modo que quanto melhor o nosso conhecimento, melhor será esse planeamento – e a subsequente análise de dados.”

Astronomia On-line
30 de Julho de 2019

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2241: NASA vai enviar pequena aeronave para Titã, a principal lua de Saturno

A NASA anunciou esta quinta-feira que a próxima missão milionária — chamada Dragonfly — vai consistir no envio de um quadrator para explorar Titã, a principal lua de Saturno. 

Titã é o único corpo celeste além da Terra onde sabemos haver corpos de água à superfície. Trata-se do mais parecido a um oceano fora da Terra.

Segundo NASA, o quadrotor – uma pequena aeronave de quatro motores – vai sobrevoar a superfície desta lua gelada à procura de possíveis condições que indiquem a existência de vida. A missão vai ter início em 2026 e deverá chegar a Titã em 2034.

Em Fevereiro, a NASA anunciou que o rover é um projecto para recolher amostras materiais da superfície e para medir as composições dos materiais da superfície de Titã. O Dragonfly será capaz de explorar uma variedade de locais de forma a caracterizar a habitabilidade do ambiente de Titã, investigar a progressão química e até procurar pistas químicas de vida baseadas em água ou hidrato-carbonetos.

Os instrumentos que recolheriam estas informações estão ainda a ser desenvolvidos, sendo testado sob condições semelhantes às de Titã. “Com a missão Dragonfly, a NASA vai, mais uma vez, fazer aquilo que ninguém consegue. Visitar este mundo misterioso oceânico pode revolucionar aquilo que conhecemos sobre a vida no universo. Esta missão de ponta seria impensável há alguns anos, mas agora estamos prontos para o fantástico voo da Dragonfly”, disse Jim Bridenstine, administrador da NASA.

Esta missão, liderada por Elizabeth “Zibi” Turtle, cientista do Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins, surge no âmbito de um programa da NASA, o “New Frontiers”, que permitiu obter as fotografias mais nítidas de Plutão e de Caronte e também conhecer melhor Júpiter.

É a primeira vez que a NASA vai enviar um veículo deste género para outro planeta. Neste caso, o quadrotor vai funcionar como um grande drone.

Ao contrário dos rovers sob rodas que “moram” em Marte – como é o caso da adormecida Opportunity e da Curiosity – o Dragonfly voa, tal como o próprio nome indica, dando-lhe a capacidade de percorrer distâncias maiores. No fundo, a APL desenvolveu um robô voador.

E para ajudar um possível voo, a atmosfera densa e calma de Titã, aliada à baixa gravidade, farão do voo a melhor forma para explorar Saturno. Na verdade, notam os cientistas, voar sob estas condições e mais fácil em Titã do que na Terra.

Dentro deste programa há também uma missão que a decorrer: a Osiris-Rex está neste momento a caminho do asteroide Bennu e quer aterrar lá para tentar saber mais sobre a formação do sistema solar, bem como a origem das moléculas orgânicas (as que têm carbono na sua estrutura) que podem ter permitido o desenvolvimento de vida na Terra, uma vez que a teoria é que um asteróide como o Bennu pode ter impactado com a terra e deixado essas molécula no nosso planeta.

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Por ZAP
27 Junho, 2019

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2228: Telescópio Webb vai estudar Saturno e a sua lua Titã

Esta imagem mostra uma gigante tempestade saturniana observada em comprimentos de onda do infravermelho médio pelo VLT (Very Large Telescope) do ESO em 2011. Os gases quentes que alimentam a tempestade fazem-na brilhar em comparação com o resto do planeta.
Crédito: L. Fletcher (Universidade de Leicester) e ESO

Se perguntar a um estranho na rua qual o seu planeta favorito, provavelmente a resposta será Saturno. Os impressionantes anéis de Saturno são uma vista memorável em qualquer telescópio amador. Mas ainda há muito a aprender sobre Saturno, especialmente sobre o clima e a química do planeta, bem como sobre a origem do seu opulento sistema de anéis. Após o seu lançamento em 2021, o Telescópio Espacial James Webb da NASA observará Saturno, os seus anéis e a sua família de luas como parte de um abrangente programa do Sistema Solar.

Este estudo será levado a cabo através de um programa de Observações de Tempo Garantido liderado por Heidi Hammel, astrónoma planetária e vice-presidente executiva da AURA (Association of Universities for Research in Astronomy) em Washington, D.C., EUA. Hammel foi, em 2002, seleccionada pela NASA como cientista interdisciplinar do Webb.

“O objectivo deste programa é demonstrar as capacidades do Webb para observações do Sistema Solar, incluindo observações de objectos brilhantes, o rastreamento de objectos em movimento e a localização de alvos fracos ao lado de objectos brilhantes,” explicou Hammel. “Os dados serão disponibilizados para a comunidade do Sistema Solar o mais rápido possível para mostrar que o Webb pode fazer o que prometemos.”

O Webb vai prosseguir onde a sonda Cassini da NASA parou. A Cassini orbitou Saturno durante 13 anos, de 2004 até a missão terminar em 2017, quando mergulhou na atmosfera de Saturno. Desde então, programas como o OPAL (Outer Planet Atmospheres Legacy) do Telescópio Espacial Hubble e medições no solo têm sido a única maneira de monitorizar Saturno.

As estações de Saturno

Saturno está inclinado no seu eixo, tal como a Terra e, como resultado, também tem estações à medida que orbita o Sol. No entanto, como o ano de Saturno equivale a 30 anos terrestres, cada estação dura cerca de sete anos e meio. A Cassini chegou durante o verão no hemisfério sul (inverno no hemisfério norte). Mas agora é verão no hemisfério norte. Os astrónomos estão ansiosos por procurar mudanças sazonais na atmosfera de Saturno.

“Estas observações vão dar-nos um ensaio completo do sistema de Saturno para ver o que mudou, para ver como as estações evoluíram desde os últimos vislumbres da Cassini e para aproveitar capacidades do Webb que a Cassini nunca teve,” disse Leigh Fletcher, da Universidade de Leicester, Inglaterra, investigador principal do programa.

No final de 2010, uma tempestade monstruosa irrompeu no hemisfério norte de Saturno. Começou como uma mancha pequena, mas cresceu rapidamente, até que no final de Janeiro de 2011 cercava o planeta. Os astrónomos ficaram surpresos porque tais tempestades normalmente só se formam depois do solstício de verão, que ocorreu em 2017. Eles vão observar mais tempestades à medida que o hemisfério norte de Saturno passa de verão para outono ao longo da missão do Webb.

As tempestades não são os únicos fenómenos atmosféricos que Saturno e a Terra partilham. Saturno também tem auroras. Estas auroras desencadeiam mudanças químicas na atmosfera de Saturno, quebrando algumas moléculas e permitindo a formação de algumas novas. O Webb vai procurar assinaturas desta química invulgar em comprimentos de onda infravermelhos, particularmente na região polar norte.

Titã, a maior lua de Saturno

A maior lua de Saturno, Titã, também cairá sob o olhar poderoso do Webb. Titã não tem igual porque é a única lua do nosso Sistema Solar com uma atmosfera substancial. Na verdade, é maior que o planeta Mercúrio. A pressão atmosférica em Titã é cerca de 50% maior que a da Terra. Tal como na Terra, essa atmosfera é principalmente azoto, mas Titã também possui hidrocarbonetos vaporosos como o metano. Titã é também muito mais fria que a Terra, com uma temperatura de superfície que ronda os -180º C.

No interior da atmosfera de Titã, as reacções químicas estão constantemente a produzir a sua composição. As moléculas são quebradas nos seus constituintes como carbono, hidrogénio, oxigénio e azoto. Esses átomos formam novas moléculas, que se infiltram no ar e se acomodam em qualquer pólo onde seja inverno.

“A atmosfera de Titã é como um grande laboratório de química,” disse Conor Nixon, do Centro de Voo Espacial Goddard da NASA, em Greenbelt, no estado norte-americano de Maryland, investigador principal do programa. Nixon e colegas vão usar os instrumentos NIRSpec (Near-Infrared Spectrograph) e MIRI (Mid Infrared Imager) do Webb para estudar estas moléculas em muito mais detalhe do que os instrumentos da Cassini permitiam.

Titã é também o único objecto do nosso Sistema Solar, além da Terra, com mares e lagos líquidos à sua superfície. Enquanto a Terra tem um ciclo de água no qual a água evapora, cai como chuva e flui pelos rios até ao oceano, Titã tem um ciclo similar com o metano. Em Titã, a chuva de metano escava leitos de rios através de água gelada como rocha antes de correr para os mares. A Cassini e a sua pequena sonda Huygens, da ESA, que aterrou em Titã em 2004, fizeram descobertas notáveis sobre esta lua saturniana. O Webb vai estudar os ciclos climáticos sazonais de Titã para compará-los com os modelos dos astrónomos.

“Titã tem nuvens e clima que podemos ver mudando em tempo real. A sua química é muito diferente da da Terra, mas ainda é química orgânica baseado no carbono,” disse Stefanie Milam de Goddard, co-investigadora do programa.

O tempo de vida da missão do Webb, após o lançamento, foi projectado para ser pelo menos de cinco anos e meio, mas poderá durar dez ou mais. Como resultado, pode observar o verão no hemisfério norte passando pelo equinócio de outono e para a primavera a sul. Quase que “completaria o círculo” começado quando a Cassini chegou a Saturno durante o verão no hemisfério sul.

“Nós genuinamente teremos coberto todo um ano de Saturno. Seria uma experiência bastante reveladora,” disse Fletcher.

O Telescópio Espacial James Webb será o principal observatório científico espacial quando for lançado em 2021. Vai resolver mistérios do nosso Sistema Solar, olhar para mundos distantes ao redor de outras estrelas e investigar as misteriosas estruturas e origens do nosso Universo e o nosso lugar nele. O Webb é um projecto internacional liderado pela NASA e pelos seus parceiros, a ESA e a Agência Espacial Canadiana.

Astronomia On-line
25 de Junho de 2019

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2177: As luas fora do Sistema Solar podem esconder vida extraterrestre

CIÊNCIA

ESO/M. Kornmesser

As luas que orbitam planetas fora do Sistema Solar (exoluas) podem abrigar vida extraterrestre, segundo sustentam astrofísicos numa nova investigação.

Os planetas para lá do Sistema Solar são já mais de 4000, mas apenas uma pequena fatia destes mundos está na chamada zona habitável, isto é, tem condições para abrigar vida.

No entanto, e contrariando as baixas possibilidades de habitabilidade, alguns exoplanetas podem ter os seus próprios satélites (exoluas) com água no estado líquido. Partindo deste pressuposto, os cientistas defendem que as exoluas devem ser tidas em conta quando se procura por vida extraterrestre.

“Estas luas podem ser aquecidas no seu interior pela atracção gravitacional do planeta que orbitam. Por isso, podem conter água líquida mesmo estando fora da zona habitável, onde encontramos planetas semelhantes à Terra”, explicou Phil Sutton, cientista da Universidade de Lincoln, no Reino Unido.

Caso os cientistas consigam detectar as exoluas, estes satélites podem ser a chave para a tão procurada vida extraterrestre. “Acredito que, se pudermos encontrá-las, as luas oferecem um caminho mais promissor para encontrar vida extraterrestre”, frisou.

Devido ao seu tamanho e à distância a que se encontram da Terra, as exoluas são extremamente difíceis de encontrar. Por isso, explicou Sutton, os cientistas terão que debruçar o seu trabalho de localização através do efeito que produzem nos objectos à sua volta, como é o caso dos anéis planetários.

Para a nova investigação foram utilizadas simulações computorizadas para modelar os anéis em torno do exoplaneta J1407b, que são 200 vezes maiores do que os de Saturno. Sutton quis perceber se o espaço entre as luas era o resultado da acção das luas.

O estudo apontou que, apesar de as luas influenciarem a dispersão de partículas ao longo da borda do anel neste exoplaneta, é improvável que as lacunas tenham sido causadas por forças gravitacionais de uma lua desconhecida.

Apesar dos resultados inconclusivos, pesquisas publicadas anteriormente sugerem que existem muitas lacunas no maciço “disco formador da lua” do exoplaneta J1407b, que podem ser explicadas pelas exoluas.

A investigação, que será publicado na revista científica Monthly Notices da Astronomical Society, está disponível para visualização no arquivo de pré-publicação arXiv.

ZAP // SputnikNews

Por ZAP
15 Junho, 2019

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2000: Vem aí uma Lua cheia especial (e é azul)

Carl Jones / Flickr

A Lua Cheia deste sábado à noite será uma Lua Azul. Existem duas definições principais de uma Lua Azul, ambas referentes a uma lua cheia adicional que aparece dentro de uma certa janela de tempo, seja uma estação ou um mês.

O fenómeno é raro, chama-se Full Blue Moon, e só volta a acontecer em Agosto de 2021. Esta vai também ser a terceira de quatro luas cheias da primavera, outro acontecimento incomum, já que por norma o satélite natural só entra nesta fase três vezes por estação.

Em termos astronómicos, uma estação é o tempo que decorre entre um equinócio e um solstício. Na maior parte das vezes só existem três Luas Cheias numa mesma estação. Quando há quatro, no entanto, algo que acontece a cada dois a três anos, chama-se “Lua Azul” à terceira.

Neste caso, entre o equinócio que abriu a primavera (19 de Março) e o solstício que vai estrear o verão (21 de Junho), também haverá quatro luas cheias. A primeira foi a 21 de Março, a segunda a 19 de Abril e a terceira será este sábado. A última antes do solstício acontecerá a 17 de Junho. De acordo com a NASA, o fenómeno vai ser visível, especialmente, às 22h11 em Portugal.

Contudo, apesar de as condições atmosféricas lhe poderem dar um brilho azulado, esta lua não será realmente azul. E a previsão meteorológica pode não estar do seu lado. O relatório mais recente do Instituto Português do Mar e da Atmosfera, assinado pelo meteorologista Bruno Café, avisa que se esperam períodos de céu muito nublado. Pode até haver chuva fraca no litoral norte e centro e no litoral oeste da região sul.

Nos próximos 19 anos haverá apenas mais sete Luas Azuis como esta. A próxima será a 22 de Agosto de 2021. Depois são as de 19 de Agosto de 2024, 20 de Maio de 2027, 24 de Agosto de 2029, 21 de Agosto de 2032, 22 de Maio de 2035 e 18 de Maio de 2038.

Nos Estados Unidos ainda lhe dão outros três nomes, explica a Earth Sky: Lua da Flor, Lua de Leite ou Lua da Sementeira. O nome tradicional para a lua cheia é às vezes a Lua da Flor, usada para significar as flores que florescem durante este mês no Hemisfério Norte.

Os nomes tradicionais de luas são frequentemente uma mistura de termos usados por culturas antigas, tribos nativas americanas e pagãos pré-cristãos europeus. Hoje em dia, não significam tanto Por exemplo, em Janeiro de 2019, testemunhámos o “Super Blood Wolf Moon” – ou Super Lua de Sangue.

ZAP //

Por ZAP
17 Maio, 2019


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Vai ser difícil conseguir ver a Lua Azul de logo dado que existe muita nebulosidade e segundo o IPMA, a previsão meteorológica não vai estar do lado dos astrónomos amadores e profissionais. Na passada Lua de Sangue, ainda se conseguiu um bom tempo, conforme atesta a imagem que captei nesse dia.

 

1648: A exótica lua de Saturno pode abrigar vida alienígena

NASA / JPL-Caltech

Amanda Hendrix, cientista planetária NASA e responsável pelo programa de exploração de locais do Sistema Solar que poderiam albergar oceanos subterrâneos, sugere que alguma estranha forma de vida pode viver em Titã, o segundo maior satélite de Saturno.

“Temos que perceber se estes oceanos são habitáveis e, se assim for, [verificar] se há vida neles”, afirmou Hendrix ao jornal Express, dando conta dos objectivos do Programa de Exploração de Oceanos que lidera.

Titã, muitas vezes apontada como a lua exótica de Saturno, é o segundo maior satélite do planeta e os especialistas têm evidências claras de que este mundo contém massas líquidas estáveis à superfície. “Titã é um mundo oceânico único, porque tem um oceano no subsolo e tem também lagos de hidrocarbonetos líquidos à superfície”, destacou.

Hendrix acredita que as condições na superfície de Titã são bastante apropriadas para a presença de vida. Apesar das potencialidades, a cientistas duvida que “existam alienígenas com cabeças verdes a nadar por ai”, apostando antes que os oceanos da lua possam conter algumas “formas de vida simples”. “Pode haver algum modo de vida louco baseado no metano existente à superfície de Titã”, apontou.

A cientista aponta ainda que, além de Titã, existem dois outros lugares que podiam abrigar vida: em Enceladus (o sexto maior satélite de Saturno), e na Europa (o sexto satélite natural de Júpiter). Segundo revelou a cientista, a agência espacial norte-americana está actualmente a decidir duas missões astronómicas para estudar estes satélites.

Apesar de a água ser uma condição considerada como básica para a vida, os cientistas não chegaram ainda a um consenso, continuando a debater se a água e os mundos oceânicos são propícios a formas de vida ainda desconhecidas ou se são, em sentido inverso, hostis a seres alienígenas – a procura por estas formas de vida vai, certamente, continuar e o debate promete continuar aceso.

ZAP //

Por ZAP
28 Fevereiro, 2019

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1639: A nova Lua de Neptuno, Hipocampo

Hoje em dia conhecemos 194 satélites naturais no sistema solar (158 confirmados e 36 ainda provisórios) em órbita à volta dos vários planetas do sistema solar, tanto dos principais como dos planetas anões.

Uma das recentes adições à nossa família do sistema solar foi a minúscula lua de Neptuno, chamada Hipocampo, que com apenas 34 Km de diâmetro foi identificada em 2013 na proximidade de Proteu (uma lua muito maior) em dados de arquivo do Telescópio Espacial Hubble da NASA.

Créditos: NASA e ESA

A presença de uma lua pequena junto a uma grande foi um mistério, pois a acção gravitacional de Proteu deveria ter ou absorvido ou empurrado Hipocampo para longe na época da sua formação.

A explicação avançada esta semana é de que Hipocampo é um pedaço de Proteu arrancado pelo impacto de um cometa. Esta explicação parece ser confirmada pelas antigas observações da sonda Voyager 2. Quando a sonda passou em Neptuno, no ano de 1989, descobriu seis luas internas orbitando o planeta. Uma delas, Proteu, tinha uma grande cratera de impacto e os astrónomos imediatamente colocaram a hipótese, de que um cometa teria no passado chocado com esta lua Proteu. No entanto Hipocampo não foi vislumbrado na altura e o mistério permaneceu até hoje.

O par Proteu-Hipocampo fornece uma ilustração dramática de que as luas são às vezes originadas pelos cometas.

Até agora descobriram-se 194 luas no sistema solar, 79 das quais em Júpiter, mas muito provavelmente ainda há muitas mais para descobrir, não só no nosso sistema solar mas também nos muitos outros sistemas que se têm descoberto.

Fonte: OAL / FCUL

OAL – Observatório Astronómico de Lisboa
25 Fev 2019

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1617: A mais pequena lua de Neptuno pode ter nascido da sua segunda maior lua

NASA

A lua mais pequena de Neptuno, a Hipocampo, parece ser um fragmento da segunda maior lua do planeta, a Proteu, sugerem astrónomos num estudo esta quinta-feira divulgado pela Agência Espacial Europeia (ESA).

Os astrónomos chegaram a esta conclusão a partir de observações com o telescópio espacial Hubble, operado pela ESA e pela agência espacial norte-americana NASA, e de dados mais antigos da sonda Voyager 2, que se aproximou de Neptuno em 1989.

Segundo o estudo, citado hoje em comunicado, a lua Hipocampo terá resultado da fragmentação da lua Proteu quando foi atingida por um cometa há mil milhões de anos, formando uma cratera na sua superfície.

“Em 1989, pensávamos que a cratera era o fim da história. Com o Hubble, sabemos agora que um pequeno pedaço de Proteu ficou para trás e que é Hipocampo”, afirmou, citado no comunicado da ESA/Hubble, o coordenador da equipa de astrónomos, Mark Showalter, do Instituto norte-americano SETI, que foi fundado pelo cosmólogo e divulgador de ciência Carl Sagan (1934-1996).

A lua Hipocampo, que terá cerca de 34 quilómetros de diâmetro, foi descoberta em 2013 e a sua órbita está muito próxima da de Proteu, lua que, de acordo com os astrónomos, teve origem num cataclismo envolvendo os satélites naturais de Neptuno, um dos ‘gigantes’ gasosos e o último planeta do Sistema Solar.

“O Hipocampo é um ponto não resolvido nas imagens do [telescópio] Hubble. Como tal, não conseguimos saber mais nada além de determinar a sua órbita e saber qual a quantidade de luz que reflete”, descreveu ao jornal Público Mark Showalter. “Supomos ainda que a sua superfície tenha a mesma cor (cinzento muito escuro) de outras luas próximas”, avançou.

SETI Institute
Comparação de tamanho das sete luas internas de Neptuno

Há mil milhões de anos, Neptuno capturou um corpo enorme da cintura de Kuiper, que, defendem os especialistas, corresponde à maior lua do planeta, Tritão.

Os resultados foram esta quinta-feira publicados na revista especializada Nature.

ZAP // Lusa

Por ZAP
21 Fevereiro, 2019

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1493: Luas com oceano subterrâneo podem estar geologicamente “mortas”

NASA
Encélado, a lua gelada de Saturno

Há mais de duas décadas que os cientistas têm vindo a debater sobre qual lua do Sistema Solar tem a maior probabilidade de abrigar vida microbiana nos seus oceanos subterrâneos.

As candidatas mais mencionadas são a Encélado, a lua de Saturno, e a Europa, a lua de Júpiter, que têm oceanos no estado líquido debaixo das suas crostas congeladas. Contudo, um novo estudo levanta dados que sugerem que a hipótese de, com exceção da Encélado, estas luas estarem, na verdade, “mortas” por dentro – não apenas geologicamente, como também biologicamente.

Missões da NASA, como Galileo e Cassini, deram evidências de que estas duas luas abrigam oceanos globais subterrâneos, aquecidos pela atracção gravitacional dos planetas que orbitam.

Considerando o facto de que, na Terra, existem comunidades de seres a viver na escuridão e alta pressão do fundo do mar, não e difícil perceber como surgiu a suspeita de que a Encélado e a Europa possam abrigar micróbios alienígenas debaixo das suas crostas.

Na Terra, os micróbios que vivem no fundo do mar alimentam-se de substâncias químicas produzidas onde a rocha quente e a água do oceano se misturam continuamente. E, se estruturas semelhantes são encontradas em mundos alienígenas em que há oceanos subterrâneos, a perspectiva de encontrar vida fora da Terra fica mais plausível.

Porém, o estudo conduzido por Paul Byrne, geólogo planetário da Universidade Estadual da Carolina do Norte, “destrói” essa ideia.

Com a sua equipa, Byrne determinou quanta força seria necessária para quebrar a rocha oceânica de duas formas, conforme o que vemos na Terra: falha normais e falhas de impulso. Quanto mais força for necessária para quebrar a rocha, menos actividade geológica está a acontecer – isto é, menos interacções entre a rocha e a água do mar e, portanto, menor a possibilidade de ali haver algum tipo de vida.

Além de Encélado e Europa, Byrne analisou outras luas como Ganimedes (Júpiter) e Titã (Saturno), calculando a força das rochas de cada um desses mundos. Esses cálculos baseiam-se na espessura da camada de rocha sólida e fria que repousa sobre uma camada morna e quente, que não é capaz de ser quebrada.

Valores como a gravidade do corpo numa profundidade definida e o peso da água e do gelo no topo da superfície da lua foram acrescentados aos dados. E, de acordo com Byrne, os resultados iniciais sugerem que as rochas dessas luas são tão fortes que não há força conhecida grande o suficiente para quebrá-las.

Cientistas descobrem nova característica em lua de Saturno que assemelha ainda mais à Terra

O corpo celeste é considerado o mais parecido com o nosso planeta em todo o Sistema Solar. Titã, uma das…

Em cada uma das luas analisadas, a equipa fez os mesmos cálculos considerando diferentes valores para a força da rocha, com estes valores estando dentro do esperado para cada mundo – e os resultados não são promissores para a vida alienígena. “Para Europa, parece muito difícil fazer qualquer fractura nas rochas, e depois de olhar para Titã e Ganimedes, concluímos que não está a acontecer nada por ali”, disse Byrne.

Já para Encélado os resultados não são tão sombrios, uma vez que a lua é muito menor do que as outras três, o que reduz o peso da água e do gelo acima da superfície rochosa e, além disso, o seu núcleo é mais poroso.

Graças aos dados recolhidos pela sonda Cassini, os cientistas têm evidências de que rocha e água ainda interagem em Encélado, o que justifica as plumas de água que são expelidas por meio de fracturas na crosta congelada deste satélite de Saturno. Nessas plumas, inclusive, foi identificada a existência de moléculas orgânicas complexas.

Então, é possível concluir que Encélado é realmente a lua do Sistema Solar com as maiores probabilidades de abrigar algum tipo de vida, ainda que microbiana.

Este estudo poderá levar a NASA a mudar os seus planos, já que na mesa há um projecto chamado Europa Clipper com previsão de lançamento para 2022, justamente para buscar sinais de vida na lua de Júpiter, enquanto Encélado ainda não tem nenhuma nova missão específica com este objectivo.

De qualquer maneira, Byrne enfatiza que os resultados iniciais do seu estudo ainda não são conclusivos, apenas fornecendo fortes evidências de que as luas estudadas, com excepção de Encélado, podem estar “mortas” por dentro.

ZAP // Scientific American

Por ZAP
19 Janeiro, 2019

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