2191: Sal de mesa descoberto numa Lua de Júpiter aumenta esperanças de vida alienígena

CIÊNCIA

JPL-Caltech / NASA
A superfície brilhante de Europa, a misteriosa lua de Júpiter

A descoberta dos compostos de sal de mesa na Europa, uma das luas de Júpiter, pode abrir a possibilidade de que haja lá vida alienígena ou que este seja um lugar habitável no futuro.

Acredita-se que Europa, uma lua congelada em torno de Júpiter, seja um dos mundos mais habitáveis do sistema solar. Foi primeiro avistado em detalhe pela sonda Voyager 1 em 1979, revelando uma superfície quase desprovida de grandes crateras.

Este satélite é principalmente feito de silicato e, segundo o Tech Explorist, tem uma crosta de gelo e provavelmente um núcleo de ferro e níquel. A sua atmosfera é composta maioritariamente por oxigénio e, por debaixo do gelo, água salgada. No entanto, as observações não permitiram saber ao certo como é a água salgada desta Lua.

Agora, um novo estudo, publicado esta quarta-feira na revista Science Advances, mostra que pode ser cloreto de sódio, conhecido como sal de mesa. Isto tem implicações importantes para a potencial existência de vida nas profundezas ocultas da Europa.

Os cientistas acreditam que a circulação hidrotermal no oceano, possivelmente impulsionada por fontes hidrotermais, pode naturalmente enriquecer o oceano em cloreto de sódio, através de reacções químicas entre o oceano e a rocha. Na Terra, acredita-se que as fontes hidrotermais sejam uma fonte de vida, como as bactérias.

De acordo com o The Conversation, descobriu-se que as plumas que emanam do pólo sul da lua de Saturno Enceladus, que tem um oceano semelhante, contêm cloreto de sódio, tornando tanto Europa quanto Enceladus alvos ainda mais atraentes para exploração.

Se olharmos para o espectro da luz reflectida da superfície, podemos inferir quais as substâncias que lá estão. Isto mostra evidências de gelo. A questão pertinente dos cientistas é se essas substâncias vêm do interior da Europa.

Para produzir ácido sulfúrico em água gelada, é necessário uma fonte de enxofre e energia para impulsionar a reacção química. Parte disso pode vir de dentro da lua na forma de sais de sulfato, alguns dos quais podem ser libertados por meteoritos, mas a explicação mais plausível é que vem da sua lua vulcânica, Io.

A equipa responsável por este novo estudo argumentou que o lado da Europa ao longo da sua órbita, o principal hemisfério, que é protegido do bombardeamento de enxofre, pode ser o melhor lugar para procurar evidências de quais sais realmente existem dentro da lua.

Os investigadores usaram o poderoso Telescópio Espacial Hubble e descobriram evidências de cloreto de sódio. Embora já houvessem suspeitas de sais na Europa, os dados mais recentes do Hubble permitiram que os cientistas o reduzissem a uma região chamada de terreno do caos. Isto significa que eles provavelmente virão do interior da Europa.

A vida como a conhecemos precisa de água líquida e energia. O facto da Europa ter um oceano líquido diz-nos que há água líquida e uma fonte de energia para impedir que ela congele. Mas a composição química do oceano também é crucial. Salmoura, “água salgada”, tem um ponto de congelamento menor do que a água pura, o que significa que torna a água mais habitável.

O sal, especificamente os iões de sódio no sal de mesa, é também crucial para toda uma gama de processos metabólicos na vida vegetal e animal. Em contraste, alguns outros sais, como os sulfatos, podem inibir a vida se presentes em grandes quantidades.

Os cientistas estavam ansiosos para puderem apontar que podem estar a ver apenas a ponto do icebergue de uma complicada cadeia de processos sub-superficiais. Mas, para aqueles que esperam que haja vida na Europa, a descoberta do cloreto de sódio é uma excelente notícia.

ZAP //

Por ZAP
18 Junho, 2019

 

2184: NASA precisa de 20 mil milhões de dólares adicionais para levar humanos à Lua

Jim Bridenstine, administrador da NASA. REUTERS/Leah Millis

O orçamento actual da NASA ronda os 20 mil milhões de dólares por ano – mas esse valor pode não ser suficiente para as próximas missões. A revelação foi feita por Jim Bridenstine, administrador da NASA, que aponta a necessidade de aumentar o financiamento anual da agência.

A agência espacial norte-americana quer colocar humanos na lua em 2024. Para concluir o projecto da Lua, o administrador da NASA estima que sejam “precisos entre 20 a 30 mil milhões de dólares”, nos próximos cinco anos.

Em entrevista à CNN, o administrador da NASA refere que este aumento de orçamento, que rondará os 4 a 6 mil milhões de dólares adicionais, permitirá criar um “programa sustentável”. “Pensemos na questão como um investimento a curto prazo para chegar a um programa sustentável na lua, onde estaremos também a manter um olho em Marte”.

A próxima missão de aterragem na Lua recebeu o nome de Artemis – o nome da deusa grega irmã de Apolo, a designação dada à missão que colocou o homem na Lua, há cinquenta anos. Entretanto, esta nova missão já foi criticada por Donald Trump, num tweet que aponta que a NASA deveria estar preocupada com Marte e não com a Lua.

À CNN, Jim Bridenstine esclareceu que está amedrontado pelas declarações de Trump – especialmente quando qualquer aumento de orçamento da NASA precisa de ser aprovado pelo Congresso.

O governo de Donald Trump já submeteu um pedido de aumento de 1,6 mil milhões de dólares ao orçamento da NASA, para o próximo ano fiscal. Caso seja aprovado, o orçamento da NASA passaria para os 21,6 mil milhões de dólares – ainda longe das ambições indicadas pelo administrador da agência.

dn-insider
Sexta-feira, 14 Junho 2019
Cátia Rocha

2156: Cientistas detectam misteriosa anomalia gravitacional na Lua

© TVI24 (REUTERS)

Uma misteriosa anomalia gravitacional foi descoberta na Lua.

A anomalia foi detectada quando os cientistas da Universidade de Baylor, no Texas, mediam pequenas alterações na força gravítica da Lua, através da análise de dados recolhidos em missões da NASA.

Os investigadores suspeitam que esta anomalia é causada por uma massa de metal que está debaixo da superfície lunar, segundo o estudo publicado no  Geophysical Research Letters.

Imagine uma massa de metal cinco vezes maior que a Ilha Grande do Havai enterrada na Lua. É mais ou menos isto que foi detectado”, explicou um dos autores do estudo, o cientista Peter James.

Este metal está enterrado numa cratera que se estima ser a mais larga cratera do Sistema Solar, com dois quilómetros de largura e 13 de profundidade. Apesar da sua dimensão, a cratera não é visível a partir da Terra pois encontra-se no lado mais longínquo da Lua.

Os cientistas acreditam que o metal se depositou após a colisão do asteróide que formou esta cratera.

msn notícias
Redacção TVI24
11/06/2019

© Eclypse – Imagem lunar de hoje

2145: Voltar à Lua, para quê?

O pequeno satélite da Terra ainda esconde segredos e pode ser o prólogo do caminho para Marte, já encarado como o planeta B. A NASA está na linha da frente, mas na corrida estão também os milionários Elon Musk e Jeff Bezos. Cinquenta anos depois do primeiro passo, a Humanidade prepara agora o grande salto

© NASA Expresso

Desde que, em 1969, o homem pisou a superfície lunar pela primeira vez, a sede pelo conhecimento do espaço passou a abranger o planeta Marte. Para a NASA, tudo se afigura mais do que provável e a próxima missão à Lua já tem nome: Artemis, gémea de Apolo.

A próxima missão do homem à Lua já tem data (2024) e plano, que passa por colocar na órbita do único satélite natural da Terra uma nova estação espacial (Gateway), que servirá de apoio às missões à Lua e futuras viagens espaciais.

No mês passado, no seu estilo habitual, no Twitter e com letras maiúsculas, o Presidente dos Estados Unidos reforçou a mensagem: “Sob a minha Administração, vamos recuperar a grandeza da NASA e vamos voltar à Lua e depois iremos a Marte. Vou actualizar o orçamento em 1,6 mil milhões de dólares para que possamos voltar ao Espaço em GRANDE”.

Resta saber se, ao contrário do que aconteceu ao seu antecessor, John F. Kennedy — que não sobreviveu para ver os dois primeiros homens a caminhar na Lua, como prometeu que iria acontecer ainda na década de 60 — Donald Trump consegue ser reeleito e assistir a novo feito a partir da Casa Branca.

A acontecer, será o primeiro passo de uma viagem espacial que se quer mais longa e da construção do que se espera ser uma base permanente humana na Lua e na sua órbita. A ideia já não é só ir, espetar a bandeira do país e voltar para casa, explica Pedro Machado, investigador do Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço e professor na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.

“Há muitos anos que temos a tecnologia necessária para regressar e há questões científicas importantíssimas ainda por estudar. Se não voltámos desde a década de 70 foi por razões meramente políticas. O prazo é curto, mas desde que haja investimento é exequível. Construir uma missão como a Agência Espacial Europeia fez com o envio da sonda “Rosetta” (até um cometa que orbita entre a Terra e Júpiter e ao qual chegou 10 anos depois de ser enviada da Guiana Francesa) parece-me bastante mais difícil do que ir à Lua”, exemplifica o investigador. Afinal, a Lua está mesmo ali em cima, a menos de 400 mil quilómetros de distância, o equivalente a “um segundo-luz”.

msn notícias
Expresso
Isabel Leiria

A Lua vista pelo meu telescópio que, comparado com estes “monstros” da NASA, é um simples brinquedo.

© PhotoMoon Backyard by Eclypse – Jul2017



Trump diz que a Lua faz parte de Marte…e é arrasado no Twitter

Presidente diz que a NASA se deve deixar de projectos para regressar à Lua e concentrar-se noutros, “como Marte (de que a Lua é uma parte).”

© REUTERS/Kevin Lamarque/File Photo

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, continua a somar observações desconcertantes no Twitter. Desta vez, a propósito dos planos da Agência Espacial Norte-Americana (NASA) para regressar em breve à Lua, defendeu que esta se deve concentrar em projectos mais ambiciosos, incluindo, e citamos: “Marte (de que a Lua é uma parte)”, Defesa e Ciência”.

Há quem admita a possibilidade de Trump se estar a referir, ainda de que forma bastante confusa, aos projectos da NASA para utilizar a Lua como base de lançamento de futuras missões a Marte. No entanto, tendo em conta que o tweet em causa começa com o presidente dos Estados Unidos a defender que “a NASA não devia estar a falar sobre ir à Lua – fizemos isso há 50 anos”, essa justificação parece um tanto ou quanto forçada.

Ainda que seja igualmente inconcebível a ideia de que um Presidente dos Estados Unidos possa desconhecer que a Lua é o satélite natural da Terra, é esta a leitura que, a julgar pelos comentários que esta intervenção gerou, está a ser feita pela maioria dos internautas que comentaram a publicação. Há quem tente dar umas lições básicas de astronomia a Trump. E há quem se conforme e diga que mais vale reescrever as enciclopédias.

A NASA ainda não se pronunciou sobre as afirmações de Donald Trump. Mas Marte já o fez. Ainda que seja de admitir que a conta do planeta possa não ser oficial.

O que estará de facto a preocupar a NASA, mais do que as noções de astronomia do presidente, é o facto de este ter aparentemente mudado totalmente de posição em relação ao projecto lunar, cuja equipa deverá integrar uma mulher. É que, há menos de um mês, Trump anunciava entusiasticamente os planos da sua administração para um regresso “em grande” ao espaço, Lua incluída.

Ainda esta sexta-feira, recorde-se, a NASA tinha anunciado planos para abrir a Estação Espacial Internacional ao turismo, de forma a ajudar financiar vários projectos, incluindo as missões lunares, e a reforçar a ligação ao sector privado.

Diário de Notícias

DN
08 Junho 2019 — 22:34



2122: Bizarros clarões de luz vindos da Lua estão a intrigar os astrónomos

CIÊNCIA

giumaiolini / Flickr

Várias vezes por semana, podemos ver clarões que aparecem na superfície da Lua. Algumas vezes são rápidos, outras duram mais tempo. Em algumas ocasiões, há lugares que escurecem temporariamente.

Os cientistas não sabem exactamente o que está a causar a aparição destas misteriosas luzes no nosso satélite natural. Uma das hipóteses é que serão provocadas por impactos de meteoritos. Ou então pode tratar-se de partículas de vento solar carregadas electricamente que reagem com o pó lunar.

“Também se observaram actividades sísmicas na Lua. Quando a superfície se move, os gases que reflectem a luz solar poderiam escapar do interior da Lua. Isto explicaria os fenómenos luminosos, alguns dos quais duram horas”, disse Hakan Kayal, professor de tecnologia espacial na Universidade de Würzburgo, na Alemanha. Os chamados fenómenos lunares transitórios conhecem-se desde a década de 1950, mas não foram observados de maneira sistemática e a longo prazo.

Kayal e a sua equipa construíram, de acordo com a ABC, um telescópio lunar e puseram-no em funcionamento em Abril. Está localizado num observatório privado em Espanha a cerca de 100 quilómetros a norte de Sevilha numa zona rural.

O telescópio é controlado remotamente a partir do campus da JMU. Consiste em duas câmaras que monitorizam a lua noite após noite. Somente se ambas as câmaras registarem um fenómeno de luz ao mesmo tempo, o telescópio activará outras acções. Em seguida, armazena as fotos e sequências de vídeo do evento e envia um e-mail para a equipa de Kayal.

O sistema ainda não está completamente terminado: o software, que detecta automaticamente flashes e outros fenómenos de luz, está a ser aperfeiçoado. Kayal planeia usar métodos de inteligência artificial, entre outras coisas: redes neurais garantem que o sistema gradualmente aprenda a distinguir um flash da Lua de falhas técnicas ou de pássaros e aviões a passar na frente da câmara. Estima-se que será necessário outro ano de trabalho antes que possa ser feito.

Para Kayal, reduzir a taxa de falsos alarmes o máximo possível é apenas o primeiro marco deste projecto. O sistema será usado mais tarde numa missão de satélite. As câmaras poderiam trabalhar em órbita ao redor da Terra ou da Lua. O cientistas espera que isto leve a resultados muito melhores.

Quando o telescópio documenta um fenómeno luminoso, a equipa comparara os resultados com a Agência Espacial Europeia (ESA), que também observa a lua. “Se a mesma coisa for vista lá, o evento pode ser considerado confirmado.” Se necessário, uma investigação conjunta adicional poderá ser iniciada.

A nova “corrida para a lua” aumentou o interesse em fenómenos de luz no nosso satélite. A China iniciou um abrangente programa lunar e, no início de Janeiro, enviou uma sonda para o outro lado da Lua. A Índia está a planear uma missão semelhante.

Em reacção a essas iniciativas, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, falou em Maio do retorno do seu país à Lua. A China e empresas privadas como a SpaceX ou a Blue Origin também estão a considerar a Lua como um habitat para humanos a longo prazo. Além disso, existem matérias-primas lá, como metais raros, que são necessárias para a criação de smartphones e outros dispositivos.

ZAP //

Por ZAP
6 Junho, 2019



2052: Formação da Lua trouxe água para o planeta Terra

CIÊNCIA

Marshall Space Flight Center / NASA

A formação da Lua trouxe para a Terra condritos carbonosos, que são fonte provável da água no nosso planeta e de elementos altamente voláteis, como carbono, nitrogénio, hidrogénio e enxofre.

A Terra é o único planeta terrestre com grandes quantidades de água e com uma lua relativamente grande que equilibra o eixo do nosso planeta. A Terra foi crescendo através de colisões com embriões planetários, que trouxeram consigo materiais semelhantes aos tais condritos carbonosos.

Compreender quando e como é que estes materiais chegaram à Terra é fundamental para perceber os processos fundamentais pelos quais o planeta se tornou habitável. A possibilidade de terem trazido consigo água, é um dos principais factores.

Um novo estudo da Universidade de Münster, publicado esta segunda-feira na revista Nature Astronomy, mostra que a água chegou ao nosso planeta com a formação da Lua há 4,4 mil milhões de anos. A Lua foi então formada quando a Terra foi atingida por um planeta, do tamanho de Marte, chamado Theia.

Com esta investigação, os cientistas conseguiram provar que, ao contrário do que se pensava, Theia teve origem no sistema solar externo e transportou consigo enormes quantidades de água.

“Usamos isótopos de molibdénio para responder a esta questão. Estes isótopos permitem-nos distinguir claramente o material carbonado e não-carbonado e, como tal, representam uma ‘impressão genética’ do material do sistema solar externo e interno”, disse a autora principal do estudo, Gerrit Budde.

Segundo o Tech Explorist, os resultados das medições feitas pelos cientistas mostram que parte do molibdénio da Terra teve origem no sistema solar externo, comprovando a sua teoria original.

“A nossa abordagem é única porque, pela primeira vez, nos permite associar a origem da água na Terra com a formação da Lua. Para simplificar, sem a Lua provavelmente não haveria vida na Terra”, disse Thorsten Kleine, professor de Astronomia Planetária na Universidade de Münster.

ZAP //

Por ZAP
26 Maio, 2019

2040: Formação da Lua trouxe água à Terra

O nascer-da-Terra, a partir de uma perspectiva lunar.
Crédito: NASA Goddard

A Terra é ímpar no nosso Sistema Solar: é o único planeta terrestre com uma grande quantidade de água e uma lua relativamente grande, que estabiliza o eixo da Terra. Ambos foram essenciais para a Terra desenvolver a vida. Os planetologistas da Universidade de Munique puderam agora mostrar, pela primeira vez, que a água chegou à Terra com a formação da Lua há cerca de 4,4 mil milhões de anos. A Lua foi formada quando a Terra foi atingida por um corpo com mais ou menos o tamanho de Marte, também chamado Theia. Até agora, os cientistas supunham que Theia era originário do Sistema Solar interior. No entanto, os investigadores de Munique podem agora mostrar que Theia veio do Sistema Solar exterior e que forneceu grandes quantidades de água à Terra. Os resultados foram publicados na revista Nature Astronomy.

Do Sistema Solar exterior para o Sistema Solar interior

A Terra foi formada no Sistema Solar interior “seco” e, portanto, é um tanto ou quanto surpreendente que exista água na Terra. Para entender porque este é o caso, temos que viajar para o passado, para quando o Sistema Solar foi formado há cerca de 4,5 mil milhões de anos. Graças a estudos anteriores, sabemos que o Sistema Solar se tornou estruturado de tal forma que os materiais “secos” foram separados dos materiais “húmidos”: os chamados meteoritos “carbonáceos”, que são relativamente ricos em água, vêm do Sistema Solar exterior, ao passo que os meteoritos “não-carbonáceos” vêm do Sistema Solar interior. Embora estudos anteriores tenham mostrado que os materiais carbonáceos provavelmente foram os responsáveis por fornecer a água à Terra, não se sabia quando e como esse material carbonáceo – e, portanto, a água – chegou à Terra. “Nós usámos isótopos de molibdénio para responder a esta pergunta. Os isótopos de molibdénio permitem-nos distinguir claramente materiais carbonáceos e não-carbonáceos e, como tal, representam uma ‘impressão genética’ do material do Sistema Solar exterior e interior,” explica o Dr. Gerrit Budde do Instituto de Planetologia em Munique e autor principal do estudo.

As medições feitas pelos investigadores de Munique mostram que a composição isotópica do molibdénio da Terra está entre as dos meteoritos carbonáceos e dos não-carbonáceos, demonstrando que parte do molibdénio da Terra teve origem no Sistema Solar exterior. Neste contexto, as propriedades químicas do molibdénio desempenham um papel fundamental pois, dado que é um elemento que gosta de ferro, a maior parte do molibdénio da Terra está localizado no núcleo. “O molibdénio que é hoje acessível no manto da Terra, portanto, teve origem nos últimos estágios de formação da Terra, enquanto o molibdénio das fases anteriores está inteiramente no núcleo,” explica o Dr. Christoph Burkhardt, segundo autor do estudo. Os resultados dos cientistas mostram, assim sendo, e pela primeira vez, que o material carbonáceo do Sistema Solar exterior chegou tarde à Terra.

Mas os cientistas deram ainda outro passo em frente. Eles mostram que a maioria do molibdénio no manto da Terra foi fornecido pelo protoplaneta Theia, cuja colisão com a Terra há 4,4 mil milhões de anos levou à formação da Lua. No entanto, uma vez que grande parte do molibdénio no manto da Terra teve origem no Sistema Solar exterior, isto significa que Theia, propriamente dito, também teve origem no Sistema Solar exterior. Segundo os cientistas, a colisão forneceu material carbonáceo suficiente para explicar a quantidade total de água na Terra. “A nossa abordagem é única porque, pela primeira vez, permite-nos associar a origem da água na Terra com a formação da Lua. Para simplificar, sem a Lua provavelmente não haveria vida Na Terra,” comenta Thorsten Kleine, professor de planetologia na Universidade de Munique.

Astronomia On-line
24 de Maio de 2019

2039: A colisão com um planeta anão pode ter “estragado” o lado oculto da Lua

Universidade Rice

Da Terra, vemos sempre o mesmo da Lua. Contudo, esse lado é bem diferente do lado oculto do nosso satélite natural. O contraste entre as duas partes da Lua tem intrigado os astrónomos.

Se se olhar para a Lua cheia numa noite clara, é possível ver manchas grandes e escuras. Estas são as marinas lunares, planícies largas ou “oceanos” de basalto vulcânico. Em contraste, quando a sonda soviética Luna 3 tirou as primeiras fotografias da órbita lunar em 1959, descobrimos que o lado mais distante é pálido e cheio de marcas de crateras – e não é porque a Terra protege o lado visível dos meteoritos.

As diferenças são ainda mais profundas. Dados mais recentes de 2012 revelaram que o outro lado também tem uma crosta que é mais espessa cerca de 20 quilómetros, coberta por uma camada extra de 10 quilómetros de espessura, rica em magnésio e ferro, não encontrada no lado mais próximo.

Agora, podemos ter uma nova explicação possível para estas diferenças. Algures no passado distante, a Lua pode ter experimentado uma colisão gigante com outro objecto, o que poderá justificar as distinções bizarras entre os dois hemisférios.

Hipóteses anteriores incluíram uma segunda lua que se teria fundido com a nossa Lua nos primeiros dias do Sistema Solar, resultando numa espécie híbrida da Lua. Mas outra possibilidade é um grande asteróide ou planemo que, de alguma forma, acabou na órbita solar, colocando-o em rota de colisão com a Lua.

Este último cenário, usando dados de 2012, é a hipótese à qual os cientistas lunares liderados pelo astrofísico Meng Hua Zhu, da Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau, foram postos à prova.

De acordo com o estudo publicado na revista Journal of Geophysical Research: Planets, Os investigadores fizeram simulações em computador de 360 cenários de impacto, batendo objectos gigantes numa região de impacto no lado mais próximo para ver se algum poderia produzir a assimetria da Lua como a vemos hoje.

E encontraram um. O melhor ajuste teria sido um objecto com cerca de 780 quilómetros de diâmetro – que é cerca de um terço do tamanho de Plutão, pouco mais de um quarto do tamanho da Lua, e apenas um pouco menor que o planeta anão Ceres. Esse objecto teria de chocar a cerca de 22.500 quilómetros por hora quando atingisse a Lua. Um objecto menor também poderia tê-lo feito – com cerca de 720 quilómetros de diâmetro e a viajar um pouco mais rápido, a 24.500 quilómetros por hora.

O efeito seria mais ou menos o mesmo para ambos os impactos. Os objectos emitiram rochas e poeiras, a uma profundidade de até 300 quilómetros, que choveriam para o lado oposto, cobrindo-o uma camada de cinco a 10 quilómetros de profundidade, consistente com a camada de magnésio e ferro observada em 2012.

O impacto também teria deslocado a crosta, resultando no afastamento da crosta do local de impacto. Este modelo reproduziu a distribuição da espessura da crosta da Lua vista hoje. E, como a Lua era relativamente nova quando isto aconteceu, com altas temperaturas internas, poderia facilmente ter voltado à sua forma arredondada, apagando a enorme bacia de impacto.

A Terra e a Lua são, em grande parte, feitas do mesmo material básico, mas a Lua tem inexplicáveis ​​abundâncias de alguns isótopos na sua superfície – potássio, fósforo e elementos de terras raras, como o tungstênio-182. No modelo, poderiam ter sido escavados pelo impacto e chover outra vez na superfície lunar.

“Este é um trabalho que será muito provocativo“, disse o cientista planetário Steve Hauck, da Case Western Reserve University. “Entender a origem das diferenças entre o lado mais próximo e o lado mais distante da Lua é uma questão fundamental na ciência lunar. Vários planetas têm dicotomias hemisféricas, mas para a Lua temos muitos dados para testar modelos e hipóteses, por isso as implicações do trabalho poderiam ser mais amplas do que apenas a Lua”.

ZAP // Science Alert

Por ZAP
24 Maio, 2019

1998: Sonda chinesa desvendou mais um segredo sobre o manto do lado oculto da Lua

NASA
O lado oculto da Lua

A Lua é um pequeno corpo localizado a poucos passos da Terra que, por causa da atracção gravitacional, mostra sempre a mesma face para nós. A sua superfície, devastada por centenas de crateras, é uma testemunha silenciosa do violento passado do Sistema Solar.

Mas também é uma valiosa fonte de informação que fala sobre os processos que permitem a formação de planetas, como o nosso, ou de todos os milhões de exoplanetas que se escondem na nossa galáxia.

Parece que há muito tempo a Lua era uma esfera de magma derretido que arrefecia e solidificava. Mas o satélite é pequeno e o seu arrefecimento foi muito rápido, o que levou o seu interior a “morrer”, não activando nenhuma tectónica, como aconteceu na Terra. Portanto, vemos uma superfície parada no tempo.

Uma sonda lunar pode ter diminuído o mistério do outro lado da lua. A quarta sonda Chang’E (CE-4) foi a primeira missão a pousar no lado oculto da lua e recolheu novas evidências da maior cratera do sistema solar, esclarecendo como a Lua pode ter evoluído. Os resultados foram publicados na revista Nature.

Uma teoria surgiu na década de 1970 que dizia que, na infância da lua, um oceano feito de magma cobria a sua superfície. Quando o oceano começou a acalmar e arrefecer, minerais mais leves flutuaram até o topo, enquanto componentes mais pesados afundaram. A parte de cima incrustou, envolvendo um manto de minerais densos, como a olivina e o piroxena.

Quando os asteróides e o lixo espacial caíram na superfície da lua, quebraram a crosta e levantaram pedaços do manto lunar. “Compreender a composição do manto lunar é fundamental para testar se um oceano de magma existiu”, disse o autor Li Chunlai, professor dos Observatórios Astronómicos Nacionais da Academia Chinesa de Ciências. “Também ajuda a avançar a nossa compreensão da evolução térmica e magmática da lua.”

A evolução da Lua pode fornecer uma janela para a evolução da Terra e outros planetas terrestres, de acordo com Li, porque a sua superfície é relativamente intocada em comparação com a superfície inicial da Terra.

NASA Uma imagem capturada pelo Chang’E 4 mostrou a paisagem perto do local de pouso

Os investigadores esperavam, de acordo com o Phys, encontrar uma grande quantidade de material manto escavado no piso plano da bacia do Bacia do Polo Sul-Aitken, uma vez que o impacto teria penetrado e passado a crosta lunar. Em vez disso, encontraram apenas vestígios de olivina, o principal componente do manto superior da Terra.

Ao que parece, mais olivina apareceu nas amostras de impactos mais profundos. Uma teoria, segundo Li, é que o manto consiste em partes iguais de olivina e piroxena, em vez de ser dominado por um ou outro.

O CE-4 precisará de explorar mais para entender melhor a geologia do seu local de pouso, bem como recolher muito mais dados espectrais para validar as suas descobertas iniciais e entender completamente a composição do manto lunar.

ZAP //

Por ZAP
17 Maio, 2019



 

1995: Sonda chinesa revela segredos do lado oculto da Lua

A sonda lunar Chang’e-4 detectou minerais provenientes das entranhas do satélite natural da Terra.

A sonda chinesa Chang’e-4, que pousou no lado oculto da Lua no início deste ano, terá detectado vestígios de minerais que provêm das entranhas do nosso satélite natural, revela um estudo publicado esta semana na revista Nature.

Os minerais encontrados – “olivina e piroxena de baixo teor de cálcio”, – são diferentes dos que estão presentes nas amostras recolhidas da superfície lunar, concluem os investigadores que tentam perceber a composição do manto lunar, que existe entre a crosta e o núcleo, a formação e a evolução da Lua e da Terra.

© SIC Notícias A sonda chinesa Chang’e 4 pousou na Lua a 3 de Janeiro e levou sementes de algodão, colza, batata, ovos de mosca da fruta e algumas leveduras.

Foto em 360º desvenda o lado oculto da Lua

Poucos dias depois de pousar, a sonda chinesa enviou uma impressionante foto panorâmica a 360º do lado oculto da Lua, publicada no site da agência espacial chinesa CNSA.

© CNSA SIC Notícias

Robô e sonda investigam a Lua

O robô teleguiado Yutu-2 (Coelho de Jade 2) abandonou o módulo principal cerca de 12 horas depois da alunagem. No entanto, só depois de alguns dias “adormecido” para se proteger do frio, é que se começou a movimentar pela superfície lunar.

O Yutu-2 tem 140 kg, seis rodas, todas com potência para que possa continuar a operar mesmo que uma delas falhe. Pode subir uma colina de 20 graus ou obstáculos de até 20 centímetros de altura. A velocidade máxima é de 200 metros por hora.

Tem realizado diversas experiências no solo lunar, como avaliar com um radar a espessura das camadas subterrâneas e estudar com um espectrómetro a composição mineral à superfície.

© China Stringer Network SIC Notícias

Por sua vez a sonda Chang’e-4, equipada também com vários instrumentos, tem estado a estudar o gás interestelar e os campos magnéticos que se disseminam após a morte de uma estrela e testar se a batata e a planta herbácea Arabidopsis thaliana (da família da mostarda) crescem e fazem a fotossíntese num ambiente controlado, mas condicionado à micro-gravidade da superfície lunar.

Experiências anteriores realizadas na Estação Espacial Internacional revelaram que a batata e a Arabidopsis thaliana podem crescer normalmente em ambientes controlados que são sujeitos a uma gravidade inferior à da Terra, mas não a uma gravidade tão baixa como a da Lua.

Para comunicar com a sonda, o centro de controlo da missão Chang’e-4 usa o satélite Queqiao, lançado em maio, para intermediar as comunicações com o aparelho (a comunicação directa com a sonda não é possível no lado oculto da Lua).

Depois da Chang’e-4, seguir-se-á a missão Chang’e-5, com lançamento previsto para 2019, e com a qual a China pretende recolher amostras do solo lunar.

A meta final da agência espacial chinesa, ainda sem data marcada, é criar uma base na Lua para exploração humana.

As primeiras imagens enviadas a 3 de Janeiro

(vídeo não disponível)

msn notícias
SIC Notícias
16/05/2019