2497: Tardígrados na Lua – As questões que se levantam

CIÊNCIA

No passado mês de Abril, estava planeada a alunagem do módulo lunar israelita Beresheet que infelizmente não foi bem-sucedida, colidindo com a superfície lunar. Mas esta missão tornou-se famosa porque o Beresheet transportava uma biblioteca terrestre que, além de muitos registos humanos continha uns microrganismos chamados tardígrados (também conhecidos por ursos-d’água), que são especialistas em sobrevivência.

Estes microrganismos são capazes de resistir a ambientes onde se esperava que nenhum ser vivo sobrevivesse. Após este acontecimento várias questões se levantam. Os tardígrados conseguiram sobreviver ao impacto, contaminando assim a superfície lunar? Como é que isto pode acabar por contribuir, involuntariamente, para o futuro da astrobiologia?

Os tardígrados são imortais?

Os tardígrados também são designados por ursos-d’água devido ao seu movimento que faz lembrar o dos ursos. Além disso, estes microrganismos possuem um aspecto peculiar, que, apesar do seu tamanho microscópico (entre 0,05 e 1,2 mm de comprimento) são constituídos por uma cabeça e por um corpo segmentado com quatro pares de pernas.

Algumas espécies de tardígrados têm ainda presentes um par de células fotossensíveis na cabeça, que se assemelham visualmente a olhos. Curiosamente, os tardígrados mantêm o número de células durante toda a sua vida, apenas crescendo em tamanho.

Estes seres vivos são encontrados em quase todos os habitats da Terra, sendo facilmente encontrados em líquenes e musgo. De facto, eles são conhecidos pela sua capacidade de sobrevivência em ambientes com condições extremas, tendo voltado à vida e sendo até capazes de se reproduzirem (!), após três décadas congelados a -20°C.

Mas, ao contrário do que possa parecer estes microrganismos não gostam de viver nestas condições extremas, eles apenas fazem o possível para sobreviver e para que um dia consigam transmitir a sua informação genética de modo a continuar a perpetuar a sua espécie. Com este objectivo, quando sujeitos a condições extremas os tardígrados entram num estado reversível designado por criptobiose que, muito sucintamente, consiste na diminuição drástica da actividade metabólica de um ser vivo (até 0,01% da actividade normal, no caso dos tardígrados).

Um dos tipos de criptobiose mais estudado em tardígrados é a anidrobiose que é desencadeado face à ausência de água. Mas, mesmo neste estado os tardígrados não são imortais, embora consigam sobreviver décadas nessa forma!

Tardígrados no espaço

Num estudo liderado por K. Ingemar Jönsson e em colaboração com a Agência Espacial Europeia (ESA), tardígrados no estado de criptobiose foram lançados para a órbita terrestre a bordo de um satélite. Assim, foram expostos ao vácuo espacial durante 10 dias. Ao fim deste período, voltaram à Terra para serem reidratados.

Surpreendentemente, parte destes microrganismos foram capazes de sobreviver. Isto, após serem expostos directamente a raios cósmicos e radiação ultravioleta. Tornando-se assim no primeiro animal conhecido pelo Homem capaz de sobreviver a condições tão extremas.

Da Terra à Lua: uma viagem de última hora

No dia 11 de Abril de 2019, uma missão espacial à Lua mal sucedida resultou na sua possível contaminação com tardígrados. No fundo, esta missão serviu para impulsionar as missões espaciais com fundos privados. Tendo assim como objectivo científico estudar o campo magnético da Lua.

Além disso, o módulo lunar Beresheet continha uma biblioteca com milhões de páginas de informação como uma cópia de quase toda a Wikipédia em língua inglesa, do Projeto Roseta, de memórias de sobreviventes do Holocausto e da Bíblia Hebraica.

Mas, à última hora decidiram também incluir material genético humano e tardígrados, preservados numa camada de resina (que se assemelha ao modo como os fósseis estão preservados em âmbar). Esta biblioteca do conhecimento humano e da biologia terrestre foi criada como uma espécie de cópia de segurança do planeta Terra.

Contudo, mesmo que estes microrganismos tenham sobrevivido ao impacto com a superfície lunar e resistam ao ambiente da Lua, tornando-se nos segundos seres vivos que visitam este satélite, é bastante improvável que recuperem do estado criptobiótico. Assim, apenas com uma nova viagem à Lua será possível resgatar e reidratar os tardígrados.

A missão que, à primeira vista pareceu ser um fracasso, no futuro poderá contribuir para aumentar o nosso conhecimento sobre a possibilidade de vida extraterrestre. Podendo vir a ser importante, por exemplo, para conhecermos e percebermos quais os efeitos e consequências que a vida noutro planeta poderá ter.

Além disso, dá-nos a confirmação de que a vida pode resistir em ambientes que para nós, humanos, é impossível. E se estes seres terrestres são capazes de sobreviver nestas condições, não poderá haver outros seres espalhados pela imensidão do Universo que também sejam capazes de prosperar?

pplware
21/08/2019
Imagem: Getty Images | Global Soil Biodiversity Atlas

 

2481: Lua brilha mais do que o Sol em imagens do Fermi da NASA

Estas imagens mostram a visão cada vez mais aprimorada do brilho de raios-gama da Lua do Telescópio Espacial de Raios-gama Fermi da NASA. Cada imagem de 5 por 5 graus é centrada na Lua e mostra raios-gama com energias acima dos 31 milhões de electrões-volt, dezenas de milhões de vezes superiores à da luz visível. Nestas energias, a Lua é realmente mais brilhante do que o Sol. As cores mais brilhantes indicam um maior número de raios-gama. Esta sequência de imagens mostra como exposições mais longas, variando de dois a 128 meses (10,7 anos), melhorou a visão.
Crédito: NASA/DOE/Colaboração LAT do Fermi

Se os nossos olhos pudessem ver radiação altamente energética chamada raios-gama, a Lua pareceria mais brilhante do que o Sol! É assim que o Telescópio Espacial de Raios-gama Fermi da NASA tem visto o nosso vizinho no espaço ao longo da última década.

As observações de raios-gama não são sensíveis o suficiente para ver claramente a forma de disco da Lua ou quaisquer características da superfície. Em vez disso, o LAT (Large Area Telescope) do Fermi detecta um brilho proeminente centrado na posição da Lua no céu.

Mario Nicola Mazziotta e Francesco Loparco, ambos do Instituto Nacional de Física Nuclear da Itália em Bari, têm analisado o brilho da radiação gama da Lua como forma de entender melhor um outro tipo de radiação espacial: partículas velozes chamadas raios cósmicos.

“Os raios cósmicos são principalmente fotões acelerados por alguns dos fenómenos mais energéticos do Universo, como ondas de choque de estrelas explosivas e jactos produzidos quando a matéria cai em buracos negros,” explicou Mazziotta.

Dado que as partículas são electricamente carregadas, são fortemente afectadas por campos magnéticos, que a Lua não possui. Como resultado, até raios cósmicos de baixa energia podem alcançar a superfície, transformando a Lua num prático detector espacial de partículas. Quando os raios cósmicos atacam, interagem com a superfície poeirenta da Lua, de nome rególito, para produzir emissão de raios-gama. A Lua absorve a maioria destes raios-gama, mas alguns escapam.

Mazziotta e Loparco analisaram as observações lunares do LAT do Fermi para mostrar como a visão melhorou durante a missão. Eles reuniram dados de raios-gama altamente energéticos acima dos 31 milhões eV (electrão-volt) – mais de 10 milhões de vezes superior à energia da luz visível – e organizaram-nos ao longo do tempo, mostrando como exposições mais longas melhoram a visão.

“Vista a estas energias, a Lua nunca passaria pelo seu ciclo mensal de fases e ficaria sempre Cheia,” explicou Loparco.

À medida que a NASA planeia enviar novamente seres humanos à Lua até 2024 através do programa Artemis, com o objectivo eventual de enviar astronautas a Marte, a compreensão dos vários aspectos do ambiente lunar assume uma nova importância. Estas observações de raios-gama são uma lembrança de que os astronautas da Lua precisarão de protecção contra os mesmos raios cósmicos que produzem esta radiação gama de alta energia.

Embora o brilho de raios-gama da Lua seja surpreendente e impressionante, o Sol ainda brilha mais, com energias superiores a mil milhões de electrões-volt. Os raios cósmicos com energias mais baixas não alcançam o Sol porque o seu poderoso campo magnético os impede. Mas os raios-gama muito mais energéticos podem penetrar este campo magnético e atingir a atmosfera mais densa do Sol, produzindo raios-gama que chegam ao Fermi.

Embora a Lua, em raios-gama, não mostre um ciclo mensal de fases, o seu brilho varia com o tempo. Os dados do LAT do Fermi mostram que o brilho da Lua varia em cerca de 20% ao longo do ciclo de 11 anos do Sol. As variações na intensidade do campo magnético do Sol durante o ciclo mudam a quantidade de raios cósmicos que chegam à Lua, alterando a produção de raios-gama.

Astronomia On-line
20 de Agosto de 2019

 

2426: A Lua e Mercúrio podem ter espessos depósitos de água gelada

Ilustração conceptual de crateras rasas e geladas, permanentemente à sombra, perto do pólo sul lunar.
Crédito: UCLA/NASA

De acordo com uma nova análise de dados das sondas LRO e MESSENGER, a Lua e Mercúrio, o planeta mais próximo do Sol, podem conter significativamente mais água gelada do que se pensava anteriormente.

Os potenciais depósitos de gelo encontram-se em crateras próximas dos pólos de ambos os mundos. Na Lua, “descobrimos que as crateras rasas tendem a estar localizadas em áreas onde o gelo à superfície foi previamente detectado perto do pólo sul da Lua, e inferimos que esta menor profundidade é mais provável devido à presença de densos depósitos enterrados de água gelada,” disse o autor principal Lior Rubanenko da Universidade de Califórnia em Los Angeles.

No passado, observações telescópicas e por naves espaciais encontraram depósitos de gelo semelhantes a glaciares em Mercúrio, mas ainda não na Lua. O novo trabalho levanta a possibilidade de que depósitos espessos e ricos em gelo também existem na Lua. A investigação pode não apenas ajudar a resolver a questão sobre a aparente baixa abundância de gelo lunar em relação à de Mercúrio, mas também pode ter aplicações práticas: “Se confirmado, este potencial reservatório de água gelada na Lua pode ser suficientemente massivo para sustentar uma exploração lunar a longo prazo,” comentou Noah Petro, cientista do projecto LRO (Lunar Reconnaissance Orbiter) no Centro de Voo Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, no estado norte-americano de Maryland.

Os pólos de Mercúrio e da Lua estão entre os lugares mais frios do nosso Sistema Solar. Ao contrário da Terra, os eixos de rotação de Mercúrio e da Lua estão orientados de tal modo que, nas suas regiões polares, o Sol nunca se eleva acima do horizonte. Consequentemente, as depressões topográficas polares, como as crateras de impacto, nunca veem o Sol. Postulou-se, durante décadas, que estas regiões permanentemente à sombra são tão frias que qualquer gelo preso dentro delas pode sobreviver durante milhares de milhões de anos.

Observações prévias dos pólos de Mercúrio com radar terrestre revelaram uma assinatura característica de depósitos espessos de gelo puro. Mais tarde, a MESSENGER (MErcury Surface, Space ENvironment, GEochemistry and Ranging) fotografou estes depósitos de gelo. “Mostrámos que os depósitos polares de Mercúrio são compostos predominantemente de água gelada e amplamente distribuídos nas regiões polares norte e sul de Mercúrio,” disse Nancy Chabot, cientista do instrumento MDIS (Mercury Dual Imaging System) da MESSENGER no Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins em Laurel, Maryland. “Os depósitos de gelo de Mercúrio parecem ser muito menos remendados do que os da Lua e relativamente frescos, talvez colocados ou revigorados nas últimas dezenas de milhões de anos.”

Estudos anteriores de radar e imagem da Lua, cujos ambientes térmicos polares são muito semelhantes aos de Mercúrio, encontraram apenas depósitos superficiais e irregulares de gelo. Esta diferença notável serviu como motivação para o trabalho dos investigadores da UCLA – uma análise comparativa das crateras polares de Mercúrio e da Lua para aprofundar esta diferença entre os dois mundos. A investigação foi publicada no dia 22 de Julho na revista Nature Geoscience.

As superfícies de Mercúrio e da Lua estão marcadas por muitas crateras de impacto. Estas crateras são formadas quando meteoróides ou cometas colidem com a superfície. A equipa analisou crateras simples formadas por corpos mais pequenos e menos energéticos. Estas depressões são mantidas juntas pela força da camada de poeira superficial, ou rególito, e tendem a ser mais circulares e simétricas do que as grandes crateras. Os cientistas da UCLA exploraram esta simetria inerente para estimar a espessura do gelo preso dentro de crateras simples.

O estudo usou dados de elevação obtidos pela MESSENGER e pela LRO para medir aproximadamente 15.000 crateras simples com diâmetros que variam entre 2,5 e 15 km em Mercúrio e na Lua. Os cientistas descobriram que as crateras se tornam até 10% mais rasas perto do pólo norte de Mercúrio e do pólo sul da Lua, mas não no pólo norte da Lua.

Os autores concluíram que a explicação mais provável para estas crateras mais rasas é a acumulação de depósitos de água gelada em ambos os mundos. Apoiando esta conclusão, os investigadores descobriram que as encostas voltadas para os pólos destas crateras são ligeiramente mais rasas do que as encostas voltadas para o equador, e que esta menor profundidade é mais significativa em regiões que promovem a estabilidade do gelo devido à órbita de Mercúrio em torno do Sol. O sinal topográfico detectado pelos cientistas é relativamente mais proeminente em crateras simples mais pequenas, mas não exclui a possibilidade de que o gelo seja mais difundido em crateras maiores no pólo lunar.

Adicionalmente, ao contrário de Mercúrio, onde o gelo se mostra quase puro, os depósitos detectados na Lua provavelmente estão misturados com o rególito, possivelmente numa formação em camadas. A idade típica das crateras simples examinadas pelos investigadores indica que podem, potencialmente, acumular água gelada posteriormente misturada com o rególito sobreposto durante longas escalas de tempo. Os cientistas descobriram que estes depósitos inferidos de gelo enterrado estão correlacionados com as localizações de gelo superficial já detectadas. Esta descoberta pode implicar que os depósitos expostos de gelo podem ser exumados, ou podem resultar da difusão molecular da profundidade.

Astronomia On-line
9 de Agosto de 2019

 

2415: E se os bichos mais resistentes da Terra andarem pela Lua? Isto não é ficção

Uma missão israelita, que tinha a Lua como destino, fracassou mas a mercadoria poderá ter sobrevivido

© picture alliance

Costuma dizer-se que as baratas são rijas e sobrevivem a bombas nucleares. Nos últimos tempos, no entanto, esta versão foi perdendo força, pelo menos no que toca ao trono da resistência estóica, já que o tardígrado ganhou o estatuto de habitante mais resistente da Terra. Os tardígrados são micro-animais, não chegam a medir um milímetro e têm oito patas. De acordo com a Universidade de Oxford, esses bichos estarão por cá nos próximos 10 mil milhões de anos.

© picture alliance

Agora, estes micro-animais que aguentam décadas sem comer e beber, que resistem ao pior dos infernos na terra, poderão estar a colonizar a Lua. Pelo menos, à sua maneira. Ou micro maneira. É que a missão espacial israelita Beresheet, que seria a primeira daquele país a aterrar na Lua, transportava tardígrados para o satélite natural da Terra para descobrir se será um bom plano B ao nosso planeta, conta o “The Guardian”. Embora os cientistas tenham perdido o contacto com a Beresheet em Abril, acredita-se que a sonda tenha chegado à Lua. Mais: os cientistas acreditam que os micro-animais sobreviveram àquela viagem e à nova realidade.

Os tardígrados, também conhecidos por ursos de água, foram descobertos no século XVIII por Johann August Ephraim Goeze, um zoólogo alemão, conta aquele diário. E encontram-se por todo o lado: nos cenários mais rudes e desafiantes à sobrevivência, como cumes de montanhas, desertos que fervem e até lagos gelados da Antárctida.

© DE AGOSTINI PICTURE LIBRARY

Será que os seres mais resistentes da Terra serão igualmente resilientes na Lua? Um especialista na matéria diz que sim. “Os tardígrados podem sobreviver a pressões comparáveis àquelas criadas quando asteróides atingem a Terra, por isso um pequeno acidente como este não é nada para eles”, explicou ao “The Guardian” Lukasz Kaczmarek, da Universidade Adam Mickiewicz, em Poznan, que garante que aqueles micro-animais podem durar alguns anos por território lunar.

msn notícias
Expresso
07/08/2019

 

2411: Continuando o legado das Apollo: estudo mostra que a Lua é mais antiga do que se pensava

Amostra 12054 das Apollo: esta amostra é um basalto de ilmenita recolhido durante a Apollo 12. Tem vidro, depositado pelos “salpicos” de material quando outro basalto foi atingido por um impactor. Amostras como a 12054 permitem-nos reconstruir a história da Lua com as histórias que contam.
Crédito: Maxwell Thiemens, 2019

Um novo estudo encabeçado por cientistas da Terra no Instituto de Geologia e Mineralogia da Universidade de Colónia limitou a idade da Lua até aproximadamente 50 milhões de anos após a formação do Sistema Solar. O Sistema Solar foi formado há 4,56 mil milhões de anos e a Lua há aproximadamente 4,51 mil milhões de anos. O novo estudo determinou assim que a Lua é significativamente mais velha do que se pensava anteriormente – investigações anteriores estimaram que a Lua se tinha formado aproximadamente 150 milhões de anos após a formação do Sistema Solar. Para alcançar estes resultados, os cientistas analisaram a composição química de uma gama diversificada de amostras recolhidas durante as missões Apollo. O estudo foi publicado na revista Nature Geoscience.

No dia 21 de Julho de 1969, a humanidade deu os seus primeiros passos noutro corpo celeste. Nas suas poucas horas à superfície da Lua, a tripulação da Apollo 11 recolheu e trouxe para a Terra 21,55 kg de amostras. Quase exactamente 50 anos depois, essas amostras ainda nos ensinam mais sobre os principais eventos do Sistema Solar primitivo e sobre a história do sistema Terra-Lua. A determinação da idade da Lua é importante para entender como e quando a Terra se formou e como evoluiu no início do Sistema Solar.

Este estudo foca-se nas assinaturas químicas de diferentes tipos de amostras recolhidas pelas diferentes missões Apollo. “Ao comparar as quantidades relativas de diferentes elementos nas rochas que se formaram em diferentes épocas, é possível aprender como cada amostra está relacionada com o interior lunar e com a solidificação do oceano de magma,” disse o Dr. Raúl Fonseca da Universidade de Colónia, que estuda processos que ocorreram no interior da Lua em experiências de laboratório juntamente com o seu colega Dr. Felipe Leitzke.

A Lua provavelmente formou-se no rescaldo de uma colisão gigante entre um corpo planetário do tamanho de Marte e a Terra primitiva. Com o tempo, a Lua acretou-se da nuvem de material lançada para órbita da Terra. A Lua recém-nascida estava coberta por um oceano de magma, que formou diferentes tipos de rocha à medida que este arrefecia. “Estas rochas registaram informações sobre a formação da Lua e ainda podem ser encontradas hoje na superfície lunar,” explicou o Dr. Maxwell Thiemens, ex-investigador da Universidade de Colónia e autor principal do estudo. O Dr. Peter Sprung, co-autor do estudo, acrescentou: “Tais observações já não são possíveis na Terra, pois o nosso planeta tem estado geologicamente activo ao longo do tempo. A Lua, portanto, fornece uma oportunidade única para estudar a evolução planetária.”

Os cientistas de Colónia usaram a relação entre os elementos raros háfnio, urânio e tungsténio como uma sonda para compreender a quantidade de fusão que ocorreu para gerar os mares basálticos, isto é, as regiões escuras na superfície lunar. Devido a uma precisão de medição sem precedentes, o estudo pôde identificar tendências distintas entre os diferentes conjuntos de rochas, o que agora permite uma melhor compreensão do comportamento destes elementos raros.

O estudo do háfnio e do tungsténio na Lua são particularmente importantes porque constituem um relógio radioactivo natural do isótopo háfnio-182 que decai para tungsténio-182. Este decaimento radioactivo só teve lugar nos primeiros 70 milhões de anos do Sistema Solar. Combinando as informações de háfnio e tungsténio medidas nas amostras das Apollo com informações de experiências de laboratório, o estudo descobriu que a Lua começou a solidificar-se tão cedo quanto 50 milhões de anos após a formação do Sistema Solar. “Esta informação sobre a idade significa que qualquer impacto gigantesco deve ter ocorrido antes, o que responde a uma questão ferozmente debatida entre a comunidade científica sobre a formação da Lua,” acrescentou o professor Dr. Carsten Münker do Instituto de Geologia e Mineralogia da Universidade de Colónia, autor sénior do estudo.

Maxwell Thiemens conclui: “Os primeiros passos da Humanidade noutro mundo, há exactamente 50 anos, produziram amostras que nos permitem entender o tempo e a evolução da Lua. Dado que a formação da Lua foi o maior evento planetário final após a formação da Terra, a idade da Lua também fornece uma idade mínima para a Terra.”

Astronomia On-line
6 de Agosto de 2019

 

2388: A superfície da Lua pode ter muito mais gelo do que se pensava

NASA

Três cientistas da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA), no Estados Unidos, encontraram evidências que sugerem que há muito mais gelo na superfície da Lua do que se pensava até então – serão milhões de toneladas.

Num novo estudo, cujos resultados foram esta semana publicados na revista científica especializada Nature Geoscience, os cientistas Lior Rubanenko, Jaahnavee Venkatraman e David Paige partem do estudo das semelhantes entre o gelo de Mercúrio e as áreas sombreadas da Lua para perceber a quantidade de gelo lunar que poderá existir.

Cientistas anteriores recorreram a dados do Observatório de Arecibo e também da sonda MESSENGER da NASA e descobriram que há áreas de crateras nos pólos de Mercúrio que aparecem sombreadas da Terra. Dados da sonda LRO, que caiu intencionalmente na superfície de Mercúrio, revelaram vapor de água e gelo, considerados evidências de depósitos de gelo de vários metros de espessura em crateras sombrias.

A investigação também mostrou que o gelo era capaz de persistir nas crateras, uma vez que estas se encontram em áreas de sombra e, por isso, evitam que a luz solar as destrua.

Na nova investigação, e partindo dos pressupostos da investigação de Mercúrio, os cientistas investigaram a possibilidade de áreas semelhantes na água, isto é, áreas sombreadas lunares, possam também conter gelo, noticia a Europa Press.

Os cientistas começaram por apontar no estudo recém-divulgado que a Lua e Mercúrio têm ambientes térmicos um pouco semelhantes, notando ainda que ambos têm crateras sombreadas com evidências de pouca profundidade devido à acumulação de material no interior dos divots (pequenos buracos numa área mais extensa).

Em Mercúrio, estudos anteriores mostraram que a acumulação de material foi feita parcialmente com gelo. Para descobrir se o mesmo pode ter acontecido na Lua, os cientistas da UCLA obtiveram dados ao descrever 2.000 crateras na com sombra em Mercúrio e 12.000 crateras com sombra semelhante na Lua.

Para determinar as semelhanças que poderiam indicar que ambos abrigam gelo, os cientistas compararam os seus diâmetros e profundidade e concluíram que as crateras sombreadas em Mercúrio eram muito semelhantes às profundidades rasas observadas nas crateras também sombreadas da Lua.

Partindo deste princípio, a equipa sustenta que o material que está a acumular-se nas crateras rasas da Lua será, provavelmente, gelo. Se os seus resultados se confirmarem, significa que existem milhões de toneladas de gelo na superfície da Lua, muito mais do que a maioria dos cientistas tem apontado até então.

ZAP // Europa Press

Por ZAP
30 Julho, 2019

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2372: Dentro das escuras crateras polares da Lua, a água não é tão invencível como se esperava

Uma cratera lunar permanentemente à sombra.
Crédito: Centro de Voo Espacial Goddard da NASA

A região do pólo sul da Lua abriga alguns dos ambientes mais extremos do Sistema Solar: é inimaginavelmente fria, com muitas crateras e possui áreas que ou são constantemente banhadas pela luz do Sol ou estão constantemente à sombra. É exactamente por isso que a NASA pretende enviar para lá astronautas, em 2024, como parte do seu programa Artemis.

A característica mais sedutora desta região mais a sul são as crateras, algumas das quais nunca veem a luz do dia chegar ao chão. A razão para isto é o baixo ângulo da luz solar que atinge a superfície nos pólos. Para uma pessoa no pólo sul lunar, o Sol apareceria no horizonte, iluminando a superfície de lado e, assim, roçando principalmente as orlas de algumas crateras, deixando os interiores profundos à sombra.

Como resultado da escuridão permanente, a sonda LRO (Lunar Reconnaissance Orbiter) da NASA mediu as temperaturas mais baixas do Sistema Solar dentro destas crateras, que se tornaram conhecidas como ambientes perfeitos para preservar, durante muito tempo, material como água. Ou assim pensávamos.

Acontece que, apesar das temperaturas atingirem -233º C e, presumivelmente, poderem manter gelo no solo virtualmente para sempre, a água está a escapar lentamente da camada superfina (mais fina do que a largura de um glóbulo vermelho) da superfície da Lua. Os cientistas da NASA relataram esta descoberta recentemente num artigo publicado na revista Geophysical Research Letters.

“As pessoas pensam que algumas destas áreas nas crateras polares capturam água e não fazem mais nada,” disse William M. Farrell, físico de plasma do Centro de Voo Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, no estado norte-americano de Maryland, que liderou a investigação sobre esta geada lunar. “Mas há partículas de vento solar e meteoróides que atingem a superfície, e podem criar reacções que tipicamente ocorrem a temperaturas mais quentes. Isto é algo que não foi enfatizado.”

Ao contrário da Terra, que tem uma atmosfera opulenta, a Lua não tem atmosfera para proteger a sua superfície. Assim, quando o Sol pulveriza partículas carregadas conhecidas como vento solar pelo Sistema Solar, algumas bombardeiam a superfície da Lua e expelem moléculas de água que saltam para novos locais.

Da mesma forma, os meteoróides rebeldes colidem constantemente com a superfície e desenraízam o solo misturado com pedaços de água gelada. Os meteoróides podem lançar essas partículas de solo – que são muitas vezes mais pequenas do que a largura de um fio de um cabelo humano – até 30 quilómetros do local do impacto, dependendo do tamanho do meteoróide. As partículas podem viajar para tão longe porque a Lua tem uma gravidade baixa e não tem ar para atrasar as coisas: “De modo que de cada vez que temos um destes impactos, uma camada muito fina de grãos de gelo é espalhada pela superfície, exposta ao calor do Sol e ao ambiente espacial, e eventualmente são sublimados ou perdidos para outros processos ambientais,” disse Dana Hurley, cientistas planetária do Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins em Laurel, Maryland, EUA.

Os autores do estudo salientam que, embora seja importante considerar que, mesmo nas crateras à sombra, a água esteja lentamente a escapar, é possível que a água também esteja a ser adicionada. Os cometas gelados que colidem com a Lua, mais o vento solar, podem estar a reabastecer como parte de um ciclo global da água; isto é algo que os cientistas estão a tentar descobrir. Além disso, não se sabe exactamente quanta água lá está. Será que está apenas à superfície da Lua ou que se estende profundamente na crosta?

De qualquer forma, a camada superior do piso das crateras polares está a ser retrabalhado ao longo de milhares de anos, segundo cálculos por Farrell, Hurley e pela sua equipa. Portanto, as fracas regiões de geada que os cientistas detectaram nos pólos usando instrumentos como o LAMP (Lyman Alpha Mapping Project) da LRO podem ter apenas 2000 anos, em vez de milhões ou milhares de milhões de anos como alguns podiam esperar, estimou a equipa de Farrell. “Não podemos pensar nestas crateras como pontos mortos gelados,” observou.

Para confirmar os cálculos da sua equipa, disse Farrell, um futuro instrumento capaz de detectar vapor de água deverá encontrar, acima da superfície da Lua, uma a 10 moléculas de água por centímetro cúbico que foram libertadas por impactos.

As boas notícias para a exploração lunar futura

Para a exploração e para a ciência do futuro, a dispersão de partículas de água pode ser uma óptima notícia. Significa que os astronautas podem não precisar de se sujeitar, e aos seus instrumentos, ao ambiente hostil dos pisos das crateras à sombra, a fim de encontrar um solo rico em água – podem encontrá-lo em regiões próximas e ensolaradas.

“Esta investigação está a dizer-nos que os meteoróides estão a fazer parte do trabalho por nós e a transportar material dos lugares mais frios para algumas das regiões limítrofes onde os astronautas podem aceder com um veículo movido a energia solar,” disse Hurley. “Também está a dizer-nos que o que precisamos de fazer é alcançar a superfície de uma destas regiões e obter alguns dados em primeira mão sobre o que está a acontecer.”

Chegar à superfície lunar tornaria muito mais fácil a avaliação da quantidade de água na Lua. Porque a identificação da água de longe, particularmente em crateras permanentemente à sombra, é uma tarefa complexa. A principal maneira de os cientistas encontrarem água é através de instrumentos que podem identificar elementos químicos com base na luz que reflectem ou absorvem. “Mas, para isso, precisamos de uma fonte de luz,” disse Hurley. “E, por definição, estas regiões permanentemente à sombra, não têm uma forte fonte de luz.”

Entendendo o ambiente da água na Lua

Até que os astronautas da NASA voltem à Lua para escavar algum solo, ou a agência envie novos instrumentos para perto da superfície a fim de detectar moléculas flutuantes de água, a teoria da equipa de investigação sobre a influência de meteoróides no ambiente dentro de crateras permanentemente à sombra pode ajudar em alguns dos mistérios que rodeiam a água da Lua. Já ajudou os cientistas a entender se a água da superfície superior é nova ou antiga, ou como pode migrar pela Lua. Outra coisa que os impactos de meteoróides no chão das crateras podem ajudar a explicar é o porquê de os cientistas estarem a encontrar fragmentos de gelo fino diluído em rególito, ou solo lunar, em vez de blocos de água gelada pura.

Embora as questões sobre a água sejam abundantes, é importante lembrar, disse Farrell, que foi apenas na última década que os cientistas encontraram evidências de que a Lua não é uma rocha seca e morta, como muitos assumiam há muito tempo. A LRO, com as suas milhares de órbitas e 1 petabyte de dados científicos transmitidos (equivalente a cerca de 200.000 filmes de longa-metragem transmitidos online em alta definição), tem sido fundamental. O mesmo acontece com o LCROSS (Lunar Crater Observation and Sensing Satellite), que revelou água gelada depois de cair propositadamente na cratera Cabeus em 2009 e de libertar uma nuvem de material preservado no fundo da cratera, material este que incluía água.

“Nós suspeitávamos que havia água nos pólos e tivemos a certeza com o LCROSS, mas agora temos evidências de que há água a latitudes médias,” acrescentou Farrell. “Também temos evidências de que há água proveniente de impactos de meteoróides e temos medições de geada. Mas a questão é: como é que todas estas fontes de água estão relacionadas?”

Esta é uma pergunta que Farrell e colegas estão mais próximos de responder do que nunca.

Astronomia On-line
26 de Julho de 2019

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2371: Teoria sugere que lado oculto da Lua esconde uma antiga cidade alienígena

Scott Waring, um auto-proclamado especialista em Ovnis, diz ter encontrado evidências da existência de uma enorme cidade alienígena no lado oculto da Lua.

O Google Moon, com recurso à Lunar Reconnaissance Orbiter Camera da NASA, oferece um mapa detalhado da superfície lunar. Apesar de ainda não ter feito nenhuma descoberta cientificamente significante desde que foi lançada em 2009, Scott Waring, que se diz especialista em Ovnis, afirma ter descoberto fortes indícios da presença de extraterrestres na Lua.

Encontrei uma estrutura alienígena com mais de 15 quilómetros de comprimento na Cratera De Moraes”, disse Waring num vídeo publicado no YouTube através do seu blogue ET Data Base. As imagens ilustrativas são altamente granuladas, mas o norte-americano afirma que a estrutura “parece fazer parte de um tubo”.

Apesar de não ser claramente distinto, Waring diz que as imagem não parecem pixelizadas. “De perto, parece a lateral de um prédio alienígena”, sentencia o auto-proclamado especialista.

NASA

As imagens da NASA, segundo o Tech Explorist, parecem mostrar blocos quadrados, que os cépticos defendem serem provas de uma antiga civilização alienígena. Waring diz ainda que noutras fotos, a estrutura desaparece, alegando que a NASA tentou esconder a presença da suposta presença de extraterrestres. “O que a NASA fez foi editar esse objecto e colocar uma cratera falsa nesse local“, disse.

Durante o vídeo, Waring explica que editar estas imagens seria bastante fácil para a agência espacial. Esta teoria recebeu bastante apoio nos comentários, com vários utilizadores a questionarem a integridade da NASA.

Para os interessados, o autor do blogue ET Data Base deixou ainda as coordenadas para quem quiser ver pelos seus próprios olhos: 49°54’5.25″N 142°37’43.85″E.

ZAP //

Por ZAP
26 Julho, 2019

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2355: Índia lança missão lunar Chandrayaan-2

Marshall Space Flight Center / NASA

A Organização de Investigação Espacial da Índia (ISRO) lançou hoje a nave não tripulada ‘Chandrayaan-2’, que deverá alunar a 6 ou 7 de Setembro, depois de permanecer na órbita da Lua.

A ‘Chandrayaan-2‘ “permanecerá em órbita circular de 100 quilómetros em torno da Lua e, quando o momento for oportuno, o módulo de alunagem deixará a órbita”, disse o chefe da missão, Kailasavadivoo Sivan.

A nave indiana, com 3,8 toneladas, integra um robô que irá explorar a superfície lunar e que, durante a sua vida útil, irá percorrer 500 metros, assim como um módulo que estará em órbita durante um ano.

Depois da ‘Chandrayaan-2’, a Índia pretende tornar-se o quarto o país a enviar humanos ao espaço, missão que pretende realizar até 2022.

Os Estados Unidos, que assinalam este ano o 50º aniversário da missão que levou Neil Armstrong e Buzz Aldrin à Lua, estão a preparar uma nave espacial tripulada que deverá ser enviada ao pólo sul da superfície lunar até 2024.

A primeira missão da Índia à Lua foi realizada em 2008 e, entre 2013 e 2014, o país colocou um satélite em órbita ao redor de Marte, tendo esta sido a sua primeira missão interplanetária.

O primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, disse que o país demonstrou a sua capacidade como potência espacial quando testou com sucesso uma arma anti-satélite, em Março passado, estando ao nível dos Estados Unidos da América, da Rússia e da China.

Num país em que 1,3 mil milhões de pessoas são pobres e que tem uma das maiores taxas de mortalidade infantil, há quem questione os mais de 125 milhões de euros que custa ‘Chandrayaan-2’.

ZAP // Lusa

Por Lusa
22 Julho, 2019

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2347: 50 anos do primeiro homem na Lua. Por que razão Armstrong saiu primeiro?

Há 50 anos, o homem pisou a Lua pela primeira vez. No dia 20 de Julho de 1969 o mundo parou à frente da televisão. O primeiro ser humano, Neil Armstrong, caminhava na Lua e todos puderam acompanhar em directo na Terra. Nesse dia foi escrita uma página importante na história da humanidade.

Depois de uma viagem muito atribulada e de momentos extremamente complicados, a nave alunou. Mas por que razão foi escolhido Neil Armstrong para ser o primeiro a pisar solo lunar?

Há 50 anos, Armstrong foi o primeiro a pisar a Lua

O comandante Neil Armstrong e o piloto Buzz Aldrin, astronautas da missão Apollo 11 da NASA, pousaram o módulo lunar Eagle no dia 20 de Julho de 1969, às 20h17 UTC. Portanto, passaram-se exactamente 50 anos.

Houston, Tranquillity Base here. The Eagle has landed.

Um impassível Armstrong transmitiu para o controlo da missão na Terra, após uma complicada manobra final quase sem combustível, na qual ele assumiu o controlo da nave para evitar uma cratera íngreme, informou a NASA.

A história da história da Lua

Conforme reza a história. Armstrong tornou-se na primeira pessoa a pisar a superfície lunar. Este feito aconteceu no dia 21 de Julho às 02h56 UTC. Ao mesmo tempo, este astronauta pronunciou a mítica frase histórica: “Este é um pequeno passo para o homem, um grande salto para a Humanidade”.

Aldrin juntou-se a ele 19 minutos depois. Ambos passaram duas horas a fazer testes, a fotografar e a recolher amostras de superfície. Então eles descolaram no topo do módulo lunar para entrar no módulo de comando Columbia, onde Michael Collins os esperava, orbitando a Lua para voltar à Terra.

Porquê Armstrong e não Aldrin

Os protocolos da NASA determinaram que, em casos análogos anteriores, como caminhadas espaciais, o astronauta mais jovem era o escolhido para ir ao exterior, enquanto o mais veterano estava encarregado dos controlos da nave.

Assim, na missão Apolo 11, a agência espacial originalmente planeou que Aldrin fosse o primeiro homem a pisar na Lua, e que o Major Armstrong fosse encarregado do módulo de pouso na Lua e depois descesse.

Contudo, o módulo lunar apresentou desafios de design que dificultaram esta ordem. A NASA refere nas ‘Expedições Apollo à Lua‘ que a escotilha abriu-se no lado oposto onde Aldrin estava sentado.

Para Aldrin sair primeiro (acima, fotografado por Armstrong a descer da Eagle Águia), teria sido necessário que um astronauta com uma mochila volumosa subisse a cima de outro, e quando esse movimento foi tentado, o modelo do módulo foi danificado.

Deke Slayton, seleccionado no primeiro grupo de astronautas que a NASA enviou ao espaço e director de operações da tripulação da NASA, explicou que permitir que Armstrong saltasse primeiro foi uma mudança básica de protocolo, já que era o comandante a missão.

De acordo com esta história da NASA, Armstrong disse que nunca lhe perguntaram se ele queria ser o primeiro homem a sair e a decisão não se baseou na classificação.

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Imagem: NASA
Fonte: CNET

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2346: Há 50 anos, Armstrong pousou na lua. Simulação mostra como foi

NASA

A equipa do Lunar Reconnaissance Orbiter Camera (LROC) da NASA recriou o pouso na superfície da Lua em 1969, do módulo lunar Apolo 11, conhecido como “Águia”, mostrando o que o astronauta Neil Armstrong viu da sua janela. 

O único registo visual da histórica alunagem da Apollo 11 é de uma câmara time-lapse de 16 mm, que foi colocada na janela do companheiro de Armstrong, Buzz Aldrin.

“No entanto, esta perspectiva mostra a visão da janela direita, perdendo completamente [devido ao pequeno tamanho das janelas do módulo lunar e ao ângulo em que a câmara foi colocada] os perigos que Armstrong viu quando a Águia se aproximou da superfície”, explicou o líder da equipa da LROC, Mark Robinson, citado pelo portal Space.com.

A equipe reconstituiu os últimos três minutos da trajectória de pouso da Águia, recorrendo a dados de arquivo aliados a novas imagem de alta resolução.

O vídeo começa quando Armstrong viu que seu o ponto pouso automatizado estava localizado no flanco rochoso a nordeste da Cratera Ocidental, com cerca de 190 metros de largura. Este não era um lugar perfeito para fazer alunar. Por isso, o astronauta assumiu o controlo manual e voou horizontalmente, procurando um lugar mais seguro para pousar.

“Naquela época, apenas Armstrong viu perigo. Estava muito ocupado a pilotar o módulo lunar para discutir a situação com o controlo da missão”, apontaram a equipa da LROC. “Depois de sobrevoar os perigos do flanco rochoso da Cratera Oeste, Armstrong descobriu um lugar seguro a cerca de 500 metros de distância, onde pousou cuidadosamente na superfície”, continuaram os cientistas.

Para mostrar a precisão da simulação, a equipa criou no vídeo uma visão lado a lado, onde é possível ver o filme original de 16mm juntamente com a visão simulada.

ZAP //

Por ZAP
21 Julho, 2019

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2328: Como nasceu a Lua? Mega colisão entre a Terra e Teia é a teoria favorita, mas o mistério persiste

Senhora dos eclipses, rainha das marés, inspiradora de sortilégios, de romances e de poesia, a Lua, tão familiar, ainda esconde mistérios. Um deles é o da sua origem, mas os cientistas têm algumas pistas

© NASA/JPL-Caltech

Está lá sempre, no céu, na sua dança de luz e sombra, a marcar a passagem dos dias e a iluminar as nossas noites, sempre certas a cada novo mês, como um calendário cósmico. Senhora dos eclipses, rainha das marés, inspiradora de sortilégios, de romances e de poesia, a Lua, tão familiar, ainda esconde mistérios. Apesar de todas as missões espaciais, de todas as sondas e astronautas, e de todos os estudos, persistem ainda enigmas, e um dos maiores está ligado à sua origem.

Há teorias, claro, e uma delas, a da colisão da Terra com um astro de dimensão mais ou menos idêntica (Teia), há cerca de 4,5 mil milhões de anos, é a que reúne hoje maior popularidade entre os cientistas, por traçar o quadro que melhor explica as suas características geológicas. Mas, nem essa consegue explicar tudo e, por isso, as missões espaciais para recolher mais dados e observações sobre o satélite natural da Terra e as simulações computacionais para tentar encaixar todas as peças continuam.

Decisivas para ancorar o conhecimento sobre a Lua em terra firme foram as missões Apolo, que entre 1969 e 1972 levaram 12 homens a pisar o chão lunar – comemora-se este sábado meio século sobre a primeira alunagem.

Nesses três anos, os astronautas da NASA trouxeram para a Terra 382 quilos de rochas lunares, de diferentes tamanhos e qualidades, incluindo rochas, pedras grandes e pequenas, e até poeira do solo, que continuam a ser estudadas em diferentes laboratórios do mundo e que ainda hoje são fonte de novidades sobre a geologia da Lua e do próprio sistema solar.

Foram essas rochas da Lua trazidas pelos astronautas que forneceram, por exemplo, as primeiras pistas para existência de água na Lua – hoje sabe-se que há crateras junto aos pólos onde existe gelo permanente, porque não recebem radiação solar directa, e foram elas também que mostraram a grande similaridade geológica entre a Terra e o seu fascinante satélite.

As coisas não hão de ficar por aqui. É de esperar que os avanços tecnológicos e a criação de ferramentas de análise cada vez mais sensíveis e sofisticadas possam ajudar a novas revelações a partir dessas rochas, até porque muitas delas ainda não foram sequer estudadas.

Neste sábado, 20 de Julho, dia em que se cumprem os 50 anos da primeira alunagem, a NASA abre, aliás, pela primeira vez uma caixa com algumas das pedras trazidas pelas missões Apolo que permaneceram até hoje intocadas. Esse será um dos aguardados momentos das comemorações preparadas pela agência espacial dos Estados Unidos para assinalar o dia.

Uma colisão, ou muitas, e peças que não encaixam (ainda)

No século XX surgiram várias teorias científicas para tentar explicar a origem e a formação da Lua, mas até hoje nenhuma o conseguiu completamente – mesmo a da colisão, hoje a mais consensual, deixa algumas pontas de fora.

Uma das primeiras teses, muito popular até aos anos de 1970, propunha que a Lua seria uma espécie de corpo irmão da Terra, que se teria formado autonomamente na mesma altura. Outra igualmente em voga pela mesma época propunha que a Terra inicial, numa altura em que o sistema solar ainda estava em formação, teria capturado na sua órbita um astro de passagem pela sua vizinhança.

Face aos resultados das análises das amostras de rochas trazidas pelas missões Apolo, estas duas teses, porém, não conseguiam explicar, por exemplo, a inexistência de ferro nas rochas lunares (para a primeira teoria) ou, para a segunda, a similaridade entre a composição geológica da Lua e da Terra, que as pedras lunares revelaram.

Por essa altura, em 1975, dois astrónomos americanos William Hartmann e Donald Davis publicaram na revista científica Icarus, dedicada aos estudos sobre o sistema solar, um artigo sugerindo a possibilidade de uma mega-colisão para explicar a origem da Lua.

De acordo com a ideia, há cerca de 4,5 mil milhões de anos, um outro planeta de dimensão idêntica à da Terra, entretanto baptizado como Teia, numa alusão à deusa grega que era a mãe de Selene, a divindade da Lua, teria colidido com o nosso planeta, arrancando-lhe uma porção generosa que acabou por ficar presa na sua órbita.

Esta tese, hoje a mais consensual, tem o mérito de explicar a grande similaridade geológica entre a terra e a Lua. Por exemplo, a assinatura química dos isótopos (núcleos atómicos) de oxigénio é exactamente a mesma.

Para explicar, entretanto, a inexistência de ferro nas amostras da Lua, a teoria propõe que no momento em que a colisão ocorreu, o ferro, por ser um elemento pesado, já teria migrado quase todo para o interior da Terra. Mas há outras questões às quais esta tese não dá resposta. A mais substancial é a da inexistência aparente de materiais do tal astro Teia nas rochas lunares. Os modelos sugerem que pelo menos 60% da geologia lunar deveria ser idêntica à de Teia, mas esses materiais, aparentemente, não existirão ali, pelo menos em quantidade suficiente.

Para contornar essa dificuldade, alguns cientistas sugeriram que Teia e a Terra seriam corpos planetários muito idênticos entre si, dada a sua proximidade no contexto do sistema solar em formação, há 4,5 mil milhões de anos. E isso, claro, é uma possibilidade, mas a questão não está fechada. Inclusivamente, variantes desta teoria, como a possibilidade de ter havido, não uma, mas de muitas colisões entre inúmeras luas na origem da única que hoje conhecemos na órbita da Terra, têm sido publicadas na literatura científica nos últimos anos.

Os estudos, certamente, vão continuar. Há novas missões em curso, como a da sonda chinesa Chang-4, que em janeiro aterrou no lado oculto da lua, sendo a primeira de sempre a fazê-lo, e outros países, incluindo os Estados Unidos, a Europa, a Rússia e a Índia, estão a preparar também as suas próprias “pegadas” no satélite da Terra. Haverá muito na Lua para nos surpreender no futuro.

Diário de Notícias
Filomena Naves
17 Julho 2019 — 15:14

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2320: Esta terça-feira vai poder ver o eclipse parcial da Lua

(CC0/PD) biancamentil / pixabay
Eclipse parcial da Lua

A Lua vai estar, esta terça-feira, na sombra da Terra devido a um eclipse parcial que vai poder ser visto em Portugal.

Este fenómeno vai ser visível, a partir das 21h01, hora em que a Lua vai ficar parcialmente na zona de sombra da Terra, e vai poder ver-se “uma sombra com uma superfície arredondada a entrar pela Lua e a Lua a ficar escura”, segundo Rui Agostinho, astrónomo e professor na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.

Segundo Rui Agostinho, às 22h31 “o eclipse estará no máximo da sua parcialidade“, terminando à 01h20 de quarta-feira, momento em que a Terra vai deixar de fazer sombra no seu satélite natural.

Duas vezes por ano, a Lua passa nessa zona de sombra”, perdendo a iluminação do Sol, explicou o astrónomo à agência Lusa, a propósito do eclipse da Lua.

No CIAPS – Centro de Interpretação Ambiental da Pedra e do Sal, no Estoril, vai haver uma sessão aberta ao público de observação do eclipse com recurso a telescópios.

Também no Planetário do Porto, o Centro de Ciência Viva e o Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço vão organizar uma sessão de observação.

ZAP // Lusa

Por Lusa
16 Julho, 2019

– Seria excelente se o tempo que agora está chuvoso, logo estivesse com céu limpo, o que duvido…

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2313: Rocha lunar roubada em Portugal. Legado científico continua perdido

Bre Pettis / Flickr

Em 1973, Richard Nixon ofereceu a cada país um pequeno pedaço de rocha da Lua. Em 1985, a pedra lunar foi roubada do Planetário — um legado científico que, quase 35 anos depois, continua perdido.

Portugal teve uma rocha lunar de entre as muitas recolhidas pelos astronautas, há quase 50 anos, e que permitiram aos cientistas desvendarem mistérios. Algumas das amostras que se mantêm intactas vão agora ser estudadas.

Entre 1969 e 1972 foram recolhidos e trazidos para a Terra cerca de 400 quilos de rocha lunar, incluindo os 22 quilos de fragmentos extraídos pelos primeiros astronautas na Lua, há 50 anos.

Em 1973, num gesto de amizade para com o mundo, o presidente dos Estados Unidos Richard Nixon ofereceu a cada país um pequeno pedaço de rocha trazido da Lua.  Portugal foi um dos contemplados com a oferenda, mas por pouco tempo.

“Roubaram a pedra lunar do Planetário”. A expressão é de um título de uma notícia da edição de 11 de Julho de 1985 do extinto jornal Diário de Lisboa, que cita a antiga agência Notícias de Portugal.

O fragmento de rocha lunar que estava desde 1976 em exposição no Planetário Calouste Gulbenkian, da Marinha, em Lisboa, tinha sido furtado, desconhecendo-se o seu paradeiro. “Era o único exemplar que existia em Portugal”, lê-se na notícia. A exposição tinha sido inaugurada em Outubro desse ano pelo astronauta das missões Apolo 8 e 13 James Lovell Jr, que não esteve na Lua.

O pedaço de Lua dado a Portugal foi retirado em Dezembro de 1972 pelos astronautas da missão Apolo 17, a última, até hoje, a colocar humanos na superfície do satélite natural da Terra.

“Houve, de facto, uma pedra da Lua no Planetário que foi furtada em data anterior a 1988, não temos a data precisa”, respondeu à Lusa o serviço de informação da Marinha, sem dar mais detalhes, alegando que as pessoas que podiam contar o que se passou “já não estão vivas”.

Uma fotografia de Acácio Franco, que consta do arquivo da Lusa, mostra a caixinha com a bandeira portuguesa oferecida pelos Estados Unidos, mas sem a amostra da rocha lunar, que foi recolhida do Vale Taurus-Littrow e oferecida como “um símbolo da cooperação e do esforço de toda a humanidade”, lê-se numa inscrição.

O caso de Portugal não foi único. Há relatos sobre outros países onde fragmentos de rocha lunar foram furtados ou vendidos a coleccionadores privados, ou simplesmente desapareceram ou foram destruídos.

Graças às amostras enviadas para a Terra, os cientistas puderam estudá-las e determinar, por exemplo, a idade de Marte e Mercúrio e determinar que Júpiter, o maior planeta do Sistema Solar, se terá formado próximo do Sol, afastando-se depois.

Conseguiram também compreender que a Lua nasceu praticamente ao mesmo tempo que a Terra, há 4,4 mil milhões de anos, em resultado de um impacto, e que a sua estrutura interna é constituída igualmente por uma crosta, um manto e um núcleo.

Em Março, a agência espacial norte-americana NASA, que levou o Homem à Lua, seleccionou equipas para “prosseguirem o legado científico” das missões Apolo e estudarem amostras de rocha que “foram guardadas cuidadosamente” e estiveram “intocáveis durante quase 50 anos”.

As equipas irão analisar fragmentos recolhidos pelos astronautas, com o auxílio de veículos, nas missões Apolo 15, 16 e 17, entre 1971 e 1972. As amostras, conservadas em vácuo, no gelo e em hélio, nunca foram expostas à atmosfera da Terra.

Com elas, os cientistas esperam aprofundar estudos sobre a actividade vulcânica da Lua e saber como o impacto de meteoritos afectou a geologia e a sua superfície, como corpos sem atmosfera reagem ao ambiente do espaço, como a água é retida em minerais ou na radiação e como pequenas moléculas orgânicas, precursoras dos aminoácidos, os alicerces da vida, foram preservadas.

ZAP // Lusa

Por Lusa
14 Julho, 2019

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2310: A chegada do homem à Lua teria sido impossível de falsificar

CIÊNCIA

NASA

Um especialista em cinema e pós-produção cinematográfica explicou porque razão era impossível de falsificar a chegada do homem à Lua, em 1969, na missão Apolo 11.

Já passou meio século desde a alunagem de Apolo 11, mas muitas pessoas ainda não acreditam que isso realmente aconteceu. As teorias de conspiração sobre o evento que datam da década de 1970 estão, de facto, mais populares do que nunca. Uma teoria comum é que o director de cinema Stanley Kubrick ajudou a NASA a falsificar as imagens históricas dos seus seis desembarques bem-sucedidos na Lua.

Seria realmente possível fazer isso com a tecnologia disponível na época? O cineasta Howard Berry diz que, embora não possa dizer como pousamos na lua em 1969, pode dizer com alguma certeza que as imagens seriam impossíveis de falsificar.

“As alunagens foram filmadas num estúdio de TV”

Existem duas maneiras diferentes de capturar imagens em movimento. Uma é o filme, cenas reais de material fotográfico nas quais uma série de imagens é exposta. Outra é o vídeo, que é um método electrónico de gravação em vários meios, como a movimentação de fita magnética.

Um típico filme cinematográfico grava imagens a 24 frames por segundo, enquanto a transmissão de TV geralmente é de 25 ou 30 frames, dependendo de onde estiver no mundo.

Se concordarmos com a ideia de que os desembarques na Lua foram gravados num estúdio televisivo, então esperamos que eles sejam vídeo de 30 frames por segundo, que era o padrão na época. No entanto, sabemos que o vídeo do primeiro pouso na Lua foi gravado a dez frames por segundo em SSTV (televisão Slow Scan) com uma câmara especial.

“Reduziram a velocidade para parecer que havia menos gravidade”

Algumas pessoas podem argumentar que, quando se olha para pessoas que se movem em câmara lenta, elas parecem estar num ambiente de baixa gravidade. Reduzir a velocidade de um vídeo requer mais frames do que o normal. Assim sendo, começa-se com uma câmara capaz de capturar mais frames por segundo do que numa câmara normal — a isto se chama “overcranking”

Quando é reproduzida na velocidade normal, essa gravação é dura mais tempo. Se não consegue fazer “overcranking”, mas grava numa taxa de frames normal, pode diminuir artificialmente as imagens, mas precisa de uma maneira de armazenar os frames e gerar novos para desacelerá-los.

Na altura da alunagem, os gravadores capazes de armazenar filmagens em câmara lenta só podiam capturar 30 segundos, para conseguir uma reprodução de 90 segundos de vídeo em câmara lenta. Para capturar 143 minutos em câmara lenta, seria necessário gravar e armazenar 47 minutos de imagens ao vivo, o que simplesmente não era possível.

ZAP // The Conversation

Por ZAP
12 Julho, 2019

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2191: Sal de mesa descoberto numa Lua de Júpiter aumenta esperanças de vida alienígena

CIÊNCIA

JPL-Caltech / NASA
A superfície brilhante de Europa, a misteriosa lua de Júpiter

A descoberta dos compostos de sal de mesa na Europa, uma das luas de Júpiter, pode abrir a possibilidade de que haja lá vida alienígena ou que este seja um lugar habitável no futuro.

Acredita-se que Europa, uma lua congelada em torno de Júpiter, seja um dos mundos mais habitáveis do sistema solar. Foi primeiro avistado em detalhe pela sonda Voyager 1 em 1979, revelando uma superfície quase desprovida de grandes crateras.

Este satélite é principalmente feito de silicato e, segundo o Tech Explorist, tem uma crosta de gelo e provavelmente um núcleo de ferro e níquel. A sua atmosfera é composta maioritariamente por oxigénio e, por debaixo do gelo, água salgada. No entanto, as observações não permitiram saber ao certo como é a água salgada desta Lua.

Agora, um novo estudo, publicado esta quarta-feira na revista Science Advances, mostra que pode ser cloreto de sódio, conhecido como sal de mesa. Isto tem implicações importantes para a potencial existência de vida nas profundezas ocultas da Europa.

Os cientistas acreditam que a circulação hidrotermal no oceano, possivelmente impulsionada por fontes hidrotermais, pode naturalmente enriquecer o oceano em cloreto de sódio, através de reacções químicas entre o oceano e a rocha. Na Terra, acredita-se que as fontes hidrotermais sejam uma fonte de vida, como as bactérias.

De acordo com o The Conversation, descobriu-se que as plumas que emanam do pólo sul da lua de Saturno Enceladus, que tem um oceano semelhante, contêm cloreto de sódio, tornando tanto Europa quanto Enceladus alvos ainda mais atraentes para exploração.

Se olharmos para o espectro da luz reflectida da superfície, podemos inferir quais as substâncias que lá estão. Isto mostra evidências de gelo. A questão pertinente dos cientistas é se essas substâncias vêm do interior da Europa.

Para produzir ácido sulfúrico em água gelada, é necessário uma fonte de enxofre e energia para impulsionar a reacção química. Parte disso pode vir de dentro da lua na forma de sais de sulfato, alguns dos quais podem ser libertados por meteoritos, mas a explicação mais plausível é que vem da sua lua vulcânica, Io.

A equipa responsável por este novo estudo argumentou que o lado da Europa ao longo da sua órbita, o principal hemisfério, que é protegido do bombardeamento de enxofre, pode ser o melhor lugar para procurar evidências de quais sais realmente existem dentro da lua.

Os investigadores usaram o poderoso Telescópio Espacial Hubble e descobriram evidências de cloreto de sódio. Embora já houvessem suspeitas de sais na Europa, os dados mais recentes do Hubble permitiram que os cientistas o reduzissem a uma região chamada de terreno do caos. Isto significa que eles provavelmente virão do interior da Europa.

A vida como a conhecemos precisa de água líquida e energia. O facto da Europa ter um oceano líquido diz-nos que há água líquida e uma fonte de energia para impedir que ela congele. Mas a composição química do oceano também é crucial. Salmoura, “água salgada”, tem um ponto de congelamento menor do que a água pura, o que significa que torna a água mais habitável.

O sal, especificamente os iões de sódio no sal de mesa, é também crucial para toda uma gama de processos metabólicos na vida vegetal e animal. Em contraste, alguns outros sais, como os sulfatos, podem inibir a vida se presentes em grandes quantidades.

Os cientistas estavam ansiosos para puderem apontar que podem estar a ver apenas a ponto do icebergue de uma complicada cadeia de processos sub-superficiais. Mas, para aqueles que esperam que haja vida na Europa, a descoberta do cloreto de sódio é uma excelente notícia.

ZAP //

Por ZAP
18 Junho, 2019

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2184: NASA precisa de 20 mil milhões de dólares adicionais para levar humanos à Lua

Jim Bridenstine, administrador da NASA. REUTERS/Leah Millis

O orçamento actual da NASA ronda os 20 mil milhões de dólares por ano – mas esse valor pode não ser suficiente para as próximas missões. A revelação foi feita por Jim Bridenstine, administrador da NASA, que aponta a necessidade de aumentar o financiamento anual da agência.

A agência espacial norte-americana quer colocar humanos na lua em 2024. Para concluir o projecto da Lua, o administrador da NASA estima que sejam “precisos entre 20 a 30 mil milhões de dólares”, nos próximos cinco anos.

Em entrevista à CNN, o administrador da NASA refere que este aumento de orçamento, que rondará os 4 a 6 mil milhões de dólares adicionais, permitirá criar um “programa sustentável”. “Pensemos na questão como um investimento a curto prazo para chegar a um programa sustentável na lua, onde estaremos também a manter um olho em Marte”.

A próxima missão de aterragem na Lua recebeu o nome de Artemis – o nome da deusa grega irmã de Apolo, a designação dada à missão que colocou o homem na Lua, há cinquenta anos. Entretanto, esta nova missão já foi criticada por Donald Trump, num tweet que aponta que a NASA deveria estar preocupada com Marte e não com a Lua.

À CNN, Jim Bridenstine esclareceu que está amedrontado pelas declarações de Trump – especialmente quando qualquer aumento de orçamento da NASA precisa de ser aprovado pelo Congresso.

O governo de Donald Trump já submeteu um pedido de aumento de 1,6 mil milhões de dólares ao orçamento da NASA, para o próximo ano fiscal. Caso seja aprovado, o orçamento da NASA passaria para os 21,6 mil milhões de dólares – ainda longe das ambições indicadas pelo administrador da agência.

dn-insider
Sexta-feira, 14 Junho 2019
Cátia Rocha

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2156: Cientistas detectam misteriosa anomalia gravitacional na Lua

© TVI24 (REUTERS)

Uma misteriosa anomalia gravitacional foi descoberta na Lua.

A anomalia foi detectada quando os cientistas da Universidade de Baylor, no Texas, mediam pequenas alterações na força gravítica da Lua, através da análise de dados recolhidos em missões da NASA.

Os investigadores suspeitam que esta anomalia é causada por uma massa de metal que está debaixo da superfície lunar, segundo o estudo publicado no  Geophysical Research Letters.

Imagine uma massa de metal cinco vezes maior que a Ilha Grande do Havai enterrada na Lua. É mais ou menos isto que foi detectado”, explicou um dos autores do estudo, o cientista Peter James.

Este metal está enterrado numa cratera que se estima ser a mais larga cratera do Sistema Solar, com dois quilómetros de largura e 13 de profundidade. Apesar da sua dimensão, a cratera não é visível a partir da Terra pois encontra-se no lado mais longínquo da Lua.

Os cientistas acreditam que o metal se depositou após a colisão do asteróide que formou esta cratera.

msn notícias
Redacção TVI24
11/06/2019

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© Eclypse – Imagem lunar de hoje

2145: Voltar à Lua, para quê?

O pequeno satélite da Terra ainda esconde segredos e pode ser o prólogo do caminho para Marte, já encarado como o planeta B. A NASA está na linha da frente, mas na corrida estão também os milionários Elon Musk e Jeff Bezos. Cinquenta anos depois do primeiro passo, a Humanidade prepara agora o grande salto

© NASA Expresso

Desde que, em 1969, o homem pisou a superfície lunar pela primeira vez, a sede pelo conhecimento do espaço passou a abranger o planeta Marte. Para a NASA, tudo se afigura mais do que provável e a próxima missão à Lua já tem nome: Artemis, gémea de Apolo.

A próxima missão do homem à Lua já tem data (2024) e plano, que passa por colocar na órbita do único satélite natural da Terra uma nova estação espacial (Gateway), que servirá de apoio às missões à Lua e futuras viagens espaciais.

No mês passado, no seu estilo habitual, no Twitter e com letras maiúsculas, o Presidente dos Estados Unidos reforçou a mensagem: “Sob a minha Administração, vamos recuperar a grandeza da NASA e vamos voltar à Lua e depois iremos a Marte. Vou actualizar o orçamento em 1,6 mil milhões de dólares para que possamos voltar ao Espaço em GRANDE”.

Resta saber se, ao contrário do que aconteceu ao seu antecessor, John F. Kennedy — que não sobreviveu para ver os dois primeiros homens a caminhar na Lua, como prometeu que iria acontecer ainda na década de 60 — Donald Trump consegue ser reeleito e assistir a novo feito a partir da Casa Branca.

A acontecer, será o primeiro passo de uma viagem espacial que se quer mais longa e da construção do que se espera ser uma base permanente humana na Lua e na sua órbita. A ideia já não é só ir, espetar a bandeira do país e voltar para casa, explica Pedro Machado, investigador do Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço e professor na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.

“Há muitos anos que temos a tecnologia necessária para regressar e há questões científicas importantíssimas ainda por estudar. Se não voltámos desde a década de 70 foi por razões meramente políticas. O prazo é curto, mas desde que haja investimento é exequível. Construir uma missão como a Agência Espacial Europeia fez com o envio da sonda “Rosetta” (até um cometa que orbita entre a Terra e Júpiter e ao qual chegou 10 anos depois de ser enviada da Guiana Francesa) parece-me bastante mais difícil do que ir à Lua”, exemplifica o investigador. Afinal, a Lua está mesmo ali em cima, a menos de 400 mil quilómetros de distância, o equivalente a “um segundo-luz”.

msn notícias
Expresso
Isabel Leiria

A Lua vista pelo meu telescópio que, comparado com estes “monstros” da NASA, é um simples brinquedo.

© PhotoMoon Backyard by Eclypse – Jul2017



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Trump diz que a Lua faz parte de Marte…e é arrasado no Twitter

Presidente diz que a NASA se deve deixar de projectos para regressar à Lua e concentrar-se noutros, “como Marte (de que a Lua é uma parte).”

© REUTERS/Kevin Lamarque/File Photo

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, continua a somar observações desconcertantes no Twitter. Desta vez, a propósito dos planos da Agência Espacial Norte-Americana (NASA) para regressar em breve à Lua, defendeu que esta se deve concentrar em projectos mais ambiciosos, incluindo, e citamos: “Marte (de que a Lua é uma parte)”, Defesa e Ciência”.

Há quem admita a possibilidade de Trump se estar a referir, ainda de que forma bastante confusa, aos projectos da NASA para utilizar a Lua como base de lançamento de futuras missões a Marte. No entanto, tendo em conta que o tweet em causa começa com o presidente dos Estados Unidos a defender que “a NASA não devia estar a falar sobre ir à Lua – fizemos isso há 50 anos”, essa justificação parece um tanto ou quanto forçada.

Ainda que seja igualmente inconcebível a ideia de que um Presidente dos Estados Unidos possa desconhecer que a Lua é o satélite natural da Terra, é esta a leitura que, a julgar pelos comentários que esta intervenção gerou, está a ser feita pela maioria dos internautas que comentaram a publicação. Há quem tente dar umas lições básicas de astronomia a Trump. E há quem se conforme e diga que mais vale reescrever as enciclopédias.

A NASA ainda não se pronunciou sobre as afirmações de Donald Trump. Mas Marte já o fez. Ainda que seja de admitir que a conta do planeta possa não ser oficial.

O que estará de facto a preocupar a NASA, mais do que as noções de astronomia do presidente, é o facto de este ter aparentemente mudado totalmente de posição em relação ao projecto lunar, cuja equipa deverá integrar uma mulher. É que, há menos de um mês, Trump anunciava entusiasticamente os planos da sua administração para um regresso “em grande” ao espaço, Lua incluída.

Ainda esta sexta-feira, recorde-se, a NASA tinha anunciado planos para abrir a Estação Espacial Internacional ao turismo, de forma a ajudar financiar vários projectos, incluindo as missões lunares, e a reforçar a ligação ao sector privado.

Diário de Notícias

DN
08 Junho 2019 — 22:34



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2122: Bizarros clarões de luz vindos da Lua estão a intrigar os astrónomos

CIÊNCIA

giumaiolini / Flickr

Várias vezes por semana, podemos ver clarões que aparecem na superfície da Lua. Algumas vezes são rápidos, outras duram mais tempo. Em algumas ocasiões, há lugares que escurecem temporariamente.

Os cientistas não sabem exactamente o que está a causar a aparição destas misteriosas luzes no nosso satélite natural. Uma das hipóteses é que serão provocadas por impactos de meteoritos. Ou então pode tratar-se de partículas de vento solar carregadas electricamente que reagem com o pó lunar.

“Também se observaram actividades sísmicas na Lua. Quando a superfície se move, os gases que reflectem a luz solar poderiam escapar do interior da Lua. Isto explicaria os fenómenos luminosos, alguns dos quais duram horas”, disse Hakan Kayal, professor de tecnologia espacial na Universidade de Würzburgo, na Alemanha. Os chamados fenómenos lunares transitórios conhecem-se desde a década de 1950, mas não foram observados de maneira sistemática e a longo prazo.

Kayal e a sua equipa construíram, de acordo com a ABC, um telescópio lunar e puseram-no em funcionamento em Abril. Está localizado num observatório privado em Espanha a cerca de 100 quilómetros a norte de Sevilha numa zona rural.

O telescópio é controlado remotamente a partir do campus da JMU. Consiste em duas câmaras que monitorizam a lua noite após noite. Somente se ambas as câmaras registarem um fenómeno de luz ao mesmo tempo, o telescópio activará outras acções. Em seguida, armazena as fotos e sequências de vídeo do evento e envia um e-mail para a equipa de Kayal.

O sistema ainda não está completamente terminado: o software, que detecta automaticamente flashes e outros fenómenos de luz, está a ser aperfeiçoado. Kayal planeia usar métodos de inteligência artificial, entre outras coisas: redes neurais garantem que o sistema gradualmente aprenda a distinguir um flash da Lua de falhas técnicas ou de pássaros e aviões a passar na frente da câmara. Estima-se que será necessário outro ano de trabalho antes que possa ser feito.

Para Kayal, reduzir a taxa de falsos alarmes o máximo possível é apenas o primeiro marco deste projecto. O sistema será usado mais tarde numa missão de satélite. As câmaras poderiam trabalhar em órbita ao redor da Terra ou da Lua. O cientistas espera que isto leve a resultados muito melhores.

Quando o telescópio documenta um fenómeno luminoso, a equipa comparara os resultados com a Agência Espacial Europeia (ESA), que também observa a lua. “Se a mesma coisa for vista lá, o evento pode ser considerado confirmado.” Se necessário, uma investigação conjunta adicional poderá ser iniciada.

A nova “corrida para a lua” aumentou o interesse em fenómenos de luz no nosso satélite. A China iniciou um abrangente programa lunar e, no início de Janeiro, enviou uma sonda para o outro lado da Lua. A Índia está a planear uma missão semelhante.

Em reacção a essas iniciativas, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, falou em Maio do retorno do seu país à Lua. A China e empresas privadas como a SpaceX ou a Blue Origin também estão a considerar a Lua como um habitat para humanos a longo prazo. Além disso, existem matérias-primas lá, como metais raros, que são necessárias para a criação de smartphones e outros dispositivos.

ZAP //

Por ZAP
6 Junho, 2019



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2052: Formação da Lua trouxe água para o planeta Terra

CIÊNCIA

Marshall Space Flight Center / NASA

A formação da Lua trouxe para a Terra condritos carbonosos, que são fonte provável da água no nosso planeta e de elementos altamente voláteis, como carbono, nitrogénio, hidrogénio e enxofre.

A Terra é o único planeta terrestre com grandes quantidades de água e com uma lua relativamente grande que equilibra o eixo do nosso planeta. A Terra foi crescendo através de colisões com embriões planetários, que trouxeram consigo materiais semelhantes aos tais condritos carbonosos.

Compreender quando e como é que estes materiais chegaram à Terra é fundamental para perceber os processos fundamentais pelos quais o planeta se tornou habitável. A possibilidade de terem trazido consigo água, é um dos principais factores.

Um novo estudo da Universidade de Münster, publicado esta segunda-feira na revista Nature Astronomy, mostra que a água chegou ao nosso planeta com a formação da Lua há 4,4 mil milhões de anos. A Lua foi então formada quando a Terra foi atingida por um planeta, do tamanho de Marte, chamado Theia.

Com esta investigação, os cientistas conseguiram provar que, ao contrário do que se pensava, Theia teve origem no sistema solar externo e transportou consigo enormes quantidades de água.

“Usamos isótopos de molibdénio para responder a esta questão. Estes isótopos permitem-nos distinguir claramente o material carbonado e não-carbonado e, como tal, representam uma ‘impressão genética’ do material do sistema solar externo e interno”, disse a autora principal do estudo, Gerrit Budde.

Segundo o Tech Explorist, os resultados das medições feitas pelos cientistas mostram que parte do molibdénio da Terra teve origem no sistema solar externo, comprovando a sua teoria original.

“A nossa abordagem é única porque, pela primeira vez, nos permite associar a origem da água na Terra com a formação da Lua. Para simplificar, sem a Lua provavelmente não haveria vida na Terra”, disse Thorsten Kleine, professor de Astronomia Planetária na Universidade de Münster.

ZAP //

Por ZAP
26 Maio, 2019

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