2846: NASA revela novos fatos espaciais que os astronautas vão levar para a Lua (e são pura ficção científica)

CIÊNCIA

A NASA apresentou na terça-feira, na sua sede, em Washington, Estados Unidos, os novos fatos espaciais que os astronautas da missão Artemis vão usar em 2024, quando voltarem à Lua.

Fatos feitos em modelos 3D, à medida de cada astronauta, capacetes que se podem arranjar na hora e melhor mobilidade e flexibilidade para andar na superfície lunar. O objectivo da NASA é proporcionar aos seus astronautas um traje sofisticado. Os astronautas vão poder levantar não só os braços como outros objectos sobre a cabeça.

Além disso, os novos fatos têm uma série de novas particularidades: uma funcionalidade de suporte à vida em atmosferas ricas em dióxido de carbono e também um sistema de aquecimento para temperaturas baixas.

Haverá ainda uma escotilha de entrada traseira nos trajes para permitir que o astronauta consiga enfiar o fato facilmente. O visor de protecção do capacete protegê-lo-á de qualquer desgaste que possa ocorrer e as botas terão solas flexíveis. A questão dos microfones actuais, que às vezes provocam suor e acabam por se tornar desconfortáveis, também está resolvida, já que a NASA está a pensar substituí-los por um novo sistema incorporado, activado por voz e colocado na parte superior do corpo.

@nasahqphoto

Check out images from today’s event showcasing prototypes of @NASA‘s 2 newest spacesuits designed for Moon to Mars exploration: 1 for launch and re-entry, and 1 for exploring the lunar South Pole! #Artemis More 📸https://flic.kr/s/aHsmHHQ8Uy 

Mas ainda há coisas que não foram mudadas. O ScienceAlert relembra que ainda não se sabe como será possível remover fluídos corporais com o fato vestido, por isso os astronautas vão continuar a usar fraldas.

A data prevista para dar uso a todo este material será 2024, provavelmente na segunda metade do ano, e o destino é o pólo sul da Lua.

Artémis era a irmã gémea de Apolo e significava a deusa da Lua em grego. A NASA escolheu este nome para lembrar que, neste caminho de regresso à Lua, haverá um homem e uma mulher entre os eleitos.

@NASA

Introducing our next-generation spacesuit for #Artemis missions! Here, spacesuit engineer Kristine Davis demonstrates the improved mobility in the new suit, important for working on the Moon’s surface. Watch live: https://go.nasa.gov/2VI0g9g 

Para já, fala-se apenas na Artemis 1, até agora conhecida como missão de exploração 1, que será a primeira de uma série de missões empenhadas em permitir a exploração humana na Lua e em Marte.

Essa primeira missão vai permitir testar o sistema de voo integrado da agência e, numa primeira fase, já se sabe, será não tripulada. Pretende-se avaliar aquele que se espera ser o foguetão mais poderoso do mundo, que promete voar até ainda mais longe do que até agora – 450 mil quilómetros da terra, milhares de quilómetros para lá da Lua, durante três semanas.

A NASA está agora a estudar de que forma poderá estabelecer uma presença humana sustentável no satélite da terra.

ZAP //

Por ZAP
17 Outubro, 2019

 

2837: Cientistas descobriram como extrair oxigénio da poeira da Lua

CIÊNCIA

Edwin Aldrin / NASA
Pegada do astronauta Edwin Aldrin na Lua

Cientistas conseguiram extrair oxigénio do regolito lunar. A equipa demorou cerca de 50 horas para extrair 96% do oxigénio na amostra.

A Lua é um lugar bastante inóspito para humanos. Ambiente seco, poeira e não há atmosfera para respirarmos. Mas isso não significa que não haja oxigénio. Na verdade, o regolito lunar — camada superior na superfície com uma grande quantidade de sedimentos finos — está carregado dele. E agora os cientistas descobriram como retirá-lo.

De acordo com o Science Alert, para além de nos dar oxigénio, este processo fornece ainda as ligas metálicas às quais estava ligado, sendo que ambos seriam realmente úteis em futuras bases ou colónias lunares. Só há um problema.

“Este oxigénio é um recurso extremamente valioso, mas está quimicamente ligado ao material como óxidos na forma de minerais ou de vidro e, por isso, não está disponível para uso imediato”, disse a química Beth Lomax, da Universidade de Glasgow, na Escócia, cujo estudo foi publicado em Setembro na revista científica Planetary and Space Science.

Essas amostras são demasiado valiosas para serem testadas directamente, mas tê-las significa que podemos recriar com precisão a sua consistência usando materiais terrestres. Esta poeira lunar falsa é chamada “simulador de regolito lunar”.

Anteriormente, os cientistas já tentaram extrair oxigénio do regolito lunar através de várias formas: redução química de óxidos de ferro usando hidrogénio para produzir água e, de seguida, electrólise para separar o hidrogénio do oxigénio na água; ou um processo semelhante com metano em vez de hidrogénio. No entanto, essas técnicas não foram eficazes, tornaram-se excessivamente complicadas ou até demasiado quentes, chegando a temperaturas tão extremas que fizeram com que o regolito derretesse.

Lomax e o resto da equipa saltaram a etapa da redução química e passaram directamente para a electrólise do regolito. “Este processo foi realizado através de um método chamado electrólise de sal derretido. Este é o primeiro exemplo de processamento directo de pó a pó do simulador de regolito lunar sólido que pode extrair praticamente todo o oxigénio”, explicou a cientista.

Primeiro, o regolito é colocado num cesto forrado de malha. O cloreto de cálcio (o electrólito) é adicionado e a mistura é aquecida a cerca de 950 ºC, uma temperatura que não derrete o material. Depois, é aplicada corrente eléctrica, extraindo o oxigénio e migrando o sal para um ânodo, onde pode ser facilmente removido.

A equipa demorou cerca de 50 horas para extrair 96% do oxigénio na amostra do regolito, mas 75% do oxigénio foi conseguido nas primeiras 15 horas. Aproximadamente um terço do oxigénio total da amostra foi detectado sem gás, e o restante foi perdido.

Além disso, o metal deixado para trás pode ser utilizado, sendo esta a primeira vez que uma técnica de extracção de oxigénio com regolito lunar produz este resultado. Havia três grupos principais, às vezes com pequenas quantidades de outros metais misturados: ferro-alumínio, ferro-silício e cálcio-silício-alumínio.

Esta descoberta mostra que a técnica ainda pode ser valiosa, mesmo que seja possível extrair oxigénio das suspeitas reservas de gelo na Lua.

ZAP //

Por ZAP
15 Outubro, 2019

 

2832: Que idade terá o gelo encontrado na Lua?

CIÊNCIA

No ano passado, a NASA fez uma descoberta que mudou significativamente a forma de pensar no futuro da Lua. O facto de haver água no nosso satélite natural pode ser importante para viagens espaciais futuras, além de outros objectivos no Espaço. A descoberta de depósitos de gelo lunar, abriu novas linhas de investigação. Assim, entre várias questões levantadas, a idade desse gelo pode revelar muita coisa que desconhecemos.

Segundo as investigações, a maioria dos depósitos de gelo na lua têm, provavelmente, milhares de milhões de anos. Contudo, alguns podem ser muito mais recentes.

Há gelo da Lua, será que o podemos usar?

A descoberta de depósitos de gelo em crateras espalhadas pelo Polo Sul da lua ajudou a renovar o interesse em explorar a superfície lunar. Contudo, ninguém sabe exactamente quando ou como chegou lá esse gelo.

Segundo Ariel Deutsch, estudante do Departamento de Ciências da Terra, Meio Ambiente e Planetárias da Universidade de Brown, é importante limitar a idade dos depósitos. Essa informação pode ser crucial quer para a ciência básica, quer para as futuras explorações lunares. Isto porque este gelo poderá um dia ser usado como combustível, além de outras utilizações vitais.

As idades desses depósitos podem potencialmente dizer-nos algo sobre a origem do gelo, o que nos ajuda a entender as fontes e a distribuição de água no sistema solar interno. Para fins de exploração, precisamos entender as distribuições laterais e verticais desses depósitos para descobrir a melhor forma de chegar até eles. Estas distribuições evoluem com o tempo, por isso é importante ter uma ideia da idade.

Revelou Deutsch.

Que idade tem o gelo da Lua?

Segundo os dados recolhidos pelo LRO (Lunar Reconnaissance Orbiter ou Orbitador de Reconhecimento Lunar) da NASA, que está a orbitar a lua desde 2009, os investigadores olharam para as idades das grandes crateras nas quais os cientistas encontraram evidências de depósitos de gelo no Polo Sul. Tendo em conta as crateras existentes hoje, os investigadores contaram quantas crateras menores se acumularam dentro das maiores.

Desta forma, os cientistas conseguem ter uma ideia aproximada do ritmo dos impactos ao longo do tempo. Assim, a contagem das crateras pode ajudar a estabelecer as idades dos terrenos.

Segundo os investigadores, a maioria dos depósitos de gelo relatados estão dentro de grandes crateras formadas há cerca de 3,1 mil milhões de anos ou mais. Como o gelo não pode ser mais velho do que a cratera, isso coloca um limite superior na idade do gelo.

No entanto, pese o facto de a cratera ser velha, isso não significa que o gelo dentro dela também seja tão velho assim. Contudo, neste caso há razões para acreditar que o gelo é realmente velho. Os depósitos têm uma distribuição desigual entre os pisos das crateras, o que sugere que os impactos do micro-meteorito e outros detritos danificaram o gelo ao longo do tempo.

Se estes depósitos de gelo relatados forem de facto antigos, isso poderia ter implicações significativas em termos de exploração e utilização potencial de recursos, dizem os cientistas.

Crateras em crateras

Embora a maioria do gelo estivesse nas crateras antigas, os investigadores também encontraram evidências de gelo em crateras menores. Assim, a julgar pelas suas características afiadas e bem definidas, parece ser gelo bastante fresco. Isso sugere que alguns dos depósitos no Polo Sul chegaram lá “recentemente”.

Foi uma surpresa. Não havia realmente nenhuma observação de gelo em armadilhas frias mais jovens antes.

Explicou Deutsch.

Se há realmente depósitos de diferentes idades, isso sugere que também podem ter fontes diferentes. O gelo mais antigo poderia ter sido proveniente de cometas e asteróides portadores de água que chocaram com a superfície, ou através de actividade vulcânica que retirava água das profundezas da Lua.

No entanto, não há muitos impactos com grande porte de água nos últimos tempos. Além disso, acredita-se que o vulcanismo tenha acontecido na Lua há mais de mil milhões de anos. Assim, depósitos de gelo mais recentes exigiriam fontes diferentes – talvez resultantes de bombardeios de micro-meteoritos do tamanho de ervilhas ou de impactos do vento solar.

Enviar naves à Lua para recolher gelo

Os especialistas referem que para perceber com certeza do que está em causa, é importante enviar naves para recolher amostras. Nesse sentido, a análise do material ajudaria a descobrir e a responder a todas as dúvidas e incertezas. Aliás, esse tipo de missões está no horizonte.

O programa Artemis da NASA visa colocar humanos na lua até 2024. Antes disso, haverá inúmeras missões precursoras com naves espaciais robóticas. Estes estudos são fundamentais para moldar essas futuras missões.

Quando pensamos em enviar humanos de volta à Lua para exploração a longo prazo, precisamos saber com que recursos podemos contar, e actualmente não sabemos. Estudos como este ajudam-nos a fazer previsões sobre onde precisamos ir para responder a essas perguntas.

Concluiu Jim Head, co-autor do estudo.

O estudo está publicado na revista Icarus. Gregory Neumann do Goddard Space Flight Center da NASA também contribuiu para o trabalho.

NASA descobre gelo à superfície da Lua

Cientistas descobriram gelo nos pólos norte e sul da Lua. Esta é uma grande descoberta que pode mudar completamente a forma como encaramos as viagens espaciais dado que, existe na Lua uma fonte de … Continue a ler NASA descobre gelo à superfície da Lua

Imagem: NASA
Fonte: NASA

 

2813: Já há novas informações sobre a primeira planta que nasceu na Lua

CIÊNCIA

Chongqing University / Victor Tangermann

Já há mais informações sobre a primeira planta na Lua, que nasceu de sementes de algodão este ano. Entretanto, a planta acabou por morrer devido às baixas temperaturas.

Quando a sonda chinesa Chang’e-4 pousou no lado mais distante da Lua no dia 3 de Janeiro de 2019, ela entrou para a história. Foi a primeira nave a explorar este lado da Lua, e na sua carga estava uma mini-biosfera de 2,5 kg chamada Micro Ecossistema Lunar.

Este cilindro tem apenas 18 cm de comprimento e 16 cm de diâmetro, e contém seis formas de vida que foram mantidas por 20 dias em condições parecidas com as da Terra, excepto pela micro-gravidade e radiação lunar. São elas: sementes de algodão, sementes de batata, semente de canola, levedura, ovos de mosca-da-fruta e uma planta comum da espécie Arabidopsis thaliana.

Apenas as sementes de algodão produziram resultados positivos em Janeiro deste ano. O brotamento de duas folhas foi registado nos 14 dias terráqueos do primeiro dia lunar da semente. Ao final deste tempo, a região ficou na escuridão e no frio de -190ºC e a planta acabou por morrer.

A imagem disponibilizada pela China é uma reconstrução em 3D baseada na análise e processamento de imagem.

O investigador responsável por esta experiência, Xie Gengxin, avisa que não haverá um artigo científico publicado sobre o evento, mas que pretende continuar o seu trabalho.

Na etapa de planeamento, a equipa pretendia enviar um pequeno cágado para a Lua, mas acabou por optar pelos outros organismos devido ao limite de peso da esfera, que não poderia ser mais do que 3 kg. Caso o animal tivesse sido enviado, ele teria um final pouco feliz, já que morreria de frio e de falta de oxigénio ao fim de 20 dias.

A missão Chanc’e-4 foi a primeira a levar organismos terráqueos para a Lua, sem contar com os astronautas das missões lunares de 1969 a 1972.

Xie e sua equipa esperam enviar mais formas de vida nas próximas missões para a Lua, mas ainda não especificaram que tipo de organismos seriam esses. A China já planeou a Chang’e-6, uma missão de regresso da amostragem, que deve acontecer em meados de 2020.

ZAP // HypeScience

Por ZAP
11 Outubro, 2019

 

2804: A ciência solar tem um futuro brilhante na Lua

CIÊNCIA

À medida que a Lua orbita a Terra, gira à mesma velocidade – um tipo especial de bloqueio de marés chamado rotação síncrona. Como resultado, um lado da Lua está sempre virado para a Terra.
Crédito: SVS da NASA/Ernie Wright

Existem muitas razões pelas quais a NASA está a perseguir a missão Artemis de fazer regressar astronautas à Lua até 2024: é uma maneira crucial de estudar a própria Lua e de pavimentar um caminho seguro para Marte. Mas também é um óptimo lugar para aprender mais sobre a protecção da Terra, que é apenas uma parte do maior sistema Sol-Terra.

Os heliofísicos – cientistas que estudam o Sol e a sua influência na Terra – também enviarão as suas próprias missões da NASA como parte do programa Artemis. O seu objectivo é entender melhor o complexo ambiente espacial que rodeia o nosso planeta, grande parte do qual é impulsionado pelo nosso Sol. Quanto mais entendermos esse sistema, melhor poderemos proteger a tecnologia espacial, as comunicações por rádio e as redes utilitárias da ira da nossa estrela mais próxima.

Aqui ficam cinco razões pelas quais os heliofísicos estão ansiosos por estas oportunidades lunares.

1. É um Satélite Estável

A primeira vantagem da ciência com base na Lua diz respeito à instabilidade dos satélites artificiais, que muito transtorna os cientistas espaciais.

Os satélites são mais instáveis do que se imagina. São feitos de metais que se expandem e se contraem com as mudanças de temperatura. Transportam telescópios que constantemente giram para permanecerem apontados para os alvos. Disparam motores e giram as rodas de reacção para permanecer em órbita. Cada uma destas manobras causa tremulação, que pode provocar erros nas medições, medições estas que exigem precisão.

Mas a Lua – o único satélite natural da Terra – é uma viagem muito mais suave.

“A Lua é um bom lugar estável – não treme nem tremula como uma nave espacial,” disse David Sibeck, heliofísico do Centro de Voo Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, no estado norte-americano de Maryland. “Qualquer pessoa que tente fazer medições de alta resolução ficará feliz em não precisar de se preocupar com a instabilidade.”

Um ambiente sem instabilidade é uma vantagem para todas as ciências espaciais, mas existem bónus adicionais para os heliofísicos que estudam as auroras. A uma média de 384.400 km da Terra, a Lua tem uma excelente vista das auroras da Terra quando se movem equatorialmente durante tempestades geo-magnéticas. Além disso, como o mesmo lado da Lua está sempre virado para a Terra, os telescópios não precisam de ser tão ajustados. Colocados à superfície, a Lua mantém-nos apontados.

2. Observação de Eclipses

Muito antes da era espacial, os cientistas contavam com a Lua para ajudá-los a estudar o Sol. Observadores pacientes esperavam eclipses solares totais, quando a Lua bloqueia a superfície brilhante do Sol. Só então é que podiam ver a sua ténue atmosfera exterior, conhecida como coroa.

Mas as esperas podem ser longas. Um eclipse solar total ocorre em algum lugar da Terra a cada 18 meses. Para qualquer local específico, é mais uma vez a cada quatro séculos.

“Obtemos resultados fantásticos com os eclipses,” disse John Cooper, heliofísico de Goddard. “Mas não temos eclipses todos os dias.”

Mas um telescópio de observação solar, no tipo certo de órbita em torno da Lua, pode gerar eclipses “sob demanda”. Em vez de esperarmos que a Lua se mova pela linha de visão do telescópio, Cooper, explica, movemos a nossa linha de visão para trás da Lua.

“Basicamente, estamos a usar o limbo lunar contra o céu escuro e profundo,” disse Cooper. Dado que a Lua não tem uma atmosfera que distorce a imagem, as medições seriam ainda mais nítidas do que as feitas na Terra.

A partir da sua órbita íntima, um telescópio do género não geraria eclipses solares totais – estudaria, sim, uma parte do limbo do Sol de cada vez. Mas Cooper calcula que podemos ver tanto os lados este como este do limbo do Sol uma vez a cada órbita – duas vistas de alta resolução, todos os dias.

3. Está Fora do Campo Magnético da Terra

O clima espacial faz parte da heliofísica, onde a ciência pura é aplicada em tempo real. Os cientistas do clima espacial estudam o Sol – incluindo o seu fluxo constante de vento solar – e os seus impactos na Terra. Estes investigadores precisam de acertar na física fundamental para manter seguras as nossas valiosas comunicações e satélites GPS. Mas determinar se um satélite está em perigo pode ser complicado.

A segurança de um satélite depende, em parte, se está dentro ou fora da magneto-pausa da Terra. A magneto-pausa é uma “terra de ninguém” móvel, onde o escudo magnético do nosso planeta termina e tem início todo o impacto do clima espacial. Aqui dentro, estamos em grande parte seguros. Fora, não estamos.

Mas, de momento, a única maneira de saber onde está essa fronteira, é voar através dela.

“Às vezes existem oscilações nos dados e podemos ver o cruzar dessa fronteira,” disse Sibeck. “Às vezes, vemos dez oscilações.”

Mas há outra maneira de encontrar a magneto-pausa se pudermos afastar-nos o suficiente para lá do escudo magnético da Terra. Quando o vento solar atinge a atmosfera da Terra, logo para lá da magneto-pausa, emite raios-X. Um telescópio de raios-X, colocado correctamente, podia capturar essa radiação e rastrear a localização da magneto-pausa.

É por isso que Sibeck pertence a uma equipa, liderada pelo cientista espacial Brian Walsh da Universidade de Boston, que está a querer colocar um telescópio de raios-X na Lua.

“Ninguém ainda obteve estas imagens globais e a Lua tem um bom ponto de vista de fora do campo magnético da Terra,” explicou Sibeck.

A missão LEXI (Lunar Environment heliospheric X-ray Imager), será colocada na superfície lunar para obter imagens globais, em tempo real, da magneto-pausa. No dia 1 de Julho de 2019, a NASA anunciou que a LEXI estará entre as primeiras cargas lunares a participar da missão Artemis. Esperam estar à superfície da Lua em 2022.

O instrumento LEXI terá pouco mais de um metro, mas a superfície lunar pode acomodar telescópios de raios-X muito maiores. Boas notícias, porque os raios-X são difíceis de focar; os telescópios mais longos obtêm imagens de resolução muito mais alta. O requisito de ser grande colocou um problema; alguns satélites simplesmente não têm tamanho suficiente para os transportar. “Mas na Lua as coisas podem ser realmente grandes,” acrescentou Sibeck.

4. Podemos “Desenterrar” a História do Sol

A resposta para algumas perguntas da heliofísica encontram-se enterradas na própria Lua.

“A Lua é como uma cápsula no tempo,” disse Steve Clarke, Administrador Associado Adjunto para Exploração da NASA. “Como foi formada ao mesmo tempo que a Terra, tem a história do Sistema Solar à sua superfície.”

Durante os seus primeiros mil milhões de anos, o Sol provavelmente girou mais depressa do que gira hoje, disparando um volume maior de erupções solares e electrificando o próprio espaço que formava planetas. Mas, para ter certeza de como foram esses primeiros mil milhões de anos, precisamos de evidências de coisas que ocorreram há muito, muito tempo.

A Lua – que não possui atmosfera, nem água líquida, nem placas tectónicas – fornece esse mesmo registo histórico. As erupções solares de há milhares de milhões de anos deixaram vestígios imperturbados na poeira lunar.

Um artigo recente analisou a poeira lunar para estudar a quantidade de voláteis – elementos como sódio e potássio, com baixos pontos de ebulição – que permaneceram nas amostras lunares. Estes voláteis são expulsos da Lua quando partículas solares energéticas atingem a superfície lunar. Ao analisar quanto destes elementos foram esgotados ao longo do tempo, os cientistas viram os primeiros mil milhões de anos do nosso Sol num contexto mais amplo. Embora tenha girado mais depressa do que gira hoje, em comparação com outras estrelas ainda é lenta, girando mais devagar do que 50% das estrelas semelhantes – e tendo surtos explosivos com muito menos frequência do que poderia ter tido.

“Poderia ter sido um ambiente muito mais severo,” disse Prabal Saxena, autor principal do estudo e astrónomo de Goddard.

Ainda há mais história antiga para aprender com a poeira lunar. A Lua não tem um campo magnético global – mas pode ter tido um no passado. Amostras dos pólos da Lua, onde a próxima missão Artemis planeia aterrar, podiam mostrar se um campo magnético histórico mudou o padrão de voláteis deixado para trás.

5. É uma Plataforma de Testes para Marte

Par os futuros astronautas na Lua e em Marte, o clima espacial exigirá atenção constante. O Sol liberta muitas “coisas” – e essas “coisas” viajam depressa.

Na Lua, os raios-X das explosões solares atingem a superfície em oito minutos. As ejecções de massa coronal – nuvens gigantes de partículas carregadas e quentes – podem chegar em 24 horas. As partículas energéticas solares, ou PESs, são mais raras, mas ainda mais rápidas e perigosas.

As PESs atingem 10, 20% da velocidade da luz, chegando até nós numa hora,” afirmou Karin Muglach, física solar do Laboratório do Clima Espacial de Goddard. “Estas coisas são como balas.”

Tendo em conta que a Lua está a apenas um segundo-luz de distância, os sistemas de aviso na Terra devem ser suficientes para proteger os astronautas na Lua. “Mas se formos para Marte, as comunicações podem demorar bastante,” disse Muglach.

Testar estes sistemas de protecção, nas proximidades, é uma das razões pelas quais a NASA quer regressar à Lua antes de ir para Marte.

Para a Lua, e Além

À medida que a NASA avança para a Lua e depois para Marte, surgem novas oportunidades para aprender sobre a ligação Sol-Terra. Mas não é apenas ciência básica. A influência do Sol preenche o espaço em nosso redor – o próprio espaço que os futuros astronautas terão que navegar e entender.

“Nem todas as ciências têm este aspecto realmente prático,” disse Jim Spann, principal cientista do clima espacial na sede da NASA em Washington, DC. “É um aspecto muito especial.”

Astronomia On-line
8 de Outubro de 2019

 

2791: NASA descobre novos tipos de compostos orgânicos nas plumas de Encélado

CIÊNCIA

NASA / JPL-Caltech
Encélado é o sexto maior satélite natural de Saturno

Novos tipos de compostos orgânicos, componentes básicos da vida na Terra, foram detectados nas plumas da lua Encélado.

No ano passado, a análise dos dados da missão Cassini, que estudou Saturno e as suas luas, permitiu confirmar a existência de moléculas orgânicas complexas e insolúveis em Encélado, a lua congelada do planeta gasoso, onde existe um oceano subterrâneo no estado líquido.

A mais recente descoberta da NASA anuncia novos tipos de compostos orgânicos, menores e solúveis, na lua de Saturno. Esta descoberta reforça a importância de estudar este satélite natural, uma vez que as moléculas orgânicas são um elemento essencial para a existência de vida.

Os novos tipos de compostos orgânicos foram descobertos nas plumas de Encélado – na superfície desta lua há rupturas que expelem o líquido interior e foi desta forma que a Cassini conseguiu obter informações sobre o intrigante fenómeno.

A NASA explica que “poderosas fontes hidrotermais ejectam material do núcleo de Encélado, que se mistura com a água do imenso oceano subterrâneo da lua antes de ser libertado no Espaço como vapor de água e grãos de gelo” e “as moléculas recém-descobertas, condensadas nos grãos de gelo, foram determinadas como compostos que continham nitrogénio e oxigénio”.

Na Terra, compostos semelhantes aos recém descobertos na lua de Saturno participam em reacções químicas que produzem aminoácidos, um dos blocos de construção da vida. Além disso, são as fontes hidrotermais no fundo do oceano que fornecem a energia necessária para alimentar essas reacções.

Uma vez que existem fontes hidrotermais em Encélado, a descoberta deste novos compostos orgânicos sugere que podem mesmo existir aminoácidos no satélite natural de Saturno, explica o CanalTech.

“Se as condições estiverem corretas, estas moléculas vindas do oceano profundo de Encélado podem estar no mesmo caminho de reacção que observamos aqui na Terra. Ainda não sabemos se os aminoácidos são necessários para a vida além da Terra, mas encontrar estas moléculas é uma peça importante deste quebra-cabeças”, afirmou Nozair Khawaja, líder da investigação, publicada dia 2 de Outubro no Monthly Notices.

“Este trabalho mostra que o oceano de Encélado tem blocos reactivos em abundância, sendo outra luz verde na investigação da habitabilidade de Encélado”, acrescentou o co-autor do estudo, Frank Postberg.

ZAP //

Por ZAP
7 Outubro, 2019

[artigo relacionado: Novos compostos orgânicos descobertos nos grãos de gelo de Encélado]

 

2739: Elon Musk não acredita que existam extraterrestres na Área 51

EXTRATERRESTRES

tedconference/ Flickr
Elon Musk, CEO da Tesla e SpaceX

O CEO da Tesla e da Space X, Elon Musk, revelou este sábado que não acredita que existam extraterrestres na Área 51, uma zona militar onde as forças armadas dos Estados Unidos alegadamente guardam provas de vida alienígena.

A revelação do multimilionário norte-americano foi feita este sábado, quando Elon Musk apresentava as últimas actualizações do seu veículo interplanetário reutilizável, a Starship, destinado a transportar cargas e pessoas para a Lua e Marte.

Falando da possibilidade de existir vida em outros planetas, o fundador e CEO da SpaceX disse que não viu “nenhum sinal de alienígenas”, enfatizando que os seres humanos são a única espécie consciente plenamente conhecida até agora.

“Até onde sabemos, somos a única consciência, ou seja, a única vida que existe. Poderia haver outras formas vidas, embora não tenhamos visto nenhum sinal disso”, afirmou.

Musk revelou que é frequentemente questionado sobre se acredita que existem alienígenas escondidos na Área 51. O multimilionário descarta as teorias da conspiração: no seu entender, estas ideias apenas servem propósitos económicos. “É a forma maior e mais de aumentar os fundos para a Defesa” dos Estados Unidos.

“A realidade é que, até onde sabemos, este é o único lugar, pelo menos nesta parte da galáxia ou na Via Láctea, onde há consciência, e demoramos muito tempo para chegar a esse ponto”, destaca ainda durante apresentação.

ZAP //

Por ZAP
29 Setembro, 2019

 

2735: NASA leva turistas ao espaço por 80 milhões

TURISMO ESPACIAL

Já no próximo ano, a Estação Espacial Internacional vai turistas. Fotografia: D.R.

Em agenda, estão duas missões de até 30 dias para 12 a 13 pessoas por viagem à Estação Espacial Internacional. Viagens à Lua estão a ser estudadas.

A NASA tem já programada a sua primeira viagem turística ao espaço. É já no próximo ano e o preço ascende a 80 milhões de dólares (cerca de 73 milhões de euros). Não é um programa acessível, mas não faltam milionários interessados em usufruir da experiência. “É um destino turístico que não pára de atrair atenções”, disse Sam Scimemi, director da Estação Espacial Internacional da NASA esta semana no primeiro evento internacional dedicado ao turismo espacial e subaquático do mundo, o SUTUS 2019, que decorreu em Marbella, Espanha.

De acordo com Sam Scimemi, a agência espacial norte-americana projecta levar no próximo ano vários cosmo-turistas à estação no espaço. Em agenda, estão duas missões de até 30 dias para 12 a 13 pessoas por viagem. Naturalmente, os interessados têm de garantir um conjunto de requisitos físicos para poderem efectuar a viagem e, para além de pagarem os 80 milhões de dólares, terem fundos para assumir uma despesa de 32 mil euros por noite, que inclui cama, banheiro, alimentação, energia, equipamentos de ginástica e processadores para converter urina em água potável.

O banco suíço UBS calcula que, dentro de dez anos, o negócio do turismo espacial valerá mais de 800 milhões de euros. A NASA e outras agências espaciais internacionais estão dispostas a captar este bolo, até porque é uma forma de se financiarem e, assim, contornarem os cortes dos orçamentos governamentais.

Bernard Foing, responsável pelo grupo internacional de exploração lunar da Agência Espacial Europeia, revelou que estão a trabalhar na possibilidade de explorar viagens turísticas à Lua. Embora admita que a concretização dessa experiência esteja ainda a anos-luz, os trabalhos já incidem sobre soluções para combater os efeitos nocivos da poeira lunar e design de futuros hotéis lunares.

Na Bélgica, a academia de treino espacial já vende experiências de gravidade zero, realiza simulações de voos espaciais e treina futuros cosmo-turistas. Segundo a piloto Nancy Vermeulen, o preço dos cursos de um mês começa nos 15 mil euros por pessoa. Já um voo para experimentar a gravidade zero ascende a 3500 euros.

Dinheiro Vivo
29.09.2019 / 11:59

 

2727: Vida extraterrestre pode estar escondida na Lua

CIÊNCIA

(CC0/PD) Buddy_Nath / Pixabay

Uma nova investigação, levada a cabo por dois cientistas da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, sugere que a tão procurada vida extraterrestre pode estar escondida no satélite natural da Terra, a Lua.

Segundo Abraham Loeb e Manasvi Lingam, os cientistas que defendem esta nova hipótese, as condições geológicas e atmosféricas da Lua podem proporcionar a oportunidade de descobrir vestígios de vida alienígena.

Os especialistas, citados pelo portal Futurismsustentam que, como não há atmosfera neste satélite natural, os objectos espaciais poderiam conseguir chegar à sua superfície. Além disso, continuam, a Lua é geologicamente inactiva, ou seja, todo o que pousou na Lua nos últimos milhões de anos continua lá, perfeitamente preservado.

“Servindo como uma caixa de correio natural, a superfície lunar recolheu todos os objectos impactantes nos últimos milhões de anos. Sem verificar a nossa caixa de correio, nunca saberem que mensagens chegaram [até lá]”, escreveu Loeb, que é também professor de Astronomia na universidade norte-americana.

Tendo em conta esta capacidade de preservação, Loeb compara, num artigo publicado na Scientific American a Lua a uma espécie de “rede de pesca” para a vida extraterrestre.

A maioria dos objectos que atingiram a superfície lunar é oriunda do Sistema Solar, mas a descoberta de Oumuamua, o primeiro objecto interestelar conhecido, pode sugerir que uma investigação minuciosa à Lua pode trazer novas descobertas.

De acordo com o professor Loeb, que cita medições actuais, a superfície lunar pode conter até 30 partes de objectos interestelares a cada milhão de materiais superficiais.

“No caso de alguns impactadores interestelares tenham carregado blocos de vida extraterrestre, seria possível extrair bio-marcadores com análise das amostras da superfície lunar. A questão fundamental é se a vida distante se assemelha às estruturas bioquímicas que encontramos na Terra”.

“As semelhanças podem implicar que existe um caminho químico único para a vida em todos os lugares ou que a vida foi transferida entre sistemas“, explicou.

Loeb frisa ainda que o seu estudo com Lingam fornece um novo incentivo para a criação de uma base lunar. Recentemente, recorde-se, a NASA anunciou que vai voltar a enviar astronautas para a lua até 2024. A agência espacial norte-americana também espera estabelecer uma presença sustentável na Lua até 2028 para enviar missões a Marte.

ZAP // SputnikNews

Por ZAP
28 Setembro, 2019

 

2711: Nobody Knows What Made the Gargantuan Crater on the Dark Side of the Moon

SCIENCE

Scientists just debunked the most popular explanation for one of the solar system’s largest craters.

The South Pole-Aitken basin (represented by the shades of blue at the center) stretches 1,550 miles (2,500 kilometers) across and is one of the solar system’s largest craters. The dashed circle indicates the spot where researchers found a weird material beneath the basin that contains metal.
(Image: © NASA/Goddard Space Flight Center/University of Arizona)

Billions of years ago, something slammed into the dark side of the moon and carved out a very, very large hole. Stretching 1,550 miles (2,500 kilometers) wide and 8 miles (13 km) deep, the South Pole-Aitken basin, as the tremendous hole is known to Earthlings, is the oldest and deepest crater on the moon, and one of the largest craters in the entire solar system.

For decades, researchers have suspected that the gargantuan basin was created by a head-on collision with a very large, very fast meteor. Such an impact would have ripped the moon’s crust apart and scattered chunks of lunar mantle across the crater’s surface, providing a rare glimpse at what the moon is really made of. (Spoiler: It’s not cheese.) That theory gained some credence earlier this year, when China’s Yutu-2 rover, which settled into the bottom of the crater aboard the Chang’e 4 lander in January, discovered traces of minerals that seemed to originate from the moon’s mantle.

Now, however, a study published Aug. 19 in the journal Geophysical Research Letters throws those results — and the crater’s origin story — into question. After analyzing the minerals in six plots of soil at the bottom of the South Pole-Aitken basin, a team of researchers argues that the crater’s composition is all crust and no mantle, suggesting that whatever impact opened the crater billions of years ago did not hit hard enough to spray the moon’s innards onto the surface.

“We are not seeing the mantle materials at the landing site as expected,” study co-author Hao Zhang, a planetary scientist at the China University of Geosciences, said in a statement. These findings all but rule out a direct collision with a high-velocity meteor and raise the question: What, if not a head-on meteor strike, created the largest crater on the moon?

Lighting up the dark side

In their new study, the researchers used a technique called reflection spectroscopy to identify specific minerals in the lunar soil based on how individual grains reflected visible and near-infrared light.

Using equipment aboard the Yutu 2 rover, the team conducted reflectance tests on six patches of soil in the first two days following Chang’e 4’s landing, venturing about 175 feet (54 meters) away from the lander. With the help of a database that identifies lunar minerals based on a variety of factors — including size, reflectance and degradation due to solar windthe team estimated the mineral concentration in each of the plots.

Yutu 2 found a strangely colored substance in a crater on the far side of the moon.
(Image credit: China Lunar Exploration Project)

A crystalline rock called plagioclase was by far the most abundant mineral in each sample, accounting for 56% to 72% of the crater’s composition, the researchers wrote. Formed as primordial oceans of lava cool, plagioclase is extremely common in the crusts of Earth and the moon alike, but it’s less abundant in their mantles. Though the team detected other minerals in the crust that are more common in the moon’s mantle, such as olivine, these rocks made up too small a fraction of the soil samples to suggest that part of the mantle had broken through the crust.

This mineral makeup complicates the theory that a giant, high-velocity meteor created the South Pole‐Aitken basin billions of years ago, as such an impact almost certainly would have scattered chunks of mantle over the lunar surface.

So, what, then, created the crater? The researchers did not speculate in the new study. However, prior research has suggested that a renegade space rock is still the culprit, but the hit may not have been so direct. A study published in 2012 in the journal Science argued that a slightly slower-moving meteor could have struck the back of the moon at an angle of about 30 degrees and resulted in an appropriately large crater that never disturbed the moon’s mantle. However, those researchers had only simulations to go on.

If nothing else, the new research suggests that there’s a lot more exploring to do in the South Pole‐Aitken basin before an answer becomes apparent. See you on the dark side of the moon.

Originally published on Live Science.

By Brandon Specktor – Senior Writer
25/09/2019

 

2693: Revelada fotografia do misterioso material do lado oculto da Lua

CIÊNCIA

CNSA / CLEP

A agência espacial chinesa já tinha anunciado a descoberta de uma espécie de gel numa cratera lunar. Não satisfeita com as primeiras imagens, fez regressar o Yutu-2 ao local para recolher mais fotografias.

Em Julho, imagens recolhidas pelo veículo robótico Yutu-2, da missão Chang’e-4, revelaram a existência de uma substância gelatinosa numa cratera situada no lado mais negro da Lua. Na altura, a Agência Espacial chinesa anunciou a descoberta descrevendo o material como tendo uma forma, cor e textura diferentes do restante da superfície do satélite natural da Terra.

Este fim de semana, foram divulgadas novas imagens, de acordo com o Sapo Tek. A sonda chinesa terá sido capaz de detectar o gel, depois de inspeccionar a pequena cratera lunar com uma ferramenta espectroscópica conhecida como VNIS (Visible and Near-Infrared Spectrometer).

Esta tecnologia é capaz de determinar a composição química de uma substância ao analisar a luz que a matéria reflecte, embora seja impossível determinar com exactidão o que é a substância em causa na ausência de estudos mais completos sobre a sua origem.

Uma das teorias apontada pelos cientistas é que esta substância possa ser vidro derretido pelo calor de meteoritos que atingiram a Lua, deixando a cratera no local. Impactos de alta velocidade na superfície lunar podem criar rochas vítreas e ígneas, assim como estruturas cristalinas.

Em entrevista ao Space.com, Clive Neal, cientista da Universidade de Notre Dame, explicou que, apesar de a fotografia não ser perfeita, pode oferecer pistas preciosas. Segundo o mesmo especialista, o material encontrado assemelha-se a uma amostra de vidro de impacto, encontrada durante a missão Apolo 17, em 1972. A origem é atribuída a uma erupção vulcânica datada de há 3,54 mil milhões de anos.

O especialista da NASA Dan Moriarty concorda que é muito difícil fazer uma avaliação definitiva da composição química da substância em função da baixa qualidade da imagem. O material descrito parece um pouco mais brilhante do que o material circundante, embora o brilho real seja difícil de confirmar nas fotografias obtidas.

No dia 8 de Dezembro, a China lançou com sucesso a sonda da missão Chang’e-4, tornando-se no primeiro país a realizar uma alunagem bem sucedida no lado oculto da Lua. Chang’e-4 e Yutu-2 estão a realizar várias medições e a recolher rochas que podem revelar novos detalhes sobre esta área inexplorada do nosso satélite natural.

ZAP //

Por ZAP
23 Setembro, 2019

 

2603: Astrónomos suspeitam que há um tesouro escondido sob a superfície da Lua

CIÊNCIA

giumaiolini / Flickr

Uma equipa de cientistas dos Estados Unidos e do Canadá suspeitam que haja um tesouro escondido nas profundezas da Lua.

Mineração de riquezas é a última coisa que está na mente dos astrónomos. Porém, saber mais sobre a química lunar poderá resolver um conflito sobre a aparente falta de elementos preciosos que se pensa formar o manto da Lua.

Desde sempre que olhamos para metade da face da Lua. Contudo, só recebemos as primeiras pistas reais sobre o que está por baixo da sua superfície quando os astronautas trouxeram para a Terra várias centenas de quilos de material lunar cerca há 50 anos.

“Temos um total geral de 400 quilos de amostras que foram trazidos de volta pelas missões Apolo. É uma quantidade muito pequena de material”, disse James Brenan, da Universidade Dalhousie, no Canadá, em comunicado publicado pela Phys. “Para descobrir algo sobre o interior da Lua, precisamos de reverter a composição das lavas que vêm à superfície.”

Retro-engenharia em basaltos trazidos de volta das missões Apolo 15 e 17 foi usada em 2007 para estimar a quantidade de elementos siderófilos que compõem o manto da Lua. Uma boa proporção deve ter sido proveniente de uma chuva de materiais de construção que sobraram à medida que o Sistema Solar terminou a sua fase de construção, por isso é um indicador útil do tipo de ataque que a Lua sofreu logo após a sua formação.

Estranhamente, as medições eram dez a 100 vezes menores que o esperado. Mesmo depois de aplicar modelos ajustando a maneira como os impactos dos meteoritos podem corroer a Lua, em vez de contribuir para a sua massa, os números nunca fizeram muito sentido, deixando muito espaço para perguntas.

Parte do problema pode estar na forma como os investigadores geralmente começam com a suposição de que a geoquímica da Lua é mais ou menos a mesma que a nossa. Não é exactamente uma suposição irracional, dadas as teorias amplamente sugeridas, sugerindo que a Lua foi feita a partir da própria carne e ossos do nosso planeta.

Mas, apesar de todas as semelhanças, existem diferenças. Assim, a equipa de cientistas combinou os resultados de experiências sobre a solubilidade do enxofre com modelos sobre pressão e termodinâmica do magma de arrefecimento para determinar um conjunto mais preciso de restrições à composição do manto lunar.

Os investigadores descobriram, de acordo com o estudo publicado em Agosto na revista especializada Nature Geoscience, que a existência desses elementos siderófilos ausentes era mais do que provável – simplesmente não estariam à superfície.

“Os nossos resultados mostram que o enxofre nas rochas vulcânicas lunares é uma impressão digital da presença de sulfeto de ferro no interior rochoso da lua, onde pensamos que os metais preciosos foram deixados para trás quando as lavas foram criadas”, explicou Brenan.

Os resultados não fornecem, no entanto, uma estimativa sólida da composição de metais preciosos no manto. Se vale a pena minerar no futuro dependerá do que as futuras missões encontrarem. Explorações de formações rochosas profundas expostas a impactos nas regiões sul da Lua podem ajudar a restringir ainda mais os números de elementos de ferro no manto.

ZAP //

Por ZAP
10 Setembro, 2019

 

2595: Índia fracassa na missão de se tornar o quarto país a chegar à lua

CIÊNCIA

Stuart Rankin / Flickr

A agência espacial indiana anunciou, esta sexta-feira, ter perdido o contacto com a sua sonda espacial quando esta se preparava para alunar.

“A descida da sonda Vikram estava a decorrer conforme previsto”, explicou o presidente da agência espacial (ISRO), K. Sivan, na sala de controlo de Bangalore (sul da Índia). “Em seguida, a comunicação entre o aparelho e o controlo de solo foi perdida. Os dados estão a ser analisados”, acrescentou.

A Índia tentou ser a quarta nação do mundo a conseguir pousar um aparelho na lua, depois da União Soviética, Estados Unidos e China. Seria a primeira a pousar no pólo sul lunar, uma zona totalmente inexplorada.

Na estação de controlo, localizada em Bangalore, esteve o primeiro-ministro da Índia. “Há altos e baixos na vida. Estamos orgulhosos dos nossos cientistas”, afirmou Narendra Modi aos cientistas.

A primeira missão da Índia à Lua foi realizada em 2008 e, entre 2013 e 2014, o país colocou um satélite em órbita ao redor de Marte, tendo esta sido a sua primeira missão interplanetária.

Os Estados Unidos, que assinalam este ano o 50º aniversário da missão que levou Neil Armstrong e Buzz Aldrin à Lua, estão a preparar uma nave espacial tripulada que deverá ser enviada ao pólo sul da superfície lunar até 2024.

ZAP // Lusa

Por ZAP
7 Setembro, 2019

artigos relacionados: https://inforgom.pt/eclypsespacenews/2019/09/07/centro-de-controlo-perde-o-contacto-com-a-vikram-momentos-antes-da-alunagem/

 

2582: Metais lunares: nova investigação considera o que está por baixo da superfície da Lua

CIÊNCIA

Esta paisagem da superfície da Lua foi fotografada pelos astronautas da Apolo 10 em Maio de 1969.
Crédito: NASA

Um novo estudo realizado por geólogos no Canadá e nos Estados Unidos sugere que um repositório de metais preciosos pode estar trancado bem abaixo da superfície da Lua.

James Brenan, professor do Departamento de Ciências da Terra e Ambientais da Universidade Dalhousie, Canadá, e autor principal do estudo publicado na revista Nature Geoscience, diz que ele e outros investigadores foram capazes de traçar paralelos entre os depósitos minerais encontrados na Terra e na Lua.

“Conseguimos ligar o conteúdo de enxofre das rochas vulcânicas lunares com a presença de sulfeto de ferro nas profundezas da Lua,” disse o Dr. Brenan, que colaborou com geólogos da Universidade Carleton e do Laboratório Geofísico em Washington, D.C. para o artigo publicado no dia 19 de Agosto.

“A análise de depósitos minerais na Terra sugere que o sulfeto de ferro é um óptimo local para armazenar metais preciosos, como platina e paládio.”

Sob a superfície da Lua

Os geólogos há muito que especulam que a Lua foi formada pelo impacto de um objecto massivo do tamanho de um planeta com a Terra há 4,5 mil milhões de anos. Por causa desta história comum, pensa-se que os dois corpos tenham uma composição semelhante. Medições anteriores das concentrações de metais preciosos nas rochas vulcânicas lunares realizadas em 2006, no entanto, mostraram níveis invulgarmente baixos, levantando uma questão que deixou os cientistas perplexos durante mais uma década sobre a razão destes valores tão baixos.

O Dr. Brenan diz que se pensava que estes baixos níveis reflectiam uma depleção geral dos metais preciosos na Lua como um todo.

Esta nova investigação fornece uma explicação dos níveis surpreendentemente baixos e acrescenta informações valiosas sobre a composição da Lua.

“Os nossos resultados mostram que o enxofre nas rochas vulcânicas lunares é uma impressão digital da presença de sulfeto de ferro no interior rochoso da Lua, onde pensamos que os metais preciosos foram deixados para trás quando as lavas foram criadas,” explicou.

Uma recriação científica

Brenan, juntamente com os colegas Jim Mungall da Universidade Carleton e Neil Bennett, anteriormente do Laboratório Geofísico dos EUA, fizeram experiências para recriar a pressão e a temperatura extremas do interior da Lua a fim de determinar quanto sulfeto de ferro se formaria.

Eles mediram a composição da rocha e do sulfeto de ferro resultantes e confirmaram que os metais preciosos seriam ligados pelo sulfeto de ferro, tornando-os indisponíveis para os magmas que fluíram para a superfície lunar. Brenan esclareceu que provavelmente não havia suficiente para formar um depósito de minério, mas “certamente o suficiente para explicar os baixos níveis nas lavas lunares.”

O Dr. Brenan disse que precisarão de amostras da parte rochosa e profunda da Lua, onde as lavas lunares tiveram origem, para confirmar as suas descobertas.

Território não forjado

Os geólogos têm acesso a amostras científicas de centenas de quilómetros de profundidade do interior da Terra, mas material a essas profundezas ainda não foi recuperado da Lua.

“Estudamos a superfície da Terra há já muito tempo, pelo que temos uma boa ideia da sua composição, mas com a Lua já não é o caso,” disse.

“Temos um total de 400 kg de amostras trazidas pelas missões Apolo e por outras missões lunares… é uma quantidade muito pequena de material. Assim sendo, para descobrir algo sobre o interior da Lua, precisamos de ‘começar do fim’ e inverter o nosso estudo da composição das lavas que chegaram até à superfície.”

Estudos remotos por satélites sugerem a existência de afloramentos das partes mais profundas da Lua, reveladas após impactos massivos terem formado as crateras Schrödinger e Zeeman na bacia Aitken do pólo sul.

“É muito emocionante pensar que vamos voltar à Lua,” disse Brenan. “E, a ser verdade, o pólo sul parece ser um bom local para recolha de amostras.”

Astronomia On-line
6 de Setembro de 2019

 

2543: ESA já sabe qual será a casa dos humanos que colonizarem a Lua: cavernas subterrâneas

CIÊNCIA

(dr) Anton Chikishev / Hebrew University

A Agência Espacial Europeia (ESA) quer que os humanos que, um dia, colonizarem a Lua se abriguem em cavernas subterrâneas.

Enquanto que a superfície da Lua foi explorada, relativamente pouco se sabe sobre o que se esconde abaixo da superfície. A ESA quer explorar sob esta superfície, particularmente os poços que os geólogos planetários sugeriram que poderiam ser causados ​​pelo colapso de tubos de lava quando a lava fluiu sob a superfície há mais de mil milhões de anos.

Os mares lunares – planícies grandes e escuras – foram causados ​​por enormes fluxos de lava basáltica, quase exactamente o mesmo tipo se veria no Hawai, que inundou após impactos de vários tipos de rocha espacial.

“Explorando e mapeando esses tubos poderia fornecer novas informações sobre a geologia da Lua, mas também poderiam ser uma opção interessante como abrigo a longo prazo para futuros visitantes humanos à Lua”, disse Francesco Sauro, director do treinamento de astronauta em geologia planetária da ESA PANGEA em comunicado. “Eles protegem os astronautas da radiação cósmica e micro-meteoritos e, possivelmente, fornecem acesso à água gelada e outros recursos presos no subsolo.”

A agência solicitou ideias sobre como explorar áreas sob os mares lunares e que mais locais essas missões poderiam investigar. A ESA diz que está à procura de ideias para missões além de como aceder e navegar pelas cavernas – por exemplo de que forma poderia ser estabelecido um sistema de comunicação entre as cavernas subterrâneas e o mundo exterior.

“Conceitos de missão podem ser baseados num único rover ou num sistema distribuído de sistemas de satélites, robóticos ou rover que operam juntos”, disse Loredana Bessone, que está a liderar a busca por ideias como chefe de testes de campo analógicos e treino de exploração na ESA. “De qualquer maneira, estamos à procura de sistemas que pousem na superfície lunar, identifiquem e acedam uma caverna e contribuam para a exploração científica da Lua.”

À semelhança da ESA, a Agência Espacial Norte-Americana também está a planear a exploração das cavernas lunares e está a testar o “Moon Diver”, um robô especializado em percorrer os territórios nunca antes analisados do satélite natural da Terra, nos túneis de lava do Havai.

Em 2024, a NASA planeia lançar uma missão para pousar a primeira mulher na Lua como parte do programa de exploração lunar Artemis. Recentemente, revelou detalhes da nave espacial que será usada durante esta missão histórica.

A NASA vai agora trabalhar com empresas privadas para desenvolver a nave espacial. Está a planear enviar duas pessoas do espaço para trabalhar no Pólo Sul da Lua.

Cientistas chineses recentemente publicaram novos planos para um posto robótico no lado oposto da lua para a NASA e a Agência Espacial Europeia, que também está a planear a sua própria “aldeia lunar” no sul lunar.

Pequim anunciou anteriormente planos para lançar uma missão lunar tripulada na próxima década antes da construção de uma base do pólo norte.

Já a Rússia prepara-se para ir à Lua em 2030, 61 anos depois de os EUA terem ganho a corrida lunar à União Soviética, que tinha sido pioneira nas viagens espaciais.

ZAP //

Por ZAP
30 Agosto, 2019

 

2520: Aitken: Super-computador da NASA que ajudará a levar o homem à Lua

CIÊNCIA

Super-computadores não existem em muitos países, mas Portugal já tem um! Neste segmento da super-computação, a NASA deu a conhecer recentemente o seu novo supercomputador, o Aitken.

Esta super máquina destaca-se por ter 46 080 núcleos e um poder computacional de 3,69 petaflops. Este supercomputador irá ajudar na missão Artemis cujo objectivo é levar novamente o homem à Lua.

Aitken foi o nome escolhido para o novo supercomputador da NASA. De acordo com o que foi revelado, esta máquina tem como base o sistema HPE SGI 8600 e ao nível do processamento este supercomputador tem 46 080 núcleos e a capacidade de armazenamento chegará aos 221 TB. A performance (teórica) pode chegar aos 3,69 petaflops. O Aitken está instalado no Centro de investigação Ames, em Silicon Valley, nos Estados Unidos.

Sabe-se também que esta super máquina tem um sistema de refrigeração altamente evoluído e contará com o suporte da Hewlett Packard Enterprise. O design do sistema é modular o que, segundo a NASA, garante uma melhor eficiência energética e um consumo mais reduzido.

Aitken vai ajudar na missão Artemis

A NASA tem prevista uma missão à Lua já em 2024. O Aitken irá ajudar nos cálculos e simulações, garantindo a maior rapidez na apresentação dos resultados. De acordo com informações, este novo supercomputador será usado por mais de 1500 cientistas e engenheiros que fazem parte da missão.

Os planos da NASA para retornar à Lua estão traçados e bem definidos.  A Agência Espacial Norte Americana já revelou como tudo irá acontecer. Nos planos que já foram apresentados, foi revelado que a primeira missão Artemis irá levar uma cápsula não tripulada à órbita da Lua já em 2020. A segunda, Artemis 2, irá acontecer em 2022 e irá repetir a viagem, desta vez com uma tripulação humana presente.

Por fim, em 2024, será a vez da Artemis 3 completar a missão proposta. Esta aterrará na Lua, completando a proposta feita para regresso ao satélite da Terra. Espera-se que nesta missão esteja presente, pela primeira vez, uma astronauta feminina.

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pplware
26 Ago 2019

 

2496: Tardígrados na Lua – As questões que se levantam

CIÊNCIA

No passado mês de Abril, estava planeada a alunagem do módulo lunar israelita Beresheet que infelizmente não foi bem-sucedida, colidindo com a superfície lunar. Mas esta missão tornou-se famosa porque o Beresheet transportava uma biblioteca terrestre que, além de muitos registos humanos continha uns microrganismos chamados tardígrados (também conhecidos por ursos-d’água), que são especialistas em sobrevivência.

Estes microrganismos são capazes de resistir a ambientes onde se esperava que nenhum ser vivo sobrevivesse. Após este acontecimento várias questões se levantam. Os tardígrados conseguiram sobreviver ao impacto, contaminando assim a superfície lunar? Como é que isto pode acabar por contribuir, involuntariamente, para o futuro da astrobiologia?

Os tardígrados são imortais?

Os tardígrados também são designados por ursos-d’água devido ao seu movimento que faz lembrar o dos ursos. Além disso, estes microrganismos possuem um aspecto peculiar, que, apesar do seu tamanho microscópico (entre 0,05 e 1,2 mm de comprimento) são constituídos por uma cabeça e por um corpo segmentado com quatro pares de pernas.

Algumas espécies de tardígrados têm ainda presentes um par de células fotossensíveis na cabeça, que se assemelham visualmente a olhos. Curiosamente, os tardígrados mantêm o número de células durante toda a sua vida, apenas crescendo em tamanho.

Estes seres vivos são encontrados em quase todos os habitats da Terra, sendo facilmente encontrados em líquenes e musgo. De facto, eles são conhecidos pela sua capacidade de sobrevivência em ambientes com condições extremas, tendo voltado à vida e sendo até capazes de se reproduzirem (!), após três décadas congelados a -20°C.

Mas, ao contrário do que possa parecer estes microrganismos não gostam de viver nestas condições extremas, eles apenas fazem o possível para sobreviver e para que um dia consigam transmitir a sua informação genética de modo a continuar a perpetuar a sua espécie. Com este objectivo, quando sujeitos a condições extremas os tardígrados entram num estado reversível designado por criptobiose que, muito sucintamente, consiste na diminuição drástica da actividade metabólica de um ser vivo (até 0,01% da actividade normal, no caso dos tardígrados).

Um dos tipos de criptobiose mais estudado em tardígrados é a anidrobiose que é desencadeado face à ausência de água. Mas, mesmo neste estado os tardígrados não são imortais, embora consigam sobreviver décadas nessa forma!

Tardígrados no espaço

Num estudo liderado por K. Ingemar Jönsson e em colaboração com a Agência Espacial Europeia (ESA), tardígrados no estado de criptobiose foram lançados para a órbita terrestre a bordo de um satélite. Assim, foram expostos ao vácuo espacial durante 10 dias. Ao fim deste período, voltaram à Terra para serem reidratados.

Surpreendentemente, parte destes microrganismos foram capazes de sobreviver. Isto, após serem expostos directamente a raios cósmicos e radiação ultravioleta. Tornando-se assim no primeiro animal conhecido pelo Homem capaz de sobreviver a condições tão extremas.

Da Terra à Lua: uma viagem de última hora

No dia 11 de Abril de 2019, uma missão espacial à Lua mal sucedida resultou na sua possível contaminação com tardígrados. No fundo, esta missão serviu para impulsionar as missões espaciais com fundos privados. Tendo assim como objectivo científico estudar o campo magnético da Lua.

Além disso, o módulo lunar Beresheet continha uma biblioteca com milhões de páginas de informação como uma cópia de quase toda a Wikipédia em língua inglesa, do Projeto Roseta, de memórias de sobreviventes do Holocausto e da Bíblia Hebraica.

Mas, à última hora decidiram também incluir material genético humano e tardígrados, preservados numa camada de resina (que se assemelha ao modo como os fósseis estão preservados em âmbar). Esta biblioteca do conhecimento humano e da biologia terrestre foi criada como uma espécie de cópia de segurança do planeta Terra.

Contudo, mesmo que estes microrganismos tenham sobrevivido ao impacto com a superfície lunar e resistam ao ambiente da Lua, tornando-se nos segundos seres vivos que visitam este satélite, é bastante improvável que recuperem do estado criptobiótico. Assim, apenas com uma nova viagem à Lua será possível resgatar e reidratar os tardígrados.

A missão que, à primeira vista pareceu ser um fracasso, no futuro poderá contribuir para aumentar o nosso conhecimento sobre a possibilidade de vida extraterrestre. Podendo vir a ser importante, por exemplo, para conhecermos e percebermos quais os efeitos e consequências que a vida noutro planeta poderá ter.

Além disso, dá-nos a confirmação de que a vida pode resistir em ambientes que para nós, humanos, é impossível. E se estes seres terrestres são capazes de sobreviver nestas condições, não poderá haver outros seres espalhados pela imensidão do Universo que também sejam capazes de prosperar?

pplware
21/08/2019
Imagem: Getty Images | Global Soil Biodiversity Atlas

 

2480: Lua brilha mais do que o Sol em imagens do Fermi da NASA

Estas imagens mostram a visão cada vez mais aprimorada do brilho de raios-gama da Lua do Telescópio Espacial de Raios-gama Fermi da NASA. Cada imagem de 5 por 5 graus é centrada na Lua e mostra raios-gama com energias acima dos 31 milhões de electrões-volt, dezenas de milhões de vezes superiores à da luz visível. Nestas energias, a Lua é realmente mais brilhante do que o Sol. As cores mais brilhantes indicam um maior número de raios-gama. Esta sequência de imagens mostra como exposições mais longas, variando de dois a 128 meses (10,7 anos), melhorou a visão.
Crédito: NASA/DOE/Colaboração LAT do Fermi

Se os nossos olhos pudessem ver radiação altamente energética chamada raios-gama, a Lua pareceria mais brilhante do que o Sol! É assim que o Telescópio Espacial de Raios-gama Fermi da NASA tem visto o nosso vizinho no espaço ao longo da última década.

As observações de raios-gama não são sensíveis o suficiente para ver claramente a forma de disco da Lua ou quaisquer características da superfície. Em vez disso, o LAT (Large Area Telescope) do Fermi detecta um brilho proeminente centrado na posição da Lua no céu.

Mario Nicola Mazziotta e Francesco Loparco, ambos do Instituto Nacional de Física Nuclear da Itália em Bari, têm analisado o brilho da radiação gama da Lua como forma de entender melhor um outro tipo de radiação espacial: partículas velozes chamadas raios cósmicos.

“Os raios cósmicos são principalmente fotões acelerados por alguns dos fenómenos mais energéticos do Universo, como ondas de choque de estrelas explosivas e jactos produzidos quando a matéria cai em buracos negros,” explicou Mazziotta.

Dado que as partículas são electricamente carregadas, são fortemente afectadas por campos magnéticos, que a Lua não possui. Como resultado, até raios cósmicos de baixa energia podem alcançar a superfície, transformando a Lua num prático detector espacial de partículas. Quando os raios cósmicos atacam, interagem com a superfície poeirenta da Lua, de nome rególito, para produzir emissão de raios-gama. A Lua absorve a maioria destes raios-gama, mas alguns escapam.

Mazziotta e Loparco analisaram as observações lunares do LAT do Fermi para mostrar como a visão melhorou durante a missão. Eles reuniram dados de raios-gama altamente energéticos acima dos 31 milhões eV (electrão-volt) – mais de 10 milhões de vezes superior à energia da luz visível – e organizaram-nos ao longo do tempo, mostrando como exposições mais longas melhoram a visão.

“Vista a estas energias, a Lua nunca passaria pelo seu ciclo mensal de fases e ficaria sempre Cheia,” explicou Loparco.

À medida que a NASA planeia enviar novamente seres humanos à Lua até 2024 através do programa Artemis, com o objectivo eventual de enviar astronautas a Marte, a compreensão dos vários aspectos do ambiente lunar assume uma nova importância. Estas observações de raios-gama são uma lembrança de que os astronautas da Lua precisarão de protecção contra os mesmos raios cósmicos que produzem esta radiação gama de alta energia.

Embora o brilho de raios-gama da Lua seja surpreendente e impressionante, o Sol ainda brilha mais, com energias superiores a mil milhões de electrões-volt. Os raios cósmicos com energias mais baixas não alcançam o Sol porque o seu poderoso campo magnético os impede. Mas os raios-gama muito mais energéticos podem penetrar este campo magnético e atingir a atmosfera mais densa do Sol, produzindo raios-gama que chegam ao Fermi.

Embora a Lua, em raios-gama, não mostre um ciclo mensal de fases, o seu brilho varia com o tempo. Os dados do LAT do Fermi mostram que o brilho da Lua varia em cerca de 20% ao longo do ciclo de 11 anos do Sol. As variações na intensidade do campo magnético do Sol durante o ciclo mudam a quantidade de raios cósmicos que chegam à Lua, alterando a produção de raios-gama.

Astronomia On-line
20 de Agosto de 2019

 

2425: A Lua e Mercúrio podem ter espessos depósitos de água gelada

Ilustração conceptual de crateras rasas e geladas, permanentemente à sombra, perto do pólo sul lunar.
Crédito: UCLA/NASA

De acordo com uma nova análise de dados das sondas LRO e MESSENGER, a Lua e Mercúrio, o planeta mais próximo do Sol, podem conter significativamente mais água gelada do que se pensava anteriormente.

Os potenciais depósitos de gelo encontram-se em crateras próximas dos pólos de ambos os mundos. Na Lua, “descobrimos que as crateras rasas tendem a estar localizadas em áreas onde o gelo à superfície foi previamente detectado perto do pólo sul da Lua, e inferimos que esta menor profundidade é mais provável devido à presença de densos depósitos enterrados de água gelada,” disse o autor principal Lior Rubanenko da Universidade de Califórnia em Los Angeles.

No passado, observações telescópicas e por naves espaciais encontraram depósitos de gelo semelhantes a glaciares em Mercúrio, mas ainda não na Lua. O novo trabalho levanta a possibilidade de que depósitos espessos e ricos em gelo também existem na Lua. A investigação pode não apenas ajudar a resolver a questão sobre a aparente baixa abundância de gelo lunar em relação à de Mercúrio, mas também pode ter aplicações práticas: “Se confirmado, este potencial reservatório de água gelada na Lua pode ser suficientemente massivo para sustentar uma exploração lunar a longo prazo,” comentou Noah Petro, cientista do projecto LRO (Lunar Reconnaissance Orbiter) no Centro de Voo Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, no estado norte-americano de Maryland.

Os pólos de Mercúrio e da Lua estão entre os lugares mais frios do nosso Sistema Solar. Ao contrário da Terra, os eixos de rotação de Mercúrio e da Lua estão orientados de tal modo que, nas suas regiões polares, o Sol nunca se eleva acima do horizonte. Consequentemente, as depressões topográficas polares, como as crateras de impacto, nunca veem o Sol. Postulou-se, durante décadas, que estas regiões permanentemente à sombra são tão frias que qualquer gelo preso dentro delas pode sobreviver durante milhares de milhões de anos.

Observações prévias dos pólos de Mercúrio com radar terrestre revelaram uma assinatura característica de depósitos espessos de gelo puro. Mais tarde, a MESSENGER (MErcury Surface, Space ENvironment, GEochemistry and Ranging) fotografou estes depósitos de gelo. “Mostrámos que os depósitos polares de Mercúrio são compostos predominantemente de água gelada e amplamente distribuídos nas regiões polares norte e sul de Mercúrio,” disse Nancy Chabot, cientista do instrumento MDIS (Mercury Dual Imaging System) da MESSENGER no Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins em Laurel, Maryland. “Os depósitos de gelo de Mercúrio parecem ser muito menos remendados do que os da Lua e relativamente frescos, talvez colocados ou revigorados nas últimas dezenas de milhões de anos.”

Estudos anteriores de radar e imagem da Lua, cujos ambientes térmicos polares são muito semelhantes aos de Mercúrio, encontraram apenas depósitos superficiais e irregulares de gelo. Esta diferença notável serviu como motivação para o trabalho dos investigadores da UCLA – uma análise comparativa das crateras polares de Mercúrio e da Lua para aprofundar esta diferença entre os dois mundos. A investigação foi publicada no dia 22 de Julho na revista Nature Geoscience.

As superfícies de Mercúrio e da Lua estão marcadas por muitas crateras de impacto. Estas crateras são formadas quando meteoróides ou cometas colidem com a superfície. A equipa analisou crateras simples formadas por corpos mais pequenos e menos energéticos. Estas depressões são mantidas juntas pela força da camada de poeira superficial, ou rególito, e tendem a ser mais circulares e simétricas do que as grandes crateras. Os cientistas da UCLA exploraram esta simetria inerente para estimar a espessura do gelo preso dentro de crateras simples.

O estudo usou dados de elevação obtidos pela MESSENGER e pela LRO para medir aproximadamente 15.000 crateras simples com diâmetros que variam entre 2,5 e 15 km em Mercúrio e na Lua. Os cientistas descobriram que as crateras se tornam até 10% mais rasas perto do pólo norte de Mercúrio e do pólo sul da Lua, mas não no pólo norte da Lua.

Os autores concluíram que a explicação mais provável para estas crateras mais rasas é a acumulação de depósitos de água gelada em ambos os mundos. Apoiando esta conclusão, os investigadores descobriram que as encostas voltadas para os pólos destas crateras são ligeiramente mais rasas do que as encostas voltadas para o equador, e que esta menor profundidade é mais significativa em regiões que promovem a estabilidade do gelo devido à órbita de Mercúrio em torno do Sol. O sinal topográfico detectado pelos cientistas é relativamente mais proeminente em crateras simples mais pequenas, mas não exclui a possibilidade de que o gelo seja mais difundido em crateras maiores no pólo lunar.

Adicionalmente, ao contrário de Mercúrio, onde o gelo se mostra quase puro, os depósitos detectados na Lua provavelmente estão misturados com o rególito, possivelmente numa formação em camadas. A idade típica das crateras simples examinadas pelos investigadores indica que podem, potencialmente, acumular água gelada posteriormente misturada com o rególito sobreposto durante longas escalas de tempo. Os cientistas descobriram que estes depósitos inferidos de gelo enterrado estão correlacionados com as localizações de gelo superficial já detectadas. Esta descoberta pode implicar que os depósitos expostos de gelo podem ser exumados, ou podem resultar da difusão molecular da profundidade.

Astronomia On-line
9 de Agosto de 2019

 

2414: E se os bichos mais resistentes da Terra andarem pela Lua? Isto não é ficção

Uma missão israelita, que tinha a Lua como destino, fracassou mas a mercadoria poderá ter sobrevivido

© picture alliance

Costuma dizer-se que as baratas são rijas e sobrevivem a bombas nucleares. Nos últimos tempos, no entanto, esta versão foi perdendo força, pelo menos no que toca ao trono da resistência estóica, já que o tardígrado ganhou o estatuto de habitante mais resistente da Terra. Os tardígrados são micro-animais, não chegam a medir um milímetro e têm oito patas. De acordo com a Universidade de Oxford, esses bichos estarão por cá nos próximos 10 mil milhões de anos.

© picture alliance

Agora, estes micro-animais que aguentam décadas sem comer e beber, que resistem ao pior dos infernos na terra, poderão estar a colonizar a Lua. Pelo menos, à sua maneira. Ou micro maneira. É que a missão espacial israelita Beresheet, que seria a primeira daquele país a aterrar na Lua, transportava tardígrados para o satélite natural da Terra para descobrir se será um bom plano B ao nosso planeta, conta o “The Guardian”. Embora os cientistas tenham perdido o contacto com a Beresheet em Abril, acredita-se que a sonda tenha chegado à Lua. Mais: os cientistas acreditam que os micro-animais sobreviveram àquela viagem e à nova realidade.

Os tardígrados, também conhecidos por ursos de água, foram descobertos no século XVIII por Johann August Ephraim Goeze, um zoólogo alemão, conta aquele diário. E encontram-se por todo o lado: nos cenários mais rudes e desafiantes à sobrevivência, como cumes de montanhas, desertos que fervem e até lagos gelados da Antárctida.

© DE AGOSTINI PICTURE LIBRARY

Será que os seres mais resistentes da Terra serão igualmente resilientes na Lua? Um especialista na matéria diz que sim. “Os tardígrados podem sobreviver a pressões comparáveis àquelas criadas quando asteróides atingem a Terra, por isso um pequeno acidente como este não é nada para eles”, explicou ao “The Guardian” Lukasz Kaczmarek, da Universidade Adam Mickiewicz, em Poznan, que garante que aqueles micro-animais podem durar alguns anos por território lunar.

msn notícias
Expresso
07/08/2019

 

2410: Continuando o legado das Apollo: estudo mostra que a Lua é mais antiga do que se pensava

Amostra 12054 das Apollo: esta amostra é um basalto de ilmenita recolhido durante a Apollo 12. Tem vidro, depositado pelos “salpicos” de material quando outro basalto foi atingido por um impactor. Amostras como a 12054 permitem-nos reconstruir a história da Lua com as histórias que contam.
Crédito: Maxwell Thiemens, 2019

Um novo estudo encabeçado por cientistas da Terra no Instituto de Geologia e Mineralogia da Universidade de Colónia limitou a idade da Lua até aproximadamente 50 milhões de anos após a formação do Sistema Solar. O Sistema Solar foi formado há 4,56 mil milhões de anos e a Lua há aproximadamente 4,51 mil milhões de anos. O novo estudo determinou assim que a Lua é significativamente mais velha do que se pensava anteriormente – investigações anteriores estimaram que a Lua se tinha formado aproximadamente 150 milhões de anos após a formação do Sistema Solar. Para alcançar estes resultados, os cientistas analisaram a composição química de uma gama diversificada de amostras recolhidas durante as missões Apollo. O estudo foi publicado na revista Nature Geoscience.

No dia 21 de Julho de 1969, a humanidade deu os seus primeiros passos noutro corpo celeste. Nas suas poucas horas à superfície da Lua, a tripulação da Apollo 11 recolheu e trouxe para a Terra 21,55 kg de amostras. Quase exactamente 50 anos depois, essas amostras ainda nos ensinam mais sobre os principais eventos do Sistema Solar primitivo e sobre a história do sistema Terra-Lua. A determinação da idade da Lua é importante para entender como e quando a Terra se formou e como evoluiu no início do Sistema Solar.

Este estudo foca-se nas assinaturas químicas de diferentes tipos de amostras recolhidas pelas diferentes missões Apollo. “Ao comparar as quantidades relativas de diferentes elementos nas rochas que se formaram em diferentes épocas, é possível aprender como cada amostra está relacionada com o interior lunar e com a solidificação do oceano de magma,” disse o Dr. Raúl Fonseca da Universidade de Colónia, que estuda processos que ocorreram no interior da Lua em experiências de laboratório juntamente com o seu colega Dr. Felipe Leitzke.

A Lua provavelmente formou-se no rescaldo de uma colisão gigante entre um corpo planetário do tamanho de Marte e a Terra primitiva. Com o tempo, a Lua acretou-se da nuvem de material lançada para órbita da Terra. A Lua recém-nascida estava coberta por um oceano de magma, que formou diferentes tipos de rocha à medida que este arrefecia. “Estas rochas registaram informações sobre a formação da Lua e ainda podem ser encontradas hoje na superfície lunar,” explicou o Dr. Maxwell Thiemens, ex-investigador da Universidade de Colónia e autor principal do estudo. O Dr. Peter Sprung, co-autor do estudo, acrescentou: “Tais observações já não são possíveis na Terra, pois o nosso planeta tem estado geologicamente activo ao longo do tempo. A Lua, portanto, fornece uma oportunidade única para estudar a evolução planetária.”

Os cientistas de Colónia usaram a relação entre os elementos raros háfnio, urânio e tungsténio como uma sonda para compreender a quantidade de fusão que ocorreu para gerar os mares basálticos, isto é, as regiões escuras na superfície lunar. Devido a uma precisão de medição sem precedentes, o estudo pôde identificar tendências distintas entre os diferentes conjuntos de rochas, o que agora permite uma melhor compreensão do comportamento destes elementos raros.

O estudo do háfnio e do tungsténio na Lua são particularmente importantes porque constituem um relógio radioactivo natural do isótopo háfnio-182 que decai para tungsténio-182. Este decaimento radioactivo só teve lugar nos primeiros 70 milhões de anos do Sistema Solar. Combinando as informações de háfnio e tungsténio medidas nas amostras das Apollo com informações de experiências de laboratório, o estudo descobriu que a Lua começou a solidificar-se tão cedo quanto 50 milhões de anos após a formação do Sistema Solar. “Esta informação sobre a idade significa que qualquer impacto gigantesco deve ter ocorrido antes, o que responde a uma questão ferozmente debatida entre a comunidade científica sobre a formação da Lua,” acrescentou o professor Dr. Carsten Münker do Instituto de Geologia e Mineralogia da Universidade de Colónia, autor sénior do estudo.

Maxwell Thiemens conclui: “Os primeiros passos da Humanidade noutro mundo, há exactamente 50 anos, produziram amostras que nos permitem entender o tempo e a evolução da Lua. Dado que a formação da Lua foi o maior evento planetário final após a formação da Terra, a idade da Lua também fornece uma idade mínima para a Terra.”

Astronomia On-line
6 de Agosto de 2019

 

2387: A superfície da Lua pode ter muito mais gelo do que se pensava

NASA

Três cientistas da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA), no Estados Unidos, encontraram evidências que sugerem que há muito mais gelo na superfície da Lua do que se pensava até então – serão milhões de toneladas.

Num novo estudo, cujos resultados foram esta semana publicados na revista científica especializada Nature Geoscience, os cientistas Lior Rubanenko, Jaahnavee Venkatraman e David Paige partem do estudo das semelhantes entre o gelo de Mercúrio e as áreas sombreadas da Lua para perceber a quantidade de gelo lunar que poderá existir.

Cientistas anteriores recorreram a dados do Observatório de Arecibo e também da sonda MESSENGER da NASA e descobriram que há áreas de crateras nos pólos de Mercúrio que aparecem sombreadas da Terra. Dados da sonda LRO, que caiu intencionalmente na superfície de Mercúrio, revelaram vapor de água e gelo, considerados evidências de depósitos de gelo de vários metros de espessura em crateras sombrias.

A investigação também mostrou que o gelo era capaz de persistir nas crateras, uma vez que estas se encontram em áreas de sombra e, por isso, evitam que a luz solar as destrua.

Na nova investigação, e partindo dos pressupostos da investigação de Mercúrio, os cientistas investigaram a possibilidade de áreas semelhantes na água, isto é, áreas sombreadas lunares, possam também conter gelo, noticia a Europa Press.

Os cientistas começaram por apontar no estudo recém-divulgado que a Lua e Mercúrio têm ambientes térmicos um pouco semelhantes, notando ainda que ambos têm crateras sombreadas com evidências de pouca profundidade devido à acumulação de material no interior dos divots (pequenos buracos numa área mais extensa).

Em Mercúrio, estudos anteriores mostraram que a acumulação de material foi feita parcialmente com gelo. Para descobrir se o mesmo pode ter acontecido na Lua, os cientistas da UCLA obtiveram dados ao descrever 2.000 crateras na com sombra em Mercúrio e 12.000 crateras com sombra semelhante na Lua.

Para determinar as semelhanças que poderiam indicar que ambos abrigam gelo, os cientistas compararam os seus diâmetros e profundidade e concluíram que as crateras sombreadas em Mercúrio eram muito semelhantes às profundidades rasas observadas nas crateras também sombreadas da Lua.

Partindo deste princípio, a equipa sustenta que o material que está a acumular-se nas crateras rasas da Lua será, provavelmente, gelo. Se os seus resultados se confirmarem, significa que existem milhões de toneladas de gelo na superfície da Lua, muito mais do que a maioria dos cientistas tem apontado até então.

ZAP // Europa Press

Por ZAP
30 Julho, 2019

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