3508: Ida à Lua em risco de não cumprir meta de 2024

CIÊNCIA/ESPAÇO/LUA

Neil Armstrong é também o primeiro homem a deixar uma pegada na Lua NASA

A NASA teve de suspender as actividades em dois centros de desenvolvimento devido à detecção de um trabalhador infectado com Covid-19

A pandemia gerada pelo novo coronavírus obrigou a NASA a encerrar dois centros de produção de lançadores – e na indústria aeroespacial já há quem admita que esse encerramento poderá levar a um adiamento do regresso à Lua com missões tripuladas, que a agência espacial dos EUA agendou para 2024.

“Sabemos que vai haver impactos nas missões espaciais da NASA, mas à medida que as nossas equipas têm vindo a trabalhar para ter uma análise completa dos cenários e reduzir riscos, decidimos que a nossa principal prioridade é a saúde e a segurança dos trabalhadores da NASA”, referiu Jim Bridenstine, administrador da NASA, num comunicado citado pela Reuters, que não fornece detalhes sobre o período de suspensão de actividades ou o eventual adiamento da ida à Lua.

Michoud Assembly Facility, Nova Orleães, e o Stennis Space Center, no condado de Hancock são os dois centros afetados pelas medidas agora anunciadas pelos responsáveis da NASA. Por serem considerados centros de desenvolvimento prioritários, estes dois centros não foram abrangidos inicialmente pelas medidas de isolamento, que levaram a maioria dos trabalhadores da NASA a deslocar os respectivos locais de trabalho para casa. Contudo, a deteção de um caso de infecção por Covid-19 entre um dos trabalhadores levou a alargar a lógica de teletrabalho para esses dois centros.

Da actividade dos dois centros agora suspensos depende o desenvolvimento do Space Launch System, que deverá dar a conhecer uma nova geração de lançadores, e ainda a cápsula tripulada que dá pelo nome de Orion, que tem em vista o transporte de humanos para a Lua e, posteriormente, para Marte.

Exame Informática
20.03.2020 às 15h59
Hugo Séneca

 

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3494: NASA: foguetão que vai à Lua está atrasado e não respeitou orçamento

CIÊNCIA/TECNOLOGIA

NASA

Um relatório interno mostra que o foguetão que deve ser usado para voltar à Lua em 2024 está atrasado dois anos e os custos estão milhões de dólares acima do esperado

Um departamento interno da NASA conclui que o programa Artemis, que prevê o regresso à Lua, está em risco caso os atrasos e o aumento de custos se continuem a verificar. “Todos os grandes elementos de contratos para desenvolvimento e construção do Space Launch System para os Artemis I –Stages, ICPS, Boosters, RS-25 Adaptation e RS-25 Restart passaram por vários desafios técnicos, problemas de desempenho e alterações de requisitos que resultaram num aumento de custo de dois mil milhões de dólares e um atraso de pelo menos dois anos”, afirma o documento revelado hoje.

O primeiro lançamento deste programa deve acontecer já na primavera de 2021, dois anos depois do inicialmente previsto. No entanto, não se prevê que a data para o regresso à Lua derrape para 2026. O programa para o SLS arrancou em 2010 oficialmente e, desde então, tem sofrido adiamentos sucessivos para as diferentes etapas.

Além da componente temporal, os desafios tecnológicos que, quer a NASA, quer os subcontratados enfrentam, conduziram a um aumento de custos associados, com o relatório a estimar que o programa Artemis vá custar mais de 17 mil milhões de dólares no fim do ano fiscal de 2020, dos quais seis mil milhões não estão reportados, noticia o Tech Crunch.

A data de 2024 pode vir a ser revista, à luz destes atrasos sucessivos que o programa tem vindo a registar, mas não se afigura que o cancelamento do Artemis esteja a ser equacionado para já. O departamento interno produziu várias recomendações no sentido de ajudar a NASA a manter uma maior contenção financeira e um controlo mais apertado dos compromissos assumidos pelos fornecedores, quer em termos de custos, quer em termos de prazos.

Exame Informática
12.03.2020 às 10h38

 

spacenews

 

3467: Veja a Lua da perspectiva dos astronautas da Apollo 13

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Nunca imaginou como foi que os astronautas da Apollo 13 viram a Lua? Qual o impacto de estar perto de um astro que está a 384.403 quilómetros da Terra? Decerto já passou pela mente como seria. Então, a NASA mostrou agora imagens fantásticas que nos dão uma perspectiva completamente arrebatadora do satélite natural do nosso planeta.

A agência espacial lançou na segunda-feira um vídeo da Lua do ponto de vista dos astronautas da missão da Apollo 13.

A Lua logo ali tão perto

A NASA lançou um vídeo, em resolução 4K, recorrendo aos dados da Lunar Reconnaissance Orbiter, uma nave espacial robótica da NASA que orbita a Lua. Como tal, a agência espacial deu a conhecer muitos dos aspectos vividos pelos astronautas da missão Apollo 13. Na verdade, estes nunca pousaram em solo lunar, mas fazem parte de um restrito grupo de seres humanos que viram a Lua de perto.

No vídeo, a NASA refere que os astronautas estiveram na escuridão durante oito minutos quando a nave estava entre o início da Terra e o nascer do Sol até que o terreno lunar emergiu. É aí que o vídeo começa.

A viagem da Apollo 13

A agência espacial leva-nos através do nosso satélite natural, vislumbrando o solo lunar, acompanhado de informações e de uma banda sonora. Depois de seguirmos “por trás” da Lua, a luz do Sol ilumina e dá forma ao astro que nos acompanha desde sempre, pelo menos desde que existimos.

Durante algum tempo, no lado escuro, os astronautas ficaram sem comunicações, o silêncio invadiu-lhes a alma, até que a Terra apareceu e a Apollo 13 restabeleceu o contacto via rádio com o Controlo da Missão.

O vídeo termina a mostrar a trajectória que os astronautas fizeram ao redor da Lua para voltar para casa em segurança.

Houston, we’ve had a problem

Astronautas da Apollo 13, John Swigert, Fred Haise e James Lovell planearam alunar. Contudo, durante as manobras, perderam acesso a um tanque de oxigénio necessário para fornecer ar e energia. Nessa altura, Swigert disse as famosas palavras: “Houston, we’ve had a problem (Houston, tivemos um problema)”, durante a missão. Como resultado, esta frase ficou até hoje e é uma das frases mais famosas na história da conquista do Espaço.

A tripulação de três homens circulou a Lua com sucesso e regressou em segurança à Terra.

Pplware
26 Fev 2020
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What’s up with that rock? China’s moon rover finds something strange on the far side.

SCIENCE/ASTRONOMY

Rock fragments, including one specimen (circled) targeted for analysis, discovered by the Yutu-2 rover.
(Image: © CNSA/CLEP/Our Space)

China’s Yutu-2 lunar rover has discovered what appear to be relatively young rocks during its recent exploration activities on the lunar far side.

The Chang’e-4 mission’s rover imaged the scattered, apparently lighter-colored rocks during lunar day 13 of the mission, in December 2019, according to the Chinese-language ‘Our Space‘ science outreach blog.

The specimens, which are quite different from those already studied by the rover, could round out the team’s insights into the geologic history and evolution of the area, called Von Kármán crater.

Closer inspection of the rocks by the rover team revealed little erosion, which on the moon is caused by micrometeorites and the huge changes in temperature across long lunar days and nights. That anomaly suggests that the fragments are relatively young. Over time, rocks tend to erode into soils.

The relative brightness of the rocks also indicated they may have originated in an area very different to the one Yutu-2 is exploring.

Chang’e-4 made a historic, first-ever soft landing on the far side of the moon in January 2019. Von Kármán, a roughly 110-mile-wide (180 kilometers) crater, is around 3.6 billion years old. Lava has flooded it multiple times since its formation, leaving it relatively smooth and dark. The crater itself lies within the South Pole-Aitken Basin, an even more massive and more ancient impact crater.

A rock fragment viewed by a Yutu-2 obstacle-avoidance camera. (Image credit: CNSA/CLEP/Our Space)

Dan Moriarty, NASA Postdoctoral Program Fellow at the Goddard Space Flight Center in Maryland, said the size, shape and color of the rocks provide clues to their origin.

“Because [the rocks] all look fairly similar in size and shape, it is reasonable to guess that they might all be related,” he told Space.com. “Chang’e-4 landed on a volcanic mare, [a] basalt patch, and those volcanic materials are much darker than normal lunar highlands crust. If these rocks are indeed brighter than the soil, it could mean that they are made up of a higher component of bright, highlands crust materials than the surrounding volcanic-rich soils.”

Image of the surface of Von Kármán crater from Yutu-2, released in February 2020. (Image credit: CNSA/CLEP)

Moriarty noted that higher-resolution images of the rock would provide more information. “If the rock has the appearance of many heterogeneous fragments ‘welded’ together, this would indicate a regolith breccia,” which are formed by the immense heat of a meteorite impact, he said. “If the rock appears more coherent, then it might be a primary crustal rock excavated by the impact.”

China recently published a huge batch of data and amazing images from the Chang’e-4 lander and Yutu-2 rover. However, the release did not include data from day 13, meaning high-resolution images of these intriguing specimens are not yet public.

Regarding the age of the rocks, Moriarty said that “fresh” is a relative term: In this case, it means that the rocks formed after the major resurfacing events in Von Kármán crater. “So that could be 10-100 million years [ago] or 1-2 billion years. It’s really hard to say definitively.”

To learn more, the Yutu-2 team navigated the rover in order to analyze one of the specimens with its Visible and Near-infrared Imaging Spectrometer (VNIS) instrument, which detects light that is scattered or reflected off materials to reveal their makeup.

Because the fragments are small and the lunar terrain is very challenging, the team made careful calculations and fine adjustments in order to get the rocks into the VNIS field of view, according to Our Space. This may account for the relatively short distance Yutu-2 traveled during lunar day 13: 41.3 feet (12.6 meters). Overall, Yutu-2 has driven 1,170 feet (357 m) since arriving in Von Kármán crater.

Yutu-2 looks back over tracks it made in the lunar soil. (Image credit: CNSA/CLEP)

Earlier in 2019, Yutu-2 made numerous approaches to an unidentified rock sample, which Our Space described as “gel-like.”

The Chang’e-4 lander and Yutu-2 completed their 14th lunar day of science and exploration on Jan. 31, ahead of sunset over the landing area in Von Kármán crater. Day 15 began on Feb. 17, with Yutu-2 due to head to the northwest and then southwest to reach a designated target point.

China plans to launch Chang’e-5, a sample-return mission, in the second half of this year. It will collect around 4 lbs. (2 kilograms) of samples from Oceanus Procellarum on the moon’s near side before returning to Earth. If this is successful, the backup Chang’e-6 mission could attempt to retrieve samples from the South Pole-Aitken Basin or the lunar south pole around 2023.

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Space.com
By Andrew Jones
20/022020

 

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3319: A Lua já teve o seu próprio campo magnético (e era mais forte do que o da Terra)

CIÊNCIA/ASTROFÍSICA/LUA

(CC0/PD) GuillaumePreat / Pixabay

A Terra tem um campo magnético, que protege a camada de ozono ao repelir ventos solares e que alimenta os principais sistemas de navegação do mundo. Aparentemente, a Lua também já teve o seu próprio campo magnético.

Uma bússola convencional que indica a direcção da Terra não serviria de nada na Lua, que hoje carece de um campo magnético global. No entanto, os cientistas acreditam que já existiu um campo magnético lunar há mil milhões de anos e provavelmente era ainda mais forte do que o campo magnético da Terra hoje.

No novo estudo, publicado esta semana na revista científica Science Advances, cientistas do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos Estados Unidos, conseguiram determinar este facto depois de estudar as amostras da Lua trazidas pela missão Apollo da NASA.

De acordo com um comunicado, o MIT mediu microteslas para determinar mudanças no campo magnético contra o magnetismo da Terra, que hoje é de 50 microteslas. As amostras de rocha, datadas de quatro mil milhões de anos, mediam cerca de 100 microteslas, o que significa que o campo magnético lunar era duas vezes mais forte do que o campo magnético da Terra.

Os cientistas teorizam que a Lua estava muito mais próxima da Terra há quatro mil milhões de anos e, naquele momento, a gravidade da Terra ajudou a Lua a manter o seu campo magnético. À medida que a gravidade da Terra exercia o seu efeito na Lua, agitando o seu núcleo de ferro, produzia um poderoso campo magnético chamado “dínamo”, que era gerado por correntes eléctricas.

Na Terra, estes são os movimentos que causam a erupção dos vulcões. Os mesmos movimentos fizeram com que o magnetismo da Lua ficasse mais forte durante um curto período de tempo, até que o nosso satélite natural se começou a afastar da Terra.

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Sem a gravidade da Terra para agitar o ferro no interior, o núcleo lunar começou a cristalizar há cerca de 2,5 mil milhões de anos. Uma vez completamente endurecido, não havia mais nada para gerar um campo magnético e a Lua ficou indefesa contra os fortes ventos solares.

Por aqui, a Terra ainda possui o seu próprio campo magnético, que tem passado por algumas transformações recentemente: o pólo norte magnético do nosso planeta parece estar a flutuar cada vez mais rápido em direcção à Sibéria.

ZAP //

Por ZAP
6 Janeiro, 2020

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3299: Musk espera que a Starship faça o seu primeiro voo dentro de dois a três meses

CIÊNCIA/ESPAÇO

Space X / Flickr

O primeiro voo da nave espacial da Space X Starship, projectada para transportar cargas e pessoas para a Lua e Marte, deverá acontecer, “com sorte”, dentro de “dois ou três meses”, de acordo com Elon Musk.

O multimilionário e visionário norte-americano, que é também CEO da Tesla, voltou no fim do ano a recorrer à sua conta de Twitter para revelar mais alguns detalhes da Starship.

Na mesma rede social, Musk partilhou um vídeo no qual mostra a construção da cúpula da nave, dando conta que trabalhou durante toda a noite na sua produção, dizendo ainda que esta é a “parte mais complicada da estrutura primária”.

Elon Musk @elonmusk

Was up all night with SpaceX team working on Starship tank dome production (most difficult part of primary structure). Dawn arrives …

A Starship “será o veículo de lançamento mais poderoso do mundo já desenvolvido, tendo capacidade de transportar mais de 100 toneladas para a órbita da Terra”, pode ler-se no site oficial da empresa norte-americana de sistemas espaciais.

No passado mês de Novembro, recorde-se, a Space X sofreu um contratempo: o primeiro protótipo da nave espacial de tamanho real ((o Starship Mk1) explodiu durante um teste nas instalações da empresa no estado norte-americano do Texas.

Na altura, Musk revelou que a Space X vai agora concentrar-se no desenvolvimento de protótipos mais avançados e não vai reparar o Mk1.

Recentemente, Elon Musk revelou quanto custará operacionalmente cada missão da Starship. Segundo o empresário, o custo será menor do que o de um pequeno foguete.

De acordo com as estimativas do empresário, a nave gastará 900.000 dólares só em combustível para deixar a Terra e entrar em órbita. “Se considerarmos os custos operacionais, talvez sejam 2 milhões de dólares”, apontou Musk.

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ZAP //

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2 Janeiro, 2020

 

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3298: Índia quer regressar à Lua já este ano

CIÊNCIA/ESPAÇO

Organização Indiana de Pesquisa Espacial

Três meses depois de ter falhado o lançamento do lander lunar Vikram, que se despenhou a 600 quilómetros do pólo sul, a Índia revelou na quarta-feira um novo plano para regressar à Lua e tornar-se, assim, no quarto país a alcançar o satélite, seguindo os passos dos Estados Unidos (EUA), da Rússia e da China.

Segundo noticiou esta quinta-feira o Observador, a missão Chandrayaan-3 pode descolar da Terra em 2020, já que o projecto está a correr “com tranquilidade”, de acordo com Kailasavadivoo Sivan, líder da Organização Indiana para Investigação do Espaço.

Como revelou o próprio, a instituição está a investir mais nos sistemas de lançamento para o espaço da missão Chandrayaan-3, projecto que inclui o desenvolvimento de um lander, um rover e um módulo de propulsão que vão custar 31 milhões de euros.

Os baixos custos das missões são a base dos planos espaciais da Índia. Em 2017, três anos depois de ter sido o primeiro país asiático a chegar a Marte, com apenas 66 milhões de euros, lançou 104 satélites numa única missão.

O país está também a preparar-se para ser a próxima nação a enviar astronautas para o espaço. Kailasavadivoo Sivan revelou que a agência espacial indiana já escolheu quatro astronautas para incorporar a primeira missão tripulada ao espaço e que todos vão começar os treinos já este mês, na Rússia.

A Índia tenciona enviar os primeiros astronautas para o espaço em 2022. Kailasavadivoo Sivan afirmou que a agência indiana está a fazer “bons progressos” nesse objectivo.

Já o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, afirmou estar confiante nas missões. “Vamos olhar para esta viagem e esforço com muita satisfação. As aprendizagens de hoje vão fazer-nos fortes e melhores. Vai haver um novo amanhecer e um amanhã mais brilhante muito em breve”, declarou.

ZAP //

Por ZAP
2 Janeiro, 2020

 

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3279: Astronautas podem sofrer choques eléctricos na Lua

CIÊNCIA

Bre Pettis / Flickr

Os cientistas estão preocupados com uma questão que não afectou os anteriores visitantes do satélite natural: choques eléctricos.

Quando o assunto é o ambiente espacial, há muitos mistérios ainda por desvendar. Em 2024, a NASA pretende enviar astronautas à Lua, cinco décadas após a última missão Apollo. No entanto, para as futuras missões Artemis, os cientistas estão preocupados com uma questão que não afectou os anteriores visitantes do satélite natural: o perigo de os astronautas levaram choques eléctricos na Lua.

De acordo com os cientistas, o simples facto de estar na superfície da Lua é suficiente para carregar electricamente o fato espacial ou qualquer outro objecto que esteja em contacto com o solo.

Exposta ao vento solar, a superfície lunar possui uma carga eléctrica natural. Na Terra, o campo magnético protege-nos destas partículas energizadas ejectadas pelo Sol, mas a Lua não possui esta protecção. Por esse motivo, os electrões e os iões deixam a superfície electricamente carregada. Soma-se a isso o facto de a poeira lunar, também carregada, se agarrar a tudo o que toca a superfície.

Segundo o físico Joseph Wang, a poeira lunar pode agir como elemento que conduz os electrões. Quando agarrada ao fato dos astronautas, a poeira pode desencadear choques eléctricos em equipamentos que podem deixar de funcionar, ou simplesmente dar um susto aos astronautas, explica o CanalTech.

Durante as missões Apollo, não houve relatos de choques eléctricos na Lua. Wang explica que isso aconteceu por causa das áreas onde as missões pousaram – sempre em locais banhados pela luz solar.

A luz solar não carrega nenhum tipo de carga eléctrica, mas os fotões podem causar um efeito fotoeléctrico que carrega positivamente alguns electrões, equilibrando com os carregados negativamente levados pelo vento solar. Graças a este balanceamento, os choques eléctricos acontecem menos vezes.

No entanto, o programa Artemis tem como objectivo pousar no pólo Sul da Lua, onde os raios solares não incidem directamente. De acordo com o Gizmodo, nesta área específica, os electrões do vento solar predominam e a luz solar mais fraca não consegue equilibrar este jogo de carga. Aliás, segundo os cientistas, as regiões sombreadas podem chegar a ter “centenas ou milhares de volts negativos“.

Jim Rice, cientista do Instituto de Ciência Planetária no Arizona, nos Estados Unidos, não acredita que o perigo de os astronautas levarem choques eléctricos seja um grande problema. Para o especialista, o problema é não sabermos o que aconteceria se esses astronautas se locomovessem na Lua com materiais e equipamentos carregados.

A equipa de Wang realizou um teste para descobrir se a poeira lunar pode mesmo influenciar os choques eléctricos. Para isso, os cientistas usaram amostras de Gore-Tex, o tecido usado nos fatos espaciais, e colocaram-nas numa câmara a vácuo com um simulador do regolito lunar.

De seguida, os cientistas descarregaram plasma nessas amostras para ver se seriam vulneráveis ao arco eléctrico. Como esperavam, as amostras cobertas de poeira apresentaram arcos com mais frequência do que aquelas que estavam limpas.

“A próxima pergunta é: esses arcos podem danificar o fato espacial?”, questionou Wang que ainda não acredita que esta experiência pode ser indicativa de perigo para os astronautas. Apesar disso, as pesquisas continuam, enquanto a missão Artemis de 2024 se aproxima.

ZAP //

Por ZAP
28 Dezembro, 2019

 

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3259: Missão Artémis. NASA revela em detalhe como voltará a pisar a Lua

CIÊNCIA

A NASA acaba de publicar nas redes sociais um vídeo no qual explica em detalhe como voltará a pisar a Lua com a missão espacial Artémis.

Filha de Zeus e irmã gémea de Apollo, Artémis é a deusa grega da caça, das florestas, da Lua e dos animais. Apollo foi, precisamente, o nome do programa da NASA que possibilitou a chegada do Homem à Lua, em 1969.

Vamos voltar à Lua para ficar“, escreve a agência espacial norte-americana na descrição do vídeo, frisando que esta missão abre portas para a Humanidade trabalhar e viver de forma sustentável fora do planeta Terra.

A agência acrescenta que os astronautas utilização a superfície do nosso satélite para natural como campo de testes para que posteriormente seja possível viver em Marte.

O programa Artémis, que tem como objectivo estabelecer pessoas de forma permanente na superfície e na órbita lunar, é composto por três elementos: o foguete SLS (Space Launch System), a cápsula Orion e a estação espacial Gateway.

Orion, que tem capacidade para quatro pessoas, será levado da Terra até ao espaço pelo foguete SLS, detalha a Russia Today. Depois de se soltar, a cápsula continuará o seu caminho rumo à órbita lunar, onde a estação espacial Gateway, instalada previamente, será anexada a esta cápsula. Espera-se que a estação seja colocada em órbita em 2022.

Gateway vai funcionar com uma base para astronautas e missões que exploram a superfície lunar, servindo ainda como laboratório e abrigo dos cientistas. Além disso, pode também fornecer suprimentos para missões mais distantes.

Um módulo desta estação espacial será também responsável por transportar os astronautas para a superfície lunar e trazê-los de volta. Para regressar à Terra, os astronautas usarão a Orion.

Com este programa, a NASA pretende levar à Lua uma nova missão tripulada em 2024.

As companhias privadas que a NASA contratou para voltar à Lua (a SpaceX de Musk não é uma delas)

A NASA contratou nove companhias privadas para levar para o espaço cargas científicas e tecnológicas que garantam o regresso da…

ZAP //

Por ZAP
24 Dezembro, 2019

 

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3110: ESA está à procura de astronautas europeus para enviar à Lua

ESA

NASA / Wikipedia
O astronauta Bruce McCandless, da missão STS-41-B da ISS, numa EVA, “Extravehicular Activity”

A Agência Espacial Europeia (ESA) pretende enviar, pela primeira vez, astronautas à Lua, e vai iniciar o processo de recrutamento com esse objectivo, anunciou hoje a instituição no encerramento do Conselho Ministerial da ESA de Sevilha, Espanha.

Em comunicado, a ESA refere, sem estimar datas e sem concretizar os termos, que “os astronautas europeus voarão para a Lua pela primeira vez“.

A agência espacial norte-americana NASA pretende enviar novamente astronautas à Lua em 2024, incluindo a primeira mulher. Apenas astronautas norte-americanos estiveram na Lua, entre 1969 e 1972.

A ESA comprometeu-se a iniciar “o processo de recrutamento de uma nova classe” de astronautas para “continuar a exploração europeia em baixa órbita terrestre e mais além”.

Por outro lado, os astronautas recrutados em 2009 “continuarão a receber missões de voo até que todos estejam no espaço pela segunda vez”.

No comunicado, a Agência Espacial Europeia promete continuar associada à Estação Espacial Internacional, na órbita terrestre, até 2023. É esperada em 2024 a desactivação da “casa” dos astronautas, onde se fazem experiências científicas e tecnológicas em ambiente de micro-gravidade.

A ESA assumiu igualmente o empenho, a formalizar num acordo com a NASA e outros parceiros internacionais, em participar na construção de módulos de “transporte e habitação” para a primeira estação orbital da Lua, a Gateway, de onde os Estados Unidos querem enviar missões humanas para a Lua e, mais tarde, para Marte.

A Agência Espacial Europeia já é parceira da NASA na missão Ártemis, com que os Estados Unidos ambicionam regressar à Lua em 2024, ao ter colaborado na construção da nave Orion, que levará os astronautas até à órbita lunar.

No Conselho Ministerial, órgão governativo da ESA, os Estados-membros confirmaram o apoio à missão conjunta da ESA e da NASA de recolha de amostras de solo marciano, prevista para o período entre 2020 e 2030, e aprovaram a continuidade do projecto do Space Rider, um veículo reutilizável de transporte de carga para missões em órbitas baixas com a duração de dois meses, nomeadamente as de observação da Terra.

O arquipélago dos Açores, para onde está prevista a construção de uma base espacial para lançamento de pequenos satélites, a partir de 2021, na ilha de Santa Maria, é apontado pela ESA como uma das localizações adequadas para a aterragem do Space Rider.

O Conselho Ministerial da ESA, onde têm assento os ministros responsáveis pelas actividades espaciais nos 22 Estados-membros da agência, arrancou na quarta-feira, com a sessão de trabalhos a ser iniciada com a “passagem de testemunho” da presidência espanhola para Portugal e França, que assumem em conjunto a presidência do órgão durante os próximos três anos, entre 2020 e 2023.

Na reunião de Sevilha – já co-presidida pelo ministro da Ciência, Tecnologia e do Ensino Superior, Manuel Heitor, e pela ministra francesa do Ensino Superior, Investigação e Inovação, Frédérique Vidal, depois do homólogo espanhol cessar funções – foi aprovado o orçamento da ESA para os próximos cinco anos (2020-2024), no montante de 14,3 mil milhões de euros.

A ESA propõe-se concretizar novos projectos, designadamente nos domínios da remoção do lixo espacial, da automatização do controlo de tráfego espacial, dos alertas precoces e minimização de danos na Terra causados por asteróides ou explosões solares e das comunicações com satélites integrados na rede 5G (nova geração de telecomunicações).

Portugal, que é membro da ESA desde 14 de Novembro de 2000, aumentou a sua contribuição financeira para a agência para, em média, 20 milhões de euros anuais, totalizando 102 milhões entre 2020 e 2024. A quotização de Portugal representa 0,7% do total do orçamento da ESA para programas e actividades, que foram reforçados nas áreas da ciência e do transporte espacial.

Em 2019, Portugal, um dos países que menos contribuem financeiramente para a Agência Espacial Europeia, subscreveu a sua participação com 18 milhões de euros, o equivalente a 0,4% do orçamento desse ano da ESA.

As contribuições financeiras dos Estados-membros, que podem ser revistas nas reuniões do Conselho Ministerial, têm por base o Produto Interno Bruto (PIB), que define a riqueza de um país.

ZAP // Lusa

Por ZAP
28 Novembro, 2019

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3002: Quase 50 anos depois, NASA abriu uma amostra da superfície da Lua

CIÊNCIA

NASA / James Blair

Pela primeira vez em mais de 40 anos, cientistas da NASA abriram uma amostra de regolito da Lua recolhida durante missões do Programa Apollo. Graças às novas tecnologias de análise desenvolvidas ao longo das últimas décadas, esta amostra pode revelar novos dados sobre o corpo celeste mais próximo da Terra.

Segundo o Science Alert, a amostra de regolito, chamada amostra 73002 e aberta no passado dia 5 de Novembro, foi recolhida pelos astronautas da Apollo 17, Gene Cernan e Jack Schmitt, em Dezembro de 1972, através de um tubo de quatro centímetros.

“Hoje somos capazes de fazer medições que não eram possíveis durante os anos do Programa Apollo”, afirma a geóloga planetária Sarah Noble, do programa ANGSA.

“A análise dessas amostras vai maximizar o retorno científico da Apollo, além de permitir que uma nova geração de cientistas refine as suas técnicas e ajude a preparar futuros exploradores para missões lunares previstas para a década de 2020 e mais além”.

As técnicas que os cientistas da NASA têm agora acesso incluem imagem 3D não destrutiva, espectrometria de massas e microtomia de alta resolução que, por outras palavras, lhes permitem estudar este tipo de amostras com muito mais detalhe.

Os cientistas fizeram uma digitalização 3D de alta resolução da amostra 73002 antes de ser aberta, mostrando-lhes a melhor forma de remover o precioso regolito e distribuí-lo pelas várias equipas da NASA. A fotografia abaixo mostra a comparação entre a digitalização tirada este ano e em 1974.

Dave Edey and Romy Hanna / UTCT, UT Austin / NASA
Digitalizações da amostra 73002 tirada em 2019 e em 1974

Parte da razão pela qual mais amostras estão agora a ser abertas — a amostra 73001 será analisada no início de 2020 — prende-se com o facto de a NASA estar a preparar-se para enviar astronautas à Lua em 2024.

Esses astronautas irão recolher um novo conjunto de amostras enquanto percorrem a superfície lunar, dando aos cientistas a oportunidade perfeita para analisar e comparar com as descobertas reveladas pelas amostras 73002 e 73001.

As amostras que já foram ou vão ser abertas também podem mostrar aos astronautas quais os pontos na Lua mais interessantes para uma investigação mais aprofundada. De acordo com a NASA, o regolito poderá fornecer pistas sobre a localização dos depósitos polares de gelo na Lua, lançar luzes sobre como a crosta da Lua evoluiu ao longo do tempo e ajudar a entender melhor como ocorrem deslizamentos de terra na superfície lunar.

Além disso, analisar essas amostras também poderá dar aos cientistas indicações sobre como melhorar as ferramentas de recolha de rochas que serão adaptadas à sonda construída para a missão Artemis de 2024.

ZAP //

Por ZAP
9 Novembro, 2019

 

2974: Luva inteligente vai ajudar astronautas a controlar drones e robôs no Espaço

CIÊNCIA

Além de fatos mais modernos para as futuras explorações espaciais na próxima década, a NASA, juntamente com algumas organizações parceiras, está a desenvolver uma luva inteligente para astronautas usarem em missões na Lua e Marte, por exemplo.

A tecnologia servirá para controlar dispositivos à distância, como drones, através de gestos com a mão. Apresentada pelo Projecto Haughton-Mars (PHM), a luva inteligente também tem a parceria da SETI Institute, Mars Institute, NASA Ames Research Center, Collins Aerospace e Ntention.

O equipamento será útil nas actividades extra-veiculares das missões espaciais, uma vez que os fatos limitam bastante a precisão e a destreza dos movimentos dos astronautas. Com a luva, conseguirão executar tarefas mais minuciosas com maior facilidade.

A Ntention já tem experiência na criação de luvas inteligentes e ficou conhecida pelo design e desenvolvimento de uma luva capaz de controlar drones, entre outros robôs, através de simples gestos manuais.

Ainda este ano, a Ntention desenvolveu uma dessas luvas para o PHM. Pascal Lee, cientista do SETI Institute e do Mars Institute, e director do PHM, assistiu a uma demonstração da luva para aplicações terrestres, e gostou tanto que sugeriu aplicá-la ao fato espacial de um astronauta. Assim, nasceu a ideia de realizar um estudo de campo do conceito de “luva inteligente de astronauta”.

Conforme explica Lee, “um fato espacial pressurizado é relativamente rígido e os movimentos das mãos e dedos encontram resistência substancial. Com a ‘luva inteligente de astronauta’, a sensibilidade nos movimentos das mãos é ajustável, o que significa que a tecnologia pode ser adaptável à pressão rígida do fato espacial“.

“Os astronautas precisam de fatos espaciais que facilitem a interacção com o ambiente, incluindo tarefas complexas e delicadas”, disse Greg Quinn, líder de desenvolvimento de fatos espaciais da Collins Aerospace. Os membros da equipa avaliaram a tecnologia através de uma série de testes, como operação de drones.

A escolha de testes com drones não foi à toa. Lee explica que “os astronautas na Lua ou em Marte vão querer pilotar drones por várias razões, por exemplo, para recolher uma amostra que está fora de alcance ou que precisa de ser isolada de contaminação. Ou para ajudar numa operação de resgate”.

Os testes mostraram que um astronauta num fato espacial poderá executar facilmente várias tarefas importantes ao usar a luva inteligente e uma interface de visualização de Realidade Aumentada.

“Os testes de voo e operações sugerem que a luva inteligente e a interface homem-máquina de Realidade Aumentada permitiriam aos astronautas operar drones e outros robôs com facilidade e precisão“, reconheceu Brandon Dotson, engenheiro aeroespacial e piloto de testes do Exército dos EUA que testou o dispositivo.

ZAP // Canaltech

Por ZAP
6 Novembro, 2019

 

2947: Space X quer chegar à Lua a bordo da Starship antes de 2022

CIÊNCIA

Space X / Flickr

A Space X quer pousar na Lua ainda antes de 2022 a bordo da sua nave espacial Starship, projectada para realizar viagens interplanetárias. Dois anos depois, em 2024, a empresa espacial conta estar a enviar humanos para o satélite natural.

Actualmente, a Starship está a ser desenvolvida nas instalações da empresa do visionário e multimilionário Elon Musk na Florida e no Texas, nos Estados Unidos.

O veículo, explica a agência noticiosa Europa Press, tem como objectivo ser o sucessor “tudo em um” e um substituto do Falcon 9 e Falcon Heavy, apresentando maior capacidade de carga útil e a podendo chegar à Lua e, eventualmente, até Marte.

“Aspiracionalmente, queremos que a nave espacial orbite dentro de um ano”, afirmou Gwynne Shotwell, presidente e directora de operações da SpaceX, numa série de entrevistas rápidas com empresas espaciais que decorreram em Washington, nos Estados Unidos.

“Definitivamente, queremos pousar na Lua antes de 2022. Queremos […] transportar cargas para lá para garantir que existam recursos para as pessoas que finalmente pousarem na Lua até 2024 (…) Se tudo correr bem, esse é o período de tempo aspiracional”, acrescentou a responsável da Space X, citado pelo portal Tech Crunch.

Shotwell admitiu que o período de tempo é ambicioso, frisando ainda que se tratam de datas “aspiracionais”. Ainda assim, a especialista da Space X vê estas datas “apertadas” como uma excelente fonte de motivação para os seus trabalhadores.

“Elon [Musk] apresenta estes objectivos incrivelmente audaciosos e as pessoas dizem: ‘Nunca farás isso, nunca irá orbitar, nunca terás um foguete real para orbitar (…) Então, francamente, adoro quando dizem que não podemos fazê-lo, porque isso motiva os meus fantásticos 6.500 funcionários a fazê-lo”.

Até o momento, a empresa construiu e testou um veículo de demonstração chamado Starhopper, que consiste apenas na base do veículo e num dos motores Raptor que serão utilizados no novo sistema de lançamento da nave espacial e no reforço Super Heavy.

Depois dos voos bem-sucedidos em baixa altitude com este veículo, a SpaceX montou os seus veículos de teste Mk1 e Mk2 Starship, que representam a escala completa da nave espacial orbital. Antes de avançar para as viagens interplanetárias, serão ainda realizados novos testes de altitude. Só depois é que a Space X vai construir protótipos adicionais para voos orbitais e, finalmente, para voos tripulados com humanos.

A reluzente Nave Estelar de Musk é de aço porque vai “sangrar água”

Ao longo do mês de Janeiro, Elon Musk, fundador e CEO da Space X, tem levantado o véu sobre aquela…

// ZAP

Por ZAP
2 Novembro, 2019

 

2925: Rochas lunares ajudam a formar nova imagem da Terra e Lua primitivas

CIÊNCIA

Os cientistas pensam que a Lua foi formada após a colisão de um grande objecto com a Terra, mas os detalhes são escassos acerca do que aconteceu depois.
Crédito: William Hartmann

A maioria das pessoas só encontra rubídio como a cor púrpura dos fogos-de-artifício, mas o metal obscuro ajudou dois cientistas da Universidade de Chicago a propor uma teoria de como a Lua se pode ter formado.

Realizado no laboratório do professor Nicolas Dauphas, cuja investigação pioneira analisa a composição isotópica das rochas da Terra e da Lua, o novo estudo mediu o rubídio nos dois corpos planetários e criou um novo modelo para explicar as diferenças. A descoberta revela novas ideias sobre um enigma acerca da formação da Lua que tem dominado ao longo da última década o campo da ciência lunar, conhecido como “crise isotópica lunar.”

Esta crise começou quando novos métodos de teste revelaram que as rochas da Terra e da Lua têm níveis surpreendentemente semelhantes de alguns isótopos, mas níveis muito diferentes de outros. Isto confunde os dois principais cenários de como a Lua se formou: um diz que um objecto gigante colidiu com a Terra e levou com ele um grande pedaço da Terra para formar a Lua (neste caso a Lua deve ter uma composição decisivamente diferente, principalmente o outro objecto); e o outro cenário é que esse objecto obliterou a Terra e os dois corpos celestes acabaram-se formando a partir dos destroços resultantes (neste caso, as duas composições devem ser virtualmente idênticas).

“Há claramente algo aqui em falta,” disse Nicole Nie, doutoranda e autora principal do estudo publicado recentemente na revista The Astrophysical Journal Letters. Ex-aluna do laboratório de Dauphas, Nie está agora no Instituto Carnegie para Ciência.

Para testar diferentes teorias, o laboratório de Dauphas tem uma colecção de rochas lunares emprestadas pela NASA (representando cada uma das missões Apollo que recuperaram amostras). Nie criou uma maneira rigorosa de medir os isótopos de rubídio – um elemento que nunca havia sido medido com precisão nas rochas da Lua porque é tão difícil isolar do potássio, que é quimicamente extremamente semelhante.

O rubídio faz parte de uma família de elementos que sempre aparece com diferentes proporções de isótopos na Lua em comparação com a Terra. Quando Nie examinou as rochas lunares, descobriu que continham menos isótopos leves de rubídio e mais isótopos pesados do que as rochas da Terra.

“Não havia realmente nenhuma estrutura para explicar esta diferença,” disse Dauphas, professor no Departamento de Ciências Geofísicas. “De modo que decidimos fazer uma.”

Começaram com a ideia de que tanto a Terra quanto o objecto gigante foram vaporizados após o impacto. Neste cenário, uma massa que se tornará a Terra coalesce lentamente e um anel exterior de detritos forma-se em seu redor. Ainda está tão quente, com mais de 3300º C, que este anel é provavelmente uma camada exterior de vapor em redor de um núcleo de magma líquido.

Com o tempo, Nie e Dauphas supõem, os isótopos mais leves de elementos como o rubídio evaporam-se mais rapidamente. Estes condensam-se na Terra, enquanto o resto dos isótopos mais pesados deixados para trás no anel eventualmente formam a Lua.

Isto disse-lhes mais sobre o aspecto da Terra e da Lua primitivas. Como sabem exactamente quanto mais dos isótopos leves evaporaram, trabalharam para trás para descobrir o aspecto da camada de vapor – quanto mais saturada, mais lenta a evaporação (pense em tentar secar a sua roupa num dia muito húmido nos trópicos, vs. num dia muito seco no deserto).

Isto é útil porque as características exactas desta fase inicial são difíceis de determinar. Os resultados também encaixam bem com medições anteriores de outros isótopos em rochas lunares, como o potássio, cobre e zinco. “O nosso novo cenário pode explicar quantitativamente o esgotamento lunar não apenas do rubídio, mas também da maioria dos elementos voláteis,” salientou Nie.

O estudo é um passo há muito necessário para ligar as linhas entre medições isotópicas e modelos físicos dos corpos proto-planetários, acrescentou Dauphas.

“Este elo estava em falta e esperamos que ajude a restringir, no futuro, os cenários para a formação da Lua e da Terra,” concluiu.

Astronomia On-line
29 de Outubro de 2019

 

2875: Cientistas concluem que é possível cultivar alimentos em Marte e na Lua

CIÊNCIA

É possível cultivar alimentos em Marte e na Lua. O veredicto parte de uma equipa de cientistas holandeses que testou colheitas em condições semelhantes às lá vividas.

Para chegarem a esta conclusão, os investigadores cultivaram dez colheitas diferentes: agrião de jardim, rúcula, tomate, rabanete, centeio, quinoa, espinafre, cebolinho, ervilha e alho-porro.

Aliás, não só é possível cultivar lá estes alimentos, como também é possível obter sementes destas colheitas, tanto em Marte como na Lua. Para realizarem esta experiência, simularam as condições marcianas e lunares, verificando se era viável. O estudo foi publicado este mês na revista científica Open Agriculture.

“Ficamos encantados quando vimos os primeiros tomates já cultivados no simulador de solo de Marte ficarem vermelhos. Isso significava que o próximo passo em direcção a um ecossistema agrícola fechado sustentável foi dado”, contou o líder da investigação, Wieger Wamelink, citado pelo Tech Explorist.

Nove das dez culturas semeadas cresceram sem problemas e conseguiu-se recolher alimentos comestíveis delas. O espinafre foi a única cultura que os cientistas holandeses não conseguiram cultivar em condições marcianas ou lunares.

As sementes produzidas por três espécies (rabanete, centeio e agrião) foram testadas com sucesso relativamente à sua germinação.

ZAP //

Por ZAP
22 Outubro, 2019

 

2874: Há gelo no pólo sul da Lua e pode ter muitas fontes

CIÊNCIA

NASA’s Goddard Space Flight Center/Scientific Visualization Studio
A sonda LRO encontrou crateras brilhantes na zona do pólo sul da Lua – que correspondem a jazidas de gelo

Um novo estudo sugere que o gelo encontrado na superfície lunar pode ter milhares de milhões de anos, além de ter surgido de diferentes fontes.

O estudo, publicado recentemente na Icarus, sugere que a maioria do gelo lunar pode ser tão antigo quanto a própria Lua, enquanto que outros depósitos de gelo podem ser mais jovens.

Segundo Ariel Deutsch, estudante do Departamento de Ciências da Terra, Meio Ambiente e Planetárias da Universidade de Brown, é importante limitar a idade dos depósitos, uma vez que essa informação pode ser fundamental tanto para a ciência básica quanto para futuras explorações lunares, já que o gelo pode ser utilizado como combustível entre outras utilizações importantes.

“A idade dos depósitos pode dizer-nos algo sobre a origem do gelo, o que nos ajuda a entender as fontes e a distribuição de água no sistema solar interno”, começou por explicar Deutsch.

“Para fins de exploração, precisamos de entender as distribuições laterais e verticais desses depósitos para descobrir qual a melhor maneira de conseguir chegar até eles. Essas distribuições evoluem com o tempo, por isso é que é importante ter uma ideia da sua idade”, continuou, citado pelo Science Daily.

Usando dados do Lunar Reconnaissance Orbiter da NASA, que orbita a Lua desde 2009, os cientistas analisaram as idades das grandes crateras nas quais foram encontradas evidências de depósitos de gelo no pólo sul.

De acordo com os cientistas, a maioria dos depósitos de gelo está dentro de crateras formadas há aproximadamente 3,1 milhões de anos, ou mais. Como o gelo não pode ser mais antigo do que a cratera, esta datação estabelece um limite na idade do gelo.

O facto de a cratera ser antiga, não implica que o gelo encontrado dentro dela também seja. No entanto, neste caso, os cientistas dizem haver boas razões para acreditar que o gelo é realmente antigo.

Se os depósitos de gelo forem realmente antigos, isso pode ter implicações significativas em termos de exploração e potencial utilização de recursos, adiantam os investigadores.

Mas enquanto que a maioria do gelo estava em crateras antigas, a verdade é que os cientistas também encontraram evidências de gelo nas crateras mais pequenas e, a julgar pelas características do gelo, parecem mais recentes.

Foi uma surpresa. Não havia realmente nenhuma observação de gelo em armadilhas frias mais jovem”, explicou Deutsch, referindo-se às características afiadas e bem definidas do gelo encontrado no pólo sul da Lua.

Se há, de facto, depósitos de diferentes idades, isso sugere que também podem ter fontes diferentes. Gelo mais antigo poderia ter sido originado por cometas e asteróides que afectaram a superfície, ou através de actividades vulcânicas que extraíam água das profundezas da Lua. Já os depósitos de gelo mais recentes podem ter outra explicação, como o bombardeio de micro-meteoritos do tamanho de ervilhas ou a implantação pelo vento solar.

Mas a melhor maneira de descobrir é obtendo amostras. Os cientistas querem enviar missões para as recolher, o que ajudaria a descobrir e a responder a todas as questões e incertezas que ainda pairam no ar.

“Quando pensamos em enviar novamente humanos à Lua para exploração a longo prazo, precisamos de saber com que recursos podemos contar, e actualmente não sabemos” concluiu Jim Head, co-autor do artigo científico.

ZAP //

Por ZAP
21 Outubro, 2019

 

2846: NASA revela novos fatos espaciais que os astronautas vão levar para a Lua (e são pura ficção científica)

CIÊNCIA

A NASA apresentou na terça-feira, na sua sede, em Washington, Estados Unidos, os novos fatos espaciais que os astronautas da missão Artemis vão usar em 2024, quando voltarem à Lua.

Fatos feitos em modelos 3D, à medida de cada astronauta, capacetes que se podem arranjar na hora e melhor mobilidade e flexibilidade para andar na superfície lunar. O objectivo da NASA é proporcionar aos seus astronautas um traje sofisticado. Os astronautas vão poder levantar não só os braços como outros objectos sobre a cabeça.

Além disso, os novos fatos têm uma série de novas particularidades: uma funcionalidade de suporte à vida em atmosferas ricas em dióxido de carbono e também um sistema de aquecimento para temperaturas baixas.

Haverá ainda uma escotilha de entrada traseira nos trajes para permitir que o astronauta consiga enfiar o fato facilmente. O visor de protecção do capacete protegê-lo-á de qualquer desgaste que possa ocorrer e as botas terão solas flexíveis. A questão dos microfones actuais, que às vezes provocam suor e acabam por se tornar desconfortáveis, também está resolvida, já que a NASA está a pensar substituí-los por um novo sistema incorporado, activado por voz e colocado na parte superior do corpo.

@nasahqphoto

Check out images from today’s event showcasing prototypes of @NASA‘s 2 newest spacesuits designed for Moon to Mars exploration: 1 for launch and re-entry, and 1 for exploring the lunar South Pole! #Artemis More 📸https://flic.kr/s/aHsmHHQ8Uy 

Mas ainda há coisas que não foram mudadas. O ScienceAlert relembra que ainda não se sabe como será possível remover fluídos corporais com o fato vestido, por isso os astronautas vão continuar a usar fraldas.

A data prevista para dar uso a todo este material será 2024, provavelmente na segunda metade do ano, e o destino é o pólo sul da Lua.

Artémis era a irmã gémea de Apolo e significava a deusa da Lua em grego. A NASA escolheu este nome para lembrar que, neste caminho de regresso à Lua, haverá um homem e uma mulher entre os eleitos.

@NASA

Introducing our next-generation spacesuit for #Artemis missions! Here, spacesuit engineer Kristine Davis demonstrates the improved mobility in the new suit, important for working on the Moon’s surface. Watch live: https://go.nasa.gov/2VI0g9g 

Para já, fala-se apenas na Artemis 1, até agora conhecida como missão de exploração 1, que será a primeira de uma série de missões empenhadas em permitir a exploração humana na Lua e em Marte.

Essa primeira missão vai permitir testar o sistema de voo integrado da agência e, numa primeira fase, já se sabe, será não tripulada. Pretende-se avaliar aquele que se espera ser o foguetão mais poderoso do mundo, que promete voar até ainda mais longe do que até agora – 450 mil quilómetros da terra, milhares de quilómetros para lá da Lua, durante três semanas.

A NASA está agora a estudar de que forma poderá estabelecer uma presença humana sustentável no satélite da terra.

ZAP //

Por ZAP
17 Outubro, 2019

 

2837: Cientistas descobriram como extrair oxigénio da poeira da Lua

CIÊNCIA

Edwin Aldrin / NASA
Pegada do astronauta Edwin Aldrin na Lua

Cientistas conseguiram extrair oxigénio do regolito lunar. A equipa demorou cerca de 50 horas para extrair 96% do oxigénio na amostra.

A Lua é um lugar bastante inóspito para humanos. Ambiente seco, poeira e não há atmosfera para respirarmos. Mas isso não significa que não haja oxigénio. Na verdade, o regolito lunar — camada superior na superfície com uma grande quantidade de sedimentos finos — está carregado dele. E agora os cientistas descobriram como retirá-lo.

De acordo com o Science Alert, para além de nos dar oxigénio, este processo fornece ainda as ligas metálicas às quais estava ligado, sendo que ambos seriam realmente úteis em futuras bases ou colónias lunares. Só há um problema.

“Este oxigénio é um recurso extremamente valioso, mas está quimicamente ligado ao material como óxidos na forma de minerais ou de vidro e, por isso, não está disponível para uso imediato”, disse a química Beth Lomax, da Universidade de Glasgow, na Escócia, cujo estudo foi publicado em Setembro na revista científica Planetary and Space Science.

Essas amostras são demasiado valiosas para serem testadas directamente, mas tê-las significa que podemos recriar com precisão a sua consistência usando materiais terrestres. Esta poeira lunar falsa é chamada “simulador de regolito lunar”.

Anteriormente, os cientistas já tentaram extrair oxigénio do regolito lunar através de várias formas: redução química de óxidos de ferro usando hidrogénio para produzir água e, de seguida, electrólise para separar o hidrogénio do oxigénio na água; ou um processo semelhante com metano em vez de hidrogénio. No entanto, essas técnicas não foram eficazes, tornaram-se excessivamente complicadas ou até demasiado quentes, chegando a temperaturas tão extremas que fizeram com que o regolito derretesse.

Lomax e o resto da equipa saltaram a etapa da redução química e passaram directamente para a electrólise do regolito. “Este processo foi realizado através de um método chamado electrólise de sal derretido. Este é o primeiro exemplo de processamento directo de pó a pó do simulador de regolito lunar sólido que pode extrair praticamente todo o oxigénio”, explicou a cientista.

Primeiro, o regolito é colocado num cesto forrado de malha. O cloreto de cálcio (o electrólito) é adicionado e a mistura é aquecida a cerca de 950 ºC, uma temperatura que não derrete o material. Depois, é aplicada corrente eléctrica, extraindo o oxigénio e migrando o sal para um ânodo, onde pode ser facilmente removido.

A equipa demorou cerca de 50 horas para extrair 96% do oxigénio na amostra do regolito, mas 75% do oxigénio foi conseguido nas primeiras 15 horas. Aproximadamente um terço do oxigénio total da amostra foi detectado sem gás, e o restante foi perdido.

Além disso, o metal deixado para trás pode ser utilizado, sendo esta a primeira vez que uma técnica de extracção de oxigénio com regolito lunar produz este resultado. Havia três grupos principais, às vezes com pequenas quantidades de outros metais misturados: ferro-alumínio, ferro-silício e cálcio-silício-alumínio.

Esta descoberta mostra que a técnica ainda pode ser valiosa, mesmo que seja possível extrair oxigénio das suspeitas reservas de gelo na Lua.

ZAP //

Por ZAP
15 Outubro, 2019

 

2832: Que idade terá o gelo encontrado na Lua?

CIÊNCIA

No ano passado, a NASA fez uma descoberta que mudou significativamente a forma de pensar no futuro da Lua. O facto de haver água no nosso satélite natural pode ser importante para viagens espaciais futuras, além de outros objectivos no Espaço. A descoberta de depósitos de gelo lunar, abriu novas linhas de investigação. Assim, entre várias questões levantadas, a idade desse gelo pode revelar muita coisa que desconhecemos.

Segundo as investigações, a maioria dos depósitos de gelo na lua têm, provavelmente, milhares de milhões de anos. Contudo, alguns podem ser muito mais recentes.

Há gelo da Lua, será que o podemos usar?

A descoberta de depósitos de gelo em crateras espalhadas pelo Polo Sul da lua ajudou a renovar o interesse em explorar a superfície lunar. Contudo, ninguém sabe exactamente quando ou como chegou lá esse gelo.

Segundo Ariel Deutsch, estudante do Departamento de Ciências da Terra, Meio Ambiente e Planetárias da Universidade de Brown, é importante limitar a idade dos depósitos. Essa informação pode ser crucial quer para a ciência básica, quer para as futuras explorações lunares. Isto porque este gelo poderá um dia ser usado como combustível, além de outras utilizações vitais.

As idades desses depósitos podem potencialmente dizer-nos algo sobre a origem do gelo, o que nos ajuda a entender as fontes e a distribuição de água no sistema solar interno. Para fins de exploração, precisamos entender as distribuições laterais e verticais desses depósitos para descobrir a melhor forma de chegar até eles. Estas distribuições evoluem com o tempo, por isso é importante ter uma ideia da idade.

Revelou Deutsch.

Que idade tem o gelo da Lua?

Segundo os dados recolhidos pelo LRO (Lunar Reconnaissance Orbiter ou Orbitador de Reconhecimento Lunar) da NASA, que está a orbitar a lua desde 2009, os investigadores olharam para as idades das grandes crateras nas quais os cientistas encontraram evidências de depósitos de gelo no Polo Sul. Tendo em conta as crateras existentes hoje, os investigadores contaram quantas crateras menores se acumularam dentro das maiores.

Desta forma, os cientistas conseguem ter uma ideia aproximada do ritmo dos impactos ao longo do tempo. Assim, a contagem das crateras pode ajudar a estabelecer as idades dos terrenos.

Segundo os investigadores, a maioria dos depósitos de gelo relatados estão dentro de grandes crateras formadas há cerca de 3,1 mil milhões de anos ou mais. Como o gelo não pode ser mais velho do que a cratera, isso coloca um limite superior na idade do gelo.

No entanto, pese o facto de a cratera ser velha, isso não significa que o gelo dentro dela também seja tão velho assim. Contudo, neste caso há razões para acreditar que o gelo é realmente velho. Os depósitos têm uma distribuição desigual entre os pisos das crateras, o que sugere que os impactos do micro-meteorito e outros detritos danificaram o gelo ao longo do tempo.

Se estes depósitos de gelo relatados forem de facto antigos, isso poderia ter implicações significativas em termos de exploração e utilização potencial de recursos, dizem os cientistas.

Crateras em crateras

Embora a maioria do gelo estivesse nas crateras antigas, os investigadores também encontraram evidências de gelo em crateras menores. Assim, a julgar pelas suas características afiadas e bem definidas, parece ser gelo bastante fresco. Isso sugere que alguns dos depósitos no Polo Sul chegaram lá “recentemente”.

Foi uma surpresa. Não havia realmente nenhuma observação de gelo em armadilhas frias mais jovens antes.

Explicou Deutsch.

Se há realmente depósitos de diferentes idades, isso sugere que também podem ter fontes diferentes. O gelo mais antigo poderia ter sido proveniente de cometas e asteróides portadores de água que chocaram com a superfície, ou através de actividade vulcânica que retirava água das profundezas da Lua.

No entanto, não há muitos impactos com grande porte de água nos últimos tempos. Além disso, acredita-se que o vulcanismo tenha acontecido na Lua há mais de mil milhões de anos. Assim, depósitos de gelo mais recentes exigiriam fontes diferentes – talvez resultantes de bombardeios de micro-meteoritos do tamanho de ervilhas ou de impactos do vento solar.

Enviar naves à Lua para recolher gelo

Os especialistas referem que para perceber com certeza do que está em causa, é importante enviar naves para recolher amostras. Nesse sentido, a análise do material ajudaria a descobrir e a responder a todas as dúvidas e incertezas. Aliás, esse tipo de missões está no horizonte.

O programa Artemis da NASA visa colocar humanos na lua até 2024. Antes disso, haverá inúmeras missões precursoras com naves espaciais robóticas. Estes estudos são fundamentais para moldar essas futuras missões.

Quando pensamos em enviar humanos de volta à Lua para exploração a longo prazo, precisamos saber com que recursos podemos contar, e actualmente não sabemos. Estudos como este ajudam-nos a fazer previsões sobre onde precisamos ir para responder a essas perguntas.

Concluiu Jim Head, co-autor do estudo.

O estudo está publicado na revista Icarus. Gregory Neumann do Goddard Space Flight Center da NASA também contribuiu para o trabalho.

NASA descobre gelo à superfície da Lua

Cientistas descobriram gelo nos pólos norte e sul da Lua. Esta é uma grande descoberta que pode mudar completamente a forma como encaramos as viagens espaciais dado que, existe na Lua uma fonte de … Continue a ler NASA descobre gelo à superfície da Lua

Imagem: NASA
Fonte: NASA

 

2813: Já há novas informações sobre a primeira planta que nasceu na Lua

CIÊNCIA

Chongqing University / Victor Tangermann

Já há mais informações sobre a primeira planta na Lua, que nasceu de sementes de algodão este ano. Entretanto, a planta acabou por morrer devido às baixas temperaturas.

Quando a sonda chinesa Chang’e-4 pousou no lado mais distante da Lua no dia 3 de Janeiro de 2019, ela entrou para a história. Foi a primeira nave a explorar este lado da Lua, e na sua carga estava uma mini-biosfera de 2,5 kg chamada Micro Ecossistema Lunar.

Este cilindro tem apenas 18 cm de comprimento e 16 cm de diâmetro, e contém seis formas de vida que foram mantidas por 20 dias em condições parecidas com as da Terra, excepto pela micro-gravidade e radiação lunar. São elas: sementes de algodão, sementes de batata, semente de canola, levedura, ovos de mosca-da-fruta e uma planta comum da espécie Arabidopsis thaliana.

Apenas as sementes de algodão produziram resultados positivos em Janeiro deste ano. O brotamento de duas folhas foi registado nos 14 dias terráqueos do primeiro dia lunar da semente. Ao final deste tempo, a região ficou na escuridão e no frio de -190ºC e a planta acabou por morrer.

A imagem disponibilizada pela China é uma reconstrução em 3D baseada na análise e processamento de imagem.

O investigador responsável por esta experiência, Xie Gengxin, avisa que não haverá um artigo científico publicado sobre o evento, mas que pretende continuar o seu trabalho.

Na etapa de planeamento, a equipa pretendia enviar um pequeno cágado para a Lua, mas acabou por optar pelos outros organismos devido ao limite de peso da esfera, que não poderia ser mais do que 3 kg. Caso o animal tivesse sido enviado, ele teria um final pouco feliz, já que morreria de frio e de falta de oxigénio ao fim de 20 dias.

A missão Chanc’e-4 foi a primeira a levar organismos terráqueos para a Lua, sem contar com os astronautas das missões lunares de 1969 a 1972.

Xie e sua equipa esperam enviar mais formas de vida nas próximas missões para a Lua, mas ainda não especificaram que tipo de organismos seriam esses. A China já planeou a Chang’e-6, uma missão de regresso da amostragem, que deve acontecer em meados de 2020.

ZAP // HypeScience

Por ZAP
11 Outubro, 2019

 

2804: A ciência solar tem um futuro brilhante na Lua

CIÊNCIA

À medida que a Lua orbita a Terra, gira à mesma velocidade – um tipo especial de bloqueio de marés chamado rotação síncrona. Como resultado, um lado da Lua está sempre virado para a Terra.
Crédito: SVS da NASA/Ernie Wright

Existem muitas razões pelas quais a NASA está a perseguir a missão Artemis de fazer regressar astronautas à Lua até 2024: é uma maneira crucial de estudar a própria Lua e de pavimentar um caminho seguro para Marte. Mas também é um óptimo lugar para aprender mais sobre a protecção da Terra, que é apenas uma parte do maior sistema Sol-Terra.

Os heliofísicos – cientistas que estudam o Sol e a sua influência na Terra – também enviarão as suas próprias missões da NASA como parte do programa Artemis. O seu objectivo é entender melhor o complexo ambiente espacial que rodeia o nosso planeta, grande parte do qual é impulsionado pelo nosso Sol. Quanto mais entendermos esse sistema, melhor poderemos proteger a tecnologia espacial, as comunicações por rádio e as redes utilitárias da ira da nossa estrela mais próxima.

Aqui ficam cinco razões pelas quais os heliofísicos estão ansiosos por estas oportunidades lunares.

1. É um Satélite Estável

A primeira vantagem da ciência com base na Lua diz respeito à instabilidade dos satélites artificiais, que muito transtorna os cientistas espaciais.

Os satélites são mais instáveis do que se imagina. São feitos de metais que se expandem e se contraem com as mudanças de temperatura. Transportam telescópios que constantemente giram para permanecerem apontados para os alvos. Disparam motores e giram as rodas de reacção para permanecer em órbita. Cada uma destas manobras causa tremulação, que pode provocar erros nas medições, medições estas que exigem precisão.

Mas a Lua – o único satélite natural da Terra – é uma viagem muito mais suave.

“A Lua é um bom lugar estável – não treme nem tremula como uma nave espacial,” disse David Sibeck, heliofísico do Centro de Voo Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, no estado norte-americano de Maryland. “Qualquer pessoa que tente fazer medições de alta resolução ficará feliz em não precisar de se preocupar com a instabilidade.”

Um ambiente sem instabilidade é uma vantagem para todas as ciências espaciais, mas existem bónus adicionais para os heliofísicos que estudam as auroras. A uma média de 384.400 km da Terra, a Lua tem uma excelente vista das auroras da Terra quando se movem equatorialmente durante tempestades geo-magnéticas. Além disso, como o mesmo lado da Lua está sempre virado para a Terra, os telescópios não precisam de ser tão ajustados. Colocados à superfície, a Lua mantém-nos apontados.

2. Observação de Eclipses

Muito antes da era espacial, os cientistas contavam com a Lua para ajudá-los a estudar o Sol. Observadores pacientes esperavam eclipses solares totais, quando a Lua bloqueia a superfície brilhante do Sol. Só então é que podiam ver a sua ténue atmosfera exterior, conhecida como coroa.

Mas as esperas podem ser longas. Um eclipse solar total ocorre em algum lugar da Terra a cada 18 meses. Para qualquer local específico, é mais uma vez a cada quatro séculos.

“Obtemos resultados fantásticos com os eclipses,” disse John Cooper, heliofísico de Goddard. “Mas não temos eclipses todos os dias.”

Mas um telescópio de observação solar, no tipo certo de órbita em torno da Lua, pode gerar eclipses “sob demanda”. Em vez de esperarmos que a Lua se mova pela linha de visão do telescópio, Cooper, explica, movemos a nossa linha de visão para trás da Lua.

“Basicamente, estamos a usar o limbo lunar contra o céu escuro e profundo,” disse Cooper. Dado que a Lua não tem uma atmosfera que distorce a imagem, as medições seriam ainda mais nítidas do que as feitas na Terra.

A partir da sua órbita íntima, um telescópio do género não geraria eclipses solares totais – estudaria, sim, uma parte do limbo do Sol de cada vez. Mas Cooper calcula que podemos ver tanto os lados este como este do limbo do Sol uma vez a cada órbita – duas vistas de alta resolução, todos os dias.

3. Está Fora do Campo Magnético da Terra

O clima espacial faz parte da heliofísica, onde a ciência pura é aplicada em tempo real. Os cientistas do clima espacial estudam o Sol – incluindo o seu fluxo constante de vento solar – e os seus impactos na Terra. Estes investigadores precisam de acertar na física fundamental para manter seguras as nossas valiosas comunicações e satélites GPS. Mas determinar se um satélite está em perigo pode ser complicado.

A segurança de um satélite depende, em parte, se está dentro ou fora da magneto-pausa da Terra. A magneto-pausa é uma “terra de ninguém” móvel, onde o escudo magnético do nosso planeta termina e tem início todo o impacto do clima espacial. Aqui dentro, estamos em grande parte seguros. Fora, não estamos.

Mas, de momento, a única maneira de saber onde está essa fronteira, é voar através dela.

“Às vezes existem oscilações nos dados e podemos ver o cruzar dessa fronteira,” disse Sibeck. “Às vezes, vemos dez oscilações.”

Mas há outra maneira de encontrar a magneto-pausa se pudermos afastar-nos o suficiente para lá do escudo magnético da Terra. Quando o vento solar atinge a atmosfera da Terra, logo para lá da magneto-pausa, emite raios-X. Um telescópio de raios-X, colocado correctamente, podia capturar essa radiação e rastrear a localização da magneto-pausa.

É por isso que Sibeck pertence a uma equipa, liderada pelo cientista espacial Brian Walsh da Universidade de Boston, que está a querer colocar um telescópio de raios-X na Lua.

“Ninguém ainda obteve estas imagens globais e a Lua tem um bom ponto de vista de fora do campo magnético da Terra,” explicou Sibeck.

A missão LEXI (Lunar Environment heliospheric X-ray Imager), será colocada na superfície lunar para obter imagens globais, em tempo real, da magneto-pausa. No dia 1 de Julho de 2019, a NASA anunciou que a LEXI estará entre as primeiras cargas lunares a participar da missão Artemis. Esperam estar à superfície da Lua em 2022.

O instrumento LEXI terá pouco mais de um metro, mas a superfície lunar pode acomodar telescópios de raios-X muito maiores. Boas notícias, porque os raios-X são difíceis de focar; os telescópios mais longos obtêm imagens de resolução muito mais alta. O requisito de ser grande colocou um problema; alguns satélites simplesmente não têm tamanho suficiente para os transportar. “Mas na Lua as coisas podem ser realmente grandes,” acrescentou Sibeck.

4. Podemos “Desenterrar” a História do Sol

A resposta para algumas perguntas da heliofísica encontram-se enterradas na própria Lua.

“A Lua é como uma cápsula no tempo,” disse Steve Clarke, Administrador Associado Adjunto para Exploração da NASA. “Como foi formada ao mesmo tempo que a Terra, tem a história do Sistema Solar à sua superfície.”

Durante os seus primeiros mil milhões de anos, o Sol provavelmente girou mais depressa do que gira hoje, disparando um volume maior de erupções solares e electrificando o próprio espaço que formava planetas. Mas, para ter certeza de como foram esses primeiros mil milhões de anos, precisamos de evidências de coisas que ocorreram há muito, muito tempo.

A Lua – que não possui atmosfera, nem água líquida, nem placas tectónicas – fornece esse mesmo registo histórico. As erupções solares de há milhares de milhões de anos deixaram vestígios imperturbados na poeira lunar.

Um artigo recente analisou a poeira lunar para estudar a quantidade de voláteis – elementos como sódio e potássio, com baixos pontos de ebulição – que permaneceram nas amostras lunares. Estes voláteis são expulsos da Lua quando partículas solares energéticas atingem a superfície lunar. Ao analisar quanto destes elementos foram esgotados ao longo do tempo, os cientistas viram os primeiros mil milhões de anos do nosso Sol num contexto mais amplo. Embora tenha girado mais depressa do que gira hoje, em comparação com outras estrelas ainda é lenta, girando mais devagar do que 50% das estrelas semelhantes – e tendo surtos explosivos com muito menos frequência do que poderia ter tido.

“Poderia ter sido um ambiente muito mais severo,” disse Prabal Saxena, autor principal do estudo e astrónomo de Goddard.

Ainda há mais história antiga para aprender com a poeira lunar. A Lua não tem um campo magnético global – mas pode ter tido um no passado. Amostras dos pólos da Lua, onde a próxima missão Artemis planeia aterrar, podiam mostrar se um campo magnético histórico mudou o padrão de voláteis deixado para trás.

5. É uma Plataforma de Testes para Marte

Par os futuros astronautas na Lua e em Marte, o clima espacial exigirá atenção constante. O Sol liberta muitas “coisas” – e essas “coisas” viajam depressa.

Na Lua, os raios-X das explosões solares atingem a superfície em oito minutos. As ejecções de massa coronal – nuvens gigantes de partículas carregadas e quentes – podem chegar em 24 horas. As partículas energéticas solares, ou PESs, são mais raras, mas ainda mais rápidas e perigosas.

As PESs atingem 10, 20% da velocidade da luz, chegando até nós numa hora,” afirmou Karin Muglach, física solar do Laboratório do Clima Espacial de Goddard. “Estas coisas são como balas.”

Tendo em conta que a Lua está a apenas um segundo-luz de distância, os sistemas de aviso na Terra devem ser suficientes para proteger os astronautas na Lua. “Mas se formos para Marte, as comunicações podem demorar bastante,” disse Muglach.

Testar estes sistemas de protecção, nas proximidades, é uma das razões pelas quais a NASA quer regressar à Lua antes de ir para Marte.

Para a Lua, e Além

À medida que a NASA avança para a Lua e depois para Marte, surgem novas oportunidades para aprender sobre a ligação Sol-Terra. Mas não é apenas ciência básica. A influência do Sol preenche o espaço em nosso redor – o próprio espaço que os futuros astronautas terão que navegar e entender.

“Nem todas as ciências têm este aspecto realmente prático,” disse Jim Spann, principal cientista do clima espacial na sede da NASA em Washington, DC. “É um aspecto muito especial.”

Astronomia On-line
8 de Outubro de 2019

 

2791: NASA descobre novos tipos de compostos orgânicos nas plumas de Encélado

CIÊNCIA

NASA / JPL-Caltech
Encélado é o sexto maior satélite natural de Saturno

Novos tipos de compostos orgânicos, componentes básicos da vida na Terra, foram detectados nas plumas da lua Encélado.

No ano passado, a análise dos dados da missão Cassini, que estudou Saturno e as suas luas, permitiu confirmar a existência de moléculas orgânicas complexas e insolúveis em Encélado, a lua congelada do planeta gasoso, onde existe um oceano subterrâneo no estado líquido.

A mais recente descoberta da NASA anuncia novos tipos de compostos orgânicos, menores e solúveis, na lua de Saturno. Esta descoberta reforça a importância de estudar este satélite natural, uma vez que as moléculas orgânicas são um elemento essencial para a existência de vida.

Os novos tipos de compostos orgânicos foram descobertos nas plumas de Encélado – na superfície desta lua há rupturas que expelem o líquido interior e foi desta forma que a Cassini conseguiu obter informações sobre o intrigante fenómeno.

A NASA explica que “poderosas fontes hidrotermais ejectam material do núcleo de Encélado, que se mistura com a água do imenso oceano subterrâneo da lua antes de ser libertado no Espaço como vapor de água e grãos de gelo” e “as moléculas recém-descobertas, condensadas nos grãos de gelo, foram determinadas como compostos que continham nitrogénio e oxigénio”.

Na Terra, compostos semelhantes aos recém descobertos na lua de Saturno participam em reacções químicas que produzem aminoácidos, um dos blocos de construção da vida. Além disso, são as fontes hidrotermais no fundo do oceano que fornecem a energia necessária para alimentar essas reacções.

Uma vez que existem fontes hidrotermais em Encélado, a descoberta deste novos compostos orgânicos sugere que podem mesmo existir aminoácidos no satélite natural de Saturno, explica o CanalTech.

“Se as condições estiverem corretas, estas moléculas vindas do oceano profundo de Encélado podem estar no mesmo caminho de reacção que observamos aqui na Terra. Ainda não sabemos se os aminoácidos são necessários para a vida além da Terra, mas encontrar estas moléculas é uma peça importante deste quebra-cabeças”, afirmou Nozair Khawaja, líder da investigação, publicada dia 2 de Outubro no Monthly Notices.

“Este trabalho mostra que o oceano de Encélado tem blocos reactivos em abundância, sendo outra luz verde na investigação da habitabilidade de Encélado”, acrescentou o co-autor do estudo, Frank Postberg.

ZAP //

Por ZAP
7 Outubro, 2019

[artigo relacionado: Novos compostos orgânicos descobertos nos grãos de gelo de Encélado]