4167: A NASA tem estado a disparar lasers para a Lua. Finalmente, recebeu uma resposta de volta

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

NASALunar Reconnaissance Orbiter (LRO), da NASA, em órbita da Lua

A NASA esteve nos últimos anos a disparar raios laser em direcção ao Lunar Reconnaissance Orbiter, nave que está desde 2009 em órbita da Lua. Agora, pela primeira vez, o satélite respondeu.

O Lunar Reconnaissance Orbiter (LRO) foi lançado pela NASA para ajudar a testar o poder de reflexão dos painéis deixados na superfície da Lua há cerca de 50 anos pelas missões Apollo, e medir com melhor precisão a distância a que a Lua se encontra da Terra.

Desde que o LRO entrou em órbita, os cientistas começaram a disparar lasers contra um pequeno reflector, que tem o tamanho de um livro de bolso.

Em colaboração com investigadores franceses, a NASA anunciou que recebeu, finalmente, um sinal reflectido de volta pela primeira vez. A proeza pode aprimorar as experiências com o uso do laser, realizadas ​​para estudar a física do universo.

É a primeira vez que fotões são reflectidos para a Terra através de um satélite, o que não só oferece uma nova maneira de realizar medições na Lua, como pode ajudar a entender as condições actuais da superfície lunar.

Estes reflectores são usados para receber e devolver os poderosos raios laser que a NASA tem enviado para a Lua e cronometrar quanto tempo demoram a voltar — uma forma de obter uma medição mais precisa da distância entre os dois pontos, tendo como base a velocidade da luz. É assim possível determinar a que distância a Lua está, com uma precisão milimétrica, explica a Science Alert.

Estas medições tem permitido perceber que a Lua está a afastar-se muito lentamente da Terra. Este afastamento tem sido progressivo e acontece a uma velocidade de cerca de 3,8 centímetros por ano.

Esta experiência foi aliás eternizada na televisão, no episódio “Lunar Excitation” da série The Big Bang Theory, no qual os personagens disparam um raio laser à Lua a partir do seu telhado.

Xiaoli Sun, cientista planetário do Centro de Voo Espacial Goddard da NASA que ajudou a projectar o reflector de LRO, diz que “para saber mais, primeiro precisamos saber a distância entre as estações terrestres e a precisão dos reflectores da Lua. A precisão desta medição pode ajudar a entender a gravidade e a evolução do sistema solar”.

O reflector do LRO tem um décimo do tamanho dos painéis dos colocados pelas missões Apollo 11 e 14, com apenas 12 retro-reflectores cúbicos , e está ligado a um alvo em movimento rápido.

O sinal de luz é afectado pela meteorologia na estação de laser, assim como o alinhamento do Sol, da Lua e da Terra. De acordo com o Tech Explorist, essa é uma das razões pela qual, apesar de várias tentativas ao longo da última década, os cientistas da NASA não conseguiram alcançar o reflector do LRO.

Nesse aspecto, a colaboração com os cientistas franceses foi essencial. A equipa Géoazur, da Université Côte d’Azur, em França, desenvolveu uma tecnologia avançada que mede o comprimento da onda do infravermelho de luz em LRO. Um benefício do uso da luz infravermelha é que esta penetra a atmosfera da Terra melhor do que o comprimento de onda verde visível da luz, que os cientistas tradicionalmente usam.

Porém, mesmo como uso da luz infravermelha, o telescópio Grasse, em França, recebeu apenas cerca de 200 fotões, das dezenas de milhares de lasers lançados no LRO durante 2018 e 2019.

“Esta experiência é um novo método de verificar as teorias de acumulação de poeira ao longo de décadas na superfície lunar” explica Erwan Mazarico, autor principal do artigo científico publicado a 6 de Agosto na revista Earth, Planets and Space.

Com o tempo, espera-se que alguns registos de fotões possam criar uma imagem suficiente precisa que forneça mais informações.

A Lua está a afastar-se da Terra

Certamente não se apercebeu, mas a Lua está a afastar-se de nós. O satélite da Terra está actualmente 18 vezes…

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ZAP //

Por ZAP
15 Agosto, 2020

 

spacenews

 

3967: Radar sugere que a Lua é mais metálica do que se pensava

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Esta imagem, com base em dados da sonda LRO da NASA, mostra a face da Lua como a vemos da Terra. Quanto mais aprendermos sobre o nosso vizinho mais próximo, mais podemos começar a entender a Lua como um lugar dinâmico com recursos úteis que um dia podem suportar presença humana.
Crédito: NASA/GSFC/Universidade Estatal do Arizona

O que começou como uma caça ao gelo escondido nas crateras polares lunares transformou-se numa descoberta inesperada que pode ajudar a esclarecer uma história “lamacenta” sobre a formação da Lua.

Os membros da equipa do instrumento Mini-RF (Miniature Radio Frequency) na sonda LRO (Lunar Reconnaissance Orbiter) da NASA encontraram novas evidências de que a sub-superfície da Lua pode ser mais rica em metais, como ferro e titânio, do que os investigadores pensavam. Esta descoberta, publicada dia 1 de Julho na revista Earth and Planetary Science Letters, pode ajudar a estabelecer uma ligação mais clara entre a Terra e a Lua.

“A missão LRO e o seu instrumento de radar continuam a surpreender-nos com novas ideias sobre as origens e sobre a complexidade do nosso vizinho mais próximo,” disse Wes Patterson, investigador principal do Mini-RF do Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins em Laurel, no estado norte-americano de Maryland, co-autor do estudo.

Evidências substanciais apontam para a Lua como o produto de uma colisão entre um proto-planeta do tamanho de Marte e a jovem Terra, formando-se a partir do colapso gravitacional da restante nuvem de detritos. Consequentemente, a composição química da Lua assemelha-se à da Terra.

No entanto, observando em detalhe a composição química da Lua, essa história torna-se menos clara. Por exemplo, nas planícies brilhantes da superfície da Lua, chamadas terras altas lunares, as rochas contêm quantidades mais pequenas de minerais contendo metais em comparação com a Terra. Esta descoberta podia ser explicada se a Terra tivesse se diferenciado completamente num núcleo, manto e crosta antes do impacto, deixando a Lua em grande parte pobre em metais. Mas quando nos debruçamos sobre os mares lunares – as planícies grandes e mais escuras – a abundância de metais torna-se mais rica do que muitas rochas na Terra.

Esta discrepância intrigou os cientistas, levando a inúmeras perguntas e hipóteses sobre o quanto o proto-planeta impactante pode ter contribuído para as diferenças. A equipa do Mini-RF encontrou um padrão curioso que pode levar a uma resposta.

Usando o Mini-RF, os investigadores procuraram medir uma propriedade eléctrica no solo lunar empilhado no chão de crateras no hemisfério norte da Lua. Esta propriedade eléctrica é conhecida como constante dieléctrica, um número que compara as capacidades relativas de um material e o vácuo do espaço para transmitir campos eléctricos, e pode ajudar a localizar gelo escondido nas sombras das crateras. A equipa, no entanto, percebeu que esta propriedade aumentava com o tamanho das crateras.

Para crateras com aproximadamente 2 a 5 km de diâmetro, a constante dieléctrica do material aumentava constantemente à medida que as crateras cresciam, mas para crateras com 5 a 20 km de diâmetro, a propriedade permanecia constante.

“Foi uma relação surpreendente que não tínhamos motivo para acreditar que existisse,” disse Essam Heggy, co-investigador das experiências Mini-RF da Universidade do Sul da Califórnia em Los Angeles e autor principal do artigo publicado.

A descoberta deste padrão abriu a porta para uma nova possibilidade. Como os meteoros que formam crateras maiores também escavam mais fundo na sub-superfície da Lua, a equipa argumentou que a constante dieléctrica crescente da poeira nas crateras maiores podia ser o resultado de meteoros que escavam óxidos de ferro e titânio situados abaixo da superfície. As propriedades dieléctricas estão directamente ligadas à concentração desses minerais metálicos.

Se a sua hipótese estivesse correta, isso significaria que apenas as primeiras centenas de metros da superfície da Lua são escassas em óxidos de ferro e titânio, mas abaixo da superfície, há um aumento constante até um tesouro rico e inesperado.

Comparando imagens de radar do chão de crateras obtidas pelo Mini-RF com mapas de óxido de metais do instrumento Wide-Angle Camera da LRO, da missão japonesa Kaguya e da Lunar Prospector da NASA, a equipa encontrou exactamente o que suspeitava. As crateras maiores, com o seu material dieléctrico maior, também eram mais ricas em metais, sugerindo que mais óxidos de ferro e titânio haviam sido escavados das profundidades de 0,5 a 2 km do que das profundidades 0,2 a 0,5 km do subsolo lunar.

“Este empolgante resultado do Mini-RF mostra que, mesmo após 11 anos de operação na Lua, ainda estamos a fazer novas descobertas sobre a história antiga do nosso vizinho mais próximo,” disse Noah Petro, cientista do projecto LRO do Centro de Voo Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, Maryland. “Os dados do Mini-RF são incrivelmente valiosos e contam-nos mais sobre as propriedades da superfície lunar, mas usamos estes dados para inferir o que ocorreu há mais de 4,5 mil milhões de anos!”

Estes resultados seguem evidências recentes da missão GRAIL (Gravity Recovery and Interior Laboratory) da NASA, que sugere que uma massa significativa de material denso existe apenas algumas dezenas a centenas de quilómetros abaixo da enorme bacia do Polo Sul-Aitken da Lua, indicando que os materiais densos não estão distribuídos uniformemente no subsolo lunar.

A equipa enfatiza que o novo estudo não pode responder directamente às questões pendentes sobre a formação da Lua, mas reduz a incerteza na distribuição dos óxidos de ferro e titânio na sub-superfície lunar e fornece evidências críticas necessárias para melhor entender a formação da Lua e a sua ligação com a Terra.

“Realmente levanta a questão do que isso significa para as nossas anteriores hipóteses de formação,” disse Heggy.

Ansiosos por mais descobertas, os cientistas já começaram a examinar o chão de crateras no hemisfério sul da Lua para ver se existem aí as mesmas tendências.

Astronomia On-line
7 de Julho de 2020

 

spacenews

 

2895: NASA continua à procura, mas ninguém sabe onde está a sonda indiana que chegou à Lua

CIÊNCIA

EPA

A missão Chandrayaan-2 da agência espacial indiana incluía colocar uma sonda à superfície da Lua. Poucos momentos antes de tocar o solo, perdeu-se o contacto e a Vikram não foi ainda encontrada.

A Indian Space Research Organization (ISRO) tentou colocar a sonda Vikram à superfície da Lua a 6 de Setembro, mas, poucos momentos antes da alunagem, perdeu o contacto com a nave. A NASA, com o Lunar Reconnaissance Orbiter, tentou procurar a sonda indiana em meados de Setemrbo. Agora, o LRO passou novamente pelo local a 14 de Outubro, encontrou melhores condições de luminosidade, mas continua sem vislumbrar a Vikram, noticia a Cnet. O método de procura passa pela comparação entre as novas imagens captadas pela câmara com as imagens captadas antes da chegada da sonda, uma abordagem que serviu, por exemplo, para encontrar a sonda israelita Beresheet em Abril.

O comunicado da NASA sugere que a sonda Vikram possa estar fora do perímetro de buscas ou numa zona de sombras.

A equipa indiana continua a missão, com a Chandrayaan-2 a continuar a analisar a Lua.

Exame Informática
23.10.2019 às 20h30

 

2425: A Lua e Mercúrio podem ter espessos depósitos de água gelada

Ilustração conceptual de crateras rasas e geladas, permanentemente à sombra, perto do pólo sul lunar.
Crédito: UCLA/NASA

De acordo com uma nova análise de dados das sondas LRO e MESSENGER, a Lua e Mercúrio, o planeta mais próximo do Sol, podem conter significativamente mais água gelada do que se pensava anteriormente.

Os potenciais depósitos de gelo encontram-se em crateras próximas dos pólos de ambos os mundos. Na Lua, “descobrimos que as crateras rasas tendem a estar localizadas em áreas onde o gelo à superfície foi previamente detectado perto do pólo sul da Lua, e inferimos que esta menor profundidade é mais provável devido à presença de densos depósitos enterrados de água gelada,” disse o autor principal Lior Rubanenko da Universidade de Califórnia em Los Angeles.

No passado, observações telescópicas e por naves espaciais encontraram depósitos de gelo semelhantes a glaciares em Mercúrio, mas ainda não na Lua. O novo trabalho levanta a possibilidade de que depósitos espessos e ricos em gelo também existem na Lua. A investigação pode não apenas ajudar a resolver a questão sobre a aparente baixa abundância de gelo lunar em relação à de Mercúrio, mas também pode ter aplicações práticas: “Se confirmado, este potencial reservatório de água gelada na Lua pode ser suficientemente massivo para sustentar uma exploração lunar a longo prazo,” comentou Noah Petro, cientista do projecto LRO (Lunar Reconnaissance Orbiter) no Centro de Voo Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, no estado norte-americano de Maryland.

Os pólos de Mercúrio e da Lua estão entre os lugares mais frios do nosso Sistema Solar. Ao contrário da Terra, os eixos de rotação de Mercúrio e da Lua estão orientados de tal modo que, nas suas regiões polares, o Sol nunca se eleva acima do horizonte. Consequentemente, as depressões topográficas polares, como as crateras de impacto, nunca veem o Sol. Postulou-se, durante décadas, que estas regiões permanentemente à sombra são tão frias que qualquer gelo preso dentro delas pode sobreviver durante milhares de milhões de anos.

Observações prévias dos pólos de Mercúrio com radar terrestre revelaram uma assinatura característica de depósitos espessos de gelo puro. Mais tarde, a MESSENGER (MErcury Surface, Space ENvironment, GEochemistry and Ranging) fotografou estes depósitos de gelo. “Mostrámos que os depósitos polares de Mercúrio são compostos predominantemente de água gelada e amplamente distribuídos nas regiões polares norte e sul de Mercúrio,” disse Nancy Chabot, cientista do instrumento MDIS (Mercury Dual Imaging System) da MESSENGER no Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins em Laurel, Maryland. “Os depósitos de gelo de Mercúrio parecem ser muito menos remendados do que os da Lua e relativamente frescos, talvez colocados ou revigorados nas últimas dezenas de milhões de anos.”

Estudos anteriores de radar e imagem da Lua, cujos ambientes térmicos polares são muito semelhantes aos de Mercúrio, encontraram apenas depósitos superficiais e irregulares de gelo. Esta diferença notável serviu como motivação para o trabalho dos investigadores da UCLA – uma análise comparativa das crateras polares de Mercúrio e da Lua para aprofundar esta diferença entre os dois mundos. A investigação foi publicada no dia 22 de Julho na revista Nature Geoscience.

As superfícies de Mercúrio e da Lua estão marcadas por muitas crateras de impacto. Estas crateras são formadas quando meteoróides ou cometas colidem com a superfície. A equipa analisou crateras simples formadas por corpos mais pequenos e menos energéticos. Estas depressões são mantidas juntas pela força da camada de poeira superficial, ou rególito, e tendem a ser mais circulares e simétricas do que as grandes crateras. Os cientistas da UCLA exploraram esta simetria inerente para estimar a espessura do gelo preso dentro de crateras simples.

O estudo usou dados de elevação obtidos pela MESSENGER e pela LRO para medir aproximadamente 15.000 crateras simples com diâmetros que variam entre 2,5 e 15 km em Mercúrio e na Lua. Os cientistas descobriram que as crateras se tornam até 10% mais rasas perto do pólo norte de Mercúrio e do pólo sul da Lua, mas não no pólo norte da Lua.

Os autores concluíram que a explicação mais provável para estas crateras mais rasas é a acumulação de depósitos de água gelada em ambos os mundos. Apoiando esta conclusão, os investigadores descobriram que as encostas voltadas para os pólos destas crateras são ligeiramente mais rasas do que as encostas voltadas para o equador, e que esta menor profundidade é mais significativa em regiões que promovem a estabilidade do gelo devido à órbita de Mercúrio em torno do Sol. O sinal topográfico detectado pelos cientistas é relativamente mais proeminente em crateras simples mais pequenas, mas não exclui a possibilidade de que o gelo seja mais difundido em crateras maiores no pólo lunar.

Adicionalmente, ao contrário de Mercúrio, onde o gelo se mostra quase puro, os depósitos detectados na Lua provavelmente estão misturados com o rególito, possivelmente numa formação em camadas. A idade típica das crateras simples examinadas pelos investigadores indica que podem, potencialmente, acumular água gelada posteriormente misturada com o rególito sobreposto durante longas escalas de tempo. Os cientistas descobriram que estes depósitos inferidos de gelo enterrado estão correlacionados com as localizações de gelo superficial já detectadas. Esta descoberta pode implicar que os depósitos expostos de gelo podem ser exumados, ou podem resultar da difusão molecular da profundidade.

Astronomia On-line
9 de Agosto de 2019

 

2371: Dentro das escuras crateras polares da Lua, a água não é tão invencível como se esperava

Uma cratera lunar permanentemente à sombra.
Crédito: Centro de Voo Espacial Goddard da NASA

A região do pólo sul da Lua abriga alguns dos ambientes mais extremos do Sistema Solar: é inimaginavelmente fria, com muitas crateras e possui áreas que ou são constantemente banhadas pela luz do Sol ou estão constantemente à sombra. É exactamente por isso que a NASA pretende enviar para lá astronautas, em 2024, como parte do seu programa Artemis.

A característica mais sedutora desta região mais a sul são as crateras, algumas das quais nunca veem a luz do dia chegar ao chão. A razão para isto é o baixo ângulo da luz solar que atinge a superfície nos pólos. Para uma pessoa no pólo sul lunar, o Sol apareceria no horizonte, iluminando a superfície de lado e, assim, roçando principalmente as orlas de algumas crateras, deixando os interiores profundos à sombra.

Como resultado da escuridão permanente, a sonda LRO (Lunar Reconnaissance Orbiter) da NASA mediu as temperaturas mais baixas do Sistema Solar dentro destas crateras, que se tornaram conhecidas como ambientes perfeitos para preservar, durante muito tempo, material como água. Ou assim pensávamos.

Acontece que, apesar das temperaturas atingirem -233º C e, presumivelmente, poderem manter gelo no solo virtualmente para sempre, a água está a escapar lentamente da camada superfina (mais fina do que a largura de um glóbulo vermelho) da superfície da Lua. Os cientistas da NASA relataram esta descoberta recentemente num artigo publicado na revista Geophysical Research Letters.

“As pessoas pensam que algumas destas áreas nas crateras polares capturam água e não fazem mais nada,” disse William M. Farrell, físico de plasma do Centro de Voo Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, no estado norte-americano de Maryland, que liderou a investigação sobre esta geada lunar. “Mas há partículas de vento solar e meteoróides que atingem a superfície, e podem criar reacções que tipicamente ocorrem a temperaturas mais quentes. Isto é algo que não foi enfatizado.”

Ao contrário da Terra, que tem uma atmosfera opulenta, a Lua não tem atmosfera para proteger a sua superfície. Assim, quando o Sol pulveriza partículas carregadas conhecidas como vento solar pelo Sistema Solar, algumas bombardeiam a superfície da Lua e expelem moléculas de água que saltam para novos locais.

Da mesma forma, os meteoróides rebeldes colidem constantemente com a superfície e desenraízam o solo misturado com pedaços de água gelada. Os meteoróides podem lançar essas partículas de solo – que são muitas vezes mais pequenas do que a largura de um fio de um cabelo humano – até 30 quilómetros do local do impacto, dependendo do tamanho do meteoróide. As partículas podem viajar para tão longe porque a Lua tem uma gravidade baixa e não tem ar para atrasar as coisas: “De modo que de cada vez que temos um destes impactos, uma camada muito fina de grãos de gelo é espalhada pela superfície, exposta ao calor do Sol e ao ambiente espacial, e eventualmente são sublimados ou perdidos para outros processos ambientais,” disse Dana Hurley, cientistas planetária do Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins em Laurel, Maryland, EUA.

Os autores do estudo salientam que, embora seja importante considerar que, mesmo nas crateras à sombra, a água esteja lentamente a escapar, é possível que a água também esteja a ser adicionada. Os cometas gelados que colidem com a Lua, mais o vento solar, podem estar a reabastecer como parte de um ciclo global da água; isto é algo que os cientistas estão a tentar descobrir. Além disso, não se sabe exactamente quanta água lá está. Será que está apenas à superfície da Lua ou que se estende profundamente na crosta?

De qualquer forma, a camada superior do piso das crateras polares está a ser retrabalhado ao longo de milhares de anos, segundo cálculos por Farrell, Hurley e pela sua equipa. Portanto, as fracas regiões de geada que os cientistas detectaram nos pólos usando instrumentos como o LAMP (Lyman Alpha Mapping Project) da LRO podem ter apenas 2000 anos, em vez de milhões ou milhares de milhões de anos como alguns podiam esperar, estimou a equipa de Farrell. “Não podemos pensar nestas crateras como pontos mortos gelados,” observou.

Para confirmar os cálculos da sua equipa, disse Farrell, um futuro instrumento capaz de detectar vapor de água deverá encontrar, acima da superfície da Lua, uma a 10 moléculas de água por centímetro cúbico que foram libertadas por impactos.

As boas notícias para a exploração lunar futura

Para a exploração e para a ciência do futuro, a dispersão de partículas de água pode ser uma óptima notícia. Significa que os astronautas podem não precisar de se sujeitar, e aos seus instrumentos, ao ambiente hostil dos pisos das crateras à sombra, a fim de encontrar um solo rico em água – podem encontrá-lo em regiões próximas e ensolaradas.

“Esta investigação está a dizer-nos que os meteoróides estão a fazer parte do trabalho por nós e a transportar material dos lugares mais frios para algumas das regiões limítrofes onde os astronautas podem aceder com um veículo movido a energia solar,” disse Hurley. “Também está a dizer-nos que o que precisamos de fazer é alcançar a superfície de uma destas regiões e obter alguns dados em primeira mão sobre o que está a acontecer.”

Chegar à superfície lunar tornaria muito mais fácil a avaliação da quantidade de água na Lua. Porque a identificação da água de longe, particularmente em crateras permanentemente à sombra, é uma tarefa complexa. A principal maneira de os cientistas encontrarem água é através de instrumentos que podem identificar elementos químicos com base na luz que reflectem ou absorvem. “Mas, para isso, precisamos de uma fonte de luz,” disse Hurley. “E, por definição, estas regiões permanentemente à sombra, não têm uma forte fonte de luz.”

Entendendo o ambiente da água na Lua

Até que os astronautas da NASA voltem à Lua para escavar algum solo, ou a agência envie novos instrumentos para perto da superfície a fim de detectar moléculas flutuantes de água, a teoria da equipa de investigação sobre a influência de meteoróides no ambiente dentro de crateras permanentemente à sombra pode ajudar em alguns dos mistérios que rodeiam a água da Lua. Já ajudou os cientistas a entender se a água da superfície superior é nova ou antiga, ou como pode migrar pela Lua. Outra coisa que os impactos de meteoróides no chão das crateras podem ajudar a explicar é o porquê de os cientistas estarem a encontrar fragmentos de gelo fino diluído em rególito, ou solo lunar, em vez de blocos de água gelada pura.

Embora as questões sobre a água sejam abundantes, é importante lembrar, disse Farrell, que foi apenas na última década que os cientistas encontraram evidências de que a Lua não é uma rocha seca e morta, como muitos assumiam há muito tempo. A LRO, com as suas milhares de órbitas e 1 petabyte de dados científicos transmitidos (equivalente a cerca de 200.000 filmes de longa-metragem transmitidos online em alta definição), tem sido fundamental. O mesmo acontece com o LCROSS (Lunar Crater Observation and Sensing Satellite), que revelou água gelada depois de cair propositadamente na cratera Cabeus em 2009 e de libertar uma nuvem de material preservado no fundo da cratera, material este que incluía água.

“Nós suspeitávamos que havia água nos pólos e tivemos a certeza com o LCROSS, mas agora temos evidências de que há água a latitudes médias,” acrescentou Farrell. “Também temos evidências de que há água proveniente de impactos de meteoróides e temos medições de geada. Mas a questão é: como é que todas estas fontes de água estão relacionadas?”

Esta é uma pergunta que Farrell e colegas estão mais próximos de responder do que nunca.

Astronomia On-line
26 de Julho de 2019

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1974: A Lua está a tremer. Missões Apolo captaram sismos na superfície lunar

Marshall Space Flight Center / NASA

As missões Apolo da NASA captaram sismos resultantes da actividade tectónica na Lua. A notícia está a ser avançada pela revista científica Nature.

Os sismos foram provocados por falhas tectónicas, ou seja, por rupturas que rasgam blocos de rochas em movimento com menos de 50 milhões de anos. Essas falhas foram encontradas em 2010 pelo Lunar Reconnaissance Orbiter, uma sonda a agência espacial norte-americana em órbita na Lua.

Durante as missões Apolo 12, 14, 15 e 16, que aconteceram entre 1969 e 1977, os sismómetros registaram “tremores de lua fracos” cuja origem era desconhecida. Em termos geológicos, sabe-se que a Lua é composta por uma crosta à superfície, o manto por baixo dela e o núcleo, que é a camada mais profunda.

Na Terra, os sismos são provocados pelo deslocamento das placas tectónicas, as peças que compõem a crosta. Como a crosta da Lua não é composta por placas, julgava-se que o satélite natural era um corpo celeste essencialmente morto em termos geológicos.

Afinal, não é assim. Um novo estudo conduzido por cientistas do Instituto Smithsonian analisou 28 dos “tremores de lua” registados nos lugares de alunagem dessas quatro missões Apolo e descobriu a origem de alguns deles.

De acordo com o documento publicado esta segunda-feira na Nature, sete dos tremores começaram a uma profundidade de até 60 quilómetros, cinco dos quais tiveram hipocentro a menos de 30 quilómetros de profundidade. Todos despontaram de falhas geológicas recentes.

Instituto Smithsonian
Os sismos são provocados por contracções da superfície lunar

Por isso, os “tremores de lua” captados pelas missões Apolo eram mesmo sismos. Só que, ao contrário do que acontece no nosso planeta, esses sismos não eram provocados pelo movimento de placas tectónicas, mas sim por contracções da superfície lunar causados por influência das marés terrestres. As falhas geológicos são muito recentes e assemelham-se a penhascos.

À medida que a lua arrefece e diminui, a sua crosta torna-se frágil e rompe. As quebras na superfície produzem as falhas. Desde que começou a operar há uma década, mais de 3.500 falhas foram identificadas pela LRO. As descobertas sugerem que os terremotos lunares estão localizados muito próximos das falhas identificadas, sugerindo que os terremotos são o resultado da actividade tectónica.

“Achamos que é muito provável que os oito tremores tenham sido produzidos por falhas que se acumularam quando a crosta lunar foi comprimida pela contracção global e pelas forças de maré, indicando que os sismógrafos da Apolo registaram a lua a encher e a lua ainda é tectonicamente activa”, disse Thomas Watters em comunicado.

Nicholas Schmerr, da Universidade de Maryland, um dos autores do estudo, acrescentou: “Não se costuma ver tectónicas activas em qualquer lugar além da Terra, por isso é muito entusiasmante pensar que as falhas ainda podem estar produzindo terremotos”.

Essas descrições, conseguidas através de um algoritmo que estuda redes sísmicas escassas, provam que a Lua está “geologicamente activa”. “Os autores concluem que a proximidade dos tremores às escarpas das falhas, juntamente com os movimentos das rochas à superfície e perturbações do regolito, gerem que a Lua é tectonicamente activa na actualidade”.

Recentemente, um sismógrafo implantado em Marte, no âmbito da missão da NASA InSight, registou o que pode ser o primeiro terramoto do planeta vermelho.

ZAP //

Por ZAP
13 Maio, 2019


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1705: Sonda da NASA mostra que a água “viaja” pela superfície da Lua

Marshall Space Flight Center / NASA

Ao observar a parte visível da Lua, os planetólogos conseguiram, pela primeira vez, seguir como as moléculas de água “viajam” de uma região do satélite para outra.

Os novos dados foram obtidos pela sonda LRO da NASA e publicados, junto com as conclusões dos cientistas, na revista Geophysical Research Letters.

“Para nós foi extremamente difícil medir a quantidade de água na superfície da Lua porque a luz reflete-a de modo estranho. Além disso, no passado, os nossos colegas registaram grandes quantidades de líquido ‘migrando’ pela superfície lunar, o que não pode ser explicado por quaisquer processos físicos”, revela Michael Poston, geólogo da NASA.

Acredita-se que as condições na Lua impedem a acumulação e a preservação de grandes reservas de água. A ausência de atmosfera e a fraca gravidade tornam impossível a existência de moléculas de água na forma líquida ou gasosa, enquanto o gelo na superfície lunar se evapora gradualmente sob a acção do vento solar. No entanto, várias missões lunares conseguiram provar que o satélite da Terra possui água.

Poston e os seus colegas resolveram estas contradições ao observar como as moléculas de água presentes na camada próxima do solo “se desprendem” da superfície do satélite durante a parte mais quente do dia lunar. Algumas delas “movem-se” para as áreas mais escuras da Lua, enquanto outras desaparecem no espaço.

De acordo com Poston, os cientistas estavam interessados numa característica deste processo: em que proporção o número de moléculas de água na superfície da Lua se altera quando esta fica na “sombra” da Terra, ou seja, quando o fluxo de partículas emitidas pelo Sol é significativamente menor. Se a teoria da influência “solar” na água da Lua estiver correta, a proporção de água deve diminuir depois de cada eclipse “terrestre”.

Estas observações mostraram várias coisas que os cientistas anteriormente não previam. Primeiro, descobriu-se que a fonte desta humidade não eram cristais de gelo microscópicos nas camadas superficiais do solo ou depósitos profundos e antigos. Eram grãos de poeira que absorviam directamente as moléculas de água e as libertavam quando aqueciam.

Em segundo lugar, o seu número acabou por ser um pouco menor do que anteriormente julgavam os cientistas, o que torna possível explicar a presença de água no solo da Lua sem recorrer a explicações exóticas.

Além disso, o detector de água LAMP instalado a bordo da sonda LRO não registou quaisquer alterações na proporção das suas moléculas após a ocorrência de “eclipses”, o que lança dúvidas sobre o papel significativo do vento solar na formação de reservas de humidade lunar.

Desta maneira, a ausência de grandes diferenças sugere que a água não “escapa” da Lua em tanta quantidade como se acreditava, apontando para um possível mecanismo de acumulação no solo do nosso satélite. Os cientistas consideram que estas informações serão importantes na hora de escolher um lugar e construir futuras colónias permanentes na superfície lunar.

ZAP // Sputnik News

Por ZAP
13 Março, 2019

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NASA faz “visita guiada” à lua em ultra-alta definição

D.R. NASA

A imagem acima, que compara a resolução do vídeo de há seis anos e do actual, ilustra a diferença na resolução

Seis anos depois de nos ter levado numa visita virtual à Lua, com imagens captadas pelo Lunar Reconnaissance Orbiter (LRO), a agência espacial norte-americana volta a oferecer a mesma visita guiada, mas agora em ultra-alta definição (4K).

Crateras de impacto, planaltos e planícies e os pólos – a animação de cinco minutos mostra algumas das características mais conhecidas e estudadas da Lua, bem como pedaços mais difíceis de captar.

Uma das primeiras paragens nesta viagem é a cratera Orientale, do tamanho do Texas, e uma das estruturas de impacto melhores preservadas na superfície lunar.

É possível observar também a cratera Shackleton, no Polo Sul, que como está permanentemente na sombra (já que a inclinação do eixo da lua é mínima), regista algumas das temperaturas mais baixas já medidas no sistema solar. Vários instrumentos do LRO encontraram aqui provas de que existe água em estado sólido.

Ainda no Polo Sul, é possível ver a Aitken Bacin, a maior bacia e mais velha de impacto da Lua, com 2200 km de diâmetro – a 96 km/h seriam precisas 22 horas para a atravessar. Estes seria um dos pontos mais favoráveis para a aterragem numa nova missão à Lua, por exemplo. Aliás, os dados do LRO serão fundamentais para novas missões tripuladas à Lua.

Para saber mais sobre o vídeo, a NASA disponibilizou um guia aqui.

DN
15 DE ABRIL DE 2018 15:32
Patrícia Jesus

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