3335: Novo estudo mostra que Vénus ainda pode ter vulcões activos

CIÊNCIA/ASTRONOMIA/VÉNUS

NASA

Uma equipa de cientistas diz ter encontrado evidências de que há vulcões activos na superfície de Vénus. Se isto se confirmar, é o único planeta no Sistema Solar, para além da Terra, que ainda está vulcanicamente activo.

Embora se saiba que Vénus tenha sido vulcanicamente activo há 2,5 milhões de anos, não foram encontradas evidências concretas de que ainda existam erupções vulcânicas na superfície deste planeta.

Porém, segundo o Science Alert, uma nova investigação do Lunar and Planetary Institute (LPI) mostra que Vénus ainda pode ter vulcões activos, tornando-o o único planeta no Sistema Solar, para além da Terra, que ainda está vulcanicamente activo.

A equipa de cientistas simulou a atmosfera do planeta em laboratório para investigar como é que os fluxos de lava de Vénus mudariam ao longo do tempo. Foi assim que descobriu que a olivina, um mineral que existe em abundância no basalto, reage rapidamente com uma atmosfera como a deste planeta e ficaria revestida por magnetita e hematita (dois minerais ricos em óxido de ferro) em poucos dias.

Os investigadores compararam estes resultados com os dados obtidos ao longo dos anos pela sonda Venus Express, que detectou sinais de olivina na superfície de Vénus, e descobriram que a assinatura de infravermelho emitida por estes minerais desapareceria em poucos dias.

A partir disso, os cientistas concluíram que os fluxos de lava observados em Vénus eram muito jovens, o que, por sua vez, poderá indicar que este planeta ainda possui vulcões activos na sua superfície.

“Se Vénus for realmente activo hoje, seria um óptimo lugar para visitar e entender melhor o interior dos planetas. Poderíamos estudar como é que os planetas arrefecem e porque é que a Terra e Vénus têm vulcanismo activo, mas Marte não”, afirma Justin Filiberto, o cientista que liderou a investigação e cujo estudo foi publicado na Science Advances.

Num futuro próximo, vamos ouvir falar sobre várias missões a Vénus para aprender mais sobre a sua atmosfera e condições da sua superfície. Falamos, por exemplo, do orbitador Shukrayaan-1, da Organização Indiana de Pesquisa Espacial (ISRO), e da sonda russa Venera-D, que têm lançamento previsto para 2023 e 2026, respectivamente.

ZAP //

Por ZAP
8 Janeiro, 2020

artigos relacionados: Cientistas encontram evidências de que Vénus tem vulcões activos

spacenews

 

2905: Terramotos na Califórnia despertam falha geológica inactiva há 500 anos

CIÊNCIA

Os recentes terramotos na Califórnia, nos Estados Unidos, despertaram uma falha geológica que estava inactiva nos últimos 500 anos, adiantaram geofísicos do Instituto Tecnológico da Califórnia (Caltech) e do Laboratório de Propulsão a Jacto da NASA.

A falha de Garlock, que atravessa o deserto de Mojave, no sul da Califórnia, está a mover-se pela primeira vez, desde que há registo. Actualmente, a falha geológica está a mover-se a um ritmo muito lento, mas é capaz de produzir um terramoto de magnitude 8, segundo os especialistas.

O motivo desta mudança repentina é, segundo os cientistas, a desestabilização causada pelos terramotos de Ridgecrest, em Julho deste ano. “Acabou por ser uma das sequências de terramotos melhor documentada da história”, adiantou Zachary Ross, professor assistente de geofísica e autor principal do artigo cientifico, publicado na revista Science.

As rupturas provocadas pelos abalos de Ridgecrest terminaram a poucos quilómetros da falha de Garlock, uma falha muito importante que se estende por mais de 300 quilómetros a partir da falha de San Andreas até ao Vale da Morte.

A falha tem permanecido relativamente inactiva durante os últimos 500 anos, mas a tensão exercida pela actividade sísmica fez com que se começasse a mover lentamente e a deslizar dois centímetros desde o mês de Julho, adianta a Sputnik News.

Esta investigação também fornece provas de que os grandes terramotos podem ocorrer de uma forma muito mais complexa do que se pensava até agora. Os cientistas consideram que os maiores terramotos são causados pela ruptura de uma grande falha geológica, e que a magnitude máxima está relacionada com o comprimento da falha.

No entanto, a sequência de sismos de Ridgecrest envolveu cerca de 20 pequenas falhas anteriormente desconhecidas, que se cruzaram numa zona geometricamente complexa e geologicamente jovem. “Não podemos assumir que as falhas maiores são as que ditam a ameaça sísmica, se muitas falhas mais pequenas podem unir-se para criar grandes terramotos”, afirmou Ross.

A investigação mostra que ainda sabemos muito pouco sobre terramotos e sobre o prognóstico do risco sísmico.

ZAP //

Por ZAP
24 Outubro, 2019