3985: Descoberta nova espécie de dinossauro carnívoro em Portugal

CIÊNCIA/PALEONTOLOGIA

Um novo género e espécie de dinossauro carnívoro terópode, cujos fósseis foram escavados em arribas dos concelhos de Torres Vedras e da Lourinhã, foi agora descrito na revista internacional “Journal of Vertebrate Paleontology” por paleontólogos portugueses e espanhóis.

A descoberta do ‘Lusovenator santosi’, com 145 milhões de anos, pertencente ao Jurássico Superior de Portugal, mostra que estes animais estavam presentes no hemisfério norte, 20 milhões de anos antes do que indicava o registo conhecido, concluíram Elisabete Malafaia, Pedro Mocho (Universidade de Lisboa), Fernando Escasso e Francisco Ortega, todos investigadores ligados à Sociedade de História Natural de Torres Vedras e à Universidade Nacional de Educação à Distância de Madrid (Espanha).

O dinossauro que pertence ao grupo dos carcharodontossauros, vem reforçar a tese de que a Península Ibérica é uma “região fundamental para compreender o processo de dispersão deste grupo de animais no hemisfério norte durante o final do Jurássico, vários milhões de anos antes destes dinossauros se tornarem os maiores predadores terrestres no hemisfério sul, no final do Cretácico”, explicou Elisabete Malafaia à agência Lusa.

A nova espécie foi identificada a partir de restos recolhidos nas duas últimas décadas nas jazidas das praias de Valmitão (Lourinhã) e de Cambelas (Torres Vedras).

De início, os fósseis foram atribuídos ao dinossauro carnívoro terópode ‘Allosaurus’, mas uma análise mais detalhada do material permitiu aos paleontólogos identificar um conjunto de características exclusivas que permitiu estabelecer este novo género e espécie.

Os carcharodontossauros, de que havia registos do Cretáceo Inferior (130 milhões de anos) e no final do Cretáceo (100 milhões de anos), são um grupo de dinossauros carnívoros que inclui alguns dos maiores predadores que habitaram o planeta.

Na Península Ibérica o grupo estava representado apenas pela espécieConcavenator corcovatus’, identificada na jazida de Las Hoyas (Cuenca, Espanha) por alguns dos mesmos investigadores.

O carcharodontossauro mais antigo conhecido foi encontrado na Tanzânia, em África, sendo da mesma altura da nova espécie agora identificada em Portugal, o que, segundo os paleontólogos, “constitui a primeira evidência e a mais antiga deste grupo no hemisfério norte”. A identificação desta espécie amplia a diversidade de dinossauros terópodes conhecidos no Jurássico Superior português, um dos melhores registos deste período.

O ‘Lusovenator santosi’ foi apelidado em homenagem a José Joaquim dos Santos, um curioso da paleontologia, que, durante mais de 30 anos, descobriu fosseis de dinossauro, guardando-os em casa. Mais tarde, vendeu à Câmara de Torres Vedras a colecção, que tem vindo a ser estudada por investigadores da Sociedade de História Natural de Torres Vedras.

ZAP // Lusa

Por Lusa
11 Julho, 2020

 

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3193: Cinco antepassados de crocodilos viveram há 150 milhões de anos na Lourinhã

CIÊNCIA

Giovanni Toso / Flickr

Pelo menos cinco crocodilomorfos, antepassados dos crocodilos, viveram na região da Lourinhã há 150 milhões de anos, durante o período do Jurássico.

Num artigo publicado na Zoological Journal of the Linnean Society, os paleontólogos Alexandre Guillaume, Miguel Moreno-Azanza, Octávio Mateus e Eduardo Puértolas-Pascual revelam que aqueles animais coabitaram “em rios jurássicos da região” da Lourinhã, refere uma nota de imprensa divulgada na quinta-feira.

A existência de pelo menos cinco diferentes crocodilomorfos – grupo que inclui os crocodilos actuais e os antepassados mais próximos – vem enriquecer a biodiversidade de animais do Jurássico Superior já descobertos na Lourinhã e permite explorar as relações ecológicas entre todos, salientam os cientistas.

Os dentes pertencentes àqueles crocodilomorfos permitiu distinguir comportamentos alimentais diferentes.

Uns alimentavam-se de presas com concha e moles, outros de animais com conchas, como caracóis ou moluscos, e havia também outros que preferiam pequenos artrópodes, como insectos e crustáceos e, ocasionalmente, pequenos vertebrados, como mamíferos e anfíbios. O quinto crocodilomorfo, ainda indeterminado, era um predador carnívoro terrestre.

A investigação resultou de um trabalho de mais de 700 horas a peneirar centenas de quilogramas de sedimentos jurássicos, triando fósseis – alguns “são tão pequenos quanto um milímetro”.

Entre os milhares de fósseis encontrados, que integraram a colecção do Museu da Lourinhã, encontram-se dentes de crocodilomorfos. “O pequeno tamanho dos dentes encontrados sugere que os animais a que pertenciam a espécies pequenas ou eram jovens de espécies maiores”, apontam os paleontólogos, acrescentando que só a descoberta de outros restos esqueléticos destes animais poderia trazer mais certezas científicas.

Dos mais de 120 dentes descobertos e reunidos entre 2017 e 2018, os investigadores conseguiram distinguir dez morfologias diferentes de cinco animais diferentes: Atoposauridae, Goniopholididae, Bernissartiidae, Lusitanisuchus mitracostatus e um crocodilomorfo indeterminado.

Todas estes grupos taxonómicos já eram conhecidos da comunidade científica, sendo que o Lusitanisuchus mitracostatus foi identificado pela primeira vez na Mina da Guimarota, em Leiria.

O estudo, financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia e por uma bolsa de investigação financiada pelo Parque dos Dinossauros da Lourinhã, é parte integrante da dissertação de mestrado de Alexandre Guillaume, investigador da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa e do Museu da Lourinhã e que agora está a iniciar o doutoramento em micro-fósseis de vertebrados.

A tese foi coordenada pelos paleontólogos Miguel Moreno-Azanza e Octávio Mateus, da mesma universidade, juntando-se também para este artigo Eduardo Puértolas-Pascual, especialista em crocodilomorfos ibéricos.

ZAP // Lusa

Por Lusa
13 Dezembro, 2019

 

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2960: Couraça dos crocodilos é diferente da dos seus antepassados

CIÊNCIA

b00nj / Flickr

Um antepassado dos crocodilos encontrado na Lourinhã permitiu aos cientistas concluírem que há 150 milhões de anos a couraça daqueles répteis primitivos era diferente da actual.

O estudo dos paleontólogos Octávio Mateus e Eduardo Puértolas Pascoal foi publicado na revista Zoological Journal of the Linnean Society, e conclui que há 150 milhões de anos a couraça dos crocodilos era diferente da actual.

Os fósseis de crocodilomorfos (grupo primitivo do qual derivaram os crocodilos) “até agora descobertos estão muito pouco preservados e articulados”, explicaram à Lusa os paleontólogos do Museu da Lourinhã e da Universidade Nova de Lisboa.

Pelo contrário, o exemplar encontrado em 1999 na praia da Peralta, no concelho da Lourinhã, doado ao Museu da Lourinhã em 2014 e agora estudado, “é um caso raro em posição de vida com boa parte do dorso preservado”.

Parte do esqueleto do animal encontra-se “na conexão anatómica de um crocodilomorfo, composto por osteodermes [ossos da pele], vértebras, costelas e alguns ossos dos membros posteriores”, descreveram na nota de imprensa divulgada. O material fóssil foi sujeito a uma micro Tomografia Axial Computorizada (TAC) nos laboratórios do Centro Nacional de Investigación sobre la Evolución Humana, em Espanha.

A técnica permitiu “recriar modelos em três dimensões” do animal e concluir que “a presença de vértebras anficélicas, típicas na maioria dos crocodilomorfos primitivos, a morfologia peculiar da sua armadura dérmica (formada por duas fileiras de osteodermes dorsais que se articulam através dum espinho lateral) e a presença de osteodermes ventrais poligonais indicam que, muito provavelmente” se trata de um Goniopholididae, da mesma família dos crocodilomorfos.

Os Goniopholididae são um grupo extinto de crocodilomorfos que viveram na Europa, Ásia e América do Norte, durante os períodos Jurássico e Cretácico, mas cuja linhagem se separou dos jacarés, crocodilos e gaviais durante o Jurássico, apresentando diferenças anatómicas.

Uma dessas diferenças é a sua armadura dérmica, que é formada por osteodermes, que, actuando como um todo, lhe conferem estabilidade durante a locomoção.

Por isso, mais do que protecção e absorção do calor, há 150 milhões de anos a couraça destes répteis tinha também uma função locomotora, que se perdeu depois do Jurássico Superior até aos actuais crocodilos.

Enquanto os crocodilomorfos atingiriam cinco metros de comprimento, em vida este animal teria “menos de um metro”, o que leva os paleontólogos a equacionar que poderia ser um anão, um juvenil ou uma nova espécie, conclusões a que vão conseguir chegar ao determinarem a idade deste exemplar.

O animal foi descoberto numa das jazidas do Jurássico Superior, com 150 milhões de anos, da Lourinhã, conhecidas a nível mundial pelos fósseis de dinossauro e uma das mais ricas regiões do mundo em achados paleontológicos.

ZAP // Lusa

Por Lusa
4 Novembro, 2019

 

2002: Revelada nova espécie de dinossauro saurópode na Lourinhã

CIÊNCIA

Carlos Giachetti / Flickr

Paleontólogos portugueses e espanhóis descreveram uma nova espécie de dinossauro herbívoro saurópode, cujos fósseis foram recolhidos há mais de 20 anos numa praia da Lourinhã, num artigo científico publicado num boletim especializado.

O Oceanotitan dantasi é descrito como sendo um novo género e uma nova espécie de dinossauro saurópode no artigo “Um novo saurópode macronário do Jurássico Superior de Portugal”, publicado na quarta-feira no Journal of Vertebrate Paleontology, a que a agência Lusa teve hoje acesso.

Um dos autores, Pedro Mocho, do Instituto Don Luiz da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e da Sociedade de História Natural de Torres Vedras, disse à Lusa que, enquanto outros saurópodes já conhecidos atingem grandes dimensões, este animal chamou a atenção dos investigadores “pelo seu tamanho mediano”.

As características morfológicas encontradas neste herbívoro “colocava-o fora dos grupos do Jurássico Superior e assemelhava-o a formas do Cretáceo”, explicou. Esta espécie vem contribuir para a enorme diversidade de dinossauros saurópodes encontrados em Portugal com 150 a 145 milhões de anos, pertencentes ao período do Jurássico Superior.

Os autores do estudo escolheram o nome Oceanotitan dantasi, em alusão à costa atlântica, onde foram encontrados os fósseis, à música “oceania” da cantora islandesa Björk e ao paleontólogo português Pedro Dantas, um dos responsáveis pelo renascimento da paleontologia de vertebrados em Portugal nos anos 90 do século XX e então paleontólogo do Museu Nacional de História Natural e da Ciência, em Lisboa.

O estudo em que é descrita a nova espécie é também subscrito pelos espanhóis Rafael Royo-Torres, investigador do Museu Aragonês de Paleontologia, e Francisco Ortega, da Universidade Nacional de Educação à Distância de Madrid e da Sociedade de História Natural de Torres Vedras.

Os achados deste dinossauro agora estudado foram feitos em 1996 nas arribas da praia de Valmitão, concelho da Lourinhã, por José Joaquim dos Santos, um cidadão de Torres Vedras que, nos seus tempos livres de carpinteiro, se ocupa a encontrar fósseis de dinossauro e outros animais nas arribas.

Durante mais de 20 anos, José Joaquim dos Santos recolheu alguns milhares de fósseis pertencentes a dinossauros, tartarugas, crocodilos, peixes e até tubarões, cuja colecção foi vendida em 2009 à Câmara de Torres Vedras, para vir a expo-los num futuro museu. A colecção tem vindo a ser estudada desde essa altura por investigadores associados da Sociedade de História Natural de Torres Vedras.

ZAP // Lusa

Por Lusa
18 Maio, 2019



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