260: Os americanos estiveram mesmo na Lua (e quem o confirma são os chineses)

David Scott / NASA

A corrida espacial continua, mas desta vez com cientistas chineses a provarem que os americanos pisaram mesmo a Lua. A China utilizou um sistema de laser para medir a distância entre a Terra e a Lua (LLR), fazendo uso do retro-reflector colocado pelo astronauta americano David Scott.

Há muito tempo que os defensores da teoria da “conspiração lunar“, segundo a qual os norte-americanos nunca pisaram a Lua, acusam a NASA de ter falsificado as filmagens das alunagens de Glenn Armstrong, alegam que tudo não passou de uma fraude, e sustentam que a NASA não tinha ainda na altura tecnologia para levar o Homem até ao nosso satélite.

Embora a generalidade dos entendidos opte por nem dar atenção à teoria conspiratória, diversos argumentos são normalmente apresentados como prova de que o Homem deu sim um passo de gigante na Lua – nomeadamente o facto de nada menos que 12 astronautas o terem feito, e trazido (ou deixado) souvenirs para mais tarde recordar.

Entre essas provas, conta-se a experiência LLR, ou Lunar Laser Ranging, uma técnica baseada na emissão de um raio laser em direcção a um dos espelhos deixados na superfície da Lua pelas missões Apollo, com o intuito de medir o tempo que a radiação demora a ser reflectida – e a partir daí calcular com precisão a distância da Terra à Lua.

A técnica Lunar Laser Ranging foi protagonista de um dos episódios de Big Bang Theory, durante o qual Leonard e Sheldon tentam explicar a Zack, um personagem “menos brilhante”, como funciona a experiência. Sem grande sucesso, diga-se.

Apesar da aparente simplicidade com que quatro geeks montam num telhado o equipamento necessário e realizam a experiência, até agora apenas equipas de cientistas dos Estados Unidos, França e Itália a tinham efectivamente realizado com êxito.

Esta segunda-feira, a China entrou na corrida ao LLR.

Segundo revela o jornal chinês gbtimes, uma equipa de investigadores chineses usou um sofisticado sistema de lasers, com um telescópio de 1.2 metros, para atingir um dos quatro Lunar Laser Ranging Retro-reflector (LLRR) – neste caso, o maior deles, instalado pelo astronauta David Scott a 31 de Julho de 1971, durante a missão Apollo 15.

Através dos impulsos laser reflectidos pelo espelho, localizado na região lunar de Hadley–Apennine, a equipa de astrónomos dos Observatórios de Yunnan conseguiu medir a distância entre o dispositivo na Lua e a estação terrestre em que se encontravam – provando assim uma vez mais que um dia o Homem pisou a Lua.

A experiência LLR mede a distância entre a Terra e a Lua calculando o tempo que demora um pulso de laser a viajar da estação terrestre até ao retro-reflector situado na Lua e a voltar para a Terra. Segundo concluíram os cientistas chineses, a distância é de 385.823,433 a 387.119,600 quilómetros.

David Scott / NASA
O Lunar Laser Ranging Retro-reflector de David Scott 105×65 cm

Além do LLRR de David Scott, há mais três retro-reflectores na Lua. Dois deles foram deixados nos locais de alunagem das missões Apollo 11 e 14, e o terceiro está instalado no Lunokhod 2, o segundo dos rovers não tripulados que a Rússia lançou para a Lua.

“Num futuro próximo, a China irá colocar o seu próprio retro-reflector na Lua, impulsionando assim mais um passo da tecnologia LLR na China”, afirmou Li Yuqiang, investigador dos Observatórios de Yunnan.

A experiência LLR chinesa foi realizada no contexto dos preparativos de lançamento da sonda lunar Chang’e-4, previsto para 2018. Além da sonda que vai permitir estudar a metade da Lua que ainda não foi explorada, vai ser lançado um satélite que permite facilitar a comunicação com os investigadores em Terra.

ZAP //

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