4056: Lagartos com mais do que uma cauda são mais comuns do que se pensava

CIÊNCIA/BIOLOGIA

(dr) Koleska and Jablonski, Ecologica Montenegrina, 2015

São vários os testemunhos, um pouco por todo o mundo, de pessoas que já viram lagartos com várias caudas, sendo que alguns já aconteceram até há várias centenas de anos. Porém, são casos tão isolados e dispersos que se torna difícil perceber quão habitual é esta característica.

Agora, pela primeira vez, escreve o site Live Science, uma equipa de cientistas compilou todos estes registos, com casos em que os animais tinham duas, três ou mais caudas. Para isso, os investigadores vasculharam centenas de testemunhos referentes a mais de 175 espécies, abrangendo mais de 400 anos.

Tal como explica o estudo publicado, em Junho, na revista científica Biological Reviews, muitas espécies de lagartos podem perder parte ou toda a sua cauda quando um predador ataca. Neste processo, chamado autotomia, a parte separada distrai o predador e pode fazer com que o lagarto consiga escapar.

É então que recomeça o processo de renovação da cauda. De acordo com os cientistas, por vezes, o lagarto adquire mais do que uma nova cauda, podendo ser ambas de comprimento igual, aquilo a que se chama “caudas gémeas”.

Mas também há outros resultados mais bizarros, com várias “ramificações” da cauda pequena a emergir do local original. Em 2015, por exemplo, um estudo publicado na revista científica Ecologica Montenegrina, descreveu o caso em que um lagarto Algyroides nigropunctatus, no Kosovo, cresceu com três novas caudas depois de perder a original.

Outro caso extremo aconteceu no mesmo ano, na Argentina, com um lagarto Salvator merianae, que ficou com seis caudas depois de a original ter sofrido uma lesão. O caso foi partilhado na revista científica Cuadernos de Herpetología.

De acordo com o Live Science, quando os autores do novo estudo avaliaram todas estas descrições e avistamentos – 425 no total, referentes a 63 países –, descobriram que este fenómeno não é assim tão raro. Com base no número de casos, os cientistas estimam que até 3% dos lagartos de todo o mundo têm, provavelmente, caudas extra.

“Este é um número surpreendentemente alto, e realmente começa a fazer-nos pensar sobre os impactos ecológicos que isto pode ter, especialmente tendo em conta que, para o lagarto, uma cauda extra representa um aumento considerável na sua massa corporal”, disse o autor principal do estudo, James Barr, da Universidade Curtin, na Austrália.

ZAP //

Por ZAP
27 Julho, 2020

 

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2536: Cientistas criam o primeiro lagarto mutante geneticamente modificado

CIÊNCIA

(CC0/PD) torstensimon / Pixabay

Uma equipa de cientistas da Universidade da Geórgia, nos Estados Unidos, conseguiu criar o primeiro lagarto geneticamente modificado recorrendo à técnica de edição genética CRISPR.

No novo estudo, cujos resultados foram esta semana publicados na revista científica especializada Cell Reports, a equipa explica que a técnica de CRISPR consiste numa série de “tesouras moleculares” capazes de inserir, remover, modificar ou substituir partes de ADN do genoma de um organismos vivo.

Outros cientistas tinham já utilizado este método para modificar o ADN de mamíferos, peixes, pássaros e anfíbios, mas esta foi a primeira vez que a técnica CRISPR foi aplicada em répteis. Os especialistas enfrentavam dificuldades com a edição genética neste tipo de animais devido à forma como estes se reproduzem. Ao contrário dos outros animais, os répteis fertilizam os seus óvulos em momentos imprevisíveis.

Para a nova investigação, escreve o jornal britânico Daily Star, a equipa inserir algumas modificações ao método, permitindo assim que esta limitação fosse superada.

Os cientistas injectaram reagentes CRISPR em óvulos não fertilizados em ovários de lagartos. Quando os ovos eclodiram, aproximadamente metade dos lagartos mutantes herdaram genes da mãe e do pai com o ADN modificado.

Os cientistas escolheram levar a cabo a edição genética num o animal albino, uma vez que esta é uma mutação não prejudicial ao espécime.

Além disso, e tendo em conta que os humanos com albinismo têm, por norma, problemas de visão, os cientistas esperam ainda utilizar os lagartos modificados para estudar como é que a perda deste gene afecta o desenvolvimento da retina.

Após esta edição genética bem sucedida, os  geneticistas planeiam agora usar esta mesma técnica noutros animais e esperam poder ajudar a curar doenças e prolongar a esperança de vida humana.

ZAP //

Por ZAP
29 Agosto, 2019