5043: Astrónomos estimam que o maior mar de Titã tem 300 metros de profundidade

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Impressão de artista de Kraken Mare, o maior mar de metano líquido da lua de Saturno, Titã.
Crédito: NASA/Centro de Pesquisa John Glenn

Bem abaixo do véu atmosférico gasoso da maior lua de Saturno, Titã, está Kraken Mare, um mar de metano líquido. Astrónomos de Cornell estimaram que o mar tem pelo menos 300 metros de profundidade perto do seu centro – espaço suficiente para um potencial submarino robótico explorar.

Depois de examinar os dados de um dos voos finais da missão Cassini por Titã, os investigadores publicaram os seus achados num artigo da edição de 4 de Dezembro de 2020 da revista Journal of Geophysical Research.

“A profundidade e a composição de cada um dos mares de Titã já foram medidas, excepto as do maior mar de Titã, Kraken Mare – que não só tem um grande nome, como também contém cerca de 80% do líquido à superfície da lua,” disse o autor principal Valeiro Poggiali, investigador associado do CCAPS (Cornell Center for Astrophysics and Planetary Science).

A cerca de 1,6 mil milhões de quilómetros da Terra, a frígida lua Titã está envolta numa névoa dourada de azoto gasoso. Mas, espiando por entre as nuvens, a paisagem lunar tem uma aparência semelhante à da Terra, com rios, lagos e mares de metano líquido.

De facto, os dados desta descoberta foram recolhidos pelo “flyby” T104 da Cassini por Titã no dia 21 de Agosto de 2014. O radar da espaço-nave analisou Ligeia Mare – um mar mais pequeno na região polar norte da lua – à procura do misterioso desaparecimento e reaparecimento da “Ilha Mágica”, uma descoberta anterior de Cornell.

Enquanto a Cassini viajava a 21.000 km/h quase a 1000 acima da superfície de Titã, a sonda usava o seu altímetro de radar para medir a profundidade do líquido em Kraken Mare e em Moray Sinus, um estuário localizado na extremidade norte do mar. Os cientistas de Cornell, juntamente com engenheiros do JPL da NASA, descobriram como discernir a batimetria (profundidade) do lago e do mar observando as diferenças de tempo de retorno do radar na superfície do líquido e no fundo do mar, bem como a composição do mar, reconhecendo a quantidade de energia de radar absorvida durante o trânsito pelo líquido.

Ora parece que Moray Sinus tem cerca de 85 metros de profundidade, mais raso do que as profundidades do centro de Kraken Mare, que era demasiado profundo para o radar medir. Surpreendentemente, a composição do líquido, principalmente uma mistura de etano e metano, era dominada pelo metano e semelhante à composição do vizinho Ligeia Mare, o segundo maior mar de Titã.

Cientistas anteriores especularam que Kraken pode ser mais rico em etano, tanto por causa do seu tamanho quanto por causa da sua extensão para as latitudes mais baixas da lua. A observação de que a composição do líquido não é muito diferente da dos outros mares do norte é uma descoberta importante que ajudará na avaliação de modelos do sistema hidrológico de Titã, semelhante ao da Terra.

Além de profundo, Kraken Mare é também imenso – quase do tamanho de todos os cinco Grandes Lagos da América do Norte juntos.

Titã representa um ambiente modelo de uma possível atmosfera da Terra primitiva, disse Poggiali.

“Neste contexto,” disse, “é importante entender a profundidade e a composição de Kraken Mare e Moray Sinus porque permite uma avaliação mais precisa da hidrologia do metano de Titã. Ainda assim, temos que resolver muitos mistérios.”

Um desses puzzles é a origem do metano líquido. A luz solar que Titã recebe – cerca de 100 vezes menos intensa do que na Terra – converte constantemente o metano da atmosfera em etano; em períodos de aproximadamente 10 milhões de anos, este processo esgotaria completamente o “stock” da superfície de Titã, salientou Poggiali.

No futuro distante, um submarino – provavelmente sem motor mecânico – visitará e navegará por Kraken Mare.

“Graças às nossas medições,” disse, “os cientistas podem agora inferir a densidade do líquido com maior precisão e, consequentemente, calibrar com mais eficácia o sonar a bordo do submarino e compreender os fluxos direccionais do mar.”

Astronomia On-line
2 de Fevereiro de 2021


5017: O maior mar de Titã terá mais de 300 metros de profundidade. É convidativo o suficiente para um submarino

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

NASA / JPL / Space Science Institute

O maior mar de Titã, a maior e uma das mais promissoras luas de Saturno para a procura de vida alienígena, tem pelo menos 300 metros de profundidade perto do seu centro, segundo estimativas de astrónomos da Universidade de Cornell.

Em causa está Kraken Mare, que, além das suas generosas dimensões que o tornam o maior mar deste satélite natural, parece ser também bastante profundo – o suficiente para um potencial submarino robótico o conseguir explorar.

Trata-se de um enorme mar de metano líquido, característica que o torna mais apetecível na procura de vida extraterrestre, numa “corrida” onde Titã e Encélado, outras das luas de Saturno, são considerados mundos bastante promissores.

“A profundidade e a composição de cada um dos mares de Titã já foram medidas, à excepção do maior mar de Titã, Kraken Mare – que não só tem um óptimo nome, como também contém 80% dos líquidos da superfície da lua”, disse Valerio Poggiali, co-autor do novo estudo, cujos resultados foram publicados no Journal of Geophysical Research.

Os cientistas estimaram que Kraken Mare tem 300 metros de profundidade, enquanto Moray Sinus, outros dos mares de Titã, tem cerca de 85 metros de profundidade.

Em comunicado, a equipa precisa que as estimativas têm por base dados recolhidos a 21 de Agosto de 2014 pela já “aposentada” sonda Cassini, da agência espacial norte-americana (NASA), durante o sobrevoo final sobre Titã.

As medições foram levadas a cabo a uma altitude de quase mil quilómetros acima da superfície de Titã, quando a sonda Cassini orbitava o satélite natural a 21 mil quilómetros por hora, e basearam-se na quantidade de energia de radar absorvida durante o retorno do seu sinal através de um líquido.

Além da profundidade, os cientistas também puderam confirmar que Kraken Mare é realmente imenso: atinge as dimensões dos cinco Great Lakes combinados.

De acordo com Poggiali, Titã, o único satélite como atmosfera densa, representa um ambiente modelo de uma possível atmosfera da Terra primitiva.

Neste contexto, sustentou o cientista da Universidade de Cornell, “entender a profundidade a composição de Kraken Mare e Moray Sinus é importante, uma vez que permite uma avaliação mais precisa da hidrologia de metano em Titã“.

“Ainda assim”, continuou, “há ainda muitos mistérios para resolver”, um dos quais passa por perceber a origem do metano líquido de Kraken Mare.

Ainda segundo o especialista, num futuro ainda distante, um submarino, provavelmente sem motor mecânico, navegará por Kraken Mare. “Graças às nossas medições, os cientistas podem inferir a densidade do líquido com maior precisão e, consequentemente, calibrar melhor o sonar a bordo do navio e compreender os fluxos direccionais do mar”.

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Por Sara Silva Alves
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