2618: Vapor de água detectado na atmosfera de uma super-Terra potencialmente habitável

CIÊNCIA

Pela primeira vez, vapor de água foi encontrado na atmosfera de um exoplaneta rochoso. O planeta K2-18b poderá ter as características necessárias para ser habitado por humanos.

A 110 mil anos luz da Terra, está o planeta K2-18b, descoberto em 2015. Com as características de uma super-Terra, o exoplaneta chamou a atenção dos cientistas, abrindo a hipótese da presença de água e de condições que permitam a sua habitabilidade.

Agora, pela primeira vez, astrónomos encontraram vapor de água na atmosfera de um exoplaneta na zona habitável da sua estrela. Segundo o Science Alert, até metade da atmosfera do K2-18b pode ser constituída por vapor de água. Os resultados da descoberta foram publicados esta quarta-feira na revista Nature Astronomy.

“Encontrar água num mundo potencialmente habitável que não seja a Terra é incrivelmente emocionante”, disse o astrónomo Angelos Tsiaras. O autor do estudo explica que o exoplaneta não é a “Terra 2.0”, mas deixa-nos mais próximos da resposta a uma pergunta fundamental: “será a Terra única?”.

Os investigadores descobriram o vapor de água ao observar dados recolhidos pelo telescópio espacial Hubble, entre 2016 e 2017. A CNN explica que, com recurso a algoritmos, os astrónomos conseguiram detectar a presença do vapor de água e de sinais de hidrogénio e hélio.

O K2-18b está muito mais perto da sua estrela do que a Terra está do Sol. No entanto, como se trata de uma estrela anã-vermelha, significa que é muito menos quente do que o nosso Sol. Calcula-se que o K2-18b tenha uma temperatura estimada entre -73,15 e 46,85 graus Celsius.

“Com tantas novas super-Terras previstas para as próximas décadas, é provável que essa seja a primeira descoberta de muitos planetas potencialmente habitáveis“, disse Ingo Waldmann, co-autor do estudo. “Isto não é apenas porque super-Terras como o K2-18b são os planetas mais comuns na nossa galáxia, mas também porque anãs-vermelhas são as estrelas mais comuns”.

Em declarações ao Observador, Nuno Santos, investigador no Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço, considera esta uma descoberta entusiasmante. “O grande salto aqui é que se trata de um planeta mais pequeno, que está à distância certa da sua estrela para se poder dizer que está na zona habitável“.

Aliás, a descoberta é de tal maneira entusiasmante, que Angelos Tsiaras diz mesmo que, neste momento, o K2-18b “é o melhor candidato à habitabilidade que conhecemos”. A sua densidade é semelhante à de Marte, levando os cientistas a crer que possui um núcleo rochoso, semelhante ao nosso planeta.

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Por ZAP
11 Setembro, 2019