3401: Estudo mostra que o planeta mais quente dilacera moléculas na sua atmosfera

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Impressão de artista de um “Júpiter quente” chamado KELT-9b, o exoplaneta mais quente conhecido – tão quente que, segundo um novo artigo científico, até as moléculas na sua atmosfera são dilaceradas.
Crédito: NASA/JPL-Caltech

Os gigantes gasosos chamados “Júpiteres quentes” – planetas que orbitam muito perto das suas estrelas para sustentar vida – são dos mundos mais estranhos encontrados para lá do nosso Sistema Solar. Novas observações mostram que o mais quente de todos é ainda mais estranho, propenso a fusões globais tão severas que separam as moléculas que compõem a sua atmosfera.

Chamado KELT-9b, o planeta é um Júpiter ultra-quente, um de várias categorias de exoplanetas – planetas em torno de outras estrelas – encontrados na nossa Galáxia. Tem quase três vezes a massa de Júpiter e orbita uma estrela a cerca de 670 anos-luz de distância. Com uma temperatura à superfície de 4300º Celsius – mais quente que algumas estrelas – este planeta é o mais quente encontrado até ao momento.

Agora, uma equipa de astrónomos usando o telescópio espacial Spitzer da NASA encontrou evidências de que o calor até é demasiado alto para que as moléculas permaneçam intactas. As moléculas de hidrogénio gasoso provavelmente são destruídas no lado diurno de KELT-9b, incapazes de se reconstituírem até que os seus átomos desarticulados fluam para o lado nocturno do planeta.

Embora ainda extremamente quente, o leve arrefecimento no lado nocturno é suficiente para permitir que as moléculas de hidrogénio gasoso se reformem – ou seja, até que voltem para a face virada para a estrela, onde são quebradas novamente.

“Este tipo de planeta é tão extremo em temperatura, que está um pouco separado de muitos outros exoplanetas,” disse Megan Mansfieldd, estudante da Universidade de Chicago e autora principal de um novo artigo que revela esta descoberta. “Existem alguns outros Júpiteres quentes e ultra-quentes que não são tão quentes, mas ainda quentes o suficiente para que este efeito ocorra.”

Os achados, publicados na revista The Astrophysical Journal Letters, mostram a sofisticação crescente da tecnologia e das análises necessárias para estudar estes mundos muito distantes. A ciência está apenas a começar a espiar a atmosfera dos exoplanetas, estudando as desintegrações moleculares dos mais quentes e brilhantes.

KELT-9b permanecerá firmemente categorizado entre os mundos inabitáveis. Os astrónomos tomaram conhecimento do seu ambiente extremamente hostil em 2017, quando foi detectado pela primeira vez usando o sistema KELT (Kilodegree Extremely Little Telescope) – um esforço combinado que envolve observações de dois telescópios robóticos, um no sul do estado norte-americano do Arizona e outro na África do Sul.

No artigo publicado na The Astrophysical Journal Letters, a equipa científica usou o telescópio espacial Spitzer para analisar os perfis de temperatura deste gigante infernal. O Spitzer, que faz observações no infravermelho, pode medir variações subtis no calor. Repetidas durante muitas horas, estas observações permitem que o Spitzer capture mudanças na atmosfera, à medida que o planeta apresenta fases enquanto orbita a estrela. Surgem diferentes metades do planeta à medida que este orbita a sua estrela.

Isto permitiu à equipa vislumbrar a diferença entre o lado diurno e nocturno de KELT-9b. Neste caso, o planeta orbita tão perto a sua estrela que um “ano” – o tempo que demora a completar uma volta em torno da estrela – é de apenas dia e meio. Isto significa que sofre bloqueio de marés, apresentando sempre a mesma face à estrela (tal como a nossa Lua mostra sempre a mesma face à Terra). No lado oposto de KELT-9b, a noite dura para sempre.

Mas os gases e o calor fluem de um lado para o outro. Uma grande questão para os investigadores que tentam entender as atmosferas exoplanetárias é como é que a radiação e o fluxo se equilibram.

Os modelos de computador são as principais ferramentas nessas investigações, mostrando como é provável que estas atmosferas se comportem a diferentes temperaturas. O melhor ajuste para os dados de KELT-9b foi um modelo que incluía moléculas de hidrogénio sendo separadas e reconstruidas, um processo conhecido como dissociação e recombinação.

“Se não tivermos em conta a dissociação do hidrogénio, obtemos ventos muito rápidos de 60 km/s,” disse Mansfield. “É pouco provável.”

KELT-9b não apresenta grandes diferenças de temperatura entre o lado diurno e nocturno, sugerindo fluxo de calor de um para o outro. E a “mancha quente” no lado diurno, que deverá estar directamente sobre a estrela deste planeta, foi desviada da posição esperada. Os cientistas não sabem porquê – mais um mistério a ser resolvido neste planeta estranho e quente.

Astronomia On-line
28 de Janeiro de 2020

spacenews

 

WASP-12b está numa “espiral da morte”

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Impressão de artista do escaldante gigante gasoso WASP-12b e da sua estrela. Uma equipa de astrofísicos mostrou que este exoplaneta está a espiralar em direcção à sua estrela, rumo à sua completa destruição daqui a aproximadamente 3 milhões de anos.
Crédito: NASA/JPL-Caltech

A Terra está condenada – mas só daqui a 5 mil milhões de anos. O nosso planeta será torriscado à medida que o Sol se expande e se torna numa gigante vermelha, mas o exoplaneta WASP-12b, localizado a 600 anos-luz de distância na direcção da constelação de Cocheiro, tem menos de um milésimo desse tempo: uns comparativamente insignificantes 3 milhões de anos.

Uma equipa de astrofísicos mostrou que WASP-12b está a espiralar em direcção à sua estrela hospedeira, rumo à sua destruição. O artigo científico foi publicado na edição de 27 de Dezembro de 2019 da revista The Astrophysical Journal Letters.

WASP-12b é conhecido por ser um “Júpiter quente”, um gigante gasoso como o nosso vizinho Júpiter, mas que está muito próximo da sua estrela-mãe, completando uma órbita em apenas 26 horas (em contraste, a Terra demora 365 dias; até Mercúrio, o planeta mais interior do Sistema Solar, demora 88 dias).

“Desde a descoberta do primeiro ‘Júpiter quente’ em 1995 – uma descoberta reconhecida o ano passado com o Prémio Nobel da Física – que nos perguntamos quanto tempo podem estes planetas sobreviver,” disse Joshua Winn, professor de ciências astrofísicas em Princeton e um dos autores do artigo científico. “Tínhamos a certeza de que não podiam durar para sempre. As fortes interacções gravitacionais entre o planeta e a estrela devem fazer o planeta espiralar para dentro e ser destruído, mas ninguém podia prever quanto tempo isso levaria. Pode levar milhões de anos, milhares de milhões, ou até biliões. Agora que medimos o ritmo, pelo menos para um sistema – são milhões de anos -, temos uma nova pista sobre o comportamento das estrelas como corpos fluídos.”

O problema é que à medida que WASP-12b orbita a sua estrela, os dois corpos exercem força gravitacional um sobre o outro, levantando “marés” como as marés do oceano levantadas pela Lua na Terra.

Dentro da estrela, estas ondas fazem com que se torne ligeiramente distorcida e oscile. Devido à fricção, estas ondas colidem e as oscilações diminuem, um processo que gradualmente converte a energia orbital do planeta em calor dentro da estrela.

A fricção associada às marés também exerce um torque gravitacional no planeta, fazendo com que o planeta espirale para dentro. A medição da rapidez com que a órbita do planeta está a encolher revela a rapidez com que a estrela está a dissipar a energia orbital, o que fornece aos astrofísicos pistas sobre o interior das estrelas.

“Se pudermos encontrar mais planetas como WASP-12b cujas órbitas estão decaindo, seremos capazes de aprender mais sobre a evolução e sobre o destino final dos sistemas exoplanetários,” disse o autor principal Samuel Yee, estudante de ciências astrofísicas. “Embora este fenómeno tenha sido previsto no passado para planetas gigantes íntimos como WASP-12b, esta é a primeira vez que capturamos este processo em acção.”

Uma das primeiras pessoas a fazer essa previsão foi Frederic Radio, professor de física e astronomia na Universidade Northwestern, que não esteve envolvido no estudo de Yee e Winn. “Todos nós esperámos quase 25 anos para que este efeito fosse detectado observacionalmente,” disse Rasio. “As implicações a curto prazo deste decaimento orbital medido também são muito importantes. Em particular, significa que deverão haver muitos mais Júpiteres quentes já destruídos. Quanto atingem o limite de Roche – o limite de perturbação das marés de um objecto numa órbita circular – os seus invólucros podem ser despojados, revelando um núcleo rochoso parecido com uma super-Terra (ou talvez um mini-Neptuno, caso possam reter um pouco da sua camada de gás).”

Rasio também é editor da The Astrophysical Journal Letters, a revista que publicou o novo artigo científico. Os investigadores haviam originalmente submetido o seu trabalho a outra revista científica menos prestigiada, também publicada pela Sociedade Astronómica Americana, mas Rasio redirecionou o artigo devido à “especialmente grande importância” da investigação. “Parte do meu trabalho é garantir que todas as principais novas descobertas apresentadas nos manuscritos submetidos aos periódicos da Sociedade Astronómica Americana sejam consideradas para publicação na The Astrophysical Journal Letters,” explicou. “Neste caso, a decisão foi fácil.”

WASP-12b foi descoberto em 2008 pelo método de trânsito, no qual os astrónomos observam uma pequena queda no brilho de uma estrela quando um planeta passa à sua frente, de cada vez que completa uma órbita. Desde a sua descoberta, o intervalo entre quedas sucessivas diminuiu 29 milissegundos por ano – uma característica observada pela primeira vez em 2017 pelo co-autor Kishore Patra, na altura estudante do MIT (Massachusetts Institute of Technology).

Essa ligeira diminuição pode sugerir que a órbita do planeta está a encolher, mas existem outras explicações possíveis: se a órbita de WASP-12b for mais oval do que circular, por exemplo, as mudanças aparentes no período orbital podem ser provocadas pela mudança de orientação da órbita.

A maneira de ter a certeza de que a órbita está realmente a diminuir é observar o planeta a desaparecer por trás da sua estrela, um evento conhecido como ocultação. Se a órbita está apenas a mudar de direcção, o período orbital real não muda, de modo que se os trânsitos ocorrem mais depressa do que o esperado, as ocultações deverão ocorrer mais lentamente. Mas se a órbita estiver realmente a decair, o tempo dos trânsitos e das ocultações deve mudar na mesma direcção.

Nos últimos dois anos, os investigadores recolheram mais dados, incluindo novas observações de ocultações feitas com o Telescópio Espacial Spitzer.

“Estes novos dados apoiam fortemente o cenário de decaimento orbital, o que nos permite dizer com firmeza que o planeta está realmente a espiralar em direcção à sua estrela,” disse Yee. “Isto confirma as previsões teóricas de longa data e dados indirectos, sugerindo que os Júpiteres quentes devem ser destruídos por este processo.”

Esta descoberta vai ajudar os teóricos a entender o funcionamento interno das estrelas e a interpretar outros dados relacionados com as interacções das marés,” disse Winn. “Também nos diz mais sobre a vida dos Júpiteres quentes, uma pista que pode ajudar a lançar luz sobre a formação destes planetas estranhos e inesperados.”

Astronomia On-line
14 de Janeiro de 2020

spacenews

 

3339: O exoplaneta “Frankenstein” está numa espiral da morte

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

(dr) NASA / ESA / G. Bacon (STScI)
Impressão artística do exoplaneta WASP-12b

O exoplaneta WASP-12b, a 600 anos-luz de distância, está numa espiral em direcção à sua estrela hospedeira, ou seja, em direcção a uma destruição segura em apenas três milhões de anos.

O WASP-12b é conhecido como “Júpiter quente”, um planeta gasoso gigante como o nosso vizinho Júpiter, mas muito próximo da sua própria estrela, orbitando o Sol em apenas 26 horas.

“Desde a descoberta do primeiro ‘Júpiter quente’ em 1995, uma descoberta que foi reconhecida este ano com o Prémio Nobel da Física, questionamos quanto tempo estes planetas podem sobreviver”, disse Joshua Winn, um dos autores do artigo científico recentemente publicado na Astrophysical Journal Letters, citado pelo Europa Press.

“Tínhamos a certeza de que não poderiam durar para sempre. As fortes interacções gravitacionais entre o planeta e a estrela devem fazer o planeta girar para dentro e ser destruído, mas ninguém consegue prever quanto tempo demorará a acontecer. Agora que medimos a taxa para pelo menos um sistema, sabemos que se tratam de milhões de anos, e temos assim uma nova pista sobre o comportamento das estrelas como corpos fluidos.”

Mas há um problema: à medida que o “Frankenstein” orbita a sua estrela, os dois corpos exercem força gravitacional um sobre o outro, elevando “marés” – tal como as marés do oceano.

Dentro da estrela, essas ondas causam distorções e oscilações. Devido ao atrito, as ondas quebram e as oscilações diminuem, um processo que gradualmente converte a energia orbital do planeta em calor dentro da estrela.

Por sua vez, o atrito associado às marés também exerce um par gravitacional no planeta, fazendo o planeta entrar numa espiral para dentro. Medir a rapidez com que a órbita do planeta está a encolher revela a rapidez com que a estrela dissipa a energia orbital, o que fornece pistas astrofísicas sobre o interior das estrelas.

Samuel Yee, primeiro autor do artigo científico, explicou que se os cientistas encontrarem mais planetas como este – cujas órbitas se estão a deteriorar – “podemos aprender sobre a evolução e o destino final dos sistemas exoplanetários”.

“Apesar de este fenómeno ter sido previsto para planetas gigantes próximos, esta é a primeira vez que vemos este processo em acção”.

ZAP //

Por ZAP
9 Janeiro, 2020

spacenews

 

2761: Descoberto planeta condenado que tem recorde de menor órbita em torno da estrela

CIÊNCIA

O planeta Mercúrio leva apenas 88 dias terrestres para orbitar o Sol. No entanto, o nosso planeta Terra necessita de um período orbital de 365 dias para o fazer. Estes dias são apenas alguns fragmentos de tempo se compararmos com Neptuno. Este gigante precisa de 164,8 anos da Terra para orbitar o Sol. Contudo, os astrónomos descobriram agora o exoplaneta NGTS-10b.

Este “planeta condenado” estabeleceu um novo recorde para a órbita mais curta. Assim, percorre a sua estrela em apenas 18,4 horas terrestres. Basicamente é como apanhar um voo de Nova York até Sidney na Austrália.

“Júpiter Quente” tem órbita impressionante de 18 horas

Temos um novo recorde. Provavelmente, este exoplaneta estará a 1060 anos-luz de distância da Terra. É um gigante gasoso e chama-se NGTS-10b. Na verdade, este fustiga a sua estrela numa rota muito justa, está tão perto que completa uma órbita inteira em apenas 18,4 horas.

Segundo os astrónomos, esta proximidade está no limite do que um planeta consegue orbitar à estrela hospedeira sem ser rasgado por forças gravitacionais. Contudo, o seu destino está traçado, dada a contínua aproximação.

Os astrónomos estimaram que o exoplaneta está numa espiral em direcção à estrela. Assim, este cruzará esse ponto de parte ondulante – chamado de limite Roche – em apenas 38 milhões de anos. Está completamente condenado.

O que é o limite Roche?

Em astronomia, denomina-se limite de Roche a distância mínima que pode suportar um objecto, que mantém a sua estrutura unicamente por sua própria gravidade numa órbita a um corpo massivo (de maior densidade), sem começar a desintegrar-se devido às forças de maré exercidas pela força gravitacional do objecto principal. Dentro do limite de Roche, a força de gravidade que o corpo principal exerce sobre o extremo do satélite mais próximo e mais afastado excedem à força de gravidade do satélite.

Devido a esse princípio, o corpo secundário poderá ser destruído pelas forças de maré. O nome de limite de Roche provém do astrónomo francês Édouard Roche, que primeiro propôs este efeito e calculou este limite teórico em 1848.

A descoberta faz deste sistema solar um laboratório incrível. Permite assim estudar as interacções de marés entre uma estrela e um exoplaneta gigante perigosamente próximo.

O planeta que não deveria existir

“Júpiteres quentes” são exoplanetas fascinantes. Como o nome sugere, eles são gigantes gasosos como Júpiter. No entanto, ao contrário de Júpiter, orbitam muito perto das suas estrelas hospedeiras, com períodos orbitais de menos de 10 dias. Isto é o que os torna “quentes”.

De acordo com os modelos actuais de formação de planetas, tecnicamente os Júpiteres quentes não deveriam existir. Um gigante gasoso não se deveria formar tão perto da sua estrela, porque a gravidade, radiação e ventos estelares intensos deveriam impedir que o gás se aglomere.

Contudo… eles existem! Dos mais de 4000 exoplanetas confirmados descobertos até hoje, cerca de 337 podem ser Júpiteres quentes. Assim, pensa-se que estes se formam mais longe nos seus sistemas planetários. Posteriormente, migram para dentro em direcção à estrela.

Podemos não saber muito sobre os seus misteriosos nascimentos, mas os Júpiteres quentes que estão particularmente próximos das suas estrelas podem dizer-nos muito sobre as interacções entre as marés do planeta estelar. Assim, eles estão entre os exoplanetas mais estudados da galáxia.

Exoplaneta NGTS-10b é uma extraordinária descoberta

Até esta última descoberta vertiginosa, apenas seis destes enigmáticos gigantes gasosos tinham sido detectados com um período orbital de menos de um dia. Assim, conhecia-se o WASP-18b, com 22.6 horas, o WASP-19b, com 18,9 horas, também o WASP-43b, com 19,5 horas, o WASP-103b, com 22,2 horas, o HATS-18b, com 20,1 horas e o KELT-16b com 23,3 horas.

O exoplaneta NGTS-10b foi descoberto recorrendo ao observatório Next-Generation Transit Survey, no Chile. Este é o sétimo destes Júpiteres quentes ultra-fechados, mas é o que tem o período orbital mais curto de todos.

Quando este astro foi detectado, parecia ser uma estrela de sequência principal relativamente pouco notável. Estaria a cerca de 10 mil milhões de anos, uma estrela laranja tipo K, com pouco menos de 70% do tamanho e massa do Sol. Contudo, um olhar mais atento sobre estas imagens revelou que a estrela estava a escurecer ligeiramente a cada 18,4 horas.

Assim, uma equipa internacional de astrónomos liderada por James McCormac da Universidade de Warwick começou a trabalhar, usando esses dados e observações adicionais para caracterizar o exoplaneta responsável pelo escurecimento.

Maior que Júpiter e com “os dias contados”

Após uma análise muito mais pormenorizada, foi determinado que o NGTS-10b tem pouco mais de 1,2 vezes o tamanho de Júpiter, e pouco mais de 2,1 vezes a sua massa. Além disso, este astro está a orbitar a estrela a 1,46 vezes o raio de Roche – o que significa que está mesmo à beira (no tempo cósmico) da devastação da maré.

Em tal proximidade com a estrela, mesmo que ainda não esteja suficientemente perto para afastar NGTS-10b, o exoplaneta será achatado nos pólos à medida que a gravidade da estrela a puxa para fora de forma, um esferóide oblato ao invés de uma esfera redonda, agradável e gorda.

A equipa teve o cuidado de descartar um companheiro binário da estrela anfitriã como causa do escurecimento. Contudo, mesmo havendo total certeza da descoberta, os astrónomos enfrentam o problema da luz das estrelas vizinhas. Esta torna difícil o calcular da distância exacta a que está o NGTS-10.

Gaia está a criar um mapa tridimensional extremamente preciso de estrelas ao longo da nossa Via-Láctea e galáxias além. | Imagem ESA.

Gaia aponta para 1060 anos-luz da Terra

A distância de 1060 anos-luz foi calculada com base nos dados do observatório espacial da ESA, Gaia. Este produziu o mapa tridimensional mais preciso da galáxia Via-Láctea até hoje. Contudo, ainda há margem para erros. Se a distância estiver incorrecta, isso pode significar que alguns dos dados de tamanho e massa também estão ligeiramente incorrectos.

Enquanto isso, observações contínuas do sistema poderiam revelar a decadência orbital do exoplaneta. A equipa prevê que a órbita será reduzida em 7 segundos nos próximos 10 anos. Se os astrónomos conseguirem obter medições precisas o suficiente do sistema, eles podem ver isso acontecer.

A investigação foi submetida às Notificações Mensais da Royal Astronomical Society, e está disponível no arXiv.

NASA: Descoberto peculiar exoplaneta com 3 sóis vermelhos perto do Sistema Solar

Estamos numa forte epopeia de descobrimentos espaciais, beneficiando claramente da evolução tecnológica das últimas décadas. Como resultado, os “olhos” apontados ao universo descobrem coisas fantásticas. Exemplo disso é a descoberta feita pela NASA um … Continue a ler NASA: Descoberto peculiar exoplaneta com 3 sóis vermelhos perto do Sistema Solar

Pplware

03 Out 2019
Imagem: Science Alert
Fonte: Science Alert

 

1039: Astrónomos descobriram onde nascem os planetas mais quentes do Universo

G. Bacon (STScI) /NASA, ESA
Conceito artístico de HAT-P-7b, planeta de classe “Júpiter quente” que orbita uma estrela muito mais quente que o nosso Sol.

Muitos “Júpiteres quentes”, os planetas mais “infernais” do Universo, surgem nas proximidades da estrela, e não se deslocam apenas para lá, como acreditavam os cientistas.

A conclusão foi apresentada por Elizabeth Bailey e Konstantin Batygin, planetólogos que na semana passada publicaram um artigo na biblioteca online arXiv.org.

“Os nossos cálculos mostram que pelo menos metade dos “Júpiteres quentes” deveriam ter-se formado no mesmo lugar em que estão agora.

É claro que isso não exclui a possibilidade de migração, mas demonstra que esses eventos, anteriormente considerados normais, de facto, acontecem muito raramente”, escreveu Konstantin Batygin, do Instituto de Tecnologia da Califórnia, em Pasadena, EUA.

Os astrónomos chamam os gigantes de gás quente de “Júpiteres quentes”, que estão localizados a uma distância entre 2,2 e 75 milhões de quilómetros das suas estrelas. No Sistema Solar, Mercúrio aproxima-se do Sol a menos de 46 milhões de quilómetros. Portanto, nas atmosferas desses planetas reinam temperaturas realmente quentes, que variam entre 727 e 1.027 graus Celsius.

A descoberta dos primeiros “Júpiteres quentes”, como observou a astrónoma americana Elizabeth Bailey, foi uma grande surpresa para os cientistas, que começaram a discutir como e onde esses planetas emergem.

“Por muito tempo, o Sistema Solar foi para nós o único exemplo de como um sistema planetário se parece e como pode ser formado. Por exemplo, passamos muito tempo acreditando, baseando-nos nas massas de Mercúrio e de outros mundos internos, que grandes planetas não se podem formar nas proximidades das estrelas. Os “Júpiteres quentes” não se encaixavam nessa imagem”, continuou.

Hoje em dia, muitos planetólogos acreditam que essa “anomalia” pode ser explicada com a ajuda do mesmo mecanismo que descreve o nascimento dos planetas gigantes do Sistema Solar. Os “Júpiteres quentes”, como o seu homónimo frio, deveriam nascer na parte fria do disco protoplanetário e depois migrar para a estrela como resultado de interacções gravitacionais com outros “embriões” dos planetas.

Observações recentes de estrelas emergentes e discos protoplanetários, contrariamente a essa ideia, levaram Bailey a formular uma teoria alternativa na qual “Júpiteres quentes” podem ser formados directamente ao lado da estrela.

Os “embriões” planetários, de acordo com a planetóloga, seriam dezenas e centenas de “super-terras” — grandes objectos pedregosos, cuja massa excede a terrestre, aparecendo dentro da nebulosa primária nos primeiros instantes da vida da estrela.

Posteriormente, quase todos eles são lançados para fora do sistema estelar, mas alguns possuem massa suficiente para agregar rapidamente todo o gás e poeira ao redor e se transformar em um gigante gasoso.

Batygin e Bailey descobriram que os planetas que surgem deste modo têm várias características distintas que os permitem separar dos “Júpiteres quentes” migrantes. Em particular, a sua massa será associada de modo especial com o ponto da órbita em que estão situados. Além disso, muitos desses planetas não devem girar em torno da estrela, mas na companhia de uma ou mais “super-terras”.

Segundo os planetólogos, características semelhantes são encontradas numa parte significativa dos “Júpiteres quentes” já descobertos, o que indica que não nasceram na periferia dos discos protoplanetários, mas directamente ao lado das estrelas.

Isto, por sua vez, indica que nem todas as famílias planetárias aparecem do mesmo modo que no Sistema Solar, o que complicará a avaliação da sua habitabilidade e a busca por vida extraterrestre.

Por SN
19 Setembro, 2018

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