4891: Encontrado objecto artificial entre as amostras retiradas do asteróide Ryugu

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

No início deste mês, as amostras recolhidas em Ryugu pela nave japonesa Hayabusa2 chegaram em segurança à Terra. Após a abertura do depósito com o material recolhido do asteróide, os astrónomos foram confrontados com várias surpresas. A mais recente mostra um objecto artificial encontrado no meio do material recolhido. Para já, ainda não foi possível a sua identificação.

Entre o pó negro e as rochas contidas na cápsula que voltou à Terra, encontra-se um objecto brilhante. Será que esse material fazia parte da nave, ou é algo “extraterrestre”?

Poderá ser um objecto extraterrestre ou é mesmo terráqueo?

Quase um mês após a agência espacial japonesa JAXA ter recuperado as amostras da missão Hayabusa2, as surpresas ainda não acabaram. Conforme foi dado a saber, entre os destroços recolhidos do asteróide Ryugu, foi encontrado um objecto artificial.

A resposta mais rápida que pode ser dada é que este objecto brilhante fará parte da fuselagem da nave. Contudo, ainda não sabem se de facto é mesmo isso. Esta explicação foi dada pela JAXA através da sua conta no Twitter, onde detalhavam que a descoberta teve lugar a 21 de Dezembro passado, quando o contentor recuperado com os restos do asteróide remoto foi aberto, e que poderia fornecer pistas importantes sobre as origens do Sistema Solar.

A equipa analisa pormenorizadamente o que foi recolhido. Conforme explicou a agência espacial japonesa, tudo terá de ser detalhado e catalogado:

O trabalho de conservação das amostras de Ryugu está a progredir a um ritmo constante. A 21 de Dezembro, foram abertas as câmaras de recolha de amostras B e C e depois o conteúdo das câmaras A e C foi transferido para os recipientes de recolha mostrados na fotografia. As maiores partículas na câmara C têm cerca de 1 cm de comprimento.

A imagem mostra um objecto de aspecto metálico brilhante, um corpo que, de momento, ainda não foi identificado.

Asteróide Ryugu poderá ter enviado “o lixo para casa”

No site oficial da JAXA é explicado que o material artificial parece estar presente na câmara C. A sua origem está sob investigação, mas uma fonte provável deste material poderá ser a própria estrutura da nave. Isto é, parece ser alumínio raspado da peça de recolha de amostras. Este poderá ter sido arrancado quando o projéctil foi disparado para remover o material durante o desembarque no asteróide.

Portanto, é muito provável que a nave espacial, durante alguns dos tiros disparados contra a superfície da rocha, tenha sofrido com o ricochete de um projéctil que “bombardeou” Ruygu. Mais tarde, esse material ficou preso dentro da cápsula com o resto das amostras.

Uma missão para revelar as origens do Sistema Solar

A missão Hayabusa2 tinha como objectivo recolher amostras de Ryugu, um asteróide invulgar que os cientistas sugeriram ter sido formado a partir de um cataclismo. Segundo um estudo anterior publicado em “Science”, esta rocha faz parte dos Condritos Carbonaceus, um tipo primitivo de asteróide caracterizado pela sua cor escura.

Após a abertura da cápsula, os investigadores japoneses descobriram que havia mais material do que o esperado. Aliás, foi mesmo uma surpresa haver “grandes” rochas.

O recipiente também continha gás recolhido no momento da extracção, que também será estudado para descobrir se é o próprio asteróide que os emana. Entretanto, o Hayabusa2 já recomeçou a viagem para 2001 CC 21, um tipo de asteróide muito pequeno e de rotação rápida, e depois aproximar-se-á de outro objecto chamado 1998 KY 26.

Assim, se tudo correr como planeado, a nave atingirá o seu primeiro destino em 2026 e o segundo em 2031.

Autor: Vítor M.


4886: Agência espacial japonesa mais que quadruplica o seu orçamento anual

CIÊNCIA/ESPAÇO/JAPÃO

(dr) JAXA
Módulo japonês Kounotori 6

O orçamento anual da Agência Espacial Japonesa (JAXA) para 2021 mais que quadruplicou comparativamente com o valor alocado este ano, passando de 120 para 500 milhões de dólares.

Os valores são apresentados esta semana pelo portal de Ciência IFL Science, que dá conta que o sucesso da Haybausa2, a missão não tripulada que recolheu amostras do asteróide Ryugu e as devolveu à Terra, está entre os principais destaques de 2020 da agência.

Os cientistas, que tiveram acesso às amostras no início de Dezembro, confessaram que ficaram surpreendidos com a quantidade e qualidade das amostras recolhidas.

Quando realmente abrimos [a cápsula], fiquei sem palavras. Foi mais do que esperávamos e eram tantas coisas que fiquei realmente impressionado. Não eram apenas partículas finas como pó, mas havia também muitas amostras com vários milímetros de diâmetro”, disse Hirotaka Sawada, cientista da JAXA, ao jornal britânico The Guardian.

Os cientistas esperam que as amostras recolhidas lhes permitam investigar e melhor entender a origem do Sistema Solar. A sonda Hayabusa2 prosseguiu a sua viagem após enviar as amostras, rumando a outro asteróide, baptizado de 1998KY26.

Em Outubro, o Japão assinou um entendimento – o Artemis Accords – juntamente com Austrália, Canadá, Itália, Japão, Luxemburgo, Emirados Árabes Unidos, Reino Unido e Estados Unidos para o regresso do Homem à Lua como parte do Programa Artemis da agência espacial norte-americana (NASA).

Espera-se que a agência espacial japonesa desempenhe um papel importante no programa, especialmente numa das missões tripuladas. Contudo, para já, só foi anunciado o envolvimento de uma equipa norte-americana.

Recorrendo à rede social Twitter, o administrador da NASA, Jim Bridenstine, saudou o forte reforço no orçamento da JAXA, frisando a colaboração contínua entre as duas agências.

Cientistas ficaram “sem palavras” com as amostras recolhidas do asteróide Ryugu

Cientistas da agência espacial japonesa Jaxa revelaram ao jornal britânico The Guardian que ficaram surpresos ao ver a quantidade de…

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Sara Silva Alves, ZAP //

Por Sara Silva Alves
29 Dezembro, 2020


4774: Nave espacial japonesa Hayabusa 2 regressa à Terra com amostras do asteróide Ryugu

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

A Agência Japonesa de Exploração Aeroespacial (JAXA) pousou em Setembro de 2018 dois pequenos rovers num asteróide chamado Ryugu. Logo após as condições estarem reunidas, a JAXA, através da nave Hayabusa2, disparou uma bala de tântalo contra o asteroide.

Dessa explosão resultaram fragmentos e poeiras que foram recolhidos e estão agora de volta à Terra.

As amostras recolhidas em Ryugu, a cerca de 300 milhões de quilómetros de distância, pela nave japonesa Hayabusa2, chegaram em segurança à Terra. Caíram perto de Woomera, uma cidade localizada no extremo norte do estado da Austrália Meridional, na Austrália, nas primeiras horas deste domingo.

O que foi recolhido é muito importante. Isto porque estes fragmentos poderão dar-nos uma ideia da evolução do nosso sistema solar.

A sonda capturou as amostras no primeiro semestre de 2019. A nave Hayabusa2 armazenou-as num recipiente lacrado separado que foi destacado da nave a cerca de 220.000 km da Terra e, posteriormente, aterrou na Austrália com o auxílio de para-quedas.

A Real Força Aérea Australiana monitorizou o farol do contentor de 16 kg nas primeiras horas da manhã de domingo. A mercadoria foi levada para uma instalação próxima, para uma análise rápida antes de ser transportada para o Japão.

Assim, a Hayabusa2 torna-se a segunda nave a obter sucesso na missão de trazer amostras de um asteroide para a Terra. Seguiu os passos da Hayabusa, que foi lançada em 2003 e chegou ao asteroide Itokawa em 2005, trazendo amostras do objecto para o nosso planeta alguns anos depois.

Em resumo, conhecer os asteróides é descobrir pistas da formação do sistema solar. Nós últimos anos, foram já várias as missões para trazer material destes viajantes do universo.

Pplware
Autor: Vítor M.


4417: JAXA e GITAI fazem a primeira demonstração mundial de robótica espacial do sector privado

CIÊNCIA/ROBÓTICA/TECNOLOGIA


Vídeo processado via captura de écran por não estar disponibilizado o endereço original.

A startup de robótica espacial GITAI e a Japan Aerospace Exploration Agency (JAXA) estão a unir esforços para produzir a primeira demonstração de robótica no Espaço por uma empresa privada.

O acordo assinado pela GITAI e pela JAXA surge no âmbito da iniciativa JAXA Space Innovation through Partnership and Co-Creation (J-SPARC) e tem como objectivo demonstrar o potencial dos robôs para automatizar o processamento de tarefas específicas a bordo da Estação Espacial Internacional (EEI).

A robótica está a alterar muitos aspectos das nossas vidas, mas pode ser especialmente atraente na exploração e aproveitamento do Espaço. Muitas tarefas, como experiências de micro-gravidade, requerem movimentos complexos, precisos e subtis que exigem um aparelho personalizado altamente especializado e caro. Ou um robô.

De acordo com o New Atlas, este acordo vai trabalhar várias formas de colocar os robôs a lidar com manutenção, experiências científicos e outras tarefas específicas a bordo da EEI.

Actualmente, a GITAI está a construir um braço robótico que será usado no módulo BISHOP Airlock na EEI para demonstrar a sua capacidade de realizar várias tarefas, incluindo ligar/desligar interruptores, conectar e desconectar cabos e montar painéis.

No entanto, o acordo tem em vista o desenvolvimento de sistemas robóticos para uso não apenas na EEI, mas também no posto avançado de Espaço profundo Gateway da NASA, no programa Artemis e noutras missões, tanto governamentais como privadas.

A tecnologia pode também encontrar aplicações em tele-medicina, resgate e outras missões terrestres. Os robôs podem ajudar os astronautas no seu trabalho, mas também ajudar a promover a participação do sector privado no Espaço.

“Se esta iniciativa der origem ao desenvolvimento de robôs capazes de auxiliar no trabalho dos astronautas durante a missão Kibo, o resultado não será apenas o aumento da eficiência do seu trabalho, mas também várias pesquisas sofisticadas e a expansão da utilização de várias tecnologias no Espaço que levam à criação de inovações no terreno”, resumiu Kazuyoshi Kawasaki, da JAXA.

ZAP //

Por ZAP
1 Outubro, 2020

 

 

4091: O Sistema Solar pode girar em torno de um objecto invisível (que não o Sol)

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Martin Kornmesser, The International Astronomical Union / Wikimedia

O Sol é o centro do Sistema Solar. No entanto, uma nova animação sugere que, na realidade, os planetas orbitam um centro de massa, chamado de baricentro.

Em vez de orbitarem o Sol, “tudo orbita o centro de massa do Sistema Solar”, explicou James O’Donoghue, cientista planetário da agência espacial japonesa JAXA. “Até o Sol.”

O centro de massa, chamado baricentro, é o ponto de um objecto no qual se pode equilibrar perfeitamente, com toda a sua massa distribuída uniformemente por todos os lados. No Sistema Solar, este ponto raramente se alinha com o centro do Sol.

Para demonstrar esta teoria, O’Donoghue criou uma animação que ilustra de que forma o Sol, Saturno e Júpiter giram em torno do baricentro. “Enquanto o Sol tem 99,8% da massa do Sistema Solar, Júpiter tem mais do que o resto (Saturno é o segundo). Isto significa que o Sol pode, na verdade, orbitar Júpiter“, explicou o cientista, citado pelo Science Alert.

O que acontece é que o Sol, graças à força de Júpiter, não consegue ficar no baricentro. A força gravitacional entre as massas dos dois objectos planetários é proporcional ao produto das mesmas massas e é por isso que outros planetas e objectos, mais leves do que o Sol e Júpiter, não conseguem afectar o baricentro da mesma forma.

Na animação, o movimento do Sol é exagerado de forma a torná-lo mais visível, mas a verdade é que a nossa estrela circula milhões de quilómetros ao redor do baricentro – uma vez passando por cima, outras afastando-se dele. Grande parte deste movimento é resultado da gravidade de Júpiter.

O’Donoghue explicou ainda que, no Sistema Solar, os planetas e as suas luas têm o seu próprio baricentro. No nosso caso, a Terra e a Lua fazem uma “dança” mais simples, com o baricentro a permanecer no nosso planeta. A animação também mostra, em 3D, como é que a Terra e a Lua se moverão nos próximos três anos.

“É claro que os planetas orbitam o Sol”, disse O’Donoghue. “Estamos apenas a ser minuciosos em relação a esta situação.”

ZAP //

Por ZAP
1 Agosto, 2020

 

 

3372: Portuguesa Zita Martins participa em missão espacial inédita que vai interceptar cometa primitivo

CIÊNCIA

Uma missão espacial europeia, com a participação da astro-bióloga portuguesa Zita Martins, vai procurar interceptar pela primeira vez um cometa primitivo, inalterado pela radiação do Sol, para obter respostas sobre a origem da vida na Terra.

© Orlando Almeida / Global Imagens

A missão da Agência Espacial Europeia (ESA) “Comet Interceptor” (Interceptor de Cometa, em tradução livre) tem lançamento previsto para 2028 e será a primeira a recolher informação sobre um cometa que nunca se aproximou do Sol e, por isso, se manteve inalterado desde a sua formação.

“Apanhar” tais cometas tem sido difícil, uma vez que só podem ser detectados quando se aproximam do Sol pela primeira vez, deixando pouco tempo para planear e enviar uma missão espacial na sua direcção.

A missão “Comet Interceptor”, que conta com a colaboração da agência espacial japonesa (JAXA), vai colocar uma sonda a 1,5 milhões de quilómetros da Terra, na direcção contrária ao Sol.

Em conjunto com telescópios terrestres, um deles a ser construído no Chile, o aparelho irá permitir detectar um cometa proveniente da Nuvem de Oort, região nos confins do Sistema Solar, e eventualmente corpos interestelares que entraram no Sistema Solar pela primeira vez e estão na trajectória de aproximação ao Sol.

Assim posicionada, a sonda, a principal, será um “ponto de espera” a um desses cometas, disse à Lusa Zita Martins, especialista no estudo da origem da vida na Terra e a única cientista portuguesa que integra a equipa internacional que vai analisar os dados recolhidos na missão.

Depois de identificar o cometa até então desconhecido, a sonda viajará durante meses ou anos pelo espaço para estar no sítio e no momento certos para interceptar o cometa quando este cruzar o plano da elíptica, o plano da órbita da Terra em relação ao Sol.

Duas sondas mais pequenas serão libertadas da sonda principal antes de se aproximarem do cometa. São estes dois aparelhos que vão circundar o cometa e recolher o máximo de informação possível, incluindo sobre a composição da sua superfície, a forma e estrutura.

Todos os dados obtidos serão transmitidos para telescópios terrestres através da sonda principal com a qual comunicam.

Para Zita Martins, professora no Instituto Superior Técnico, em Lisboa, interceptar um cometa primitivo é como entrar na “máquina do tempo”, uma vez que possibilitará desvendar quais “as moléculas orgânicas” disponíveis no início da formação do Sistema Solar e, assim, dar pistas mais concretas sobre a origem da vida na Terra.

Os cometas, vulgarmente descritos como “bolas de gelo sujas”, têm na sua composição, além de gelo, poeira, fragmentos rochosos, gás e compostos orgânicos (estes últimos terão chegado à Terra fruto do impacto dos cometas na superfície terrestre).

Missões espaciais anteriores estudaram cometas que entraram várias vezes no Sistema Solar e passaram perto do Sol, que produziu alterações na sua superfície, escondendo a sua aparência original.

A sonda europeia Rosetta orbitou durante dois anos, entre 2014 e 2016, o cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko, que viaja entre as órbitas da Terra e de Júpiter. Foi a primeira vez que uma sonda orbitou um cometa e teve um módulo robótico na sua superfície.

A missão “Comet Interceptor” será lançada à boleia de uma outra, a Ariel, também da ESA, que vai estudar a composição química da atmosfera de exoplanetas (planetas fora do Sistema Solar) já descobertos e que conta também com a participação de cientistas portuguesas.

Diário de Notícias

DN/Lusa

 

2300: Sonda espacial japonesa pousa em asteróide a 244 milhões de quilómetros da Terra

Akademy / Flickr
Asteróide Ryugu numa imagem capturada pela nave espacial japonesa Hayabusa2

Uma sonda espacial japonesa conseguiu nesta quinta-feira pousar num asteróide localizado a 244 milhões de quilómetros da Terra, com o objectivo de recolher amostras que fornecem informações sobre a origem do sistema solar, o culminar da missão iniciada em 2014.

“Foi um sucesso”, indicou a Agência Japonesa de Exploração Espacial (JAXA). De acordo com a JAXA as informações chegaram à estação Hayabusa2 ocorreram pelas 10h20 (1h20 em Lisboa).

A manobra realizada pela sonda espacial Hayabusa2 tinha como objectivo recuperar amostras subterrâneas de uma cratera do asteróide Ryugu, que a mesma sonda tinha aberto em Abril, uma missão arriscada que exigia, por exemplo, que esta se afastasse imediatamente para não ser atingida por fragmentos da explosão.

De acordo com a JAXA, as amostras não foram afectadas pela radiação. As novas amostras podem agora fornecer informações adicionais àquelas recolhidas na superfície em Abril.

A operação desta quinta-feira, explicou a agência, foi especialmente delicada porque a sonda espacial tinha de recolher as amostras na cratera aberta com sete metros de diâmetro.

Em Setembro do ano passado, a Humanidade fez história quando, pela primeira vez, o Homem conseguiu aterrar dois rovers não tripulados num asteróide. Conhecidos por MINERVA-II1, os dois rovers saíram de uma nave espacial de origem japonesa, Hayabusa2, e aterram num asteróide com um quilómetro de largura, o Ryugu.

Um mês antes, a Hayabusa2, lançada no final de 2014 para conseguir amostras deste asteróide, conseguiu a primeira fotografia close-up do asteróide.

Acredita-se que este asteróide seja um dos mais antigos a sobrevoar o espaço e, por isso, abundante em material orgânico que lançará novas evidências sobre a criação do planeta Terra. Em Dezembro de 2019, o Hayabusa2 deixará o asteróide, chegando à Terra no final de 2020. A NASA tem trabalhado numa missão similar prevista para 2023.

ZAP // Lusa

Por ZAP
11 Julho, 2019

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1772: Asteróide Ryugu possui minerais com vestígios de água

Akademy / Flickr
Asteróide Ryugu numa imagem capturada pela nave espacial japonesa Hayabusa2

Foram encontrados minerais que contêm água com elementos de oxigénio e hidrogénio na superfície do asteróide Ryugu.

Na superfície do asteróide Ryugu, que está a ser explorado pela sonda japonesa Hayabusa-2, foram encontrados minerais que contêm água com elementos de oxigénio e hidrogénio, de acordo com os dados do relatório da Agência Japonesa de Exploração Aeroespacial (JAXA).

Os minerais foram descobertos durante a espectroscopia de infravermelho. A descoberta comprova, ainda que indirectamente, a teoria de que a água foi trazida para a Terra do Espaço. O artigo científico foi publicado na revista Science.

Segundo o relatório da agência japonesa, “acredita-se que asteróides da classe C [asteróides carbonáceos escuros semelhantes em espectro a meteoritos condritos, que são semelhantes na composição química com a nebulosa que originou o Sol], estão entre os corpos celestes mais prováveis que trouxeram água para a Terra“. Ryugu é um deles.

A baixa densidade do asteróide sugere que o objeto é uma pilha de entulho espacial poroso, e o material espalhado na sua superfície indica que o asteróide experimentou um período de rápida rotação no seu passado. Além disso, a sua superfície está repleta de pedregulhos de tamanhos variados e cores diversas.

Os resultados iniciais da missão estão a ajudar os cientistas a escolher o local ideal para recolher novas amostras, uma vez que a Hayabusa2 regressará à Terra em 2020.

A sonda já nos enviou imagens incríveis deste asteróide e conseguiu fazer um pouso rápido para recolher uma primeira amostra, quando libertou um projéctil na superfície do objeto espacial. Em breve, será lançado um explosivo para abrir uma cratera de onde serão recolhidos novas amostras, desta vez abaixo da superfície. O objectivo é estudar o que está ao alcance da sonda e o que esconde o interior do asteróide.

Estudar o Ryugu pode dar luzes sobre a forma como os minerais são libertados do Cinturão de Asteróides para a Terra, e também ajudar-nos a entender ainda melhor a história do Sistema Solar e a origem da vida na Terra.

A sonda japonesa Hayabusa-2 foi lançada em 2014 e pousou no asteróide no dia 22 de Fevereiro deste ano. O Ryugu possui 900 metros em diâmetro, e localiza-se a cerca de 340 milhões de quilómetros da Terra.

ZAP // SputnikNews

Por ZAP
28 Março, 2019

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1707: A Toyota vai construir o Rover que percorrerá a Lua em 2029

O veículo pressurizado terá que transportar dois astronautas ao longo de mais de 10 mil quilómetros na Lua. Este é apenas um dos requerimentos que desafiarão a Toyota a construir o próximo Rover que integrará a missão da agência de exploração aeroespacial japonesa, a JAXA, agendada para 2029.

Inegavelmente ambiciosa, a proposta quer tornar a mobilidade lunar numa realidade, tal como refere a JAXA.

Com o intuito de possibilitar a exploração humana da superfície lunar, a agência de exploração espacial japonesa firmou uma parceria com a Toyota. Uma união de esforços com vista à produção de um veículo pressurizado que utilizará duas fontes de energia, uma externa (solar) e outra endógena.

A Toyota vai ajudar o Japão a pisar a Lua

O veículo todo-o-terreno ou Rover, terá a faculdade de condução autónoma, libertando assim os astronautas para outras tarefas. Ainda de acordo com a publicação desta agência japonesa, o veículo terá uma célula de energia interna (endógena). Contudo, par alcançar uma autonomia de pelo menos 10 mil quilómetros utilizará, também, a fonte externa, solar.

A JAXA cita os vários desafios colocados pela incapacidade de transportar grandes quantidades de combustível para a Lua. Assim, este será um dos principais objectivos da Toyota, a eficiência e autonomia do veículo de exploração da superfície lunar. Um veículo que terá aproximadamente o tamanho de dois mini-autocarros.

Ainda de acordo com a mesma fonte, no seu interior os dois astronautas poderão remover os fatos de exploração do exterior. Assim, estarão livres para a execução das mais variadas tarefas e procedimentos de cariz técnico ou científico, com uma área total interna de 13 metros quadrados.

O Rover integrará a missão da JAXA em 2029

Esta missão do Japão, colocará novamente seres humanos na superfície da Lua. O astro já não é visitado por nós desde 1972, data da última missão (Apollo 17) tripulada ao nosso satélite natural. Para a Toyota será um novo desafio. Já para JAXA será o coroar de várias décadas de investigação e preparação.

Numa nota não relacionada, este anúncio chega-nos numa altura repleta de novidades. Há cerca de uma semana a Space X conseguiu acoplar a sua cápsula (Dragon) com a Estação Espacial Internacional. O momento foi registado em vídeo e partilhado pela NASA.

NASA

@NASA

Capture confirmed! After making 18 orbits of Earth since its launch, @SpaceX’s #CrewDragon spacecraft successfully attached to the @Space_Station via “soft capture” at 5:51am ET while the station was traveling just north of New Zealand. Watch: https://www.nasa.gov/nasalive 

pplware
13 Mar 2019

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1187: BEPICOLOMBO DESCOLA PARA INVESTIGAR OS MISTÉRIOS DE MERCÚRIO

A missão ESA-JAXA BepiColombo, até Mercúrio, descola a partir do Porto Espacial Europeu em Kourou.
Crédito: 2018 ESA-CNES-Arianespace

A missão ESA-JAXA BepiColombo a Mercúrio descolou num Ariane 5, a partir do Porto Espacial Europeu em Kourou, às 01:45:28 GMT de 20 de Outubro, para a sua emocionante missão de estudar os mistérios do planeta mais interior do Sistema Solar.

Os sinais da nave espacial, recebidos no centro de controlo da ESA em Darmstadt, na Alemanha, através da estação de monitorização terrestre de Nova Nórcia, às 02:21 GMT, confirmaram que o lançamento foi bem-sucedido.

O BepiColombo é um empreendimento conjunto entre a ESA e a Agência de Exploração Aeroespacial do Japão, a JAXA. É a primeira missão europeia a Mercúrio, o menor e menos explorado planeta do Sistema Solar interior, e a primeira a enviar duas aeronaves para fazer medições complementares do planeta e do seu ambiente dinâmico, ao mesmo tempo.

“O lançamento de BepiColombo é um enorme marco para a ESA e a JAXA, e grandes sucessos estão ainda por vir,” afirma Jan Wörner, Director-geral da ESA.

“Além de completar a desafiante viagem, esta missão retornará uma enorme recompensa científica. É graças à colaboração internacional e às décadas de esforços e conhecimentos de todos os envolvidos no projecto, e à construção desta incrível máquina, que estamos agora no caminho para investigar os mistérios do planeta Mercúrio.”

“Parabéns pelo lançamento bem-sucedido do Ariane 5 transportando BepiColombo, a missão conjunta de exploração de Mercúrio da ESA-JAXA,” diz Hiroshi Yamakawa, Presidente da JAXA.

“Gostaria de expressar a minha gratidão pela excelente realização das operações de lançamento. A JAXA tem grandes expectativas de que as subsequentes observações detalhadas sobre a superfície e o interior de Mercúrio nos ajudem a entender melhor o meio ambiente do planeta e, em última análise, a origem do Sistema Solar, incluindo o da Terra.”

BepiColombo é composta por duas sondas científicas: a Sonda Planetária de Mercúrio (MPO) da ESA e a Sonda Magnetosférica de Mercúrio da JAXA. O Módulo de Transferência de Mercúrio (MTM), construído pela ESA, transportará as sondas para Mercúrio usando uma combinação de propulsão eléctrica solar e sobrevoos de assistência à gravidade, com um sobrevoo na Terra, dois em Vénus e seis em Mercúrio, antes de entrar em órbita em Mercúrio em 2025.

“Há uma longa e emocionante estrada à nossa frente antes que BepiColombo comece a recolher dados para a comunidade científica,” diz Günther Hasinger, Director de Ciência da ESA.

“Esforços como a missão Rosetta e as suas descobertas inovadoras, mesmo anos após a sua conclusão, já nos mostraram que missões complexas de exploração científica valem a pena.”

As duas sondas científicas poderão também operar alguns dos seus instrumentos durante a fase de cruzeiro, proporcionando oportunidades únicas para recolher dados cientificamente valiosos em Vénus. Além disso, alguns dos instrumentos projectados para estudar Mercúrio de uma maneira particular podem ser usados de maneira completamente diferente em Vénus, que tem uma atmosfera espessa em comparação com a superfície exposta de Mercúrio.

“BepiColombo é uma das missões interplanetárias mais complexas que já voámos,” afirma Andrea Accomazzo, Director de Voo da ESA para a missão BepiColombo.

“Um dos maiores desafios é a enorme gravidade do Sol, o que torna difícil colocar uma aeronave numa órbita estável ao redor de Mercúrio. Temos de travar constantemente para garantir uma queda controlada em direcção ao Sol, com os propulsores de iões a fornecer o baixo impulso, necessário durante longos períodos da fase de cruzeiro.”

Outros desafios incluem o ambiente de temperatura extrema que a aeronave irá suportar, que vai de -180ºC a mais de 450ºC – mais quente do que um forno de pizza. Muitos dos mecanismos das naves espaciais e revestimentos exteriores não tinham sido previamente testados em tais condições.

O design geral dos três módulos da aeronave também reflete as condições intensas que estes enfrentarão. Os grandes painéis solares do módulo de transferência têm de ser inclinados no ângulo certo para evitar danos de radiação, enquanto ainda fornece energia suficiente para a aeronave. Na MPO, o radiador largo significa que a aeronave pode eficientemente remover o calor dos seus subsistemas, bem como reflectir o calor e voar sobre o planeta em altitudes mais baixas do que já haviam sido alcançadas anteriormente. O Mio de oito lados gira 15 vezes por minuto para distribuir uniformemente o calor do Sol sobre os seus painéis solares, para evitar o super-aquecimento.

“Ver a nossa aeronave descolar para o espaço é o momento pelo qual todos esperávamos,” diz Ulrich Reininghaus, Director de Projectos na missão BepiColombo da ESA. “Superámos muitos obstáculos ao longo dos anos, e as equipas estão felizes por ver agora BepiColombo no encalço do intrigante planeta Mercúrio.”

Alguns meses antes de chegar a Mercúrio, o módulo de transferência será descartado, deixando as duas sondas científicas – ainda ligadas uma à outra – para serem capturadas pela gravidade de Mercúrio.

A sua altitude será ajustada usando os propulsores da MPO, até que a órbita polar elíptica desejada da MMO seja alcançada. Então, a MPO irá separar-se e descer para a sua própria órbita usando os seus propulsores.

Juntas, as sondas farão medições que revelarão a estrutura interna do planeta, a natureza da superfície e a evolução das características geológicas – incluindo o gelo nas crateras sombreadas do planeta – e a interacção entre o planeta e o vento solar.

“Um aspecto único desta missão é ter duas aeronaves a monitorizar o planeta a partir de dois locais diferentes ao mesmo tempo: isso é realmente fundamental para entender os processos ligados ao impacto do vento solar na superfície de Mercúrio e o seu ambiente magnético,” acrescenta Johannes Benkhoff, cientista do projecto BepiColombo da ESA.

“BepiColombo basear-se-á nas descobertas e questões levantadas pela missão Messenger da NASA para fornecer a melhor compreensão da evolução de Mercúrio e do Sistema Solar até o momento, que por sua vez será essencial para entender como os planetas que orbitam perto das suas estrelas em sistemas de exoplanetas se formam e evoluem, também.”

Astronomia On-line
23 de Outubro de 2018

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1161: Primeira missão europeia a Mercúrio lançada com cientista e tecnologia portuguesas

NASA
Projecção ortográfica de Mercúrio, captada pela sonda Messenger da NASA

A primeira missão europeia que vai estudar Mercúrio, o planeta mais pequeno e mais próximo do Sol, vai ser lançada no sábado, e nela participa uma cientista e uma empresa portuguesas.

A astrofísica Joana S. Oliveira faz parte da equipa científica da missão BepiColombo da Agência Espacial Europeia (ESA) e a empresa Efacec construiu um equipamento electrónico que irá monitorizar a radiação espacial durante a viagem e a operação de um dos satélites.

A missão, conjunta da ESA e da agência espacial japonesa JAXA, integra duas sondas, cujo lançamento está previsto para as 2h45 (hora de Lisboa) da base de Kourou, na Guiana Francesa, a bordo de um foguetão Ariane 5.

As sondas só vão estar a orbitar o planeta sete anos após o seu lançamento. Uma, da ESA, vai estudar a superfície, o interior e a camada mais externa da atmosfera (exosfera) de Mercúrio. A outra, da JAXA, vai analisar a magnetosfera (região a maior altitude que envolve o planeta).

Justificando à Lusa a relevância da missão, a investigadora Joana S. Oliveira disse que “Mercúrio é uma peça do puzzle muito importante para perceber a evolução do Sistema Solar”, uma vez que é o único planeta rochoso, além da Terra, que “possui um campo magnético global com origem num mecanismo de dínamo no núcleo líquido”.

Para se compreender como vai evoluir o campo magnético da Terra, que protege o planeta da radiação solar intensa, é necessário “perceber como funciona o mecanismo que produz o campo magnético nos diferentes planetas”, adiantou.

De acordo com a cientista portuguesa, há questões que ficaram por responder com a sonda MESSENGER da agência espacial norte-americana NASA, que esteve em órbita de Mercúrio durante quatro anos, entre 2011 e 2015.

Joana S. Oliveira salientou que “não foram feitas medições do campo magnético no hemisfério sul do planeta devido à órbita excêntrica da sonda”, que tinha de se distanciar de Mercúrio para arrefecer e “manter uma temperatura funcional”.

Também por causa da órbita da MESSENGER, o campo magnético das rochas de Mercúrio só foi mapeado “numa banda de latitude muito pequena”.

A missão BepiColombo, assim designada em homenagem ao matemático e engenheiro italiano Giuseppe (Bepi) Colombo (1920-1984) que se debruçou sobre Mercúrio, irá recolher dados durante um ano, prazo que poderá ser estendido por mais 12 meses.

Durante a viagem, as sondas vão aproximar-se da Terra e de Vénus antes de passarem seis vezes por Mercúrio e ficarem a girar em torno dele.

A sonda da ESA tem incorporado um equipamento electrónico fabricado e testado pela Efacec “capaz de detectar o impacto de partículas energéticas como protões e electrões”, explicou à Lusa João Costa Pinto, da direcção de projectos para o Espaço da empresa.

João Costa Pinto acrescentou ainda que o engenho distingue as partículas e determina “a gama de energias em que se encontram”.

O equipamento, que monitoriza a radiação espacial ao medir a quantidade de partículas energéticas geradas pelo Sol, permite tomar medidas como “desligar aparelhos mais sensíveis durante os períodos de maior actividade solar” evitando que se estraguem.

ZAP // Lusa

Por Lusa
19 Outubro, 2018

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1134: CONHEÇA A MISSÃO EUROPEIA BEPICOLOMBO

Impressão de artista da nave BepiColombo pouco depois do lançamento, à medida que a “tampa” do Ariane 5 cai. A sonda está na sua configuração de lançamento, o MTM (Mercury Transfer Module) em baixo, o MPO (Mercury Planetary Orbiter) no meio, e a MMO (Mercury Magnetospheric Orbiter) dentro do escudo de calor no topo. Neste estágio, os painéis solares estão fechados.
Crédito: ESA/ATG medialab

Mercúrio é o planeta mais próximo do Sol (aproxima-se a pouco mais de 46 milhões de quilómetros durante o periélio) e é também o mais pequeno do Sistema Solar, e estas circunstâncias fazem com que o seu estudo com sondas espaciais seja mais complicado do que o habitual neste tipo de missões. A ESA, em conjunto com a agência espacial japonesa (JAXA), lançará o seu primeiro satélite para o planeta a 20 de Outubro, a bordo de um foguetão Ariane 5, a partir de Kourou, e fá-lo-á com o objectivo de descobrir muitos dos segredos que Mercúrio ainda guarda zelosamente.

BepiColombo, que é o nome da missão, será a terceira sonda a visitar o planeta depois das sondas da NASA Mariner 10, em meados dos anos 70, e MESSENGER, entre 2011 e 2015. Levará mais de sete anos para chegar ao seu destino, auxiliada por uma assistência gravitacional na Terra, duas em Vénus e seis no próprio Mercúrio, até atingir a sua órbita científica, prevista para Março de 2026, uma jornada muito longa para um planeta que está mais próximo da Terra do que, por exemplo, Júpiter. Mas Mercúrio apresenta os seus próprios desafios.

Os desafios de BepiColombo

Mauro Casale, responsável pelo desenvolvimento do segmento científico da missão, resume tudo o que a ESA e a indústria aeroespacial europeia tiveram de inovar no satélite, afirmando que “podemos dizer que BepiColombo está a promover a tecnologia espacial por ter construído um satélite capaz de voar num ‘forno de pizza’ e suportar o calor em Mercúrio.” Cerca de 85% da tecnologia a bordo da BepiColombo teve de ser projectada especificamente para isso, porque as condições extremas no planeta tornavam impossível que a tecnologia de outras missões pudesse ser reutilizada.

“Mudanças de temperatura que vão de -170º a 450º C, radiação solar dez vezes mais intensa e um fluxo infravermelho 20 vezes maior que na Terra, radiação ultravioleta muito intensa, o vento solar a soprar a uma velocidade de 400 km/s , etc.”, Mauro detalha um ambiente no planeta que obrigou a redesenhar muitos componentes de BepiColombo a partir do zero, especialmente nos painéis solares e no seu isolamento térmico. Além disso, também utiliza uma propulsão eléctrica solar que é inédita para missões de exploração do Sistema Solar da ESA. Ao longo deste processo de construção do satélite, participaram 83 empresas de doze países.

Os desafios não param na tecnologia. As operações científicas e o que a missão estudará em Mercúrio também apresentam os seus próprios desafios. Para começar, BepiColombo é na verdade composta por dois satélites: MPO (Sonda Planetária de Mercúrio) e MMO (Sonda Magnetosférica de Mercúrio). O primeiro é aquele que observará o planeta a partir da sua órbita, estudando a composição, a topografia e a morfologia da sua superfície e o seu interior, e o segundo focar-se-á no estudo do ambiente do planeta e da sua magnetosfera. Será a primeira vez que duas sondas fazem observações coordenadas e simultâneas de diferentes pontos do ambiente de Mercúrio, com as dificuldades operacionais que isso acarreta.

Contribuição espanhola

A indústria espanhola participou neste desenvolvimento desde o início. “A missão BepiColombo tem sido um desafio para o sector, já que tiveram que desenvolver tecnologias específicas para atender às exigentes especificações da missão,” diz María del Pilar Román, do CDTI, delegada espanhola do Comité de Programas Científicos da missão da ESA. Acrescenta ainda que, “no entanto, estes desafios resultaram em novos produtos ou capacidades em áreas de tecnologia que abriram novas oportunidades de negócios.”

Porque razão Mercúrio é assim

O que a missão tentará resolver é a razão por que Mercúrio é como o vemos actualmente, como teve origem e como evoluiu desde então até aos dias de hoje. Para tal, estudará a sua superfície e o seu interior, a composição e dinâmica da sua exosfera, a estrutura e a dinâmica da sua magnetosfera e a origem do seu campo magnético e, de passagem, serão realizadas experiências para testar a teoria da Relatividade Geral de Einstein. Mauro oferece mais dados sobre esses objectivos científicos: “BepiColombo ajudar-nos-á a entender melhor a formação e a evolução do nosso Sistema Solar e, dessa forma, contribuirá para a compreensão de como os planetas mais internos de outros sistemas extra-solares são formados e evoluem. Por exemplo, uma das medições da Messenger parece indicar que Mercúrio se formou muito mais longe do Sol (mesmo um pouco mais longe que Marte) e depois se aproximou numa etapa mais tardia.”

A missão buscará a confirmação da existência de gelo e se este provém dos impactos de cometas, por exemplo, e tentará responder por que o seu campo magnético está a 400 km de distância em relação ao centro do planeta. Todos estes dados científicos serão recebidos no ESAC, de onde as operações científicas serão coordenadas com as equipas responsáveis pelos instrumentos, a programação científica da missão será levada a cabo e os dados científicos serão processados. Além disso, operar um satélite tão próximo do Sol também será uma óptima experiência de aprendizagem para a própria agência. Mauro ressalta ainda que “como a vida da missão é limitada, é muito importante que as operações científicas sejam extremamente optimizadas, não se pode perder nem um minuto; portanto, é necessário um alto nível de automação, um curto tempo de reacção e máxima flexibilidade possível.”

A aventura BepiColombo está prestes a começar.

Astronomia On-line
12 de Outubro de 2018

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196: Japão põe em órbita dois satélites de observação meteorológica usando o mesmo foguetão

ESA

A Agência de Exploração Aeroespacial do Japão (JAXA) colocou hoje dois satélites de observação meteorológica em órbitas distintas transportados pelo mesmo foguetão, tratando-se da primeira vez que utiliza este método.

O foguetão H-2A foi lançado hoje com êxito pelas 10:26 (01:26 em Lisboa) a partir do centro espacial situado na ilha de Tanegashima, informou a JAXA em comunicado.

O primeiro satélite, o Shikisai, foi libertado a baixa altitude (a cerca de 300 quilómetros da superfície terrestre), enquanto o segundo, baptizado de Tsubame, foi colocado em órbita a aproximadamente 800 quilómetros.

A JAXA, que desenvolveu este projecto em colaboração com a Mitsubishi Heavy Industries, confia que este método de lançamento conjunto permite reduzir os custos e elevar a eficiência para próximos satélites.

O Shikisai vai ser utilizado para analisar a circulação das correntes oceânicas e outros mecanismos relacionados com as alterações climáticas.

O Tsubame está equipado com motores de iões que permitem modificar a sua órbita, o que lhe confere capacidade para obter dados de diferentes fenómenos atmosféricos e captar imagens de alta resolução da superfície terrestre em situações como desastres naturais, segundo a JAXA.

ZAP // Lusa

Por ZAP
23 Dezembro, 2017

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