1827: Astrónomos encontraram algo inesperado numa estrela que não devia existir

Na astrofísica, qualquer elemento mais pesado que hidrogénio e hélio é denominado “metal” e o lítio está entre os mais leves desses metais.

Investigadores do Instituto de Astrofísica de Canarias (IAC) e da Universidade de Cambridge conseguiram detectar o lítio numa estrela “primitiva”. Esta é a estrela J0023+0307, descoberta há um ano pela mesma equipa com o Gran Telescopio Canarias (GTC) e o Herschel Telescope William (WHT) do Observatorio del Roque de los Muchachos.

Esta descoberta pode fornecer informações cruciais sobre a criação de núcleos atómicos – nucleosíntese – no Big Bang, de acordo com o comunicado publicado pelo IAC.

“Esta estrela primitiva surpreende-nos pelo seu alto teor de lítio e a sua possível relação com o lítio primordial formado no Big Bang”, observa David Aguado, um investigador associado com a Universidade de Cambridge, que é o autor principal do artigo publicado no início deste mês na revista The Astrophysical Journal Letters.

Esta estrela é semelhante ao nosso Sol, mas com um teor de metal muito mais pobre, menos de uma milésima parte da metalicidade solar. Esta composição implica que é uma estrela que se formou nos primeiros 300 milhões de anos do Universo, logo após as super-novas, marcando as fases finais das primeiras estrelas massivas na nossa galáxia.

“O teor de lítio da estrela primitiva é semelhante ao de outras estrelas pobres em metal no halo da nossa galáxia, e definem, aproximadamente, um valor constante, independente do valor do conteúdo metálico da estrela”, explica Jonay González Hernández, investigador e co-autor do artigo.

O lítio do Big Bang é um metal muito frágil que é facilmente destruído no interior das estrelas por reacções nucleares a uma temperatura de 2,5 milhões de graus ou mais. Como a base da atmosfera deste tipo de estrelas pobres em metal não atinge esta temperatura, o lítio permanece nelas durante praticamente toda a sua vida.

J0023 + 0307 ainda está na “Sequência Principal”, a fase em que as estrelas permanecem durante a maior parte das suas vidas e a sua idade é quase a mesma da idade do Universo. “A estrela J0023 + 0307 mantém este conteúdo constante de lítio numa estrela com uma baixíssima metalicidade e, assim, entendemos que o lítio deve ter-se formado numa fase ainda mais precoce na evolução do Universo”, acrescenta Carlos Allende, outro investigador do IAC.

A 7500 anos-luz da Terra, a estrela encontra-se no halo da Via Láctea e na direcção da constelação do Lince. A fonte de energia destas estrelas é a fusão do hidrogénio nos seus núcleos e as suas temperaturas superficiais e luminosidades são quase constantes com o passar do tempo. Outra das suas propriedades é a sua pequena massa, cerca de 0,7 vezes a massa do Sol, embora seja 400 graus mais quente.

ZAP //

Por ZAP
10 Abril, 2019

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353: Estrela que não devia existir foi descoberta

Gabriel Pérez, SMM (Instituto de Astrofísica das Canárias

Os cientistas baptizaram-na de J0023+0307 e contam que está a 9.450 anos luz de distância e pertence a uma segunda geração de estrelas que nasceram praticamente desde a criação do universo

Foi baptizada de J0023+0307 e pertence ao grupo de estrelas que nasceram praticamente desde a criação do universo. A estrela, descoberta por uma equipa do Instituto Astrofísico das Canárias (IAC), está a 9.450 anos luz de distância e acredita-se que não sobreviveu até aos nossos dias.

A revelação da “estrela primitiva” foi feita através da publicação de um artigo na revista The Astrophysical Journal Letters.

De acordo com as declarações de David Aguado, autor principal da publicação, ao jornal El País, a equipa do IAC procura “estrelas pobres em metais porque são as mais antigas da Via Láctea e contêm informações de como era o universo no início”.

Os autores do estudo sobre a estrela recém-descoberta ficaram surpreendidos porque apresenta ter pouca quantidade de carbono. “É por isso que dizemos que essa estrela não deveria existir”, explicou Carlos Allende Prieto, co-autor do trabalho.

O facto de terem descoberto J0023+0307 os leva a considerar que os modelos que reconstroem a evolução do universo podem ser melhorados, explica o jornal espanhol.

David Aguado adiantou que não será provável que haja planetas a orbitar à volta dessa estrela estranha e antiquíssima, que nasceu quase nove mil milhões de anos antes do sol.

A recém descoberta faz parte dos objectivos da equipa do Instituto Astrofísico das Canárias, que pretende continuar a sua investigação sobre estas estrelas, de modo a reconstruir a história do universo.

Nesse sentido, querem em breve usar o Very Large Telescope, do Observatório Europeu do Sul – do qual Espanha faz parte – que está localizado no deserto de Atacama, no Chile. Um telescópio de grandes dimensões e com uma maior capacidade de análise para analisar os elementos químicos da estrela.

07 DE MARÇO DE 2018 15:54
DN

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