2726: Há um enorme complexo de vulcões e fluxos de lava “escondido” aos pés de Itália

CIÊNCIA

(CC0) Hans / Pixabay

Uma equipa de cientistas descobriu que existe um enorme complexo de vulcões e fluxos de lava “escondido” nas profundezas do mar Tirreno, no sudoeste de Itália.

De acordo com o Live Science, que dá conta da descoberta, este complexo abrange várias chaminés geotérmicas, fluxos de lava e montanhas subaquáticas com picos achatados.

Este mundo subaquático até agora desconhecido foi formado há cerca de 780.000 anos devido a uma rara falha tectónica, explicou o principal autor da investigação, Fabrizio Pepe, cientista da Universidade de Palermo, em Itália.

Na nova investigação, cujos resultados foram publicados no passado mês de Junho na revista científica especializada Tectonics, a equipa observa que esta formação é relativamente jovem do ponto de vista geológico.

O especialista, citado pelo mesmo portal, disse ainda que a região em causa é muito complexa e sismicamente activa devido à colisão de três placas tectónicas que, literalmente, rasgaram a crosta terrestre: a da África, a da Eurásia e a da Anatólia.

A formação de vulcões nesta área é também afectada pela pequena placa do Adriático, um fragmento de crosta que se separou da placa africana há mais de 65 milhões de anos, sendo actualmente empurrada para baixo da placa eurasiana. Este processo conhecido como sub-ducção é responsável pelo aparecimento de outros vulcões, como é o caso do Vesúvio, entrou em erupção em 79 d.C.

Detalha a Russia Today que este complexo foi descoberto graças ao mapeamento da região subaquática, bem como ao estudo das anomalias magnéticas e dos dados sísmicos já recolhidos na área. Partindo destes dados, a equipa descobriu uma área de aproximadamente 2.000 quilómetros quadrados, a que chamara o Complexo Intrusivo Diamante‐Enotrio‐Ovidio.

Apesar de os vulcões na área estarem actualmente inactivos, os cientistas não descartam que, no futuro, possam voltar a acordar. Por isso, estão agora a trabalhar num mapa de risco na área, estudando também a possibilidade de aproveitar o complexo agora descoberto para gerar energia geotérmica-

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28 Setembro, 2019

 

2408: Descobertos seis vulcões a poucos quilómetros da costa da Sicília

Tomasz Pokora Travel Photography / Flickr
Costa da Sicília

Uma equipa de cientistas descobriu seis vulcões ocultos debaixo de água numa área do Mediterrâneo a poucos quilómetros da costa da ilha de Sicília, em Itália.

A área com os vulcões, frequentemente atravessada por várias embarcações, foi descoberta graças a dados de alta resolução recolhidos com a ajuda da expedição oceanográfica OGS Explora, que levou a cabo duas missões de investigação em Agosto de 2017 e Fevereiro de 2018.

De acordo com a investigação, cujos resultados foram esta semana publicados na revista científica especializada Marine Geology, as seis formações vulcânicas foram detectadas a uma profundidade máxima de 133 metros e localizados a uma distância entre 7 a 23 quilómetros da costa da Sicília.

“Ficamos muito surpresos com [a descoberta], porque estávamos muito perto da costa”, disse Emanuele Lodolo, autor principal autor do estudo e cientista do Instituto Nacional de Oceanografia Experimental e Geofísica da Itália, em declarações à National Geographic.

A equipa estima que todos vulcões sejam datados do Quaternário Tardio, tendo todos explodido uma única vez há cerca de 20.000 anos. Apenas uma destas formações, que foi baptizada de Actea, mostra sinais de actividade magmática posterior ao Último Máximo Galcial, tendo um rastro de lava que se estende por aproximadamente quatro quilómetros.

Todos os vulcões são de pequena dimensão, variando o seu tamanho entre 16 e 120 metros desde a base até ao topo do vulcão. O pico de Actea, o mais alto entre os seis agora descobertos, está a apenas 33 metros abaixo do nível do mar.

Os cientistas alertam que uma eventual erupção nesta área pode representar uma ameaça quer para a navegação na zona, quer para os moradores da área costeira. Ainda assim, frisaram, são necessários mais estudos para perceber completamente estas estruturas vulcânicas e precisar o perigo real que representam.

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6 Agosto, 2019

 

2374: O aspecto de uma das mais famosas montanhas da Europa está a mudar (e já se sabe quem é o culpado)

CIÊNCIA

Mrexentric / pixabay

Uma das montanhas mais pitorescas da Europa está a desmoronar-se pouco a pouco devido às alterações climáticas, alertam os especialistas.

De acordo com um artigo publicado na revista Arctic, Antarctic and Alpine Research, o derretimento o permafrost na montanha Matterhorn, de 4.480 metros de altura, e a remoção das suas geleiras estão a causar a desintegração da montanha.

A equipa do Instituto Federal de Tecnologia de Zurique, na Suíça, instalou 50 sensores de movimento a 3.692 metros de altura em Junho para actualizar as previsões de possíveis deslizamentos de terra nesta montanha característica em forma de pirâmide que se localiza na fronteira da Suíça com a Itália.

Os investigadores compararam o derretimento de Matterhorn com um gelado de stracciatella recheado com pedaços finos de chocolate. Quando os pedaços amolecem, o gelado perde a firmeza.

“Quando as montanhas altas descongelam no verão, a rigidez diminui e os sedimentos do solo ficam instáveis ​​como consequência da água”, disse um dos cientistas, Jan Beutel, ao jornal The Daily Mail.

As fendas crescem e movem-se. Muitas continuam a mover-se na mesma direção todos os anos e, em algum momento, uma pequena escala da superfície acaba por se partir”, disse.

Embora o Matterhorn não entre em colapso, a remoção da neve e do seu manto de gelo terá consequências na aparência da montanha. “A natureza está a mudar, são mudanças subtis, mas coisas importantes estão a acontecer”, disse. O cientista lembrou que as montanhas mais altas são as primeiras a perceber as consequências da mudança climática.

O especialista sublinhou ainda que o alpinismo está a ser afectado negativamente pelo aquecimento global, criando condições instáveis ​​para subidas e aumentando o risco de deslizamentos de terra.

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27 Julho, 2019

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2340: Erupção do super-vulcão de Nápoles pode criar um tsunami com 30 metros de altura

CIÊNCIA

Marta Isabella Reina / Flickr

Uma erupção subaquática do super-vulcão de Nápoles, Campi Flegrei, pode produzir um tsunami de 30 metros de altura que poderia ter um impacto muito severo nas áreas costeiras populosas como Pozzuoli e Sorrento.

Ao modelar as erupções no alto mar no vulcão activo, que fica a oeste de Nápoles, os investigadores conseguiram mostrar que os tsunamis podem representar um risco para a região. Os geólogos acreditam que o Plano Nacional de Emergência para o Campi Flegrei deve ser actualizado.

Campi Flegrei é um complexo vulcânico composto por 24 crateras. Muitos deles estão debaixo de água, na baía de Pozzuoli. O vulcão entrou em erupção pela última vez em 1538 durante uma semana e levou à formação de um novo vulcão, o Monte Nuovo. Campi Flegrei está activo há 60 mil anos, tendo a caldeira formado-se durante duas grandes erupções explosivas.

Vários estudos recentes indicaram que estão a ocorrer mudanças no sistema. Num deles, os investigadores descobriram que o magma parece estar a construir-se sob o sistema vulcânico, sugerindo que Campi Flegrei está a entrar num novo ciclo de caldeira. Esta nova fase poderia “em algum ponto indeterminado no futuro” culminar numa “grande erupção de volume”.

Noutro relatório, os cientistas analisaram a deformação do solo ocorrida na região desde a década de 1950, descobrindo que o vulcão tem construído energia ao longo desse período, indicando que está “a evoluir para condições mais favoráveis ​​à erupção“.

Por causa do risco que o Campi Flegrei representa – cerca de 500 mil pessoas vivem na “zona vermelha” do vulcão – o governo italiano tem um Plano Nacional de Emergência para o caso de uma erupção. Este plano, no entanto, não inclui o evento de uma erupção subaquática.

“Há vários altos riscos associados a esta actividade vulcânica, incluindo grandes explosões que destruiriam a paisagem e emitiriam cinzas na atmosfera, um denso fluxo piroclástico de gás quente, cinza e outros materiais vulcânicos que são ejectados na atmosfera durante uma erupção”, disse Martina Ulvrova, do Instituto de Geofísica da ETH de Zurique à Newsweek.

Ulvrova acrescentou que, embora o plano de evacuação para uma erupção mais provável esteja bem estabelecido, um tsunami também pode representar um risco: “Não podemos negligenciá-lo e deve ser incluído nos mapas de perigo para a região”, disse.

Num estudo publicado no PLOS One, Ulvrova e os colegas produziram modelos que mostram os potenciais tsunamis produzidos por erupções de diferentes tamanhos em vários locais da Baía de Pozzuoli. De acordo com os testes, uma explosão formaria uma “cavidade semelhante à cratera na superfície da água”, com uma coluna de água a aparecer no centro. Quando a coluna entra em colapso, produziria uma segunda onda.

As descobertas sugerem que “existe um perigo significativo de tsunami em muitas áreas da Baía de Nápoles”, com o risco mais proeminente na baía de Pozzuoli.

Sob a maioria dos cenários de erupção, foram produzidos tsunamis que se espalharam e atingiram áreas povoadas. A maioria das regiões só seria afectada por ondas relativamente pequenas – com menos de nove metros de altura. As ondas demorariam cerca de 15 minutos para atravessar a baía de Nápoles.

No entanto, no pior cenário, as ondas com 30 metros podem atingir a costa. “”Isso impactaria em grande parte as áreas costeiras densamente povoadas da baía de Pozzuoli com uma infraestrutura densa, incluindo casas, rede ferroviária, restaurantes, edifícios históricos”, rematou Ulvrova.

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20 Julho, 2019

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2089: O Etna voltou a acordar. O maior vulcão da Europa entra em erupção

Orietta Scardino / EPA

O vulcão Etna, situado na região italiana da Sicília, voltou a entrar em erupção esta quinta-feira, com novas fendas abertas na sua face sudeste.

Dois fluxos de lava percorrem algumas centenas de metros no cume do vulcão activo de maior altitude na Europa. A actividade é de intensidade média e caracterizada pela ejecção de cinzas, gases e rochas.

A erupção, no entanto, não afecta as operações no Aeroporto de Catânia, maior cidade dos arredores do Etna. “Estamos no início de uma nova fase eruptiva do Etna, que pode acabar rapidamente ou durar meses”, explicou o director do Instituto Nacional de Geofísica e Vulcanologia (INGV) em Catânia, Eugenio Privitera.

“Os fenómenos estão confinados ao cume do vulcão e não constituem um perigo para centros habitados e pessoas, mas é preciso controlar os fluxos de turistas na zona para sua própria segurança”, acrescentou.

Embora o Etna esteja activo há algum tempo, esta erupção foi significativa, já que foi a erupção do primeiro flanco (lateral), e não a erupção do cume, no Etna por mais de uma década. De acordo com o Programa Global de Vulcanismo da Smithsonian Institution, este paroxismo fazia parte de uma sequência vulcânica prolongada que começou em Setembro de 2013.

Apesar de ser um pouco imprevisível, o Etna está em erupção há anos. Já em Fevereiro deste ano, por exemplo, nuvens de cinzas foram vistas a subir em direcção ao céu a partir de uma série de pequenas explosões do chamado Telhado do Mediterrâneo.

Em Dezembro do ano passado, um sismo de magnitude 4,8 na escala de Richter atingiu a província de Catânia, na Sicília, junto ao monte Etna, fazendo pelo menos dez feridos e provocando alguns danos em edifícios. O sismo ocorreu dois dias depois de o Etna ter entrado em erupção, intensificando a actividade vulcânica na e actividade sísmica na região.

O vulcão do Monte Etna, na parte oriental da Sicília, está a escorregar lentamente para o mar. Um estudo mostrou que há um risco muito maior do que o anteriormente previsto de um colapso originar um tsunami. O Monte Etna está a deslizar para o Mediterrâneo a cerca de três a cinco centímetros por ano.

O Etna é o maior vulcão activo da Europa e um dos vulcões mais activos do mundo. É também a mais alta montanha da Sicília. A extensão total da sua base é de 1190 quilómetros quadrados, com uma circunferência de 140 quilómetros, o que o torna quase três vezes maior que o Vesúvio.

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1 Junho, 2019


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1954: O super-vulcão de Nápoles espalhou cinza por todo o Mediterrâneo

CIÊNCIA

Marta Isabella Reina / Flickr

Uma erupção na super-caldeira dos Campos Flégreos, em Nápoles, originou, há 29.000 anos, uma camada de cinzas vulcânicas tão intensa que os sedimentos espalharam-se por todo o Mar Mediterrâneo, revelou um novo estudo.

A erupção da formação desta caldeira, há 40.000 anos, é considerada a maior erupção conhecida na Europa nos últimos 200 anos, recordam os autores na nova publicação, cujos resultados foram no fim de abril publicados na revista Geological Society of America.

Pouco ou nada se sabe das outras grandes erupções deste super-vulcão italiano antes da formação da sua caldeira mais recente, registada há 15.000 anos.

Na nova investigação, liderada por Paul Albert, da Universidade de Oxford, nos Estados Unidos, os cientistas estudaram uma erupção que data de há 29.000 anos. Os especialistas confirmaram que a erupção oriunda dos Campos Flégreos espalhou uma camada de cinzas vulcânicas por todo o Mediterrâneo, noticia a agência Europa Press.

A informação sobre as grandes erupções explosivas é estabelecida principalmente a partir de investigações geológicas dos depósitos expostos que são encontrados em torno do vulcão fonte, neste caso, no super-vulcão napolitano.

Desde o fim da década de 1970, uma camada de cinzas vulcânicas dispersa, com cerca de 29.000 anos, foi várias vezes identificada em sedimentos marinhos e lacustres em todo o Mediterrâneo, dando conta da ocorrência de uma erupção de grande magnitude.

Apesar da sua distribuição generalizada e a idade relativamente jovem, não se encontrou nenhuma evidência clara de que esta dispersão de cinzas estivesse associada a um dos grandes vulcões desta região de Itália – até então.

As análises químicas detalhadas levadas a cabo pela equipa de cientistas num depósito de erupção encontrado a cinco quilómetros a nordeste da caldeira dos Campos Flégreos revelou que o depósito é totalmente consistentes com a composição distintiva da camada de cinzas espessa.

Estes dados, comparados com a nova datação do depósito da erupção perto da fonte, confirmam que os Campos Flégreos são os responsáveis pela enorme camada de cinzas.

As restrições sobre o tamanho da erupção foram determinadas pela equipa a partir de modelos computorizados de dispersão de cinzas que integrava as espessuras dos depósitos de erupção de fonte próximos, neste estudo denominados de Masseria del Monte Tuff, bem como as cinzas encontradas em todo o Mediterrâneo.

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10 Maio, 2019

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1297: O super-vulcão de Nápoles pode ter iniciado o seu ciclo mortal de magma

CIÊNCIA

Marta Isabella Reina / Flickr
Os cientistas dizem que o super-vulcão dos Campos Flégreos entrou numa nova fase

O super-vulcão dos Campos Flégreos, próximo da cidade italiana de Nápoles, tem dado indícios de que uma grande erupção pode ocorrer brevemente. De acordo com um novo estudo, o vulcão entrou num novo ciclo de magma, conhecido por preceder as mais devastadores erupções desta zona vulcânica.

Segundo alertaram em 2016 especialistas italianos e franceses, a caldeira vulcânica dos Campos Flégreos, em Nápoles, que poderá ter causado a extinção dos Neandertal, é uma bomba-relógio à espera de explodir na Europa, e pode acordar a qualquer momento.

Num novo estudo agora apresentado, uma equipa de cientistas italianos concluiu que na realidade o mortífero super-vulcão de Nápoles pode já ter iniciado o seu ciclo mortal de magma, que precede potenciais erupções.

“Pensamos que o sistema de encanamentos sub-vulcânicos dos Campos Flégreos está, actualmente, a entrar numa nova fase de construção, podendo potencialmente culminar, num indeterminado ponto no futuro, numa erupção de grande volume”, escreveram os autores no artigo esta semana publicado na Science Advances. 

As descobertas agora publicadas sugerem que super-vulcão dos Campos Flégreos, que se encontra adormecido há quase 500 anos, embarcou num novo ciclo de magma, podendo trazer consequências devastadoras no futuro. No entanto, importa frisar, no plano imediato não há qualquer perigo para os 1,5 milhões de pessoas que vivem na região.

Para chegar a esta conclusão, a equipa de cientistas, liderada pela vulcanologista italiana Francesca Forni, da Universidade Tecnológica de Nanyan, em Singapura, examinou as 23 erupções registadas na história deste super-vulcão.

A mais recente destas erupções, que se estendeu durante oito dias em meados de 1538, pode ter sido grande o suficiente para dar origem a uma nova montanha – apelidada de Monte Nuovo – mas, ainda assim, foi um fenómeno relativamente fraco no rol de todas as erupções nos Campos Flégreos.

Os dois eventos mais notáveis foram a erupção de Campanian Ignimbrite, há cerca de 39 mil anos, e a posterior Neapolitan Yellow Tuff, erupção ocorrida há cerca de 15 mil anos.

Ambas as erupções foram massivas, e prova disso mesmo são as enormes caldeiras que acabaram por formar. Campanian Ignimbrite, por exemplo, dispersou-se por 3,7 milhões de quilómetros quadrados.

Web Gallery of Art / Wikimedia
Os Campos Flégreos, na região de Nápoles, pintura de Michael Wutky, 1780

Novo ciclo de magma no Campi Flegrei

Os cientistas conduziram análises químicas a rochas, minerais e amostras de vidro oriundas das duas grandes erupções acima citadas e, partiram desses dois exemplos para perceber este novo ciclo super-vulcão dos Campos Flégreos. De acordo com o artigo, as condições do magma do vulcão podem estar a entrar novamente na fase de aumento de pressão, que precede potenciais erupções.

“Os nossos dados revelam que a erupção mais recente de Monte Nuovo é caracterizada por magmas altamente diferenciados semelhantes aos que alimentaram a actividade pré-caldeira e as fases iniciais das erupções que a formaram [Campanim Ignimbrite e NYT]”, explicaram os especialistas.

Tendo isto em conta, a equipa sugere que a erupção de Monte Nuovo “é a expressão de uma mudança de estado nas condições de armazenamento do magma através da qual quantidades substanciais de voláteis começam a dissolver-se no reservatório raso”.

Simplificando: o tipo de magma que o Monte Nuovo expeliu – saturado em água e gasoso, sendo também rico em CO2 –, já foi anteriormente visto no desenvolvimento vulcânico de Campi Flegrei, nas suas duas maiores erupções de Campanim Ignimbrite e NYT.

E, por isso, os cientistas acreditam que a mais recente erupção pode ser “sintoma” de que uma maior pode estar a chegar. Contudo, e mesmo uma enorme e destrutiva erupção venha acontecer, seria apenas daqui a muitas centenas (ou até) milhares de anos.

“O super-vulcão dos Campos Flégreos pode manter estas mesmas condições físicas e químicas durante muito tempo”, explicou o co-autor Gianfilippo De Astis, do Instituto Nacional de Geofísica e Vulcanologia da Itália, em declarações ao New York Times.

Por mais assustador que possa parecer, é importante realizar este tipo de estudos para perceber o comportamento e a evolução do magma, realinhando assim novas técnicas e ferramentas de compreensão.

“Entender o que está a derreter abaixo da superfície é muito importante para nos ajudar a prever os que os vulcões podem fazer no futuro”, explicou à The Verge a vulcanologista Janine Krippner, da Universidade de Concord, que não esteve envolvida na pesquisa.

“Estas erupções realmente massivas têm probabilidade extremamente baixas de ocorrer mas, se acontecer, precisamos de saber o máximo que conseguirmos”, rematou.

Uma ameaça muito maior que os asteróides

Cientistas da agência espacial norte-americana NASA afirmam que a ameaça da possível erupção de um super-vulcão é “substancialmente maior” do que a dos asteróides ou cometas, cuja probabilidade de colidir com o nosso planeta é bastante baixa.

Os 20 super vulcões conhecidos na Terra, entre os quais a caldeira do Parque Yellowstone, nos EUA, e a caldeira vulcânica dos Campos Flégreos, em Itália, explodem em gigantescas erupções de consequências catastróficas, em média, uma vez em cada 100.000 anos.

Estas erupções causam normalmente extinções em massa e lançam o planeta em Invernos vulcânicos que se prolongam por centenas ou milhares de anos – o que se torna um problema para as poucas criaturas que sobrevivem à erupção original.

Mas nem tudo está perdido, porque a NASA tem um plano para salvar a Terra – pelo menos, de uma eventual erupção do super-vulcão de Yellowstone.

ZAP // Live Science / National Geographic

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17 Novembro, 2018

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1172: Graffiti pode revelar a verdadeira data da erupção que destruiu Pompeia

CIÊNCIA

ElfQrin / wikimedia
Ruínas de Pompeia com o vulcão do Monte Vesúvio ao fundo.

Esta terça-feira, as autoridades italianas anunciaram que a erupção vulcânica que destruiu a cidade romana de Pompeia, em 79 d.C., pode ter acontecido dois meses mais tarde do que pensavam os cientistas.

Até agora, pensava-se que a erupção que tinha soterrado a cidade de Pompeia debaixo de uma chuva de cinzas tinha acontecido a 24 de Agosto de 79 d.C.. No entanto, uma linha escrita em carvão na parede de uma sala investigada por arqueólogos acaba de mudar tudo: afinal, o desastre deve ter acontecido a 17 de Outubro de 79 d.C..

À medida que as escavações avançavam no sítio arqueológico de Pompeia, os cientistas começaram a duvidar da datação inicial, até que encontraram vestígios de romã, nozes e uvas prontas para serem usadas para fazer vinho. Estes vestígios indicavam que o desastre tinha acontecido durante o outono.

Mas o que, até hoje, não passavam de dúvidas, pode ser agora uma confirmação de que esses arqueólogos tinham mesmo razão. O Parque Arqueológico anunciou que os especialistas encontraram uma linha escrita em carvão na parede de uma sala que dizia: “XVI K Nov”, que, em português, significa “16º dia antes do primeiro de Novembro“, ou seja, 17 de Outubro.

Segundo o Observador, esta descoberta vem acentuar as desconfianças dos arqueólogos: afinal, a erupção vulcânica que destruiu Pompeia pode mesmo ter acontecido dois meses depois do calculado pelos cientistas.

De acordo com os especialistas, esta frase foi escrita numa área de uma casa que estava a ser renovada antes da erupção do Vesúvio. Ainda assim, defendem que não terá sido escrita muito antes, porque, como foi escrita em carvão, seria difícil que ela conseguisse sobreviver muito tempo a não ser que fosse preservada pelas cinzas do vulcão.

Apesar de os cientistas não saberem ao certo se a frase foi escrita no dia da catástrofe ou um dia antes, este graffiti indica uma data muito mais aproximada do dia da destruição total de Pompeia.

Alberto Bonisoli, ministro da Cultura, considerou a descoberta de “extraordinária”. “Hoje, com muita humildade, talvez reescrevamos os livros de história, porque datávamos a erupção na segunda metade de Outubro.”

Pompeia foi uma cidade do Império Romano, situada a 22 quilómetros de Nápoles, na Itália, no território do actual município de Pompeia. A antiga cidade foi destruída durante uma grande erupção do vulcão Vesúvio, provocando uma intensa chuva de cinzas e sepultando completamente a cidade.

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19 Outubro, 2018

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1157: Descoberta uma criança “vampiro” num cemitério em Itália

CIÊNCIA

Photo courtesy of David Pickel/Stanford University
O “Vampiro de Lugano”, a criança de 10 anos encontrada num cemitério em Itália com uma pedra na boca.

Arqueólogos encontraram num cemitério em Itália, os restos mortais de uma criança de 10 anos com uma pedra na boca, um antigo ritual funerário de vampiros que era praticado durante a Idade Média europeia e que visava prevenir que o morto voltasse à vida.

O esqueleto desta criança de 10 anos data do Século XV, altura em que a Itália foi afectada por uma praga de malária. Os restos mortais indiciam que a criança, cujo sexo não foi possível ainda identificar, terá morrido devido à doença, como notam os investigadores da Universidade do Arizona, nos EUA, que estão envolvidos nas escavações arqueológicas.

Os ossos da criança foram encontrados num túmulo improvisado construído com telhas e há sinais de que a pedra foi colocada de forma intencional na sua boca, nomeadamente “as mandíbulas abertas” e “marcas de dentes na superfície da pedra”, como explica a Universidade do Arizona em comunicado.

A criança também apresenta um abcesso num dente, o que é considerado “um efeito secundário da malária”, frisam os investigadores.

O esqueleto foi encontrado num cemitério que terá sido usado para enterrar bebés e crianças, que eram especialmente vulneráveis à malária. As pessoas receavam que os corpos pudessem ressuscitar para espalhar de novo a doença, o que justifica a pedra na boca.

“É um tratamento mortuário muito incomum que se vê de várias formas em diferentes culturas, especialmente no mundo Romano, e que poderia indicar que havia um medo de que esta pessoa pudesse voltar dos mortos e tentasse espalhar a doença pelos vivos”, destaca a bio-arqueóloga Jordan Wilson, estudante de doutoramento da Universidade do Arizona.

Conhecida como o ‘Vampiro de Lugnano’, esta criança de 10 anos foi a mais velha encontrada até agora no cemitério.

Noutro local deste mesmo cemitério, foi encontrado o esqueleto de uma menina de 3 anos com pedras a segurarem-lhe as mãos e os pés.

Na chamada “Necropoli dei Bambini” ou “A Necrópole das Crianças”, foram encontrados vários esqueletos de crianças e bebés enterrados ao lado de garras de corvos, ossos de sapos e caldeirões de bronze cheios de restos de cachorros sacrificados, vestígios que apontam para práticas de bruxaria.

“Sabemos que os Romanos eram muito preocupados com isto, e iam até ao extremo de utilizar bruxaria para evitar que o diabo – o que quer que contaminasse o corpo – saísse dele”, explica o professor de Antropologia da Universidade do Arizona, David Soren.

“Nunca via nada assim. É extremamente misterioso e estranho“, assume Soren, que acompanha as escavações no local desde 1987, em declarações divulgadas pelo Independent.

As escavações no local vão continuar, até porque há secções do cemitério ainda por explorar e que poderão revelar novas surpresas.

SV, ZAP //

Por SV
17 Outubro, 2018

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1130: Colapso do Etna para o mar pode causar tsunami devastador na Europa

(CC0/PD) notiziecatania / pixabay
Catania, na Sicília, com o Etna ao fundo

O vulcão do Monte Etna, na parte oriental da Sicília, está a escorregar lentamente para o mar. Um novo estudo mostra agora que há um risco muito maior do que o anteriormente previsto de um colapso originar um tsunami.

Após ter sido comprovado que o Monte Etna está a deslizar para o Mediterrâneo, um novo estudo explica agora o motivo pelo qual este monte se desloca cerca de três a cinco centímetros por ano. O estudo foi publicado a 10 de Outubro na revista Science Advances.

Nos primeiros estudos, os cientistas apontavam como causa para o deslocamento a acumulação de pressão proveniente do magma interno do vulcão.

Contudo, uma equipa de investigação liderada pela Dr.ª Morelia Urlaub, do Centro de Investigação do Oceano GEOMAR Helmholt, estudou os movimentos do fundo do mar durante um período em que a derrapagem do vulcão acelerou.

Entre os dias 12 e 20 de maio de 2017, os investigadores registaram, em pouco mais de uma semana, locais que se distanciaram cerca de 3,9 centímetros um do outro. Este valor foi observado longe da câmara de magma, onde os efeitos de pressão seriam mais significativos de acordo com a primeira teoria avançada pelos especialistas.

Além disso, os investigadores não registaram a existência de qualquer aumento de magma, o que fez cair por terra a teoria de que o deslocamento seria causado pela acumulação de pressão do magma.

Retirada essa hipótese de cima da mesa, Urlaub e a sua equipa acreditam que a explicação para esse fenómeno se prende com a atracção gravitacional da margem continental que se afundou no mar e que está a puxar partes da montanha atrás dela.

O artigo descreve o deslizamento gravitacional como “o processo vector” que causa colapsos, estimulando mudanças no magma que induziram erupções subsequentes.

O resultado que mais se destaca neste trabalho é a percepção de que um colapso do flanco submarino do Etna é muito mais provável do que aquilo que se pensava anteriormente, isto porque as causas do deslizamento se alteraram.

Segundo os investigadores, o deslizamento gravitacional irá continuar e poderá até tornar-se mais repentino e mais forte, sendo capaz de criar um tsunami devastador.

O Etna é o maior vulcão activo da Europa e um dos vulcões mais activos do mundo. É também a mais alta montanha de Itália. A extensão total da sua base é de 1190 km², com uma circunferência de 140 km, o que o torna quase três vezes maior que o Vesúvio.

Por ZAP
11 Outubro, 2018

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912: Estudantes italianos podem ter descoberto nova classe de objecto astronómico

ESA / XMM-Newton, A. De Carlo / INAF

Alunos do Ensino Secundário em Itália descobriram um estranho objecto durante o projecto EXTraS, dedicado a uma busca sistemática por variabilidade nos dados de arquivo do satélite XMM-Newton.

As estrelas podem emitir chamas de intensa radiação de raios-X. Em particular, uma estrela sob a influência de um buraco negro próximo ou uma estrela de neutrões vizinha pode produzir chamas extremamente brilhantes e breves.

Segundo a revista Nature, em busca de tais objectos, a equipa de estudantes no seu último ano do Ensino Secundário em Saronno, Itália, analisou dados do satélite XMM-Newton, identificando um objecto no centro do aglomerado globular NGC 6540 que sofreu um surto curioso em 2005.

Depois de os estudantes terem apresentado as suas descobertas aos cientistas, uma análise feita por Sandro Mereghetti, do Instituto Nacional de Astrofísica de Milão, e dos seus colegas mostrou que a luminosidade do estranho objecto é significativamente maior do que é normalmente observado em erupções estelares de tão curta duração, deixando em aberto a possibilidade de outras interpretações.

De acordo com Mereghetti, a fonte de raios-X brilhou durante cinco minutos. No seu auge, tinha mais de 40 vezes o seu brilho normal. A explosão foi breve demais para ter sido de uma única estrela, mas muito fraca para ter sido produzida por um objecto nas proximidades de um “companheiro”, como um buraco negro ou uma estrela de neutrões.

Isto pode significar que tal objecto não é uma estrela regular, mas sim uma nova classe astronómica. Há provavelmente mais objectos como este escondidos nos arquivos do XMM-Newton, por isso, os cientistas terão de encontrá-los para desvendar este mistério.

Por HS
24 Agosto, 2018

(Foram corrigidos 9 erros ortográficos ao texto original)

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