4497: Cientistas poderão criar campos magnéticos na Terra tão fortes quanto buracos negros

CIÊNCIA/ASTRONOMIA/FÍSICA

Um novo estudo sugere a possibilidade dos cientistas serem capazes de criar campos magnéticos na Terra que se assemelhem à força daqueles observados em buracos negros e estrelas de neutrões, no Espaço.

De acordo com um novo artigo publicado na Scientific Reports, esses campos magnéticos super fortes – que seriam criados através da explosão de micro-túbulos com lasers – são importantes para a realização de pesquisas de física, ciência dos materiais e astronomia.

A maioria dos campos magnéticos na Terra, mesmo os artificiais, não são particularmente fortes. A técnica de imagiologia por ressonância magnética (IRM) usada em hospitais produz, normalmente, campos de cerca de 10 mil gauss (1 tesla) – sendo que o campo geo-magnético que oscila as agulhas da bússola regista entre 0,3 e 0,5 gauss.

Algumas máquinas de ressonância magnética usadas para pesquisa criam campos de 105 mil gauss (10,5 tesla) e uma experiência com lasers realizada num laboratório em 2018 criou um campo com cerca de 1.200 tesla.

M. Murakami
Ilustração da implosão de um microtubulo

Novas simulações virtuais realizadas por Masakatsu Murakami, um dos autores do estudo, sugere que a criação de um campo de 1 milhão de tesla poderá ser possível.

Segundo o Live Science, os investigadores descobriram que disparar impulsos de laser ultra-intensos em tubos ocos de apenas alguns micrómetros de diâmetro poderia fornecer energia suficiente aos electrões na parede do tubo e fazer com que o tubo implodisse.

As interacções desses electrões e o vácuo criado com a implosão do tubo leva ao fluxo de corrente eléctrica, que é o responsável pela criação do campo magnético. Neste caso, o fluxo de corrente poderá amplificar um campo magnético pré-existente entre duas a três ordens de magnitude, descobriram os cientistas.

Apesar de um campo magnético megatesla não durar muito tempo, desaparecendo após cerca de dez nano-segundos, seria o suficiente para fazer experiências, visto que as partículas e condições em que os cientistas trabalham desaparecem em menos do que o tempo de um piscar de olhos.

Os investigadores usaram simulações para confirmar se esses campos magnéticos ultra fortes estão mesmo ao alcance da tecnologia moderna e calcularam que a sua criação no mundo real exigiria um sistema de laser com energia de 0,1 a 1 quilojoule e uma potência total de 10 a 100 petawatts.

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Por ZAP
16 Outubro, 2020