2662: Vulcão de lua de Júpiter prestes a entrar em erupção

CIÊNCIA

Os investigadores conseguiram determinar um padrão na actividade do Loki.

© NASA / JPL / USGS Os investigadores conseguiram determinar um padrão na actividade do Loki.

O maior vulcão da lua Io de Júpiter está prestes a entrar em erupção e os investigadores estão atentos para reunir todos os dados e detalhes do evento. O vulcão, de nome Loki, tem sido alvo de uma observação atenta da parte dos investigadores, que identificaram até um padrão nas erupções do vulcão.

De acordo com o ‘paper’ publicado pela cientista planetária Julie Rathburn do Instituto de Ciência Planetária, as erupções do Loki tinham um ciclo de 530 dias. O ‘paper’ em questão foi fruto de observações feitas entre 1988 e 2000, com os investigadores a notarem que, no início da erupção, o vulcão se iluminava e permanecia neste estado durante 230 dias até voltar a apagar-se.

Porém, como conta o Science Alert, o ciclo encurtou em 2013 e verificou que em vez dos 530 dias a duração era agora de 475 dias. É este novo ciclo que leva os investigadores a acreditarem que o Loki entrará em erupção ainda durante este mês.

“Os vulcões são tão difíceis de prever porque são muito complicados. Há muitas coisas que podem influenciar as erupções vulcânicas, incluindo a taxa de abastecimento de magma, a composição do magma – em particular a presença de bolhas no magma, o tipo de rocha em que o vulcão se encontra, o estado fracturado da rocha e muitas outras questões”, indica Rathburn. “Consideramos que o Loki pode ser previsível porque é tão grande. Devido ao seu tamanho, as físicas básicas provavelmente dominam-no quando entra em erupção, por isso as complicações pequenas que afectam os vulcões pequenos provavelmente não afectam muito o Loki.

msn notícias
Miguel Patinha Dias
18/09/2019

 

812: Estranhos vulcões estão em erupção em todo o Sistema Solar

NASA/JPL/USGS
O vulcão Arsia Mons, em Marte, captado por sonda da NASA no planalto Tharsis Montes.

A sonda Juno, da NASA, detectou recentemente um possível novo vulcão no pólo sul da lua mais vulgar de Júpiter, a Io. Mas esta lua vulcanicamente activa não está sozinha no Sistema Solar.

A lua Io é famosa pelos seus inúmeros vulcões e pelo facto de estes soltarem lava dezenas de quilómetros acima da superfície. Esta lua de Júpiter está constantemente a reformar a sua superfície através de erupções vulcânicas. O vulcanismo de Io resulta de fortes encontros gravitacionais entre Júpiter e duas das suas grandes luas, Europa e Ganimedes, que “sacodem” as entranhas de Io.

Rosaly Lopes, investigadora do Jet Propulsion Laboratory (JPL) da NASA, na Califórnia, levou a cabo observações desta lua vulcanicamente activa entre 1996 e 2001, durante a missão espacial Galileo.

“Em Io existem muitos fluxos de lava e muitos lagos. Os lagos de lava são bastante raros na Terra, temos meia dúzia deles. Achamos que ocorreram no passado, em Vénus e Marte. Mas na Io, na verdade, vemos lagos de lava ainda hoje”, disse a cientista. O Kilauea, no Havai, é um desses locais na Terra repletos de lagos de lava, por exemplo.

Agora, os cientistas pediram ajuda de Lopes para identificar o hotspot recém-encontrado de Io (um novo vulcão no pólo sul da lua mais vulgar de Júpiter), gesto que a cientista agradeceu dizendo que novas observações desta lua de Júpiter são bem vindas, dado que a sonda Galileo estava numa órbita equatorial e raramente conseguia observar os pólos.

Pelo contrário, a sonda Juno está numa órbita polar e tem uma visão favorecida dos pólos. Embora haja alguns indícios de que Io possa ter erupções maiores, mas menos frequentes, nos pólos, são precisas mais observações para os cientistas terem a certeza.

Ao contrário do que seria de esperar, Io não está sozinha. Vénus também parece ter fluxos de lava activos na sua superfície, onde as temperaturas atingem os 425 graus Celsius. Lopes afirmou, contudo, que não está claro se Vénus tem vulcões activos actualmente, embora várias observações da missão anterior da Europa Vénus Expressa tenha sugerido que sim.

Vénus tem cúpulas de vulcões e vulcões com muitos picos, embora não se saiba se estão activos ou inactivos. Este tipo de vulcão é também muito comum na Terra. É um vulcão em forma de cúpula que é formado por erupções de lava viscosa, com apenas uma pequena percentagem de gás.

No entanto, Vénus tem também outros tipos de vulcões e características vulcânicas: cúpulas de panquecas (que se parecem com panquecas), aracnóides (caldeiras que se parecem com aranhas), fluxos de lava e planícies vulcânicas.

Vénus e Marte têm também vulcões de escudo, um tipo de vulcão composto quase inteiramente por fluxos de lava fluída. Este tipo de vulcões são muito vulgares na Terra, em particular no Havai.

Mas Marte leva a taça: além de possuir o vulcão mais alto do Sistema Solar – o Monte Olimpo – tem também vários vulcões monstruosos, e a explicação pode estar na gravidade, que, por ser mais leve, pode fazer com que os vulcões cresçam mais altos do que o que acontece na Terra.

Em Marte, os vulcões parecem estar dormentes, já que não há fluxos de lava recentes visíveis na superfície. Há, no entanto, evidências extensas de vulcanismo no passado: planícies de inundação de basaltos, bem como outros tipos de vulcões que “foram formados por vulcanismo explosivo”, disse Lopes.

Além de Io, Vénus e Marte, também a lua da Terra, Mercúrio e Ceres tiveram vulcanismo de lava no passado, afirmou a cientista, acrescentando que há mundos com possíveis vulcões gelados (crio-vulcanismo) nos quais o material em erupção é água ou água misturada com nitrogénio ou metano.

Há também evidências de plumas activas na lua de Júpiter, Europa, e na lua de Saturno, Encelado. A lua de Saturno, Titan, também pode ter características crio-vulcânicas na superfície, assim como Tritão (a maior lua de Neptuno), Plutão e Caronte (a maior lua de Plutão).

Por ZAP
31 Julho, 2018

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