2616: Investigação da NASA fornece novas informações sobre a perda atmosférica de Marte

CIÊNCIA

Esta impressão de artista ilustra o passado ambiente de Marte (direita) – que se pensa ter tido água líquida e uma atmosfera mais espessa – vs. o ambiente frio e seco visto em Marte hoje (esquerda).
Crédito: Centro de Voo Espacial Goddard da NASA

De acordo com novas observações de cientistas financiados pela NASA, um importante rastreador usado para estimar a quantidade de atmosfera perdida por Marte pode mudar dependendo da hora do dia e da temperatura da superfície do Planeta Vermelho. As medições anteriores deste rastreador – isótopos de oxigénio – discordam significativamente. Uma medição precisa deste rastreador é importante para estimar quanta atmosfera Marte já teve antes de se perder, o que revela se pode ter sido habitável e como teriam sido as condições.

Marte é hoje um deserto frio e inóspito, mas características como leitos secos de rio e minerais que só se formam na presença de água líquida indicam que, há muito tempo atrás, teve uma atmosfera espessa que retinha calor suficiente para que a água líquida – um ingrediente necessário para a vida – corresse à superfície. Segundo resultados de missões da NASA como a MAVEN e o rover Curiosity, indo até às missões Viking em 1976, parece que Marte perdeu grande parte da sua atmosfera ao longo de milhares de milhões de anos, transformando o seu clima de um que pode ter sustentado vida para o ambiente seco e frio do presente.

No entanto, permanecem muitos mistérios sobre a antiga atmosfera do Planeta Vermelho. “Sabemos que Marte tinha mais atmosfera. Sabemos que tinha água corrente. Além disso, não temos uma boa estimativa das condições – quão parecido com a Terra era o ambiente marciano? Durante quanto tempo?”, disse Timothy Livengood da Universidade de Maryland em College Park, EUA, e do Centro de Voo Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, no mesmo estado norte-americano. Livengood é o autor principal de um artigo sobre esta investigação publicado dia 1 de Agosto na revista Icarus.

Uma maneira de estimar a espessura da atmosfera original de Marte é observando os isótopos de oxigénio. Os isótopos são versões de um elemento com massa diferente devido ao número de neutrões no núcleo atómico. Os isótopos mais leves escapam para o espaço mais rapidamente do que os isótopos mais pesados, de modo que a atmosfera que permanece no planeta é gradualmente enriquecida com isótopos mais pesados. Neste caso, Marte é enriquecido em comparação com a Terra no que toca ao isótopo mais pesado de oxigénio, 18O, vs. o mais leve e muito mais comum 16O. A quantidade relativa medida de cada isótopo pode ser usada para estimar quanto mais atmosfera havia no passado de Marte, em combinação com uma estimativa de quão mais depressa o isótopo 16O escapa, e assumindo que a quantidade relativa de cada isótopo na Terra e Marte já foi semelhante.

O problema é que as medições da quantidade do isótopo 18O em comparação com o 16O em Marte, a proporção 18O/16O, não têm sido consistentes. Diferentes missões mediram diferentes proporções, o que resulta em diferentes entendimentos da antiga atmosfera marciana. O novo resultado fornece uma possível maneira de resolver esta discrepância, mostrando que a proporção pode mudar durante o dia marciano. “Medições anteriores em Marte ou na Terra obtiveram uma variedade de valores diferentes para o rácio isotópico,” disse Livengood. “As nossas são as primeiras medições a usar um único método, de maneira que mostram que a proporção realmente varia num único dia, em vez de comparações entre elementos independentes. Nas nossas medições, a proporção de isótopos varia entre cerca de 9% esgotado em isótopos pesados ao meio-dia marciano a cerca de 8% enriquecido em isótopos pesados por volta das 13:30, em comparação com os rácios isotópicos normais para o oxigénio da Terra.”

Esta gama de rácios isotópicos é consistente com as outras medições relatadas. “As nossas medições sugerem que todo o trabalho anterior pode ter sido feito correctamente, mas discorda porque este aspecto da atmosfera é mais complexo do que pensávamos,” explicou Livengood. “Dependendo da posição marciana onde a medição foi feita, e da hora do dia em Marte, é possível obter valores diferentes.”

A equipa pensa que a mudança nas proporções ao longo do dia é uma ocorrência rotineira devido à temperatura do solo, no qual as moléculas isotopicamente mais pesadas “colam-se” mais aos grãos superficiais e frios à noite do que os isótopos mais leves, e depois são libertados (desabsorção térmica) à medida que a superfície aquece durante o dia.

Dado que a atmosfera marciana é principalmente dióxido de carbono (CO2), o que a equipa realmente observou foram isótopos de oxigénio ligados a átomos de carbono na molécula de CO2. Eles fizeram as suas observações da atmosfera marciana com o IRTF (Infrared Telescope Facility) da NASA em Mauna Kea, Hawaii, usando o HIPWAC (Heterodyne Instrument for Planetary Winds and Composition) desenvolvido em Goddard. “Ao tentar entender a ampla dispersão nas taxas estimadas de isótopos que recuperámos das observações, percebemos que estavam correlacionadas com a temperatura da superfície que também obtivemos,” acrescentou Livengood. “Foi este conhecimento que nos colocou neste caminho.”

O novo trabalho vai ajudar os cientistas a refinar as suas estimativas da antiga atmosfera marciana. Como as medições podem agora ser entendidas como consistentes com os resultados de tais processos nas atmosferas de outros planetas, isto significa que estão no caminho certo para entender como o clima marciano mudou. “Isto mostra que a perda atmosférica ocorreu por processos que mais ou menos entendemos,” realçou Livengood. “Os detalhes críticos ainda precisam de ser trabalhados, mas nós não precisamos de invocar processos exóticos que podem resultar na remoção de CO2 sem alterar as taxas de isótopos, ou na alteração de apenas algumas taxas de outros elementos.”

Astronomia On-line
10 de Setembro de 2019

 

2514: Divórcio chega ao Espaço. Astronauta acedeu à conta da ex-mulher a partir da EEI

NASA
A astronauta norte-americana Anne McClain

A NASA está a investigar aquele que pode ser o primeiro crime cometido no espaço. Uma astronauta acedeu à conta bancária da ex-mulher a partir da Estação Espacial Internacional.

A astronauta Anne McClain é acusada de roubo de identidade e acesso não autorizado aos registos financeiros da sua ex-mulher a partir da Estação Espacial Internacional (EEI), onde se encontrava numa missão de seis meses, de acordo com o New York Times.

A ex-mulher de McClain, Summer Worden, apresentou uma queixa na Comissão de Comércio Federal (FTC), uma agência independente, depois de saber que Anne McClain acedera à conta bancária conjunta, sem a sua permissão.

Worden começou a suspeitar quando percebeu que a sua antiga companheira continuava a saber onde ela gastava o seu dinheiro. Mais tarde, de acordo com o Observador, viria a descobrir que a sua conta bancária estava a ser acedida através de um computador registado na NASA.

A família de Summer Worden também apresentou uma queixa à inspecção geral da NASA, de acordo com o jornal norte-americano. “Fiquei chocada por ela ter ido tão longe. Eu sabia que não era normal”, disse Worden.

Para o advogado de Anne McClain, a sua cliente não fez nada errado e teve acesso à conta bancária enquanto estava a bordo da EEI para monitorizar a conta conjunta do casal, algo habitual ao longo da relação, sublinhou.

O advogado explicou que o acesso à conta era uma tentativa de verificar se havia fundos suficientes na conta da sua ex-companheira para pagar contas e cuidar da criança que estavam ambas a criar. Investigadores da NASA já ouviram as duas mulheres.

Summer Worden adiantou que a FTC não respondeu à queixa apresentada sobre roubo de identidade, mas um investigador especializado e a inspecção-geral da NASA estão a investigar a acusação.

ZAP // Lusa

Por ZAP
25 Agosto, 2019

 

2334: Ilhas Marshall são dez vezes mais radioactivas que Chernobyl

U.S. Army / Wikimedia

Algumas das Ilhas Marshall no Oceano Pacífico – como os atóis Bikini e Enewetak – ainda são mais radioactivas que Chernobyl e Fukushima, embora mais de 60 anos tenham passado desde que os EUA testaram armas radioactivas.

Ao testar o solo para plutônio-239 + 240, os investigadores descobriram que algumas das ilhas tinham níveis entre 10 e 1.000 vezes maiores do que em Fukushima – onde um terremoto e tsunami levaram à fusão de reactores nucleares – e cerca de 10 vezes mais altos do que os níveis na zona de exclusão de Chernobyl.

Os cientistas levaram apenas um número limitado de amostras de solo, o que significa que é necessária uma investigação mais abrangente. Independentemente disso, ficaram surpreendidos que nem os governos nacionais nem as organizações internacionais tivessem “qualquer orientação adicional sobre os níveis de plutónio permissíveis no solo”, embora os níveis nas Ilhas Marshall fossem altos.

Depois de lançar bombas atómicas nas cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki em 1945, efectivamente terminando a II Guerra Mundial, os EUA decidiram testar mais armas radioactivas. Alguns desses testes ocorreram nas Ilhas Marshall, uma cadeia de ilhas entre o Hawai e as Filipinas, um distrito do Território da Confiança das Ilhas do Pacífico – administrado pelos EUA em nome das Nações Unidas.

As duas primeiras bombas – chamadas Able e Baker – foram testadas no Atol de Bikini em 1946 e deram início a um período de 12 anos de testes nucleares nos atóis Bikini e Enewetak, durante os quais os EUA testaram 67 armas nucleares.

O primeiro teste da bomba de hidrogénio – Ivy Mike – foi testado em Enewetak em 1951. Os EUA realizaram o seu maior teste de bomba de hidrogénio no Atol de Bikini – a bomba de 1954 do Castelo Bravo, que foi mais de 1.000 vezes mais poderosa que “Little Boy”, a arma de urânio que dizimou Hiroshima.

Além de contaminar os atóis Bikini e Enewetak, a precipitação nuclear dos testes também choveu e as pessoas que vivem nos atóis de Rongelap e Utirik adoeceram, de acordo com a Live Science.

Em 2016, uma equipe de investigadores da Universidade de Columbia, em Nova Iorque, publicou um estudo na revista Proceedings of National Academy of Sciences sobre a radiação gama de fundo em três dos atóis Marshall do norte: Enewetak, Bikini e Rongelap. Descobriram que os níveis de radiação no Bikini eram mais altos do que o relatado anteriormente, por isso decidiram fazer estudos mais aprofundados sobre a radioactividade nas ilhas.

Agora, a mesma equipa escreveu três novos estudos, publicados na revista PNAS, em quatro dos atóis nas ilhas do norte de Marshall: Bikini, Enewetak, Rongelap e Utirik. Os níveis externos de radiação gama foram significativamente elevados no Atol de Bikini; na ilha de Enjebi no Atol de Enewetak; e na Ilha Naen, no Atol Rongelap, em comparação com uma ilha no sul das Ilhas Marshall, que os cientistas usaram como controlo.

Os níveis nas ilhas Bikini e Naen eram tão altos que ultrapassaram o limite máximo de exposição que os EUA e a República das Ilhas Marshall concordaram.

Os cientistas também descobriram que as ilhas de Runit e Enjebi no Enewetak Atoll, bem como nas ilhas Bikini e Naen, tinham altas concentrações de isótopos radioactivos no solo. Essas quatro ilhas tinham níveis de plutónio radioactivo que eram mais altos que Fukushima e Chernobyl.

No segundo estudo, os investigadores trabalharam com mergulhadores profissionais, que recolheram 130 amostras de solo da cratera Castle Bravo, no Atol de Bikini. O nível de alguns dos isótopos – plutônio-239.240, amerício-241 e bismuto-207 – tinha uma ordem de magnitude maior do que os níveis encontrados noutras ilhas Marshall.

Estas descobertas são importantes porque “medir a contaminação radioativa do sedimento da cratera é um primeiro passo para avaliar o impacto geral dos testes de armas nucleares nos ecossistemas oceânicos”.

No terceiro estudo, os cientistas testaram mais de 200 frutas – a maioria cocos e pandanus – em 11 das ilhas de quatro diferentes atóis no norte das Ilhas Marshall. Os níveis de césio-137 não pareciam bons para uma grande parte dos frutos dos atóis Bikini e Rongelap, que tinham níveis de radioactividade superiores aos considerados seguros por vários países e organizações internacionais

ZAP //

Por ZAP
18 Julho, 2019

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Cientistas portugueses propõem solução para dois “problemas” do Universo

CIÊNCIA

Um estudo realizado por investigadores da Universidade de Aveiro concluiu que as partículas que terão sido responsáveis por um período acelerado de expansão no início do Universo, os ‘inflatões’, podem constituir a ‘matéria escura’ que existe nas galáxias.

João Rosa é investigador do Departamento de Física e do Centro de Investigação e Desenvolvimento em Matemática e Aplicações da Universidade de Aveiro
© Direitos reservados

João Rosa, investigador do Departamento de Física e do Centro de Investigação e Desenvolvimento em Matemática e Aplicações da Universidade de Aveiro, disse à Lusa que a investigação, publicada recentemente na revista Physical Review Letters , propõe “soluções para dois grandes problemas em aberto” na área da cosmologia: a inflação do universo e a ‘matéria escura’.

Segundo o investigador, a teoria da inflação, proposta em 1981 pelo físico americano Alan Guth, avança que nas “primeiras fracções de segundos” após o Big Bang, o Universo teve uma “expansão acelerada”.

“A expansão do Universo só pode ser acelerada se o Universo tiver matéria num estado diferente da matéria que nós conhecemos hoje como os protões e os electrões”, afirmou João Rosa, acrescentando que a teoria da inflação propõe assim “a existência de novas partículas elementares”, denominadas pelos investigadores como ‘inflatões’.

Por sua vez, a origem da ‘matéria escura’, designação dada pelos especialistas a “partículas que não emitem luz” existentes nas galáxias e que exercem força gravitacional sobre a matéria luminosa (estrelas), permanece desconhecida.

“Temos aqui dois problemas que indicam a existência de novas partículas. É quase uma questão natural que se coloca: Será que estas partículas que são precisas para originar esta inflação, podem ser as mesmas partículas que hoje inferimos como sendo a ‘matéria escura’?”, inquiriu o investigador.

Apesar desta “nem sempre ser uma ligação óbvia”, uma vez que os modelos convencionais apontam que depois da explosão inicial do Universo existiu um arrefecimento e que os ‘inflatões’ se transformaram em outras partículas após a inflação (teoria da inflação fria), a investigação coordenada por João Rosa concluiu que os ‘inflatões’ “não se transformaram” e que acabaram por ser “uma fonte de calor” para o Universo.

“Nos modelos de inflação quente, como o próprio nome indica, não há este arrefecimento porque os inflatões estão num estado de energia muito grande, mas conseguem transferir lentamente uma pequena parte da sua energia para o resto do Universo e mantê-lo quente, como se fossem uma fonte de calor permanente”, sublinhou.

Segundo o modelo teórico desenvolvido pelos investigadores, os ‘inflatões’, que “sobreviveram desde a inflação até aos dias de hoje”, não emitem luz e são “extremamente frios”, uma vez que perderam a sua energia ao manter o Universo quente.

À Lusa, João Rosa adiantou que a equipa da UA vai continuar a “procurar modelos teóricos que possam explicar diferentes questões que permanecem em aberto”, esperando que a proposta apresentada “possa ser tida em consideração” em futuras observações astronómicas.

Diário de Notícias
Lusa
28 Maio 2019 — 23:00


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2043: O Pentágono admitiu (finalmente) que investiga OVNIs

(CC0/PD) 12019 / pixabay
O Pentágono, em Washington, sede do Departamento de Defesa dos EUA

Numa declaração sem precedentes e que alguns consideram “bombástica”, o Departamento de Defesa dos EUA admitiu que investiga OVNIs (Objectos Voadores Não Identificados). Uma posição oficial que reforça a importância militar de estudar este tipo de fenómenos.

Do alto da sua sede no Pentágono, em Washington, o Departamento de Defesa dos EUA (DOD na sigla original em Inglês) assume que investiga “fenómenos aéreos não identificados”, em declarações inéditas citadas pelo The New York Post (NYP).

A expressão que reporta para os OVNIs nunca tinha sido usada pelo DOD. Estamos, assim, perante uma “revelação bombástica”, como refere no NYP o ex-militar britânico Nick Pope que investigou OVNIs para o Governo do Reino Unido durante a década de 1990.

Apesar de a iniciativa secreta intitulada “Advanced Aerospace Threat Identification Program” (AATIP – Programa de Identificação de Ameaça Aeroespacial Avançada) ter sido dada por encerrada em 2012, o Pentágono “continuou a pesquisa e a investigação sobre fenómenos aéreos não identificados”, destaca o porta-voz do DOD, Christopher Sherwood, no NYP.

“O DOD está sempre preocupado em manter a identificação positiva de todas as aeronaves no nosso ambiente operacional, bem como em identificar qualquer capacidade estrangeira que possa ser uma ameaça para a segurança interna“, aponta Sherwood.

“O Departamento vai continuar a investigar, através dos procedimentos normais, relatos de aeronaves não identificadas encontradas por aviadores militares dos EUA, a fim de garantir a defesa da segurança interna e a protecção contra surpresas estratégicas das nações adversárias”, acrescenta o porta-voz do DOD.

Para o administrador do site “The Black Vault” que revela documentos secretos do Governo norte-americano sobre OVNIs, esta é “uma declaração bastante poderosa”, conforme declarações ao NYP. John Greenewald Jr. destaca que agora há “provas oficiais” de que o DOD “lidou mesmo” com “fenómenos, vídeos, fotos” de OVNIs.

Declarações oficiais anteriores eram ambíguas e deixavam a porta aberta à possibilidade de o AATIP estar simplesmente preocupado com as ameaças de aviação de próxima geração, mísseis e drones”, acrescenta Nick Pope.

Porque é que o Pentágono está interessado em OVNIs?

Para o professor de Engenharia Aeroespacial da Universidade de Michigan (EUA) Iain Boyd este interesse do Pentágono em OVNIs faz todo o sentido, como escreve num artigo no site The Conversation.

Boyd começa por lembrar que em Abril deste ano, a Marinha dos EUA implementou um novo protocolo de acção perante o aumento dos avistamentos de OVNIs em áreas controladas pelo exército norte-americano.

Referindo-se ao conceito de “consciência situacional” que significa que os militares têm completo entendimento do ambiente que os rodeia, Boyd nota que “um OVNI representa uma falha na consciência situacional“.

Assim, o Pentágono pretende apenas marcar a importância de perceber o que é uma ameaça real ou um mero avistamento sem significado, considera o professor dando como mostra da valia desta afirmação a sua “experiência como conselheiro de ciência da Força Aérea”.

“Os OVNIs representam uma oportunidade para os militares melhorarem os seus processos de identificação”, considera Boyd, realçando que a postura do DOD é um “bom primeiro passo” para resolver esta dificuldade. E que pode resultar na diminuição dos avistamentos – porque deixarão de ser objectos não identificados.

SV, ZAP //

Por SV
25 Maio, 2019

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– Às vezes, quando estou a fotografar o calhau (leia-se Lua) com o telescópio com a DF de 3.750mm (Powermate Televue) também vejo OVNI’s, mas como não trazem chapa de matrícula na fuselagem, devem ser mosquitos a passarem à frente da objectiva de 127mm…

1732: A Terra primitiva era um inferno mergulhado num oceano de magma

Robin Canup / Southwest Research Institute

Como era a Terra no início do seu desenvolvimento, quando não havia ainda qualquer tipo de vida no nosso planeta? Uma recente investigação revela novos detalhes sobre este período, sugerindo que a Terra primitiva tinha condições extremamente drásticas à época.

Nos seus primórdios, a Terra um “lugar infernal”, onde ferviam fragmentos incandescentes de corpos celestes, segundo revelaram geofísicos da Universidade alemã de Munster.

“A Terra primitiva era um lugar infernal: quente, agitada, a girar rapidamente e  a ser bombardeada por detritos espaciais, incluindo um corpo do tamanho de Marte cujo impacto criou a lua”, escreve o portal Science Alert sobre este período.

De acordo com a equipa de cientistas, liderada pelo cientista Christian Meuse, o nosso planeta estava coberto por um oceano de magma fundido. Este oceano, explicam os cientistas, formou-se há cerca de 4,5 mil milhões de anos após a colisão da Terra recém-formada com um corpo espacial desconhecido com o tamanho de Marte. Acredita-se que desta resultado tenha resultado o nosso satélite natural, a Lua.

Segundo o novo estudo, cujos resultados serão publicados no próximo mês de Maio na revista especializada Earth and Planetary Science Letters, a profundidade do oceano era de vários milhares de quilómetros. Mas o que aconteceu com o oceano de seguida? Para melhor compreender estes processos geológicos, os cientistas modelaram o processo de cristalização do silicato, o mineral mais comum na crosta terrestre.

Os cientistas descobriram que os minerais cristalizaram-se devido à rápida rotação da Terra, que acabou por arrefecer o oceano de magma. Este processo levou diferentes períodos de tempo consoante a parte do planeta, levando desde um milhar até um milhão de anos, tal como observaram os especialistas no artigo.

Para a investigação, os cientistas não consideram outros tipos de minerais, nem modelaram a distribuição de silicados além da primeira fase de cristalização do magma. Segundo Christian Maas, geofísico da mesma universidade, este é o próximo passo da investigação: adicionar outros tipos de mineiras ao modelo de estudo.

ZAP // SputnikNews

Por ZAP
18 Março, 2019

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1525: Físicos comprovam teoria da radiação de Hawking sobre buracos negros

Kjordand / Wikimedia

A famosa teoria da radiação sobre buracos negros do astrofísico Stephen Hawking, apresentada em 1974, foi testada em laboratório por uma equipa de investigadores, escreve a revista Physics World.

A investigação, levada a cabo em Israel pelo Instituto de Ciências Weizmann e pelo Departamento de Física do Centro de Pesquisa e Estudos Avançados do México, pode ser um enorme passo para verificar experimentalmente a existência da célebre conjectura teorizada pelo astrofísico britânico.

Em laboratório, e através do análogo óptico de um buraco negro, a equipa de investigadores conseguiu promover a apelidada “radiação de Hawking“. O teste imita este fenómeno noutros meios através de pulsações de luz para estabelecer condições artificiais.

“A radiação de Hawking é um fenómeno muito mais geral do que se pensava inicialmente”, explicou o físico e director da investigação Ulf Leonhardt, acrescentando que esta radiação pode ocorrer “sempre que horizontes são feitos, sejam estes na astrofísica ou por luz em materiais ópticos, ondas de água ou átomos ultra-frios”. 

Na sua teoria, Hawking assinala em que “os buracos negros não são tão negros“, porque são capazes de emitir radiação apenas para fora do seu horizonte de eventos, além do ponto em que nem a luz é capaz de escapar da gravidade intensa.

Esta radiação – que não foi ainda comprovada, uma vez que os instrumentos actuais não a conseguem detectar – implica que os buracos negros evaporam lenta e constantemente e, apesar de ainda não ser possível verificar a sua veracidade, a conjectura é aceite pela comunidade científica.

Apesar de admitir que ainda existem muitas perguntas sem respostas, o director do estudo, no início de Janeiro publicado na Physical Review Letters, afirmou que a investigação marcou a visualização da radiação espontânea de um buraco negro.

A Physics World recorda que Stephen Hawking afirmava que, caso a sua previsão mais famosa tivesse sido verificada experimentalmente, teria ganho um Nobel, prémio atribuído apenas a descobertas científicas corroboradas com dados observacionais.

ZAP // SputnikNews

Por ZAP
26 Janeiro, 2019

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1421: Super-colónia com 1,5 milhões de pinguins esteve 3 mil anos escondida na Antárctida

CIÊNCIA

Mary Bomford / Flickr
A população de pinguins esteve “escondida” da vista humana durante milhares de anos

Uma equipa de cientistas descobriu uma super-colónia de pinguins-de-adélia (Pygoscelis adeliae) com mais de 1,5 milhões de espécimes nas remotas Ilhas Danger, no ponto mais a norte da península da Antárctida.  

A nova investigação, que foi apresentada no passado dia 11 de Dezembro num encontro da União de Geofísica dos Estados Unidos, descobriu que a enorme colónia permaneceu escondida da vista humana durante 2.800 anos, aponta o portal Live Science.

Em Março passado, os cientistas davam já conta da descoberta através de um artigo publicado na revista Scientific Reports, notando que a população era muito maior do que imaginavam. Agora, descobriram outro dado curioso: a população escondeu-se durante anos dos olhos do Homem.

A colónia foi descoberta graças a imagens de satélite, nas quais os cientistas detectaram manchas de fezes destas aves. De acordo com os relatos dos média internacionais, os cientistas tinham como objectivo de conduzir pesquisas sobre esta espécie e, para isso, decidiram recorrer a imagens de satélite capturadas do continente.

As imagens foram capturadas do programa de satélites Landsat, uma iniciativa da agência espacial americana em parceria com os Serviços Geológicos dos Estados Unidos (USGS), lançada no início dos 1970 e em curso até aos dias de hoje.

“Achávamos que sabíamos onde estavam todas as colónias”, disse Heather Lynch, ecologistas da Universidade norte-americana Stony Brook.

A pesquisa contou com a colaboração de cientistas da NASA que desenvolveram um algoritmo de detecção automática, que se revelou crucial para evidenciar que as Ilhas Danger estavam cobertas de excrementos. Os cientistas ficaram surpresos com a descoberta, nota a BBC.

Uma das imagens captada através de satélites

Os cientistas explicaram que este conjunto de ilhas é de difícil acesso, uma vez que está “quase sempre coberto por uma camada de gelo marinho que impede os censos regulares que são realizados na área”.

Apesar das dificuldades, os cientistas viajaram até ao local, onde contaram com a ajuda de drones para mapear a população dos pinguins nunca antes descrita. Segundo o ecologista, esta área “é tão pequena que, na maioria dos mapas da Antárctida, nem aparece”, contudo, disse, neste local vivem mais exemplares desta espécie do que em todo o continente.

Apesar de os 1,5 milhões ser um número bastante expressivo, os cientistas acreditam que a presença dos pinguins-de-adélia foi muito mais expressiva no passando, tendo vindo a diminuir nas últimas décadas devido às alterações climáticas.

“Agora que descobrimos este ‘ponto quente’ de abundância de pinguins-de-adélia nas ilhas de Danger, queremos ser capazes de protegê-los, o que significa tentar entender por que mas populações podem ter mudado”, disse Lynch.

Peter Fretwell, da equipa britânica de investigação na Antárctida, realçou ainda a importância de aliar as novas tecnologias à exploração destes locais de acesso remoto.

“Satélites modernos são ferramentas fantásticas para explorar e estudar estes locais de difícil acesso. Tenho certeza que muitas outras descobertas serão feitas usando estes nossos ‘olhos no céu’”, concluiu.

ZAP //

Por ZAP
16 Dezembro, 2018

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1189: Vida extraterrestre pode ser de cor púrpura

Pilot27 / Wikimedia

De acordo com um novo estudo, a vida alienígena poderá ser de cor púrpura, tal como os primeiros organismos vivos na Terra.

Publicado a 11 de Outubro na Revista Internacional de Astrobiologia, a investigação afirma que antes das plantas começarem a aproveitar a energia solar para gerar energia, pequenos organismos púrpura arranjaram uma maneira de fazer o mesmo.

Segundo Shiladitya DasSarma, microbiologista da Faculdade de Medicina da Universidade de Maryland e autor principal do estudo, a vida extraterrestre poderá ter evoluído e prosperado tal como estes organismos de cor púrpura.

“Astrónomos descobriram recentemente milhares de novos planetas extra-solares e estão a desenvolver a capacidade de detectar bio-assinaturas de superfície” na luz reflectida por esses planetas, disse o microbiologista.

DasSarma disse ainda já existirem várias maneiras de detectar “vida verde” nesses planetas, mas que é preciso começar a procurar pelo roxo.

Terra púrpura

A ideia de uma terra primitiva de cor púrpura não é recente, tendo sido desenvolvida em 2007 por DasSarma e os seus companheiros de investigação.

De acordo com a teoria da Terra Púrpura, as plantas e algas fotos-sintéticas usam clorofila para absorver energia do sol, mas não absorvem a luz verde (daí a sua cor).

Este facto mostra-se estranho para os cientistas porque a luz verde é bastante rica em energia. Este facto levou DasSarma e os seus colegas a questionarem a existência de algum organismo que estivesse a absorver essa parte do espectro de cores enquanto os fotos-sintetizadores de clorofila das plantas evoluíam.

Na teoria, esse organismo seria simples e capturaria a energia solar através de uma molécula chamada retinal. Os pigmentos desta molécula seriam mais simples que a clorofila e absorveriam mais eficazmente a luz verde apesar de serem menos eficazes na captação da energia solar.

A captação de luz através da molécula retinal é ainda comum entre bactérias e organismos unicelulares chamados Archae – estes organismos de cor púrpura foram descobertas em toda a parte, desde os oceanos até ao Antárctico passando pelas superfícies das folhas, contou Edward Schwieterman, investigador da Universidade da Califórnia.

Os pigmentos desta molécula são também encontrados nos sistemas visuais de animais complexos. Segundo os investigadores, o aparecimento dos pigmentos em muitos dos organismos vivos sugere que estes podem ter evoluído muito cedo a partir do mesmo ancestral comum.

Há ainda evidências de que os modernos organismos consumidores de sal e de cor púrpura, os halófilos, podem estar relacionados com algumas das primeiras formas de vida na Terra que se desenvolveram através das fontes de metano dos oceanos.

Aliens púrpura

Independentemente da primeira vida na Terra ser ou não púrpura, DasSarman e Schwieterman argumentam que a vida em tons de púrpura serviu os propósitos de alguns organismos, o que poderá indicar que a vida alienígena usou a mesma estratégia.

De acordo com os investigadores, no caso de a vida extraterrestre estar, de facto, a usar estes pigmentos púrpura para captar energia, os astro-biólogos só os irão encontrar procurando por assinaturas de luz específicas.

Segundo Schwieterman, a clorofila absorve principalmente a luz vermelha e azul mas o espectro reflectido por um planeta coberto por plantas exibe aquilo que os astro-biólogos chamam de “borda vermelha da vegetação“.

Essa “borda vermelha” é uma mudança repentina no reflexo da luz na parte dos infravermelhos próximos do espectro onde as plantas param de absorver comprimentos de onda vermelhos e começam a refleti-los.

Por outro lado, os fotos-sintetizadores baseados na retina tem uma “vantagem verde”, explica Schwieterman – absorvem a luz até à porção verde do espectro e, em seguida, começam a reflectir comprimentos de onda mais longos.

De acordo com o investigador, os astro-biólogos há muito que tentam detectar vida extraterrestre através da “borda vermelha” mas agora, precisam de considerar a procura pela “borda verde”.

“Se esses organismos estiverem presentes em densidades suficientes num exoplaneta, essas propriedades de reflexão seriam imprimidas no espectro de luz reflectida pelo planeta”, explicou Schwieterman.

Por ZAP
24 Outubro, 2018

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1116: Cientistas criaram vida artificial quântica

(CC0/PD) geralt / pixabay

Poderá a vida ser explicada através da mecânica quântica? Graças a uma nova investigação, realizada com um supercomputador da IBM, estamos mais perto de conseguir responder a essa questão.

Um algoritmo quântico recém-criado foi usado para mostrar que os computadores quânticos podem mesmo imitar alguns dos padrões da biologia do mundo real. É ainda um protótipo inicial do conceito, mas este algoritmo abre a porta à aventura de mergulhar mais fundo na relação entre a mecânica quântica e as origens da vida.

Os cientistas traçam um paralelismo entre estas duas realidades, afirmando que os mesmo princípios que governam a física quântica podem também ter tido um papel de destaque na formação do nosso código genético.

Apesar de a vida artificial dentro de computadores ter sido o alvo de várias investigações e experiências anteriores, o software actual adopta uma abordagem clássica e newtoniana na produção destes modelos: isto é, passo a passo e com progressões lógicas.

O mundo real é imprevisível, e os cientistas quiseram adicionar essa imprevisibilidade às simulações computacionais. Apesar de as simulações estarem limitadas aos bits (1s e 0s), elas podem produzir também um pouco de aleatoriedade, típica da vida quotidiana.

“O objectivo do modelo proposto é reproduzir os processos característicos da evolução darwiniana, adaptados à linguagem dos algoritmos quânticos e à computação quântica”, escrevem os cientistas, da Universidade do País Basco, Espanha.

Usando o computador quântico IBM QX4, os investigadores codificaram unidades de vida quântica compostas de dois qubits (os blocos básicos da física quântica): um para representar o genótipo (o código genético transmitido entre gerações) e outro para representar o fenótipo (a manifestação externa desse código ou do “corpo”).

Ambas as unidades foram depois programadas para reproduzir, sofrer mutações, evoluir e até morrer, usando o entrelaçamento. Foram também introduzidas mudanças aleatórias através de rotações de estado quântico para simular a mutação, por exemplo.

A verdade é que os cientistas estão ainda muito longe de responder às questões mais profundas da vida, do Universo e de tudo. No entanto, produzir vida artificial dentro de um computador quântico mostra que essa resposta pode mesmo vir a ser possível. As conclusões do estudo foram publicadas recentemente nos Scientific Reports.

“Deixamos em aberto a questão se a origem da vida é genuinamente mecânica quântica”, explicam os investigadores. “Com esta experiência, provamos sim que sistemas quânticos microscópicos podem codificar eficientemente características quânticas e comportamentos biológicos, geralmente associados a sistemas vivos e de selecção natural.”

Por ZAP
9 Outubro, 2018

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1063: Astrónomos detectam pulsar até agora considerado impossível

NASA
A imagem de um pulsar captada por raio-x

Astrónomos detectaram um pulsar de rádio cujo período de rotação é de 23,5 segundos – um período tão longo que era considerado impossível até agora.

Detectado por um grupo de especialistas liderado por Chia Min Tan, do Centro de Astrofísica Jodrell Bank da Universidade de Manchester, o objecto PSR J0250+5854 encontra-se a 5200 anos-luz da Terra.

Segundo a investigação, publicada a 4 de Setembro na biblioteca online arXiv.org, este pulsar considerado impossível foi descoberto no âmbito do programa LOFAR Tied-Array All-Sky Survey – um programa que estuda pulsares de rádio no hemisfério norte.

Estes pulsares podem ser designados por fontes extraterrestres de radiação com uma periodicidade regular e são detectados na forma de pequenas explosões de emissão de ondas rádio.

Os pulsares de rádio são geralmente descritos como estrelas de neutrões altamente magnetizadas que giram rapidamente com um feixe de radiação que produz a emissão.

O pulsar encontrado tem a rotação mais lenta conhecida até hoje e a sua detecção foi feita em Julho de 2017, usando a rede de radiotelescópios LOwAR (ART), principalmente localizada na Holanda.

Para os astrónomos, encontrar pulsares com rotação superior a 5 segundos era uma missão considerada impossível. Contudo, esta descoberta demonstra que a realidade é muito diferente.

Com uma rotação de 23,5 segundos, a descoberta do PSR J0250+5854 expande significativamente a gama conhecida dos períodos da rotação de pulsares.

A equipa internacional de astrónomos também descobriu que este pulsar tem um campo magnético superficial de 26 triliões de gauss (densidade do fluxo magnético) e 13,7 milhões de anos.

Com os dados recolhidos, os investigadores também conseguiram indicar que o pulsar incomum tem uma configuração bipolar do campo magnético.

Por ZAP
23 Setembro, 2018

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1054: Em nome da ciência, polvos tomaram ecstasy (e houve muito amor à mistura)

CIÊNCIA

ken-ichi / Flickr
Octopus bimaculoides

O que é que acontece quando um polvo consome drogas, mais concretamente ecstasy? Cientistas norte-americanos tiveram a oportunidade de realizar essa experiência.

De acordo com o Science Alert, a equipa de investigadores deu MDMA, substância psicotrópica também conhecida por ecstasy, a vários polvos solitários, e basicamente começou a observar como estes cefalópodes se agarravam uns aos outros.

À primeira vista, esta investigação parece algo estranha mas, na verdade, conseguiu alguns resultados importantes, demonstrando uma ligação evolutiva entre humanos e estes animais na forma como a serotonina codifica o comportamento social.

“Apesar das diferenças anatómicas entre o polvo e o cérebro humano, conseguimos mostrar que existem semelhanças moleculares no gene transportador da serotonina”, afirma a neuro cientista Gül Dölen, da Universidade Johns Hopkins, nos EUA. “Estas semelhanças moleculares são suficientes para permitir que o MDMA induza comportamentos pró-sociais nestes animais”, acrescenta a investigadora.

Segundo o mesmo site, mais de 500 milhões de anos separam os polvos dos humanos, isto é, quando os dois últimos tiveram um ancestral comum. Mas depois de o genoma do polvo de dois pontos da Califórnia (Octopus bimaculoides) ter sido sequenciado e publicado, os cientistas suspeitaram que os cérebros das duas espécies podem funcionar da mesma forma – de uma maneira específica.

Dölen e o biólogo evolucionista e marinho Eric Edsinger, do Laboratório de Biologia Marinha, descobriram uma semelhança genética entre humanos e polvos. O estudo foi publicado, esta quinta-feira, na revista científica Current Biology.

Em causa está o transportador que liga a serotonina, idêntico entre humanos e o “bimac”, como também é conhecida esta espécie de polvo. A serotonina desempenha um papel na regulação do humor, sentimentos de felicidade e bem-estar, assim como depressão – e a sua actividade é aumentada graças ao MDMA.

O ecstasy é conhecido por ser uma droga “feliz”, que aumenta os sentimentos de euforia, empatia e vontade de se relacionar com os outros. E isto não foi só observado em humanos – ratos também tiveram a mesma reacção quando estiveram expostos a esta substância.

A diferença é que humanos e ratos costumam ser animais sociais, ao contrário dos polvos, como o O. bimaculoides, que são conhecidos por serem solitários, preferindo a sua própria companhia à dos seus companheiros.

Acontece que podem ser um pouco mais sociais do que pensávamos, especialmente com um pouco de ajuda neuro-química. Para isso, os investigadores norte-americanos fizeram duas experiências.

(dr) Edsinger & Dolen / Current Biology

Na primeira, cinco polvos macho e cinco polvos fêmea foram colocados em câmaras. De um lado, visível através de uma parede clara com um buraco, para que o polvo pudesse entrar, estava um boneco de plástico. Do outro lado, novamente separado por uma parede com um buraco, estava outro polvo, numa gaiola.

Sem estarem drogados, todos os polvos, machos e fêmeas, estavam interessados em socializar com polvos femininos, mas não com os machos. Ou seja, não revelaram ser super-sociais, mas eram mais sociais do que se pensava anteriormente.

Com o MDMA, quatro polvos macho e quatro polvos fêmea estiveram expostos a esta substância, antes de serem colocados na mesma câmara durante 30 minutos. Desta vez, todos passaram mais tempo com outros polvos, incluindo os machos (e houve imenso contacto físico).

“Não é apenas uma questão de ter mais tempo, é qualitativo. Os polvos tenderam a abraçar a jaula e colocar a sua boca na gaiola”, explica Dölen. “Isto é muito semelhante ao modo como os humanos reagem com o MDMA: tocam-se com frequência“.

Esta pesquisa não só nos explica melhor a evolução da sinalização serotoninérgica na regulação de comportamentos sociais, é também uma descoberta que poderia ajudar a estudar e a desenvolver drogas psiquiátricas, particularmente antidepressivos inibidores selectivos de recaptação de serotonina (SSRI na sigla em inglês).

Mas primeiro, os resultados precisam de reconfirmados com novas pesquisas. Entretanto, os investigadores estão a sequenciar os genomas de duas outras espécies de polvos, que são diferentes do O. bimaculoides, na esperança de lançar mais luzes sobre como os seus comportamentos sociais evoluíram.

ZAP //

Por ZAP
21 Setembro, 2018

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1037: TEORIA DA GRAVIDADE SALVA DA MORTE

A galáxia ultra-difusa NGC 1052-DF2, vista pelo Telescópio Espacial Hubble. Apesar do seu pequeno tamanho, está no centro de um debate acerca de qual da lei da gravidade é a correta.
Crédito: HST/Oliver Müller

Uma equipa internacional de astrónomos, incluindo físicos da Universidade de St. Andrews, ressuscitou uma teoria da gravidade anteriormente descartada, argumentando que os movimentos dentro de galáxias anãs seriam mais lentos se perto de uma galáxia massiva.

A equipa de investigação examinou uma teoria previamente publicada na revista Nature que afirmava que a teoria MOND (MOdified Newtonian Dynamics) não podia ser verdadeira porque os movimentos internos eram muito lentos no interior da galáxia anã NGC 1052-DF2, uma galáxia pequena com cerca de 200 milhões de estrelas.

A teoria MOND é uma controversa alternativa à relatividade geral, a compreensão predominante e inspirada de Einstein do fenómeno da gravidade, que requer a existência da matéria escura, mas que até agora nunca foi provada. MOND não requer matéria escura.

Tais teorias são essenciais na compreensão do nosso Universo, dado que segundo a física conhecida, as galáxias giram tão rapidamente que deveriam fragmentar-se.

Foram apresentadas várias teorias para explicar o que as mantém unidas, e o debate continua sobre qual a correta. O estudo agora derrotado afirmava que MOND estava morta. No entanto, esta investigação mais recente – também publicada na Nature – mostra que o trabalho anterior negligenciou um efeito ambiental subtil.

A nova investigação argumenta que o trabalho anterior não considerou que a influência do ambiente gravitacional em torno da anã podia afectar os seus movimentos interiores. Por outras palavras, se a anã estivesse perto de uma galáxia massiva – o que é aqui o caso – então os movimentos dentro da anã seriam mais lentos.

O autor principal Pavel Kroupa, professor da Universidade de Bona e da Universidade Charles em Praga, afirma: “Houveram muitas afirmações prematuras sobre a morte da teoria MOND em publicações muito influentes. Até agora, nenhuma resistiu ao escrutínio detalhado.”

As galáxias giram tão rapidamente que deviam fragmentar-se, de acordo com a física conhecida. Duas teorias actuais explicam isto – a primeira coloca um halo de matéria escura em redor de cada galáxia. No entanto, as partículas de matéria escura nunca foram descobertas, apesar de muitas décadas de pesquisas muito sensíveis, frequentemente usando grandes detectores.

A segunda é a MOND, que explica uma vasta riqueza de dados sobre as velocidades de rotação galáctica usando apenas as estrelas e o gás. A MOND fá-lo com uma receita matemática que fortalece a gravidade do material visível, mas somente quando fica muito fraca. Caso contrário, a gravidade seguiria a lei convencional de Newton, por exemplo no Sistema Solar – ou perto de uma galáxia massiva.

O Dr. Indranil Banik da Escola de Física e Astronomia da Universidade de St. Andrews, que em breve será da Universidade de Bona, realçou: “É notável que a MOND ainda faça previsões tão bem-sucedidas baseadas em equações escritas há 35 anos.”

O Dr. Hongsheng Zhao, da Escola de Física e Astronomia da Universidade de St. Andrews, acrescentou: “A nossa modelagem do efeito ambiental MOND foi posteriormente confirmada por outro grupo.”

Hosein Haghi, professor de Física no Instituto de Estudos Avançados em Ciências Básicas, Irão, disse: “Este efeito é conhecido há muito tempo. Os autores da Nature desconheciam os nossos artigos sobre a sua inclusão.”

Astronomia On-line
18 de Setembro de 2018

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1034: Misteriosos organismos marinhos podem estar a encher o céu de nuvens

CIÊNCIA

(CC0/PD) waqutiar / pixabay

Segundo um novo estudo, algumas algas marinhas microscópicas poderão estar a ter um papel importante e activo na formação de nuvens sobre os oceanos.

Numa investigação publicada na revista iScience a 15 de agosto, investigadores acreditam que uma espécie unicelular de alga – Emiliana Huxleyi – pode ser responsável pela criação dessas partículas que “semeiam” as nuvens.

As nuvens são criadas quando gotas de água microscópicas condensam na superfície de outras partículas microscópicas. Estas partículas podem ser solúveis como os cristais de sal ou insolúveis como partículas de poeiras.

Este fitoplâncton, omnipresente em todos os oceanos, é destruído a partir do interior através de um vírus comum e as suas remanescências formam partículas insolúveis nas quais as gotículas de água se condensam na atmosfera.

As remanescências deste fitoplâncton são uma espécie de “carapaça” dura que é constituída por cerca de 30 escamas de calcite que se designam por cocólitos (cuja dimensão é da ordem dos três micrómetros).

Quando as condições são as mais adequadas, esta alga floresce e multiplica-se e, mesmo sendo de tamanho microscópico, consegue colorir os mares com um tom turquesa brilhante.

Quando esta alga morre, a maioria dos cocólitos acaba como parte do sedimento do fundo do oceano, e estima-se que estes organismos sejam responsáveis pela deposição de cerca de 1,5 milhões de toneladas de calcite nos oceanos por ano.

Contudo, nem todos os cocólitos vão para ao fundo dos oceanos. Existem vestígios de cocólitos em pulverizadores marítimos, levados pela rebentação marítima ou pelas bolhas na água.

Os aerossóis de pulverização marítima desempenham um importante papel na regulação do clima terrestre, e a presença deste fitoplâncton aumenta o número de gotas de nuvens sobre o oceano.

Alison R. Taylor, USCWM / Wikimedia
Emiliana Huxleyi, organismo marinho unicelular que produz escaras de carbonato de cálcio (cocólitos)

Na análise, os investigadores do Instituto Weizmann de Ciência da Universidade de Rehovot, em Israel, infectaram metade de uma população de Emiliana Huxleyi com um vírus que frequentemente as infecta na natureza. A outra metade da população foi utilizada como controlo, sendo mantida livre deste vírus.

Inicialmente, cada milímetro da água continha 20 milhões de cocólitos. Passados apenas cinco dias, este número mais que triplicou nas algas infectadas em comparação com a população que serviu de controlo.

O passo seguinte na investigação foi utilizar bolhas para imitar a agitação natural dos oceanos, que cria o pulverizador marítimo. Nesta fase, havia dez vezes mais cocólitos no ar das algas infetadas do que nas algas que serviram para controlo.

Segundo os investigadores, a diminuta dimensão e peso dos cocólitos faz com que estes se mantenham no ar durante muito mais tempo, caindo “25 vezes mais devagar do que as partículas de sal marinho com a mesma dimensão”.

Isto significa que, em condições onde partículas mais pesadas podem cair, os fragmentos dos cocólitos não o fazem, concentrando-se no ar e influenciando a formação de nuvens.

Por ZAP
18 Setembro, 2018

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1027: A mítica civilização maia já domesticava e vendia grandes felinos

CIÊNCIA

(dr) N. Sugiyama
Crânio de um puma que foi sepultado com uma jovem da civilização maia

Uma sepultura encontrada na antiga cidade maia de Copán, nas Honduras, tinha no seu interior os restos mortais de uma jovem com as pernas cruzadas. Curiosamente, a jovem não estava “sozinha” – ao seu lado foram encontrados ossos de dois veados e de um crocodilo.

No entanto, as surpresas não se ficam por aqui: de acordo com os investigadores, foi também encontrado um esqueleto completo de um puma na sepultura, aparentemente abatido como parte do ritual fúnebre.

Segundo a investigação, publicada esta quinta-feira na PLOS, os cientistas acreditam que o felino pode ter sido domesticado pela civilização antiga, explicando que o puma fazia parte de um vasto esquema de domesticação de grandes felinos.

O mesmo documento nota que todos os restos mortais encontrados estavam na sepultura desde de o ano 435 d.C – inicio da história maia.

“Os ossos de jaguares e pumas encontrados na zona maia de Cópan evidenciam a existência quer de cativeiro que de grandes redes de comércio” durante a civilização maia, disse em comunicado Nawa Sugiyama, arqueóloga da Universidade George Manson, nos Estados Unidos, e principal autora do estudo.

As novas descobertas vão ao encontro de pesquisa anteriores, que já davam conta que as culturas Mesoamericanas mantinham animais selvagens em cativeiro para uso posterior em rituais. Além disso, ficou também confirmado que as redes de comércio de animais na Mesoamérica antiga eram bem mais extensas do que se pensava até então.

Sepultamentos com animais exóticos

Não é incomum para os arqueólogos encontrar restos de grandes felinos e outros animais em cidades mesoamericanas. Perto de um altar em Copán, onde se faziam os sacrifícios com animais, os cientistas encontraram vestígios de grandes felinos tão compactados que acabaram por os chamar de “cozido de onça”, revela o artigo.

No entanto, estes animais revelaram detalhes além dos próprios rituais. Apesar de já ser conhecido que as populações de Copán tinham conseguido domesticar cães e perus, as novas análises realizadas aos ossos dos felinos e outros animais, revelaram que estes animais eram mantidos e criados em cativeiro.

A investigação revelou que pelo menos alguns dos animais não viviam na natureza, ou seja, não foram caçados, mas antes mantidos e alimentados como animais domésticos – o que significa que os primeiros mesoamericanos tiveram e comercializaram grandes felinos e outros animais muito antes do que os arqueólogos imaginavam.

Além de pumas e jaguares, veados e pássaros eram também comercializados na época em Copán, evidenciando que houve grande comércio de animais na América do Sul há mais de mil anos. Milhares de anos depois, a mítica civilização maia continua a revelar (alguns) dos seus mistérios.

Por ZAP
17 Setembro, 2018

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1023: Gestos e linguagem. Crianças e chimpanzés são macaquinhos de imitação

CIÊNCIA

(cc) KISSPNG

Segundo uma nova investigação, crianças ainda na fase pré-fala e chimpanzés usam cerca de 90% dos mesmo gestos físicos. A descoberta lança uma nova luz sobre a origem da comunicação dos primatas.

A investigação, publicada a 8 de Setembro na Animal Cognition, é a primeira a classificar os gestos criados por crianças através da mesma técnica usada na classificação de gestos de outros primatas, nomeadamente de chimpanzés.

Os resultados demonstraram que crianças entre os 12 e os 24 meses usam cerca de 90% dos mesmos gestos utilizados por chimpanzés jovens e adultos. Os gestos incluem os abraços, os saltos ou pulos, o pisar e o arremesso de objectos.

Segundo os investigadores, a existência desta similitude nos gestos sugere que os gestos das crianças são comportamentos inatos – um legado da partilha comum na história evolutiva.

Os autores do estudo esperavam expor as semelhanças e as diferenças na forma como as crianças humanas usam os gestos em comparação com os primatas, na esperança de desvendar novos caminhos no desenvolvimento da comunicação humana.

“Sabendo que os chimpanzés e os humanos partilharam um ancestral comum há cerca de 5 ou 6 milhões de anos, quisemos saber se a nossa história evolucionária de comunicação também se reflectiu no desenvolvimento humano”, afirmou Verena Kersken, investigadora na Universidade de Gottingen e autora do estudo.

No estudo, os investigadores observaram os gestos das crianças nas suas próprias casas ou nas creches juntos dos seus pares, familiares ou educadoras.

Na observação foram analisadas 13 crianças no total, 6 na Alemanha e 7 no Uganda. O facto de terem sido escolhidas culturas tão diferentes não é casual, e o objectivo neste método serviria para “diminuir a predisposição do impacto cultural e da língua nativa nos primeiros gestos”, lê-se no documento.

Já os chimpanzés analisados tinham idades compreendidas entre 1 e 51 anos, e foram observados no seu habitat natural na floresta Budongo, no Uganda.

Os macacos selvagens, não sendo portadores de uma linguagem vocal, utilizam cerca de 80 gestos diferentes que foram recolhidos num dicionário online, Great Ape Dictionary, que ajuda a desvendar o significado da linguagem destes mamíferos.

“Chimpanzés, gorilas e orangotangos, todos usam gestos para comunicar no seu dia-a-dia, mas até ao momento faltava um primata em toda a equação: nós“, explicou Catherine Hobaiter, autora sénior da investigação e cientista na Escola de Psicologia e Neuro-ciência da Universidade de St. Andrews.

“Usamos a mesma abordagem para estudar chimpanzés e crianças, o que faz sentido – as crianças são apenas pequenos macacos“, revelou.

Os gestos documentados nas crianças incluem levantar braços, pisões, palmas, abraços, abanar de cabeça, agarrar entre outros num total de 52 diferentes gestos dos quais 46, ou 89%, também foram documentados nos chimpanzés. Tal como os macacos, as crianças usaram os gestos isoladamente ou numa sequência para exprimir os seus anseios.

“Achávamos que iríamos encontrar um ou outro gesto semelhante, mas estamos fascinados por encontrar tantos gestos de macacos nos gestos das crianças”, contou Hobaiter.

Quanto às diferenças, o estudo indica que as crianças terão usado com mais frequência gestos de apontar – coisa que os macacos têm muita dificuldade e até cães e lobos o fazem com mais distinção. Curiosamente, o gesto de abanar a mão em forma de cumprimento ou de despedida aparentou ser um gesto distintamente humano.

Apesar das grandes diferenças entre o Homem e o macaco, esta investigação demonstra que o ser humano reteve algum dos comportamentos partilhados anteriormente com o macaco e que são visíveis no início do nosso desenvolvimento.

Os investigadores também adiantaram que estes gestos desempenham uma importante tarefa naquilo que será, depois, o desenvolvimento da linguagem verbal.

No futuro, a equipa que desenvolveu o estudo afirma que gostaria de repetir a investigação mas com um maior número de crianças num espectro ainda mais diversificado de culturas.

Importa ainda sublinhar que, independentemente do passado comum, estes comportamentos semelhantes poderão estar relacionados com o facto de as crianças e os chimpanzés terem corpos similares, o que resulta numa igual linguagem corporal.

Por ZAP
15 Setembro, 2018

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1010: Humanos levaram milhares de anos a extinguir as aves-elefante

Faziam parte da megafauna que habitou Madagáscar durante milhares de anos. Pesavam meia tonelada, atingiam três metros de altura e já eram caçadas pelo homem há 10 mil anos, o que levou a uma revisão radical das estimativas do início da presença humana na ilha

Durante milhares de anos, a ilha de Madagáscar foi o habitat de uma megafauna – hoje integralmente extinta – onde se incluíam lémures e tartarugas gigantes, hipopótamos e dois géneros distintos de “aves elefantes”, incapazes de voar, de uma família intitulada Aepyornithidae. A maior, a Aepyornis, chegava à meia tonelada de peso e aos três metros de altura, pondo ovos maiores do que os dos dinossauros, com um volume 160 vezes superior aos das galinhas. Extinguiu-se há pouco mais de mil anos. A segunda, Mulleronis, pesava cerca de 150 quilos. Os restos mortais mais recentes foram datados de meados do século XIII. Ambas eram caçadas pelo homem. Mas, agora, descobriu-se que isso já acontecia há muito mais tempo do que se suspeitava.

De acordo com um estudo publicado na revista científica Advances Science Mag, investigadores de Madagáscar, Estados Unidos e Reino Unido descobriram sinais de acção humana em ossadas de aves-elefante datadas de há 10.500 anos, incluindo “marcas de corte e fracturas consistentes com imobilização e desmembramento”. Uma descoberta que obrigará os cientistas a reavaliarem toda a dinâmica da extinção da megafauna da ilha, da intervenção humana nesse processo e da própria colonização humana do território.

Com base em investigações anteriores, estimava-se que a presença humana na ilha tivesse começado há cerca de 2500 anos. Ou seja: seis mil anos mais tarde do que agora é revelado. Acreditava-se, igualmente, que esta presença tivesse ditado a extinção relativamente rápida de todos os “gigantes” da ilha. Mas, ao serem encontrados vestígios tão antigos da caça destes animais, as evidências mostram agora que esta actividade não terá impedido a coexistência entre o homem e a megafauna durante largos milhares de anos.

Diário de Notícias
Pedro Sousa Tavares
13 Setembro 2018 — 10:53

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998: PLUTÃO, PLANETA? NOVA INVESTIGAÇÃO DIZ QUE SIM

Imagem de alta-resolução de Plutão, com cores melhoradas de modo a realçar diferenças na sua composição superficial.
Crédito: NASA/APL de Johns Hopkins/SwRI

Segundo uma nova investigação da Universidade da Florida Central, a razão pela qual Plutão perdeu o seu estatuto de planeta não é válida.

Em 2006, a União Astronómica Internacional, um grupo global de peritos em astronomia, estabeleceu que um planeta deveria “limpar” a sua órbita ou, por outras palavras, ser a maior força gravitacional na sua órbita.

Dado que a gravidade de Neptuno influencia o seu vizinho Plutão, e que Plutão partilha a sua órbita com gases gelados e objectos na Cintura de Kuiper, isso significou retirar a Plutão o estatuto de planeta.

No entanto, num novo estudo publicado na quarta-feira passada na revista online Icarus, o cientista planetário Philip Metzger, da Universidade da Florida Central e do Instituto Espacial da Florida, informou que esse padrão de classificação de planetas não é suportado na literatura de investigação.

Metzger, que é o autor principal do estudo, examinou a literatura científica dos últimos 200 anos e encontrou apenas uma publicação – de 1802 – que utilizou o requisito de limpar a órbita para classificar planetas, e foi baseado num raciocínio refutado.

Ele disse que luas como Titã (Saturno) e Europa (Júpiter) têm sido rotineiramente chamadas planetas por cientistas planetários desde a época de Galileu.

“A definição da UAI diria que o objecto fundamental da ciência planetária, o planeta, deve ser definido com base num conceito que ninguém usa nas suas pesquisas,” comenta Metzger. “E deixaria de fora o segundo planeta mais complexo e interessante do nosso Sistema Solar.”

“Agora temos uma lista com mais de 100 exemplos recentes de cientistas planetários usando o termo planeta de uma forma que viola a definição da UAI, mas fazem-no porque é funcionalmente útil,” realça.

“É uma definição desleixada,” diz Metzger sobre a definição da UAI. “Não dizem o que querem dizer com ‘limpar a órbita’. Se formos pela aplicação literal, então não existem planetas, porque nenhum planeta limpa a sua órbita.”

O cientista planetário diz que a revisão da literatura mostrou que a divisão real entre planetas e outros corpos celestes, como asteróides, ocorreu no início da década de 1950 quando Gerard Kuiper publicou um artigo que fez a sua distinção com base no modo como foram formados.

No entanto, até esta lógica já não é considerada um factor que determina se um corpo celeste é um planeta, realça Metzger.

Kirby Runyon, co-autor do estudo e do Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins em Laurel, no estado norte-americano de Maryland, diz que a definição da UAI é errónea, pois a revisão da literatura mostrou que a limpeza da órbita não é uma norma usada para distinguir asteróides de planetas, como a UAI afirmou ao elaborar a definição de 2006 do termo planeta.

“Nós mostrámos que esta é uma alegação histórica falsa,” diz Runyon. “Portanto, é falacioso aplicar o mesmo raciocínio a Plutão.”

Definindo “Planeta”

Metzger diz que a definição de planeta deve basear-se nas suas propriedades intrínsecas, ao invés daquelas que podem mudar, como por exemplo a dinâmica da órbita de um planeta.

“A dinâmica não é constante, está sempre a mudar,” realça Metzger. “Portanto, não é uma descrição fundamental de um corpo, é apenas a ocupação de um corpo na era actual.”

Em vez disso, Metzger recomenda classificar um planeta se for grande o suficiente para que a sua gravidade permita que se torne esférico.

“E isso não é apenas uma definição arbitrária,” observa. “Acontece que este é um marco importante na evolução de um corpo planetário, porque aparentemente quando isso acontece, dá início a geologia activa no corpo.”

Plutão, por exemplo, tem um oceano subterrâneo, uma atmosfera com várias camadas, compostos orgânicos, evidências de antigos lagos e múltiplas luas, diz.

“É mais dinâmico e vivo que Marte,” diz Metzger. “O único planeta que tem geologia mais complexa é a Terra.”

Astronomia On-line
11 de Setembro de 2018

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983: Encontrados vestígios de queijo produzido há 7.200 anos no Mediterrâneo

CIÊNCIA

(dr) Sibenik City Museum

Cientistas encontraram resíduos em cerâmica com 7.200 anos, em dois sítios arqueológicos na Croácia, que indicam que a produção de queijos no Mediterrâneo começou antes do que se pensava.

Esta descoberta altera a linha do tempo da agricultura nesta região, com os produtos lácteos fermentados a serem feitos apenas cinco séculos depois de o leite ter sido armazenado pela primeira vez. Segundo o Science Alert, esta inovação pode ter sido mais do que um avanço gastronómico, mas sim um verdadeiro salva-vidas.

A equipa de investigadores dos EUA, Reino Unido e Croácia analisou estes fragmentos de cerâmica, encontrados em dois locais neolíticos na Croácia, para tentar perceber quais eram os alimentos que se encontravam no seu interior.

Os dados arqueológicos mostram que as pessoas cultivavam e faziam criação de gado no Mediterrâneo há cerca de oito mil anos. Os investigadores já sabiam que a cerâmica era usada para armazenar leite, um passo importante para ajudar a superar tempos difíceis em que a comida era escassa. Muitos adultos seriam intolerantes à lactose, mesmo assim, o leite ainda servia para alimentar crianças pequenas.

“Vemos o primeiro uso do leite, que era provavelmente recolhido para as crianças por ser uma boa fonte de hidratação e por ser relativamente livre de agente patogénicos”, explica a autora do estudo Sarah McClure, da Universidade Estadual da Pensilvânia. “Não seria surpreendente que os adultos dessem leite de outros mamíferos às crianças”, nota.

A análise dos isótopos de carbono na superfície interna de fragmentos de cerâmica mostrou, porém, que muitos foram usados para armazenar não só produtos lácteos, mas também lacticínios de uma variedade mais fermentada, tal como queijo e iogurte.

A análise de sementes e ossos nos arredores indicou que esses fragmentos de cerâmica tinham cerca de 7.200 anos, colocando-os entre os mais antigos exemplares encontrados de recipientes de produção de queijo no mundo.

“Esta é a mais antiga evidência documentada de resíduos para lacticínios fermentados na região do Mediterrâneo, e está entre os mais antigos documentados em qualquer lugar até hoje”, escrevem os investigadores no artigo publicado na revista científica PLOS ONE.

A produção deste alimento representou um passo significativo no avanço da cultura humana. Transformar o leite em queijo diminuiu a lactose de forma a que os adultos também o pudessem comer, fornecendo uma fonte nutritiva de alimento.

De acordo com a agência de notícias espanhola Europa Press, os investigadores sugerem que tanto o leite como o queijo, assim como os utensílios de cerâmica associados à sua produção, ajudaram a reduzir a mortalidade infantil e a estimular as alterações demográficas que impulsionaram as comunidades agrícolas a expandir-se para norte.

Embora a investigação tenha revelado a evidência mais antiga da produção deste alimento na região do Mediterrâneo, o queijo mais antigo do mundo já descoberto até agora foi encontrado numa sepultura egípcia com 3.200 anos.

ZAP //

Por ZAP
8 Setembro, 2018

(Foram corrigidos 2 erros ortográficos ao texto original. e um deles, foi da palavra “laticínios”, quando três palavras antes se escreve “lácteos”. Interessante esta “ortografia”…)

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974: Astrónomos têm um plano para caçar a antiga estrela morta que originou o Sistema Solar

National Institutes of Natural Sciences
Imagem ilustrativa do novo método proposto pelos cientistas

Investigadores propuseram um novo método para investigar o funcionamento interno das explosões das super-novas. O novo método recorre à análise de meteoritos e é o único que pode determinar o contributo dos anti-neutrinos de electrões – partículas enigmáticas que não podem ser rastreadas de outra forma.

Há mil milhões de anos, uma enorme estrela expeliu as suas entranhas para o espaço. Naquele enorme momento energético, a chamada super-nova de colapso do núcleo estelar formou uma nuvem de detritos de novos átomos, criados no calor da explosão.

Passado muito tempo, a nuvem acabou por se contrair atraída pela sua própria gravidade, dando origem a uma estrela – o nosso sol – cercada por pedaços de rocha e gás que deram origem aos planetas e a outros corpos em órbita. Muito depois, chegamos nós.

Basicamente, esta é a história da génese do nosso Sistema Solar. Há décadas que os cientistas analisam super-novas no entanto, ainda restam muitas dúvidas relativamente ao que realmente acontece numa explosão estelar. As super-novas são fenómenos que, para além de intensamente brilhantes, são fundamentais na evolução das estrelas e galáxias, mas os detalhes em que estas explosões ocorrem não são totalmente conhecidos.

Num novo artigo, publicado nesta terça-feira na Physical Review Letters, um grupo de cientistas propõe um novo método para responder a estas dúvidas.

Quando a estrela “velha” explodiu, uma partícula rara, a versão “fantasma” da antimatéria do neutrino – apelidada de “anti-neutrino do electrão” – explodiu e bateu na matéria circundante da super-nova. Estas colisões produziram um isótopo do tecnécio (elemento químico com número atómico 43) chamado de 98Tc. 

E, se os investigadores forem capazes de determinar qual a quantidade de 98Tc que foi produzida e o que lhe aconteceu, seriam também capazes de descrever a explosão da morte da estrela de forma muito mais detalhada.

A grande dificuldade relativamente ao isótopo é que, logo depois de ser criado, decai num isótopo de rutênio (elemento químico com número atómico 44), chamado de 98Ru.

No entanto, os investigadores acreditam e propõem no seu artigo que os vestígio do 98Tc podem ser relativamente fáceis de identificar e medir a partir de meteoros que, por vezes, caem na Terra – já que essas rochas estão praticamente intocadas desde o nascimento do Sistema Solar.

Os cientistas calcularam ainda que os anti-neutrinos dos electrões da super-nova que originou o Sistema Solar podem apenas ter produzido o suficiente do isótopo 98Tc, de forma a que os produtos do seu decaimento pudessem ser detectados em meteoros mesmo depois de milhões e milhões de anos.

Sinteticamente, a pesquisa, liderada por Takehito Hayakawa, encontrou um método para investigar o papel dos neutrinos de electrões em super-novas. Desta forma, medindo a quantidade de 98Ru presente em meteoritos, pode ser possível estimar que quantidade do seu “progenitor”, o 98Tc, estava presente no material que deu origem ao Sistema Solar.

Na última fase da sua vida, uma estrela massiva morre numa explosão conhecida como super-nova. Esta explosão explode a maior parte da massa da estrela para o espaço exterior. Massa este que é depois reciclada em novas estrelas e planetas, deixando assinaturas químicas distintas que dão evidências aos cientistas sobre a super-nova.

Os meteoritos – por vezes apelidados de estrelas cadentes – são formados a partir de material que sobrou do nascimento do Sistema Solar, preservando assim as assinaturas químicas originais.

Com paciência e uma medição cuidadosa, escreveram os investigadores, é possível medir com precisão estes traços. E com uma medição precisa, sublinham, pode ser possível desvendar os segredos da enorme explosão que deu origem ao nosso Sistema sola e a (quase) todos os átomos que compõem o nosso corpo.

Por ZAP
7 Setembro, 2018

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964: Nível dos oceanos desceu bruscamente 40 metros há 30 mil anos

Foram analisados os valores de variação do nível global dos oceanos durante o último glaciar máximo, graças a dados geomorfológicos e de sedimentação do fundo marinho

© Paulo Jorge Magalhães/Global Imagens

Uma equipa internacional de cientistas comprovou que o nível dos oceanos registou uma descida brusca de 40 metros há 30 mil anos e voltou a cair outros 20 metros há aproximadamente 22 mil anos.

A investigação, em que participa a Universidade de Granada e cujos resultados são publicados na revista Nature, analisou as mudanças do nível do mar durante o último glaciar máximo utilizando dados geomorfológicos, sedimentológicos e paleontológicos do fundo marinho.

O último glaciar máximo foi o período mais frio da história geológica recente da Terra, que provocou uma enorme acumulação de gelo nas regiões polares, fazendo descer consideravelmente o nível dos oceanos, o que provocou uma mudança na configuração das terras imersas.

Os investigadores afirmaram que, após a brusca descida de 40 metros há 30 mil anos, o nível do mar global se manteve bastante estável até voltar a cair 20 metros há cerca de 22 mil anos.

A partir desse momento, produziu-se uma subida lenta do nível do oceano que se acelerou há uns 17 mil anos para desacelerar há 7.000 anos e chegar lentamente aos últimos metros de subida até aos níveis actuais.

A mudança do nível do mar devido a mudanças do clima é um fenómeno conhecido desde o século XIX e os valores aproximados da descida foram estimadas nas últimas décadas”, explicou o catedrático de Paleontologia da Universidade de Granada Juan Carlos Braga, um dos autores do trabalho.

Os investigadores precisaram quer a cronologia quer os valores de variação do nível global dos oceanos durante o último glaciar máximo, graças a dados geomorfológicos e de sedimentação do fundo marinho.

Analisaram também os testemunhos obtidos na perfuração com 34 sondas no subsolo da margem da plataforma no nordeste da Austrália, comparando com dados da Grande Barreira de Coral australiana.

“As descidas bruscas do nível do mar detectadas durante o último glaciar máximo são facilmente explicadas pela mudança climática”, destacou o catedrático, que explicou que os dados parecem indicar que houve períodos extremos de calor e frio que são pouco conhecidos dos cientistas.

“Identificar com precisão a magnitude e cronologia das mudanças do nível do mar e do solo são importantes para entender a dinâmica do clima global e também fundamental para entender as conexões das ilhas entre si com os continentes e poder decifrar migrações de espécies, incluindo a humana”, concluiu Juan Carlos Braga.

Diário de Notícias
DN/Lusa
04 Setembro 2018 — 20:40

(Foram corrigidos 2 erros ortográficos ao texto original)

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954: O frio pode ter contribuído para a extinção dos neandertais

CIÊNCIA

Michael Brace / Flickr

Uma equipa internacional de investigadores concluiu que as mudanças climáticas e o frio podem ter desempenhado um papel mais importante na extinção dos neandertais do que se pensava até então. 

Os investigadores chegaram a estas conclusões, publicadas nesta segunda-feira na revista Proceedings of the Natural Academy of Sciences, graças a novos registos naturais de estalagmites, que destacam as mudanças no clima europeu há mais de 40 mil anos.

A cada ano, as estalagmites crescem em camadas finas e, qualquer mudança na temperatura ambiente, muda automaticamente a sua composição química. Por isso, as camadas destas formações vão preservando um arquivo natural de mudanças climáticas ao longo de milhares de anos.

Tendo em conta este registo natural, os investigadores analisaram estalagmites de duas cavernas romenas, que revelaram registos mais detalhados sobre as mudanças climáticas sentidas na Europa comparativamente aos dados que havia até então.

A análise das estalagmites revelou uma série de condições prolongas de frio extremo e seca, sentidas na Europa entre 44 mil e 40 mil anos atrás. As camadas destas formações evidenciaram um ciclo de temperaturas que foram baixando gradualmente, permanecendo assim durante séculos – ou até milénios -, voltando depois ao calor de forma abrupta.

Depois, os investigadores compararam estes registos paleoclimáticos com dados arqueológicos neandertais e encontraram uma correcção entre os período frios e a ausência de ferramentas utilizadas pelos neandertais, revela a Europa Press.

Os investigadores apontam que a população neandertal diminuiu consideravelmente durante os período de frio extremo, sugerindo assim que as mudanças climáticas desempenharam uma papel importante no declínio desta população.

Vasile Ersek, co-autor do estudo e professor no Departamento de Geografia e Ciências Ambientais da Universidade de Northumbria, em Inglaterra, recorda que os neandertais viveram na Eurásia durante cerca de 350 mil anos. Mas, há 40 mil anos, durante a última era do gelo e logo após a chegada dos humanos mais “modernos” à Europa, foram extintos. Há anos que o desaparecimento desta população inquieta os investigadores.

“Durante muitos anos questionamos o que poderia ter levado ao fim dos neandertais, se teriam sido levados ao limite pela chegada dos humanos modernos ou se teria havido outros factores envolvidos”, explica Ersek, acrescentando que o novo estudo “sugere que a mudança climática pode ter desempenhado um papel importante na extinção da população.

Importância da dieta alimentar

Os investigadores acreditam também que os humanos modernos (Homo sapiens) conseguiram sobreviver a estes período de frio porque estavam melhor adaptados a este ambiente do que os neandertais.

Na Idade Paleolítica, os Homo neanderthalensis foram o auge da sofisticação: dominaram a Europa e parte da Ásia durante 300 mil anos, produziram ferramentas e jóias, construíram cavernas e cuidaram dos seus doentes e idosos. Pensa-se até que tenham criado um tipo primitivo de medicina dentária.

Eram ainda caçadores habilidosos e tinham aprendido a controlar o fogo contudo, tinha uma dieta menos diversa do que os humanos modernos, vivendo principalmente à base da carne que caçavam – fonte de alimento que se tornava mais escassa com o frio, deixando a população mais vulnerável.

Em comparação, os homens modernos já incorporavam, juntamente com a carne, peixe e plantas na sua dieta alimentar, tornando a sua alimentação mais rica e potenciado a sua taxa de sobrevivência às adversidades climatéricas.

Ersek explica ainda que este ciclo de “intervalos climáticos hostis”, nos quais o clima variava abruptamente e as temperaturas eram extremamente baixas – foi responsável pela natureza demográfica da Europa.

ZAP //

Por ZAP
1 Setembro, 2018

(Foram corrigidos 3 erros ortográficos ao texto original)

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