1532: Afinal, o que nos irá acontecer quando os pólos magnéticos inverterem?

(dr) Joseph N. Pelton
Os campos magnéticos da Terra criam forças complexas à volta do planeta

A reversão dos pólos magnéticos da Terra pode parecer algo verdadeiramente assustador, mas será um evento perigoso? A resposta é não, ainda que com algumas ressalvas.

Os pólos magnéticos da Terra podem estar prestes a inverter. De acordo com observações recentes, sabemos que o campo magnético está a enfraquecer. Este e outros factores fazem com que os cientistas se debrucem sobre este tema, afirmando que a inversão acontecerá mais cedo ou mais tarde. De qualquer das formas, defendem que não há qualquer motivo para nos preocuparmos.

Se analisarmos a história do nosso planeta, a inversão geomagnética sempre foi muito comum. E, mesmo com este contratempo, a vida conseguiu prosperar. Desta forma, os cientistas podem assegurar que não haverá nenhuma extinção em massa ou catástrofe global.

Registos fósseis mostram que os organismos vivos não sofreram com a mudança dos pólos ao longo do tempo. Além disso, também não há qualquer prova de que o alerta tenha levado a um aumento do número de terramotos, erupções vulcânicas ou mudanças dramáticas no clima.

O ponto de interrogação de toda esta questão surge na tecnologia. O campo magnético da Terra protege-nos contra as partículas electricamente carregadas do vento solar e essa protecção é muito importante durante as tempestades solares, onde há um influxo maior do que o normal de partículas energéticas.

Apesar de estas partículas serem completamente inofensivas para os seres humanos, elas podem ser devastadoras para a tecnologia, adianta o IFL Science.

O problema, segundos os cientistas, é a ausência de acontecimentos anteriores que nos poderiam ajudar a antever as consequências da inversão dos pólos. O melhor exemplo é o Evento de Carrington, uma poderosa tempestade magnética que aconteceu em 1859.

Esta tempestade foi um verdadeiro pesadelo para a tecnologia: os sistemas de telégrafo falharam e, em muitos casos, deram choques eléctricos aos operadores que os tentavam arranjar. Se esta tempestade acontecesse em 2019, os danos seriam certamente muito mais significativos: o custo estimado seria de biliões de dólares.

A inversão dos pólos não significa que a Terra passará a ter dois campos magnéticos. Se tomarmos um exemplo prático e nos imaginarmos com uma bússola a apontar para Norte, significa que, quando ocorrer uma reversão magnética completa, a seta vermelha da nossa bússola passará a apontar o Sul.

Todavia, entre estes dois eventos, há um período caótico em que múltiplos pólos podem formar-se de uma vez só, confundindo a nossa bússola e, até, os animais que usam o campo magnético para se orientarem. Apesar de caótico, este período pode durar milhares de anos – ou centenas, em raras excepções.

A última vez que houve uma inversão nos pólos magnéticos da Terra foi há 781 mil anos. A razão pela qual este fenómeno acontece ainda não é clara. O campo magnético é gerado pela rotação do núcleo externo de ferro fundido da Terra. O núcleo, que arrefece à medida que o tempo passa, cria movimento no núcleo externo devido à convecção.

A explicação que reúne mais consenso tem a ver com a turbulência que o ferro fundido sofre quando se move. É muito provável que este caos desempenhe um papel, mas ainda não está claro de que forma é que isso acontece.

ZAP //

Por ZAP
29 Janeiro, 2019

 

1223: Terra atacada por extraterrestres hostis. Invasão começou em New Jersey

Há 80 anos, os EUA viveram horas de pânico com a primeira fake news de que há registo. Durante a emissão radiofónica da CBS, o ator Orson Welles interrompeu a programação para dar uma notícia de última hora: os marcianos estavam a invadir New Jersey. A notícia aterrorizou os ouvintes, que acreditaram que a Terra estava sob ataque de alienígenas hostis.

De acordo com o relato do locutor, tinham ocorrido explosões inusitadas em Marte e, como consequência, nuvens de gás dirigiam-se para a Terra. A música voltou à emissão, até que foi novamente interrompida por outra notícia igualmente assustadora: tinha sido avistado um objecto estranho num campo do estado norte-americano de New Jersey.

No entanto, as notícias eram falsas. O brilhante desempenho de Welles era, na verdade, a interpretação de uma versão de rádio-teatro do romance “A Guerra dos Mundos” (1898), de H. G. Wells, que narrava a invasão de extraterrestres ano nosso planeta.

Esta interpretação fazia parte de uma série semanal de transmissões dramáticas criadas em parceria com o Mercury Theatre on the Air para a emissora CBS, segundo a transcrição do próprio programa.

Para a produção deste episódio, Welles recorreu de forma genial a todos os recursos radiofónicos da época, interrompendo o programa musical com blocos de notícias de “última hora”. Além disso, o actor entrevistou ainda supostos especialistas e testemunhas oculares de foram a dar credibilidade à sua história.

Tal como nota a Deutsche Welle, a peça dava conta aos ouvintes que, apesar do perigo, era possível deter os invasores alienígenas, que iam incendiando exércitos completos e lançando gás tóxico na cidade de New York. O programa acabou por desencadear o pânico nas ruas da cidade.

Apesar de o programa ter conotações claramente teatrais, muitos dos norte-americanos sintonizados acreditaram que a ameaça alienígena era real, e as manchetes dos jornais no dia seguinte comprovaram isso mesmo – o pânico generalizado.

“Milhares de ouvintes saíram a correr das suas casas em New York e New Jersey, muitos dos quais com toalhas no rosto para se protegerem do ‘gás’ que o invasor estaria a espalhar”, escreveu o Daily News no dia seguinte, citado pelo Live Science.

British Library
Ilustração da edição de 1906 de “A Guerra dos Mundos”, de H.G.Wells, por Henrique Alvim Corrêa

No entanto, é importante frisar que, à luz da época, os americanos viviam sob o medo real que uma guerra atravessasse o país.

Na altura, em 1938, os norte-americanos iam recebendo informações terríveis sobre a Alemanha nazi, enquanto os britânicos já testavam máscaras de gás, caso fossem assolados por um ataque bélico. O EUA estavam envolvidos numa onda de medo.

Enquanto a peça teatral ia sendo transmitida, muitos norte-americano ligaram para a polícia, relatando nuvens de fumaça no horizonte, supostamente fruto das batalhas que as pessoas iam travando com os marcianos. Alguns habitantes foram ainda mais longe, afirmando ter visto alienígenas. Outros, por sua vez, estavam convencidos que os invasores fossem alemães. – o pânico estava instalado.

Como frisou a revista Slate, no 75º aniversário do programa de Orson Welles, as verdadeiras fake news só foram difundidas no dia seguinte através de meios de comunicação que descreveram histórias de pânico e histeria em massa nas ruas.

Na altura, jornais como o New York Times ou o Boston Daily Globe aproveitaram o momento para descredibilizar os novos média, rotulando-os com fonte pouco fidedigna e pouco responsável. Actualmente, acredita-se que essas notícias tenham sido clara e extremamente inflamadas, não sendo possível falar em histeria nas ruas.

(dr)
NYT

Curioso é que o pânico gerado pela adaptação da “Guerra dos Mundos” continua bem actual. E, também na época, a peça de Welles desencadeou discussão, até Adolf Hitler abordou o assunto, gracejando com “homenzinhos verdes que invadiam países”.

Apesar de o director da emissora explicar, em 1938, que o objectivo da emissão passava apenas pelo entretenimento, em 1955, e em entrevista à BBC, apresentou outras motivações: “Quando fizemos o programa dos marcianos, estávamos fartos de que tudo o que vinha dessa caixinha mágica, a da rádio, fosse simplesmente engolido”.

Assim, sustentou, a encenação foi, de certa forma, um ataque à credibilidade da rádio. “Nós queríamos fazer com que as pessoas entendessem que não podiam aceitar tudo o que saísse dos microfones”, explicou.

Tudo isto aconteceu há 80 anos, numa pacata noite de domingo, a 30 de Outubro, na véspera do Halloween. No entanto, o assunto não podia ser mais atual. As fake news assombram hoje, mais do que nunca, os média, afectando leitores, ouvintes e telespectadores.

É ainda de salientar que todo este pânico foi gerado numa época onde não existam redes sociais – que certamente teriam aguçado toda a polémica. Actualmente, as fake news não são menos recorrentes, o seu propósito é que é outro – passamos do entretenimento às campanha eleitorais e às influências nas urnas. É incontestável: as fake news são transversais ao próprio tempo.

ZAP // Deutsche Welle / LiveScience

Por ZAP
31 Outubro, 2018