3314: Milhares de lagos nos Himalaias correm risco de inundação devido ao aquecimento global

CIÊNCIA/CLIMA

markhorrell / Flickr
Himalaias

Cerca de cinco mil lagos nos Himalaias correm o risco de rebentar as suas morenas devido ao aquecimento global e assim causar fortes inundações.

A região dos Himalaias tem sofrido com as alterações climáticas. À medida que os glaciares derretem, têm-se formado também lagos naturais, 85 deles em Siquim, entre 2003 e 2010. E, de acordo com cientistas da Universidade de Potsdam, na Alemanha, milhares destes lagos correm o risco de rebentar as suas morenas por causa do aquecimento global, avança a agência Europa Press.

Uma morena é um amontoado de pedras e terra unidos por gelo. Se este derrete, a morena cede, resultando naquilo a que os investigadores, cujo estudo foi publicado na revista PNAS, descrevem como inundações de explosão de lago glacial (GLOF).

Para ver o que poderia acontecer à medida que as temperaturas mais altas derretem os glaciares, os investigadores realizaram 5400 milhões de simulações baseadas em modelos de lagos desenvolvidos com dados topográficos e de satélite.

Depois dessas simulações, a equipa descobriu que cerca de cinco mil lagos nos Himalaias são provavelmente instáveis devido à fraqueza das suas morenas.

Os cientistas também notaram que os lagos em maior risco eram aqueles com o maior volume de água e descobriram que os riscos de inundações devido a um GLOF no futuro próximo eram três vezes maiores nas partes orientais dos Himalaias.

Estudos anteriores já haviam demonstrado que até dois terços dos glaciares dos Himalaias vão desaparecer na próxima década, o que significa que uma grande quantidade de água destes lagos vai ser uma grave ameaça para as populações vizinhas.

ZAP //

Por ZAP
5 Janeiro, 2020

spacenews

 

3057: Situação trágica. “Veneza está a desaparecer”

CLIMA

Andrea Merola / EPA
Um turista nas inundações em Veneza.

A situação em Veneza é trágica, com 85% da cidade italiana inundada depois das piores cheias dos últimos anos. Mas estas inundações são apenas um alerta para o que pode vir a seguir, já que Veneza assenta numa ilha que se está a afundar, correndo o risco de “desaparecer”.

Este aviso é feito pelo professor catedrático jubilado na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e presidente do Conselho Nacional do Ambiente e do Desenvolvimento Sustentável (CNADS), Filipe Duarte Santos, em declarações ao Expresso.

O especialista nota que a situação de “estado de emergência” que Veneza vive resulta apenas em parte das alterações climáticas, como referiu o presidente da Câmara, Luigi Brugnaro, numa altura em que a cidade enfrenta as piores inundações desde 1966.

“O aquecimento global não é a única causa. Veneza está situada numa laguna. A ilha onde a cidade italiana se encontra está a afundar-se devido a uma subsidência, ou seja, a deslocação da superfície abaixo do nível médio do mar. Desde o início do século passado até agora, a ilha afundou-se 23 centímetros“, explica Filipe Duarte Santos no Expresso.

Contabilizando ainda mais 20 centímetros devido à subida do nível da água do mar, isso significa que estamos a falar de um total de 40 centímetros.

Nas mais recentes cheias que ainda afectam a cidade, “a água subiu 1,80 metros e como a maior parte de Veneza está a mais de um metro do mar, basta mais um metro por cima e fica inundada”, aponta ainda Filipe Duarte Santos.

“É preciso fazer algo, porque a cidade está a desaparecer“, alerta este especialista, considerando que “se ficar submersa será uma perda cultural enorme para Itália e para a Europa, do ponto de vista histórico e artístico”.

Mas “o principal problema é que o nível do mar não vai parar de subir até 2100” e “prevê-se que até ao fim do século, o nível médio do mar naquela zona do Mediterrâneo suba mais de um metro”, constata Filipe Duarte Santos, salientando que “falta pouco” para isso, “apenas 80 anos”.

O especialista refere que a situação é “muito difícil” e lembra que as obras previstas para a construção de 78 comportas metálicas para evitar que as marés inundem Veneza, se têm arrastado no tempo, com acusações de corrupção pelo meio.

A cidade está condenada se não avançar com as obras de engenharia“, nota.

Essa obra vai exigir um elevado investimento à autarquia de Veneza que está a enfrentar prejuízos elevados com as inundações. Por outro lado, as cheias estão a afectar o turismo que é a grande “galinha dos ovos de ouro” da cidade que recebe cerca de 36 milhões de turistas por ano.

ZAP //

Por ZAP
19 Novembro, 2019

 

2546: ONU. Subida da água do mar pode provocar 280 milhões de deslocados

CIÊNCIA

(cv) Fox News

A subida do nível das águas do mar, em consequência do aquecimento global, pode fazer 280 milhões de deslocados, segundo um relatório preliminar científico que a ONU divulga em Setembro.

De acordo com o documento, com o aumento da frequência dos ciclones, muitas grandes cidades podem ser inundadas todos os anos a partir de 2050. Até ao fim do século, as previsões do relatório é que 30 a 99% do terreno permanentemente congelado (permafrost) deixe de o ser, libertando grandes quantidades de dióxido de carbono e de metano.

Ao mesmo tempo, os fenómenos resultantes do aquecimento global podem levar a um declínio constante da quantidade de peixe, um produto do qual muitas pessoas dependem para se alimentar.

O relatório preliminar da Organização das Nações Unidas (ONU), divulgado pela agência France Press, é da responsabilidade do Painel Intergovernamental sobre Alterações Climáticas (IPCC na sigla original), cuja versão final será divulgada em Setembro.

O relatório vai ser discutido pelos representes dos países membros do IPCC, que se reúnem no Mónaco a partir de 20 de Setembro, por alturas da cimeira mundial sobre o clima em Nova Iorque, marcada para 23 de Setembro pelo secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres.

O objectivo é alcançar compromissos mais fortes dos países para reduzir as suas emissões de dióxido de carbono, que caso se mantenham no ritmo actual farão subir as temperaturas de 2 a 3 graus Celsius até ao fim do século.

Especialistas temem que a China, Estados Unidos, União Europeia e Índia, os quatro principais emissores de gases com efeito de estufa, estejam a fazer promessas que não cumprem. Estas regiões do mundo vão também ser afectadas pela subida das águas do mar, alerta o relatório, especificando que não serão só afectadas as pequenas nações insulares ou as comunidades costeiras expostas.

Xangai, a cidade mais populosa da China, está localizada num delta, formado pela foz do rio Yangtze e pode começar a ser inundada regularmente se nada for feito para parar as alterações climáticas. E o país tem mais nove cidades em risco.

Essa subida do nível do mar coloca os Estados Unidos como um dos países mais vulneráveis, a aumentar em cinco vezes o risco de inundações, incluindo em Nova Iorque.

A União Europeia está menos vulnerável, mas os especialistas do IPCC alertam para inundações no delta do Reno. E para a Índia esperam que milhões de pessoas tenham de ser deslocadas.

A elevação do nível das águas do mar deve-se ao aumento das temperaturas que está a derreter as grandes massas de gelo nos pólos. Segundo o documento as calotes polares da Antárctica e da Gronelândia perderam mais de 400 mil milhões de toneladas de massa por ano na década antes de 2015. Os glaciares das montanhas também perderam 280 mil milhões de toneladas.

ZAP // Lusa

Por Lusa
30 Agosto, 2019

 

1115: Mudanças climáticas podem afundar oito das mais famosas cidades do mundo

CIÊNCIA

(CC0/PD) Scott Webb / pexels

Um relatório científico publicado recentemente pela organização não governamental Christian Aid aponta quais são as grandes cidades costeiras que correm o risco de sofrer fortes inundações por causa do aquecimento global.

Os especialistas alertam no documento que, se o aquecimento global for superior a 1,5 graus, o aumento do nível do mar ultrapassará os 40 centímetros, fazendo com que algumas famosas cidades costeiras “fiquem extremamente vulneráveis perante tempestades e inundações”.

“Algumas das cidades mais famosas do mundo estão a afundar-se à medida que as mudanças climáticas fazem subir o nível do mar”, advertem os autores do documento. “Estas metrópoles podem parecer fortes e estáveis, mas é uma ilusão”, diz o relatório.

À medida que o nível do mar aumenta, estas cidades correm cada vez mais perigo e ficam cada vez mais debaixo de água”, acrescenta o relatório da Christian Aid. Entre as cidades mencionadas no relatório, encontram-se oito das mais famosas metrópoles do Mundo.

A primeira dessas cidades é Jacarta, na Indonésia. Os cientistas destacam que 40% da capital do país asiático já se encontra abaixo do nível do mar e que a cidade está a  afundar-se a um ritmo de 25 centímetros por ano. Em 2050, cerca de 95% do norte da cidade estará submerso.

Houston, nos Estados Unidos, é outra importante cidade que está em risco de afundar. Para o afundamento desta cidade do estado americano do Texas contribui o fato de ser o centro da indústria do petróleo e gás dos EUA.

A extracção de minerais fez com que uma área de 12 mil quilómetros quadrados do seu território tenha sofrido um rebaixamento de até 3 metros. Parte desta zona continua a afundar-se a um ritmo de 5 centímetros por ano.

A capital britânica, Londres, por sua vez, está a afundar-se em parte devido à fusão dos glaciares. A Barreira do Tamisa, inaugurada em 1984 para proteger a cidade de inundações, foi planeada para ser usada duas ou três vezes por ano. Porém, actualmente é usada seis ou sete vezes anualmente.

O relatório afirma também que a cidade chinesa de Xangai “é demasiado pesada para o terreno sobre o qual está construída”. A metrópole está a afundar-se nos sedimentos em que foi construída, devido ao peso das infraestruturas, à extracção de água subterrânea e à subida do nível do mar.

(CC0/PD) zhang kaiyv / pexels
A cidade chinesa de Xangai “é demasiado pesada para o terreno sobre o qual está construída”.

Também a capital da Nigéria, Lagos, está em risco de afundar. Se o nível das águas do mar aumentar 20 centímetros, 740 mil residentes da cidade nigeriana perderão as suas casas, alertam os especialistas.

Também a cidade de Manila enfrenta a possibilidade de desaparecer submersa. Apesar de estar habituada a grandes intempéries e a um clima extremo, a capital filipina corre o risco de afundar 10 centímetros anualmente, e “pode ter os dias contados”.

O Bangladesh é um país onde as mudanças do nível do mar já provocam migração da população. As áreas residenciais de sua capital, Daca, estão apenas 6 a 8 centímetros acima do nível do mar e, no golfo de Bengala, no sudoeste da cidade, o processo parece estar a aumentar dez vezes mais depressa do que a média mundial.

Há três anos, o governo tailandês previu que Bangkok, a capital da Tailândia, estaria debaixo de água em 15 anos. Tal como no caso de Xangai, em Bangkok o processo é causado, entre outros, pelos arranha-céus da cidade, cujo peso pressiona o solo.

Mas o aumento do nível do mar não é o único problema que as áreas costeiras baixas enfrentam. Muitas cidades nessas áreas estão a afundar também por causa do abatimento do solo, que aumenta consideravelmente o risco de inundações.

Esse é o caso de São Francisco, nos EUA, que está a afundar ainda mais depressa do que o nível do mar aumenta devido ao aquecimento global: actualmente, 3 milímetros por ano e em aceleração.

A capital chinesa, Pequim, é mais conhecida pelo absurdo nível de poluição atmosférica e por ocasionais tempestades de areia. Mas a sua maior ameaça ambiental encontra-se na realidade no subsolo: a cidade está literalmente a afundar-se. O efeito é mais significativo em Chaoyang, o bairro financeiro da cidade, que está a afundar-se 11 cm por ano.

Talvez esteja na altura de a espécie humana dar mais um salto evolutivo para algo diferente – de preferência, desta vez com guelras.

ZAP // Sputnik News / Christian Aid

Por SN
8 Outubro, 2018

[vasaioqrcode]