3010: Desaparecimento de insectos atingiu um nível “assustador” na Alemanha

CIÊNCIA

dakiny / Flickr

Uma investigação conduzida na Alemanha sobre a biodiversidade alertou sobre a diminuição “assustadora” no número de insectos durante a última década.

De acordo com o novo estudo, cujos resultados foram publicados na revista Nature, o fenómeno afectou especialmente áreas de pastagem próximas de terrenos cultivados de forma intensiva, havendo também registo desta queda em áreas protegidas e florestas.

A investigação foi realizada entre 2008 e 2017 por uma equipa de cientistas internacionais, que recolheu mais de um milhão de artrópodes de 300 locais diferente na Alemanha – Brandemburgo, Turíngia e Baden-Württemberg.

No total, mais de 2.7000 espécies foram analisadas, estando muitas destas em declínio. Nos últimos anos, houve até espécies raras que a equipa não conseguiu encontrar.

O ecologista Wolfgang Weisser, da Universidade Técnica de Munique e um dos autores da análise, disse que foi uma “surpresa” observar este declínio num espaço de tempo de dez anos. Em comunicado, a equipa frisa que o declínio é maior do que se suspeitava.

“É assustador, mas [o declínio encontrado] está em linha com a imagem apresentada por número crescente de estudos”, acrescentou o especialista, citado na mesma nota.

O declínio nas populações de insectos repetiu-se nos diferentes ambientes estudados e ocorreu com maior intensidade nas pastagens, principalmente nas que são cercadas por quintas e áreas cultivadas, onde a queda foi de 78%.

Ou seja, nas áreas mais afectadas apenas foi encontrado um terço das espécies anteriormente observadas. Por outro lado, nas florestas, o desaparecimento foi de aproximadamente 40%, o que revela que “a perda não se limita aos habitats abertos”.

“Colapso da Natureza.” Declínio acelerado de insectos põe em risco a Humanidade

Um estudo recente adianta que os insetos podem desaparecer em apenas um século, se o ritmo actual de declínio se…

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10 Novembro, 2019

 

1984: Nunca subestime uma vespa. São mais inteligentes do que pensávamos

CIÊNCIA

jean_hort / Flickr

Um estudo recente provou que a vespa-do-papel-europeia (Polistes dominula) é capaz de resolver inferências transitivas, uma capacidade que se pensava ser exclusiva dos humanos.

Até hoje, os cientistas pensavam que a inferência transitiva – a capacidade de usar relações conhecidas para inferir relações desconhecidas – era uma capacidade exclusiva dos seres humanos. Aliás, durante milénios, esta capacidade representou um selo distintivo dos poderes dedutivos dos humanos, uma forma de raciocínio lógico utilizada para fazer inferências (por exemplo, se A é maior que B e B é maior que C, então A é maior que C).

Agora, um estudo realizado em invertebrados, cujo artigo científico foi recentemente publicado na Biology Letters, prova que a vespa-do-papel-europeia (Polistes dominula) também tem esta capacidade. Desta forma, esta espécie é a primeira de invertebrados a ser capaz de resolver inferências transitivas.

À semelhança das abelhas, as vespas têm um sistema nervoso com, aproximadamente, um milhão de neurónios. No entanto, exibem um comportamento social complexo. Elizabeth Tibbetts, bióloga evolutiva da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, questionou se as habilidades sociais das vespas poderiam permitir que tivessem sucesso em parâmetros que as abelhas já haviam falhado.

Para descobrir, a equipa de cientistas testou se as duas espécies de vespas mais comuns – Polistes dominula e Polistes metricus – eram capazes de resolver um problema de inferência transitiva.

A equipa recolheu vespas rainha de vários locais no Michigan e, em laboratório, as vespas foram treinadas para escolher entre pares de cores, sendo que uma cor de cada par foi associada a um choque eléctrico (a cor B) e a outra não (cor A). “Fiquei surpresa com a rapidez e precisão com que as vespas aprenderam”, disse Tibbetts.

Mais tarde, as vespas foram expostas a cores correspondestes que lhes eram totalmente desconhecidas e tiveram de escolher entre as cores. Os insectos foram capazes de organizar as informações numa hierarquia implícita e usaram a inferência transitiva para escolher entre esses novos pares.

Na prática, se as vespas pousassem na cor B, em vez de pousarem na cor A, receberiam um leve choque eléctrico. Por sua vez, a mesma coisa aconteceria se eles pousassem em C em vez de B, D em vez de C ou E em vez de D. Em todos os casos, a cor correspondente a uma letra anterior no abecedário era a escolha segura.

Estava à espera que elas ficassem confusas, tal como as abelhas ficaram. Mas não tiveram qualquer problema em perceber que uma determinada cor era segura em algumas situações e outras não”, explicou a cientista.

As vespas e as abelhas são muito semelhantes a nível neurológico, e os cientistas ainda não conseguem explicar por que motivo as abelhas ficam confusas e as vespas conseguem concluir esta tarefa com sucesso. No entanto, suspeitam que as bases para o raciocínio poderiam estar na natureza das relações sociais das vespas, que são muito diferentes das das abelhas.

Ao contrário das colónias de abelhas centradas em torno de uma única rainha, as colónias de vespas Polistes dominula têm arranjos sociais mais complexos. Os cientistas pensam que as pressões resultantes de viver entre as vespas tenham dado aos insectos habilidades aprimoradas para tomar decisões baseadas em informações sociais: inferir distinções e relações subtis que uma abelha nunca precisou de recolher.

Mas, segundo o Science Alert, esta explicação não passa de uma hipótese. Apesar disso, sabemos agora que as vespas são mais inteligentes do que pensávamos. Por isso, não as subestime.

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15 Maio, 2019


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1947: Nova espécie de mil-pés descoberta fossilizada em âmbar. Tem 99 milhões de anos

CIÊNCIA

Pavel Stoev

Uma equipa de cientistas descobriu uma nova e minúscula espécie de mil-pés na Birmânia. O pequeno animal ficou fossilizado em âmbar há 99 milhões de anos.

Numa recente publicação, cujos resultados foram esta semana publicados na revista ZooKeys, os cientistas mencionam a espécie como “anões sob as pernas de dinossauros”.

O insecto em causa (Burmanopetalum inexpectatum) mede pouco menos de um centímetro (8,2 milímetros) e é o primeiro fóssil de mil-pés da ordem Callipodida já descoberto, tal como observa o portal da Newsweek.

O investigador principal, Pavel Stoev, do Museu Nacional de História Natural da Bulgária, destacou a morfologia incomum da espécie. O animal revelou ter características tão incomuns que os cientistas tiveram que introduzir uma nova subordem.

“Imagine um pequeno mil-pés, menos de um centímetro: com os seus parentes modernos, que medem até 10 centímetros de comprimento, seria considerado um anão“, explicou o autor do estudo. “Ainda mais impressionante, é o facto deste animal ter vivido numa época em que terríveis dinossauros e enormes artrópodes vagueavam pela Terra”.

O especialista observou que muito provavelmente este mil-pés habitava o solo de “florestas de clima quente e árvores densas, como pinheiros e sequóias”.

Burmese Amber @Burmese_Amber

Figure 1. Burmanopetalum inexpectatum gen. nov. et sp. nov., female holotype (ZFMK-MYR07366) A
habitus B head, anterior-most body rings and vulvae, anterior view C antennae, lateral view D pleurotergal crests ornamentation, lateral view E telson, lateral view F legs, dorsola…

A espécie que acabamos de descrever difere do seus “parentes modernos” por ter “o último segmento [do seu corpo] especialmente projectado, que teria desempenhado um papel na sua biologia”. Faltavam-lhe também “excrescências características de cabelo nas costas, que estão presentes em todos os membros da ordem Callipodida“, acrescentou.

Pavel Stoev acrescentou ainda que o animal tinha “olhos muito simples”, enquanto que “a maioria dos seus colegas modernos tem uma visão complexa”, apontou.

A descoberta de Burmanopetalum inexpectatum ajuda a melhor compreender a história evolucionária da sua ordem. O autor do estudo ressalvou que os cientistas têm agora “fortes evidências de que esta linhagem surgiu há 99 milhões de anos”.

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9 Maio, 2019

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229: China vai levar insectos e plantas à superfície da Lua este ano

NASA
A face oculta da Lua: foto obtida em 1968 pela missão Apollo 8

Não seria considerado um exagero, a esta altura, dizer que vivemos numa era de exploração espacial renovada.

A Lua, em particular, tornou-se o foco de atenção nos mais recentes anos. Além da recente ordem de Trump para a NASA voltar a focar-se na Lua, muitas outras agências espaciais e companhias privadas aeroespaciais estão a planear as suas próprias missões à superfície lunar.

Um bom exemplo disso é o Programa de Exploração Lunar Chinês (CLEP), também conhecido como Chang’e Program.

Nomeado em homenagem à antiga deusa lunar da China, este programa já enviou duas naves orbitais e um módulo de aterragem. E mas tarde, ainda este ano, a missão Chang’e 4 começará a partir para o outro lado da Lua, onde vai estudar a geologia local e testar os efeitos da gravidade lunar em insectos e plantas.

A missão vai consistir no lançamento de uma nave orbital de retransmissão a bordo de um foguete Long March 5 em Junho de 2018. A retransmissão assume uma órbita à volta do ponto Lagrange L2 Terra-Lua, seguido do lançamento do módulo de aterragem cerca de seis meses depois.

Além de um conjunto avançado de instrumentos para estudar a superfície lunar, o módulo de aterragem também vai carregar um recipiente de alumínio cheio de sementes e insectos.

O designer do recipiente, Zhang Yuanxun, explicou ao China Daily que a “embalagem vai enviar batatas, sementes de arabdopsis – uma flor da Ásia e da Europa – e ovos de bicho-da-seda para a superfície lunar. Os ovos também vão chocar bichos-da-seda capazes de produzir dióxido de carbono, enquanto que as batatas e sementes emitem oxigénio através da fotossíntese. Juntos, conseguem formar um ecossistema simples na Lua”.

Esta também será a primeira vez que uma missão é enviada para uma região inexplorada no lado oculto da Lua.

Esta região não é outra senão a Bacia do Pólo Sul-Aitken, uma vasta região de impacto no hemisfério sul. Com aproximadamente 2500 quilómetros de diâmetro e 13 mil de profundidade, é a maior bacia de impacto da Lua e uma das maiores do Sistema Solar.

Esta bacia é também uma fonte de grande interesse para os cientistas, e não é apenas por causa do seu tamanho.

Em anos recentes, foi descoberto que a região contém água gelada. Os cientistas acreditam que se trata do resultado do impacto de meteoros e asteróides que deixaram água gelada que sobreviveu graças ao facto da região estar permanentemente debaixo de sombra.

Sem luz solar directa, a água gelada naquelas crateras não foi sujeita a sublimação e dissociação química.

Graças à descoberta de água no estado líquido a comunidade de exploração espacial definiu que aquele será o melhor local para estabelecer uma base lunar. A este respeito, a missão Chang’E 4 está a investigar a possibilidade de os humanos viverem e trabalharem na Lua.

Além de nos dizer mais sobre o terreno local, também responderia à questão se organismos extraterrestres conseguiriam crescer e prosperar na gravidade lunar – que é cerca de 16% da da Terra.

Os futuros resultados da missão Chang’E 4 podem abrir a porta a que outras agências espaciais (como a NASA, ou a ESA – que já falaram nessa possibilidade) enviem para lá robôs e até materiais de construção ainda este ano.

ZAP // Scoe

Por ZAP
10 Janeiro, 2018

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