4847: “Dragão marinho” pré-histórico, descoberto no Canal da Mancha, identificado como uma nova espécie

CIÊNCIA/PALEOBIOLOGIA

(dr) Megan Jacobs
Ilustração do Thalassodraco etchesi

Um réptil marinho, datado de 150 milhões de anos atrás, foi recentemente identificado como uma nova espécie. O espécime bem preservado foi encontrado num depósito marinho profundo do Jurássico Superior ao longo da costa do Canal da Mancha em Dorset, na Inglaterra.

Uma equipa de cientistas descobriu uma nova espécie de ictiossauro depois de ter analisado um misterioso fóssil encontrado na costa de Dorset, na Inglaterra. O artigo científico com os resultados foi publicado no dia 9 de Dezembro na PLOS ONE.

Baptizado de Thalassodraco etchesi – que pode ser traduzido para “dragão marinho de Etches” -, o réptil marinho é uma espécie de mistura entre um golfinho e um tubarão. Os cientistas estimam que o animal viveu há cerca de 150 milhões de anos e que era capaz de capturar lulas e outras presas que se escondiam a grandes profundidades do mar.

De acordo com o Science Tech Daily, o espécime estudado, que deveria ter cerca de 1,80 metros de comprimento há milhões de anos, foi encontrado pelo coleccionador de fósseis Steve Etches, em 2009. O britânico encontrou-o preso numa rocha que, na altura, devia estar submersa a cerca de 91 metros de profundidade.

Desde então, o fóssil está em exibição no Museu de Vida Marinha Jurássica em Dorset, na Inglaterra. Segundo a paleontóloga Megan L. Jacobs, da Universidade de Baylor, nos Estados Unidos, o ictiossauro tem características que o tornam suficientemente único para ter o seu próprio género e espécie.

“Os novos ictiossauros do Jurássico Superior, no Reino Unido, são extremamente raros. Soubemos quase instantaneamente que se tratava de uma nova espécie, mas demorou cerca de um ano para fazer todas as comparações com os outros ictiossauros do Jurássico Superior e ter a certeza de que os nossos instintos estavam correctos”, afirmou, em comunicado.

“Foi muito emocionante não ser capaz de encontrar uma correspondência”, acrescentou.

A especialista referiu que Thalassodraco etchesi era capaz de fazer mergulhos tão profundos quanto os dos cachalotes. “A caixa torácica extremamente profunda pode ter permitido [o desenvolvimento de] pulmões maiores, para prender a respiração durante longos períodos de tempo. Ou pode significar que os órgãos internos não eram esmagados com a pressão [no mar]”, observou.

O espécime também tinha olhos grandes, o que pode indicar que este animal caçava as suas prendas no fundo do oceano ou que tinha hábitos nocturnos. Os dentes também eram peculiares: “Todos os outros ictiossauros têm dentes maiores com serras estriadas proeminentes. Soubemos de imediato que este animal era diferente”, apontou Jacobs.

O co-autor do estudo e professor de paleontologia da Universidade de Portsmouth, David Martill, indicou que serão necessários mais estudos para investigar a fundo a biologia do espécime.

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20 Dezembro, 2020


4641: Aranha que se pensava extinta redescoberta numa base militar britânica

CIÊNCIA/BIOLOGIA

(dr) Mike Waite / Surrey Wildlife Trust
Aranha raposa (Alopecosa fabrilis)

A aranha raposa, que se pensava extinta, está, na verdade, viva e a prosperar numa base militar em Surrey, em Inglaterra.

Depois de uma busca de dois anos, um responsável do programa Surrey Wildlife Trust redescobriu a aranha raposa (Alopecosa fabrilis) numa parte não desenvolvida de uma base militar em Surrey, Inglaterra. De acordo com o The Guardian, a última vez que este animal tinha sido visto no país tinha sido há 21 anos, em 1999.

Esta aranha, que é sobretudo nocturna, é uma espécie de aranha-lobo, família de aracnídeos conhecida por caçar as suas presas em vez de usar teias para as apanhar.

Segundo o jornal britânico, Mike Waite, o responsável pela descoberta, usou fotografias aéreas da instalação militar para encontrar áreas vazias, onde as aranhas geralmente gostam de caçar.

Depois de várias tentativas, conseguiu alcançar o seu objectivo. O britânico encontrou várias aranhas macho, uma fêmea e possivelmente algumas crias, embora estas últimas sejam difíceis de identificar.

A aranha raposa, que continua em grande perigo de extinção, foi encontrada, pela primeira vez, há 120 anos e só foi vista algumas vezes desde então. Além da Grã-Bretanha, também já foi vista nas dunas costeiras da Holanda e da Dinamarca.

Por isso, Waite questiona-se se estas aranhas também não estarão a prosperar silenciosamente nas costas da Grã-Bretanha. “Isso faz-me pensar o quão bem procurámos nas nossas costas. Teremos procurado o suficiente?”, questionou.

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11 Novembro, 2020


3077: Tesouro viking que poderia reescrever a História foi roubado

HISTÓRIA

(dr) Michael Zeno Diemer (1911)

Dois homens encontraram um tesouro viking avaliado em três milhões de libras (cerca de 3,5 milhões de euros) que podia fornecer novas informações sobre a criação de Inglaterra como um único reino.

George Powell e Layton Davies, dois “detectives de metais”, desenterraram em 2015 cerca de 300 moedas num campo em Eye, na região inglesa de Herefordshire, não declararam a descoberta e venderam-na.

Agora, de acordo com o Diário de Notícias, foram condenados por roubo e por ocultar a descoberta, assim como os revendedores. Powell foi condenado a 10 anos de prisão, enquanto Davies foi condenado a 8,5 anos, de acordo com o Newsweek.

Em causa estava um tesouro viking avaliado em três milhões de libras (cerca de 3,5 milhões de euros) que incluía um anel de ouro do século IX, uma bracelete com a cabeça de um dragão, outros objectos e 31 moedas. Algumas jóias foram recuperadas.

Em declarações à BBC, vários especialistas disseram que as moedas, que são saxónicas e que se crê terem sido escondidas por um viking, poderão ajudar a reescrever a história. “Estas moedas permitem-nos reinterpretar a nossas história num momento fundamental da criação de Inglaterra como um único reino”, afirmou Gareth Williams, curador das primeiras moedas medievais do British Museum.

As moedas recuperadas foram emitidas por dois reinos vizinhos no final do século IX, Wessex e Mercia, o que poderá indiciar uma aliança que antes não se pensava existir entre os respetivos reis. Na altura, Wessex era governado por Alfred, o Grande, e Mércia por Ceolwulf II, que “desapareceu da história sem deixar rasto” quando o tesouro foi enterrado por volta de 879. “O que as moedas mostram, apesar de possíveis dúvidas, é que havia realmente uma aliança entre Alfred e Ceolwulf”, disse.

“Esta é uma descoberta de importância nacional a partir de um momento chave na unificação de Inglaterra e aconteceu justamente no momento em que os vikings estavam a lançar um forte ataque”, disse Gareth Williams, que acredita que o tesouro foi enterrado por um viking. “Provavelmente foi enterrado para preservá-lo de outros vikings e anglo-saxónicos e por qualquer motivo a pessoa que o enterrou não conseguiu voltar a recuperá-lo”, rematou.

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22 Novembro, 2019

 

1030: Restos de continente desaparecido provam ligação de França a Inglaterra

CIÊNCIA

Cientistas da Universidade de Plymouth (Reino Unido) determinaram que o actual território continental britânico se formou como resultado da fusão de três massas terrestres há milhões de anos, diz um estudo publicado na revista Nature Communications.

Até agora, cientistas acreditavam que a actual Inglaterra, País de Gales e Escócia surgiram como resultado da fusão do antigo micro-continente Avalónia com uma massa de terra que se desprendeu da Laurência, também conhecido como cratão norte-americano, há mais de 400 milhões de anos atrás.

Porém, os autores do novo estudo, publicado na sexta-feira na revista Nature, afirmam que a Armórica, um antigo continente situado na parte noroeste da actual França, também fez parte da formação do actual território continental britânico.

A conclusão dos cientistas baseou-se nos resultados de análises feitas às rochas vulcânicas com 300 milhões de anos, encontradas no extremo sudoeste de Inglaterra.

University of Plymouth / THe Guardian; Giuseppe Milo / Flickr
O sul do País de Gales partilha características geológicas com o noroeste da França

Após comparar os resultados obtidos com outros estudos, os especialistas descobriram que estas rochas têm as mesmas características que as localizadas no noroeste de França, características que não são tão evidentes no resto do Reino Unido.

“Há cerca de 10 mil anos, podíamos caminhar de Inglaterra até França, sempre soubemos isso”, disse o autor da pesquisa, Arjan Dijkstra, citado pelo The Guardian. “Mas esta descoberta mostra que, milhões de anos antes disso, os laços entre os dois territórios seriam ainda mais fortes“, sublinhou o pesquisador.

Por ZAP
17 Setembro, 2018

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