Rio Tejo “espanhol” escondia círculo de pedras como Stonehenge

CIÊNCIA

Seca revelou conjunto de menires debaixo de água com mais de 4 mil anos.

© SIC Notícias Dolmen Guadalperal no verão de 2019

Durante décadas, um cromeleque (conjunto de pedras pré-histórico em círculo) esteve oculto sob as águas do rio Tejo, no reservatório espanhol Valdecañas.

Meses de seca intensa fizeram desaparecer as águas do reservatório – revelando assim toda a estrutura megalítica. É uma oportunidade para o reinício das investigações sobre o enigmático círculo, mas também o início da discussão sobre se as pedras devem ser movidas ou deixadas no mesmo sítio.

Constituída por 150 menires dispostos em círculo, o Dólmen de Guadalperal é também conhecido como “Stonehenge espanhol”. Foi construído na Idade do Cobre ou do Bronze, nas margens do rio Tejo, há pelo menos 4.000 anos.

Os menires colocados na vertical fazem lembrar os famosos que constituem o conjunto britânico Stonehenge, bem como outros conjuntos megalíticos que há um pouco por toda a Europa, todos, supõe-se, para o mesmo fim.

Ao longo dos tempos, foram sendo colocadas lajes horizontais formando uma estrutura como um túmulo ou abrigo fechado chamado dólmen.

As teorias sobre pedras dispostas em círculo

Durante anos se acreditou que estes cromeleques funcionavam como um calendário ou observatório astronómico.

Já no século XXI, os arqueólogos desenvolveram a tese de que Stonhenge teria sido um cemitério, utilizado como um túmulo para famílias distintas, depois de 10 anos de pesquisas que incluíram escavações, trabalho de laboratório e a análise de 63 antigos restos humanos.

Análises efectuadas aos restos de 80.000 ossos de animais detectados no local também sugerem que, por volta de 2.500 A.C., decorreram em Stonehenge grandes festas comunitárias, como a celebração dos solstícios do verão e do inverno.

© Chris Helgren / Reuters

Perdido nos tempos, o local milenar foi redescoberto em 1920 e captou a atenção do antropólogo alemão Hugo Obermaier.

Mas o tempo que teve para estudar as pedras foi pouco. O Estado espanhol começou a transformar o rio Tejo num reservatório, que engoliu não só o cromeleque, mas também vários outros locais historicamente significativos de vários períodos.

Na década de 1960, a estrutura pré-histórica praticamente desapareceu de vista.

Este ano de 2019 foi particularmente seco, com Espanha a sofrer o Junho mais seco do século, o que fez com que os menires reaparecessem.

Duas imagens do satélite Landsat da NASA mostram bem como a terra sofreu uma grande transformação devido ao excesso de calor.

msn notícias
SIC Notícias
23/09/2019

 

2691: Alguns planetas podem orbitar um buraco negro super-massivo em vez de uma estrela

CIÊNCIA

NASA Goddard

Estamos habituados à ideia de que um planeta orbita estrelas. No entanto, estes corpos celestes podem também existir em torno de buracos negros super-massivos.

Os cientistas já haviam adoptado a ideia de que há planetas a orbitar buracos negros mais pequenos, mas nada se sabe sobre a possibilidade de estes corpos espaciais orbitarem buracos negros super-massivos. Keiichi Wada, da Universidade de Kagoshima, no Japão, decidiu aplicar modelos de formação planetária para ver se esta hipótese pode ser real.

“Este é o primeiro estudo que afirma a possibilidade de formação” directa “de objectos semelhantes a planetas que não estão associados a estrelas, mas sim a buracos negros super-massivos”, afirmou a cientista, citada pelo New Scientist.

Os cientistas desconfiam que a formação de planetas começa com um disco de poeira e gás em torno de uma estrela. Gradualmente, este material agrupa-se e a gravidade atrai ainda mais material, construindo assim um planeta.

Wada e a sua equipa analisaram de que forma os discos conhecidos por cercar buracos negros super-massivos se comportariam e mostraram que este processo, muito semelhante ao da formação planetária, pode mesmo acontecer. “Basicamente, trata-se do mesmo processo que a formação de planetas normais ao redor das estrelas”, resume Wada.

Graças à sua enorme massa e força gravitacional, os buracos negros super-massivos distorcem o tempo espacial de maneiras estranhas. No entanto, os planetas em órbita podem não sentir efeitos estranhos, como a dilatação do tempo. Wada diz que, provavelmente, estes planetas orbitariam a uma grande distância – entre 10 e 30 anos-luz -, onde os efeitos extremos da relatividade geral seriam “desprezíveis”.

Os sistemas planetários em torno de um buraco negro super-massivo podem não ser como os sistemas estelares. “A quantidade de poeira é enorme”, o que significa que a massa dos planetas seria muito grande – cerca de 10 vezes mais massivos do que a Terra. Além disso, poderia haver até 10.000 planetas em torno de um único buraco negro. O artigo científico da equipa foi publicado no arXiv.org.

Sean Raymond, da Universidade de Bordeaux, diz que a lógica da equipa da universidade japonesa é plausível. Ainda assim, o cientista afirma que pode ser possível que os planetas se aproximem de um buraco negro super-massivo e existam em números ainda maiores.

Teoricamente, é possível que milhões de planetas orbitem um buraco negro super-massivo, mas isso exige que muitas coisas sejam perfeitas”, afirmou.

Detectar directamente estes planetas seria muito difícil por causa das vastas distâncias envolvidas. Ainda assim, através da astronomia infravermelha, pode ser possível observar o disco proto-planetário e, desta forma, conseguir provas indirectas de que planetas orbitam em torno de buracos negros super-massivos.

ZAP //

Por ZAP
23 Setembro, 2019

 

2690: Colisão gigante de asteróides no Espaço provocou um boom de vida na Terra

CIÊNCIA

JPL-Caltech / NASA

Os asteróides desempenharam um “papel divino” na história da vida na Terra. Um novo estudo sugere que um gigantesco boom de biodiversidade na Terra, há cerca de 470 milhões de anos, poderá ter acontecido devido a uma colisão cataclísmica no cinturão de asteróides.

Há cerca de 466 milhões de anos, a Terra embarcou numa das explosões mais monumentais da biodiversidade de sua história, no que é agora chamado de Great Ordovician Biodiversification Event (GOBE).

Durante esse evento, a biodiversidade marinha teve um aumento espectacular, principalmente dentro dos filos estabelecidos durante a Explosão dos Cambrianos, período em que os principais filos animais surgiram no registo fóssil há cerca de 541 milhões de anos. O GOBE abriu o caminho para a evolução de algas verdes, peixes primitivos, cefalópodes, corais e um monte de outras criaturas que reconheceríamos hoje.

De acordo com o novo estudo, publicado este mês na revista especializada Science Advances, cientistas da Universidade de Lund, na Suécia, argumentam que este evento foi desencadeado por uma colisão no cinturão de asteróides em algum lugar entre Marte e Júpiter, envolvendo um asteróide de 150 quilómetros de largura.

De acordo com a sua hipótese, a poeira lançada pelo acidente impediu que uma quantidade significativa de luz solar chegasse à Terra, causando a queda das temperaturas e o surgimento de uma mini era glacial. No processo de adaptação ao novo clima – mais frio, mas mais adequado para a vida -, surgiu uma grande diversidade de invertebrados.

“Os nossos resultados mostram pela primeira vez que este pó arrefeceu drasticamente a Terra. Os nossos estudos podem fornecer uma compreensão empírica mais detalhada de como isto funciona, e isso, por sua vez, pode ser usado para avaliar se simulações de modelos são realistas”, explicou Birger Schmitz, professor de geologia da Universidade de Lund e líder do estudo, em comunicado.

A equipa chegou a essa conclusão ao estudar a composição de sedimentos petrificados no fundo do mar em Kinnekulle, no sul da Suécia. A presença de um isótopo de hélio e outras substâncias aprisionadas nos sedimentos só pode ser explicada pelo vento solar, que terá bombardeado a poeira, enriquecendo-a com estes elementos antes de cair na Terra.

“Este resultado foi completamente inesperado. Nos últimos 25 anos, inclinamo-nos para hipóteses muito diferentes em termos do que aconteceu. Só nas últimas medições de hélio é que tudo foi resolvido”, rematou Schmitz.

ZAP //

Por ZAP
23 Setembro, 2019

 

2689: Cientista diz que avanços científicos podem levar à extinção humana

CIÊNCIA

fotorince / Canva

A evolução da ciência e tecnologia pode ser fundamental para evitar catástrofes, mas, ironicamente, pode também ser a causadora do fim da nossa espécie.

O estudo das mudanças climáticas baseia-se em simulações cada vez mais de longo prazo. As previsões da ciência já não são meras hipóteses de validação ou invalidação, mas geralmente são ameaças graves — de crescente alcance e severidade — que devem ser evitadas.

Prever o perigo que se aproxima exige uma resposta proactiva. Isto significa que, cada vez mais, a procura pela tecno-ciência tende a não apenas investigar passivamente o mundo natural, mas também a intervir activamente nele.

No caso do clima, uma coisa que isto gerou foi a proposta de “geo-engenharia” — o aproveitamento em larga escala dos sistemas naturais da Terra, a fim de combater as consequências desastrosas das mudanças climáticas.

As nossas antecipações dos perigos da natureza motivam-nos a tentar intervir nela e reinventá-la para os nossos próprios propósitos e fins. Assim, cada vez mais vivemos num mundo da nossa própria autoria, no qual a divisão entre o “natural” e o “artificial” está em colapso. Vemos isso desde a edição genética até às inovações farmacêuticas e novos materiais.

Embora algumas destas tecnologias sejam correctamente consideradas o auge do progresso e da civilização, a nossa ânsia por antecipar e impedir o desastre em si gera os seus próprios perigos. Isto foi o que nos levou à nossa situação actual: a industrialização, que foi originalmente impulsionada pelo nosso desejo de controlar a natureza, talvez a tenha apenas tornado mais incontrolável.

Os nossos esforços para prever o mundo tendem a mudá-lo de maneiras imprevisíveis. Além de desbloquear oportunidades radicais, como novos medicamentos e tecnologias, representa novos riscos para a nossa espécie. É um veneno e uma cura. Embora a consciência desta dinâmica possa parecer incrivelmente contemporânea, ela na verdade é surpreendentemente mais distante na história.

Cometas e colisões

Foi em 1705 que o cientista britânico Edmond Halley previu correctamente o regresso do cometa em 1758, que agora carrega o seu nome. Esta foi uma das primeiras vezes que os números foram aplicados com sucesso à natureza para prever o seu curso a longo prazo. Este foi o começo da conquista do futuro pela ciência.

Na década de 1830, outro cometa — o Cometa de Biela — tornou-se objecto de atenção quando John Herschel levantou a hipótese de que um dia se cruzaria com a Terra. Tal encontro “apagaria-nos” do Sistema Solar.

Em 1827, um jornal de Moscovo publicou um conto a prever os efeitos de uma iminente colisão de cometas na sociedade. Estratégias de mitigação plausíveis foram discutidas. A história evocava máquinas gigantes que actuariam como “defesas” planetárias para “repelir” o míssil extraterrestre. A conexão entre prever a natureza e intervir artificialmente já estava a começar a ser entendida.

O príncipe russo

O conto tinha sido escrito pelo excêntrico príncipe russo Vladimir Odoievsky. Numa outra história, “O Ano 4338”, escrita alguns anos depois, descreve a sua representação da futura civilização humana. O título veio de cálculos contemporâneos que previam a futura colisão da Terra com o Cometa de Biela, 2.500 anos depois.

Kirill Gorbunov / Wikimedia

A humanidade tornou-se numa força planetária. No entanto, a visão de Odoyevsky desse futuro resplandecente (completo com aeronaves, uso recreativo de drogas, telepatia e túneis de transporte através do manto da Terra) é-nos transmitida inteiramente sob essa ameaça iminente de total extinção. Mais uma vez, os cientistas neste futuro planeiam repelir a ameaça do cometa com sistemas de defesa balística. Também há menção a sistemas de controle climático.

Isto demonstra perfeitamente que foi a descoberta de tais perigos que primeiro arrastaram — e continuam a arrastar — as nossas preocupações ainda mais para o futuro. A humanidade apenas se afirma tecnologicamente, em níveis cada vez mais planetários, quando percebe os riscos que enfrenta.

Não é surpresa que, nas notas anexas do livro, Odoyevsky forneça talvez aquela que é a primeira metodologia para uma “ciência geral da futurologia”.

Fim da humanidade

Em 1799, o filósofo alemão Johann Fichte antecipou a nossa actual mega-estrutura de previsão planetária. Ele anteviu um tempo de previsão perfeita e argumentou que isso domesticaria o planeta inteiro, apagaria a natureza selvagem e até erradicaria inteiramente “furacões”, “terramotos” e “vulcões”. O que Fichte não previu foi o facto de que a própria tecnologia que nos permite prever também cria riscos novos e imprevistos.

Mas Odoyevsky gostou disto. Em 1844, ele publicou outra história intitulada “O Último Suicídio”. Desta vez, imaginou uma humanidade futura que se tornara novamente uma força planetária. A urbanização saturou o espaço global, com as cidades a crescer e a fundirem-se numa Ecumenópole — uma única e gigantesca cidade global.

No entanto, Odoyevsky alerta para os perigos que vêm com a aceleração da modernidade. Este é um mundo em que o progresso tecnológico descontrolado causou sobre-população e esgotamento de recursos. A natureza tornou-se inteiramente artificial, com espécies não-humanas e ecossistemas totalmente obliterados.

Alienado e deprimido, o mundo recebe um líder demagogo que convence a humanidade a extinguir-se. Numa última expressão do poder tecnológico, a civilização armazena todas as suas armas e começa a explodir o planeta inteiro.

Odoyevsky prenuncia, assim, a discussão contemporânea sobre o “risco existencial” e o potencial dos nossos desenvolvimentos tecnológicos para desencadear a própria extinção de espécies. Em 1844, a sua visão é sombria, mas surpreendentemente presciente ao reconhecer que o poder necessário para evitar uma catástrofe existencial é também o poder necessário para causá-la.

Séculos depois, agora que temos esse poder, não podemos recusá-lo ou rejeitá-lo — devemos exercê-lo com responsabilidade. Vamos torcer para que a ficção de Odeovskii não se torne na nossa realidade.

ZAP // The Conversation

Por ZAP
22 Setembro, 2019

 

2688: Jovens do mundo inteiro ocupam a ONU em inédita Cimeira do Clima

AMBIENTE

Justin Lane / EPA
O secretário geral da ONU, António Guterres, com a activista Greta Thunberg, de 16 anos

Mais de 500 jovens, representantes de mais de 140 países, ocuparam este sábado o espaço habitualmente destinado aos diplomatas da ONU.

A United Nations Youth Climate Summit, primeira cimeira da juventude sobre o clima, em Nova York, aconteceu este sábado, após as enormes manifestações contra o aquecimento global que tiveram lugar por todo o mundo na sexta-feira.

Os jovens compareceram em força à cimeira, tendo proposto soluções concretas e exigindo dos chefes de Estado medidas para travar as mudanças climáticas.

Duas gerações inauguraram o dia de debates na sede das Nações Unidas. A primeira foi representada pelo secretário-geral da ONU, António Guterres, o grande dinamizador do encontro, que culmina na segunda-feira com a Cimeira do Clima dos líderes mundiais.

A ambientalista sueca Greta Thunberg representava a segunda geração, este sábado a maioria dos participantes.

Mostrámos que estamos unidos e que os jovens são imparáveis“, disse a activista de 16 anos, que ficou conhecida pelas suas greves às sextas-feiras em frente ao Parlamento sueco, sob o lema “Sextas pelo Futuro”, que se transformaram em um movimento mundial.

A sueca preferiu dar o seu tempo ao representante de outros continentes, e foi o discurso do argentino Bruno Rodríguez, de 19 anos, que expressou melhor a indignação da juventude mundial.

“Dizem que a nossa geração deve resolver os problemas criados pelos actuais governantes, mas não vamos esperar passivamente. Chegou a hora de sermos os líderes“, disse o fundador da organização Jovens pelo Clima Argentina. “Basta! Não queremos mais combustíveis fósseis!”, afirmou o activista.

Energia rara

Segundo a correspondente da RFI em Nova York, Carrie Nooten, raramente se viu nos corredores da ONU tanta energia e tantas soluções concretas. Os participantes puderam apresentar quer projectos tecnológicos quer naturais, criados nos seus países de origem, para combater as mudanças climáticas.

Há muito tempo que pedimos um lugar à mesa dos que tomam as decisões”, disse aos jovens líderes Jayathma Wickramanayake, mandatária para a juventude do secretário-geral da ONU. “Hoje, são os líderes mundiais que estão a pedir para negociar connosco”, completou.

A jovem Kamal Karishma Kumar, das Ilhas Fiji, realçou que para as ilhas do Pacífico combater as mudanças climáticas é uma questão de sobrevivência. “Não queremos que as gerações futuras afundem com nossas ilhas“, afirmou.

Em nome dos 625 milhões de jovens africanos, o queniano Wanjuhi Njoroge recordou que os países de África são os que emitem menos gases de efeito estufa, mas os que mais sofrem com as consequências do aquecimento global, e pediu acima de tudo apoio financeiro “para trabalhar na mitigação e adaptação às mudanças climáticas”.

Sentado entre os jovens, Guterres pediu-lhes que continuem a lutar e exigir que os líderes prestem contas sobre os seus planos para o clima”.

Ainda estamos a perder a corrida contra o aquecimento global. Ainda há quem atribua subsídios às energias fósseis e centrais de carvão. Mas nota-se uma mudança nesta dinâmica, devido em parte às vossas iniciativas e à coragem com que vocês começaram este movimento”, afirmou.

Na sexta-feira, cerca de 4 milhões de jovens saíra às ruas de mais de 5 mil cidades em 163 países do planeta, para participar do maior protesto da história na luta contra as mudanças climáticas.

Cimeira dos líderes mundiais

A cimeira da juventude abriu a Cimeira do Clima da ONU, que termina esta segunda-feira com uma reunião de chefes de Estado. Representantes de mais de 60 países participam do encontro e novos anúncios para conter o aquecimento global são esperados.

Os líderes mundiais começam a chegar este domingo a Nova York para participar no evento, ao qual se segue a Assembleia Geral da ONU da próxima terça-feira. O presidente dos EUA, Donald Trump, tal como o presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, vão estar presentes na Assembleia Geral da ONU, mas não participarão na Cimeira do Clima.

O motivo, António Guterres, é não terem mostrado interesse.

ZAP // RFI

Por RFI
22 Setembro, 2019

 

2687: Estudo mostra que os golfinhos também já são resistentes aos antibióticos

CIÊNCIA

ST33VO via Foter.com / CC BY

Um novo estudo realizado nos Estados Unidos mostra que os golfinhos Tursiops truncatus também já mostram resistência aos antibióticos.

Não é segredo que os seres humanos usam demasiados antibióticos, tanto que estamos a desenvolver uma resistência a estes medicamentos. No entanto, de acordo com um novo estudo publicado na revista científica Aquatic Mammals, o mesmo já está a acontecer com os golfinhos.

“Ao contrário dos humanos, os golfinhos selvagens não tomam antibióticos e, por isso, não se espera um aumento da sua resistência”, explica Adam Schaefer ao IFLScience, o autor principal do estudo e epidemiologista do FAU Harbor Branch.

“É preocupante porque significa que as bactérias resistentes a antibióticos e os antibióticos estão a entrar no ambiente marinho. Uma vez nesse ambiente, os genes de resistência estão a ser trocados entre bactérias na água, sendo que algumas dessas bactérias são potenciais patógenos humanos”, acrescenta.

Os cientistas analisaram amostras retiradas da narina, fluido gástrico e fezes de 171 golfinhos Tursiops truncatus entre 2003 e 2015, na Indian River Lagoon, nos Estados Unidos.

A prevalência geral de resistência a pelo menos um antibiótico foi de 88,2%. A eritromicina assumiu a liderança com uma prevalência de 91,6%. O segundo e o terceiro lugares da tabela foram ocupados pela ampicilina (77,3%) e pela cefalotina (61,7%).

“Provavelmente vêm de fontes terrestres. O IRL onde o estudo foi realizado é cercado por uma maior população humana. Os inputs do tratamento de águas residuais, canais e agricultura afectam a saúde da lagoa em geral”, afirma Schaefer.

“O nosso estudo não pôde confirmar se estas bactérias resistentes estão a causar infecções nos golfinhos. Em vez disso, como um predador no topo da cadeia alimentar, os golfinhos podem ser um barómetro para a saúde dos ambientes em que vivem. Estas são as mesmas águas que os seres humanos usam para a pesca e para a recreação. Portanto, estes animais também podem identificar possíveis ameaças à saúde pública”.

ZAP //

Por ZAP
22 Setembro, 2019

 

2686: Rússia vai permitir que astronautas levem armas em viagens espaciais

ESPAÇO

(CC0/PD) philanthropiststeam / pixabay

Os astronautas russos vão começar a levar consigo uma arma de fogo durante as suas viagens espaciais. O objectivo é poderem afastar animais selvagens quando aterrarem em áreas remotas na Terra.

A Rússia começou a armar os seus astronautas para que eles possam afastar animais selvagens no regresso à Terra. De acordo com um comunicado do chefe da Roscosmos, na quarta-feira, os próprios cosmonautas confessaram que gostariam de ter uma arma ao aterrar em áreas remotas.

Já faz mais de uma década que os astronautas viajam em missões espaciais desarmados. Na década de 1980, carregavam uma pistola TP-82 de três canos e uma faca de mato. A arma foi removida do kit de emergência aprovado em 2007, mas o chefe da Roscosmos, Dmitry Rogozin, disse que já é hora de trazer as armas de volta aos kits.

Uma vez que os lançamentos tripulados estão a mudar-se para o extremo oriente russo, “é possível que as aterragens também sejam nesta área, que não é povoada e tem florestas, e os astronautas estão a dizer que seria bom ter [uma arma] no kit”, disse Rogozin.

Oleg Kononenkov, astronauta russo que comandou uma equipa da Estação Espacial Internacional que regressou recentemente à Terra, disse que essas armas podem ser necessárias em território selvagem russo.

“É possível que seja um terreno acidentado, que possamos precisar de uma faca especial para construir um abrigo, e talvez precisemos de uma arma por causa dos animais selvagens”, disse aos jornalistas, na terça-feira. E garante ainda que seria útil no kit ferramentas de disparo para sinalização.

ZAP // CanalTech

Por ZAP
21 Setembro, 2019

 

2685: Where Do Black Holes Lead?

SCIENCE

Where does a black hole go?

So there you are, about to leap into a black hole. What could possibly await should — against all odds — you somehow survive? Where would you end up and what tantalizing tales would you be able to regale if you managed to clamor your way back?

The simple answer to all of these questions is, as Professor Richard Massey explains, “Who knows?” As a Royal Society research fellow at the Institute for Computational Cosmology at Durham University, Massey is fully aware that the mysteries of black holes run deep. “Falling through an event horizon is literally passing beyond the veil — once someone falls past it, nobody could ever send a message back,” he said. “They’d be ripped to pieces by the enormous gravity, so I doubt anyone falling through would get anywhere.”

If that sounds like a disappointing — and painful — answer, then it is to be expected. Ever since Albert Einstein’s general theory of relativity was considered to have predicted black holes by linking space-time with the action of gravity, it has been known that black holes result from the death of a massive star leaving behind a small, dense remnant core. Assuming this core has more than roughly three-times the mass of the sun, gravity would overwhelm to such a degree that it would fall in on itself into a single point, or singularity, understood to be the black hole’s infinitely dense core.

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https://www.livescience.com/where-do-black-holes-lead.html?utm_source=ls-newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=20190921-ls&jwsource=cl

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The resulting uninhabitable black hole would have such a powerful gravitational pull that not even light could avoid it. So, should you then find yourself at the event horizon — the point at which light and matter can only pass inward, as proposed by the German astronomer Karl Schwarzschild — there is no escape. According to Massey, tidal forces would reduce your body into strands of atoms (or ‘spaghettification’, as it is also known) and the object would eventually end up crushed at the singularity. The idea that you could pop out somewhere — perhaps at the other side — seems utterly fantastical.

What about a wormhole?

Or is it? Over the years scientists have looked into the possibility that black holes could be wormholes to other galaxies. They may even be, as some have suggested, a path to another universe.

Such an idea has been floating around for some time: Einstein teamed up with Nathan Rosen to theorise bridges that connect two different points in space-time in 1935. But it gained some fresh ground in the 1980s when physicist Kip Thorne — one of the world’s leading experts on the astrophysical implications of Einstein’s general theory of relativity — raised a discussion about whether objects could physically travel through them.

“Reading Kip Thorne’s popular book about wormholes is what first got me excited about physics as a child,” Massey said. But it doesn’t seem likely that wormholes exist.

Indeed, Thorne, who lent his expert advice to the production team for the Hollywood movie Interstellar, wrote: “We see no objects in our universe that could become wormholes as they age,” in his book “The Science of Interstellar” (W.W. Norton and Company, 2014). Thorne told Space.com that journeys through these theoretical tunnels would most likely remain science fiction, and there is certainly no firm evidence that a black hole could allow for such a passage.

Artist’s concept of a wormhole. If wormholes exist, they might lead to another universe. But, there’s no evidence that wormholes are real or that a black hole would act like one.
(Image credit: Shutterstock)

But, the problem is that we can’t get up close to see for ourselves. Why, we can’t even take photographs of anything that takes place inside a black hole — if light cannot escape their immense gravity, then nothing can be snapped by a camera. As it stands, theory suggests that anything which goes beyond the event horizon is simply added to the black hole and, what’s more, because time distorts close to this boundary, this will appear to take place incredibly slowly, so answers won’t be quickly forthcoming.

“I think the standard story is that they lead to the end of time,” said Douglas Finkbeiner, professor of astronomy and physics at Harvard University. “An observer far away will not see their astronaut friend fall into the black hole. They’ll just get redder and fainter as they approach the event horizon [as a result of gravitational red shift]. But the friend falls right in, to a place beyond ‘forever.’ Whatever that means.”

Maybe a black hole leads to a white hole

Certainly, if black holes do lead to another part of a galaxy or another universe, there would need to be something opposite to them on the other side. Could this be a white hole — a theory put forward by Russian cosmologist Igor Novikov in 1964? Novikov proposed that a black hole links to a white hole that exists in the past. Unlike a black hole, a white hole will allow light and matter to leave, but light and matter will not be able to enter.

Scientists have continued to explore the potential connection between black and white holes. In their 2014 study published in the journal Physical Review D, physicists Carlo Rovelli and Hal M. Haggard claimed that “there is a classic metric satisfying the Einstein equations outside a finite space-time region where matter collapses into a black hole and then emerges from a while hole.” In other words, all of the material black holes have swallowed could be spewed out, and black holes may become white holes when they die.

Far from destroying the information that it absorbs, the collapse of a black hole would be halted. It would instead experience a quantum bounce, allowing information to escape. Should this be the case, it would shed some light on a proposal by former Cambridge University cosmologist and theoretical physicist Stephen Hawking who, in the 1970s, explored the possibility that black holes emit particles and radiation — thermal heat — as a result of quantum fluctuations.

https://www.livescience.com/where-do-black-holes-lead.html?utm_source=ls-newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=20190921-ls&jwsource=cl

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“Hawking said a black hole doesn’t last forever,” Finkbeiner said. Hawking calculated that the radiation would cause a black hole to lose energy, shrink and disappear, as described in his 1976 paper published in Physical Review D. Given his claims that the radiation emitted would be random and contain no information about what had fallen in, the black hole, upon its explosion, would erase loads of information.

This meant Hawking’s idea was at odds with quantum theory, which says information can’t be destroyed. Physics states information just becomes more difficult to find because, should it become lost, it becomes impossible to know the past or the future. Hawking’s idea led to the ‘black hole information paradox’ and it has long puzzled scientists. Some have said Hawking was simply wrong, and the man himself even declared he had made an error during a scientific conference in Dublin in 2004.

So, do we go back to the concept of black holes emitting preserved information and throwing it back out via a white hole? Maybe. In their 2013 study published in Physical Review Letters, Jorge Pullin at Louisiana State University and Rodolfo Gambini at the University of the Republic in Montevideo, Uruguay, applied loop quantum gravity to a black hole and found that gravity increased towards the core but reduced and plonked whatever was entering into another region of the universe. The results gave extra credence to the idea of black holes serving as a portal. In this study, singularity does not exist, and so it doesn’t form an impenetrable barrier that ends up crushing whatever it encounters. It also means that information doesn’t disappear.

Maybe black holes go nowhere

Yet physicists Ahmed Almheiri, Donald Marolf, Joseph Polchinski and James Sully still believed Hawking could have been on to something. They worked on a theory that became known as the AMPS firewall, or the black hole firewall hypothesis. By their calculations, quantum mechanics could feasibly turn the event horizon into a giant wall of fire and anything coming into contact would burn in an instant. In that sense, black holes lead nowhere because nothing could ever get inside.

This, however, violates Einstein’s general theory of relativity. Someone crossing the event horizon shouldn’t actually feel any great hardship because an object would be in free fall and, based on the equivalence principle, that object — or person — would not feel the extreme effects of gravity. It could follow the laws of physics present elsewhere in the universe, but even if it didn’t go against Einstein’s principle it would undermine quantum field theory or suggest information can be lost.

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Artist’s impression of a tidal disruption event which occurs when a star passes too close to a supermassive black hole.
(Image credit: All About Space magazine)

A black hole of uncertainty

Step forward Hawking once more. In 2014, he published a study in which he eschewed the existence of an event horizon — meaning there is nothing there to burn — saying gravitational collapse would produce an ‘apparent horizon’ instead.

This horizon would suspend light rays trying to move away from the core of the black hole, and would persist for a “period of time.” In his rethinking, apparent horizons temporarily retain matter and energy before dissolving and releasing them later down the line. This explanation best fits with quantum theory — which says information can’t be destroyed — and, if it was ever proven, it suggests that anything could escape from a black hole.

Hawking went as far as saying black holes may not even exist. “Black holes should be redefined as metastable bound states of the gravitational field,” he wrote. There would be no singularity, and while the apparent field would move inwards due to gravity, it would never reach the center and be consolidated within a dense mass.

And yet anything which is emitted will not be in the form of the information swallowed. It would be impossible to figure out what went in by looking at what is coming out, which causes problems of its own — not least for, say, a human who found themselves in such an alarming position. They’d never feel the same again!

One thing’s for sure, this particular mystery is going to swallow up many more scientific hours for a long time to come. Rovelli and Francesca Vidotto recently suggested that a component of dark matter could be formed by remnants of evaporated black holes, and Hawking’s paper on black holes and ‘soft hair’ was released in 2018, and describes how zero-energy particles are left around the point of no return, the event horizon — an idea that suggests information is not lost but captured.

This flew in the face of the no-hair theorem which was expressed by physicist John Archibald Wheeler and worked on the basis that two black holes would be indistinguishable to an observer because none of the special particle physics pseudo-charges would be conserved. It’s an idea that has got scientists talking, but there is some way to go before it’s seen as the answer for where black holes lead. If only we could find a way to leap into one.

livescience
21/09/2019
By David Crookes – All About Space magazine

 

2684: Marte: Imagem incrível mostra o pólo norte marciano cheio de neve

CIÊNCIA

Uma imagem captada no mês de Junho aos pólos de Marte mostra o pólo do hemisfério norte cheio de gelo. Estas fotografias, nunca antes conseguidas, foram captadas pela câmara de alta resolução da sonda Mars Express. Segundo a ESA, esta é uma imagem impressionante que mostra o planeta vermelho com uma resolução raramente vista.

São muito raras as imagens do inverno marciano. No entanto, durante este inverno, “chove” bastante sobre o Polo Norte…

Marte de pólo a pólo com impressionante resolução

O topo desta impressionante vista global de Marte mostra o hemisfério norte com o Polo Norte ainda estendido no inverno. Na imagem de alta resolução é possível ver um véu fino e nublado que se estende sobre os vales baixos adjacentes, parcialmente cobertos de areia escura.

Com um olhar atento ao centro da imagem, verificamos que há uma fronteira terrestre. Segundo os especialistas, esta marca a fronteira entre as terras baixas do norte e as terras altas do sul de Marte. As areias escuras também cobrem áreas das terras altas cobertas de crateras.

Por outro lado, no extremo sul da imagem, podemos ver parte das nuvens brancas que pairam sobre esse pólo. A vista do planeta é ligeiramente “inclinada” para o sul, de modo que uma vista do Polo Norte é possível, mas não do Polo Sul. De pólo a pólo, Marte tem um diâmetro de 6.752 quilómetros e a imagem mostrada cobre cerca de 5.000 quilómetros.

O inverno marciano

Durante o inverno no hemisfério norte, o frio intenso causa a precipitação de quantidades significativas de dióxido de carbono para fora da atmosfera sobre o Polo Norte. Isto forma uma película fina no topo da camada polar permanente, que de outra forma consiste predominantemente em gelo de água.

Como resultado, esta camada de gelo estende-se até cerca de 50 graus norte. O conteúdo de vapor de água na atmosfera marciana, que poderia congelar para formar gelo de água e cair à superfície como neve ou gelo, é extremamente baixo.

Estes dados da imagem foram obtidos no início da primavera, no norte. Nesse sentido, a noite polar no Polo Norte acabou e a camada polar, que tinha crescido durante o inverno, começou a recuar gradualmente.

Este crescimento e contracção podem também ter sido observados na camada polar sul. A fina faixa branca de nuvens (provavelmente composta de cristais de gelo de água) é uma das muitas que aparecem no hemisfério norte nesta época do ano.

Planícies enormes

As planícies avermelhadas da Arábia Terra e Terra Sabaea, no centro da imagem, são notáveis pela presença de muitas crateras de grande impacto. Estas indicam que estão entre as regiões mais antigas de Marte.

Dessa forma, vemos ao longo da fronteira norte há uma escarpa surpreendente, com uma diferença de vários quilómetros de altura. Isto separa as planícies, com as crateras das terras baixas do norte das terras altas do sul. Estas últimas têm muitas mais crateras.

Assim, esta mudança notável no terreno, conhecida como a dicotomia marciana, marca uma divisão topográfica e regional fundamental em Marte.

Isto reflecte-se nas diferentes espessuras da crosta, mas estende-se também às propriedades magnéticas da crosta e ao seu campo gravitacional. Há ainda um debate científico sobre como surgiu essa dicotomia da crosta. Terão sido forças “endógenas” no interior de Marte ou serão “forças externas”, asteróides, as responsáveis pelo estado do solo marciano?

Um planeta congelado no tempo

Os processos geológicos (vulcanismo, tectónica, água e gelo) pararam em Marte. No entanto, actualmente, as mudanças que podem ser observadas na superfície são causadas principalmente pelo deslocamento induzido pelo vento das areias escuras.

Assim, enquanto estas areias, que são de origem vulcânica, formam vastos campos de dunas em depressões como crateras de impacto, elas também são frequentemente depositadas noutras grandes áreas, fazendo com que partes da superfície planetária pareçam escuras.

2683: O mistério da origem do estanho da Idade do Bronze foi finalmente resolvido

CIÊNCIA

Sangjun Yi / Flickr

A origem do estanho usado na Idade do Bronze tem sido um dos maiores enigmas da pesquisa arqueológica. Agora, investigadores resolveram parte do quebra-cabeças.

Um grupo de arqueólogos da Universidade de Heidelberg e do Centro de Arqueometria Curt Engelhorn, em Mannheim, na Alemanha, resolveram o mistério da origem do estanho utilizado durante a Idade do Bronze.

Para descobrir a sua origem geográfica, os especialistas analisaram 27 lingotes de estanho datados do segundo milénio antes de Cristo encontrados em sítios arqueológicos de Israel, Turquia e Grécia, comprovando que o metal não provinha da Ásia Central, como se suponha anteriormente, mas sim de jazidas de estanho na Europa.

Este facto indica que deviam existir rotas comerciais de longo alcance entre a Europa e o Mediterrâneo Oriental já na Idade do Bronze. Assim, os investigadores assinalam que este metal, assim como o âmbar, o vidro e o cobre, foi uma das grandes forças impulsionadoras desta rede de comércio internacional.

Algo interessante descoberto pelo cientistas foi o facto de que peças de estanho de Israel, por exemplo, coincidiam, na sua maioria, com estanho de Cornwall e Devon, no Reino Unido.

“Os objectos e depósitos de estanho são raros na Europa e na Ásia. A região do Mediterrâneo Oriental, onde alguns dos objectos que estudamos se originou, praticamente não possuía depósitos próprios. Então, a matéria-prima nessa região deve ter sido importada”, explicou em comunicado um dos autores do estudo, Ernst Pernicka.

Os resultados deste trabalho, publicado na revista especializada PLOS ONE, são de grande relevância, uma vez que a origem deste metal é especificamente identificada pela primeira vez e abre novos caminhos para futuras investigações arqueológicas.

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21 Setembro, 2019

 

2682: Já se sabe o que colidiu com Júpiter em Agosto

CIÊNCIA

(cv)

No mês passado, recebemos a notícia de um raro flash de luz em Júpiter, suficientemente brilhante para ser visto através de telescópios.

De acordo com uma nova análise, a causa desse acidente foi um pequeno asteróide, com uma densidade consistente com meteoros que têm partes iguais de pedra e ferro.

O meteoro explodiu na atmosfera superior de Júpiter, cerca de 80 quilómetros acima do topo das nuvens, libertando energia equivalente a 240 quilo-toneladas de TNT – pouco mais da metade da energia da explosão de 440 quilo-toneladas de meteoro de Chelyabinsk em 2013.

Os resultados foram apresentados na Reunião Conjunta EPSC-DPS 2019 em Genebra. O impacto foi capturado inteiramente por acidente pelo astro-fotógrafo Ethan Chappel em 7 de Agosto de 2019. “Acredito que estava a olhar para o céu à procura de meteoros Perseidas quando aconteceu, não vi o flash durante a gravação”, disse Chappel. “Só percebi depois graças a um excelente software chamado DeTeCt, de Marc Delcroix, que foi projectado especificamente para encontrar estes flashes”.

@ChappelAstro

Imaged Jupiter tonight. Looks awfully like an impact flash in the SEB. Happened on 2019-08-07 at 4:07 UTC.

Acredita-se que as explosões atmosféricas de meteoros – chamadas bólidos – não sejam particularmente raras em Júpiter, já que o planeta é maciço e próximo de um cinturão de asteróides.

No entanto, Júpiter está longe e os flashes são fracos e breves. É aí que entra o software DeTeCt de código aberto. Desenvolvido pelo astrónomo amador Marc Delcroix e pelo físico Ricardo Hueso, o software é projectado especialmente para detectar flashes de impacto em Júpiter e Saturno.

“Fiquei emocionado quando Ethan entrou em contacto comigo”, disse Delcroix em comunicado. “Este é o primeiro flash de impacto encontrado em Júpiter usando o software DeTeCt. Essas detecções são extremamente raras porque os flashes de impacto são fracos, curtos e podem ser facilmente perdidos enquanto observamos os planetas durante horas”.

“No entanto, quando um flash é encontrado numa gravação de vídeo, pode ser analisado para quantificar a energia necessária para torná-lo visível a uma distância de 700 milhões de quilómetros”. Essa análise foi conduzida pelos astrónomos Ramanakumar Sankar e Csaba Palotai, do Instituto de Tecnologia da Florida.

Com base no flash, determinaram que o objecto tinha provavelmente 12 a 16 metros de diâmetro e uma massa de cerca de 450 toneladas. A curva de luz da explosão sugere uma composição de ferro pedregoso, com partes iguais de ferro meteórico e silicatos – com maior probabilidade de ser, portanto, um asteróide do que um cometa. Isso é consistente com o que Hueso encontrou, com base nas suas comparações com flashes de impacto anteriores detectados em Júpiter.

“Com seis flashes de impacto observados em dez anos desde que o primeiro flash foi descoberto em 2010, os cientistas estão a ficar mais confiantes nas suas estimativas da taxa de impacto desses objectos em Júpiter”, disse Hueso. “Muitos desses objectos atingem Júpiter sem serem vistos pelos observadores na Terra. No entanto, agora estimamos entre 20 a 60 objectos semelhantes a Júpiter a cada ano”.

No entanto, quando se trata de impactos de Saturno, ainda precisa de ser feito muito trabalho. Nos seus resultados, o par observou que o banco de dados DeTeCt actualmente possui 103 dias de observações de Júpiter, mas apenas 13 dias para Saturno – o que significa que ainda é muito cedo para estimar as taxas de impacto no planeta.

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21 Setembro, 2019

 

2681: Mosquitos geneticamente modificados estão a reproduzir-se no Brasil

CIÊNCIA

Frank Hadley Collins / Sanofi Pasteur / Flickr
Fêmea de Aedes aegypti, mosquito que pode transmitir três doenças: zika, dengue e chikungunya

Mosquitos geneticamente modificados estão a reproduzir-se no Brasil, segundo uma investigação recentemente publicada. A empresa responsável pela criação destes insectos mutantes realça que não há perigo para a saúde das pessoas.

O plano para reduzir a população local de mosquitos na cidade de Jacobina, no Brasil, saiu totalmente furado. Com a ideia geral de travar a disseminação de doenças transmitidas por este insecto, como febre amarela, dengue e zika, os cientistas soltaram 450 mil mosquitos geneticamente modificados.

“A alegação era de que os genes da cepa libertada não entrariam na população geral porque as suas crias morreriam. Isso obviamente não foi o que aconteceu“, explicou Jeffrey Powell, autor do estudo publicado na semana passada na revista Scientific Reports.

A verdade é que os mosquitos geneticamente modificados conseguiram reproduzir-se com os outros mosquitos, elevando ainda mais a sua população na região. A experiência iniciada em 2013 foi realizada pela empresa de biotecnologia britânica Oxitec e os resultados conseguidos estão a levantar preocupações em relação à sua segurança.

O objectivo inicial da Oxitec era reduzir a população em 90%, sem afectar a sua integridade genética. De acordo com o Gizmodo, apesar de assegurarem o contrário, cientistas da Universidade de Yale acompanharam o desenvolvimento da experiência e detectaram material genético dos mosquitos geneticamente modificados na população local.

Os investigadores descobriram “claras evidências” de que partes do genoma dos mosquitos transgénicos “foram incorporados na população-alvo”.

“Baseado amplamente em estudos de laboratório, é possível prever qual será o resultado provável da libertação de mosquitos transgénicos, mas estudos genéticos do tipo que fizemos devem ser feitos durante e após essas libertações para determinar se aconteceu algo diferente do previsto”, explicou Powell.

A Oxitec previa que três quartos das crias de mosquitos conseguiriam sobreviver até à idade adulta, mas que seriam demasiado fracos para se reproduzirem. Contudo, não foi isso que se verificou.

Inicialmente, as suas aspirações até estavam bem encaminhadas, com a população de mosquitos em Jacobina a decrescer significativamente. Porém, viria a recuperar, chegando quase aos níveis iniciais. Os cientistas acreditam que isto se tenha devido a uma discriminação por parte das fêmeas, que se recusaram em acasalar com machos modificados geneticamente.

Um porta-voz da Oxitec disse à Gizmodo que a empresa está “actualmente a trabalhar com os editores da Nature Research [a revista científica responsável pela publicação] para remover ou corrigir substancialmente o artigo, que contém inúmeras alegações e declarações falsas, especulativas e sem fundamento sobre a tecnologia dos mosquitos da Oxitec”.

De acordo com o porta-voz, a investigação não identificou nenhum “efeito negativo, deletério ou imprevisto para as pessoas ou para o meio ambiente da libertação dos mosquitos”.

Entretanto, a Scientific Reports adicionou uma nota no artigo em que realça que a investigação está sujeita a críticas que estão a ser consideradas por responsáveis da revista científica.

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21 Setembro, 2019

 

2680: Começou à “invasão” da Área 51. Já há detidos e até um festival

Vista aérea da Area 51, fotografada em 1964

Pelo menos 75 pessoas já chegaram à Área 51, uma base militar secreta dos Estados Unidos, em resposta a um evento criado no Facebook.

Milhão e meio de pessoas combinaram invadir esta sexta-feira esta zona misteriosa no estado norte-americano do Nevada, onde acreditam que o governo mantém em cativeiro os extraterrestres que visitaram a cidade de Roswell em 1947, guarda os cenários onde se simulou a chegada à Lua, esconde Elvis Presley e faz testes a máquinas de tele-transporte. De acordo com a Associated Press, duas pessoas já foram detidas.

No condado de Lincoln, onde fica a Área 51, localizam-se duas cidades — Rachel e Hiko — na qual vivem pouco mais de 170 habitantes. Estas duas cidades isoladas já receberam 1.500 pessoas na segunda-feira, estimou o xerife do condado, Kerry Lee. Além da invasão à Área 51, foram também criados três festivais relacionados com a mesma temática: extraterrestres.

O único hotel da pequena e desértica cidade de Rachel, onde o número de habitantes não chega aos 50, está esgotado. De acordo com a agência Reuters, foram contratados 15 guardas de segurança, uma ambulância particular e encomendados 80 chuveiros portáteis para receber todos os visitantes.

Segundo o Review Journal de Las Vegas, as estradas que durante todo o ano se mantêm desertas estão a receber enchentes de curiosos, nas suas tendas, carros e auto-caravanas. Alguns demarcam-se com bandeiras americanas ou mesmo insufláveis de extraterrestres verdes. Outros mascararam-se de alien.

Some women showed up to the Little A’Le’Inn in full alien garb and have become a crowd favorite. They said they are getting free camping to pose for pictures.

Há até quem tenha escolhido a ocasião para envergar o seu papel de ativista, ao que dizem, em defesa da liberdade destas criaturas cuja existência nunca ficou provada. “Salvem os extraterrestres do Governo”, lê-se num dos cartazes levados pelos invasores.

O xerife Kerry Lee disse à AP que mais de 150 pessoas já tinham iniciado a viagem de vários quilómetros por caminhos de terra para chegar aos portões da Área 51. Kerry Lee agendou uma conferência de imprensa para o final da manhã desta sexta-feira.

Quando os eventos do Facebook começaram a ganhar dimensão, Laura McAndrews, porta-voz da Força Aérea, emitiu um comunicado a avisar a população que era mais prudente manter-se longe daquela base norte-americana.

“É um campo de treino aberto para a Força Aérea dos EUA e desencorajamos qualquer um a tentar entrar na área onde treinamos as forças armadas americanas. A Força Aérea dos EUA está sempre pronta para proteger a América e os seus activos”, alertou.

Na terça-feira, dois youtubers foram detidos por tentarem invadir a Área 51. Ties Granzier e Govert Sweep, dois holandeses de 20 e 21 anos, foram encontrados dentro da base, a quase cinco quilómetros do portão de entrada.

Dentro do carro, as autoridades encontraram câmaras de filmar e fotográficas, um telemóvel, um computador portátil e um drone. As investigações aos materiais revelaram que os dois youtubers já tinham recolhido vídeos e fotografias captados no interior da base militar. Todos os conteúdos foram apagados. Foram libertados no dia seguinte após terem pago 500 dólares de fiança.

A designada Área 51 é um terreno militar situado em pleno deserto do Nevada, que está envolvida desde há anos, devido ao secretismo que a rodeia, num halo de mistério que tem motivado numerosas teorias extravagantes. Uma das mais generalizadas é a de que o Governo norte-americano usa este terreno para esconder provas de vida extraterrestre.

De facto, o Governo norte-americano nunca reconheceu a existência desta instalação militar até Agosto de 2013, quando a CIA desclassificou uma série de documentos que confirmavam a existência desta base militar.

Aquela teoria sustenta, entre outros pontos, que foi para ali que se transferiram os restos de uma alegada nave extraterrestre, que se tinha despenhado em Roswell, no Estado do Novo México, em Julho de 1947.

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20 Setembro, 2019

 

2679: Vem aí o Dia 0. A Austrália vai ficar sem água (e pode não ser a única)

ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS

UNSW

O Dia 0 está a chegar e a Austrália está prestes a ficar sem água. Os cientistas dizem que este é um aviso para todas as outras regiões em redor do mundo.

Este dia vai marcar o início do racionamento de água e o dia em que as torneiras residenciais serão fechadas, tendo um grande número de famílias e empresas de ir aos locais de recolha locais para buscar água.

O Dia 0 está pendente em, pelo menos, uma dúzia de cidades australianas que se estendem desde o estado norte de Queensland até ao estado de New South Wales, cuja capital Sidney é a cidade mais populosa do país.

Secas sucessivas e a água extra necessária para combater incêndios florestais intensos causaram uma escassez sem precedentes, com estas regiões a enfrentar a perspectiva de que as torneiras acabem numa questão de meses. A segurança da água permanece quase inexistente para muitas comunidades rurais, com dez cidades em risco de secar em seis meses se não chover e se a infra-estrutura da água não melhorar.

As consequências mais amplas fizeram com que muitas lojas estivessem à beira de fechar e o desespero levou ao roubo de água. As temperaturas estão 10º C acima da média e 130 incêndios florestais continuam a deflagrar grandes áreas australianas.

Há anos que os governos australianos paralisam a reforma da acção climática porque o crescimento económico do país está fortemente vinculado às exportações de mineração de carvão, de acordo com o Raw Story.

Mas a Austrália não é o primeiro país a enfrentar a perspectiva de um Dia 0. A cidade de São Paulo ficou em sexto lugar em 2015, assim como a sexta maior cidade da Índia, Chennai, em meados de 2018.

A África do Sul evitou por pouco o Dia 0 no ano passado, após prolongadas baixas chuvas e uma seca particularmente brutal que atingiu a cidade da Cidade do Cabo. O suprimento de água da cidade estava quase fechado, pois o seu reservatório de água doce pairava pouco acima de 13,5% da capacidade total. Se o Dia Zero tivesse sido accionado, teria sido a primeira grande cidade dos tempos modernos sem água.

O iminente Dia 0 da Austrália está a destacar a necessidade de estratégias de longo prazo para a gestão da água e para uma cooperação aprimorada em nível global. Cientistas do Instituto Grantham no Imperial College de Londres e da Universidade da Cidade do Cabo, co-autores de um artigo sobre o Dia 0 da Cidade do Cabo, dizem que a mudança climática tornará a escassez de água mais comum em cidades ao redor do mundo.

“Mudanças nas mudanças nos padrões de chuva são uma das principais causas de escassez de água e, com as mudanças climáticas, as secas e as ondas de calor serão mais prováveis”, explica Robbie Parks, co-autor do artigo. “A água é tratada como um recurso infinito, mas são necessárias apenas duas ou três estações secas para desencadear uma seca catastrófica – a Cidade do Cabo é um excelente exemplo disso -, por isso é preciso haver uma grande mudança na forma como a água é gerida.”

É uma avaliação preocupante, dado o calor extremo que este ano causou incêndios devastadores em Espanha, Grécia e EUA. As ondas de calor também elevaram o mercúrio a níveis recordes na Holanda e na França, com o Ministério da Saúde divulgando estatísticas este mês mostrando um aumento de 1.500 no número de mortes causadas por calor intenso em comparação com os anos anteriores.

Mais calor significará um aumento da demanda por água, com ameaças à segurança da água previstas como um dos efeitos mais preocupantes das mudanças climáticas.

O Instituto de Recursos Mundiais (WRI) divulgou um relatório em Julho, que dizia que um quarto da população do mundo enfrenta “stress hídrico extremo”. “Actualmente, estamos a enfrenta uma crise mundial da água”, disse Betsy Otto, directora do programa global de água do WRI.

As acções globais sobre as mudanças climáticas sofreram um revés significativo após a retirada dos EUA do acordo de Paris sobre as mudanças climáticas de 2017. Agora, a activista climática juvenil Greta Thunberg está a pressionar os governos, levando a sua mensagem das ruas para as cimeiras internacionais.

O que permanece sem resposta, no entanto, é se as mudanças políticas adoptadas agora serão suficientes para deter ou reverter os danos já causados. Caso contrário, mais cidades enfrentarão o seu próprio Dia 0 num futuro não muito distante.

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20 Setembro, 2019

 

2678: Asteróide “sorrateiro” pregou um susto à NASA e quase colidiu com a Terra em Julho

CIÊNCIA

State Farm / Wikimedia

Em finais de Julho, um asteróide do tamanho de um campo de futebol pregou um susto à NASA quando passou a apenas 65.0175 quilómetros da Terra. Foi a maior rocha espacial a passar tão perto num século.

Mais alarmante do que o sobrevoo em si, foi o quanto o asteróide apanhou a NASA de surpresa. “Este apareceu na nossa frente”, escreveu um especialista da NASA em um e-mail interno, de acordo com documentos internos da agência obtidos pelo BuzzFeed News.

O asteróide, que recebeu o nome de 2019 OK – como para tranquilizar os astrónomos – passou de forma quase imperceptível no espaço, passando a uma distância aproximadamente cinco vezes mais próxima da Terra do que a lua a 88 mil quilómetros por hora.

“Se 2019 OK tivesse entrado na atmosfera terrestre, a onda de explosão poderia ter causado devastação localizada numa área de aproximadamente 80 quilómetros de diâmetro”, de acordo com um comunicado de imprensa enviado pelo Laboratório de Propulsão a Jacto da NASA quando finalmente notaram a rocha gigante a passar pelo nosso planeta.

Apesar de a NASA notar que o asteróide não era um perigo para a Terra, o que é posto em cima da mesa é o facto de não ter sido detectado com maior antecedência.

“Este objecto deslizou por toda uma série das nossas redes de captura”, escreveu Paul Chodas, do JPL, num e-mail obtido pelo BuzzFeed dois dias após o asteróide passar, observando que era uma pequena rocha espacial “sorrateira”.

Embora a NASA tenha desculpas por não ter percebido que a rocha espacial vinha a caminho, este não é um grande começo para o Departamento de Coordenação de Defesa Planetária (PDCO), cujo objectivo era “encontrar e caracterizar asteróides e cometas que passam perto da órbita da Terra ao redor do sol”.

Em 2005, os legisladores ordenaram que a agência espacial norte-americana detectasse 90% dos asteróides perigosos, mas não financiaram telescópios e naves espaciais suficientemente grandes para fazer esse trabalho, segundo concluíram as Academias Nacionais de Ciências dos EUA num relatório de Junho.

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Por ZAP
20 Setembro, 2019

 

2677: Maior expedição científica de sempre ao Árctico parte hoje da Noruega

CIÊNCIA

M.Hoppmann / Alfred Wegener Institute
A expedição MOSAIC vai estudar o Árctico através do navio quebra-gelo RV Polarstern

A maior expedição científica de sempre ao Árctico parte hoje para estudar durante um ano os efeitos visíveis das alterações climáticas no Pólo Norte.

O quebra-gelo Polarstern, do instituto Alfred-Wegener, de Bremerhaven, na Alemanha, partirá do porto de Tromso, na Noruega, levando a bordo a equipa internacional que irá sendo rendida, envolvendo no total cerca de 600 investigadores.

Espera-os uma viagem de 2.500 quilómetros até um destino onde estarão 150 dias na penumbra do Árctico, debaixo de temperaturas que poderão cair até aos 45 graus negativos.

Os ursos polares, a atmosfera, o oceano, o gelo e todo o ecossistema serão objectos de estudo para os cientistas, que esperam recolher dados para avaliar como as alterações climáticas afectam a região e o mundo inteiro.

“Nenhuma outra parte da Terra aqueceu tão depressa nas últimas décadas como o Árctico”, salientou o chefe da missão, Markus Rex, notando que é lá que “praticamente se situa o epicentro do aquecimento global” e que é uma região ainda “muito pouco compreendida”.

É impossível “fazer previsões corretas em relação ao clima” sem dados fiáveis sobre o Árctico, assinalou, considerando que a situação é preocupante quando, como no início do ano, “no centro do Árctico fez tanto calor como na Alemanha”.

O “Polarstern” faz parte de uma frota com outros quatro quebra-gelo da Rússia, China e Suécia, apoiada por aviões e helicópteros para reabastecer e transportar as equipas em rotação.

O orçamento de 140 milhões de euros é partilhado por 60 instituições de 19 países.

ZAP // Lusa

Por Lusa
20 Setembro, 2019

 

2676: Algo está a matar galáxias no Universo (e não se sabe o que é)

CIÊNCIA

Hubble / NASA / ESA

Nas regiões mais extremas do Universo, galáxias estão a ser assassinadas. As suas formações estelares estão a ser desligadas e os astrónomos não sabem porquê.

O primeiro grande projecto liderado pelo Canadá em um dos principais telescópios do mundo quer descobrir. O novo programa – VERTICO – está a investigar, em detalhes brilhantes, a forma como as galáxias são mortas pelo meio ambiente.

Toby Brown é o principal investigador da VERTICO e lidera a equipa de 30 especialistas que usam o Atacama Large Millimeter Array (ALMA) para mapear o gás molecular de hidrogénio, o combustível do qual novas estrelas são produzidas, em alta resolução em 51 galáxias no nosso aglomerado de galáxias mais próximo, chamado Virgo Cluster.

Comissionado em 2013 a um custo de 1,27 mil milhões de euros, o ALMA é uma variedade de antenas de rádio conectadas a uma altitude de cinco mil metros no deserto de Atacama, no norte do Chile. É uma parceria internacional entre Europa, Estados Unidos, Canadá, Japão, Coreia do Sul, Taiwan e Chile.

O maior projecto astronómico terrestre existente, o ALMA é o telescópio milimétrico de comprimento de onda mais avançado já construído e ideal para estudar as nuvens de denso gás frio das quais se formam novas estrelas, que não podem ser vistas usando luz visível. Grandes programas de pesquisa do ALMA, como o VERTICO, são projectados para abordar questões científicas estratégicas que levarão a um grande avanço ou avanço no campo.

Os sítio onde as galáxias vivem no universo e como interagem com o ambiente (o meio intergaláctico que as cerca) e entre si são importantes influências na capacidade de formar estrelas. Mas precisamente como esse chamado ambiente dita a vida e a morte das galáxias permanece um mistério.

Os aglomerados de galáxias são os ambientes mais massivos e extremos do universo, contendo muitas centenas ou até milhares de galáxias. De acordo com o The Conversation, onde há massa, há gravidade e as enormes forças gravitacionais presentes nos aglomerados aceleram as galáxias a grandes velocidades, geralmente milhares de quilómetros por segundo, e super-aquecem o plasma entre as galáxias a temperaturas tão altas que brilham com raios-X luz

No interior denso e inóspito desses aglomerados, as galáxias interagem fortemente com o ambiente e entre si. São essas interacções que as podem matar ou extinguir a sua formação estelar. Compreender que mecanismos de extinção impedem a formação de estrelas e como o fazem é o foco principal da pesquisa da colaboração da VERTICO.

À medida que as galáxias caem através de aglomerados, o plasma intergaláctico pode remover rapidamente os seus gases num processo violento chamado extracção de pressão de carneiro. Quando se remove o combustível para a formação de estrelas, efectivamente mata-se a galáxia, transformando-a num objecto morto no qual não é formada nenhuma nova estrela.

Além disso, a alta temperatura dos aglomerados pode parar o arrefecimento de gás quente e a condensação nas galáxias. Nesse caso, o gás na galáxia não é removido activamente pelo meio ambiente, mas é consumido à medida que forma estrelas. Este processo leva a um desligamento lento e inexorável da formação estelar, conhecida, de maneira mórbida, como fome ou estrangulamento.

Embora estes processos variem consideravelmente, cada um deles deixa uma impressão única e identificável no gás formador de estrelas da galáxia. Reunir estas impressões para formar uma imagem de como os aglomerados geram mudanças nas galáxias é um dos principais focos da colaboração da VERTICO. Com base em décadas de trabalho para fornecer informações sobre como o ambiente impulsiona a evolução das galáxias, pretendemos adicionar uma nova peça crítica do quebra-cabeça.

O Cluster de Virgem é o local ideal para um estudo detalhado do meio ambiente. É o aglomerado de galáxias massivo mais próximo e está em processo de formação, o que significa que podemos obter um instantâneo de galáxias em diferentes estágios dos seus ciclos de vida. Isto permite-nos construir uma imagem detalhada de como a formação de estrelas é interrompida nos aglomerados de galáxias.

As galáxias no aglomerado de Virgem foram observadas em quase todos os comprimentos de onda no espectro electromagnético (por exemplo, rádio, luz óptica e ultravioleta), mas as observações do gás formador de estrela (feito em comprimentos de onda milimétricos) com a sensibilidade e resolução necessárias ainda não existe.

A VERTICO vai fornecer mapas de alta resolução de gás hidrogénio molecular – o combustível bruto para a formação de estrelas – para 51 galáxias. Com os dados do ALMA para essa grande amostra de galáxias, será possível revelar exactamente que mecanismos de extinção, redução da pressão do aríete ou inanição estão a matar galáxias em ambientes extremos.

Ao mapear o gás formador de estrelas nas galáxias, que são os exemplos de armas fumegantes de extinção por meio do ambiente, a VERTICO avançará a nossa compreensão actual sobre como as galáxias evoluem nas regiões mais densas do Universo.

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20 Setembro, 2019

 

2675: É hoje que dois milhões de pessoas querem ir libertar aliens

© TVI24 É hoje que dois milhões de pessoas querem ir libertar aliens

Dois milhões de pessoas prometeram juntar-se esta sexta-feira para invadirem uma base da Força Aérea dos Estados Unidos, para conhecerem e libertarem os extraterrestres que alegadamente estão naquele lugar. Mas será que vai acontecer?

A ideia começou como uma brincadeira na rede social Facebook, mas os militares já avisaram que não será permitida a entrada a civis na Área de Teste 51, localizada perto do Aeroporto de Homey e do lago Groom, no estado do Nevada.

Durante várias décadas, os aficionados de objectos voadores não identificados e de supostas visitas de extraterrestres alimentaram especulações em torno das operações militares secretas na Área 51.

Uma das teorias sobre o local é que estão ali depositados os restos de uma suposta nave extraterrestre que teria caído em Roswell, no Novo México, em Julho de 1947.

A base em questão não está classificada como uma área secreta, mas todas as investigações e operações ali realizadas são consideradas como de máximo segredo e a Agência Central de Inteligência (CIA) reconheceu publicamente a existência dessa instalação pela primeira vez em 2013.

Em Junho, um utilizador do Facebook lançou a ideia de uma mobilização em massa de civis para libertar os extraterrestres, com o título de “Vamos invadir a Área 51: Não nos podem parar a todos”.

“Vamos encontrar-nos na atracção do Alien Tourist Center e coordenar a nossa entrada. Se corrermos juntos, podemos mover-nos mais depressa do as balas”, é possível ler-se na convocatória que é concluída com uma mensagem contundente: “Vamos ver os alienígenas”.

As reacções à ideia são várias, desde o entusiasmo daqueles que acreditam realmente na presença de extraterrestres na base militar até à partilha de ‘memes’ com imagens de figuras verdes e vários símbolos da cultura “freak”, como o personagem Sheldon Cooper, da série televisiva “Big Bang Theory”.

Por outro lado, a convocatória deixou os 54 habitantes de Rachel, a localidade mais próxima da Área 51, preocupados.

Rachel tem apenas quatro negócios e uma pousada e a última bomba de gasolina encerrou no ano de 2006, pelo que quem quiser ali chegar deve abastecer os seus veículos em Álamo, a 80 quilómetros de distância.

Na pousada de Rachel já não há quartos disponíveis, assim como em Álamo, onde todos hotéis já estão com lotação esgotada.

O chefe da polícia do Condado Lincoln, Kerry Lee, admitiu à estação de televisão norte-americana CNN que as autoridades terão várias dificuldades em controlar o grupo enorme de pessoas que tenciona deslocar-se à Área 51.

Poderíamos lidar com cerca de mil pessoas, mas com grandes dificuldades. Que o céu nos proteja se 5.000 pessoas vierem. Isso duplicaria a população de todo o condado”, declarou o chefe da polícia.

Outra preocupação de Lee é o perigo intrínseco na área desértica, em pleno Verão e com recursos de resgate limitados.

msn notícias
Redacção TVI24
20/09/2019

 

Rochas “saltitantes” e colapsos de penhascos no Cometa 67P/C-G

CIÊNCIA

Exemplo de um pedregulho a mover-se pela superfície do Cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko, capturado em imagens da câmara OSIRIS da Rosetta.
Crédito: ESA/Rosetta/MPS para Equipa OSIRIS MPS/UPD/LAM/IAA/SSO/INTA/UPM/DASP/IDA

Cientistas que analisam o tesouro de imagens obtidas pela missão da Rosetta da ESA descobriram mais evidências de curiosas rochas “saltitantes” e quedas dramáticas de penhascos.

A Rosetta operou no Cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko entre Agosto de 2014 e Setembro de 2016, recolhendo dados sobre o ambiente de poeira, gás e plasma do cometa, sobre as suas características de superfície e sobre a sua estrutura interior.

Como parte da análise de cerca de 76.000 imagens de alta resolução capturadas com a sua câmara OSIRIS, os cientistas têm procurado mudanças na superfície. Em particular, estão interessados em comparar o período da maior aproximação do cometa ao Sol – conhecido como periélio – com aquele após esta fase mais activa, para entender melhor os processos que impulsionam a evolução da superfície.

Por todo o cometa existem detritos soltos, mas algumas vezes os pedregulhos são fotografados no ato de serem lançados para o espaço, ou de rolar pela superfície. Um novo exemplo de uma rocha saltitante foi recentemente identificado na região lisa do pescoço que liga os dois lóbulos do cometa, uma área que passou por muitas mudanças visíveis de superfície em larga escala ao longo da missão. Lá, uma rocha com mais ou menos 10 metros aparentemente caiu do penhasco próximo e saltou várias vezes pela superfície sem quebrar, deixando “pegadas” no material superficial pouco consolidado.

“Nós pensamos que caiu do penhasco de 50 metros nas proximidades e é o maior fragmento deste deslizamento de terra, com uma massa de cerca de 230 toneladas,” disse Jean-Baptist Vincent do Instituto DLR para Pesquisa Planetária, que apresentou os resultados na conferência EPSC-DPS em Genebra.

“Entre maio e Dezembro de 2015 aconteceram tantas coisas neste cometa, quando estava mais activo, mas infelizmente por causa desta actividade tivemos que manter a Rosetta a uma distância segura. Como tal, não temos uma visão suficientemente próxima para discernir com resolução suficiente as superfícies iluminadas e assim identificar exactamente a localização ‘anterior’ da pedra.”

O estudo de movimentos de rochas como estas, em diferentes partes do cometa, ajuda a determinar as propriedades mecânicas do material em queda e do terreno da superfície em que pousa. O material do cometa é, de modo geral, muito fraco em comparação com o gelo e com as rochas a que estamos habituados cá na Terra: os pedregulhos do Cometa 67P/C-G são cerca de cem vezes mais fracos do que a neve recém-compactada.

Outro tipo de mudança também foi testemunhado em vários locais em redor do cometa: o colapso de faces de penhascos ao longo de linhas de fraqueza, como a dramática captura da queda de um segmento de 70 metros no desfiladeiro Aswan, observada em Julho de 2015. Mas Ramy El-Maarry e Graham Driver de Birbeck, Universidade de Londres, podem ter encontrado um evento de colapso ainda maior, ligado a uma explosão brilhante vista no dia 12 de Setembro de 2015 ao longo da divisão do hemisfério norte-sul.

“Este parece ser um dos maiores colapsos de penhascos que vimos no cometa durante a vida da Rosetta, com o colapso de uma área com cerca de 2000 metros quadrados,” disse Ramy, que também falou na conferência.

Durante a passagem pelo periélio, o hemisfério sul do cometa foi submetido a altos fluxos solares, resultando num aumento dos níveis de actividade e numa erosão mais intensa do que em outras partes do cometa.

“A inspecção das imagens ‘antes e depois’ permitem-nos verificar que a escarpa estava intacta até pelo menos maio de 2015, pois ainda temos imagens de resolução suficientemente alta dessa região para a ver,” explicou Graham, estudante que trabalha com Ramy para investigar o vasto arquivo de imagens de Rosetta.

“Esta região particularmente activa aumenta a probabilidade de o evento de colapso estar vinculado à explosão ocorrida em Setembro de 2015.”

A observação detalhada dos detritos em torno da região colapsada sugere que aconteceram aqui no passado outros grandes eventos de erosão. Ramy e Graham descobriram que os detritos incluem blocos que variam até algumas dezenas de metros em tamanho, substancialmente maiores do que a população de rochas após o colapso do desfiladeiro Aswan, que é composto principalmente por rochas com alguns metros de diâmetro.

“Esta variabilidade na distribuição de tamanho dos detritos caídos sugere diferenças na força dos materiais dos materiais em camadas do cometa e/ou nos mecanismos variados de colapso do penhasco,” acrescentou Ramy.

O estudo de mudanças no cometa, como estas, não fornecem apenas uma visão da natureza dinâmica destes corpos pequenos em escalas de tempo curtas, mas o colapso de um penhasco a maior escala fornece informações sobre a estrutura interna do cometa, ajudando-nos a juntar o puzzle da evolução do cometa em escalas de tempo mais longas.

“Os dados da Rosetta continuam a surpreender-nos e é maravilhoso que a próxima geração de estudantes já esteja a fazer descobertas emocionantes,” acrescentou Matt Taylor, cientista do projecto Rosetta da ESA.

Astronomia On-line
20 de Setembro de 2019

 

2673: Cientistas reconstruiram pela primeira vez o rosto de uma Denisovana

CIÊNCIA

(dr) Maayan Harel

Feito o mapa metílico do genoma dos Denisovanos, os cientistas tentaram reconstruir pela primeira vez o rosto de uma mulher deste grupo de hominídeos. Mas nem todos os cientistas concordam com o resultado final.

Há 15 mil anos, os Homo sapiens partilharam as suas cavernas (e acasalaram) com os chamados hominídeos de Denisova ou Denisovanos, deixando uma escassa linha genética que ainda hoje é detectável em alguns povos dos dias de hoje.

Mas como é que eram estes hominídeos fisicamente? De acordo com o Live Science, foi a esta mesma pergunta que uma equipa internacional de investigadores tentou responder através de uma análise genética sem precedentes.

Ao fazer um mapa metílico do genoma dos Denisovanos, ou seja, um mapa que mostra como as alterações químicas na expressão genética podem influenciar características físicas, os cientistas reconstruiram pela primeira vez o rosto de uma Denisovana.

A mulher agora representada tem uma testa baixa, uns maxilares protuberantes e um queixo quase inexistente — uma anatomia não muito diferente dos Neandertais, outro grupo de humanos extintos que ocuparam a Terra na mesma época.

“Estava à espera que as características dos Denisovanos fossem semelhantes aos Neandertais, uma vez que estes são os seus parentes mais próximos. Porém, nos poucos traços em que diferem, as diferenças são extremas”, explica ao site David Gokhman, geneticista da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, e o autor principal do estudo agora publicado na revista científica Cell.

No total, os investigadores encontraram 56 traços nos Denisovanos que previam ser diferentes dos Neandertais e dos humanos modernos, sendo que 32 deles resultaram em claras diferenças anatómicas.

A equipa descobriu, por exemplo, que estes hominídeos tinham arcadas dentárias significativamente mais longas, assim como o topo do crânio era também visivelmente mais largo, quando comparados com os Neandertais e com os humanos modernos.

De forma mais específica, também perceberam que a pélvis e a caixa torácica eram mais largas do que as dos humanos modernos e tinham também rostos mais finos e planos quando comparados com os dos Neandertais.

Estes resultados dão aos cientistas alguma esperança de que os dois crânios parciais recentemente encontrados na China possam pertencer a antigos Denisovanos e, assim, acrescentar mais uma descoberta à pequena lista que existe actualmente (composta por um maxilar, alguns dentes e um mindinho).

No entanto, nem todos os cientistas estão convencidos com este novo trabalho. Em declarações ao New Scientist, Sheela Athreya, professora associada da Texas A&M University foi bastante clara na sua opinião.

“Não, isto não nos dá uma ideia de como eram os indivíduos de Altai [região na Sibéria onde foi encontrada a caverna com ossos dos Denisovanos]. É baseado em tantas suposições que a minha cabeça anda às voltas com isto”.

“Embora este resultado pareça muito persuasivo, na verdade não é. Estudar as diferenças de metilação do ADN é uma avenida promissora de pesquisa, mas ainda estamos longe de entender como as suas diferenças podem estar relacionadas com as diferenças no esqueleto”, conclui também John Hawks, da Universidade de Wisconsin-Madison.

ZAP //

Por ZAP
20 Setembro, 2019

 

2672: A Rússia já sabe como apareceu a fissura na nave Soyuz (mas não revela)

CIÊNCIA

NASA

A Corporação Espacial Estatal da Rússia, Roscosmos, já sabe qual é a origem da fissura encontrada há um ano na nave Soyuz MS-09, acoplada à Estação Espacial internacional. Mas não revelará mais informações.

“O buraco foi encontrado no módulo da tripulação da nave espacial, que queimava há muito tempo. Recolhemos todas as amostras necessárias e temos clareza sobre o que aconteceu, mas não contaremos nada”, disse o chefe da Roscosmos, Dmitry Rogozin, em resposta à pergunta de um aluno, citado pelo TASS.

A 30 de Agosto de 2018, foi detectada uma queda de pressão na Estação Espacial Internacional (ISS). A queda de pressão foi causada por um vazamento de ar depois de a sonda Soyuz ter atracado na estação, vindo de um buraco no módulo de tripulação da sonda.

Depois de descartada a hipótese de impacto de um micro-meteorito, a Roscosmos, Agência Espacial Russa, suspeitava de sabotagem. Aliás, alguns dias depois, os especialistas da Terra concluíram que o buraco tinha sido perfurado por dentro da nave espacial Soyuz.

Segundo uma fonte do TASS na indústria espacial, alguém poderia ter feito o buraco antes de lançar a nave espacial na Estação, escondendo-a o material de vedação do lado de fora. Depois de lançada para órbita a 6 de Junho com 3 astronautas a bordo a cola usada terá secado, abrindo novamente a fissura.

NASA
O orifício na nave Soyuz MS-09 antes de ter sido reparado com o selante especial

Devido às reduzidas dimensões da fissura, cerca de 2 milímetros, nenhum dos 6 astronautas esteve em perigo de vida e a Estação Espacial ficou estável após a reparação da fissura com uma fita isoladora e a aplicação de um selante especial.

Em caso de intencionalidade na fissura, o buraco teria de ser consideravelmente maior visto que, mesmo com a maior taxa de despressurização possível, a tripulação a bordo teria ainda semanas de ar em reserva.

ZAP //

Por ZAP
19 Setembro, 2019

 

2671: Afinal, o universo pode ser 2 mil milhões de anos mais novo do que pensávamos

CIÊNCIA

NASA

Novos cálculos sugerem que o universo pode ser dois mil milhões de anos mais novo do que aquilo que se pensava. Contudo, é difícil saber com exactidão a sua verdadeira idade.

Os cientistas calculam a idade do universo usando a movimentação das estrelas para medir o quão rápido se está a expandir — um método conhecido como constante de Hubble. “Temos uma grande incerteza sobre como as estrelas estão a mover-se na galáxia”, confessou Inh Jee, a cientista responsável pelo estudo publicado este mês na revista científica Science.

As estimativas anteriores previam que o universo tivesse cerca de 13,7 mil milhões de anos, baseando-se numa constante de Hubble de 70. Contudo, a recente investigação de cientistas do Max Planck Institute baseia-se numa de 82,4 e calcula que o universo tenha, portanto, 11,4 mil milhões de anos.

Segundo o Phys, Jee e a sua equipa usou um conceito chamado efeito de lentes gravitacionais, no qual a gravidade distorce a luz e faz os objectos distantes parecerem mais próximos. Um tipo especial desse efeito permite alterar a luminosidade de objectos distantes para recolher informações para os seus cálculos.

Esta não é a primeira tentativa de sugerir uma constante de Hubble com um valor diferente. Ao longo dos anos, vários cientistas de renome sugeriram valores distintos na tentativa de resolver este debate que divide a comunidade científica.

No entanto, a própria Inh Jee tem algumas reservas em relação à idade calculada, uma vez que só foram usadas duas lentes gravitacionais. Como tal, a margem de erro é tão grande que o universo pode ser, na verdade, mais velho do que o sugerido — mas  não será dramaticamente mais novo.

“É difícil ter certezas das conclusões quando não se compreende completamente a régua que se está a usar”, disse o astrónomo Avi Loeb, que não participou no estudo em causa.

ZAP //

Por ZAP
20 Setembro, 2019