1620: Sonda japonesa vai aterrar esta quinta-feira num asteróide para recolher amostras

NASA / Goddard / University of Arizona

A sonda japonesa Hayabusa-2 deverá aterrar no asteróide Ryugu na sexta-feira (quinta-feira em Lisboa) para recolher amostras do corpo rochoso, estima a agência espacial japonesa Jaxa.

A aterragem está prevista para as 08h15 de sexta-feira em Tóquio (23h15 de quinta-feira em Lisboa).

Depois de tocar o solo do asteróide, a sonda irá disparar um projéctil sobre o corpo rochoso. Ao todo, serão feitas três tentativas de aterragem breve para recolher amostras do solo na expectativa de se obter pistas sobre as origens do Sistema Solar e da vida na Terra.

Se a missão da Hayabusa-2 for bem-sucedida, a nova sonda espacial japonesa será a primeira do mundo a regressar à Terra, em 2020, com amostras de um asteróide.

A aterragem da sonda no asteróide esteve prevista para Outubro, mas foi descoberto que a superfície de Ryugu estava coberta por pedra, mais do que era suposto ter. Para haver a certeza de que o sistema de recolha de amostras do asteróide irá funcionar nestas condições, a equipa científica da missão fez testes prévios na Terra.

Lançada para o espaço em Dezembro de 2014, a Hayabusa-2 é a sucessora da sonda Hayabusa, cuja missão terminou em 2010 sem recolher amostras do asteróide Itokawa. Em Setembro e Outubro de 2018, a sonda Hayabusa-2 largou sobre o asteróide Ryugu três pequenos robôs que obtiveram imagens e dados sobre a sua superfície.

Em 2016, a agência espacial norte-americana NASA lançou a sonda OSIRIS-REx, que chegou em Dezembro passado perto do asteróide Bennu, do qual pretende recolher amostras e enviá-las para a Terra, em 2023, sem aterrar o aparelho na superfície do corpo rochoso, rico em carbono, elemento básico da vida tal como se conhece.

ZAP // Lusa

Por Lusa
21 Fevereiro, 2019

 

1619: NASA descobre “girinos” no Sol que podem desvendar antigo enigma da astrofísica

Um estudo recente da NASA sobre um dos fenómenos mais notáveis do nosso sistema planetário pode desvendar um mistério antigo da astrofísica. O enigma reside na camada mais externa do Sol, a coroa, que atinge temperaturas de um milhão de graus Celsius, quase 200 vezes mais do que a superfície do Sol.

Os cientistas, que há mais de um século tentam perceber por que motivo a camada externa do Sol é mais quente do que a sua superfície, estão agora mais perto de resolver o enigma graças aos chamados “girinos” que foram encontrados em regiões com um campo magnético mais intenso da superfície solar.

​O espectrógrafo de imagens infravermelhas da NASA permitiu detectar uma espécie de jactos alongados de plasma quente semelhantes a girinos, que saem das manchas solares – regiões da superfície solar relativamente frias e magneticamente activas – elevando-se a cerca de 4.800 quilómetros até a coroa interior.

Segundo uma simulação computacional levada a cabo pela equipa, estes jactos poderiam levar energia e plasma suficiente para aquecer a camada solar externa.

Até à descoberta deste “girinos” — formalmente apelidados pseudo-choques — apenas duas teorias sobre as possíveis razões para o aquecimento da coroa foram consideradas.

A primeira hipótese sustenta que o calor da atmosfera externa solar é injectado por inúmeras pequenas explosões que libertam ondas de partículas carregadas e quentes. Já a segunda alicerça-se na ideia de que a energia se transporta até ali através de ondas electromagnéticas que poderiam empurrar partículas carregadas até à atmosfera, tal como uma onda do oceano empurra o surfista.

Agora, os especialistas esperam conseguir obter algumas pistas complementares da sonda espacial Parker Solar Probe, lançada em Agosto passado, para estudar como é que a energia e o calor se deslocam através da coroa solar.

“[Estas informações] poderiam fornecer uma imagem abrangente do aquecimento coronal”, afirmou Aleida Higginson, investigadora do laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins, na cidade de Laurel, nos Estados Unidos.

ZAP // SputnikNews

Por ZAP
21 Fevereiro, 2019

 

1618: Astrónomos determinam de onde vêm os meteoritos que caem com mais frequência na Terra

josemiguelmartinez / Flickr

Um estudo conduzido pelo astrónomo Peter Jenniskens, identificou a fonte dos meteoritos mais comuns, conhecidos como condritos L.

É possível classificar os meteoritos em várias categorias pela textura e composições química e mineralógica, sendo os condritos os mais comuns de todos eles, representando 82% dos meteoritos.

Através do estudo, publicado na revista Meteoritics & Planetary Science, os cientistas conseguiram determinar que este tipo de meteorito vem de pelo menos dois campos de detritos no cinturão de asteróides – região circular do Sistema Solar formada por múltiplos objectos irregulares denominados asteróides – , originários de planetas outrora anões que colidiram há muito tempo. A colisão constante desses fragmentos produzem os meteoritos que caem na Terra.

Meteoritos que caíram em 2012 na cidade norte-americana de Novato, no estado da Califórnia, e em 2015 perto da cidade de Creston, também situada no mesmo estado, foram comparados e identificados como condritos L.

A princípio, os 33 investigadores envolvidos no estudo acharam que os meteoritos poderiam ter vindo do mesmo campo de detritos, mas foi determinado que o meteorito de Novato demorou três anos a contornar o Sol, enquanto o outro demorou um ano e meio para fazer o mesmo movimento.

Isso sugere que o primeiro meteorito caído foi enviado por uma ressonância mais distante do Sol e mais profunda no cinturão de asteróides.

Durante a grande colisão há 470 milhões de anos, o meteorito de Novato perdeu a maior parte dos seus gases nobres ou inertes, como o argónio, enquanto que o de Creston “não perdeu o argónio dos minerais nos últimos 4,3 mil milhões de anos”, afirmou o geoquímico Matthias Meier.

“Isso provavelmente significa que o asteróide do qual o meteorito de Creston se originou não sofreu a colisão que afectou o de Novato há 470 milhões de anos”, acrescentou Meier.

Embora estes meteoritos provenham de diferentes colisões em diferentes partes do cinturão de asteróides, têm muito em comum e parecem estar relacionados entre si, sugerem os autores do estudo.

Por exemplo, ter-se-iam tornado matéria sólida no mesmo corpo paternal, que poderia ter sido quebrado e as suas partes poderiam acabar em lugares diferentes no cinturão de asteróides.

ZAP // Sputnik News

Por ZAP
21 Fevereiro, 2019

 

1617: A mais pequena lua de Neptuno pode ter nascido da sua segunda maior lua

NASA

A lua mais pequena de Neptuno, a Hipocampo, parece ser um fragmento da segunda maior lua do planeta, a Proteu, sugerem astrónomos num estudo esta quinta-feira divulgado pela Agência Espacial Europeia (ESA).

Os astrónomos chegaram a esta conclusão a partir de observações com o telescópio espacial Hubble, operado pela ESA e pela agência espacial norte-americana NASA, e de dados mais antigos da sonda Voyager 2, que se aproximou de Neptuno em 1989.

Segundo o estudo, citado hoje em comunicado, a lua Hipocampo terá resultado da fragmentação da lua Proteu quando foi atingida por um cometa há mil milhões de anos, formando uma cratera na sua superfície.

“Em 1989, pensávamos que a cratera era o fim da história. Com o Hubble, sabemos agora que um pequeno pedaço de Proteu ficou para trás e que é Hipocampo”, afirmou, citado no comunicado da ESA/Hubble, o coordenador da equipa de astrónomos, Mark Showalter, do Instituto norte-americano SETI, que foi fundado pelo cosmólogo e divulgador de ciência Carl Sagan (1934-1996).

A lua Hipocampo, que terá cerca de 34 quilómetros de diâmetro, foi descoberta em 2013 e a sua órbita está muito próxima da de Proteu, lua que, de acordo com os astrónomos, teve origem num cataclismo envolvendo os satélites naturais de Neptuno, um dos ‘gigantes’ gasosos e o último planeta do Sistema Solar.

“O Hipocampo é um ponto não resolvido nas imagens do [telescópio] Hubble. Como tal, não conseguimos saber mais nada além de determinar a sua órbita e saber qual a quantidade de luz que reflete”, descreveu ao jornal Público Mark Showalter. “Supomos ainda que a sua superfície tenha a mesma cor (cinzento muito escuro) de outras luas próximas”, avançou.

SETI Institute
Comparação de tamanho das sete luas internas de Neptuno

Há mil milhões de anos, Neptuno capturou um corpo enorme da cintura de Kuiper, que, defendem os especialistas, corresponde à maior lua do planeta, Tritão.

Os resultados foram esta quinta-feira publicados na revista especializada Nature.

ZAP // Lusa

Por ZAP
21 Fevereiro, 2019

 

1616: “Rio” com 4000 estrelas flui surpreendentemente perto do Sol

ESO/Digitized Sky Survey 2/Davide De Martin

Uma equipa de cientistas da Universidade de Viena, na Áustria, acaba de descobriu um “rio de estrelas”, uma corrente estelar que cobre a maior parte do céu do hemisfério Sul.

A corrente é formada por pelo menos de 4000 estrelas que se estão a mover juntas no espaço desde que se formaram, há aproximadamente mil milhões de anos. “[A corrente] é enorme e está surpreendentemente perto do Sol“, disse João Alves, co-autor do estudo.

“A maior parte dos aglomerados de discos galácticos dispersam-se rapidamente após o nascimento, pois não possuem estrelas suficientes para criar um potencial gravitacional profundo, noutras outras palavras, não têm cola suficiente para mantê-los juntos”, explicou Stefan Meingast, o autor principal do estudo, cujos resultados foram esta semana publicados na revista científica especializada Astronomy and Astrophysics.

Para a investigação, os cientistas recorreram a dados do satélite ESA Gaia. A partir destas informações, conseguiram estudar o movimento tridimensional das estrelas e imediatamente foram confrontados por um grupo até então desconhecido e não estudado que, surpreendentemente, se movia como uma corrente.

De acordo com os cientistas, foi este surpreendente grupo de estrelas que demonstrou com precisão as características esperadas de um grupo estelar que nasceu junto, sendo depois separado pelo campo gravitacional da Via Láctea.

“Assim que investigamos este grupo específico de estrelas com mais detalhes, soubemos que tínhamos encontrado o que procurávamos: uma estrutura ondulada e contemporânea que se estende por centenas de parsecs ao longo de um terço do céu”, afirmou Verena Fürnkranz, co-autora e aluna de mestrado da Universidade de Viena. “Foi muito emocionante fazer parte de una nova descoberta”, confessou.

Tendo em conta a sua relativa proximidade da Terra, o “rio” recém-descoberto pode ajudar os cientistas a estudar a força da gravidade da Via Láctea, medir a massa da galáxia e ainda ajudar na procura de novos exoplanetas.

ZAP //

Por ZAP
20 Fevereiro, 2019

 

1615: Descoberta super-Terra a apenas oito anos-luz do Sistema Solar

Gabriel Pérez / IAC

Uma equipa internacional de investigadores, em colaboração com o Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço (IA), no Porto, descobriu uma nova super-Terra, a “apenas” oito anos-luz de distância do Sistema Solar. 

Segundo o IA, o estudo, cujos resultados foram esta terça-feira divulgados, permitiu a descoberta da ‘super-Terra G1411b’ na “vizinhança do Sistema Solar”, um exoplaneta (que orbita uma estrela que não é o Sol) com três vezes a massa da Terra e que orbita a estrela Gliese 411(GI411), localizada na constelação da Ursa Maior.

Em comunicado, o IA explica que a equipa de investigadores concentrou-se na observação de exoplanetas que orbitam estrelas anãs vermelhas (cuja massa é inferior a metade da massa do Sol) que “representam 80% das estrelas da nossa galáxia”.

Através do espectrógrafo Sophie, instalado no telescópio do Observatório de Haute-Provence (OHP), em França, os investigadores detectaram o planeta G1411b, que acreditam ser “rochoso” e completar “uma volta em apenas 13 dias terrestres”.

“Apesar de GI411 ser uma anã vermelha, e por isso, menos quente do que o Sol, o G1411b ainda recebe cerca de 3,5 mais radiação do que a Terra recebe do Sol, o que o coloca fora da zona de habitabilidade, sendo provavelmente mais parecido com Vénus”, garante.

De acordo com o investigador do IA e da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (FCUP), Olivier Demangeon, citado no comunicado, a descoberta de um planeta de tipo rochoso em torno de uma das estrelas mais próximas da Terra “reforça claramente a ideia de que a maioria das estrelas que vemos no céu tem planetas à volta”.

ZAP // Lusa

Por Lusa
19 Fevereiro, 2019

 

1614: Alterações climáticas podem tornar os Verões mais tempestuosos e abafados

(CC0/PD) pxhere

As alterações climáticas estão a mudar a energia na atmosfera, levando a Verões mais tempestuosos, mas também a longos períodos quentes e abafados, com implicações na qualidade do ar.

De acordo com um novo estudo, levado a cabo por cientistas do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, Estados Unidos (MIT), o aumento da temperatura global alimenta as tempestades com mais energia, mas que a circulação do ar vai estagnar em regiões do hemisfério norte, incluindo a América do Norte, a Europa e a Ásia.

Segundo escrevem os cientistas, o aumento da temperatura, principalmente do Árctico, está a redistribuir a energia na atmosfera, colocando mais energia nas tempestades e menos nos ciclones extra-tropicais de verão, que circulam por milhares de quilómetros e que estão associados a ventos e a frentes que geram chuva.

“Os ciclones extra-tropicais ventilam o ar e dispersam a poluição, por isso, com ciclones extra-tropicais mais fracos no verão estamos perante um potencial para dias de qualidade do ar mais pobre nas áreas urbanas”, disse um dos autores do estudo, Charles Gertler, acrescentando que se caminha para Verões com tempestades mais destrutivas e muitos dias mais quentes e abafados.

Com os resultados esta terça-feira publicados na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences, a publicação oficial da Academia de Ciências dos Estados Unidos, os autores dizem que os ventos associados aos ciclones extra-tropicais diminuíram devido às alterações climáticas.

Os ciclones extra-tropicais são grandes sistemas meteorológicos que geram mudanças rápidas de temperatura e de humidade e podem estar associados a nuvens, chuva e vento.

Quanto maiores as diferenças de temperatura entre, por exemplo, o Árctico e o Equador mais forte será um ciclone. Como nas últimas décadas o Árctico aqueceu mais depressa do que o resto da Terra, diminuíram as diferenças de temperatura.

O que os cientistas fizeram foi investigar como é que isso afectou a energia disponível na atmosfera e descobriram que desde 1979 que a energia disponível para os ciclones extra-tropicais em larga escala diminuiu 6%, enquanto a energia que pode alimentar tempestades menores e mais locais aumentou em 13%.

ZAP // Lusa

Por ZAP
20 Fevereiro, 2019

 

1613: InSight prepara-se para medir a temperatura de Marte

O “lander” InSight da NASA colocou a sua sonda de calor, de nome HP3 (Heat Flow and Physical Properties Package), na superfície de Marte.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/DLR

O “lander” InSight da NASA colocou o seu segundo instrumento na superfície de Marte. Novas imagens confirmam que o HP3 (Heat Flow and Physical Properties Package) foi implantado com sucesso no dia 12 de Fevereiro a cerca de 1 metro do sismómetro do InSight, que o módulo recentemente cobriu com um escudo protector. O HP3 mede o calor que se move através do subsolo de Marte e pode ajudar os cientistas a descobrir quanta energia é necessária para construir um mundo rochoso.

Equipado com um espigão auto-martelante, o instrumento vai cavar até 5 metros abaixo da superfície, mais do que qualquer missão anterior no Planeta Vermelho. Em comparação, o “lander” Viking 1 da NASA escavou 22 centímetros. O módulo de aterragem Phoenix, primo do InSight, escavou 18 cm.

“Estamos ansiosos por quebrar alguns recordes em Marte,” disse Tilman Spohn, investigador principal do HP3 do Centro Aeroespacial Alemão, que forneceu a sonda térmica para a missão InSight. “Dentro de alguns dias, vamos finalmente começar a escavar usando uma parte do nosso instrumento que chamamos de toupeira.”

O HP3 parece-se um pouco com um macaco hidráulico, mas com um tubo de metal vertical na frente para segurar a toupeira com 40 centímetros de comprimento. Um cabo liga a estrutura de suporte do HP3 ao “lander” enquanto uma corda presa no topo da toupeira possui sensores de calor para medir a temperatura do subsolo de Marte. Entretanto, os sensores de calor na própria toupeira vão medir a condutividade térmica do solo – quão facilmente o calor se move pela sub-superfície.

“A nossa sonda está construída para medir o calor que vem de dentro de Marte,” disse Sue Smrekar, vice-investigadora principal do InSight, no JPL da NASA em Pasadena, no estado norte-americano da Califórnia. “É por isso que queremos colocá-la no subsolo. As temperaturas mudam à superfície, tanto das estações quanto do ciclo dia-noite, e podem adicionar ‘ruído’ aos nossos dados.”

A toupeira vai parar a cada 50 centímetro para medir a condutividade térmica do solo. Dado que o martelamento cria fricção e liberta calor, a toupeira pode arrefecer durante dois dias. De seguida, é aquecida até mais ou menos 10º C ao longo de 24 horas. Os sensores de temperatura dentro da toupeira medem a rapidez com que isto acontece, o que informa os cientistas da condutividade do solo.

Se a toupeira encontrar uma grande rocha antes de atingir pelo menos 3 metros, a equipa precisará de um ano marciano completo (dois anos terrestres) para filtrar o ruído dos seus dados. Esta é uma razão pela qual a equipa seleccionou cuidadosamente um local de aterragem com poucas pedras e porque passou semanas a escolher onde colocar o instrumento.

“Escolhemos o local de pouso ideal, quase sem rochas à superfície,” disse Troy Hudson, cientista e engenheiro que ajudou a projectar o HP3. “Isto dá-nos razão para acreditar que não há muitas rochas grandes no subsolo. Mas temos que esperar e ver o que vamos encontrar à sub-superfície.”

Independentemente da profundidade que atinja, não há como debater que a toupeira é um feito da engenharia.

“Pesa menos do que um par de sapatos, usa menos energia do que um ‘router’ Wi-Fi e precisa de escavar pelo menos 3 metros noutro planeta,” explicou Hudson. “Foi preciso muito tempo para obter uma versão que pudesse fazer dezenas de milhares de marteladas sem se partir; algumas versões anteriores falharam antes de chegar a 5 metros, mas a versão que enviámos para Marte provou a sua robustez várias vezes.”

Astronomia On-line
19 de Fevereiro de 2019

 

1612: Terramoto na Bolívia revelou uma cadeia montanhosa “escondida” nas profundezas da Terra

Kyle McKernan / Princeton University

Um forte terramoto, que atingiu a Bolívia em 1994, ajudou um grupo de investigadores a estudar uma “fronteira” entre o manto superior e inferior da Terra.

A maioria das crianças na escola aprende que a Terra tem três (ou quatro) camadas: a crosta, o manto e e o núcleo, que, por vezes, é dividido entre núcleo interior e exterior. Isto não está errado, mas exclui outras camadas que os cientistas têm identificado no interior da Terra, incluindo a zona de transição dentro do manto.

Num estudo publicado na revista Science, Jessica Irving e Wenbo Wu, geofísicos da Universidade de Princeton , em colaboração com Sidao Ni, do Instituto de Geodésia e Geofísica da China, usaram dados de um enorme terramoto na Bolívia para encontrar montanhas e outras topografias na base da zona de transição, uma camada de 660 quilómetros que separa o manto superior e inferior.

Para espiar profundamente a Terra, os cientistas usam as ondas mais poderosas do planeta, que são geradas por terramotos massivos.

Os grandes terramotos são mais poderosos que os pequenos – a energia aumenta 30 vezes a cada degrau da escala Richter. A investigadora obtém os melhores dados de terramotos de magnitude 7,0 ou mais, enquanto as ondas de choque que enviam em todas as direcções podem viajar através do núcleo para o outro lado do planeta – e vice versa.

Para este estudo, os principais dados vieram das ondas captadas após um terramoto de magnitude 8,2 – o segundo maior terramoto já registado – que abalou a Bolívia em 1994.

“Terramotos tão grandes não acontecem com frequência”, disse. “Temos sorte agora que temos muito mais sismógrafos do que há 20 anos. A sismologia é um campo diferente do que era há 20 anos entre instrumentos e recursos computacionais ”.

De acordo com um comunicado publicado pela Universidade de Princeton, sismólogos e cientistas de dados usam computadores poderosos para simular o complicado comportamento das ondas de dispersão na Terra profunda.

A tecnologia depende de uma propriedade fundamental das ondas: a capacidade de dobrar e saltar. Assim como as ondas de luz podem reflectir num espelho ou refractar ao passar por um prisma, ondas de terramotos viajam directamente através de rochas homogéneas, mas refletem ou refractam quando encontram qualquer limite ou rugosidade.

“Sabemos que quase todos os objectos têm aspereza da superfície e, portanto, dispersam a luz”, disse Wu. “É por isso que podemos ver estes objectos – as ondas espalhadas carregam as informações sobre a aspereza da superfície. Neste estudo, investigamos ondas sísmicas dispersas que viajavam dentro da Terra para restringir a aspereza do limite de 660 quilómetros da Terra.”

Os investigadores ficaram surpresos com o quão difícil este limite é – mais áspero do que a camada superficial em que todos vivemos. “A topografia mais forte do que as Montanhas Rochosas ou os Apalaches está presente no limite de 660 quilómetros”, disse Wu.

O modelo estatístico não permitia determinações precisas de altura, mas há probabilidades de estas montanhas serem maiores do que qualquer coisa na superfície da Terra. A aspereza não foi igualmente distribuída.

Assim como a superfície da crosta tem chão oceânico suave e montanhas enormes, o limite de 660 quilómetros tem áreas irregulares e áreas lisas. Os cientistas também examinaram uma camada de 410 quilómetros abaixo, no topo da “zona de transição” do manto e não encontraram rugosidade semelhante.

“As camadas profundas da Terra são tão complicadas como o que observamos na superfície”, disse a sismóloga Christine Houser, do Instituto de Tecnologia de Tóquio.

“Encontrar mudanças de elevação entre um e três quilómetros num um limite que tenha mais de 660 quilómetros de profundidade com recurso a ondas que viajam por toda a Terra é um feito inspirador. As descobertas sugerem que, à medida que os terramotos ocorrem, continuaremos a detectar novos sinais de pequena escala que revelam novas propriedades das camadas da Terra”.

A presença de rugosidade no limite de 660 quilómetros tem implicações significativas para entender como o planeta se formou e continua a funcionar. A camada divide o manto, que representa cerca de 84% do volume da Terra.

Durante anos, os geo-cientistas debateram o quão importante é este limite. Em particular, investigaram como o calor viaja através do manto – se as rochas quentes são levadas suavemente do limite do manto central até o topo do manto ou se a transferência é interrompida neste camada.

Algumas evidências geoquímicas e mineralógicas sugerem que o manto superior e inferior são quimicamente diferentes, o que suporta a ideia de que as duas secções não se misturam termicamente ou fisicamente.

As áreas mais lisas do limite de 660 quilómetros podem resultar de uma mistura vertical mais completa, enquanto as áreas montanhosas mais ásperas podem-se ter formado onde o manto superior e inferior não se misturam.

Além disso, a rugosidade, que existia em grandes, moderadas e pequenas escalas, poderia, teoricamente, ser causada por anomalias de calor ou por heterogeneidades químicas. Mas, por causa da forma como o calor transportado dentro do manto, qualquer anomalia térmica em pequena escala seria suavizada em poucos milhões de anos. Isto deixa apenas diferenças químicas para explicar a aspereza de pequena escala.

As rochas que costumavam pertencer à crosta agora descansam em silêncio no manto e podem ser responsáveis pelas diferenças químicas. Os cientistas há muito que debatem o destino das lajes do fundo do mar que são empurradas para o manto nas zonas de subducção.

Wu e Irving sugerem que os remanescentes destas placas podem estar logo acima ou logo abaixo do limite de 660 quilómetros”.

ZAP //

Por ZAP
19 Fevereiro, 2019

 

1611: Veja como é possível apanhar lixo espacial com um arpão

Experiência conduzida pela Universidade de Surrey mostra sucesso do satélite RemoveDEBRIS

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O satélite RemoveDEBRIS, uma das primeiras tentativas para lidar com a acumulação de detritos espaciais perigosos, conseguiu usar com sucesso o seu sistema em arpão de captura em órbita. A experiência foi filmada para que todos possam ver como funciona este sistema:

O arpão projectado pela Airbus Stevenage tem uma lança de 1,5 metros implantada a partir da nave espacial. Nesta experiência, o arpão foi disparado a uma velocidade de 20 metros/segundo para penetrar no alvo e demonstrar a capacidade do arpão para capturar detritos.

RemoveDEBRIS é uma pequena missão de satélite com o objectivo de testar técnicas de remoção de detritos activos usando um arpão. O satélite é projectado, construído e fabricado por um consórcio de empresas espaciais e instituições, liderado pela Universidade de Surrey, no Reino Unido. A nave espacial é operada em órbita por engenheiros da Surrey Satellite Technology Ltd, em Guildford, no Reino Unido. O projecto é co-financiado pela União Europeia.

Segundo a Agência Espacial Europeia (ESA), há mais de 750 mil objectos com mais de um centímetro a orbitar a Terra. Naves e sondas defuntas, restos de foguetões usados, mas também parafusos e até pedaços de tinta solta – é deste tipo de lixo que falamos e, depois de seis décadas de exploração espacial, há mais de sete mil toneladas no espaço. A maioria foi gerada por mais de 250 explosões.

Este lixo é um perigo para os satélites e para as missões espaciais, nomeadamente para a Estação Espacial internacional (ISS, na sigla em inglês), e para operações futuras. Isto porque a uma velocidade média de 40 mil quilómetros por hora, o impacto gera uma energia semelhante à explosão de uma granada de mão.

Esta foi a terceira experiência bem sucedida do projecto RemoveDEBRIS. A equipa está a agora a preparar o teste final, que irá realizar-se em Março. Guglielmo Aglietti, director do Centro Espacial de Surrey, na Universidade de Surrey, disse: “Este é o teste mais exigente da RemoveDEBRIS. O projecto RemoveDEBRIS dá-nos fortes pistas sobre o que pode ser alcançado com o poder da colaboração – reunindo a experiência de toda a indústria e o campo de pesquisa para alcançar algo verdadeiramente notável.”

Já Chris Burgess, engenheiro na Airbus Defence and Space, não tem dúvidas de que “o sucesso na demonstração espacial da tecnologia de arpão é um passo significativo para resolver a crescente questão dos detritos espaciais”.

Chris Skidmore, ministro de Estado das Universidades, Ciência, Pesquisa e Inovação, explicou ainda: “Os escombros espaciais podem ter sérias consequências para os nossos sistemas de comunicação se chocarem com satélites. Este projecto mostra que especialistas britânicos estão a encontrar respostas para esse problema usando um arpão, uma ferramenta que as pessoas usaram ao longo da história”.

Diário de Notícias
18 Fevereiro 2019

– Desconhecia que no novo Acordo Ortográfico – que repudio solenemente, por isso, todos os textos inseridos neste Blogue são corrigidos para o Português de Portugal e não brasuquês -, existiam também as palavras: Européia, conseqüências. Já nem conseguem disfarçar o brasuquês com que escrevem. nem se preocupam em traduzi-lo correctamente para o Português de Portugal!!!

1610: Os terraplanistas estão a aumentar (e a culpa é do Youtube)

Kevin Carden / Deviant Art

Investigadores acreditam ter identificado o principal factor para um aumento surpreendente no número de pessoas que pensam que a Terra é plana: o YouTube.

A suspeita foi levantada quando participaram nas maiores reuniões mundiais de Flat Earthers na conferência anual do movimento em Rayleigh, Carolina do Norte, em 2017, e depois em Denver, Colorado, no ano passado.

Entrevistas com 30 participantes revelaram um padrão nas histórias que as pessoas contaram sobre como se convenceram de que a Terra não era uma esfera a girar no espaço, mas um grande disco achatado.

Dos 30, todos, excepto um, disseram que não consideraram a Terra plana há dois anos, mas mudaram de ideias depois de assistir a vídeos que promoviam teorias de conspiração no YouTube, de acordo com o The Guardian.

As entrevistas revelaram que a maioria estava a assistir vídeos sobre outras conspirações, como o 11 de Setembro, o tiroteio em Sandy Hook e se a NASA realmente foi à lua, quando o YouTube forneceu vídeos sobre a Flat Earth para assistirem a seguir. Alguns disseram que assistiram aos vídeos apenas para desmascará-los, mas ficaram convencidos.

Asheley Landrum, a principal investigadora do estudo, disse que um dos vídeos mais populares da Terra Plana, “200 provas que a Terra não é uma bola a girar” parece ser eficaz porque oferece argumentos que apelam a várias mentalidades, desde bíblicos e teóricos da conspiração até aqueles com uma inclinação mais científica.

Os entrevistados ficaram convencidos e, em pouco tempo, perguntavam “onde está a curva?” e “por que o horizonte está sempre ao nível dos olhos?”.

Landrum disse que não achava que o YouTube estivesse a fazer algo errado, mas disse que se o site quisesse ajudar, poderia ajustar o algoritmo para mostrar informações mais precisas.

“Há muita informação útil no YouTube, mas também muita desinformação“, disse Landrum. “Os algoritmos facilitam a queda no buraco do coelho, apresentando informações às pessoas que serão mais susceptíveis a isso”.

“Acreditar que a Terra é plana em si não é necessariamente prejudicial, mas vem com uma desconfiança nas instituições e na autoridade em geral“, acrescentou.

Landrum convidou cientistas a criar os seus próprios vídeos no YouTube para combater a proliferação de vídeos de conspiração. “Precisamos de outros vídeos a dizer porque é que estes motivos não são reais”.

A cientistas admitiu que alguns terraplanistas podem não ser influenciados pelas palavras de um cientista. Quando o astrofísico norte-americano Neil de Grasse Tyson explicou que pequenas secções de grandes superfícies curvas parecem sempre planas, a sua mensagem foi vista como condescendente e desdenhosa.

“Sempre haverá uma pequena percentagem de pessoas que rejeitarão qualquer coisa que os cientistas divulguem, mas talvez haja um grupo em que isso não acontecerá”, acrescentou. “A única ferramenta que temos para combater a desinformação é tentar sobrecarregá-la com melhores informações.”

ZAP //

Por ZAP
18 Fevereiro, 2019