3995: As várias faces do cometa NEOWISE

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

O cometa NEOWISE no Observatório do Lago do Alqueva Observatório do Lago do Alqueva: Nelson Nunes

Aproveite até ao final da semana para tentar apanhar o cometa NEOWISE. A próxima oportunidade será daqui a 6800 anos

As noites têm sido curtas para o astrónomo e investigador do Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço Nelson Nunes. O despertador está acertado para as quatro da manhã, hora a que o cometa NEOWISE começa a dar o ar da sua graça. Descoberto muito recentemente, em Março deste ano graças a observações do telescópio espacial que lhe dá o nome, o cometa tem brindado os madrugadores com uma visão imaculada deste tipo de objectos celestes. É claro que a qualidade da observação depende do local onde nos encontramos. E Nelson Nunes está num dos melhores locais do país para ver estrelas, cometas e afins. No Observatório do Lago do Alqueva (OLA), que fundou com dois sócios, estão reunidas todas as condições para uma visão do céu sem interferências. Raramente há nuvens, a humidade do ar é baixa, não há edifícios à volta e a iluminação pública é praticamente inexistente. “Mesmo a olho nu consegue-se ver a causa do cometa. É lindíssimo!”

Pelas lentes do telescópio o encantamento é ainda maior, relata o astrónomo. A cada noite, o cometa desperta uns minutos mais tarde pelo que vai sendo cada vez mais curta a janela de oportunidade entre o aparecimento do objecto celeste no horizonte e o nascer do do sol. “Se não fosse a Lua, a observação seria ainda mais fenomenal”, admite. É possível que o cometa seja visível também cerca de uma hora depois do pôr do sol, pelas 21h30-22h00, a partir de amanhã. Mas estará muito baixinho logo abaixo da Ursa Maior.

Quem tiver equipamento de observação e quiser o apoio de Nelson Nunes, pode aparecer no OLA. Mas convém despachar-se, porque depois do fim-de-semana já não deverá ser possível ver o NEOWISE. E a próxima oportunidade só chegará daqui a quase 6800 anos.

Veja na foto-galeria, o cometa em várias ‘poses’.

Exame Informática

 

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3994: Há um sistema planetário junto da “vizinha” Luyten. É complexo e pode abrigar vida

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

(cv) ESA/Hubble

Uma equipa de cientistas da Universidade de Granada, em Espanha, descobriu um sistema planetário a orbitar a estrela Luyten, uma das mais próximas da Terra.

De acordo com os cientistas, a estrela GJ 273, uma das mais próximas da Terra e conhecida como Luyten, alberga um sistema planetário que pode ser tão complexo como o Sistema Solar, havendo a hipótese de poder abrigar vida.

Na nova investigação, cujos resultados foram esta semana publicados na revista científica especializada Astronomy & Astrophysics, os cientistas frisam a complexidade do sistema planetário,  formado por múltiplos mundos e depósitos de corpos menores.

“Pode até abrigar água, devido às estatísticas e simulações que realizados, embora não tenhamos ainda evidências directas [que o comprovem]”, disse Francisco J. Pozuelos, autor principal do estudo, citado pela agência espanhola Europa Press.

A complexidade deste sistema, semelhante à do Sistema Solar, faz deste um excelente candidato para a procura de traços ou evidências de vida em futuras missões espaciais.

O sistema planetário da estrela Luyten é especialmente interessante, uma vez que é o quarto sistema planetário mais próximo do Sol que orbita em torno de uma estrela do tipo anã M, a 12,23 anos-luz de distância, e alberga um planeta na zona habitável, logo depois de Proxima Centauri (4,24 anos-luz), Ross-128 (10,99) e GJ 1061 (11,96).

Até agora, os cientistas conseguiram confirmar dois planetas, baptizados de GJ 273b e GJ 273c, faltando confirmar outros dois, cujos nomes são GJ 273d e GJ 273e.

Entre os planetas confirmados, GJ 273c tem uma massa semelhante à da Terra, enquanto o GJ 273b é considerado uma super-Terra, um planeta com uma massa maior do que a Terra, mas menor do que a dos gigantes gelados Úrano e Neptuno.

ZAP //

Por ZAP
13 Julho, 2020

 

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3993: Descobrem que a atmosfera da Terra “toca” como um sino. Laplace já sabia (há dois séculos)

CIÊNCIA/FÍSICA

NASA / Wikimedia

Uma nova investigação levada a cabo por Kevin Hamilton e Takatoshi Sakazaki concluiu que a atmosfera da Terra pode “ecoar” como um sino.

As poderosas ondas que surgem nos céus devido à pressão da atmosfera podem harmonizar-se, criando ressonância, de acordo com uma nova investigação levada a cabo pelos cientistas Kevin Hamilton, da Universidade do Hawai em Manoa (Estados Unidos), e Takatoshi Sakazaki, da Unidersity de Kyoto, (Japão).

Toda a atmosfera reverbera de forma semelhante às ondas sonoras no interior de um sino, concluíram os cientistas no novo estudo, cujos resultados foram esta semana publicados na revista científica especializada Journal of the Atmospheric Sciences.

Em comunicado esta semana divulgado, os especialistas sublinham que a “música” da atmosfera terrestres não pode ser ouvida, mas assume-se sob a forma de ondas de pressão atmosférica em larga escala que circundam o nosso planeta ao mover-se em torno do Equador, algumas para leste e outras ainda para oeste.

Para chegar a esta conclusão, os cientistas estudaram estatísticas de pressão atmosférica de um período de 38 anos registado no banco de dados meteorológico ERA5.

Os cientistas descobriram que quando as ondas se movem pelo ar a uma certa altura e velocidade, estas ressoam com a atmosfera, criando um fenómeno semelhante à forma como as ondas sonoras reverberam no interior de um sino.

As descobertas de Hamilton e Sakazaki confirmam a teoria das oscilações globais, cujas raízes remontam a uma obra do século XIX do físico e matemático francês Pierre-Simon Laplace, pode ler-se ainda no mesmo comunicado.

“As frequências e padrões mundiais que observamos combinam muito bem com os [resultados] previstos teoricamente. É emocionante ver como a visão de Laplace e de outros físicos pioneiros é totalmente confirmada dois séculos depois”.

ZAP //

Por ZAP
13 Julho, 2020

 

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3992: Mais de um século depois, físicos desvendam o mistério dos barcos encalhados em “água morta”

CIÊNCIA/FÍSICA

Thomas Amour / Flickr

Pela primeira vez, uma equipa interdisciplinar de cientistas franceses explicou o misterioso fenómeno da “água morta”, capaz de travar e encalhar navios em movimento, mesmo que os seus motores funcionem correctamente.

Tal como frisa o portal IFL Science, foi resolvido um mistério com mais de 100 anos.

O fenómeno foi sentido pela primeira vez em 1893 pelo explorador norueguês Fridtjof Nansen, enquanto navegava pelas águas do Árctico no norte da Sibéria. Sentiu o seu navio desacelerar por uma força estranha, cuja natureza era desconhecida, e mal conseguia manobrar a embarcação e não era capaz de atingir a sua velocidade normal.

Em 1904, o físico e oceanógrafo sueco Vagn Walfrid Ekman mostrou em laboratório a formação de ondas sob a superfície desta área do Oceano Árctico, entre as camadas de água salgada e água doce, que interagem com o navio, gerando resistência.

O fenómeno ocorre em todos os mares e oceanos onde águas de diferentes densidades se mistura devido à sua sanidade ou temperatura, referem em comunicado . Podem estar em causa dois tipos de arrasto: o que causa uma velocidade anormalmente baixa, como no caso de Nansen e o caracterizado por oscilações de velocidade no barco preso (Ekman).

Agora, uma nova investigação, cujos resultados foram esta semana publicados na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences, põe fim ao mistério.

De acordo com os autores do estudo, as variações na velocidade das embarcações capturados por este fenómenos – conhecido vulgarmente com “água morta” – devem-se à criação de ondas que actuam como uma espécie passadeira rolante ondulatória na qual os navios se movem para trás e para a frente, podendo acabar por encalhar.

Na mesma publicação, os cientistas unificaram as observações de Nansen e Ekman, mostrando que o efeito oscilante demonstrado por Ekman é apenas temporário, uma vez que a embarcação acaba por escapar e atinge a velocidade constante de Nansen.

O IFL refere ainda que este estudo faz parte de um projecto maior que investiga porque é que, durante a Batalha de Actium (31 a.C), na Grécia, os maiores navios de Cleópatra perderam para embarcações bem mais fracas de Otaviano.

De acordo com os cientistas, uma das explicações para explicar a inesperada derrota da governante egípcia pode ser a “água morte” da baía grega, que tem todas as características de um fiorde.

ZAP //

Por ZAP
13 Julho, 2020

 

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3991: Descoberto antepassado dos dinossauros que cabia na palma da mão

CIÊNCIA/PALEONTOLOGIA

Frank Ippolito / American Museum of Natural History
Kongonaphon kely

Um réptil com apenas dez centímetros de altura foi um antepassado dos dinossauros gigantes que o sucederam, sugere um novo estudo.

Uma equipa de investigadores descobriu, em Madagáscar, um pequeno réptil que viveu há 237 milhões de anos e que os cientistas acreditam ser antepassado dos grandes dinossauros que dominaram a Terra.

Conhecido como Kongonaphon kely, este réptil tinha cerca de 40 centímetros de comprimento e apenas dez centímetros de altura, escreve o The Guardian. Os especialistas acreditam que esta criatura era bípede e que comeria insectos ou outros pequenos invertebrados.

“Com base em análises estatísticas do tamanho do corpo, argumentamos que dinossauros e pterossauros evoluíram a partir de um ancestral miniaturizado“, disse o paleontólogo Christian Kammerer, autor principal do artigo científico publicado esta semana na revista Proceedings of the National Academy of Sciences.

“A evolução do gigantismo de pequenos antepassados não é incomum no registo fóssil”, acrescentou o co-autor John Flynn em comunicado de imprensa divulgado pelo Museu Americano de História Natural de Nova Iorque.

Os dinossauros foram evoluindo até chegar às dimensões gigantescas que lhes são tipicamente associadas. O primeiro pterossauro, por exemplo, tinha o tamanho de um pombo. Mais tarde, alguns atingiram as dimensões de um jacto F-16.

Kammerer realça que “houve uma tendência sustentada para tamanhos menores de corpos adultos no início da história” da linhagem do Kongonaphon.

Scott Hartman & Frank Ippolito / AMNH
Comparação do tamanho do corpo entre o Kongonaphon kely e o dinossauro Herrerassauro.

“Embora dinossauros e gigantismo sejam praticamente sinónimos, uma análise da evolução do tamanho do corpo em dinossauros […] demonstra que os membros mais antigos do grupo podem ter sido menores do que se pensava anteriormente, e que um profundo evento de miniaturização ocorreu perto da base da linhagem”, escrevem os autores do artigo científico.

Mas como é que estas criaturas evoluíram de origens tão humildes? A resposta está longe de ser concreta, já que poucos foram os espécimes desta linhagem de repteis encontrados e estudados.

ZAP //

Por ZAP
13 Julho, 2020

 

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3990: Stargate SG-1

Para os amantes das séries de ficção científica, está a passar na operadora NOS, canal SyFy, a primeira temporada – episódios 1 e 2 (começou ontem, Domingo) da série STARGATE SG-1.

Stargate SG-1 é uma telessérie norte-americana de ficção científica baseada no longa-metragem para o cinema Stargate (1994). A premissa de ambos é a existência de aparelhos chamados “Stargates” que, por intermédio de buracos-de-verme, permitem a viagem interestelar instantânea.

O enfoque do seriado é uma equipe denominada SG-1 que opera a partir de uma base ultra-secreta da Força Aérea dos EUA chamada Stargate Command (ou SGC), utilizando um “Stargate” encontrado na Terra para explorar outros mundos e defender o planeta contra ameaças alienígenas estabelecidas no filme original ou apresentadas ao longo da série. Assim sendo, e diferentemente de diversos outros seriados de ficção científica com uma temática de exploração interplanetária, Stargate SG-1 tem como tempo ficcional o presente, é baseada na Terra e envolve principalmente humanos.

A série é produzida pela MGM e filmada no Bridge Studios, em Vancouver, Canadá. O primeiro episódio foi transmitido em 27 de julho de 1997 pelo canal de televisão a cabo Showtime, que exibiu as cinco primeiras temporadas. Desde a sexta temporada, o seriado é transmitido pelo Sci-Fi Channel. Recentemente, Stargate SG-1 tornou-se o seriado de ficção científica mais duradouro da televisão americana, ultrapassando The X-Files.

Wikipedia

13.Jul.2020

 

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3989: Astrónomos querem descobrir o que é o Planeta Nove de uma vez por todas

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Desde há vários anos que se teoriza sobre uma “força oculta” responsável por certas órbitas estranhas de objectos distantes no sistema solar. Muitas tentativas de explicação apontam para a presença de um planeta ainda desconhecido, um tal de planeta nove que dizem ser gigantesco, cinco vezes o tamanho da Terra. Contudo, poderá ser também um buraco negro do tamanho de uma maçã.

Agora, depois de tantos anos sem uma explicação cabal, os astrónomos querem saber de uma vez por todas, se haverá um nono planeta à espreita para além da órbita de Neptuno.

Afinal, há ou não o planeta nove?

Os astrónomos têm observado estranhos padrões gravitacionais de um grupo de corpos conhecidos como “objectos transneptunianos“, ou TNOs. Tais comportamentos poderiam ser explicados pela presença maciça do nono planeta no nosso sistema solar.

Tem sido um tema polémico, com alguns a anotarem o comportamento estranho das TNOs como sendo causado por um aglomerado de rochas espaciais muito mais pequenas. Contudo, outros preveem que tal planeta seria cinco vezes a massa da Terra, orbitando a nossa estrela a cerca de 400 vezes a distância da Terra ao Sol.

Finalmente, há a possibilidade de que o Planeta Nove seja na realidade um pequeno buraco negro deixado pelo Big Bang. Tão pequeno, de facto, que medirá apenas cerca de cinco centímetros de diâmetro – basicamente impossível de ver com qualquer tipo de telescópio.

Tem havido muita especulação sobre explicações alternativas para as órbitas anómalas observadas no sistema solar exterior. Uma das ideias apresentadas foi a possibilidade de o Planeta Nove poder ser um buraco negro do tamanho de uma toranja com uma massa cinco a 10 vezes maior do que a da Terra.

Explicou Amir Siraj, estudante universitário de Harvard, numa declaração.

Resolver o enigma de uma vez por todas

Numa nova publicação no The Astrophysical Journal Letters, uma equipa de astrónomos da Universidade de Harvard delineou um método recentemente desenvolvido que poderia, assim o esperamos, responder a esta questão de uma vez por todas.

O seu plano é procurar as chamas de acreção emitidas enquanto o minúsculo buraco negro devora a matéria que o envolve. Se encontrarem algumas, isso significaria que o Planeta Nove era, na realidade, um buraco negro.

Nas proximidades de um buraco negro, pequenos corpos que se aproximam dele derreterão como resultado do aquecimento do fundo da acumulação de gás do meio interestelar para o buraco negro.

Disse Siraj.

Mais buraco negro e menos Planeta Nove?

Os especialistas explicaram que, os buracos negros são intrinsecamente escuros, a radiação que a matéria emite a caminho da boca do buraco negro é a única forma de iluminar este ambiente escuro. Como tal, a equipa está a apostar na próxima missão Legacy Survey of Space and Time (LSST) que terá lugar no Observatório Vera C. Rubin, no Chile.

Os astrónomos envolvidos na missão esperam responder a questões sobre a natureza da energia e da matéria negra. Além disso, esperam recolher dados sobre a formação e as propriedades dos planetas no nosso sistema solar.

O LSST tem um amplo campo de visão, cobrindo o céu inteiro à procura de erupções transitórias. Outros telescópios são bons a apontar para um alvo conhecido, mas não sabemos exactamente onde procurar o Planeta Nove. Só conhecemos a vasta região em que pode residir.

Referiu Loeb Avi Loeb, professor de ciências de Harvard.

O professor, referiu ainda que a “profundidade sem precedentes” do LSST será capaz de detectar até mesmo o mais pequeno dos sinalizadores. Na verdade, esta não é a única tentativa de desvendar os mistérios por detrás do Planeta Nove. Recentemente, uma equipa diferente de astrónomos anunciou que espera lançar uma frota de milhares de naves “nanoespaciais” para procurar o objecto misterioso.

Infelizmente, esta visão continua a ser um “tiro na Lua”, com estimativas de custos a ultrapassar a marca dos mil milhões de dólares.

Planeta 9 foi roubado pelo nosso sistema solar, diz um estudo!

Informações recentes dão conta da utilização de um novo software dedicado à aprendizagem sobre o comportamento das estrelas e dos planeta. Posteriormente, esse conhecimento levou a que fossem feitas simulações computorizadas que apontaram para … Continue a ler Planeta 9 foi roubado pelo nosso sistema solar, diz um estudo!

 

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3988: Descoberta nova espécie de dinossauro carnívoro em Portugal

CIÊNCIA/PALEONTOLOGIA

Um novo género e espécie de dinossauro carnívoro terópode, cujos fósseis foram escavados em arribas dos concelhos de Torres Vedras e da Lourinhã, foi agora descrito na revista internacional “Journal of Vertebrate Paleontology” por paleontólogos portugueses e espanhóis.

A descoberta do ‘Lusovenator santosi’, com 145 milhões de anos, pertencente ao Jurássico Superior de Portugal, mostra que estes animais estavam presentes no hemisfério norte, 20 milhões de anos antes do que indicava o registo conhecido, concluíram Elisabete Malafaia, Pedro Mocho (Universidade de Lisboa), Fernando Escasso e Francisco Ortega, todos investigadores ligados à Sociedade de História Natural de Torres Vedras e à Universidade Nacional de Educação à Distância de Madrid (Espanha).

O dinossauro que pertence ao grupo dos carcharodontossauros, vem reforçar a tese de que a Península Ibérica é uma “região fundamental para compreender o processo de dispersão deste grupo de animais no hemisfério norte durante o final do Jurássico, vários milhões de anos antes destes dinossauros se tornarem os maiores predadores terrestres no hemisfério sul, no final do Cretácico”, explicou Elisabete Malafaia à agência Lusa.

A nova espécie foi identificada a partir de restos recolhidos nas duas últimas décadas nas jazidas das praias de Valmitão (Lourinhã) e de Cambelas (Torres Vedras).

De início, os fósseis foram atribuídos ao dinossauro carnívoro terópode ‘Allosaurus’, mas uma análise mais detalhada do material permitiu aos paleontólogos identificar um conjunto de características exclusivas que permitiu estabelecer este novo género e espécie.

Os carcharodontossauros, de que havia registos do Cretáceo Inferior (130 milhões de anos) e no final do Cretáceo (100 milhões de anos), são um grupo de dinossauros carnívoros que inclui alguns dos maiores predadores que habitaram o planeta.

Na Península Ibérica o grupo estava representado apenas pela espécieConcavenator corcovatus’, identificada na jazida de Las Hoyas (Cuenca, Espanha) por alguns dos mesmos investigadores.

O carcharodontossauro mais antigo conhecido foi encontrado na Tanzânia, em África, sendo da mesma altura da nova espécie agora identificada em Portugal, o que, segundo os paleontólogos, “constitui a primeira evidência e a mais antiga deste grupo no hemisfério norte”. A identificação desta espécie amplia a diversidade de dinossauros terópodes conhecidos no Jurássico Superior português, um dos melhores registos deste período.

O ‘Lusovenator santosi’ foi apelidado em homenagem a José Joaquim dos Santos, um curioso da paleontologia, que, durante mais de 30 anos, descobriu fosseis de dinossauro, guardando-os em casa. Mais tarde, vendeu à Câmara de Torres Vedras a colecção, que tem vindo a ser estudada por investigadores da Sociedade de História Natural de Torres Vedras.

ZAP // Lusa

Por Lusa
11 Julho, 2020

 

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3987: Há um planeta na nossa vizinhança que pode ter a capacidade de abrigar vida

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Astrónomos europeus e americanos descobriram que a estrela GJ 273, uma das mais próximas da Terra, também conhecida como Luyten, tem um sistema planetário com dois planetas confirmados. Um dos planetas está na chamada zona habitável e os outros dois estão numa zona altamente improvável para abrigar vida.

A Estrela de Luyten é uma estrela anã vermelha na constelação de Cão Menor. Conforme as medições de paralaxe, esta está localizada a uma distância de aproximadamente 12,40 anos-luz (3,80 parsecs), sendo uma das estrelas mais próximas da Terra. Será que existe vida num planeta da nossa vizinhança?

Estrela de Luyten pode estar a iluminar um planeta fértil

Cientistas da Universidade de Granada (UGR) e de outros centros internacionais descobriram que uma das estrelas no nosso bairro solar apresenta um sistema de planetas tão complexo quanto o nosso. Segundo estes investigadores, esta estrela tem a capacidade de abrigar vida pelo menos num deles.

A estrela chama-se GJ 273, também conhecida como Luyten, em homenagem ao astrónomo Willem J. Luyten, que estudou os seus movimentos. A anã-vermelha está localizada a 12,23 anos-luz, o que coloca o seu sistema planetário como sendo a zona habitável mais próxima de nós, logo atrás da Proxima Centauri (4,24 anos-luz), Ross-128 ( em 10,99) e GJ 1061 (a 11,96 anos-luz).

Na órbita da estrela Luyten existem dois planetas confirmados, o GJ 273b e o GJ 273c. Aliás, existem mais dois que ainda estão em vias de serem confirmados mais adiante, cujos nomes poderão ser GJ 273d e GJ 273e. Os investigadores preveem que estes dois candidatos seriam “mini-neptunos“, com massas um pouco menores que Netuno, mas entre 9 e 12 vezes a da Terra.

A análise dinâmica global realizada pelos cientistas revela que este sistema é altamente estável e, portanto, muito provável, conforme os detalhes publicados na revista Astronomy & Astrophysics.

Exoplaneta GJ 273b pode abrigar vida

Segundo o que foi relatado, o exoplaneta GJ 273c tem uma massa semelhante à da Terra, embora o astro que concentra mais interesse seja um pouco maior: GJ 273b. É considerada uma super-terra e está localizada perto da borda interna da zona habitável da sua estrela hospedeira, uma região em que o fluxo de radiação permite a presença de água líquida.

O aquecimento das marés faz da GJ 273b um planeta altamente interessante, pois isso a torna compatível com o desenvolvimento e a existência de uma biosfera. Como resultado das estatísticas e simulações que realizamos, ele pode abrigar água, embora ainda não tenhamos outras evidências directas,

Explica Francisco J. Pozuelos, investigador da Universidade de Liège (Bélgica) e principal autor.

Além disso, este planeta sofre com o aquecimento das marés, o mesmo fenómeno para o qual existem marés na Terra devido à interacção gravitacional com a Lua e o Sol.

O aquecimento das marés faz do planeta GJ 273b um planeta altamente interessante, pois é compatível com o desenvolvimento e a existência de uma biosfera. É um excelente candidato para procurar traços de vida em futuras missões espaciais.

Referiu  Juan Carlos Suárez, cientista da UGR e co-autor do artigo,

Sistema planetário Luyten tem traços comuns com o nosso

Segundo o estudo, o sistema planetário de Luyten também apresenta outra semelhança com o nosso sistema solar. Existe a presença de depósitos de corpos menores. São asteróides, como os encontrados no cintura de asteróides (entre Marte e Júpiter) ou na cintura de Kuiper (além de Neptuno), cujo impacto na presença de água ou na produção de produtos orgânicos pode ser relevante.

Os cientistas preveem estes depósitos em torno de Luyten, que, se confirmados, podem desempenhar um papel importante no surgimento e manutenção da vida em GJ 273b.

Portanto, GJ 273b é um exoplaneta super-terra que orbita uma estrela do tipo M. A sua massa é de 2,89 Terras, leva 18,6 dias para completar uma órbita da sua estrela, e está a 0.091101 AU da sua estrela. Apesar de ter sido descoberta em 2017, ainda carece de muita investigação. Quem sabe, temos vida no quintal galáctico.

Pplware
11 Jul 2020

 

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3986: ADN herdado dos neandertais pode aumentar o risco de covid-19

CIÊNCIA/GENÉTICA/NEANDERTAL

(dr) Johannes Krause / Museum of the Krapina Neanderthals
Recriação de uma cena da vida de um grupo de Neandertais

Uma nova investigação concluiu que um segmento de ADN herdado dos neandertais presente em alguns humanos pode aumentar o risco de covid-19.

De acordo com o estudo levado a cabo por cientistas da Alemanha e da Suécia, o material genético herdado desta espécie ancestral humana pode aumentar o risco de adoecer gravemente com a infecção pelo novo coronavírus.

“Os dados resultantes de uma compilação de 3.199 pacientes hospitalizados com covid-19 indicam que esse segmento de ADN significa um risco genético aumentado de contrair uma infecção severa por SARS-CoV-2, exigindo hospitalização”, escrevem os cientistas no novo estudo pré-disponibilizado no portal bioRxiv.

O artigo, importa frisar, carece ainda de revisão de pares.

Os resultados da investigação mostraram uma forte ligação entre a covid-19 e o material genético neandertal do segmento do cromossoma 3, que torna as pessoas que têm duas cópias desta variante três vezes mais propensas a sofrer doenças graves, explicam os cientistas citado pelos jornal norte-americano New York Times.

Os especialistas consideram que, no geral, este legado genético pode ter sido prejudicial para os seres humanos modernos, desaparecendo depois com a evolução, embora alguns genes possam ter oferecido algumas vantagens evolutivas.

O mesmo jornal escreve que esta sequência genética que pode agravar a covid-19 passou muito provavelmente da espécie ancestral para o Homem durante o cruzamento entre Homo sapiens e os neandertais, que terá ocorrido entre 40.000 e 60.000 anos atrás.

Muito frequente entre os cidadãos do Bangladesh

No mesmo estudo, frisa o portal Russia Today, os cientistas sublinham que esta variante genética não afecta todas as populações de igual forma. O segmento de ADN neandertal é muito mais frequente nos habitantes de Bangladesh, onde 63% da população o tem, e no sul da Ásia, onde cerca de um terço da população o herdou.

Este “pedaço” de material genético é menos comum noutras regiões, como a Europa, onde apenas 8% de toda a população carrega este gene. Nos Estados Unidos está presente em 4% da população, enquanto em África é praticamente inexistente.

Os autores do estudo, Hugo Zeberg, do Instituto Max Planck de Antropologia Evolucionária, na Alemanha, Svante Paabo, do Instituto Karolinska na Suécia, acreditam que alguns genes neandertais herdados pelo Homem ainda afectam a sua saúde até aos dias de hoje.

“A variedade neandertal pode, portanto, contribuir significativamente para o risco de covid-19 em determinadas populações”, escreveram.

Um outro estudo, levado a cabo pelos mesmos cientistas e publicado em Junho passado na revista científica especializada Molecular Biology and Evolution, concluiu que um terço das mulheres europeias herdou um gene neandertal favorável à fertilidade.

Um terço das mulheres europeias herdou um gene neandertal favorável à fertilidade

Um terço das mulheres europeias herdou um gene neandertal favorável à fertilidade, sugere uma nova investigação levada a cabo por…

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ZAP //

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11 Julho, 2020

 

 

3985: Especialista alerta sobre possíveis vírus extraterrestres que podem chegar à Terra em futuras missões

CIÊNCIA/ESPAÇO/MARTE

Space X / Flickr

O cientista e antigo colaborador da NASA Scott Hubbard alertou para a possível chegada de vírus extraterrestres à Terra em futuras missões espaciais, notando que o interesse pela exploração do Espaço tem aumentado.

O antigo director do Centro de Pesquisas AMES da agência espacial norte-americana, considera que este é um assunto que deve ter sido em conta, especialmente quando a “febre” da corrida espacial parece ter voltado.

Em declarações ao Standford University News, Scott Hubbard disse que astronautas e amostras de rochas trazidas de Marte ou de outros corpos celestes em futuras missões terão de ser analisadas e colocadas em quarentena.

“Ouvi de alguns colegas da área do voo espacial humanos (…) que, no ambiente actual, os cidadãos poderão ficar mais preocupados pela chegada de algum micróbio, vírus ou contaminação extraterrestre”, confessou o especialista.

Nos primeiros anos de exploração espacial, continuou Scott Hubbard, levantou-se o problema de uma possível contaminação em Terra por patogénicos externos. Contudo, “as combinações de limpeza química, esterilização por calor, radiação espacial altamente esterilizares e sistemas mecânicos inteligentes” são eficazes para reduzir os riscos.

Apesar de ser muito pouco provável que as rochas marcianas contenham alguma forma de vida activa que possa infectar a Terra, é imperativo colocar as amostras em quarentena e tratá-las “como se fosse o vírus Ébola até que se provem seguras”, disse ainda Hubbard, que é também professor na Universidade de Standford, nos Estados Unidos.

O especialista recusa alarmismo e recorda que se trata de uma questão de precaução.

No que toca aos humanos, Hubbard recorda que os astronautas das primeiras missões lunares foram “colocados em quarentena para garantir que não manifestavam quaisquer sinais de doenças. “Depois que se descobriu que a Lua não era um risco, o isolamento foi cancelado (…) [E o mesmo acontecerá] com os humanos que voltem de Marte”.

A corrida espacial parece ter voltado em força, sendo Marte um dos “mundos” mais apelativos para novas expedições. China, Estados Unidos, e Emirados Árabes Unidos anunciaram que pretendem lançar sondas para o Planeta vermelho este ano.

Os EUA já enviaram quatro veículos exploratórios para Marte e pretende enviar o quinto entre Junho e Agosto deste ano, ao passo que os Emirados Árabes Unidos enviarão a primeira sonda árabe para o Planeta Vermelho em 15 de Julho.

Algumas destas datas podem vir a sofrer alterações devido à pandemia.

Aproxima-se o lançamento do rover Perseverance

O rover Perseverance da NASA está a menos de um mês da data de lançamento prevista para 20 de Julho….

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11 Julho, 2020

 

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3984: Cientistas detectaram estranhos objectos astronómicos circulares (e não fazem ideia do que são)

CIÊNCIA/ASTRONOMIA/ASTROFÍSICA

pelosbriseno / Flickr
Radiotelescópios do Observatório Very Large Array (VLA) no Novo México, EUA.

Recorrendo a telescópios, uma equipa de astrofísicos detectou quatro estranhos objectos astronómicos. Foram encontrados nos comprimentos de onda de rádio e são circulares e mais brilhantes do que as suas bordas.

Estes estranhos e inesperados objectos são diferentes de qualquer outra classe astronómica já observada, não parecendo corresponder a nenhum tipo de objecto já identificado e classificado pela comunidade científica, frisa o portal Live Science.

Os objectos, que se assemelham a ilhas distantes em forma de anel, foram baptizados de círculos de rádio estranhos (ORC, na sua sigla em inglês) devido às suas peculiaridades.

Astrónomos e astrofísicos não sabem ainda a que distância estão estes objectos, mas acreditam que possam estar ligados a galáxias distantes. Todos os corpos em causa foram detectados longe do plano galáctico da Via Láctea.

Têm cerca de um arco-minuto de diâmetro. A título de comparação, o nosso satélite natural, a Lua, tem 31 arco-minutos de diâmetro.

Num artigo, disponível em pré-publicação no portal Arxiv.org, carecendo ainda de revisão de pares, os cientistas apontam algumas explicações para estes objectos, apesar de nenhuma delas encaixar nos quatro corpos encontrados.

Antes de avançar com possíveis explicações, os cientistas descartam objectos como super-novas, galáxias formadoras de estrelas e lentes gravitacionais. Pondo de parte estas hipóteses, os astrónomos especulam que os objectos possam ser ondas de choque de alguns eventos extra-galácticos ou possivelmente actividade de uma galáxia de rádio.

“Podem muito bem apontar para um fenómenos que ainda não investigamos“, disse ao mesmo portal Kristine Spekkens, astrónoma do Royal Military College do Canadá e da Queen’s University, que não participou na nova investigação.

No entanto, frisa, pode ser uma coisa totalmente diferente. “Também pode ser que estes corpos sejam uma extensão de uma classe de objectos conhecida anteriormente mas que não fomos capazes de explorar”.

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11 Julho, 2020

 

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3983: Uma pitada de poeira de rocha pode ajudar a evitar alterações climáticas catastróficas

CIÊNCIA/AGRICULTURA/AMBIENTE

(CC0/PD) Rodolfo Clix / Pexels

O uso de poeira de rocha na agricultura traz não só vantagens para a colheita, mas também para o ambiente. Esta técnica permite uma remoção eficiente do dióxido de carbono.

Espalhar poeira de rocha nos terrenos agrícolas pode economizar cerca de um décimo do “orçamento de carbono” da humanidade, a quantidade de dióxido de carbono que podemos emitir sem provocar níveis catastróficos de aquecimento global. Os países que mais têm a ganhar com esta técnica são a China, os Estados Unidos e a Índia, os três maiores emissores de CO2 do mundo.

As rochas absorvem naturalmente CO2, mas com esta técnica, conhecida como enhanced rock weathering (ERW), o efeito é amplificado, já que a rocha fica a cobrir uma maior área, escreve a New Scientist.

Considerando o clima, a área das terras cultivadas e os sistemas energéticos dos países, os cientistas descobriram que a poeira das rochas poderia remover entre 0,5 e 2 giga-toneladas de CO2, por ano, até 2050.

“Se você pode extrair uma giga-tonelada por ano, é significativo. Duas giga-toneladas são as emissões combinadas de CO2 da aviação e da navegação, e essas duas serão muito difíceis de descarbonizar. Eu diria que tem um potencial muito interessante para transformar a forma como gerimos o cenário agrícola”, diz David Beerling, da Universidade de Sheffield, no Reino Unido.

Feitas as contas, se duas giga-toneladas de CO2 fossem removidas anualmente durante mais de meio século, poderia-se poupar 12% do tal “orçamento de carbono”.

O uso de poeira de rocha não só é uma opção amiga do ambiente como as evidências científicas sugerem também que aumenta o rendimento das colheitas. Este novo estudo foi publicado esta quarta-feira na revista científica Nature.

“Precisamos de limpar esta trapalhada de maneira sensata, numa escala de tempo de décadas a séculos”, diz o co-autor James Hansen. “Uma das maneiras com múltiplos benefícios é o cultivo com poeira de rocha. Gosto particularmente porque é mais permanente do que a maioria dos esquemas de remoção de CO2”.

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11 Julho, 2020

 

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3982: O poder colectivo dos corpos escuros e gelados do Sistema Solar

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Os cientistas há muito que tentam explicar a existência dos “corpos separados” do Sistema Solar, que têm órbitas altamente inclinadas e normalmente agrupam-se numa parte do céu nocturno.
Crédito: Steven Burrows/JILA

Os confins do nosso Sistema Solar são um lugar estranho – cheios de corpos escuros e gelados com alcunhas como Sedna, Biden e Goblin, cada um dos quais com várias centenas de quilómetros de diâmetro.

Dois novos estudos por investigadores da Universidade do Colorado em Boulder, EUA, podem ajudar a resolver um dos maiores mistérios sobre estes mundos distantes: o porquê de tantos não orbitarem o Sol da maneira que deviam.

As órbitas destes extravagantes corpos menores, que os cientistas chamam de “objectos separados”, inclinam-se e desviam-se do plano do Sistema Solar, entre outros comportamentos invulgares.

“Esta região do espaço, que está muito mais próxima de nós do que as estrelas da nossa Galáxia e de outras coisas que podemos observar muito bem, é-nos muito desconhecida,” disse Ann-Marie Madigan, professora assistente do Departamento de Ciências Astrofísicas e Planetárias da Universidade do Colorado em Boulder.

Alguns cientistas sugeriram que um objecto muito grande podia ser o culpado – como o conhecido planeta teórico, “Planeta Nove” – por espalhar objectos no seu rastro.

Mas Madigan e o estudante Alexander Zderic preferem pensar em algo mais pequeno. Baseando-se em simulações exaustivas de computador, a dupla defende que estes objectos separados podem eles próprios ter perturbado as suas órbitas – através de pequenos impulsos gravitacionais acumulados ao longo de milhões de anos.

As descobertas, disse Madigan, fornecem uma pista tentadora do que pode estar a acontecer nesta misteriosa região do espaço.

“Somos a primeira equipa capaz de reproduzir tudo, todas as estranhas anomalias orbitais que os cientistas têm visto ao longo dos anos,” disse Madigan. “Ainda há muito que fazer.”

A equipa publicou os seus resultados no passado dia 2 de Julho na revista The Astronomical Journal e o mês passado na revista The Astronomical Journal Letters.

Madigan acrescentou que o problema com o estudo do Sistema Solar exterior é que é muito escuro.

“Normalmente, a única maneira de observar estes objectos é quando os raios solares colidem com a sua superfície e são dirigidos para os nossos telescópios na Terra,” disse. “Dado que é tão difícil aprender mais sobre esta região, havia a suposição de que estava vazia.”

Madigan faz parte de um grupo cada vez maior de cientistas que argumenta que esta região do espaço está longe de estar vazia – mas isso não facilita a sua compreensão.

Basta olhar para os objectos separados. Enquanto a maior parte dos corpos no Sistema Solar tendem a orbitar o Sol num disco achatado, as órbitas destes mundos gelados podem ter grandes inclinações. Muitos também tendem a agrupar-se apenas numa região do céu nocturno, um pouco semelhante a uma bússola que aponta apenas para o norte.

Madigan e Zderic queriam descobrir o porquê. Para tal, recorreram a supercomputadores para recriar, ou modelar, as dinâmicas do Sistema Solar exterior no maior detalhe alguma vez atingido.

“Modelámos algo que pode ter existido no Sistema Solar exterior e também acrescentámos a influência gravitacional dos planetas gigantes como Júpiter,” disse Zderic.

No processo, descobriram algo invulgar: os objectos gelados nas suas simulações começaram a orbitar o Sol como normal. Mas, com o tempo, começaram a empurrar e a puxarem-se uns aos outros. Como resultado, as suas órbitas foram ficando esquisitas até parecem-se com as órbitas reais. O mais notável foi que fizeram isto tudo sozinhos – os asteróides e os planetas menores não precisavam de um planeta grande para os impelir para órbitas fora do comum.

“Individualmente, todas as interacções gravitacionais entre estes corpos pequenos são fracas,” disse Madigan. “Mas em grande número, tornam-se importantes.”

Madigan e Zderic haviam visto indícios de padrões semelhantes em investigações anteriores, mas os seus últimos resultados fornecem as evidências mais exaustivas até agora.

As descobertas também vêm com uma grande ressalva. Para fazer com que a teoria de “gravidade colectiva” de Madigan e Zderic funcione, o Sistema Solar exterior já precisou de conter uma enorme quantidade de material.

“Precisamos de objectos que totalizem algo na ordem das 20 massas terrestres,” disse Madigan. “Isto é teoricamente possível, mas vai definitivamente esbarrar com as opiniões de alguns especialistas.”

De uma forma ou de outra, os cientistas podem em breve ter mais certezas. Um novo telescópio, de nome Observatório Vera C. Rubin, vai em 2022 entrar em funcionamento no Chile e começar a lançar uma nova luz sobre esta região tão desconhecida do espaço.

“Grande parte do fascínio recente pelo Sistema Solar exterior está relacionado com os avanços tecnológicos,” disse Zderic. “Realmente precisamos da mais nova geração de telescópios para observar estes corpos.”

Astronomia On-line
10 de Julho de 2020

 

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3981: O trajecto cósmico em direcção à formação de estrelas e planetas

Visualização dos fluxos observados de velocidade na galáxia espiral NGC 4321, medidos usando emissão rádio do gás molecular (monóxido de carbono): ao longo do eixo vertical, esta imagem mostra as velocidades do gás, enquanto o eixo horizontal representa a extensão espacial da galáxia. As oscilações em forma de onda na velocidade do gás são visíveis em toda a galáxia.
Crédito: T. Müller/J. Henshaw/MPIA

O gás molecular nas galáxias é organizado numa hierarquia de estruturas. O material molecular nas gigantescas nuvens de gás molecular viaja por intrincadas redes de gás filamentar em direcção aos centros congestionados de gás e poeira, onde é comprimido em estrelas e planetas, assim como milhões de pessoas viajam para trabalhar nas cidades em todo o mundo. Para melhor entender este processo, uma equipa de astrónomos liderada por Jonathan Henshaw do Instituto Max Planck para Astronomia mediu o movimento do gás que flui das escalas galácticas até escalas dos aglomerados de gás em que as estrelas se formam. Os seus resultados mostram que o gás que corre através de cada escala está ligado dinamicamente: enquanto a formação estelar e planetária ocorre nas escalas mais pequenas, este processo é controlado por uma cascata de fluxos de matéria que começam a escalas galácticas. Os resultados foram publicados na revista científica Nature Astronomy.

O gás molecular nas galáxias é posto em movimento por mecanismos físicos, como rotação galáctica, explosões de super-nova, campos magnéticos, turbulência e gravidade, moldando a estrutura do gás. Compreender como estes movimentos afectam directamente a formação de estrelas e planetas é difícil, porque exige a quantificação do movimento dos gases numa gama enorme de escalas espaciais e, em seguida, a vinculação deste movimento às estruturas físicas que observamos. As instalações astrofísicas modernas mapeiam agora rotineiramente grandes áreas do céu, com alguns mapas contendo milhões de pixeis, cada com centenas a milhares de medições independentes de velocidade. Como resultado, a medição destes movimentos é cientificamente e tecnologicamente desafiadora.

A fim de enfrentar estes desafios, uma equipa internacional de investigadores liderada por Jonathan Henshaw do Instituto Max Planck para Astronomia em Heidelberg decidiu medir movimentos de gás ao longo de uma variedade de ambientes diferentes usando observações do gás na Via Láctea e numa galáxia próxima. Os astrónomos detectam estes movimentos medindo a aparente mudança na frequência de luz emitida por moléculas, mudança esta provocada pelo movimento relativo entre a fonte de luz e o observador; um fenómeno conhecido como efeito Doppler. Aplicando um novo software desenvolvido por Henshaw e pelo doutorando Manuel Riener (co-autor do artigo, também do mesmo instituto), a equipa conseguiu analisar milhões de medições. “Este método permitiu-nos visualizar o meio interestelar de uma nova maneira,” diz Henshaw.

Os investigadores descobriram que os movimentos do gás molecular frio parecem flutuar em velocidade, lembrando a aparência de ondas à superfície do oceano. Estas flutuações representam o movimento do gás. “As flutuações propriamente ditas não foram particularmente surpreendentes, sabemos que o gás se move,” diz Henshaw. Steve Longmore, co-autor do artigo, da Universidade John Moores em Liverpool, acrescenta: O que nos surpreendeu foi a similaridade da estrutura de velocidade destas regiões diferentes. Não importava se estivéssemos a olhar para uma galáxia inteira ou para uma nuvem individual dentro da nossa própria Galáxia, a estrutura é mais ou menos a mesma.”

Para melhor entender a natureza dos fluxos de gás, a equipa seleccionou várias regiões para uma análise mais detalhada, usando técnicas estatísticas avançadas para procurar diferenças entre as flutuações. Ao combinar uma variedade de medições diferentes, os investigadores foram capazes de determinar como as flutuações da velocidade dependem da escala espacial.

“Uma característica interessante das nossas técnicas de análise é que são sensíveis à periodicidade,” explica Henshaw. “Se houver padrões repetidos nos seus dados, como nuvens moleculares gigantes igualmente espaçadas ao longo de um braço espiral, podemos identificar directamente a escala na qual o padrão se repete.” A equipa identificou três faixas de gás filamentar que, apesar de traçarem escalas muito diferentes, pareciam mostrar uma estrutura mais ou menos equidistante ao longo das suas cristas, como contas numa corda, sejam nuvens moleculares gigantes ao longo de um braço espiral ou pequenos “núcleos” formando estrelas ao longo de um filamento.

A equipa descobriu que as flutuações de velocidade associadas com a estrutura espaçada equidistantemente mostravam todas um padrão distinto. “As flutuações parecem ondas a oscilar ao longo das cristas dos filamentos, têm uma amplitude e comprimento de onda bem definidos,” diz Henshaw, acrescentando: “O espaçamento periódico das nuvens moleculares gigantes em grandes escalas ou núcleos individuais de formação estelar em pequenas escalas é provavelmente o resultado dos seus filamentos parentais se tornarem gravitacionalmente instáveis. Nós pensamos que estes fluxos oscilatórios são a assinatura do fluxo de gás ao longo dos braços em espiral ou convergindo para os picos de densidade, fornecendo novo combustível para a formação estelar.”

Em contraste, a equipa descobriu que as flutuações de velocidade medidas ao longo das nuvens moleculares gigantes, em escalas intermédias entre nuvens inteiras e os minúsculos núcleos no seu interior, não mostram escala característica óbvia. Diederik Kruijssen, co-autor do artigo com base na Universidade de Heidelberg, explica: “As estruturas de densidade e velocidade que vemos em nuvens moleculares gigantes não têm escala, porque os fluxos de gás turbulento que criam estas estruturas formam uma cascata caótica, revelando sempre flutuações menores à medida que aumentamos o zoom – como um floco de neve. Este comportamento sem escala ocorre entre dois extremos bem definidos: a grande escala de toda a nuvem e a pequena escala dos núcleos que formam estrelas individuais. Descobrimos agora que estes extremos têm tamanhos característicos bem definidos, mas entre eles o caos governa.”

“Imagine as nuvens moleculares gigantes como mega-cidades igualmente espaçadas e ligadas por rodovias,” diz Henshaw. “Do ponto de vista aéreo, a estrutura destas cidades, e dos carros e das pessoas que se movem entre elas, parece caótica e desordenada. No entanto, quando aumentamos o zoom em estradas individuais, vemos pessoas que viajaram de muito longe a entrar nos edifícios dos seus escritórios e de maneira ordenada. Os prédios representam os núcleos densos e frios de gás a partir dos quais nascem estrelas e planetas.”

Astronomia On-line
10 de Julho de 2020

 

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3980: A abundância de metais raros aponta para uma estrela companheira desaparecida da super-nova Cassiopeia A

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

O remanescente de super-nova Cassiopeia A, fotografado pelo Observatório de raios-X Chandra da NASA. Cálculos por cientistas do instituto RIKEN, com base em dados do Chandra, indicam que a estrela progenitora tinha uma companheira, que ainda não foi observada.
Crédito: NASA/CXC/SAO

Uma análise espectroscópica por astrofísicos do instituto RIKEN (Japão) sugere que a estrela massiva que explodiu para formar a super-nova conhecida como Cassiopeia A provavelmente tinha uma estrela companheira que ainda não foi descoberta. Isto dará um novo impulso aos esforços para localizar a companheira.

As super-novas estão entre os eventos mais violentos do Universo. Ocorrem quando uma estrela massiva esgota o seu reservatório de combustível e o seu núcleo colapsa sob a enorme atracção gravitacional da estrela.

Embora tenham sido apresentadas teorias que expliquem os processos envolvidos, ainda precisam de ser corroboradas por observações. “Os mecanismos de explosão de estrelas massivas são um problema de longa data na astrofísica,” observa Toshiki Sato, do Laboratório de Astrofísica de Alta Energia do RIKEN. “Temos cenários teóricos, mas gostaríamos de confirmá-los com observações.”

Um importante parâmetro no estudo da evolução das estrelas é a proporção de elementos mais pesados para o elemento mais leve, hidrogénio – uma proporção conhecida como metalicidade. Pouco depois do Big Bang, havia apenas três elementos: hidrogénio, hélio e lítio. Mas a cada geração sucessiva de estrelas, os elementos mais pesados tornaram-se mais abundantes.

A metalicidade inicial de uma estrela é um factor importante na determinação do seu destino. “A metalicidade inicial afecta a maneira como uma estrela morre,” diz Sato. “Portanto, é muito importante investigar a metalicidade inicial para entender como uma estrela explodiu.”

Agora, Sato e seus colegas determinaram pela primeira vez a metalicidade inicial de Cassiopeia A. Fizeram-no combinando dados de 13 observações da super-nova pelo Observatório de raios-X Chandra da NASA ao longo dos últimos 18 anos para encontrar a proporção do elemento manganês em relação ao cromo no momento da explosão. A partir deste rácio, estimaram que a metalicidade inicial de Cassiopeia A era menor do que a do Sol.

Cassiopeia A é conhecida por ser uma super-nova de invólucro despojado porque a sua camada externa de hidrogénio foi arrancada. Mas a baixa metalicidade inicial implica que o vento estelar teria sido demasiado fraco para remover a camada de hidrogénio. A única explicação que resta é que foi removida por uma estrela companheira – uma descoberta surpreendente, já que até ao momento não foi encontrada nenhum indício de uma estrela companheira.

“A razão pela qual nunca foi observada pode ser porque é um objecto compacto e fraco, como um buraco negro, uma estrela de neutrões ou uma anã branca,” diz Sato. “Este achado, portanto, fornece uma nova direcção para a compreensão da origem de Cassiopeia A. Esperamos que isto leve a um avanço significativo na compreensão do mecanismo das explosões de super-nova.”

Astronomia On-line
10 de Julho de 2020

 

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3979: Astronautas devem usar Vénus como “trampolim” para chegar a Marte, defendem cientistas

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Kevin Gill / Flickr

Vários especialistas defendem que os astronautas devem utilizar Vénus como “trampolim” para chegar até Marte, alegando que uma missão ao Planeta Vermelho baseada neste plano seria não só mais rápida como barata.

Tendo em conta a disposição do Sistema Solar, esta ideia pode parecer pouco plausível, mas há uma série de cientistas e engenheiros que acreditam que uma “paragem” no segundo planeta do Sistema Solar pode facilitar a vida a astronautas e/ou cosmonautas.

Em declarações ao portal Space.com, Noam Izenberg, geólogo planetário da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, defendeu que um voo para ou de Marte pode acontecer de forma mais rápida e barata se incluir um “sobrevoo de Vénus” na rota.

Izenberg e vários especialistas redigiram um artigo no qual apresentam esta solução e as suas alegadas vantagens. O documento, importa frisar, foi submetido na revista Acta Astronautica, carecendo agora de revisão de pares.

Segundo o artigo, usar Vénus como trampolim não é só uma opção para rumar a Marte, mas é também uma parte essencial para uma eventual missão tripulada a este mundo.

“Vénus é a forma de chegar a Marte”, considerou ao mesmo portal de ciência Kirby Runyon, geomorfologista planetário da Universidade Johns Hopkins, que também assina o artigo científico submetido na Acta Astronautica.

Tal como explica o Space.com, há duas opções para ficar entre Marte e a Terra.

Duas formas para chegar ao Planeta Vermelho

A mais simples das formas consiste numa missão conjunta, durante a qual uma nave espacial voa entre os dois planetas quando estes se alinham nas suas órbitas. Depois de chegar a solo marciano, os astronautas teriam que esperar que os dois mundos se voltassem a alinhar para regressar à Terra, podendo este espaço de tempo demorar cerca de um ano e meio. Esta é a “missão clássica”.

A segunda opção reside numa “missão de oposição”, durante a qual no caminho a Marte uma nave espacial passaria por Vénus, usando a gravidade do planeta para alterar o curso da viajem. O mesmo se aplicaria numa eventual viagem de regresso.

Seguir à boleia da gravidade de Vénus rumo a Marte reduziria drasticamente a quantidade de energia necessária para a missão, economizando combustível e carga e, consequentemente, também os custos globais da expedição seriam menores.

E é esta segunda hipótese que estes cientistas defendem. “É preferível voar para Vénus para conseguir uma assistência por gravidade a caminho de Marte”, sintetizou Paul Byrne, geólogo planetário da Universidade Estadual da Carolina do Norte, nos Estados Unidos, também da equipa que assinou o artigo.

A missão conjunta, apesar de parecer mais simples à primeira vista, tem poucas e específicas janelas de oportunidades, uma vez que as órbitas da Terra e Marte apenas se alinham uma vez a cada 26 meses. Na missão de oposição, uma nave espacial poderia ser lançada a cada 19 meses. Tendo em conta que a missão de oposição é mais rápida, esta forma faria também com que os astronautas passassem menos tempo em missão.

Simplifica bastante a logística de ir a Marte, especialmente na perspectiva da saúde da tripulação”, frisou Runyon. “Há ciência nos dois planetas por muito menos do que o preço de duas missões tripuladas separadas”, completou Byrne.

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10 Julho, 2020

 

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3978: Cientistas já sabem o que é o estranho gel encontrado no lado oculto da Lua

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

CNSA / CLEP

Uma equipa de cientistas da China conseguiu determinar a natureza da estranha substância espacial que gerou muito interesse desde que foi descoberta no ano passado pelo rover chinês Yutu-2 no lado oculto da Lua.

A “substância misteriosa” foi encontrada em Julho de 2019 em uma pequena cratera chamada Von Kármán. Naquela época, a equipa da missão afirmou que a extraordinária “forma e cor do material semelhante ao gel é significativamente diferente do solo lunar circundante”.

De acordo com o ScienceAlert, Sheng Gou e a sua equipa da Academia Chinesa de Ciências conseguiram decompor a luz reflectida na substância e determinar a sua composição química, além da do regolito circundante, que consiste principalmente de poeira e cascalho da Lua.

A análise mostrou que a substância é um fragmento de rocha que derreteu, provavelmente devido ao calor do impacto de um meteorito, para formar uma massa brilhante e vítrea.

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Chinese scientists reveal analysis of weird substance found on the moon’s far side by Yutu 2 rover dlvr.it/Rb89GK

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“Formou-se pela fusão gerada pelo impacto, cimentação e aglutinação de rególitos”, escreveram os investigadores no estudo que será publicado em agosto na revista científica Earth and Planetary Science Letters.

Os cientistas também foram conseguiram determinar que a brecha – um tipo de rocha composta por fragmentos de minerais cimentados juntos – é de cor verde escura e mede aproximadamente 52 por 16 centímetros.

Devido à pouca luz, a composição química da substância era mais difícil de decifrar, embora se calculasse que não seria muito diferente da do solo circundante. Os cientistas determinaram a presença de plagioclásio numa concentração de aproximadamente 38%.

Provavelmente, quando o meteorito atingiu a superfície, derreteu parte do regolito, que se misturou com o regolito não derretido para formar a brecha.

No entanto, o impacto não ocorreu necessariamente na cratera onde o material foi encontrado. É possível que se tenha formado numa cratera diferente e tenha sido ejectado, eventualmente aterrando onde Yutu-2 a encontrou.

A brecha é muito semelhante a duas amostras recuperadas pelas missões Apollo 15 e 17, Amostra Lunar 15466 e Amostra Lunar 70019, respectivamente. Ambas, recuperadas de crateras, também são classificadas como brechas. Nos dois casos, são feitas de pedaços de regolitos lunares e uma espécie de vidro preto.

Os cientistas admitem que o seu estudo tem limitações, principalmente pelo facto de não terem uma amostra real para analisar. Além disso, o Yutu-2 mudou de local e é improvável que seja obtido um segundo conjunto de imagens do objecto.

Essa é a primeira vez na história da exploração espacial em que a humanidade pousa uma nave no lado oculto da Lua, que até então somente havia sido estudado com voos orbitais e sondas que ficam na órbita da Lua.

O Chang’e-4 foi lançado em 7 de Dezembro de 2018. A sonda entrou na órbita lunar cinco dias depois e aterrou na superfície da lua em 3 de Janeiro de 2019. Nesse mês, a missão espacial chinesa conseguiu fazer brotar uma semente de algodão na Lua, que morreu pouco depois.

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10 Julho, 2020

 

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3977: Descoberto um pacífico “rio de estrelas” na Via Láctea. É o que resta da morte violenta de uma galáxia

CIÊNCIA/ASTROFÍSICA

(dr) ESA/Gaia/DPAC

Uma equipa de astrónomos descobriu um vasto fluxo de estrelas que acreditam ser os restos de uma galáxia anã maciça que foi arrastada para o disco galáctico antes de ser despedaçada.

De acordo com o modelo padrão da evolução do Universo, as galáxias crescem ao fundir-se a absorver galáxias mais pequenas. Existem muitas evidências desse processo na Via Láctea: foram identificados vários fluxos que foram ligados a galáxias anãs e aglomerados globulares interrompidos pelas forças de maré da galáxia.

O satélite Gaia, que foi lançado em 2013 e colhe dados para produzir o mapa 3D mais preciso da Via Láctea, está a estudar cuidadosamente os movimentos adequados, velocidades radiais e distâncias das estrelas para determinar onde tudo se localiza e como se move.

Esse processo está a revelar a história das altercações da Via Láctea com outras bolhas de estrelas – como Antlia 2, a Galáxia Anã Elíptica de Sagitário e a Salsicha Gaia. Porém, tudo isto foi identificado ao procurar coisas que se movem e são construídas de forma diferente. É mais difícil identificar uma galáxia fragmentada. Estrelas que se movem com a rotação do disco galáctico e têm composições químicas semelhantes às estrelas da Via Láctea podem ser negligenciadas.

Lina Necib, física teórica da Caltech e os seus colegas, aplicou uma rede neural para construir um catálogo de estrelas a partir do segundo lançamento de dados de Gaia do que tinha sido atirado para a galáxia – em vez de nascer na Via Láctea.

“A rede toma como entrada a cinemática tridimensional de cada estrela (duas coordenadas angulares, dois movimentos apropriados e paralaxe) e, em seguida, gera uma pontuação associada à probabilidade de a estrela ser acumulada”, explicaram os investigadores, de acordo com o ScienceAlert.

Quando extraíram as estrelas que a rede neural estava certa de que tinham sido acumuladas, a equipa encontrou um grupo de 232 estrelas, que se moviam juntas num movimento progressivo – com a rotação da galáxia – e com composições químicas semelhantes. A esse “rio de estrelas” chamaram Nyx, em homenagem à deusa grega da noite.

Quando simularam as órbitas dessas estrelas há mil milhões de anos, a equipa descobriu que possuíam propriedades orbitais diferentes das estrelas tanto no disco espesso como no disco fino da Via Láctea.

“Acoplar essa observação ao facto de Nyx ficar atrás do disco em ~90kms1 e ter um componente substancial de velocidade radial é um forte argumento de que é o resultado de uma fusão por satélite“, escreveram os cientistas.

Grupos estelares que se movem juntos podem ser criados por outros meios, como ressonâncias geradas por perturbações da barra galáctica ou ondas de densidade nos braços espirais – mas não se encaixam com Nyx. Simulações desses fenómenos não poderiam produzir o atraso de Nyx sem causar outros efeitos que não foram identificados nos dados.

A melhor teoria para seus dados é uma galáxia anã que, em algum momento da longa história da Via Láctea, foi sugada e esticada quando as estrelas começaram a orbitar o centro da Via Láctea.

É provável que Nyx contenha estrelas que não foram identificadas neste estudo, porque ficaram fora dos rígidos parâmetros inseridos na rede neural. No entanto, estudos futuros podem ajudar a esclarecer esse evento.

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Como também há evidências de que populações de estrelas acumuladas se correlacionam com aglomerados de matéria escura que se acredita terem sido absorvidos na fusão juntamente com as estrelas, Nyx pode ajudar a entender a forma como essas fusões contribuem para o disco de matéria escura de uma galáxia.

O estudo foi publicado esta semana na revista científica Nature Astronomy.

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9 Julho, 2020

 

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3976: Anãs brancas podem ser fonte de um elemento essencial para a vida no Universo

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

NASA, ESA and G. Bacon (STScI)
Representação artística da anã branca Sirius, a estrela mais brilhante no nosso firmamento

Uma nova análise sobre anãs brancas levada a cabo por uma equipa de cientistas internacionais sugere que os remanescentes estelares destes corpos podem ser uma importante fonte de carbono, um elemento essencial para a vida.

Em comunicado, os cientistas recordam que quase 90% de todas as estrelas completam o seu desenvolvimento sob a forma de uma anã branca, um remanescente estelar muito denso que arrefece e se atenua gradualmente ao longo de milhões de anos.

A nova investigação, cujos resultados foram esta semana publicados na revista científica especializada Nature Astronomy, concluiu que estes corpos, antes de serem completamente queimados, emitem as suas cinzas para o Espaço circundante através de ventos estelares enriquecidos com elementos químicos, incluindo carbono recém-sintetizado no interior profundo da estrela durante as últimas fases da sua vida.

Na mesma nota, os cientistas refere que, desde 2018, analisam e calculam massas de várias anãs brancas da Via Láctea e de outras galáxias do Universo.

“Usando a teoria da evolução estelar, fomos capazes de voltar às estrelas-mães‘ e derivar as suas massas à nascença”, explicou Enrico Ramirez-Ruiz co-utor do estudo e professor de Astronomia e Astrofísica na Universidade da Califórnia em Santa Cruz (EUA).

Por norma, quanto mais maciça é uma estrela ao nascer, mais maciça será também a anã branca no momento do seu desaparecimento, tendência que tem sido apoiada por várias observações e conjecturas teóricas.

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9 Julho, 2020

 

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3975: Área de gelo com a dimensão de duas Espanhas desapareceu no Mar de Wedell nos últimos cinco anos

CIÊNCIA/ANTÁRCTIDA

NASA

O gelo de marinho de verão na região do Grande Mar de Weddell, na Antárctida, diminuiu um milhão de quilómetros nos últimos cinco anos, concluiu uma nova investigação levada a cabo por uma equipa de cientistas internacionais.

Esta área “desaparecida” na região da Antárctida é duas vezes maior do que Espanha e mais de dez vezes o tamanho do território português.

Os resultados da investigação foram publicados na revista especializada Geophysical Research Letters, num artigo científico que detalha as implicações do desaparecimento desta massa de gelo para o ecossistema marinho.

Em comunicado, os cientistas alertam que o gelo marinho que circunda a Antárctida é um habitat importante para muitas espécies, incluindo pinguins e focas, que dependem destas massas de gelo para aceder a alimento e para se reproduzirem.

Para chegar a esta conclusão, escreve a agência espanhola Europa Press, os cientistas analisaram registos de satélite da extensão do gelo marinho e análises climáticas do final dos anos 70, tentando compreender porque é que o gelo marinho de verão na área Antárctida do Mar de Weddell se reduziu em um terço nos últimos cinco anos.

A equipa descobriu que a perda de gelo ocorreu devido a uma série de fortes tempestades no verão antárctico de 2016/17, sendo a situação também agravada pelo reaparecimento de uma área de água aberta no centro do “bloco de gelo” – área de águas abertas, conhecida como polínia -, que não ocorria desde meados da década de 70.

“O gelo marinho da Antárctida continua a surpreender-nos. Em contraste com o Ártico, o gelo em torno da Antárctida estava a aumentar a sua extensão desde a década de 1970, mas depois declinou rapidamente, registando níveis baixos, sendo o mais dos declínios [registado] no Mar de Weddell”, explicou o cientista climático do British Antarctic Survey, sediado em Cambridge (Reino Unido), e principal autor do estudo John Turner.

E alertou: “No verão, esta área possui agora um terço a menos de gelo marinho, [situação] que terá implicações para a circulação oceânica e para a fauna marinha da região”.

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9 Julho, 2020

 

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3974: A Grande Mancha Vermelha de Júpiter tem uma nova companhia

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Clyde Foster / NASA

Um astrónomo amador na África do Sul detectou uma nova mancha no hemisfério sul do maior planeta do Sistema Solar. A mancha, apelidada de “Mancha de Clyde”, aparece entre a icónica Grande Mancha Vermelha de Júpiter e o S2-AWO A7, outra grande tempestade a sudeste.

A nova mancha de Júpiter foi descoberta na manhã e 31 de maio por Clyde Foster, director da secção Shallow Sky da Sociedade Astronómica da África Austral (ASSA). Foster estava a observar Júpiter na época, identificando o local com um filtro sensível ao gás metano. A mancha não foi detectada pelos astrónomos na Austrália horas antes.

Num golpe de sorte, a nave espacial Juno, da NASA, fez o seu 27.º sobrevoo em Júpiter dois dias depois. “Dado o tempo, o facto de Juno estar numa órbita altamente alongada de 53 dias e capaz de capturar apenas uma fatia fina de Júpiter durante o sobrevoo, é uma coincidência notável”, escreveu Foster no site da ASSA.

Usando os dados colhidos durante o sobrevoo, o astrónomo amador Kevin M. Gill criou uma projecção de mapa combinando cinco imagens diferentes tiradas por Juno quando estava entre 45 mil e 59 mil quilómetros do topo das nuvens de Júpiter, mostrando a nova mancha em grande detalhe.

As imagens de Juno “mostram estruturas fascinantes dentro do sistema de tempestades que já estão a causar excitação na comunidade científica planetária”, escreveu Foster.

Conhecida como um “surto convectivo”, a mancha de Clyde é uma pluma de nuvens que se estende acima das camadas de nuvens. Tais características são facilmente detectáveis em comprimentos de onda de metano, aparecendo como manchas brilhantes.

De acordo com a NASA, surtos convectivos não são incomuns no cinturão do Sul Temperado de Júpiter, incluindo um que apareceu nesta faixa de latitude há dois anos.

Juno fará outro sobrevoo em 25 de Julho, quando a NASA terá outra visão aproximada dessa tempestade, para que se possa ver como este surto mudou ao longo dos dias e semanas desde a sua descoberta inicial.

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A mancha mais famosa do maior planeta do Sistema Solar é  Grande Mancha Vermelha, que é alvo de estudos há vários anos. Os cientistas chegaram mesmo a prever o pior: a tempestade está a diminuir e podia estar a morrer. Num estudo mais recente, concluiu-se que a Grande Mancha Vermelha de Júpiter pode até estar a encolher, mas a sua espessura manteve-se constante nas últimas décadas.

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Por ZAP
8 Julho, 2020

 

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