1157: A Terra precisará de 5 milhões de anos para recuperar da extinção em massa de mamíferos

CIÊNCIA

Mark Dumont / Flickr
O rinoceronte-negro, nativo de África, é uma das espécies em perigo iminente de extinção

Muitas espécies de mamíferos vão desaparecer nos próximos 50 anos se nada for feito pela sua conservação, e a natureza poderá demorar três a cinco milhões de anos a recuperar essa perda. A evolução das espécies não está a conseguir acompanhar as extinções em massa.

Uma equipa de cientistas das universidades de Aarhus, na Dinamarca, e de Gotemburgo, na Suécia, chegou a esta conclusão a partir de simulações computacionais sobre a evolução das espécies e de dados sobre a evolução das relações e do tamanho das espécies de mamíferos sobreviventes e extintas.

De acordo com o estudo, publicado nesta segunda-feira na revista PNAS, a evolução das espécies não está a acompanhar o ritmo a que as espécies estão a desaparecer.

Os cientistas estimam que serão necessários cinco a sete milhões de anos para que a biodiversidade entre os mamíferos volte aos patamares anteriores à evolução dos homens modernos, isto se, ressalvam, em geral, os mamíferos se diversificarem a uma taxa considerada normal.

Num cenário mais optimista, em que os humanos deixam de destruir os habitats naturais, serão precisos três a cinco milhões de anos para os mamíferos se diversificarem o suficiente para regenerarem os ramos da árvore da sua evolução que os cientistas estimam virem a perder-se nos próximos 50 anos.

Espécies de mamíferos “criticamente em perigo”, como o rinoceronte-negro, nativo de África, estão em risco elevado de desaparecer dentro de cinco décadas, advertem, realçando que, tal como no passado, muitas espécies poderão extinguir-se sem deixar um “parente” próximo que dê continuidade à linhagem.

A União Internacional para a Conservação da Natureza, citada pelo Science Alert, prevê que 99,9% das espécies “criticamente em perigo” e 67% espécies em risco de extinção serão perdidas nos próximos 100 anos.

Matt Davis / Aarhus University

O portal de Ciência nota ainda que as cinco extinções em massa registadas nos últimos 450 milhões de anos deveram-se a desastres naturais no entanto, agora o cenário é diferente – é a actividade humana que está a dizimar espécies de mamíferos.

Os investigadores salientam ainda que a sua análise poderá ser usada para priorizar a conservação de diferentes espécies ameaçadas de extinção.

ZAP // Lusa / Science Alert

Por ZAP
17 Outubro, 2018

 

1156: Encontrado vestígio de vida animal mais antigo de sempre

CIÊNCIA

Paco Cárdenas
Um retrato subaquático da espécie de Demospongiae moderna Rhabdastrella globostellata, que produz os mesmos esteróides que os pesquisadores encontraram em rochas antigas

Investigadores da Universidade da Califórnia afirmam ter descoberto o vestígio mais antigo de vida animal conhecido, de formas de vida que existiram há mais de 635 milhões de anos.

O estudo publicado esta segunda-feira na revista científica Nature Ecology & Evolution, descreve como a equipa liderada por Gordon Love, do departamento de Ciências da Terra, procurou vestígios moleculares de vida animal da era Neoproterozóica – entre 660 milhões e 635 milhões de anos.

Em rochas e óleos recolhidos em Omã, na Sibéria e na Índia, encontraram um composto esteróide que é produzido pelas esponjas marinhas, uma das primeiras formas de vida animal conhecidas.

Os investigadores consideram demonstrar ainda que já existiam formas de vida animal 100 milhões de anos antes do período Câmbrico, época em que houve uma explosão de quantidade e diversidade de formas de vida.

“Os fósseis moleculares são importantes para estudar os primeiros animais, uma vez que as primeiras esponjas seriam muito pequenas, não teriam esqueleto e não deixariam uma impressão fóssil forte ou até reconhecível”, afirmou Alex Zumberge, um dos autores do estudo.

O bio-marcador que encontraram tem uma estrutura única, e hoje em dia só se encontra sintetizado por certas espécies modernas de esponjas marinhas.

“Este esteróide é a primeira prova que as esponjas, portanto os animais multi-celulares, existiam nos mares da antiguidade pelo menos há 635 milhões de anos“, explicou Zumberge.

ZAP // Lusa

Por Lusa
16 Outubro, 2018

 

1155: QUAL É O ASPECTO DE UM BURACO NEGRO?

Imagem simulada de um buraco negro com acreção. O horizonte de eventos encontra-se no meio da imagem e a sombra pode ser vista com um disco de acreção em seu redor.
Crédito: Bronzwaer/Davelaar/Moscibrodzka/Falcke/Universidade Radboud

No centro da nossa Galáxia encontra-se um buraco negro super-massivo rodopiante chamado Sagitário A* ou Sgr A*, para abreviar. Durante milhares de milhões de anos, o gás e poeira em redor têm caído na sua direcção. E aproximadamente a cada 10.000 anos engole uma estrela próxima.

Sgr A* é o maior buraco negro do nosso céu nocturno, mas não sabemos qual o seu aspecto porque nunca conseguimos tirar uma fotografia do objecto. Isto é verdade para todos os buracos negros. São omnipresentes no nosso Universo, mas são tão pequenos no céu que não temos imagens detalhadas de nenhum.

As fotos que vemos na Internet ou em documentários televisivos são ilustrações ou simulações com base em evidências indirectas – observações da região do espaço em redor do buraco negro. Os cientistas não duvidam que os buracos negros existam, mas, sem uma imagem, não podem ter a certeza.

Mas tudo isto está prestes a mudar.

Nos últimos quatro anos, o professor de astrofísica John Wardle tem trabalhado com uma equipa de aproximadamente 200 cientistas e engenheiros para criar uma imagem de Sgr A* que será a primeira de um buraco negro. A iniciativa, de nome EHT (Event Horizon Telescope), terminou de recolher dados em Abril de 2017. Os investigadores estão actualmente a analisá-los. Dependendo dos resultados, a imagem que produzirem de Sgr A* pode parecer-se com uma destas:

Simulações de computador das imagens que os investigadores do EHT esperam obter. As regiões brilhantes são gás quente em redor do buraco negro. A região escura e circular é uma sombra provocada pela forte gravidade do buraco negro.
Crédito: EHT

Pode não parecer grande coisa, mas a criação desta imagem grosseira de Sgr A* é o equivalente a ler uma manchete de um jornal situado na Lua, a partir da Terra. De facto, é boa o suficiente para responder a algumas das nossas maiores dúvidas sobre um dos fenómenos mais misteriosos do Universo: qual o aspecto da luz e da matéria quando caem em direcção a um buraco negro? Qual é a composição das correntes de energia que são expelidas dos buracos negros? Qual é o papel dos buracos negros na formação das galáxias?

Embora improvável, os resultados do EHT podem até exigir ajustes na teoria geral da relatividade de Einstein. Mas antes de sabermos se um dos maiores cientistas de todos os tempos não está completamente certo, temos que começar com o básico.

Os factos

Normalmente, os buracos negros surgem quando uma estrela muito massiva queima o seu combustível nuclear e colapsa cataclismicamente num ponto incrivelmente denso, ou singularidade. Quando o gás, as estrelas e outros materiais chegam perto o suficiente do buraco negro, são atraídos para o seu horizonte de eventos, uma concha imaginária em redor da singularidade. Nada que atravesse o limiar do horizonte de eventos pode escapar à atracção gravitacional do buraco negro. À medida que a matéria cai, o buraco negro torna-se mais massivo e o horizonte de eventos expande-se.

Os buracos negros estão por toda a parte. Os supermassivos encontram-se no centro da maioria das galáxias. Os buracos negros menos massivos são muito mais comuns. A nossa Galáxia, a Via Láctea, tem provavelmente uns 100 milhões de buracos negros, embora só tenhamos identificado algumas dúzias.

Quanto a Sgr A*, está a mais ou menos 26.000 anos-luz da Terra e tem uma massa equivalente a quatro milhões de vezes a massa do Sol. Isso torna-o “fraco” em comparação com outros buracos negros supermassivos, comenta Wardle. O outro buraco negro super-massivo que o EHT estuda, Messier 87 (M87), situado no centro do enxame galáctico de Virgem, tem uma massa de quase sete mil milhões de vezes a massa do Sol. O EHT escolheu Sgr A* e M87 porque são os maiores buracos negros supermassivos quando vistos da Terra. São os candidatos mais fáceis e acessíveis para estudo.

Mas como é que podemos tirar uma foto de um buraco negro quando este é, como o nome indica, negro?

Na realidade, os buracos negros são tão escuros quanto a escuridão do espaço. Qualquer luz que lá entre, nunca escapa. Mas, em redor de um buraco negro, existe luz de um redemoinho luminoso de matéria super-aquecida que ainda não caiu no buraco negro. Quando a luz passa perto do horizonte de eventos, é dobrada e distorcida pela forte força da gravidade do buraco negro.

Este efeito delimita uma região escura chamada sombra do buraco negro. Pensa-se que o tamanho da sombra seja duas vezes e meia o tamanho do horizonte de eventos. O tamanho do horizonte de eventos é proporcional à massa do buraco negro. Para Sgr A*, o seu diâmetro ronda os 24 milhões de quilómetros. E o diâmetro de M87, o outro buraco negro que o EHT está a estudar, é mil vezes superior.

Ou seja: através do estudo da sombra do buraco negro, os investigadores do EHT podem descobrir muito sobre o buraco negro. De modo que, tecnicamente falando, os cientistas do EHT não vão produzir uma imagem de um buraco negro. Vão usar a informação sobre a sombra para deduzir informação sobre o buraco negro.

Mas já que fotografar um buraco negro não é uma opção (pelo menos no presente), os cientistas consideram uma imagem da sombra uma evidência conclusiva da existência de um buraco negro.

E é aqui que entra John Wardle. Quando Wardle começou a sua carreira em astrofísica, no final da década de 1960, analisando as ondas de rádio emitidas pelas galáxias, “os buracos negros eram apenas uma curiosidade que podia ou não existir,” explica. “Era um campo mais ou menos desonroso para um astrónomo.”

Mas, alguns anos mais tarde, o campo floresceu e, dado que os buracos negros libertam jactos energéticos que emitem ondas de rádio, ele foi naturalmente atraído na sua direcção. Como parte do Grupo de Radioastronomia Brandeis, Wardle estuda as “galáxias activas”, um tipo relativamente raro de galáxia super-luminosa com buracos negros supermassivos no seu centro.

A rede

Sgr A* é tão pequeno no céu que não temos um único telescópio na Terra que possa observá-lo com detalhe suficiente a fim de criar uma fotografia de alta-resolução. Os cientistas do EHT superaram este obstáculo ligando sete telescópios espalhados pelo globo através de uma técnica chamada VLBI (very long baseline interferometry). O resultado foi um “telescópio virtual” com o poder de resolução de um telescópio do tamanho do diâmetro da Terra.

Durante uma semana em Abril de 2017, todos os sete telescópios do EHT captaram sinais de Sgr A*. Sete relógios atómicos registaram o tempo de chegada dos sinais em cada telescópio. A natureza dos sinais e o tempo de chegada em cada telescópio vai permitir com que os cientistas trabalhem para trás e construam uma imagem de Sgr A*. Isto vai demorar algum tempo. Os telescópios do EHT recolheram suficientes dados para encher 10.000 portáteis.

Grandes jactos

Wardle está especialmente interessado em descobrir mais sobre os enormes jatos de energia que fluem dos buracos negros. Os jactos formam-se quando a matéria fora de um buraco negro é aquecida a milhares de milhões de graus. Gira no que é chamado de disco de acreção. Parte passa pelo ponto de não retorno, o horizonte de eventos, e entra no buraco negro.

Mas os buracos negros produzem muita bagunça quando comem. Alguma da matéria é cuspida sob a forma de jactos bem focados (colimados). Os jactos viajam por milhares de anos-luz perto da velocidade da luz.

É possível que não existam actualmente jactos oriundos de Sgr A*. Não tem estado muito activo nas últimas décadas. Mas caso existam, os telescópios do EHT terão captado os seus sinais de rádio. E a equipa científica pode usar a informação para tentar e responder ao que Wardle diz serem as grandes perguntas sobre os jactos:

  • De que são feitos? Electrões e positrões, electrões e protões, ou campos electromagnéticos?
  • Como é que começam?
  • Como é que aceleram até perto da velocidade da luz?
  • Como é que permanecem tão focados?

E agora, finalmente, chegamos a Einstein

Até muito recentemente, as evidências em suporte da teoria da relatividade geral vieram de observações do nosso Sistema Solar. Mas as condições na nossa minúscula zona do Universo são muito calmas. As condições extremas encontradas perto de um buraco negro vão submeter a teoria da relatividade geral ao teste final.

A teoria da relatividade geral deve descrever com precisão como a luz se curva à medida que a enorme atracção gravitacional do buraco negro curva o espaço-tempo e atrai tudo na sua direcção. Os dados recolhidos pelo EHT vão fornecer medições deste fenómeno que podem então ser comparados com as previsões de Einstein.

As fórmulas da relatividade geral também sugerem que a sombra projectada pelo disco de acreção em redor de Sgr A* será quase circular. Se tiver a forma de um ovo, isso também nos dirá que algo está errado na teoria da relatividade geral.

Wardle pensa que a teoria da relatividade geral vai resistir aos testes. Ainda assim, há sempre a hipótese de “ter que ser ajustada”, realça. “Estaremos então em ‘maus lençóis’, porque não podemos fazer alterações que estragam todas as outras partes que estão a funcionar. Isso seria muito excitante.”

Astronomia On-line
16 de Outubro de 2018

 

ESTRELA MORIBUNDA “SUSSURRA”

Os três painéis representam momentos antes, durante e depois da ténue super-nova iPTF 14gqr, visível no painel do meio, ter aparecido nas orlas de uma galáxia espiral situada a 920 milhões de anos-luz. A estrela massiva que morreu na super-nova deixou para trás uma estrela de neutrões num sistema binário muito íntimo. Estes densos remanescentes estelares vão, em última análise, espiralar um para o outro e fundir-se numa espectacular explosão, libertando ondas gravitacionais e electromagnéticas.
Crédito: SDSS/Caltech/Keck

Uma equipa de investigadores do Caltech observou a morte peculiar de uma estrela massiva que explodiu como uma super-nova surpreendentemente fraca e que rapidamente desvaneceu. Estas observações sugerem que a estrela tem uma companheira invisível, desvinculando gravitacionalmente a massa da estrela para deixar para trás uma estrela “despida” que explodiu como uma rápida super-nova. Pensa-se que a explosão tenha resultado numa estrela de neutrões moribunda que orbita a sua companheira densa e compacta, sugerindo que, pela primeira vez, os cientistas testemunharam o nascimento de um sistema binário e compacto composto por estrelas de neutrões.

A investigação foi conduzida pelo estudante Kishalay De e está descrita num artigo publicado na edição de 12 de Outubro da revista Science. O trabalho foi feito principalmente no laboratório de Mansi Kasliwal, professora assistente de astronomia. Kasliwal é a investigadora principal do projecto GROWTH (Global Relay of Observatories Watching Transients Happen), liderado pelo Caltech.

Quando uma estrela massiva – com pelo menos oito vezes a massa do Sol – fica sem combustível para queimar no seu núcleo, o núcleo colapsa sobre si próprio e depois rebate para fora numa poderosa explosão chamada super-nova. Depois da explosão, todas as camadas exteriores da estrela foram destruídas, deixando para trás uma densa estrela de neutrões – mais ou menos do tamanho de uma cidade pequena, mas contendo mais massa do que o Sol. Uma colher de chá de uma estrela de neutrões pesaria tanto quanto uma montanha.

Durante uma super-nova, a estrela moribunda repele todo o material nas suas camadas exteriores. Normalmente, corresponde a algumas vezes a massa do Sol. No entanto, o evento que Kasliwal e colegas observaram, denominado iPTF 14gqr, expeliu matéria com apenas um-quinto da massa do Sol.

“Nós observámos o colapso desta estrela massiva, mas vimos uma quantidade notavelmente pequena de massa ejectada,” realça Kasliwal. “Chamamos a isto uma super-nova de invólucro ultra-despojado e há muito que se previa a sua existência. Esta é a primeira vez que vimos, de forma convincente, o colapso do núcleo de uma estrela massiva que está tão desprovida de matéria.”

O facto da estrela sequer ter conseguido explodir implica que devia estar previamente envolvida por uma grande quantidade de material, ou o seu núcleo nunca se teria tornado massivo o suficiente para colapsar. Mas onde estava então a massa perdida?

Os cientistas inferiram que a massa deve ter sido roubada – a estrela deve ter algum tipo de companheira densa e compacta, ou uma anã branca, uma estrela de neutrões ou um buraco negro – suficientemente perto para extrair gravitacionalmente a sua massa antes que explodisse. A estrela de neutrões que ficou para trás, aquando da super-nova, deve então ter nascido em órbita daquela companheira densa. A observação de iPTF 14gqr foi na realidade a observação do nascimento de um sistema binário compacto composto por duas estrelas de neutrões. Dado que esta nova estrela de neutrões e a sua companheira estão tão perto uma da outra, eventualmente fundir-se-ão numa colisão semelhante ao evento de 2017 que produziu tanto ondas gravitacionais como ondas electromagnéticas.

Não só iPTF 14gqr é um evento notável como o facto de sequer ter sido observado foi fortuito, uma vez que estes fenómenos são raros e de curta duração. De facto, foi somente através das observações das fases iniciais da super-nova que os investigadores puderam deduzir as origens da explosão como uma estrela massiva.

“Precisamos de levantamentos de transientes rápidos e uma rede bem coordenada de astrónomos, espalhados pelo mundo, para realmente capturar a fase inicial de uma super-nova,” realça De. “Sem os dados na sua infância, não podíamos ter concluído que a explosão deve ter originado no núcleo em colapso de uma estrela massiva com um invólucro de aproximadamente 500 vezes o raio do Sol.”

O evento foi visto pela primeira vez no Observatório de Palomar como parte do iPTF (intermediate Palomar Transient Factory), um levantamento nocturno do céu que procura eventos cósmicos transitórios, ou de curta duração, como super-novas. Dado que o levantamento iPTF mantém um olhar tão atento no céu, iPTF 14gqr foi observado nas primeiras horas após a explosão. À medida que a Terra girava e o telescópio Palomar se movia para fora do campo de observação, os astrónomos de todo o mundo colaboraram para monitorizar iPTF 14gqr, observando continuamente a sua evolução com uma série de telescópios que hoje formam a rede GROWTH de observatórios.

O Complexo Transiente Zwicky, o sucessor do iPTF no Observatório Palomar, está a examinar o céu de forma ainda mais ampla e frequente na esperança de capturar mais destes eventos raros, que representam apenas 1% de todas as explosões observadas. Estes levantamentos, em parceria com redes de acompanhamento coordenado como o GROWTH, permitirá que os astrónomos entendam melhor como os sistemas binários evoluem a partir de estrelas binárias massivas.

Astronomia On-line
16 de Outubro de 2018

 

1153: Cientistas alcançam a primeira aceleração de electrões em ondas de plasma

rupertomiller / Flickr
Detalhe do LHC, Large Hadron Collider, acelerador de partículas do CERN

Físicos demonstraram uma nova técnica para acelerar electrões a energias muito altas em distâncias muito curtas, uma técnica que permitirá alcançar novos avanços na física de partículas a preços mais modestos.

O Large Hadron Collider (LHC) da Organização Europeia para Pesquisa Nuclear (CERN) é considerado o maior acelerador de partículas do mundo. O acelerador encontra-se num túnel de 27 quilómetros de circunferência, a uma profundidade de 175 metros abaixo da fronteira franco-suíça, em Genebra. Foi ele o principal responsável pela descoberta do bosão de Higgs.

Apesar de ter havido alguns desenvolvimentos na tecnologia do acelerador de partículas, as tecnologias usadas até hoje só podem ser aprimoradas e expandidas com uma grande despesa. Esta razão financeira faz com que seja mais difícil tornar os aceleradores de alta energia mais úteis… mas é extremamente necessário.

Uma equipa internacional de físicos, que trabalha no Advanced Acceleration Acceleration Driven Plasma Wakefield (AWAKE), no CERN, realizaram uma experiência inovadora que demonstra uma nova forma de acelerar electrões a altas energias, reduzindo drasticamente o tamanho dos aceleradores e, assim, reduzindo, também drasticamente, os custos. O artigo científico foi publicado no dia 29 de Agosto na revista Nature.

“Esta recente tecnologia desenvolvida pelo AWAKE vai concretizar uma mudança de paradigma no desenvolvimento de futuros aceleradores de partículas de alta energia”, diz Moses Chung professor e membro da equipa.

“Esta conquista poderá permitir que os engenheiros reduzam drasticamente o tamanho dos aceleradores de partículas, reduzindo as vastas quantias de dinheiro normalmente necessárias para construí-los”. Além disso, acrescenta, “as colisões de partículas de alta energia que essas instalações produzem permitem que os físicos investiguem as leis fundamentais da natureza, fornecendo a base para avanços futuros”.

Habitualmente, as ferramentas usadas nas experiências da física de partículas usam campos eléctricos oscilantes – as cavidades de radiofrequência – e ímanes de alta potência para acelerar partículas a altas energias.

Como uma opção alternativa e mais em conta surge o acelerador wakefield: os físicos enviam um feixe de electrões, protões ou lasers através de um plasma. Os electrões livres no plasma movem-se em direcção ao feixe, ultrapassam-no e regressa, criando uma bolha atrás do feixe e campos eléctricos intensos.

Os campos eléctricos extremamente fortes foram conseguidos através de um conjunto de electrões, que foram acelerados até 2GeV em, aproximadamente, 10m de plasma e medidos usando um espectrómetro magnético. Segundo o EurekAlert, esta técnica tem o potencial de acelerar os electrões para a escala TeV em apenas único estágio de aceleração.

O programa está ainda em fase inicial, mas promete ser um passo importante no caminho para a realização de novas experiências de física de partículas de alta energia.

ZAP //

Por ZAP
16 Outubro, 2018

 

1152: Todas as missões da NASA deveriam procurar vida extraterrestre

NASA Ames/JPL-Caltech/T. Pyle

A procura por sinais de vida alienígena deve fazer parte de todas as missões futuras da NASA. A organização deve expandir o seu leque sobre possíveis sinais extraterrestres, de forma a conseguir identificá-los, aponta um novo estudo.

Assinado por 17 cientistas, o relatório foi patrocinado pela agência espacial norte-americana e desenvolvido pelas Academias Nacionais de Ciência, Engenharia e Medicina dos Estados Unidos, tendo sido apresentado no passado dia 10 de Outubro.

A publicação sublinha a importância da astrobiologia – a Ciência que estuda a origem, evolução, distribuição e o futuro da vida na Terra e em todo o Universo. De acordo com o signatários do estudo, todas as missões futuras da NASA deve ter em conta a astrobiologia em todo o processo, desde de a “concepção e conceptualização até ao planeamento e ao desenvolvimento” das próprias operações.

Nos últimos anos, tal como nota o Live Science, os astrofísicos têm detectado milhares de planetas potencialmente habitáveis para lá do Sistema Solar. Além disso, os biólogos têm também descoberto novas pistas sobre a complexidade e a diversidade da vida na Terra.

Por tudo isto, e tendo em conta que estas descobertas poderão ser aplicadas noutros mundos distantes do nosso, os cientistas defendem que todas as missões devem incorporar traços de organismos alienígenas.

A nossa visão do Universo está agora mais repleta de planetas do que nunca. Os 2300 exoplanetas descobertos e confirmados pela missão Kepler levaram os cientistas a acreditar que pelo menos seis de cada dez estrelas poderiam orbitar planetas semelhantes à Terra, considerou Alan Boss, um dos astrónomos participantes no estudo.

O enorme número de exoplanetas recém-descobertos oferece novas e interessantes oportunidades para encontrar bio-assinaturas (traços ou marcadores químicos que indiciam sinais de vida), notou Boss – e é exactamente isso que os cientistas devem procurar.

Astrobiologia, uma Ciência pluridisciplinar

Os cientistas sublinharam no relatório a pluralidade da Astrobiologia, área de estudo que abrange várias outras, como a Física, Química, Biologia, Astronomia e Ciência Planetária. Estas áreas, de forma individual e, ao mesmo tempo, partilhada, podem ajudar a resolver o enigma de como é que a vida pode emergir e evoluir noutros mundos diferentes da Terra.

Os avanços recentes, especialmente nos últimos três anos, exigem uma nova estratégia, que fortaleça o papel da Astrobiologia nas missões da NASA, nota a publicação.

Os especialistas recomendam ainda que a NASA acelere no desenvolvimento de novas tecnologias para detectar organismos microscópicos, notando a falta de um único “instrumento pronto a voar“, que seja capaz de viajar para um mundo distante, medindo e detectando os seus elementos, minerais e matéria orgânica.

O relatório sugere ainda que os sistemas de imagem directa que suprimem a luz das estrelas devem ser usados fora do nosso Sistema Solar, de forma a melhorar a identificação de bio-assinaturas oriundas de planetas que orbitam estas estrelas – estes ambientes com luz suprimida seria mais amigáveis para os extraterrestres-

Além disso, acrescentam, a NASA deve ainda apostar em missões sob a superfície dos exoplanetas – sejam estes mundos rochosos, gelados ou oceânicos – para encontrar vida alienígena subterrânea.

Sinteticamente, os cientistas reiteram que é necessário refinar a procura e os métodos utilizados para encontrar os nossos vizinhos extraterrestres – estejam estes no nosso Sistema Solar ou a anos-luz de distância. É imperativo procurar mais e melhor.

Por ZAP
16 Outubro, 2018

 

1151: Seis aviões comerciais avistam OVNIs no Chile

Bueggel / Flickr
O Chile é um dos países que mais documenta objetos voadores não identificados

Pelo menos seis aviões comerciais — cinco deles da Latam Chile e um da Copa Airlines — comunicaram ao Comité de Estudos de Fenómenos Aéreos Anómalos (CEFAA) o avistamento de objectos voadores não identificados no norte do Chile.

O fenómeno ocorreu na madrugada de 7 de Maio, a cerca de 1.350 quilómetros a norte de Santiago, perto da cidade de Antofagasta. Porém, só agora foi disponibilizado um vídeo no YouTube que mostra o diálogo entre os pilotos das aeronaves com o controlador de voo.

No vídeo, é possível ouvir o piloto do voo Copa 174 informar que na altura do posto de controle aéreo Livor, a 380 quilómetros do litoral de Antofagasta, era possível visualizar três luzes. “Não sabemos o que é“, disse, pouco antes de informar que uma das luzes desapareceu. Em seguida, o piloto do voo Latam 639 entra em contacto com a torre de controle e declara que também está a ver as luzes “aparentemente, sobre o mar”.

O piloto do Latam 2473 responde que também está ver as luzes e, depois o voo Latam 79 também informa que uma luz no nível do mar pode ser vista intensificando o seu brilho, acabando depois por desaparecer.

Nesse momento, o primeiro piloto informa que consegue ver três luzes à esquerda da aeronave: “As luzes estão a movimentar-se e aumentam e diminuem de intensidade. Vamos virar à direita pois parece que se estão a aproximar“, diz o piloto do voo Copa 174.

O voo Latam 501 também confirma que avistou os Ovnis e o Copa 174 volta a falar: “Que fenómeno estranho! Agora, temos três luzes em forma de triângulo“. Logo após esse momento, o piloto do voo Latam 577 situou as luzes quilómetros de Livor.

O Chile é um dos países que mais documenta objectos voadores não identificados no seu território aéreo, a par dos Estados Unidos, Peru, Rússia e Brasil. Nos últimos 65 anos, mais de 600 relatos foram registados.

Os diálogos entre os pilotos e controladores de voo podem ser ouvidos no vídeo abaixo, após o 4º minuto, com legendas e áudio em espanhol.

ZAP // CanalTech

Por CT
15 Outubro, 2018

 

Stephen Hawking previu raça de “super-humanos” que irá destruir a humanidade

O físico e cosmólogo britânico, que morreu no passado mês de Março, deixou artigos e ensaios nos quais prevê a existência de uma raça modificada geneticamente que irá acabar por destruir a humanidade

O físico e cosmólogo britânico Stephen Hawking morreu no dia 14 de Março
© REUTERS/Lucas Jackson

Antes de morrer, Stephen Hawking deixou um aviso: o físico britânico previu que os avanços na engenharia genética vão levar à criação de uma raça de super-humanos, que acabará por destruir a humanidade.

“Acredito que durante este século, as pessoas vão descobrir como modificar a inteligência e os instintos, tal como a agressão. ​​​Vão ser criadas leis contra a engenharia genética em humanos, mas algumas pessoas não vão ser capazes de resistir à tentação de melhorar as características humanas como a memória, a resistência a doenças e a longevidade da vida”, escreveu Stephen Hawking num conjunto de artigos e ensaios, revelados pelo The Sunday Times , e que vão ser publicados esta terça-feira, 16 de Outubro, no livro “Brief Answers to the Big Questions” (“Breves Respostas para as Grandes Questões”, em tradução livre).

Nos seus últimos pensamentos, o físico e o cosmólogo britânico, que morreu no dia 14 de Março, aos 76 anos, refere que as pessoas mais ricas vão, em breve, poder editar o seu próprio ADN e o dos seus filhos com o objectivo de “criar super-humanos com uma memória aprimorada, resistência a doenças, inteligência e longevidade”, escreve a publicação.

Edição genética

Estes super-humanos vão ser uma ameaça à humanidade, avisa Stephen Hawking nos artigos e ensaios que deixou. O professor britânico, que sofria de esclerose lateral amiotrófica, diagnosticada aos 21 anos, refere nos textos que quem não conseguir recorrer à alteração genética vai sofrer com a raça modificada. “Assim que os super-humanos aparecerem vai haver problemas políticos significativos com os humanos que não foram melhorados, que não serão capazes de competir”, argumenta. Hawkings refere que os humanos comuns vão, presumivelmente, acabar por “morrer, ou deixar de ter importância”.

No conjunto de artigos e ensaios, o físico alerta para a possibilidade de existir no futuro “uma raça de seres auto desenhados que vai melhorando a um ritmo acelerado”.

De acordo com o The Guardian, as afirmações de Stephen Hawkings são baseadas na técnica de edição genética CRISPR-Cas9, que permite cortar o genoma (informação genética modificada no ADN) onde se quer para depois repará-lo. Um sistema que tem gerado controvérsia entre a comunidade científica.

Diário de Notícias
DN
15 Outubro 2018 — 15:14

 

1149: NASA tem esperança que os ventos de Marte reanimem a Opportunity

NASA/JPL-Caltech/Cornell/Arizona State Univ.
Imagens da câmara panorâmica da Opportunity

Os ventos fortes, que se fazem sentir em Marte num determinado período do ano, poderão ajudar a limpar a poeira dos painéis solares do rover Opportunity, que está adormecido desde Junho. De acordo com a NASA, a comunicação poderá ser finalmente restabelecida.

“Um período ventoso em Marte — conhecido pela equipa da Opportunity como ‘período para limpar a poeira’ – ocorre entre Novembro e Janeiro e já ajudou a limpar os painéis solares de rovers no passado. A equipa tem esperança que a limpeza de alguma da poeira possa resultar em algum tipo de comunicação durante este período”, escreveram o cientistas da NASA na sua página oficial.

No início do mês de Junho, Marte foi assolado por uma enorme tempestade de areia que atingiu a zona onde Opportunity estava localizada. Passados poucos dias, a situação agravou-se tanto que os cientistas foram obrigados a accionar o regime de emergência do rover, desligando assim todas as suas ferramentas à excepção dos relógios.

Em meados de Junho, as imagens de Curiosity – a sonda companheira de Opportunity no Planeta Vermelho – mostraram que a tempestade atingiu todas as zonas de Marte. Foi só no final do mês de Julho que a cortina de poeira começou gradualmente a baixar.

O problema surgiu de forma inesperada e, apesar de se manter já há alguns meses, a NASA continua a tentar estabelecer contacto com o rover. Recentemente, a sonda norte-americana MRO encontrou a Opportunity e, através das fotografias que recolheu, dá para perceber que a sonda não estava coberta de areia, mas ainda não é certo por que motivo o rover é incapaz de entrar em contacto com a Terra.

Mesmo que a Opportunity continue “adormecida” até Novembro, os cientistas da NASA vão continuar a tentar estabelecer contacto com a sonda até ao final do ano. Só aí é que serão discutidos os próximos passos, que incluem a finalização da missão.

O robô encontra-se em Marte desde 2004. Inicialmente, foi concebido para durar apenas 3 meses, mas continuou a operar durante quase 15 anos.

Por SN
15 Outubro, 2018

 

1148: Se não pararmos de comer carne, vamos acabar com o planeta

CIÊNCIA

luderbrus / Flickr

Cada cidadão deverá reduzir em 75% o seu consumo de carne de vaca, 90% de carne de porco, comer metade da quantidade de ovos e triplicar o consumo de sementes e frutos secos.

Segundo um estudo publicado esta quinta-feira na revista Nature, o consumo de carne de vaca teria de descer em 90% nos países ocidentais para que conseguíssemos evitar mudanças muito perigosas no ambiente.

Esta e outras recomendações são de alguns investigadores da Universidade de Oxford, que recomendam a redução drástica do consumo de carne para evitar alterações climáticas com efeitos devastadores.

Ao The Guardian, Marco Springmann, investigador e professor na Universidade de Oxford que liderou a investigação, disse que, actualmente, “estamos mesmo a arriscar a sustentabilidade de todo o sistema. Se estamos interessados em que as pessoas consigam comer e produzir, temos de reduzir o consumo de carne”, alertou.

Desta forma, a solução proposta pelos cientistas passa por diminuir drasticamente o consumo de carne e substituí-la por proteína animal, optando assim pelo consumo de legumes e leguminosas.

Segundo o estudo recentemente tornado publico, cada cidadão deveria reduzir em 75% o consumo de carne de vaca, em 90% o de carne de porco e comer metade da quantidade de ovos. No que diz respeito ao consumo de leguminosas, este deveria triplicar. Já o consumo de frutos secos e sementes deveria quadruplicar.

O Jornal Económico avança que a indústria agropecuária é a que mais danos causa a nível ambiental, graças à emissão de gases de efeito de estufa, à desflorestação, às quantidades de água que não são utilizadas e à contaminação de aquíferos subterrâneos.

Além desta informação – que não é propriamente uma novidade – o estudo apresenta uma previsão: se não houver uma intervenção, tudo irá ficar muito pior, dado que se prevê que a população cresça em 2,3 mil milhões em 2050, alcançando assim os 9,8 mil milhões de habitantes.

O crescimento da população estimula invariavelmente a criação de animais para consumo humano, que se está a tornar cada vez mais insustentável. Os países acidentais têm a maior culpa no cartório, dado que muitas das suas dietas são à base de produtos agropecuários.

Ainda que os investigadores lancem o alerta, admitem que esta mudança passa também pelos governos, através de políticas de educação, criação de taxas sobre os alimentos e concessão de subsídios para a produção de alimentos sustentáveis.

Isto significa que a atenção na produção de gado não é suficiente. É também necessário um cuidado adicional com os produtos de origem agrícola.

“Acho que conseguimos mudar, mas temos de ter governos mais pro-activos. As pessoas podem contribuir para a mudança se alterarem a sua alimentação, mas também se procurarem os seus políticos para lhes dizerem que precisam de ter melhores leis ambientais. Isso é muito importante”, concluiu Springmann.

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Por ZAP
15 Outubro, 2018