2755: Ilha dos dragões-de-Komodo não fecha aos turistas. Mas as visitas ficam muito caras

Linh Vien Thai / Flickr
Dragões-de-Komodo

Depois de meses de debates, a Indonésia decidiu, ao contrário do planeado, que a ilha dos dragões-de-Komodo não será encerrada. As autoridades queriam fechar a ilha para proteger e regenerar a espécie, mas o plano agora é controlar o número de turistas e aumentar a taxa de entrada: dos actuais cerca de 9 euros por pessoa, passar-se-á para um sistema de acessos que pode ultrapassar 900 euros.

A razão oficial para a desistência do encerramento da ilha, segundo disse à Reuterscitada pelo Público – o ministro do ambiente, Siti Nurbaya Bakar, passa por se ter chegado à conclusão de que a população de dragões se tem mantido estável, de 2002 a 2019, e que, portanto, “não há nenhuma ameaça ou declínio” que imponha medidas tão radicais.

O projeto inicial das autoridades indonésias passava também pela transferência temporária dos habitantes da ilha, uma proposta que foi recebida com muitas críticas e oposição local. Com a nova decisão, os cerca de dois mil habitantes permanecerão na sua ilha e continuarão a lucrar com o turismo, agora mais contido e muito mais caro.

“A ilha não vai fechar. Vamos reorganizar a ilha, em colaboração com o Governo local e as instituições envolvidas”, anunciou o ministro para os Assuntos Marítimos da Indonésia, Luhut Binsar Pandjaitan, citado pela agência Antara. “Será aplicada uma restrição ao número de turistas que podem visitar a ilha através de um sistema de bilhetes”, acrescentou, após uma reunião com responsáveis do Parque Nacional de Komodo.

O sistema tem dois pilares básicos: quem comprar um acesso ‘premium’ poderá visitar a ilha de Komodo; quem não tiver este nível de acesso, só poderá visitar as outras ilhas do parque, como Rica, que também tem dragões – o parque tem 147 ilhas e contabiliza cerca de 2800 dragões (cerca de 1800 vivem na ilha de Komodo).

O Governo planeia investir 7,17 milhões de dólares (6,56 milhões de euros) na recuperação da ilha e na protecção dos dragões, incluindo a criação de um centro de investigação.

Também o “crescimento da comunidade na ilha será restringido”, disse o porta-voz do Governo da região, Marius Jelamu, à BBC. Isto para que “a vila não se torne demasiado grande a ponto de ameaçar os esforços de conservação”.

A BBC adiantou que o sistema de acessos ‘premium’ poderá atingir os 1000 dólares (914,60 euros), mas os detalhes de como irá funcionar ainda são desconhecidos. Já outros media, como o Guardian ou Deutsche Welle, ​apontam como referência metade desse valor, 500 dólares (457,45 euros).

“As pessoas vão ter de se tornar sócias e pagar mil dólares para poderem entrar [na ilha] durante um ano”, explicou também à BBC o governador regional, Viktor Bungtilu Laiskodat, citado pelo Diário de Notícias. Um preço que o mesmo considerou “barato” tendo em conta que permite o acesso a animais e a um habitat únicos.

Entre 2008 e 2018 o número de turistas passou de 44 mil para 176 mil.

ZAP //

Por TP
2 Outubro, 2019

 

1944: Vulcão Sinabung entra em erupção. É um dos maiores da Indonésia

YT Haryono / EPA
Erupção do monte Sinabung, um dos maiores vulcões da Indonésia, 26 de Agosto de 2016

Um vulcão da Indonésia entrou em erupção esta terça-feira, libertando grande quantidade de fumo a 2.000 metros, cobrindo os vilarejos da região de cinzas.

O vulcão Sinabung, na ilha de Sumatra, está activo desde 2010 e entrou em erupção pela última vez em 2016. Nos últimos dias, a sua actividade disparou. Os vilarejos próximos foram avisados do risco de lava.

O gabinete de gestão de catástrofes afirmou que a erupção pode afectar o tráfego aéreo. Contudo, até ao momento, não foi emitido qualquer alerta formal para evitar os voos na área.

Não foram registados feridos ou mortos e a agência de catástrofes não emitiu ordens de evacuação. Em 2016, sete pessoas morreram durante uma erupção deste vulcão. Em 2014 foram registadas 16 vítimas.

No ano passado, a erupção de um vulcão entre as ilhas de Java e Sumatra provocou um deslizamento de terras submarino, desencadeando um tsunami que matou mais de 400 pessoas.

O vasto arquipélago do Sudeste Asiático está no chamado Anel de Fogo do Pacífico, onde se encontram placas tectónicas. A Indonésia tem 127 vulcões activos.

ZAP // Lusa

Por Lusa
8 Maio, 2019

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1260: Encontradas as pinturas rupestres mais antigas do mundo

CIÊNCIA

(dr) Pindi Setiawan

Cientistas encontraram na Indonésia as pinturas rupestres que já são consideradas as mais antigas do mundo. Esta descoberta pode mudar completamente a história da expressão artística.

Nas cavernas das montanhas na província de Kalimantan, na parte indonésia da ilha de Bornéu, foram encontradas gravuras rupestres que podem ser as primeiras representações no mundo feitas pelo Homem, segundo um relatório publicado esta quinta-feira na revista Nature.

Estas pinturas rupestres retratam animais parecidos com vacas e mãos, muitas mãos.

Os investigadores adiantam que as pinturas de Bornéu têm entre 40 e 50 mil anos e esta datação pode mudar muito do que até agora se pensava sobre essa primeira arte figurativa humana.

Em primeiro lugar, contradiz a ideia de que as primeiras representações de figuras de animais e humanas surgiram na Europa Ocidental. Afinal, a história é bem mais complexa do que se pensava.

Segundo o Diário de Notícias, estas pinturas rupestres eram já conhecidas na década de 1990, mas a sua datação rigorosa ainda não tinha sido possível, devido ao acesso extremamente difícil. Mas, agora, tudo mudou.

Uma equipa de investigadores indonésios e australianos, liderada por Maxime Aubert, da Universidade de Griffith, em Queensland, na Austrália, foi até lá e recolheu uma série de amostras dos diferentes locais onde existem pinturas. Foi então que os cientistas foram surpreendidos: a idade das mais antigas suplanta a das outras, que já eram conhecidas, nomeadamente as que existem em diferentes zonas da Europa Ocidental.

A equipa de Aubert recorreu a uma técnica de datação radiométrica dos depósitos de carbonatos de cálcio. “A pintura mais antiga que encontrámos na gruta representa um animal não identificado, provavelmente uma espécie bovina selvagem da floresta do Bornéu, que tem pelo menos 40 mil anos e que é agora a pintura figurativa mais antiga que se conhece”, explica o investigador.

(dr) Kinez Riza

Já no que diz respeito às representações das mãos, a datação mostra que têm no mínimo uma idade idêntica, podendo chegar os 52 mil anos. Estas pinturas fazem lembras as pinturas de crianças, que pintam o papel à volta das suas mãos.

Estas são, então, as pinturas mais antigas conhecidas, que destronam as suas congéneres europeias. O especialista Adhi Oktaviana, do instituto indonésio de arqueologia Arkenas, de Jacarta, afirma que “esta descoberta mostra como a história do surgimento da arte rupestre é mais complexa do que se supunha”.

Além disso, toda a história é envolta em mistério, devido ao muito que ainda não se conhece. Desde logo, desconhece-se os autores destas primeiras pinturas. “Quem eram e o que lhes aconteceu, é um mistério“, confessa Pindi Setiawan, um dos autores do estudo e cientista do Instituto de Tecnologia de Bandung, na Indonésia.

O único detalhe que parece estar claro é que esta manifestação artística surgiu numa época em que o Bornéu era o extremo leste do grande continente da Eurásia, uma vez que aquele território ainda estava ligado na época ao grande continente.

“O que agora se percebe é que estas manifestações de arte surgiram paralelamente, e mais ou menos na mesma altura, nos dois pontos extremos da Eurásia do Paleolítico, ou seja na zona da Europa Ocidental e nesta região da Indonésia“, explica o arqueólogo Adam Brumm, coautor do estudo.

Além destas, as grutas do Bornéu escondem ainda outras representações, ainda que mais tardias, que datam de há cerca de 20 mil anos. Para os cientistas, aquele rede de grutas serviu de uma espécie de tela de sucessivas gerações desde os primeiros artistas humanos.

ZAP // Sputnik News

Por ZAP
9 Novembro, 2018

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