3886: Cientistas provocaram um incêndio dentro de uma nave espacial (tudo pela segurança)

(dr) NASA

A NASA partilhou um novo vídeo no qual demonstra como se comportam os incêndios no Espaço. O projecto Saffire baseou-se na activação de chamas dentro da nave espacial Cygnus, depois de entregar suprimentos à Estação Espacial Internacional (EEI).

O Saffire é um projecto de demonstração de segurança contra incêndios da NASA, que se baseia numa série de seis experiências que investigam de que forma os incêndios se propagam no Espaço, especialmente a bordo de futuras naves espaciais com destino à Lua e a Marte.

Os cientistas deram início à experiência a bordo da Cygnus depois de a nave ter concluído a sua missão de reabastecimento da Estação Espacial Internacional (EEI).

Uma das novidades do Saffire IV é que, após o incêndio, foi usado um filtro de fumo para remover as partículas de monóxido de carbono. Este filtro, assim como um instrumento de monitorização de gases de combustão, são características que serão privilegiadas na nave espacial orian.

“Quisemos usar tudo o que aprendemos nas três primeiras experiências deste projecto e ver como se espalham e crescem as chamas noutras condições”, começou por explicar Gary Ruff, responsável pelo projecto Saffire no Centro de Investigação Glenn, da NASA, citado pelo Space.

“O Saffire IV contava também com mais equipamentos de diagnóstico para ver com que eficácia podemos detectar incêndios, medir produtos de combustão e avaliar futuras tecnologias de resposta e de limpeza de incêndios”, acrescentou em comunicado.

Os cientistas contaram ainda com a ajuda de vários sensores que detectaram os níveis de oxigénio e dióxido de carbono, a concentração, o diâmetro de fumo e as temperaturas em diferentes locais do Cygnus. Quatro câmaras foram instaladas no interior da nave para revelar o tamanho e a propagação das chamas.

A experiência mostrou que as chamas se espalharam rapidamente e atingiram um tamanho e taxa de combustão constantes, ao contrário da Terra, onde as chamas tendem a continuar a crescer. Os cientistas também descobriram que o tamanho da nave espacial teve mais efeito sobre o fogo do que o previsto.

As duas restantes experiências, no âmbito do projecto Saffire, estão planeadas para Março e Outubro de 2021. Até lá, a NASA vai continuar a desenvolver formar mais seguras de operar futuras missões de exploração tripulada.

ZAP //

Por ZAP
20 Junho, 2020

 

spacenews

 

3165: Incêndios na Amazónia estão a intensificar o derretimento de gelo nos Andes

CIÊNCIA/CLIMA

Mato Grosso Firefighters / EPA

Os incêndios na Amazónia estão a fazer com que os glaciares nos Andes derretam mais rapidamente do que nunca. Isto afecta muitas populações que precisam dos glaciares como fonte de abastecimento de água.

Se ligou a televisão ou leu as notícias nos últimos meses provavelmente já ouviu falar dos incêndios que assolaram a floresta amazónica este ano. Os incêndios acontecem todos os anos, mas nos últimos 11 meses o número de incêndios aumentou mais de 70% em comparação com 2018, indicando uma grande aceleração na limpeza de terras pelas indústrias madeireiras e agrícolas do país.

O fumo dos incêndios subia alto na atmosfera e podia ser visto do espaço. Algumas regiões do Brasil ficaram cobertas de fumo espesso que fechava aeroportos e escurecia o céu da cidade.

À medida que a floresta arde, ela liberta enormes quantidades de dióxido de carbono, monóxido de carbono e partículas maiores do chamado “carbono preto”. O termo “enormes quantidades” dificilmente faz justiça aos números — num determinado ano, a queima de florestas e pastagens na América do Sul emite 800 mil toneladas de carbono preto na atmosfera.

Esta quantidade surpreendente é quase o dobro do carbono preto produzido por todo o uso combinado de energia na Europa num ano inteiro. Esta quantidade absurda de fumo não apenas causa problemas de saúde e contribui para o aquecimento global, mas, como mostra um número crescente de estudos científicos, também contribui directamente para o derretimento dos glaciares.

Num novo artigo publicado há uma semana na revista Scientific Reports, uma equipa de investigadores descreveu como o fumo dos incêndios na Amazónia em 2010 fez os glaciares dos Andes derreterem mais rapidamente.

Quando os incêndios na Amazónia emitem carbono preto durante a estação alta de incêndios (de Agosto a Outubro), os ventos transportam essas nuvens de fumaça para os glaciares andinos, que podem ficar a mais de 5 mil metros acima do nível do mar.

Apesar de invisíveis a olho nu, as partículas de carbono preto afectam a capacidade da neve de reflectir a luz do sol, um fenómeno conhecido como “albedo”. Semelhante à forma como um carro de uma cor escura aquece mais rapidamente sob a luz directa do sol, os glaciares cobertos por partículas de carbono preto absorvem mais calor e, portanto, derretem-se mais rapidamente.

Os cientistas descobriram que os incêndios na Amazónia, em 2010, causaram um aumento de 4,5% no escoamento de água do Glaciar Zongo na Bolívia.

Fundamentalmente, os autores também descobriram que o efeito do carbono preto depende da quantidade de poeira que cobre um glaciar. A limpeza de terras é uma das razões pelas quais os níveis de poeira na América do Sul duplicaram durante o século XX.

Os glaciares são um dos recursos naturais mais importantes do planeta. Os glaciares dos Himalaias fornecem água potável para 240 milhões de pessoas, e 1,9 mil milhões dependem deles para alimentação. Na América do Sul, são cruciais para o abastecimento de água — em algumas cidades, como Huaraz, no Peru, mais de 85% da água potável vem dos glaciares durante os períodos de seca.

No entanto, estas fontes verdadeiramente vitais de água estão cada vez mais ameaçadas, à medida que o planeta sente os efeitos do aquecimento global. Os glaciares nos Andes têm decrescido rapidamente nos últimos 50 anos.

Com as comunidades que dependem de glaciares para obter água, e esses mesmos glaciares provavelmente derretem mais rapidamente à medida que o clima aquece, o trabalho de examinar forças complexas como as alterações de carbono preto e albedo é necessário mais agora do que nunca.

ZAP // The Conversation

Por ZAP
9 Dezembro, 2019

spacenews

 

3143: Os glaciares da Nova Zelândia estão a mudar de cor

CIÊNCIA

(dr) Liz Carlson / Young Adventuress

À medida que o Hemisfério Sul entra no verão, acontece uma temporada catastrófica de incêndios florestais na costa leste da Austrália. Há casas destruídas, coalas a morrer e um fumo espesso que cobre o estado de Nova Gales do Sul.

Há mesmo quem ache que os efeitos dos extensos incêndios australianos possam estar a atravessar o oceano, alcançando os glaciares da Nova Zelândia, alterando-lhes a sua coloração.

A escritora e fotógrafa de viagens Liz Carlson tirou fotografias durante um passeio de helicóptero no Parque Nacional Mount Aspiring, na Ilha Sul da Nova Zelândia, mostrando as mudanças que estão a ocorrer naquela região.

“É bastante notável ver o impacto dos incêndios de tão longe”, escreveu Liz Carlson no seu blog Young Adventuress. “Os nossos glaciares não precisam de mais batalhas, pois já estão realmente em perigo. Isto coloca o impacto das mudanças climáticas numa realidade ainda mais severa que não podemos ignorar“.

Actualmente, não se sabe exactamente o que está a causar a coloração vermelha. Em declarações ao site de notícias local Stuff, o principal cientista e meteorologista da NIWA, Chris Brandolino, especula que poderia ser fuligem ou um material de carbono da madeira queimada.

Por outro lado, também pode ser pó vermelho vindo da Austrália, um fenómeno que, segundo o ScienceAlert, já foi observado no passado. A camada superficial do solo australiano é rica em óxidos de ferro, o que lhe confere um tom característico de vermelho.

Entre os incêndios florestais, a Austrália também já sofreu algumas tempestades de pó no mês passado, em Mildura, Victoria. A tempestade deixou o céu com um tom dramático, enquanto a temperatura subia para 40ºC.

Seja qual for a razão, Brandolino explicou que é necessário ter a combinação perfeita de factores para atravessar o Mar da Tasmânia. “É preciso ter fumo ou pó no ar, para começar, e a direcção certa do vento”, disse.

As fotografias de Carlson mostram quão conectados estão os ecossistemas do planeta. A poluição pode atingir as áreas mais remotas e os eventos climáticos naturais podem chegar a extremos, à medida que o clima da Terra muda rapidamente em escala global.

ZAP //

Por ZAP
5 Dezembro, 2019

spacenews

 

2981: Os fogos na Califórnia deixaram uma cicatriz na Terra (e vê-se do Espaço)

INCÊNDIOS/ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS

NASA

O maior incêndio já registado no condado de Sonoma, na Califórnia, queimou durante quase duas semanas tudo o que aparecia no seu caminho. Até agora, o fogo de Kincade queimou 31.467 hectares de vegetação e ainda está violento.

O seu caminho queimado e enegrecido foi agora revelado numa nova fotografia de satélite da NASA. Em 3 de Novembro, o Radiómetro Avançado de Emissão e Reflexão Térmica do Espaço (ASTER) a bordo do satélite Terra capturou a imagem dos danos.

Essa grande região de cinza escuro que percorre toda a extensão da fotografia é a cicatriz deixada pelo fogo. Está salpicada de pontos amarelados e com pixeis, que são os pontos de calor na visão da ASTER – ou seja, é aí que o fogo ainda arde.

É o maior incêndio da temporada de incêndios na Califórnia em 2019 até agora. Um relatório do National Interagency Fire Center divulgado na semana passada alertou que a temporada deve durar até Dezembro devido às condições de seca, com as chuvas previstas para o final deste ano.

Também é muito mias pequeno do que o maior incêndio do ano passado, o Mendocino Complex Fire, que atingiu 185.800 hectares em Julho, Agosto e Setembro.

De acordo com o Departamento de Silvicultura e Protecção contra Incêndios da Califórnia, nos 12 dias em que o incêndio de Kincade esteve a arder, foram destruídas 374 estruturas – incluindo edifícios residenciais e comerciais -e outras 60 foram danificadas. Por outro lado, apenas quatro pessoas ficaram feridas no incêndio e nenhuma morte foi relatada.

De acordo com o ScienceAlert, estima-se que o incêndio esteja 86% sob controlo e as ordens de evacuação emitidas foram levantadas. Algumas áreas permanecem em espera de evacuação e o Oficial de Saúde do Condado de Sonoma proclamou uma emergência de saúde local e emitiu uma Ordem de Saúde que ainda permanece. Para todos os outros, o National Interagency Fire Center aconselha a preparação.

“A melhor coisa que os cidadãos podem fazer é ser sensatos ao fogo”, afirmou o relatório. “Agora é a hora de se preparar para os incêndios florestais e ter um plano para estar pronto para os incêndios florestais se chegarem à sua área”.

ZAP //

Por ZAP
8 Novembro, 2019

 

2366: O Árctico está a arder. Os “maiores fogos do planeta” não param há um mês

Vastas áreas do Árctico que estavam habitualmente congeladas ou encharcadas estão a arder há cerca de um mês. Uma situação alarmante motivada pelas altas temperaturas que se têm sentido na região e que é mais um sinal preocupante das alterações climáticas.

Grandes incêndios florestais estendem-se desde o Alasca até à Gronelândia e à Sibéria. Localizados em áreas remotas, estes fogos captados por imagens de satélite estão a arder há vários dias – um grande incêndio no Lago Swan, no Alasca, arde desde 5 de Junho e a previsão é de que só consiga ser extinto no final de Agosto.

O Programa Copérnico da União Europeia, que monitoriza a atmosfera, já registou “mais de 100 incêndios intensos e de longa duração no Círculo Árctico”, segundo diz a WMO, Organização Meteorológica Mundial.

“Só em Junho, estes fogos emitiram 50 mega-toneladas de dióxido de carbono para a atmosfera, o que é equivalente ao total anual de emissões da Suécia“, acrescenta a WMO, frisando que é uma quantidade superior à libertada nos fogos do Árctico “no mesmo mês entre 2010 e 2018 juntos”.

Os fogos na região árctica são habituais entre Maio e Outubro, mas neste ano, a sua intensidade, duração e localização está a surpreender os cientistas.

Mark Parrington que integra o Centro Europeu de Previsão Meteorológica de Médio Prazo refere que os fogos atingiram “níveis sem precedentes”. Há, pelo menos, 10.000 anos que não se vivia uma situação tão preocupante, segundo a WMO.

Pierre Markuse / flickr
Incêndio no Lago Swan, no Alasca (EUA), a 4 de Julho de 2019.

“Os maiores fogos do planeta”

“São alguns dos maiores fogos do planeta” que estão a ocorrer a uma “magnitude sem precedentes em 16 anos de registos de satélite”, reforça o professor do Departamento de Geografia e Meio Ambiente da Escola de Economia e Ciências Políticas de Londres, Thomas Smith, em declarações citadas pelo USA Today.

Os incêndios “mais graves” ocorreram no Alasca e na Sibéria, onde “alguns foram grandes o suficiente para cobrir quase 100.000 campos de futebol“, segundo a WMO. “Em Alberta, Canadá, estima-se que um fogo foi maior do que 300.000 campos”, acrescenta a organização, frisando que o Programa Copérnico registou “quase 400 incêndios florestais” só no Alasca, neste ano.

Estão a acontecer “novas ignições todos os dias”, segundo a WMO que reforça que “a parte norte do mundo está a aquecer mais depressa do que o planeta como um todo“. “Esse calor está a secar florestas e a torná-las mais susceptíveis de arderem”, afiança a organização.

No Twitter, o especialista em fotografias de satélite Pierre Markuse divulga várias imagens, cruzando dados de diferentes sistemas de satélite, onde é possível atestar o fumo de incêndios em vastas áreas florestais.

@Pierre_Markuse

Several wildfires and smoke between about 62°N and 69°N in , , and the , 22 July 2019 Enh. nat. col. with hot spots Full-size: https://flic.kr/p/2gENVnp  album: https://flic.kr/s/aHsm25FPDN 

Look at the many wildfires and smoke plumes between 57°N and 70°N in and , 21 July 2019 Enh. nat. col. with hot spots Full-size: https://flic.kr/p/2gDVSat  album: https://flic.kr/s/aHsm25FPDN 

Porque é que nos devemos preocupar

Estes grandes incêndios do Árctico estão directamente relacionados com o aumento das temperaturas e das condições secas na região – circunstâncias que resultam das alterações climáticas.

Os registos do Programa Copérnico indicam que Junho de 2019 foi o mês mais quente de sempre na Terra, e ficou marcado por ondas de calor na Europa e nos EUA.

No Árctico, a temperatura média tem crescido a olhos vistos – 2018 foi o segundo ano mais quente na região desde 1900, quando começaram a ser efectuados os registos de temperaturas. Além disso, o aumento das temperaturas foi duas vezes mais rápido do que a média mundial, segundo um relatório da Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA).

Os incêndios são “um sintoma de um Árctico doente” realça o professor Thomas Smith no seu perfil do Twitter. E o problema é que tendem a ser cada vez mais frequentes devido às alterações climáticas, contribuindo também para agravar o aquecimento global numa bola de neve viciada.

Dr Thomas Smith  @DrTELS

These Arctic fires have been burning for over a month now. This thread takes a closer look at what might have caused these fires, what exactly is burning, & why we should be concerned… [images are from the same location in the Sakha Republic, Russia, 65–70°N]
[THREAD 1/9]

“Os fogos estão a arder através de reservas de carbono de longo prazo (solos de turfa) emitindo gases com efeito de estufa, o que vai exacerbar ainda mais o aquecimento do efeito de estufa, levando a mais incêndios”, refere Thomas Smith citado pelo USA Today.

Ao contrário dos fogos florestais que vão progredindo no terreno, os fogos de turfa podem durar durante dias ou meses porque ardem debaixo do solo.

“Eles libertam carbono antigo na forma de emissões de CO2 e metano, exacerbando o aquecimento global, e deixam para trás uma superfície escura e carbonizada, levando a um aquecimento localizado”, explica ainda Thomas Smith.

Este é um dado especialmente “preocupante”, segundo a WMO que refere que o escurecimento do gelo leva a luz solar a ser “absorvida ao invés de reflectida, o que pode exacerbar o aquecimento global”.

Outro dado preocupante é que a “turfa não deveria estar disponível para arder“, sustenta Thomas Smith, realçando que esta só arde “quando é perturbada por alguma mudança ambiental significativa” como a “drenagem” ou a “seca”.

“As turfeiras da Sibéria devem estar húmidas ou congeladas durante o Verão, mas a onda de calor deste ano secou-as”, nota Thomas Smith.

SV, ZAP //

Por SV
24 Julho, 2019

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966: Misteriosa múmia que provocava transe foi destruída no Museu Nacional do Brasil

CIÊNCIA

Dos cerca de 20 milhões de itens de valor incalculável que compunham o acervo do Museu Nacional do Brasil e que foram consumidos pelo incêndio que deflagrou no domingo, havia uma peça em particular que despertava grande curiosidade entre os visitantes – e não era só pela sua raridade. 

A peça em causa era uma rara múmia egípcia, apelidada de Kherima, com cerca de 2 mil anos. De acordo com a BBC, a peça foi levada para o Brasil num caixote de madeira em 1824, pelas mãos do comerciante Nicolau Fiengo.

Dois anos depois, foi oferecida para leilão, acabando por ser comprada por D. Pedro I, que a doou posteriormente ao Museu Nacional do Brasil, no Rio do Janeiro – que, na altura, ainda estava localizado no Campo de Santana, no centro da cidade.

Kherima destacava-se pelo estilo da mumificação. Apresentava os membros enfaixados individualmente e decorados sobre linho, dando-lhe uma aparência semelhante a uma boneca. Este tipo de mumificação era diferente do utilizado da época, dando menos atenção ao corpos que eram simplesmente “empacotados”. Além deste exemplar, há apenas oito múmias do género em todo o mundo.

“Este era um exemplar muito importante por causa do tipo de mumificação utilizado, que preservava a humanidade do corpo. Neste caso em particular, o contorno do corpo feminino”, explicou Rennan Lemos, aluno do doutoramento em Arqueologia na Universidade de Cambridge, em Inglaterra, e pesquisador-associado do Laboratório de Egiptologia do Museu Nacional (Seshat).

No entanto, havia uma outra peculiaridade nesta múmia que atraía o interesse dos visitantes – o poder de transe. Há relatos da década de 60 que dão conta que Kherima teria provocado situações de transe a quem se aproximava dela.

Um destes exemplo remota à décadas de 1960, quando uma jovem terá tocado nos pés da múmia e, fora si, terá dito que pertencia a uma princesa de Tebas chamada de Kherima, assassinada com punhaladas. Outras pessoas relataram sentir um “mal estar súbito” quando se encontravam próximas da múmia.

Sessões de hipnose colectivas

Kherima já se tinha tornado num objecto de culto quando o professor Victor Staviarski, membro da Sociedade de Amigos do Museu Nacional, ajudou a reforçar o misticismo à sua volta. O professor leccionava cursos controversos de egiptologia e escrita hieroglífica ao som de óperas como Aida, de Giuseppe Verdi, e que incluíam a presença de médiuns e sessões de hipnose colectiva – ao lado da múmia.

Naquela época, os alunos podiam tocar na múmia e as reacções inesperadas que resultava dessa interacção foram alimentando o imaginário popular.

“Algumas pessoas diziam que conversavam com a múmia e ela respondia. Numa dessas conversas, a múmia terá dito que era uma princesa do Sol, mas isso não tem qualquer sentido científico, uma vez que esse não era um título do Antigo Egipto”, acrescenta Lemos.

Técnicas de tomografia permitiram revelar que Kherima era filha de um governador de Tebas, uma importante cidade do Antigo Egipto. De acordo com a pesquisa levada a cabo, Kherima teria cerca de 18 a 20 anos e terá vivido durante o Período Romano no Egipto, entre o século I e II. A causa da morte nunca foi identificada.

Uma outra múmia da cantora-sacerdotisa egípcia Sha-amun-en-su, foi também reduzida a cinzas no incêndio que destruiu o Museu Nacional do Brasil. Este exemplar foi um presente oferecido a D. Pedro II, em 1876, na sua segunda visita ao Egipto.

Com mais de 700 peças, a colecção de arqueologia egípcia do Museu Nacional era considerada a maior da América Latina e a mais antiga do continente – com várias múmias e sarcófagos. Acredita-se que todo o acervo tenha sido destruído.

O museu foi criado por D. João VI, de Portugal, e que completaria 200 anos este ano.

ZAP // BBC

Por ZAP
5 Setembro, 2018

(Foram corrigidos 11 erros ortográficos ao texto original)

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797: Este verão “tem a assinatura das alterações climáticas”

 

Ondas de calor potenciadas por secas no norte da Europa, recordes de temperatura um pouco por todo o lado. Isto é o planeta com mais um grau de temperatura média. Como será com dois graus a mais?

Incêndios florestais na Suécia
© TT News Agency/Maja Suslin via REUTERS

Ondas de calor intensas e incêndios na Escandinávia e na Grécia, o Reino Unido dias a fio com temperaturas acima da média para a época e sem um pingo de chuva em Junho, tradicionalmente, ali, o mês mais chuvoso, Portugal sem verão digno desse nome. E, noutras regiões do hemisfério norte, idênticos desacertos: recordes de temperatura em Toronto, no Canadá, no Japão, na Argélia… a lista impressiona de tão longa, e deixa uma certeza: as alterações climáticas já moram aqui.

Na prática, quase todo o hemisfério norte, tanto na Eurásia, como na América, está nesta altura com temperaturas acima da média. “São muitos recordes juntos”, nota Francisco Ferreira, professor e investigador da Universidade Nova de Lisboa, e presidente da associação ambientalista Zero. “Não se pode individualizar cada uma destas situações e falar de alterações climáticas, mas quando se olha para todas em conjunto, as campainhas soam”, diz. “O que estamos a observar está em linha com os piores cenários traçados pelos modelos climáticos”.

Ricardo Trigo, que lidera o grupo de climatologia do Instituto Dom Luiz da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, também não tem dúvidas de que se está perante “a assinatura das alterações climáticas”. Ondas de calor e secas, “sempre houve”, sublinha, mas “isto já inclui alguma assinatura das alterações climáticas, porque a sua maior frequência e magnitude é compatível com aquilo que os modelos indicam com grande fiabilidade nos últimos dez anos”, garante.

As secas e ondas de calor tornaram-se mais frequentes e mais intensas ao longo dos últimos anos e isso é exactamente o que os modelos já previam há dez anos, quando se lhes introduzia os dados das emissões de gases com efeito de estufa.

A maior frequência e magnitude das secas e ondas de calor é compatível com o que os modelos indicam com grande fiabilidade nos últimos dez anos

E se é assim agora, numa altura em que a temperatura média do planeta já ganhou mais um grau Celcius em relação à era pré-industrial – em Portugal, já é mais de um grau, e no norte da Europa já vai em 2,5 – “como será quando esse aumento for de dois graus?”, questiona-se Francisco Ferreira.

O que se sabe de ciência certa é que as temperaturas mais altas potenciam e amplificam os fenómenos meteorológicos extremos, e daí se observar já o seu aumento, concordam todos os especialistas. Um deles é Pedro Miranda, também investigador do Instituto Dom Luiz, da Universidade de Lisboa. “Isto é o resultado de um mundo que está a aquecer”, diz. Na prática, “verifica-se o que os modelos têm previsto, com anos sucessivos, na última década, a bater recordes de temperatura média, e com o aumento dos fenómenos extremos, como estes”.

Para o futuro, os modelos estimam que tudo isto se agrave. Em 2050, diz por sua vez Ricardo Trigo, ondas de calor como a de 2003 – o chamado verão que veio do futuro – que deixou um rasto de milhares de mortos na Europa, “poderão ocorrer a cada cinco ou dez anos”.

Norte da Europa em onda de calor

Na Europa, este verão em quase tudo atípico, com o norte da Europa a suar de calor e a enfrentar incêndios inéditos, como acontece na Suécia, e a Península Ibérica com temperaturas frescas e uma nebulosidade teimosa, a origem da situação está na “circulação atmosférica, que não é a habitual para esta época do ano”, explica ao DN Ricardo Trigo.

“Normalmente, no verão o anticiclone dos Açores está ligeiramente mais para norte, sobre o oceano, e um pouco mais junto da Europa, mas esta situação tem estado profundamente alterada nas últimas semanas”, conta o especialista, sublinhando que “um anticiclone de bloqueio se tem mantido parado, muito para norte, e tem impedido que as depressões que vêm do Atlântico cheguem à Europa”, nas latitudes do Reino Unido ou mais para norte, como é usual acontecer.

© TT News Agency/Maja Suslin via REUTERS

Resultado: há cerca de dois meses que não chove no Reino Unido e na Escandinávia, e com as temperaturas ali anormalmente elevadas, aumenta também de forma inédita o risco de incêndio – na Suécia os fogos florestais não têm dado tréguas.

Em contrapartida, a Portugal continua a chegar nebulosidade que vem do mar. “As depressões continuam a atravessar o Atlântico, e quando chegam perto do Reino Unido, nesta situação, são empurradas para aqui para a Península Ibérica”, explica Ricardo Trigo.

A dar uma ajuda a tudo isto, as correntes de jacto, os ventos atmosféricos que correm de Oeste para Leste e que são determinantes para as condições meteorológicas na Europa, estão também nesta altura mais a Norte do que é habitual, e enfraquecidos, o que contribui para que os padrões deste verão europeu anómalo se vão mantendo, dia após dia.

Já a situação na Grécia, com uma onda de calor e uma secura prolongada de semanas, que desembocou nos incêndios devastadores às portas de Atenas, que já causaram pelo menos 74 mortos, não decorre deste mecanismo específico que afeta a frente europeia atlântica.” Ali, a onda de calor, que deverá, aliás, abrandar nos próximos dias, “é causada por ar quente continental, vindo do nordeste”, adianta Ricardo Trigo.

Diário de Notícias
Filomena Naves
24 Julho 2018 — 19:59

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